Notas iniciais
Olá pessoal! Tudo bem com vocês? Capítulo novinho, espero que gostem!

A sirene tocou e eu acordei assustada. Vick e Jane estavam lá, dormindo. Sam estava se espreguiçando. Tudo como se nada tivesse acontecido.

Tentei me levantar. Senti minhas pernas ainda fracas, porém conseguia sustentar meu peso nelas. Estava tentando ser forte e isso era apenas um começo. Por Liam. Por nós dois.

– Quer ajuda? – Sam perguntou.

– Não. – respondi com um sorriso sincero. — Cansei de ficar sentada. É horrível.

– Mas e a atenção que você recebe daquele segurança? – ela parecia interessada. — Me parece bem confortável.

– Não é. Ele é só um idiota. Pode ficar pra você.

– Com todo prazer. – Sam soltou um riso.

– Vamos comer ou não? – não queria que ela ficasse pensando besteira, seu irmão não iria gostar.

Treze nos acompanhou e Sam não tirava os olhos dele. Provavelmente ela havia se interessado. Sam sempre foi de ficar fitando as pessoas. Naquele momento ela olhava com um pequeno interesse. Seus olhos castanho-escuros não brilhavam como de alguém interessado, mas seu sorriso já era o bastante. E naquele instante ela deixou escapar um sorriso no canto da boca graças à companhia de Treze.

Quando chegamos ao refeitório vi todos os mutantes que estavam conosco na sala de reunião no dia da captura. Menos Liam. E isso me deixou irritada.

Peguei minha comida e a senha. Sentei entre Sam e Wesley. Todos na mesa me encaravam com pena. Era horrível e irritante. Queria sair correndo dali o mais rápido possível.

– Já pensaram em comer e parar de me olhar? – tive que chamar a atenção deles, já não aguentava.

Eles voltaram a comer e às vezes me olhavam. Era de fato muito irritante ver que todos sabiam que eu estava tão mal. Alguns deviam imaginar que era alguma espécie de depressão, por dentro eu achava o mesmo. Acabei toda a minha comida, logo após Yoko. Corri até ela. Ainda me importava com o bem estar das pessoas.

– Está melhor? – perguntei.

– Só com… uma… dificul-dade pra… falar. – ela respondeu. — E… você? Fiquei sa-bendo do pro-blema.

– Bem melhor. – não queria dar detalhes a Yoko, eu sabia muito bem como ela era,

Alguém tocou meu ombro. Parei e olhei para trás. E era Frank. O babaca do Frank. Girei os olhos, o que era dessa vez?

– Preciso da sua ajuda. – ele pediu com aquela confiança irritante.

– Pra que? – perguntei sem interesse algum, não iria ajudar ninguém.

– Para evitar um futuro problema. – a explicação não ajudava.

– Foi mal… sou imã pra problemas e também não vou te ajudar. – protestei.

– Por que? – ele queria muito ajuda.

– Porque você e os outros ficaram me olhando como se eu fosse uma coitadinha. – tentei explicar. — Não gosto disso e vocês sabem muito bem.

– Não gosto de pedir desculpas. Foi mal, então.

– Eu sei. Não diga nada, ok? – pedi.

– Vai me ajudar ou não doida? – Frank era de fato muito irritante.

– Já disse que não, não quero ajudar ninguém. – respondi. — Eu já tenho problemas suficientes, entendeu? – qualquer um poderia notar isso.

Começamos a dar passos lentos. Frank ainda insistia na ajuda.

– Não posso falar agora pra que preciso de ajuda. Mas me ajude. Você já deve imaginar o motivo.

– Eu já disse que não vou te ajudar, se conforme babaca. – respondi com o mesmo tom sério.

Girei os olhos enquanto um segurança o guiava. Ele estava perfeitamente bem. Não havia mudado em nada, absolutamente nada. Frank e os outros meninos entraram no corredor que dividia a área feminina da masculina. Ainda pedia ajuda para algo que eu nunca faria. Era cada um por si. Para bem longe da Proteção.

Treze estava em frente a porta do meu quarto. Como sempre. Só que dessa vez seu olhar era diferente, um olhar profundo e triste. Logo que entrei ele entrou também. Senti vontade de chutá-lo para fora dali, mas algo bom poderia ter acontecido.

– Tenho notícias. – ele anunciou.

– Conte. – uma esperança acendeu em minha alma, Liam poderia ter acordado.

– Ele acordou. – suas palavras saíram lentas.

Não disse mais nada. Fiquei em choque. Liam havia acordado. Sentia-me até mais viva. Não me sentiria tão sozinha como antes. Estava quase tudo bem, só faltava ir embora dali.

Sentei-me na cama com um pouco de dificuldade. Mas naquele momento era por conta do choque da ótima notícia. Um sorriso largo não saía de meus lábios. Estava estampada na minha cara a felicidade.

– Posso vê-lo? – perguntei.

– Logo. – Treze respondeu. — Ele ainda não foi transferido. Disseram que a primeira palavra que ele disse foi o seu nome.

A primeira palavra. O que ele sentia mais falta. Precisava dizer a ele que também sentia. Que Liam era a pessoa mais importante para mim.

– Tem certeza?

– Tenho. Foi o que a senhorita Olivar me disse.

Eu não acreditava nas palavras dos membros da Proteção. Mas naquele caso, acreditar me faria feliz, pela primeira vez ali naquele lugar branco.

– Ele está fraco?

– Não sei. Realmente não sei. – era como se Treze não quisesse me informar, o que me incomodava. — Provavelmente quando ele estiver no quarto, vão lhe dar notícias mais concretas e até deixar você vê-lo.

– Acho difícil. – balancei a cabeça levemente.

– Por quê? – parecia que Treze não compreendia.

– Porque para todos aqui, eu sou uma forma de ameaça. – respondi. — Eu não sei por que, não faz sentido. O que eu fiz para todos vocês?

– Não se estresse. Você logo terá uma sessão com Josh. Eles acharam você bem inteligente. Foi o próprio Josh que pediu para ter uma conversa com você. Vick disse a senhorita Olivar que você gosta de história e que tem uma paixão absurda por livros, assim prosseguiu.

Ergui a sobrancelha. Desde quando Vick fofocava sobre eu para as outras pessoas? Ela se adaptou muito bem na Proteção. Melhor do que deveria. Ela NÃO deveria.

– Logo quando?

– Você vai saber. Agora durma. Você precisa relaxar um pouco.

– Vou relaxar se você sumir logo. – anunciar que Liam havia acordado não o transformava em uma pessoa boa, ainda era inimigo para mim.

Entrei no quarto. Somente eu estava lá. Subi na cama com um pouco de dificuldade. Sentei-me e soltei o cabelo. Ele estava quebradiço e repleto de pontas duplas, a síndrome de Vick devia ter passado para mim. Abri um sorriso. Era convivência.

Não conseguia pensar em nada. O fato de Liam ter acordado fez meu mundo verdadeiramente parar. Não estava sorrindo e nem chorando, mas era uma mistura dos dois.

Notei que ali não era nenhum tipo de Proteção, mas sim um perigo para mutantes. Fizeram algo com Vick a noite e isso não me confortava nenhum pouco, nem mesmo o fato de Liam ter acordado. Não podia deixar que machucassem meus amigos. Mesmo eles não sendo mais os mesmos. Mesmo eu não sendo capaz.

Notas finais
Liam acordou!!! Kk e agora o que acham que irá acontecer? Comente!