The Immortal
10 Tão frágil e perigosa quanto vidro
Notas iniciais
Eu amei esse capitulo! Espero que gostem tambem E COMENTEM!
*Enjoy*
Tarde demais. Nico não precisou nem me pegar no colo, apenas me levantou e me jogou. Antes de pensar eu já estava debaixo da agua com o filho de Hades a menos de dez centímetros do meu rosto.
Não faço a mínima ideia do que fiz quando me aproximei. Até de baixo da agua ele conseguia ser lindo, mas ainda sim, havia algo gritando pra me afastar dele. O que eu estava fazendo? Eu fiz uma promessa!
Eu senti que ia explodir eletricidade. Ouvia os raios rebombando no céu, mas duvidava que eram meus.
Sete centímetros… Cinco…
Felizmente, meus olhos começaram a arder e eu subi soltando o ar preso em meus pulmões. Confesso que quando Nico voltou a superfície eu queria dizer algo sobre o que… Quase aconteceu e não podia de jeito nenhum acontecer. Na verdade, por que eu queria que acontecesse? Mas parece que Nico joga no time contrário, porque submergiu rindo.
— Não foi tão difícil. – Ele disse, dando voltas dentro da agua em seguida. – Você é muito leve, sabia?
Eu resolvi ignorar os comentários retardos, e assim que ele deu as caras novamente eu comecei a jogar agua em seu rosto.
— Por que fez isso? Nico, eu estou encharcada!
— Claro que esta! Você esta em um lago! – Ele riu.
— Não era para estar. Eu estou começando a esquecer a beleza desse lugar, viu? – Revidei seria.
Então, ele afundou novamente. Eu me preparei para sair daquele lugar, mas algo agarrou meus pés e me puxou novamente para o fundo.
— Nic…
Não deu tempo de falar. Logo a agua começou a ficar… Esfumaçada. Uso essa palavra por falta de expressão. Quando submergi novamente Nico estava de costas para mim olhando para as ruínas, onde o Sol se encaixaram no circulo de pedras. Ele fechou os olhos e eu continuei encarando a bola de fogo. Sim, ele é como a forma verdadeira do titã Helius, então, pra mim não é torturante encará-lo.
— Existe um lugar assim na África. – Falei me aproximando dele.- Omã.
Nico me encarou.
— Já foi na África?
— Não. Mas sou inteligente. – Respondi e ele riu. — Gosto de geografia. Fico lendo esses tipos de coisa, sabe?
— Triste pra você. – Ele riu.
Fechei meus olhos aproveitando o calor confortável.
— Você não sabe o quanto isso me preocupa. – Suspirei.
— O que? – Nico indagou.
— Não envelhecer. Eu fico me perguntando porque as pessoas acham imortalidade… legal.
— Você não gosta? – Nico perguntou remexendo a agua.
— Não apenas não gosto como me cansei dela. – Falei amargurada.
— Percebi. – Ele arqueou as sobrancelhas.
Dei um sorriso forçado.
— Qual foi a primeira pista? – Perguntei.
Ele se virou para mim. Eu poderia cair de joelhos naquele momento, com a luz fraca do Sol batendo em sua pele pálida… Nos seus olhos brilhantes que me traziam más lembranças… Nos longos cabelos caindo por seu rosto…
— Seus olhos. – Respondeu.
Desviei meu olhar do dele.
— Pouca gente percebe. – Dei de ombros. – Geralmente as pessoas não me olham nos olhos.
— Eu percebi. Será que tem alguma coisa que se possa fazer para o brilho voltar?
Eu ri alto.
— Não, Nico, não tem.
Ele sorriu.
— Será que daqui a alguns séculos você vai se lembrar de mim? – Perguntou.
— Impossível esquecer você, Nico! – Eu soltei. – Olha o que você me faz passar!
Ele deu um sorriso tímido.
— Vou considerar isso um elogio.
— Pode sim.
Ficamos em silencio enquanto eu percebia que o Sol ia se pondo. Nico e eu nos sentamos em um tronco de arvore e ficamos encarando o céu.
— Eleanor, você disse que conheceu um filho de Hades…
— Vamos embora? – Eu me levantei na mesma hora, louca para ele não insistir naquilo.
Nico riu.
— Agora que você vai me contar essa história! Senta aí e desembucha! – Ele segurou meu braço e me fez sentar.
— Era brincadeira. – Menti.
Nico riu de novo.
— Eu posso te conhecer a menos de uma semana, mas sei quando esta mentindo Srtª sem sobrenome.
Suspirei irritada.
— Você vai ficar esperando a toa, não tem nada para falar.
— Fala logo!
— Nico…
— Tudo bem. – Ele desistiu. – Não quer falar porque alguma coisa muito ruim aconteceu, não é?
Meu silencio foi a resposta.
— Eu só queria saber o que era. Não queria te deixar mal, tá? – Ele disse.
— A culpa não é sua. Não sabia o que estava perguntando.
— Então, tudo bem. Mas promete que me conta um dia? – Ele se levantou.
— Prometo.
Nico pegou sua camisa e vestiu enquanto eu fazia um coque no meu cabelo encharcado.
— Me deixa na praia? – Perguntei.
— Não vai jantar? – Ele indagou.
Fiz que não com a cabeça. Pensar no filho de Hades me deixou sem fome… No outro filho de Hades.
Caminhamos até uma das sombras das arvores.
— Me desculpa mencionar este assunto. – Ele disse. – O negocio foi feio, não é?
Sorri tristemente.
— Muito feio. – Confirmei.
Ele pegou minha mão e esperou alguma coisa.
— Tudo bem? – Perguntou.
— Ahan.
— Esta calma, ou acha que vai me matar eletrocutado?
Olhei pra ele como se fosse louco.
— Reparou que eu não consegui ficar irritada com você? De verdade? Se tivesse ficado irritada realmente você estaria queimado naquele lago. – Falei.
— Se é assim… — Ele me levou até a sombra de uma das arvores e me levou direto para a praia do Acampamento.
— E vou jantar. Tem certeza que não vai? – Nico insistiu.
— Eu estou bem. Ficar um pouco sozinha vai me fazer bem… — Olhei para o mar que balançava lentamente.
— Me desculpa por comentar esse assunto? – Perguntou novamente. – Não fique com muita raiva de mim, ou…
— Não se sinta culpado. Eu nunca conseguiria ter raiva de você.
Ele deu um sorrisinho e eu não aguentei e o abracei.
— Obrigada por tudo. – Falei.
— Se controla até eu voltar, hein?
Eu ri.
— Vou tentar.
Ele jogou sua jaqueta de aviador em meus ombros e em seguida foi andando para o Refeitório. Eu tinha que apreciar meus minutos de solidão…
Pensei em como estava descontrolada, mais cedo. Quando fiz aquilo com Percy e Annabeth… O desespero tinha me cegado. Eu estava morrendo de medo de virem atrás de mim agora que o feitiço foi quebrado e Éter na minha frente com suas palavras e seus joguinhos não me ajudou em nada; mas Nico… Apenas dois minutos ao seu lado e eu já estava calma e controlada novamente.
— Isso não pode acontecer de novo… — Sussurrei.
— Ora, a cigana fala sozinha.
Uma voz estridente soou atrás de mim. Me virei e encarei uma garota de uns quinze anos. Seus olhos eram verdes e seus cabelos chegavam a ser azuis. Poderia ser como uma boneca, mas expressava agonia e raiva e seus olhos transbordavam ódio.
Olhei para minhas mãos imaginando se parecia mesmo com uma cigana. Bem, com meu vestido longo e aquelas jóias talvez mas… O que essa garota quer comigo?
— Posso ajudar? – Indaguei impaciente.
— Fique longe do Nico. – Ela foi direto ao assunto.
— Ah, era só o que me faltava! Namoradinha ciumenta? Jura? – Virei as costas para ela tentando evitar conflitos. Mas ela segurou meu braço com força e me virou para encará-la.
— Estou te avisando para ficar longe dele. – Ela disse entre dentes.
— E eu estou te avisando para ficar longe de mim. – Devolvi encarando seus olhos verdes.
A merda (não acredito que já estou falando esse tipo de coisa) é que eu já tinha perdido novamente o controle. Meus pés queimaram. Os raios começaram.
— Você pode se exibir por aí com uma espada e seus amiguinhos, mas não consegue se virar sozinha. Todo mundo aqui sabe que você só passa de uma guardiã sem nenhuma utilidade. Me pergunto o que o Nico viu em você.
Não sei se foi por que eu lhe joguei uma leve descarga elétrica, mas ela largou meu braço sem perder a postura.
Dos seus olhos para o meu foram sendo transferidas memórias em que ela e Nico estavam juntos na floresta. Meu coração se apertou ao ver o modo como ele a olhava.
— Você não se enxerga? – Perguntei controlando minha voz.
— E você? Não quero que Nico sofra na sua mão…
— Como sofreu na sua? Não, pode deixar que eu não sou como você.
— Se acha melhor que eu por ser imortal? – Ela riu. – Você é tão frágil quanto vidro, garota, todos sabemos que você com sua espada é uma grande guerreira, mas sem sua arma você é tão frágil quanto um bebê. E eu sei que sua inocência é uma mascara. – Ela balançou a cabeça. — Você não merece Nico.
— Concordo. – Eu falei. Agarrei seu braço distribuindo energia elétrica por seu corpo e o torci para trás. – Mas você também não o merece.
Chutei suas costas e a empurrei para longe. Mas ela se recompôs rapidamente e veio para cima de mim com sua pequena faca.
Um raio caiu bem ao seu lado, mas ela cobriu o espanto e continuou me atacando. Os raios aumentavam e meus pés queimavam na areia. Então, parei de me esquivar e fechei a mão. Quando ela veio para me atacar novamente, eu estiquei o braço e ela voou para trás sendo eletrocutada ainda mais forte que as outras vezes, e eu ainda consegui manipular todas as suas lembranças. Quando ela acordasse, ia estar tão atordoada que não saberia nem o que fazer pra conseguir andar.
Fui até ela e chutei a faca de sua mão enquanto via seus olhos caminhando para o mundo de Morfeu. Quem diria se fosse para o mundo de Hades...
— Não confunda fragilidade com inocência. Não se esqueça de que o vidro é frágil, mas muito perigoso.
Notas finais
No próximo aparecem os filhos de Éter que vão causar o maior rolo... Devo postá-lo sabado ou domingo, ok?
Beijinhus, amores!
Fale com o autor