Notas iniciais
A FIC VOLTOU AMORZÕESSSS E não adianta reclamar do atraso pq o site do nyah agr (quem publica histórias tb provavelmente sabe do q eu to falando) tá bem ruim pra postar cap novo. Você escreve tudo, clica pra publicar e quando vai ver n tem nada novo. Não preciso dizer q eu fico com vontade de QUEBRAR O COMPUTADOR de levis. OU SEJA: o capítulo tá pronto faz uns DOIS meses e só to conseguindo postar agora (as tentativas são inúmeras, essa explicação aqui tá no meu ctrl v). Espero que vocês gostemmmm, bjao! Boa leitura

Capítulo DEZESSETE

e que a sorte esteja sempre a seu favor

Ela viu quando gotas grossas começaram a cair sobre o pelo alaranjado do monstro. Ele veio em sua direção, faminto. As chamas pareciam vibrar ainda mais, alimentadas pela água. Ela não teve medo desta vez. Tirou um casaco velho que vestia e estendeu em direção a ele, que parou. Fungou. Por que está com tanto medo, flor de cerejeira?, a voz fluiu, grave, furiosa, quando a raposa mostrou os dentes. Seu cheiro, você já não cheira como antes. Serei eu a sua força?, os dentes brilharam: Você é fraca. Está desprotegida como um pássaro que não voa. Sem mim você não parece mais pensar. E depois rosnou, anunciando um rugido alto que soltou com uma ordem – Pense, agora – e a fez acordar.

– Sakura – as orbes negras chamaram, pela última vez – vamos, temos que procurar um lugar coberto.

Ela balançou a cabeça, confusa, mas se levantou. Ele já se afastava. Chuva. Gotas já escorriam pelas pontas de seu cabelo e ela, em um desespero repentino, ergueu as mãos aprisionadas para beber do céu, que desabava. Bufou pelo nariz de um modo quase imperceptível, procurando por ele novamente, no escuro, respirando como se a chuva tirasse seu fôlego. Sentiu o rosto molhado, mas não era de suor. Mesmo assim, era evidente que suara – o líquido salgado se misturava com a chuva e escorria pelo corpo.

A imagem de Sasuke foi tomando forma a alguns metros dela, sob uma árvore. A chuva molhara seu cabelo negro e, quando ele se virou para ela em instantes, lentamente, Sakura percebeu que sua expressão estava quase confortada. Os olhos negros pareciam se sentir em casa, em um aconchego quase explicável: a chuva era a coisa mais próxima que eles tinham de uma ducha. A Haruno o seguiu quando ele olhou para frente novamente e andou para o norte.

Ela ainda tinha a sensação de que a raposa era perigosa, apesar de tê-la praticamente tocado e sentido seu pêlo macio no sonho. Ela sentia como se, naquele momento, o monstro pudesse simplesmente aparecer, vindo de qualquer lugar.

Apesar disso, estava a alertando.

Pense, Sakura. Pense agora.

Hinata cambaleou. Tinha batido no braço de Karin, mas duvidava que tivesse fraturado. Kin corria atrás dela e de Hanabi, que tinha que dar o dobro dos passos para acompanhar o ritmo da outra Hyuuga.

De repente Hinata segurou a mão de Hanabi com força e rolou para o lado, atrás de uma árvore gigante. Não conseguiriam correr por mais muito tempo.

– O plano, certo? – Sussurrou ela, dolorida – O plano – e usou os dedos curtos para espalhar ainda melhor o sangue seco que pintava o pescoço pequenino. Os olhos perolados da Hyuuga mais velha se encheram de lágrimas e ela quase cheirou o sangue puro, cheiro de sacrifício.

Shikamaru-san...

Mas os passos corriam na direção delas.

– Corra até o rio, certo? – Hinata sussurrou, tentando se recompor. Hanabi soltou um soluço de desespero, choramingando alto – Shh, não. Hanabi-san, vai ficar tudo bem. Encontre a Ino-san.

A pequena assentiu, com os olhinhos inchados de choro.

– Opa – a voz veio como uma sombra tenebrosa, arrastando-se por entre os mortos, vindo de cima – achei vocês.

Hinata apontou a faca na direção dela, completamente trêmula, mas Kin mostrou os dentes. E quando estava prestes a atacar, alguma coisa se jogou sobre ela, fazendo-a rolar sobre as folhas secas. Hinata sentiu o vento balançar seus cabelos negros escorridos. Uma mecha ficou presa em seus lábios entreabertos.

Os fios dourados do cabelo do Uzumaki reluziram nos olhos da Hyuuga, que deixou escapar lágrimas de pânico.

Ela reparou quando ele pegou uma agulha e se preparou para fincar no pescoço da garota, já imobilizada.

– Espere – ela gritou, na voz fina – Por favor, espere! – Ele olhou para ela, os olhos cheios de fúria retida – Isso é sonífero?

Naruto assentiu. Ela abaixou a cabeça, soltando a mão de Hanabi.

– Entendo. – Naruto esperou, até que ela disse, ainda parada no mesmo lugar: – Por favor, eu gostaria de mata-la.

Os olhos azuis profundos dele se mixaram em confusão e surpresa, mas ele não disse nada. Saiu de cima de Kin, pisando em seus pulsos enquanto ela se contorcia, e esperou até que Hinata se aproximasse para soltá-la.

E então, dezoito contadas facadas. E um canhão, enquanto a Haruno dormia do outro lado da Arena.

Hanabi não olhou, mas ouviu os gritos de pavor de Kin e gritou também, com medo.

Eu quero ir pra casa, eu quero ir pra casa.

Naruto espremia os lábios a cada vez que Hinata furava o corpo da garota – que depois da terceira facada já não passava de um cadáver – e assistiu quando, depois de chorar e berrar e gritar, a Hyuuga vomitou duas vezes.

– Obrigada – choramingou ela para Naruto, por fim, indo até ele completamente tonta. Naruto balançou a cabeça, segurando-a pelos bíceps; Hanabi escondia-se atrás dele.

– Não me agradeça ainda – o Uzumaki disse e ela sentiu o corpo amolecer, sob efeito do sonífero que fluía por suas veias. De repente a picada da agulha que ele colocara nela segundos antes coçava.

– Hanabi – Hinata sussurrou antes de cair.

A mochila do Uchiha repousava ao lado da pedra nas bordas da caverna em que estavam. Os olhos verdes vivos se fixaram nas chaves presas a ela, junto ao zíper. Elas brilhavam, chamando o nome da Haruno, a alguns metros de distância. Sakura se sentava no fundo da toca, observando a chuva por entre as chamas da pequena fogueira que tinham feito. Sasuke se sentava mais distante; as gotas caíam no chão e respingavam nele, colorindo o pouco de luz que o atingia.

– Temos que armazenar essa água – lembrou ela.

Ele tirou da mochila uma garrafa térmica de 700ml, que transbordava. Sakura balançou a cabeça.

– Onde conseguiu isto?

Sasuke entregou a ela o bilhete que tinha no bolso.

– Veio com ele – explicou. Sakura espremeu os lábios, séria.

ACABE COM ELA —OROSHIMARU

A cobra na mochila veio como uma lembrança de um sonho, em um flash.

– Sabe de quem ele está falando? – Ela riu internamente, forçando um sorriso discreto e voltando a olhar para o Uchiha, devolvendo o papelzinho – Se é da Karin ou se é de mim? – as chamas reluziram nas orbes negras quando ele olhou para ela e jogou o bilhete no fogo.

– Vamos descobrir.

O silêncio retornou. Mesmo assim, ela não tirou os olhos dele, que agora estava de costas. Então, a Haruno engatinhou sorrateiramente até que ele sentisse sua presença e colocasse a mão no punhal da faca imediatamente.

– Por isso você provavelmente não tem muitos amigos – murmurou ela, se sentando ao lado dele. Sasuke relaxou ao ver que ela estava longe de qualquer arma a não ser a dele, que ele acabara de colocar do outro lado da calça, onde ela não poderia alcançar.

– Não tenho – concordou o Uchiha, apoiando as costas na pedra e esticando uma das pernas. Usou um dos braços como travesseiro, amaciando o pescoço.

Com o frio do lado de fora, na floresta, as bochechas da Haruno ficaram coradas como seus cabelos, os lábios em uma linha reta avermelhada. Sasuke não pareceu querer dizer o que pensou. Ele chegou a sorrir, porém seu sorriso foi desaparecendo aos poucos.

Os olhos negros conseguiam assustá-la. Ao mesmo tempo, era inevitável pensar que ele jamais a faria mal. Um pensamento inevitável e insuportavelmente inocente.

– Agradeça seu mentor por mim – murmurou a moça, olhando rapidamente para ele e voltando-se para a chuva. Ele também olhou para frente, sério.

“Tenho que sair daqui”, gemeu ela. “Tenho que encontrar Naruto e sair daqui”.

O barulho da música da Capital fez os dois olharem para o céu imediatamente, onde a projeção se iniciava. De repente, as fotos dos tributos que estavam fora do jogo foram passando, como se fossem simplesmente jogadores, e não vidas perdidas.

O coração dela estava na garganta. Sasuke desviou os olhos calmamente, unindo levemente as sobrancelhas.

Naruto, ela sussurrou em pensamento. Por favor.

E a foto dele não apareceu.

Ela tossiu baixinho, tentando disfarçar os soluços de um choro quase iniciado. Desespero. Serei eu a sua força? Sakura passou as mãos pela testa, ainda sentindo a água escorrer. Nara Shikamaru, Tayuya...

Sasuke ficou rígido como uma estátua, enquanto os minutos se passavam. Sakura não sentia nada além de pânico. Quando sentiu algo parecido com ambição, foi aí que notou sua boca se abrindo:

– O que aconteceu enquanto eu dormia?

Sasuke olhou para ela calmamente.

– Outro canhão.

Ela arqueou o cenho delicadamente. Que diabos estava acontecendo naquela arena?

Ambição. Os olhos verdes arderam. Precisava de mais, se queria deixa-lo. Qual era o plano do Uchiha?

– Sasuke – ele esperou que ela continuasse – o que você quer de mim? – Sakura sentiu sua própria voz saindo pela garganta; tão quieta que se misturava ao silêncio da mata. Mas ela sabia que era uma pergunta vaga demais e precipitada para alguém como ela, àquela altura. Então ela especificou; as engrenagens correndo, batendo umas nas outras dentro do cérebro cor-de-rosa: – Como sabia que eu estava desmaiada?

A pergunta parecia ter sido feita ao longe, como se não fosse com ele. Mesmo assim, Sasuke tombou a cabeça para trás levemente, e depois voltou a encará-la com as orbes negras. Sorriu de um jeito quase interno, extremamente sedutor:

– Eu te vi caindo. Pensei que eu tivesse dito.

Sakura estreitou os olhos calmamente.

– Eu poderia estar morta. Mas você sabia que eu estava só desmaiada.

O Uchiha pareceu achar um lado engraçado para a situação, muito discretamente.

– Acha que eu te salvei? – Perguntou ele.

– O que eu acho – disparou ela, procurando conter a irritação. Para isso, foi obrigada a desviar o olhar – é que você está estendendo alianças.

– Alianças – repetiu ele, distante. Olhou ao longe, como quem prestava atenção em várias coisas ao mesmo tempo. A floresta zumbia enquanto os dois ficavam frente a frente – Quem garante que não foi o Uzumaki? E que, quando você trombou em mim, na verdade estava fugindo dele?

Ela respirou fundo, mas ele prosseguiu.

– Porque você, Haruno, deve saber melhor do que ninguém – seu sorriso debochado iluminou novamente o rosto pálido dele; os dentes reluziram, brancos – que ele é perfeitamente capaz de te fazer fugir.

Do que ele sabia?

Ela arqueou o cenho, confusa.

Sasuke a analisou por instantes, curioso.

– Ou vai tentar me enganar?

As palavras da mãe de Naruto foram sussurradas no ouvido dela. Mas ela não entendia. O sangue borbulhou:

– Não brinque comigo, Uchiha. – Ele ficou atento enquanto olhava para ela, ainda sorrindo, e se lembrou do dia em que ela fora ao apartamento. Os lábios avermelhados se moveram exatamente do mesmo jeito, quando se entreabriram para dizerem exatamente as mesmas palavras – Eu sei bem do que eu fugi. Além disso, eu não te vi. Mas Naruto estava bem na minha frente quando eu caí, eu sei que não foi ele – Sasuke assumiu um semblante meio sério, meio indiferente. E ergueu o tronco, como se estivesse cansado de deitar sobre a pedra, fazendo a Haruno estremecer.

– Eu já te disse uma vez – disse ele; os olhos fixos – todos nós já entramos aqui mortos. A questão não é e nem nunca foi quem vai morrer, porque todos vão. Quem vai sobreviver é o ponto. Alianças são uma miragem. Não são favores, são planos.

Ela encarou, serrando os olhos.

– Eu também já te disse várias coisas sobre isso, não pense que alguém como eu não tem um plano.

Sasuke sorriu docemente; os olhos leves enquanto ele ia se aproximando do rosto dela:

– Você precisa de um.

– Claro, não posso discordar – ela também se aproximou, em um confronto que ele não conseguia ler como algo diferente de um blefe. Ela era como um cachorrinho felpudo irritado; o máximo que faria era rasgar sua meia ou latir. Lutaria com tudo o que tinha, mas jamais venceria uma batalha.

Mesmo assim, no quesito sedução...

Sakura Haruno era praticamente incomparável.

– Você pensa por uma multidão, mas é pequena para uma execução real.

– Por isso somos uma dupla perfeita – ela sorriu cínica. Ele sentiu, ao longe, quase como um impulso, um tremor de excitação – Não eu e você, mas as minhas ideias com alguém esperto o suficiente para aproveitá-las. Se não for você, será outra pessoa.

– Como o Uzumaki? – Sasuke sorriu, afastando-se alguns centímetros; o sorriso de canto – Chama aquilo de esperteza?

Sakura sorriu:

– Você tem tanto medo dele que não consegue disfarçar – ele foi transformando o sorriso em uma linha desgostosa, prova de que ele estava de frente a um incômodo delicado e cativante, em forma de mulher – está me usando como isca para escapar dele. O que você espera? Um time? Paz completa? Ou que quando ele venha te matar você possa mata-lo antes, em própria defesa?

Ele rosnou de volta, revertendo a expressão em um escudo de defesa:

– Não tem nada a ver com ele. Se me escutasse, pouparia muito do seu tempo – ela espremeu os lábios, pronta para a pergunta de um milhão de dólares, que agora viria na hora correta.

– O que você quer de mim?

O Uchiha observou calmamente uma gota cair do cabelo dela na testa e ergueu um dedo para tocá-la.

– O que qualquer um daqui poderia querer de você – ele murmurou e Sakura tremeu assim que ele resolveu continuar, agora colando o rosto no dela e sussurrando em seu ouvido, com a voz rouca: – caso tivesse visto sua apresentação individual.

Um tremor ainda maior fez Sakura prender a respiração.

Como ele sabia?

Mas sua mente ficou vazia e o rosto de Itachi surgiu no centro. Idealizador dos jogos. Irmão de Sasuke Uchiha. Ele contara, com certeza. E, agora, a chuva. Itachi o estava ajudando.

E havia apenas um ganhador.

Ela definitivamente tinha que sair dali.

Olhou no fundo dos olhos negros, em um sussurro tapado pelo vento:

– Isso é trapaça.

Ele sorriu – tão próximo que ela mal pôde enxergar seus lábios.

– Ninguém decente ganha os Jogos.

Ela assentiu. Com certeza.

E pegou as chaves sorrateiramente, colocando nos bolsos e abafando seus estalos com a chuva que caía barulhenta.

Ino viu perfeitamente as linhas do rosto de Shikamaru desenhadas em constelações indignas. Ela era indigna.

Mesmo assim, o brilho de cada estrela parecia alcança-la. E o ser dentro dela se movia, encantado.

A dor fazia com que ela se contorcesse, chorando desesperadamente como se estivesse sendo queimada viva ou enterrada em um baú de cobras. Shikamaru, seu imbecil.

O que você foi fazer?

– Imbecil – ela gritou sozinha, completamente sozinha – o que vai ser do seu filho agora?

Mas só as árvores sussurravam entre si.

Elas, e toda a Capital.

Notas finais
AEEEEE, que coisa não é mesmo? Espero do FUNDÃO DO MEU HEART que vocs tenham gostado e q mandem reviews e aquelas coisas de sempre