The Hunger Games
2 Distrito 12
Notas iniciais
Queria, primeiro, pedir desculpas porque eu enrolei bastante nesse capítulo. Foi, tipo "Vou falar bastante aqui, pra eles entenderem e... ah, aqui também e... PUTZ, ISSO TÁ ENORME!".
Sério, eu queria meio que explicar bastante da história em si no primeiro capítulo e ele acabou ficando muito longo XD
Mas não se preocupem porque as coisas começam a acontecer a partir do próximo e do após-próximo capítulos, viu?
Mil beijoos, boa leitura~! ♥
Capítulo UM
e que a sorte esteja sempre a seu favor
Os olhos verdes atentos e distantes analisavam os três corpinhos aninhados ao lençol sujo, como se já temesse por eles. Já podia até mesmo ouvir os gritos desesperados e, pouco depois, já não sabia se eram reais ou não. Um dos corpúsculos moveu a perna direita de leve. O outro abriu os olhos devagar, já desprendido do sono. Viu os cabelos rosados estendidos ao longo do corpo da moça e sussurrou “Sakura...?”, com a vozinha rouca.
– Oi, meu amor... – ela se aproximou, cautelosa.
– Que dia é hoje? – e a pergunta fez com que a Haruno suspirasse e desse um beijo na testa do garotinho.
– Um como qualquer outro. – Ela o aninhou e acariciou seu cabelo, atormentada – Não se preocupe.
Mas ele subiu o olhar e leu os olhos verdes fechados, repletos de ira e com toda a incerteza que alguém poderia ter. O cenho franzido de Sakura a entregava. Não insistiu.
– Sakura, canta pra mim?
E os olhos verdes se abriram. Após vários instantes no vazio do silêncio, a melodia que dançou pelo lugar, dos lábios de Sakura até os ouvidos de Konohamaru, confortou quem estava ali de um jeito especial. Udon sentou, de repente. Pegou os óculos malfeitos e sujos que estavam ao lado da cama e os colocou.
Ficou ali sentadinho, escutando. Knohamaru, a esta altura, já estava de olhos fechados.
E, de repente, Moegi piscou e se levantou, completamente sonolenta. Seguiu engatinhando até o colo de Sakura, sem orientação alguma a não ser pela voz da mesma, que ainda estendeu a mão para ela e a guiou até o lado de Konohamaru.
– Sob o salgueiro, – cantaram juntos, desafinados, ligados um ao outro – uma cama de grama...
e um macio travesseiro.
– Tenho que ir – Sakura, então, anunciou. Os três a olharam, assustados.
Tinham medo de estarem sozinhos. Os sonhos viriam.
– Aonde? – Konohamaru perguntou, temeroso.
– Cantem juntos de novo. – Sakura sorriu, desviando a resposta – Antes de terminarem, eu estarei de volta – e beijou a testa de todos novamente. Moegi tremeu. Sakura a olhou fundo e abraçou forte – Nada vai acontecer com vocês – ela sussurrou, no ouvido dela.
Moegi fungou, como se chorasse.
– Eu prometo – ela então concluiu.
┼
A poeira estava mais alta naquele dia. Os pés delicados de Sakura estavam cobertos por botinas que já haviam envolvido os pés do pai anos atrás. Atravessou os arames que determinavam o fim do Distrito 12 sem pesar. Placas de perigo enfeitavam toda a fronteira. “Alta voltagem?”, pensou, irônica “Claro”.
A floresta continuava sombria como sempre, isolada do resto. Mas nada ali dava medo, como diziam. Não parecia tão perigoso para Sakura. Na cabeça dela, era até mais seguro do que o próprio Distrito.
Mesmo assim, a cerca de arame servia para separar a “Civilização” do perigo que eram os ‘monstros da área verde’; animais selvagens, por exemplo. “É um risco que temos que correr”, dissera o Sr. Haruno “se queremos que nossa família fique bem, Sakura”.
O pai costumava levá-la ali, quando pequena.
– Mas isso foi antes da bomba – ela coçou a testa, tirou a franja do rosto e tirou o instrumento de caça do esconderijo.
O arco estava bem posicionado em suas costas e ela tinha uma faca curta estrategicamente presa no cinto. A trança que fizera no caminho a deixara mil vezes mais confortável e, embora se sentisse sozinha, sabia que as opções do cardápio estavam incríveis naquela manhã.
Mas, de repente, ao encontrar um rastro específico, sentiu um sentimento de instinto assassino consumi-la completamente.
Instantaneamente, a Haruto posicionou o arco e as flechas, pronta para atirar.
O cervo se moveu lentamente, com um giro de cabeça.
Inspira. Inspira.
– O que vai fazer com isso? – a voz de seda ecoou e o cervo disparou floresta adentro. Sakura ainda tentou acertar, desesperada, mas viu que era tarde e, antes mesmo da flecha acertar a árvore em cheio, ela virou o rosto para o dono da voz, furiosa.
– Seu imbecil! – Gritou. Sai sorriu, gracioso.
Em todo o Distrito 12, haviam apenas três pessoas que ousavam ultrapassar o limite: Sakura, Sai e Naruto – cada um por seus motivos. Mas, basicamente, todos pela escassez de alimento. Em pequena parte da floresta havia bem mais comida do que em todo o Distrito 12.
– Devia ter 90 quilos, Sakura. É dia de Colheita. Não poderia voltar com isso para casa.
– Foi o primeiro que eu vi no ano – ela protestou – Agora eu não tenho nada.
Ele simplesmente continuou sorrindo e bagunçou o cabelo dela, procurando uma pedrinha qualquer. Mas Sakura não achou graça até que ele atirou a tal pedra e assustou um bando de cerca de vinte pássaros. Foi quando ela se posicionou e acertou dois, que estavam um ao lado do outro e caíram no chão como pesos mortos.
Sai a observou sorrir, satisfeito.
– Haha, obrigada – ela disse, guardando o arco e as flechas. – Com toda essa esperteza, já deve ter alguma coisa para o jantar de hoje a noite.
– Podemos estar na Capital hoje a noite – Sai rebateu.
Sakura o fitou.
– Não estaremos – garantiu. – Quantas vezes seu nome está na urna este ano?
Ele demorou para responder.
– Quarenta e duas.
O clima ficou tenso. Havia muito com o que se preocupar ali. Sai seria sorteado, aquilo era quase certeza.
Mas o objetivo não era pensar naquilo naquele momento, então Sakura sorriu.
– Não tem nada para comer, não é? Seu molenga.
Ele deu de ombros, fingindo convencido.
– Só o básico – e mostrou o pão que escondia na mochila. Os olhos dela se arregalaram como se fossem saltar das órbitas. E ele riu, de leve, daquele jeito puro.
– Ah, meu Deus! É de verdade?! Onde conseguiu isso? – Sai jogou o pão e ela o catou no ar, parando para cheirá-lo e parti-lo ao meio.
– Troquei por oito esquilos.
– Oito? – ela o encarou, de boca cheia. Foi quando ele mostrou um segundo pão.
– Você é muito esganada.
Ela riu, mordendo o pão novamente.
– Cale a boca. Você nem trouxe para o Naruto.
– Ele saiu cedo. Não tinha pensado nisso ainda – ele justificou – E o nome dele também não está poucas vezes naquela urna.
Sakura levantou os olhos.
– Acha que ele está com medo?
Sai a observou e logo sorriu.
– Claro que está – Sakura soltou uma risada baixa, limpando a boca – Mas não fale disso com ele. Porque parece que para o Naruto é importante provar o contrário.
A Haruno lançou a Sai um olhar cheio de ternura.
– Mas, sim – ele continuou – ele está se cagando de medo.
Sakura soltou uma risada bem alta desta vez.
Mas logo a piada foi sendo consumida pelas árvores escuras, até desaparecer no inferno da realidade. A menina de cabelos cor-de-rosa voltou a olhar para o céu.
– Konohamaru, Moegi e Udon estão lá este ano, também – murmurou, pensativa.
– Feliz Jogos Vorazes – Sai sorriu, alegre, depois de muito tempo de silêncio. Não parecia nem ao menos se importar com o fato de poder, por uma obra do destino próximo, estar a beira da morte. Não parecia se importar com nada. Quer dizer, Sakura, Naruto, seus melhores amigos... qualquer um poderia ser escolhido.
E alguém seria. Lutaria durante segundos ou semanas em uma estúpida arena que te torturaria a cada segundo de alguma maneira, contra outros coitados, até morrer ou de fome, ou de frio, ou até arrancarem sua cabeça fora. Ah, ou qualquer outra parte do seu corpo, só para você morrer de tétano ou algo do tipo.
E todos os Distritos, do 1 ao 12, assistiriam. Ao vivo. Torceriam pelos preferidos e chorariam quando eles morressem. Os Jogos Vorazes eram uma doença. E Sai parecia acostumado a ela.
– E que a sorte esteja sempre a seu favor – Sakura completou, sem ânimo algum.
– O que é isso, Sak-chan? – Naruto fez-se ouvir, saindo do meio das árvores. Sakura sorriu ao vê-lo, assim como Sai – Você está linda. Hoje é um grande dia.
– Pra quem?
– Pra nós! – ele veio na direção dos dois, pulando animado e envolvendo os dois com um abraço. Sai balançou a cabeça, ainda sorrindo. “Está se cagando de medo” – E hoje é meu aniversário.
Sakura tossiu.
– Quantos anos está fazendo?
– Dezessete.
–... mas que azar.
– Ah, qual é – o loiro sorriu, deixando todos os dentes a mostra – Sobrevivi mais um. Só falta o ano que vem, e estou fora dessa droga. – Ele deitou, com a barriga para cima, usando as mãos como travesseiro.
– Hoje é o último ano do Sai – Sakura comentou.
Os olhos azuis ficaram alertas e ele se levantou.
– Quarenta e duas, cara? – murmurou.
– É.
Naruto coçou a cabeça antes de se deitar novamente.
– Nossos papéis vão feder – disse Sai, debochado – Duvido que Lady Tsunade pegue algum deles.
– É – Naruto sorriu – ou então seremos sorteados. E então, vamos para a Capital, enchemos nossas panças de tanto comer, crescemos dois metros em baixo e em cima – Sakura ignorou essa parte; sabia que não servia para ela – e ganhamos.
A Haruno sorriu.
– Se ganharmos – ela disse –, ficaremos ricos. E, então, vou comprar um caderno de desenho para você, Sai. Com apontador para o lápis – ela deu uma pausa – e tudo que tiver direito.
Sai sorriu daquele jeito novamente.
– É muita bondade sua – disse, e se levantou.
– Onde você vai? – Sakura perguntou.
– Devem ter acordado. E o café ainda não chegou – Sai sorriu, caminhando até a parte da floresta não iluminada pelo Sol, que levava de volta ao Distrito 12 – Vejo vocês mais tarde.
– Até mais – os dois responderam em uníssono.
– Quer saber de uma coisa? – Naruto se levantou de supetão, depois de muitos longos minutos em silêncio – Poderíamos ficar aqui na floresta para sempre. Eu e você, Sak-chan! Escaparíamos do ano que vem. E, se tivermos muita sorte, podemos escapar de hoje, também.
Ela, primeiramente, ficou surpresa. Depois, riu da possibilidade. Naruto tinha uma queda por ela desde os 6 anos, quando começou a virar gente. Mesmo assim, ela não sabia o que ele queria dizer com aquilo.
– E Sai? E Konohamaru e os outros? – perguntou.
– Sai ficaria para alimentá-los – o loiro disse.
– Naruto... – a Haruno abaixou o olhar, ainda risonha. Estava pronta para explicar que eram um trio. E que casais não caberiam ali, nunca. Que também precisavam ficar, para o bem do resto. Sai jamais conseguiria alimentar o que três, com muito esforço conseguiam. Qualquer que fosse o objetivo do Uzumaki com aquela conversa, já ficaria tudo bem claro.
Mas o barulho da máquina voadora que passava logo acima deles impediu que eles terminassem a conversa.
– Não dá mais – Sakura murmurou – Já chegaram.
Notas finais
Eu espero (do fundo do coração) que vocês tenham gostado, e que mandem reviews. Eu ficou M U U U U U I T O feliz quando eu recebo reviews. De verdade! Eu fico olhando toda a hora pra ver se tem uma nova, HDIAUSHDIUASH.
Até o próximo capítulo, XOXO c:
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