The Immortal
11 Pétalas de sangue
Notas iniciais
Esse capitulo é a introdução do inferno que a história vai se tornar a partir de agora.
A ideia desse capitulo veio de um review da BiaSol. Então, muito obrigada, linda!
*Enjoy*
Deixei a garota maluca na praia mesmo. Caminhei em direção a colina, para me despedir das Caçadoras, o mais lentamente possível, com medo de que qualquer passo pesado demais, ou longo demais, resultasse em raios caindo ali.
Eu realmente não devia ter feito aquilo. Novamente me senti irritada. Eu quase a matei… Não, vaso ruim não quebra. Acho que ia demorar um pouco pra ela morrer. Ela parecia forte demais… Os primeiros raios pareciam não afetá-la, até eu realmente atingi-la com aquela onda de eletricidade. E as suas lembranças eram muito confusas. Não que eu estivesse forçando para vê-las, mas elas eram muito distantes… Embaçadas, como se estivessem sendo controladas… Tentei criar uma lixeira mental para onde joguei todas as lembranças que tinha visto, tanto de Percy e Annabeth quanto aquela garota.
Quando cheguei a colina, as Caçadoras já estavam lá. Me aproximei delas e comecei a me despedir.
- Posso perguntar porque esta molhada? – Perguntou Mylla.
- Não. – Respondi abraçando ela.
- Tudo bem. Não vem mesmo com a gente, não é?
- Não. Tenho a eternidade pela frente, querida. Quem saiba eu não me junto a vocês daqui a alguns séculos. Quero aproveitar minha liberdade. – Eu lhe dou um sorriso.
- Eu te entendo. Até mais.
Eu me virei e abracei as outras, dando de cara com Thalia, por ultimo.
- Adeus, maninha. – Ela me abraçou. – Tome cuidado, não se irrite. Fiquei sabendo do que aconteceu na Caça a bandeira e não deixe se repetir…
- Quem ganhou a Caça Bandeira? – Perguntei, fazendo com que ela bufasse.
- Nós. Achou que eles iam ganhar?
Sorri internamente. Sim, eles iriam. Por covardia, mas iriam. Nico que salvou a pele das Caçadoras. Mas, infelizmente, não era uma noticia para eu dar agora.
- Imaginei que poderiam. – Falei. – Sabe como é que se faz para falar com o papai?
- Oferendas, pensamentos…
- Sabe que não funciona com ele.
- Ele só vai aparecer quando quiser, Eleanor. É sobre esse colar novo, aí?
- Sim. Ele não funciona. – Eu falei fazendo com que ela risse.
- Olha… É simples. Seu poder apareceu do nada. Ele esta dentro de você esperando um momento para explodir, de verdade. Tente usar esse colar como um... Baú.
- Baú? – Eu a interrompi, e nossa, como ela odeia quando faço isso.
- Deixa eu acabar de falar. Se concentre nele quando estiver sentindo que vai explodir. – Ela segurou o colar e o virou. – Exatamente como pensei. Usei um desses no começo, só que não tinha CHB, era algo a ver com o Green Day… Não me lembro. Mas, enfim, se concentre nele quando estiver irritada ou algo do tipo. Ele vai absorver seu poder aos poucos até que sobre apenas o que cabe realmente dentro de você.
- Tá dizendo que isso aqui absorve meu poder? – Perguntei perplexa.
- Exato.
- Por que não esta absorvendo agora?
- Quem disse que não esta?
- Thalia, não entendi.
- Você se subestima demais.
- Como?
- Você teria acabado com metade do acampamento sem esse colar. Não fui só eu que percebi isso. Artemis veio me avisar que isso poderia acontecer. Essa sua inquietação aqui, poderia causar uma tempestade e tanta, além de um turbilhão de lembranças, mas com o colar… O que esta sentindo?
- Só um formigamento… Ansiedade.
- Viu? Você vai ficar bem.
Ela acabou de dizer isso e nós ouvimos um barulho abaixo da colina. Havia três dracaeneas e uma empousa correndo atrás de um casal de semideuses, provavelmente. Não sei se era a distancia, ou a minha tontura, mas eu podia jurar que os semideuses que estavam sendo perseguidos riam. O garoto decapitou uma das dracaeneas e logo após a menina parou de correr e esperou os outros monstros chegarem mais perto. Então, ela explodiu em luz celestial. O garoto apenas ficou parado, olhando para a garota. Quando ela voltou ao normal, os dois começaram a ter uma conversa um pouco agressiva, mas não consegui ouvir até que eles tivessem subido a colina, ignorando totalmente a presença das Caçadoras e de Quíron.
- Eu já disse pra você parar com isso! – A garota disse.
- Sou eu quem explodo, Beatriz!
- Você anda muito lerdo, Ethan! Sinceramente, esta parecendo o lesado do Harry…
- Posso ajudar?- Quíron se intrometeu na discussão do casal, que agora se encontrava entre as Caçadoras (que estavam confusas) e o centauro.
Sorri instantaneamente ao reconhecer aqueles rostos. O garoto tinha cabelos castanhos avermelhados arrepiados e pele morena. E a menina tinha o cabelo vermelho fogo, o que me fez demorar um pouco mais pra reconhecê-la, mas ainda sim foi fácil, eles se pareciam muito. Tinham na media dezoito anos e uma vontade enorme de se matarem estampada nos olhos castanhos.
As Caçadoras estavam confusas, assim como Quíron, mas o casal de irmãos apenas deu de ombros como se fossem superiores. Eles não mudaram…
- Meu pai finalmente tomou vergonha na cara e mandou a gente vir pra cá. – A garota disse se virando para Quíron. – Mas eu acho isso humilhante. Eu não devia vir pra cá.
- Claro que devia. – Interrompeu o garoto. – Não somos filhos dos deuses, mas aqui é mais seguro, coisa tonta!
- Ethan, eu vou acabar com você se disser mais uma palavra…
Resolvi me intrometer naquela briga familiar. Se não o tivesse feito ela duraria quase a noite toda.
- Vocês não mudaram, não é? – Falei.
Ambos se viraram para mim com excelente sincronia. Eles apertaram os olhos e me encararam.
- Ah, não. – A garota disse. – Você esta de brincadeira. Agora que me livrei da mamãe ganhei outra?
- Bom te ver também, coisa tonta. – Eu me aproximei dela e a abracei. Com intensidade, ela fez o mesmo.
- Caramba, passei seis anos na academia, estou quase tão burro quanto era, meu cabelo pegou fogo e você não mudou absolutamente nada, Eleanor! – Ethan falou incrédulo.
Me virei para encarar aquele garoto.
- Eu sou imortal, idiota! – Falei. – E seu rostinho de neném foi embora. Eu gostava tanto dele.
Ele me abraçou, carinhosamente.
- Não pensamos que veríamos você de novo. – Ethan falou.
- Claro que não. – Bia o apoiou. – Nós estamos sendo perseguidos para fazermos parte daquele…
Quiron pigarreou e disse tentando manter aquilo sobre seu controle.
- Caçadoras, até a próxima vez! Eu vou receber os nossos novos amigos.
As Caçadoras entenderam o recado deram um breve tchau e desceram a colina.
- Eca, não vou com a cara delas. – Disse Bia.
- Você não vai com a cara de ninguém. – Ethan falou.
- Mentira. Eu gostei desse centauro aqui, ele parece legal. Você é o Quíron, não é? – Bia se virou para ele.
Quíron estava ligeiramente irritado, mas sorriu.
- E você é…?
- Beatriz Montley. E esse é o capacho do meu irmão, Ethan. Somos filhos de Éter. – Ela respondeu rapidamente.
- Ah, sim! – Quíron se remexeu. – Fui avisado da visita de vocês. Sejam bem vindos. – O centauro olhou para mim. – Como os conhecia?
Sorri.
- Eu ajudei no parto deles. É, eu sei que é estranho, mas pediram minha ajuda. A mãe deles ia morrer na mão de Hemera. Como as leis dos deuses não são válidas aos Primordiais, de vez em quando Éter tambem os buscava para fazer uma visita ao Palácio. E eu acabava tendo que ajeitar a bagunça deles no fim do dia. – Falei perdida nas lembranças.
- AH, fala serio, você adorava a gente! – Ethan falou convencido com sua voz rouca.
Olhei para ele incrédula.
- Eu prefiro sua versão neném. – Falei.
- Antes de começarmos a brigar sobre quem preferimos, – Bia interrompeu. – Eu necessito de um banho.
Quíron começou a andar na direção da Casa Grande e nós os seguimos.
- Foram preparados dois quartos para vocês na Casa Grande. – O centauro disse. – Espero que sejam confortáveis o bastante. – Ele acrescentou como se já soubesse que aquelas duas criaturas eram impossíveis de serem agradadas. Provavelmente, quando Éter veio me visitar, também veio falar de seus filhos.
Fomos andando conversando sobre as coisas que os dois passaram até chegar aqui, e eu não imaginava como eles podiam não ter se matado nesse tempo. Deixei-os na Casa Grande e comecei a caminhar até a fogueira para procurar Percy e Annabeth, já que devia desculpas a eles.
- Percy. – Eu o chamei.
Quando ele se virou seus músculos se retesaram prontos para qualquer ataque.
- Sim? – Respondeu lentamente.
- Me desculpa por hoje. Eu estava descontrolada e irritada. Não tive intenção de machucar ninguém.
Ele suspirou aliviado.
- Sabe, é que eu não gosto muito de choque e essas coisas. Acho que é por causa do meu pai…
- Você acha?
- É, tanto faz. Mas mesmo assim, imaginei que não tivesse feito de proposito.
- Não fiz mesmo. Eu juro. Pode dizer a Annabeth que sinto muito?
- Claro. E você não vai assistir a fogueira?
- Seria legal. Mas eu preciso me trocar. – Olhei para minha roupa nada bonita.
- Tudo bem. Mas hoje vão falar sobre seu pai.
Eu resolvi ficar e ouvir a musica maluca dos filhos de Apolo em que meu pai aparece como alguém perfeito.
- Ahn… Percy. – Eu comecei quando me lembrei da garota na praia. – O Nico tinha namorada?
Percy olhou para mim, curioso. Ele piscou os olhos algumas vezes e respondeu:
- O Nico não teve algo serio com ninguém. Pelo que sei foi só com uma filha de Demeter que ele ficou aqui no Acampamento e uma Guardiã do Mundo Inferior.
- Ele já ficou com uma Guardiã? Ah, não esta falando serio! – Falei perplexa.
- Pois é, ninguém acredita. Bem, ele não fica muito aqui, então é difícil dizer mais alguma coisa. – Ele começou a bater o pé no ritmo da musica maluca. – Ele passava tempo demais no “mundo normal” antes dessa missão.
- E essa filha de Demeter… Ela era morena…
- Não! Ela era loira, tinha cabelos quase brancos! Seria estranho, mas ela ficava bem bonita, combinava com ela…
- Com quem? – Annabeth chegou e se sentou ao lado de seu namorado.
- Ah, oi amor! Eleanor estava perguntando sobre os relacionamentos do Nico. – Percy falou malicioso.
- Na verdade, perguntei por que vi umas coisas malucas hoje e… — Eu parei de falar antes que fosse tarde demais e me virei para Annabeth. – Me desculpa por mais cedo? Eu estava descontrolada, não queria machucar vocês.
- Eu entendo. – Ela sorriu de forma gentil, como se realmente soubesse. – Quíron não guarda muitos segredos de mim. Você conseguiu se controlar melhor?
Me senti sem privacidade alguma! Até Quiron já sabia sobre meu incidente!
- Sim. – Assenti. – Obrigada. Bem, eu vou deixar vocês sozinhos. Me desculpem pelo estrago, viu? Até amanhã.
Saí dali quase tropeçando. Minha cabeça girava.
Quem era a garota da praia? Ela era semideusa. Mas Nico não tinha namorado ela… Por que ela tinha aquelas lembranças, então?
Por que eu estava tão preocupada com isso?
Resolvi ir até a praia ver se ela ainda estava lá. Mas no lugar onde seu corpo estava, agora jazia uma linda rosa vermelha cujas pétalas pingavam sangue.
Notas finais
NÃO SE ESQUEÇAM DOS REVIEWS!
Beijinhus, amores!
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