The Hunger Games
17 Alianças
Notas iniciais
Capítulo DEZESSEIS
e que a sorte esteja sempre a seu favor
Eles caminhavam. Os passos dele, determinados. Os dela, quase inseguros.
Ele olhava em volta a cada instante, no intervalo entre quatro passadas. E no começo parecia por precaução, mas depois ficou como uma mania incontrolável.
– Você também viu?
Ela não pôde deixar de perguntar, apesar de a resposta ser óbvia.
Sasuke olhou para o lado, sem expressão.
E não respondeu.
Ela também não exigiu uma resposta clara, já que aquilo já era uma.
Até que, um tempo depois, ele parou.
– Vamos ficar aqui. – Murmurou, e se sentou no chão. Sakura suspirou e se sentou logo em seguida.
As algemas marcaram os pulsos finos. E ela os contorcia como podia, para aliviar o mau jeito. Sasuke encarou, enquanto tentava fazer uma chama com um galho em folhas secas.
– São canibais – Sakura balançou a cabeça.
– São carreiristas – Sasuke interviu, voltando a olhar para a futura chama – Só vieram preparados.
Gaara e a irmã, Temari, se alimentavam dos cadáveres dos tributos.
– Não basta morrer. Você ainda vai ser nutriente para um doente – o tom dela era completamente enojado. Quando se lembrava, o estômago sempre embrulhava e a garganta ficava entalada. Como se o que ela mais quisesse fosse acordar. Como ela quisesse que aquilo fosse só um pesadelo.
Como o do monstro. O da raposa.
Ela respirou fundo, impaciente.
– O que eu tenho que fazer para você tirar essas coisas de mim? – as algemas estalaram umas nas outras quando ele olhou – Faz mais barulho e, se alguma coisa acontecer, eu não vou nem poder lutar.
Sasuke sorriu.
– Como se você lutasse.
– Correr também é difícil com isso – ela argumentou. – Se você morre, eu vou morrer também. Aliás, se você tentar se salvar e conseguir, eu duvido que vá me esperar.
Ele ficou sério novamente e balançou a cabeça, meio perturbado e ao mesmo tempo indiferente.
Não respondeu até conseguir acender o fogo.
Era quente, concentrado, vermelho vivo.
A imagem de Sabaku no’ Gaara e seu cabelo de sangue assombrou o rosto da Haruno. E, depois, o cabelo de Karin brilhou nas chamas.
– Como – ela tentou dizer – Como acendeu o fogo?
Ele não respondeu. Ao invés disso, pegou sua mochila e abriu, pegando uma chave de lá e se levantou em seguida, se aproximando dela.
Segurou os pulsos da Haruno, que ficou imóvel, e abriu as algemas calmamente. O metal se soltou e caiu na terra.
– Precisamos comer. – Ele disse – Vamos caçar.
– Está entardecendo – apontou ela, paralisada.
– Não está com fome? – Perguntou ele, mas não esperou que ela falasse qualquer coisa.
Sakura se levantou, girando os pulsos com calma.
– O que nós temos? – Perguntou ela.
Mas, de repente, anunciando a brisa de temor, o canhão soou em um estrondo alto. Sakura sentiu seu coração falhar. Mas fingiu que nada tinha acontecido. Sasuke olhou para os lados e disse:
– Duas facas. Se quiser seu arco, vamos ao centro.
Sakura assentiu, pegando o facão que Sasuke estendia para ela.
– Tudo bem, vamos ver se Tenten tem mesmo habilidade. – Murmurou a Haruno.
Perderam alguns pássaros. Sakura lembrou-se do quanto o sistema com as facas era pior. Ela rodopiava no ar, era mais pesada e tinha de ser resgatada depois do lançamento. Senão você não tinha mais arma alguma. A Haruno caçava com faca antes de descobrir o arco, mas foi por muito pouco tempo. E, ali, naquela arena, é claro, não havia animais grandes.
A verdade era que, para caçar, a faca era algo complicado.
Mesmo assim, Sasuke pegou um esquilo.
Ele segurou o animal pelas pernas e colocou a faca de volta no lugar.
– Pensei que você fosse boa em caçar – provocou.
– Pensei que você fosse do tipo mais quieto – ela resmungou de volta.
Ele olhou ao redor.
– Vamos procurar água.
– Comemos primeiro – disse Sakura – e procuramos pela manhã.
O Uchiha olhou para ela, sereno.
– Está com medo do escuro, Haruno?
– Medo é uma coisa que só os precavidos têm – ela se sentou no chão, deixando a faca de lado. Pegou um graveto próximo para fazer a chama nascer.
– Alguém como você realmente precisa de muitas estratégias – disse ele, sério.
– Oh, perdão – ela ergueu a cabeça, irônica – Acabei me esquecendo da sua imensa experiência. Já que, claro, você já venceu os Jogos várias vezes e tem que caçar diariamente para não passar fome. A prática leva à perfeição? – Uma pausa – Claro! Mas é claro.
Ele arqueou o cenho. Ela desviou os olhos.
– Pode ir. Eu vou ficar aqui. – Concluiu a moça.
Sasuke bufou, com raiva. Tirou a mochila das costas e deixou cair no chão. Se sentou e foi até o lado dela.
– Não é assim – ele murmurou. Os olhos verdes, surpresos, se dirigiram aos olhos negros, que estavam nas mãos delicadas da Haruno. Ele estendeu a mão, esperando que Sakura o entregasse o graveto.
Ela soltou em um ato meio petulante e ele caiu, até que o Uchiha o pegou.
– Mais rápido. – Explicou ele, mostrando como se fazia, pacientemente – E constante. Desça as mãos até a ponta, sem subir. E, depois, de novo.
Ela assentiu, observando.
A fumaça se ergueu e o atrito gerou uma pequena chama. Sasuke assoprou levemente e o fogo se formou, maior. O calor ardeu na pele da Haruno e seus olhos brilharam.
– Onde aprendeu?
Ele tinha o semblante entristecido, apesar de estar com uma expressão séria.
– Sozinho.
Sakura estremeceu. O vento estava gelado.
O canhão soou de repente, enquanto escurecia. A Haruno arregalou os olhos, prendendo a respiração.
O coração dela se apertou, em um susto. Ela olhou para o chão, exasperada, embora com os lábios lacrados e o corpo imóvel, e depois fechou os olhos. “Naruto”, orou ela, “por favor, esteja longe disso”.
Um longo minuto se passou.
– Vou assar seu esquilo – disse por fim, mesmo com a garganta fechada, e se levantou para pegar o animal, que descansava em paz.
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– Hanabi – Shikamaru segurou seu pescocinho com as mãos sujas de sangue. A marca fez parecer uma ferida mortal – se alguma coisa acontecer, corra até o riacho, bem longe do centro. Certo? Se alguém aparecer, Hinata e eu vamos te proteger. Se esconda, finja que está morta.
– Shikamaru-san, Neji...– Hinata tentou dizer.
– Temos que ir agora, Hinata – Ele interrompeu, imediatamente. – Por favor, me ajude a trocar a faixa.
– Está escuro, Shikamaru-san – Hinata disse, em um tom de súplica.
– Eles disseram que iriam voltar. Não estavam blefando.
Shikamaru esticou o braço bom e pegou a garrafa de água, usando um pouco sobre o corte no bíceps. Gemeu de dor antes de trincar os dentes. Hanabi apertou os olhos com força. Hinata envolveu o corte em uma faixa grossa. “Para parar o sangramento”, dizia o bilhete que viera com ela.
– Você está muito machucado – os olhos perolados da moça estavam aguados.
– Não. – Ele disse, autoritário – Estamos bem.
Ela assentiu, chorosa.
– Vamos, Hanabi-chan – ela sussurrou. – Vamos achar o Neji-san.
Mas antes que dessem qualquer passo, a mesma voz perturbadora do período da tarde atormentou a hora.
– Shikamaru. – Kin deu um sorrisinho. Hinata tremeu e envolveu Hanabi pelos ombros, puxando-a para trás – Você é mesmo muito idiota para sair cambaleando por aí no meio da noite, sem um braço, com duas mocinhas.
– Não fui eu que saí correndo quando vi alguém do meu time morrendo, Kin. – Ele respondeu, olhando para ela e segurando a respiração – Aliás, não sei se tem algum direito de opinar sobre as minhas estratégias, já que as suas são um lixo.
– Vamos matar vocês todos – Kin deu de ombros. – Acha que sua ideia funcionou?
– Somos do mesmo Distrito, Kin. – Gemeu Shikamaru – Pensei que pudéssemos ser aliados.
Kiba apareceu atrás de Kin. Os dentes afiados brilhando no escuro.
Shikamaru recuou um passo e segurou o braço de Hinata.
“Corram”.
Ela obedeceu, tentando escapar pelo negro profundo entre as árvores atrás deles. Mas Karin apareceu e a segurou, com um canivete em seu pescoço.
Hinata soltou Hanabi, que recuou alguns passos até bater as costas em Shikamaru novamente, que a segurou pela nuca com delicadeza.
Kiba balançou a cabeça.
– Andem logo com isso.
– Pode começar – Kin sorriu.
– Acho que vocês dão conta sem mim. Preciso dormir um pouco – ele deu as costas.
O semblante delas mudou – tanto o de Kin quanto o de Karin. Estavam, de repente, inseguras.
Kin engoliu em seco, tentando não deixar transparecer o nervosismo, e tirou uma lâmina do bolso.
“Ainda não mataram ninguém”, deduziu Shikamaru.
Kiba não estava mais por perto.
– Kin – gritou Tayuya, em sua cabeça – ande logo com isso!
Mas a garota não se mexeu.
– Kin – Shikamaru arriscou se aproximar. Kin tremeu – você sabe que não precisa fazer isto. Está tudo bem. Podemos ir todos para casa.
– Cala a boca – ela sussurrou – Você não sabe de nada!
Ela jogou a lâmina. Ele não se moveu.
– NÃO! – Hinata berrou, esperneando. – SHIKAMARU-SAN! – Karin a segurava forte, séria. Hanabi soluçou, cobrindo os olhinhos.
Shikamaru caiu, como um boneco, com a arma no estômago.
Kin não conseguiu piscar.
O canhão soou, ecoando pela arena, enquanto o sangue dele escorria, fresco.
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Ino cambaleou, quebrando galhos com os tênis sujos. Segurou uma árvore próxima quando sua pressão baixou e tudo começou a rodar. De repente, vomitou. Tossiu, fraca. Olhou em volta e correu.
“Espere por Hinata”, dissera Shikamaru, “espere por ela”.
E, depois, “Você estragou tudo, Ino! Você estragou tudo!”. Ela balançou a cabeça.
Tinha que encontra-la.
Foi quando o canhão soou pela segunda vez no dia, enquanto escurecia. Alucinada como estava, quase sentiu o choro do feto dentro dela.
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– Vamos acampar – sugeriu Sasuke, olhando para ela pelo canto do olho, discretamente.
– Certo – murmurou ela, distante.
Ele parou o que fazia – uma espécie de armadilha com galhos e a corda que tinha na mochila – para olhar para ela, agora de forma brusca.
– Eu faço o primeiro turno enquanto você dorme.
Ela assentiu antes de dar de ombros:
– Se prometer não me matar.
Ele voltou os olhos para sua armadilha improvisada, não conseguindo conter um sorriso.
– Você definitivamente ou é muito estúpida ou muito inocente para confiar tanto nas pessoas. Acordos não existem. Nem promessas.
O olhar esverdeado ficou provocante quando ela olhou para ele com raiva. As algemas estalaram.
– E por que está cumprindo a sua?
Mas ambos sabiam que era melhor não comentar sobre aquilo na arena. Arriscado.
– Uma promessa pode ser a base da sua fé em alguma coisa. – Disse ela, agora brincando com as folhas secas sob os calcanhares, apesar de não parecer estar se divertindo – E a fé é a base de tudo. Então não é confiança, é sobrevivência. Naruto não sabe a diferença e desaprova tudo o que eu faço.
Sasuke ergueu os olhos novamente.
– Além disso – prosseguiu ela – se você quisesse me matar, já teria me matado.
Ele se sentou, a dois metros de distância dela.
– Tem um riacho por aqui. Vamos pelo outro lado.
Sakura arqueou o cenho.
– Não era você que queria água?
– Eu e todos os outros – ele balançou a cabeça. – O centro e o riacho são os lugares que não podemos ir.
– Como sabe que tem um riacho lá?
– Dá pra ouvir quando você fica quieta.
A Haruno estreitou os olhos, irritada.
– E se não vamos pra lá, o que você espera? – Ela indagou – Que chova?!
O Uchiha olhou para o céu, erguendo a cabeça levemente, agora enquanto usava a faca para afiar um pedaço de graveto.
– Orochimaru dará um jeito até o amanhecer.
– Quem é esse?
– Nosso mentor.
Sakura sentiu o tremor nas próprias mãos.
– Não sei quem é. – Mentiu ela.
– Ele só fica no apartamento, nunca sai.
– Isso é necessário?
– É o que ele diz – Sasuke murmurou – Não me importo. Contanto que nos ajude, pode ser de qualquer lugar.
Ela espremeu os lábios. Tsunade.
– E o que te faz pensar que ele vai ajudar você, estando comigo, e não a Karin?
– A Karin não vai ganhar os Jogos – a resposta foi curta, definitiva, estava na ponta da língua.
Algo ficou entalado na garganta da Haruno.
– Por que me trouxe com você?
Ele suspirou.
– Não seja intrometida.
– Não estou sendo.
Sasuke deu as costas e fincou a faca no solo.
– Durma antes que dê o seu turno e eu faça isso.
Ela deitou a cabeça de lado, conformada. E depois fechou os olhos.
A raposa estava em chamas. E ela contou as nove caldas sombrias bem de perto.
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