The Horse And The Owl
19 Capítulo 19- A profecia
Notas iniciais
Cap. 19 – A profecia (narração de Lilian).
Quando Julia me disse que iríamos para a Casa Grande receber nossa profecia, esperava que a mesma fosse entregue em um papel bonitinho, escrito mais ou menos assim: “Vão até Londres, encontrem o ladrão que roubou não sei o que de Afrodite e voltem para o acampamento antes que sejam devoradas por monstros”. Logo iria perceber que não seria assim...
Quando Julia e eu chegamos à Casa Grande, vimos nossa amiga Rachel já nos esperando na varanda. Assim que ela nos avistou, disse:
-- Julia, Lilian... Como vão? – Disse ela, nos abraçando.
-- Bem -- respondemos juntas.
Todas nós rimos. Depois disso, Rachel nos guiou por um caminho diferente até o lugar onde ela ficava quando não estava no internato para moças. Enquanto andávamos, ela nos contava sobre suas aventuras e o que teve que enfrentar no passado, com Percy e Annabeth. Nos contou inclusive de ter lançado uma escova de cabelo azul no olho de um Titã mal-humorado. Julia e eu rimos muito dessa parte, pois quem iria dizer que uma escova de cabelo poderia ser usada como arma?
Rachel nos levou até o lado norte do acampamento, onde começava a floresta que marcava a fronteira do mesmo. Lá, as escondidas, havia uma Gruta bem grande e em torno da dela, o chão estava coberto de espadas e ossos, com tochas na entrada e uma cortina de veludo vermelho com bordados púrpura de cobras... Bem misterioso... Rachel parou na frente da cortina:
-- Chegamos garotas. É aqui que fico quando não estou estudando.
Julia e eu olhamos para a Rachel com uma cara de deboche.
-- Sério, Rachel? Aqui é uma gruta! Não dá para você viver aqui ! -- retruquei.
Rachel, com um sorriso, contrariou-me:
-- Claro que dá! Foi o próprio Apolo quem a construiu. Vamos, entrem.
Julia olhou para mim e em seu olhar pude ler uma mensagem bem clara: “não entre aí! Rachel é louca!” Dei os ombros e entrei deixando Rachel e Julia para trás.
Assim que entrei fiquei em choque: a gruta, por dentro, era literalmente um apartamento decorado com direito a uma sala de jogos e um sistema de Home Theater! Não consegui acreditar. Fiquei em transe total, só saindo desse quando minha linda amiga me deu um beliscão no braço.
-- Aiii, Julia! Será que dá para você achar outro modo de me tirar de transe? Esse dói. – reclamei massageando o local beliscado.
Julia e Rachel deram risadas.
-- Oras Lilian, eu lá tenho culpa por você entra em transe? É sua cabeça que é muito fraca. Qualquer coisa consegue te deixar hipnotizada. — Disse julia entre as risadas.
Revirei os olhos para ela e voltei a observar a “gruta misteriosa” de Rachel.
-- Aqui é muito legal, Rachel. Mas porque você não pode ficar na Casa Grande ou em algum chalé? – perguntei.
-- Porque ela é o Oráculo. -- respondeu Julia.
-- Mas você não pode ser o oráculo fora daqui? – questionei.
-- Posso. Mas aqui dá um toque a mais para minhas profecias... Mais mistério e suspense, vocês sabem.
-- Ah, tá -- disse me jogando em um pufe.
Julia fez o mesmo se sentando em uma poltrona ao meu lado, mas bem mais delicada do que eu. Depois de se ajeitar, se virou para Rachel com a testa franzida e falou séria:
-- Rachel, acho que Annabeth te contou o porquê de querermos uma profecia, não?
Rachel foi se sentar numa poltrona maior, no outro lado da sala e ficou de frente para nós:
-- Sim. Ela me disse que vocês duas tiveram um pesadelo em comum, certo?
-- Sim – disse Julia.
Rachel, olhou bem para nós:
-- Me contem sobre o pesadelo.
Depois disso, Julia e eu passamos a explicar-lhe sobre o sonho da melhor forma que podíamos, até expondo alguns sentimentos e nossos medos, acabando por fim, na mulher misteriosa que, pela dedução de Julia, era a deusa Afrodite.
Depois de contarmos tudo a Rachel, ela fechou os olhos e respirou fundo:
-- O pesadelo de vocês foi um aviso que Afrodite enviou para se prepararem para a missão que iriam receber. Agora, a pergunta é: vocês estão preparadas para receber essa missão?
Rachel terminou de falar isso olhando alternadamente para cada uma de nós, esperando uma resposta. Sem confiar em minha voz, apenas assenti com a cabeça .
-- E você Julia ? – perguntou-lhe.
-- Sim.
-- Então o oráculo está pronto para recebê-las. – Ela anunciou-nos.
-- Como assim “recebê-las”? – quis saber.
-- Você verá: façam-me uma pergunta que tenha a ver com a missão que o oráculo irá lhes responder.
Olhei para Julia, pedindo com o olhar para que ela fizesse a pergunta, pois se tivesse que fazê-la, era bem provável que iria fazer a pergunta errada. Julia respirou bem fundo antes de falar:
-- Qual é nosso caminho nesta missão?
Olhei para Rachel para ver o que iria acontecer... Me arrependi profundamente da ação. Em volta do corpo dela, apareceu uma nuvem verde que adentrou na sua boca. Então Rachel começou a falar, mas a voz não era a dela, mas sim uma voz rouca super-sinistra:
"Para oeste os quatro devem migrar
A espera do objeto com o ladrão encontrar
E a criança filha da maldição irá se reconhecer
Porém com as bestas terão que se envolver
No caminho a morte hão de encontrar
E cuidado tomar com os filhos do mar"
Depois disso, nem eu e nem Julia reagimos a nada. Sequer nos mexemos quando vimos nossa amiga Rachel caindo no chão desmaiada. Não escutávamos mais nada a não ser a voz que penetrou nossas cabeças dizendo tais palavras que nossas mentes lutavam para decifrar. Não reagimos a nada.
Notas finais
beijos
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