The Hunger Games

3 A Colheita


Notas iniciais
Oioi gente :3

Só pra avisar, mesmo: os capítulos dessa fic serão menores do que os da minha outra fic (Conselho Estudantil), ok? Mas, mesmo assim, vão ser proporcionais q E por ser uma fic mais ação, isso vai melhorar a leitura de vocês, ok?

Sobre o desenho, fui eu que fiz, Sim. E é um rascunho (o primeiro que eu pintei). O que significa já está escrito.

Se quiserem usar em outro lugar, podem. Mas não tirem o link, por favor, tá bom? ♥

Mil beijos, boa leitura~! ♥

Capítulo DOIS

e que a sorte esteja sempre a seu favor


Sakura entrou na casa de pedras, silenciosa. Notou que nem Moegi, nem Konohamaru, nem Udon estavam lá. “Devem ter ido para casa...”, deduziu. Ia passar direto, mas a mãe a chamou.

– Onde esteve? – indagou. Mas soava mais preocupada e entristecida do que zangada de fato. A trança da rosada já estava se desfazendo. Sakura mostrou os pássaros e os colocou sobre a mesa.

– Consegui o jantar – anunciou.

A senhora Haruno engoliu, chorosa.

– Estará aqui para comermos juntas – disse. A voz trêmula. A filha pareceu surpresa – Promete...? – Sakura olhou para o chão, desconfortável, e depois desviou o olhar de volta para a mãe.

– Claro – murmurou – Eu estarei aqui.

– Sakura – ela chamou novamente, parecendo insegura ao ver que a filha estava indo embora, pensando que ela já tinha terminado. Sakura a olhou, esperando – separei um vestido pra você.

Os olhos verdes apenas a analisaram, cuidadosamente.

– Como é? – mas a senhora Haruno nada disse. – Ah, sim. Tudo bem – disse Sakura, por fim.

Havia algum tempo ela não tomava banho do jeito que tomou. Na verdade, um banho daquele jeito ela só tomava no dia da Colheita. Todos os possíveis tributos deveriam estar devidamente arrumados para aparecerem em todas as televisões. A Colheita era sempre transmitida.

Ela ouviu o vestido que usaria por alguns instantes.

Era preto. Nada muito nobre. Mas era bonito. Então vestiu, prendeu o cabelo de acordo, em um coque simples. Na verdade, o mais elaborado que ela conseguia fazer em si mesma.

– Deixa que eu faço – a senhora Haruno disse, da porta do quarto. E Sakura soltou os fios cor-de-rosa.

–... tudo bem.

Não pôde deixar de notar a fita vermelha que a mãe tinha nas mãos que se moviam, delicadas, entre um fio e outro. As sirenes tocaram assim que a senhora Haruno concluiu seu trabalho. Não havia mais coque. Só um rabo-de-cavalo baixo, preso com a fita vermelha, que serviu de enfeite.

– Vou procurá-los – Sakura se levantou, quase em um impulso de desespero.

– Vou estar lá.

– Tudo bem – e saiu.



– Eu queria ser como você... – disse Moegi, no caminho. Konohamaru e Udon estavam lá também, mas não deram muita atenção. Sakura sorriu, risonha.



– Ficou maluca? Eu é que queria ser como você: um anjinho, exatamente assim.

– Sakura – Konohamaru agarrou o vestido dela com uma das mãos, irritado – o que vai acontecer com a gente? – e o coração de Sakura se apertou.

– Nada. – Garantiu ela – Absolutamente nada.

E todos seguraram as mãos uns dos outros mais forte até chegarem às filas, onde a separação é por idade. De 12 a 18.

– Tudo bem, me escutem – Sakura se abaixou, para ficar com o rosto na mesma altura que o deles – Agora eles vão tirar um pouquinho de sangue do dedo de vocês, certo? Não dói nada. Mas eles precisam – Moegi arregalou os olhos – Não se preocupem. Vai ficar tudo bem. Vão com os menores, nos encontramos depois.

Estava tudo bem montado, como de costume.

As placas, os telões, tudo para chamar a atenção. Mesmo assim, o tom de miséria do Distrito 12 não desapareceu. Na verdade, chegou até a atrapalhar toda a alegria que sempre tentam transmitir no dia da Colheita.

Enquanto estava na fila, Sakura não tirou os olhos dos três. Depois que passou, já sabia exatamente onde estavam, então procurou outras pessoas.

A aglomeração de adolescentes era incrível. Sakura julgava não conhecer nem um décimo de toda aquela gente.

Logo os olhos de Sai encontraram os dela.

Naruto estava do lado dele, com as mãos unidas atrás do corpo. “Cagando de medo”, Sai disse a ela novamente, sem fazer barulho. Sakura sorriu.

A Haruno não se atentou a àquilo, mas os dois estavam extremamente bonitos. Naruto estava com a camisa de Colheita de todos os anos. Um verde claro meio azul. Sai estava com a habitual camisa preta que realçava sua pele pálida. Sempre usava aquela camisa na Colheita. Aos 16 anos, prometera que quando participasse da última Colheita de sua vida, a queimaria.

Claro, caso seu nome não fosse sorteado.

Naruto, quando a viu, foi indo em sua direção. Mas um guarda o impediu de continuar. “Só moças daquele lado, menino”.

– Ei, espera aí – o loiro gritou – Quem você pensa que...

– Bem vindos! Sejam todos bem vindos! – Shizune sorriu mais do que o rosto podia aguentar, após dar duas batidinhas no microfone, certificando-se de que ele estava ligado.

Ao ouvir aquela voz, Naruto parou de gritar e as veias de Sakura pareceram ferver. Os dois olharam diretamente para a figura magrela, de pele pálida, envolvida em roupas caras que esbanjavam cores e maquiagem forte, indiscreta e “moderna” demais.

Estava acontecendo. “Começou”.

– Feliz Jogos Vorazes – ela continuou – e que a sorte esteja sempre a seu favor – Seu ânimo não correspondia com o clima pesado. – Bom, antes de começar – ela disse, em sua voz fina, vendo que ninguém se manifestara – eu trouxe um filme muito especial para vocês diretamente da Capital.

E começou. O mesmo filme de todos os anos.

“Sai deve saber as frases de cor...”. Então a voz masculina repetiu todas as palavras, na mesma intensidade de tom, tudo novamente.


Guerra. Uma guerra terrível.


Viúvas, órfãos... Isto foi o que a Revolta trouxe para a nossa terra.

“Distrito 13...”, Sakura murmurou bem baixo.

Treze Distritos se rebelaram contra o país que os alimentava, que os amava.

Irmão contra irmão, até não sobrar nada.

E a mesma pausa longa, para mostrarem as imagens de destruição.

Então, veio a paz!

Luta difícil, vitória lenta. O povo se reergueu das cinzas e uma nova era começou.

Mas a liberdade tem seu preço.

Quando os traidores foram derrotados, juramos que, como uma nação, jamais veríamos essa traição de novo.

Sakura não pôde deixar de reparar que as mãos de Naruto estavam vermelhas, de tão forte que ele as estava segurando.

Então foi decretado que cada um de todos os distritos de Panem ofereceria como tributo um garoto e uma garota, para lutarem até a morte em uma demonstração de honra, coragem e sacrifício.

Um único vitorioso, cheio de riquezas, seria o símbolo de nossa generosidade e clemência!

É assim que lembramos nosso passado...


–... e é assim que guardamos nosso futuro – Shizune finalizou, junto ao narrador, toda sorridente – Agora chegou o momento de selecionarmos nossos jovens corajosos, que terão a honra de representar o Distrito 12 na sétima edição dos Jogos Vorazes!


Sakura abaixou a cabeça, com dificuldade para respirar. Assim como a maioria dos jovens que ali estavam.

– Como sempre, primeiro as damas! – o microfone fez com que a voz irritante ecoasse na cabeça de todos.


Respira. Respira.


Tudo sob controle.

Shizune brincou com os papéis um pouco. Sakura engoliu em seco. “Tudo sob controle. Tudo bem”.

“Não serei eu”, ela pensou com força.

E, realmente, quando Shizune gritou o nome no microfone, não era o de Sakura.

– Moegi – ela anunciou.

Os olhos de Sakura se arregalaram e ela imediatamente prendeu a respiração. O pânico que tomou conta dela não teve como ser descrevido. Ela simplesmente não tinha mais controle de nada.

Konohamaru e Udon instantaneamente olharam para a colega de cabelos alaranjados, presos em duas partes, no alto da cabeça, por chuchinhas coloridas na medida do possível.

“Ah, meu Deus”.

Todos a procuraram na multidão de garotas.

Moegi, estupefata, não sentiu mais o chão sob seus pés pequeninos. Ouvia as batidas fracas do coração melhor do que a estridente e fina voz que gritava por ela no microfone.

Ela ficou ali, imóvel.

– Oh, não tem sobrenome? – Shizune continuou, com a maior paciência do mundo – Órfã, talvez? Venha nos contar sua história, querida! Vamos, vamos, venha cá. Suba aqui!

Todos os olhares já estavam em Moegi. Inclusive o de Sakura, exasperado. A menininha, então, deu alguns passinhos. Pequenos, tímidos e condenados. Mas suficientes para que fossem abrindo um caminho de onde ela estava, até o palco. Shuzune sorriu mais ainda.

Desceu os cinco degraus que separavam o palco do chão e foi até ela, estendendo-lhe a mão.

“Não”. “Não, não”.

– Então você é Moegi? – perguntou, animada.

– Não! – aquilo fez com que Moegi apertasse o peito involuntariamente. Conhecia a voz e, como todos os outros, virou direto para sua origem – Moegi sou eu.

Lá estava Sakura, saindo do meio da multidão. Ela tremia, mas a voz era decidida e feroz como um trovão. Sai virou o rosto, sem acreditar. Naruto arregalou os olhos e trincou os dentes.

– Ah – Shizune sorria tanto que chegava a parecer macabro – é mesmo?

Ela analisou Sakura por inteiro, chegando mais perto dela, que não se moveu. Sai cerrou os punhos.

– É mentira – os olhos de Shizune poderiam ser comparados a olhos de águia, secos por informação. Eles e os de Sakura, tão rápidos quanto, filtraram a figura de Naruto em um instante, parado ao lado de Sai, que fitava o loiro, assombrado. – Está é Sakura Haruno, de dezesseis anos, filha do falecido Comandante Haruno de infantaria, que liderou o Distrito 12 na Revolta, oito anos atrás – e deu uma pausa, enquanto Shizune voltava os olhos para ela novamente, interessada – Eu sei disso porque a conheço desde os quatro anos de idade.

Shizune, então, olhou para Naruto – que estava sério – e, de novo, olhou para Sakura, que tinha um olhar decidido no rosto.

– Oh – ela disse – isto é verdade, menina?

E Sakura ergueu o queixo em direção à Moegi, cheia de ternura. As mãozinhas roxas pareciam congeladas e os olhos poderiam ser lidos por todos da mesma maneira. Estavam confusos, pareciam não entender nada:

– Eu vou no lugar dela – disse a rosada, por fim, na voz fraca.

E a menininha, em um arregalar de olhos, foi correndo até ela, grudando em suas pernas e molhando seu vestido com lágrimas. “Não!”, gritava o mais forte que podia, parecendo finalmente entender “Não, Sakura-chan, não você!”. Sakura abaixou-se e murmurou várias vezes no ouvido dela, tremendo: “Vá procurar Konohamaru, saia daqui. Está tudo bem, tudo vai ficar bem”. Até que alguns homens carregaram Moegi dali, que não parava de espernear e gritar. Seus gritos fizeram trincar o coração de muitos meninos e meninas que a assistiam.

Shizune a observou sendo levada e, de repente, sorriu arreganhada.

– E temos, então, a primeira voluntária do Distrito 12! – gritou, voltando para o palco. Sakura foi conduzida por quatro homens uniformizados logo atrás. Talvez algum tributo já tivesse tentado escapar; Itachi Uchiha – seu ídolo –, por exemplo, tentara. Mas fora pego e, na arena, vencera o Primeiro Jogos Vorazes – Venha, venha, queridinha.

E os quatro homens que a rondavam se dispersaram para a direita, permitindo que Sakura subisse no palco sozinha.

– Qual o seu nome?


– Espere – Naruto gritou, do mesmo lugar que estava antes. E ergueu finalmente o rosto, sorrindo como o idiota que era – antes de continuarmos, eu gostaria de me voluntariar como tributo para o Sétimo Jogos Vorazes.


Notas finais
É isso aí *-*

Até o próximo capítulo~! ♥

-preguiça de escrever é fogo, viu.