The Hunger Games

4 O Caminho até a Capital – I


Notas iniciais
Oioi gente :33
Aí está, mais um capítulo. Boa leitura ♥
P.S.: Se procurarem uma leitura mais leve, estou escrevendo uma outra fic também. SasuSaku, um romance :3 Se quiserem dar uma conferida, o link: http://fanfiction.com.br/historia/204095/Conselho_Estudantil

Capítulo TRÊS

e que a sorte esteja sempre a seu favor



– Três minutos – foi a voz grossa que despertou Sakura dos pensamentos importunos. Ela virou o rosto em direção à porta, por reflexo. Sua mãe estava com Konohamaru, Moegi e Udon. Os três correram até ela e agarraram seu vestido.

– Sak-chan – eles gritavam, um em cada tempo, chorando descontroladamente.

– Shh – Sakura disse, já sabendo exatamente o que dizer. Sabia que não tinha muito tempo, então numerara todas as coisas importantes a falar quando aparecessem, caso aparecessem – Não temos muito tempo. Escutem: vocês vão ficar bem. Não peguem comida extra. Vão ter toda a comida que precisarem, estão ouvindo? Não vale ter o nome lá pra isso – a expressão do rosto dela e sua voz eram autoritárias – Estão ouvindo? – ela questionou novamente. Eles assentiram como podiam, com os rostinhos molhados – Sai vai ajudá-los. Podem vender qualquer coisa. Udon, pode vender os ovos da sua galinha, Bete – o menininho tirou os óculos e enxugou os olhos, assentindo. E, antes que ela continuasse, um dos corpinhos inspirou mais forte, como se engolisse o soluço que vinha pela garganta:

– Sakura, você consegue – disse Konohamaru, segurando o rosto da rosada com as mãozinhas inseguras. Ela segurava o choro como ninguém – Pode vencer. Você sabe caçar, é boa com o arco!

– Sim – ela garantiu – Claro, eu tenho chance. Talvez eu consiga. Sou esperta, não sou? Conhecem alguém mais esperto que eu? Vou ficar bem – mentiu.

– Pode conseguir comida, e– ele começou a chorar novamente.

– Exatamente – e Sakura puxou o queixo dele, delicadamente. Assentiu, segura, tentando transmitir ao menos um pingo de confiança. Ele assentiu de volta e ela soltou seu rosto. Olhou para baixo, engolindo em seco, chorosa.

Nenhum dos quatro tirou os olhos dela por um segundo sequer. Não disseram nada por alguns segundos, depois que Sakura os abraçou com força. – Obrigada. Obrigada por terem vindo. Eu vou ficar bem. E vocês sabem. “Respire”...

– “... respire de novo, e atire” – eles completaram.

– Sim. É o segredo, não é? – a rosada beijou a testa deles e, depois de um curto tempo em silêncio novamente, como se soubesse que, naquele momento, os via pela última vez, virou os olhos esverdeados para a mãe. E se levantou, indo em direção a ela.

– Não fuja da realidade novamente. – Ela pareceu ordenar. A mãe a olhava nos olhos, arrependida.

– Eu não vou.

– Você não pode – Sakura corrigiu – Não faça com eles o que fez comigo. Vai ter que dar apoio a eles, o que quer que sinta. Não pode deixá-los como você me deixou quando papai morreu. Eles não vão saber por onde começar, não saberão para onde ir. E não podem depender dos pais, como quando os encontrei. Precisam de ajuda. Da nossa ajuda – ela parou para dar uma pausa, encarando a mãe com força – Eu conto com você, mãe. Entendeu? – a senhora Haruno assentiu, envergonhada. Os lábios já se contraíam devido ao início de choro – Não chore – a rosada suplicou e a abraçou. E a porta se abriu bruscamente.

– Acabou – a mesma voz grossa de antes disse.

Os três a abraçaram com força, e começaram a gritar. Não queriam ficar longe dela.

Os pesadelos viriam.



Quando a porta se abriu novamente, era Sai. Desacompanhado. Ao vê-la, puxou-a forte contra si, e aquilo a fez desabar. Sabia que não poderia parecer fraca para os mais fracos que ela, mas era Sai agora. Ele era diferente dos outros.

Sai não precisava dela para nada. Se virava muito bem sozinho. Talvez ali a fraca fosse ela. Então não conseguiu, nem se sentiu obrigada, a segurar o choro na frente dele.

– Sai – ela sussurrou – Eu estou bem.

– Eu sei – ele disse, tentando parecer firme.

– É verdade – ela choramingou – estou mesmo bem.

– Eu sei – ele repetiu.

Sakura soluçou e se separou dele. O encarou e espiou a porta, pondo a mão sobre o nariz, para disfarçar.

– Onde estão os guardas?

– Só permitiram a visita a um dos tributos. Eu não sabia disso, então fui vê-lo primeiro – o coração de Sakura acelerou. Era Naruto o outro tributo. Seu melhor amigo. O que tinha na cabeça?! Não tinham se falado ainda e ela sabia que teriam muito tempo para isso, mas nada iria fazê-lo voltar atrás no que dissera. Era, então, o tributo. E por quê? A raiva só não tomou conta dela porque não havia tempo – Sinto muito.

– O que é isso? – Sakura olhou Sai tirando algo da mochila discreta, ignorando o que ele dissera.

– É uma bandana do Distrito. Para dar sorte. Serve como capacete, também – Sai respondeu, rapidamente. E depois completou, em um sussurro: – Vai proteger você.

Foi amarrando na nuca dela, acima do casaco.

– Onde conseguiu isso? – mas ele não respondeu, enquanto erguia o pano, finalmente. E seu silêncio a preocupou – Você roubou? – questionou, incrédula.

– Sim. – Foi só o que ele disse.

Ela engoliu o choro.

E ele não deixou de notar como ela parecia mais viva daquele jeito, com aquela bandana. A testa exposta, os olhos brilhando com a luz que batia na pele branca e a franja correndo pelos lados, colorida. Sakura parecia um anjo guerreiro.

Depois de encaixado o presente, Sai a segurou pelos ombros, colando os olhos aos dela:

– Me escute. Você é mais forte que eles. É mais forte do que qualquer um deles. Muito mais – ele, então, pulou as mãos dos ombros para o rosto dela – Arrume um arco, Sakura.

– Eles não vão...

– Darão, sim, se mostrar que é boa. – Ele quase gritou, autoritário. Ela não pareceu se importar. Mesmo assim, Sai logo voltou ao tom normal: – Querem um show. É tudo o que querem. – Ela assentiu, estática, mirando o chão – E se não te derem um arco, faça um! É seu ponto forte. O seu é de madeira, esqueceu? Você sabe caçar. É seu ponto forte: o arco. E saber caçar – ele repetiu.

Ficaram em silêncio por alguns instantes.

– Animais...? – Sakura murmurou.

– Somos todos animais, Sak. – Sai retrucou – E o coração fica no mesmo lugar. É só mirar.

– São vinte e quatro tributos, Sai. E só um ganha; só um vivo – Sakura mencionou, como se Sai tivesse esquecido – Acha mesmo que sou mais forte que o Naruto? E olha que ele é do mesmo Distrito que eu! Tem distritos que treinam os tributos para...

– Aposto que está indo só para te proteger, Sakura. Não vai deixar que nada de ruim te aconteça, é por isso que ele vai – ele disse – Só fez o que eu não tive coragem de fazer. Mesmo estando com menos medo – e olhou para o chão, de lado – Me desculpe – Sai voltou a fitá-la com os olhos profundos. Ela estreitou os dela, que já se enchiam de lágrimas.

Foi quando a porta se abriu novamente.

– Ei, o que faz aí? – O guarda gritou. Sai não pareceu se importar, como se nada fosse destruir a grande oportunidade que estava tendo de olhar para ela. Até que o guarda o agarrou por trás, desfazendo o abraço que Sakura tinha recém retomado, no desespero.

– Tome conta deles, Sai – ela gritou – Não deixe que passem fome. Ajude minha mãe, Sai! Cuide deles! Por mim! Por favor! E tome cuidado, não fique desatento naquela floresta. Não seja engolido por nenhum monstro!

– A gente se vê logo – ele disse de volta, fingindo estar despreocupado. O cenho acanhado o desmentia – Você vai ganhar!

E a porta se fechou.

A Haruno desabou, caindo de joelhos no chão. Os olhos ainda estavam molhados, e talvez tivessem se enchido ainda mais de lágrimas se Kushina Uzumaki não tivesse entrado na sala. O “bump” da porta fez a rosada engolir o choro no susto e subir o rosto.

– K-Kushina-san – ela murmurou.

A senhora Uzumaki permaneceu em silêncio enquanto estendia a mão e ajudava Sakura a se levantar. Ela prendeu o olhar no chão sob seus pés.

– Sinto muito pelo que aconteceu, Sakura.

Os olhos verdes se arregalaram.

Eu sinto muito, Kushina-san. Eu juro, eu não tinha nem ideia que o Na– mas a senhora Uzumaki a interrompeu.

– Eu sei. Ninguém tinha. Não foi culpa sua – e aquilo fez com que Sakura se calasse por instantes.

A expressão machucada da mulher poderia ser estampada nas paredes. Era uma bela cena. Trágica e triste, mas linda. A Haruno não tirou os olhos da senhora por nem um instante. Até que se lembrou de algo crucial.

– Disseram que é permitida visita a apenas um dos tributos. Acho que a senhora não sa... – mas ela a interrompeu novamente.

– Eu sei – disse, quietamente, os olhos se enchendo de lágrimas e os cantos da boca dando voltas leves para baixo enquanto ela falava. Sakura entreabriu a boca, preocupada – Não quis visitá-lo. Se eu fosse, eu não sei o que... – mas não terminou.

Sakura ficou em silêncio, a observando. Mas o tempo era curto, então disse:

– Eu posso explicá-lo. Prometo que vou.

O choro da senhora Uzumaki diminuiu aos poucos.

– Também posso deixar um recado.

E os soluços desapareceram. Kushina a encarou por segundos antes de envolvê-la em um abraço morno. “Obrigada”, sussurrou, e levantou o rosto.

– Diga a ele para lutar por você com todas as forças, Sakura – pediu ela. A rosada fez de confusa – Todas, diga a ele. Todas as que tiver.

– A senhora não...

– E diga a ele que eu o amo. Muito. Mais do que tudo.

Sakura, então, passou a ouvir.

– Diga que ele é forte, diga a ele o quanto ele é especial, Sakura. Você sabe o quanto. Apenas diga a ele por mim. Diga o quanto é valioso, diga que também faria por ele o que ele fez por você. Diga que o ama. Que todos nós amamos. E que iríamos no lugar dele, se pudéssemos.

A Haruno abaixou o olhar, chorosa, mas a senhora Uzumaki segurou seu queixo e ergueu seu rosto novamente, continuando.

– Seja o que ele precisar. Não o abandone, Sakura. Por favor.

Ela assentiu.

– Diga a ele o quanto... – Kushina deu uma pausa curta – o quanto ele lembra o pai. Diga que é um Uzumaki, não importa o que digam. Tudo bem? Vai dizer?

– Eu prometo – disse a rosada, segura.

A senhora de cabelos presos pareceu se acalmar.

– Ele irá protegê-la – previu – custe o que custar. Só fique próxima. E, quando ele se for... – ela parecia morrer aos poucos, a cada palavra que emitia – esconda-se. Corra o mais rápido que puder. Não vale a pena lutar. É um risco que você não precisa correr. Matarão uns aos outros; morrerão sozinhos. Você só precisa de um abrigo. Uma toca, um esconderijo, qualquer coisa.

Sakura assentia duas vezes por segundo.

– Mas, acima de tudo, Sakura – ela parecia finalizar, vendo que o tempo de sair estava próximo – me prometa que ficará com ele até o fim.

Aquilo pareceu abalá-la mais do que tudo que dissera. Como se fosse vergonhoso pedir aquilo a alguém, sendo que era ela quem queria estar fazendo. Estava deixando nas mãos de outra pessoa. E Sakura sabia.

O homem de todas as horas entrou na sala.

– Acabou, senhora.

– Prometa – Kushina implorou – Por favor, Sakura.

Sakura correu até ela, que já estava na porta, e a abraçou forte, pela última vez.

– Eu prometo. Prometo, prometo.

A rosada pode sentir o suspiro que ela deu. “Todas as forças”, murmurou em seu ouvido antes de ser arrancada do abraço confortável. Antes de ser levada da sala, antes de não poder fazer mais nada além de rezar.



Sakura foi levada por um carro, Naruto por outro. Shizune tagarelava ao lado do Uzumaki. Já a Haruno estava sozinha. Só se encontrariam no trem. E sabiam que iriam. Os dois tinham perguntado.

Quando fora jogada na poltrona, a primeira coisa que Sakura reparou foi como era macia. Depois, viu que estava sozinha no vagão. Foi quando olhou ao redor. Havia carpete no chão, pinturas aos lados. Vários quadrados em vidro abriam espaço para a luz de fora e para a paisagem, que ainda era a miséria do Distrito 12. Ela notou que, de fora, talvez não pudessem vê-la. Então tomou a liberdade de encarar todos os que passavam. Jantariam com as famílias mais tarde, em comemoração à vida. E assistiriam a morte de vinte e três jovens, provavelmente incluindo ela, quando os Jogos Vorazes realmente começassem. Quadros, mesas, estantes com louças de porcelana enfeitavam o espaço desocupado pelos vidros das janelas do trem.

E, finalmente, aquela pergunta: “Por que logo Moegi?”. “Por que não aquela loira, ali? Ou aquela de marias-chiquinhas?”. “Por que logo alguém que eu daria a vida para defender?”. Mas logo o pensamento mudou: em uma das longas mesas cheias de comida, a Haruno identificou frutas. Só por isso entendeu que era para comer. O estômago roncava, como sempre.

Ficou encarando, de olhos arregalados, toda aquela fartura.

A porta do trem – nada discreta – se abriu enquanto ela pensava, a fazendo pular de susto e voltar-se para trás.

–... e mesmo que por pouco tempo, podem aproveitar tudo isso. Trezentos e vinte quilômetros por hora e não sentimos quase nada – Shizune sorria, como se exibisse a máquina monstruosa. Naruto entrou logo atrás dela.

Assim que viu Sakura os olhos se arregalaram, assim como os dela. “Sak-chan...”, ele soltou.

– Naruto! – gritou a Haruno de volta, correndo para abraçá-lo. Ele abriu os braços, ardente. O toque da pele dela com a dele não era uma sensação nova. Na verdade, fora nova muitos anos antes daquilo – Ah, meu Deus. O que você tem na cabeça, seu imbecil?! – Sakura pareceu voltar à Terra, esmurrando o peito de Naruto com a força que tinha, de repente. O loiro recuou a cabeça, surpreso “Ai, Sakura. Ei!” – O que você fez, o que está fazendo aqui? – ela agora gritava com força, fora de si.

– Sak-chan, espere! Sak, pare – ele dizia. E a Haruno deu um soco na cara dele como golpe final. Ele cambaleou para trás, com a mão sobre o rosto. Shizune fez de indignada.

– Pare já com isso.

– Não devia ter dito aquilo – ela gritou, ainda para Naruto, que levantou o rosto para observá-la, chocado. – Não precisava daquilo, Naruto. Você não precisa disso, não precisava estar aqui agora. Seu idiota, eu não... – e Shizune a impediu de terminar, puxando sua orelha com força.

– AI – a Haruno balançou os braços.

– Vamos tomar chá. Eu sei, foi um dia agitado – Shizune disse, em sua voz fina – Podemos clarear nossas mentes agora. Conversem entre si depois – e soltou a orelha da rosada, que apenas massageou a cartilagem, extremamente aliviada. – Agora, irei apresentar vocês a Tsunade-sama. – E sorriu, daquele jeito de sempre novamente.

Notas finais
Essa é a primeira parte do "Caminho até a Capital". A próxima parte (o próximo capítulo) vai falar um pouco sobre a Tsunade. Aí virão os preparativos para a arena, ohh~. Haha, MIL BEIJOS ♥