The Hidden Kiss

4 Who Am I Suppost to Be?


Notas iniciais
Hey guys! Desculpe pela demora, eu acho. Tem tido poucos reviews, me pergunto se estou mesmo agradando. Bem, enfim. Até certo ponto, os capítulos serão divididos entre as visões da Emma e da Regina. É isso. Boa leitura!

* * *

Uma semana depois...

Emma Swan agarrou-se ao travesseiro, perdendo a conta de quantas vezes se revirou no colchão a procura do sono. Ela não dormia bem desde que chegara à Floresta Encantada. Suas olheiras eram notáveis à distância e seu cansaço também. Não havia uma pessoa naquele reino que odiasse tanto o lugar quanto Emma, mas ao contrário da antiga Sheriff, Henry estava adorando cada minuto ali. E só por isso, ainda não havia se manifestado. O sol estava começando a aparecer e ela já sabia que seria acordada em poucos minutos.

“Emma querida...” A voz doce de Snow adentrou o quarto. A loira enfiou a cara no travesseiro.

“Já estou acordada” Disse entredentes. Aquela mesma voz todas as manhãs estava começando a irritá-la.

“O café está posto. Desça para toma-lo conosco.” Acrescentou a mulher.

“Tanto faz.” Emma pensou. A morena então deixou o quarto, direcionando-se para o salão onde seria servida a comida. Após quase uma hora convencendo a si mesma de levantar, a loira o fez, desgostosa. Pegando sua jaqueta e vestindo suas botas, ela finalmente desceu as escadas para juntar-se à sua família.

“Pensei que não viesse.” David disse severamente, ao ver sua filha se aproximando da mesa. Emma nada disse, apenas sentou-se ao lado de Henry que atacava o banquete.

“Mais tarde Ruby vem aqui! Disse que iria me mostrar a floresta e me ensinar a correr como um lobo!” Henry disse animado, e com a boca cheia de farelos.

“Legal” David exclamou em resposta. Snow sorriu gentilmente. Todos olharam para Emma, em busca de sua resposta. A loira olhou-os de volta, sem um pingo de animação que fosse.

“Não fale de boca cheia, Henry.” Emma simplesmente disse. O menino franziu o cenho, tão confuso quanto os avós.

“Emma, conte-nos; O que acha de ter treinamento com a Fada Azul?” Snow mudou de assunto, sugerindo aquilo como se tivesse esperado um longo tempo para perguntar.

“O quê?!” Exclamou.

“Sim, é claro.”

“Você precisa aperfeiçoar sua magia... Não vejo jeito melhor!” Emma hesitou. Todos à mesa sorriam ansiosos pela resposta, inclusive seu filho.

“Eu... Não acho que seja uma boa ideia.” Resmungou, voltando seu olhar apenas em seu prato.

“Claro que é! Imagine quanta coisa podemos fazer com magia!” Henry tagarelava. Swan revirou os olhos. Magia, magia, magia... Era só do que eles sabiam falar.

“Certo.” Cedeu. Todos bateram palmas alegremente. “Não vou prometer nada. Mas posso tentar.” Acrescentou, com cautela. David a fitou preocupado.

Sendo assim, a loira levantou bruscamente da mesa, deixando seu prato e o resto de comida de lado. Mary Margaret estranhou, mas foi inútil chama-la.

“Emma.” Chamou uma voz autoritária. Ela se virou, era David. “Quero conversar com você.”

“Ok, eu não estou muito bem para conversas, então...”.

“O que está acontecendo?” David questionou. Emma suspirou, não adiantava argumentar. Ela se apoiou na parede do corredor do castelo. “Demorando uma hora para descer, respondendo a sua mãe de manhã, e agora sai deste jeito? Sem contar à desfeita que fez ontem no jantar.”

“Oh... Aquilo?!” Protestou Emma. “Eu apenas saí da mesa, ninguém estava conversando ou querendo conversar comigo. Não fazia diferença estar ou não ali.” Justificou, mas David continuava a olhá-la com reprovação. “Ok, quer saber o que está acontecendo?”

“Adoraria.” Respondeu seco.

“Eu odeio esse lugar. Eu odeio esses jantares. Eu odeio esse castelo. E eu odeio ser princesa dessa droga de reino.” Admitiu. David franziu a testa. “Eu não pedi por isso. Eu não queria isso.”

“Você... odeia-nos?” O homem parecia um tanto ofendido.

“Não...” Suspirou. “Não foi isso que eu disse.”

“Pois foi exatamente o que pareceu.” Retrucou o, agora, Rei, num tom amargurado.

“Eu não sou daqui, David. Tente entender. Eu mal me acostumei a essa vida e vocês já exigem algo de mim, que não posso oferecer. Essa liderança. Essa realeza.” Emma se esforçava para que seu pai a compreendesse, e estava começando a funcionar.

“Nós poderíamos fazer alguma coisa para fazê-la se sentir melhor?” David perguntou melancolicamente.

“Sim.” Respondeu imediatamente. “Deixem-me falar com a Regina, ou encontra-la, não sei. Preciso saber o que ela acha disso, preciso saber como reagir diante a isso...” Disse. “Aliás, você havia me prometido.”

“Eu sei, Emma, eu sei.” Concordou. “Mas encontrar Regina não é fácil, muito menos seguro. Você sabe disso. Além do quê, por que precisa tanto saber sobre ela?” Emma sorriu sarcástica.

“Você não entende.” Resmungou, virando-se para o grande vidro que dava visão ao reino. “Regina é a única coisa que faria sentido aqui. Manteria minha cabeça no lugar saber que ela também não se sente bem aqui. Eu não sei. Talvez seja bobagem minha.” David a ouvia, mesmo sem compreender muito bem, ele percebia sua sinceridade.

“Querida, eu... Eu não entendo...” Resmungou o rapaz, aproximando-se da filha. “Mas eu respeito sua decisão. Não precisa treinar com a Madre Superior se não quiser... Mas deixe-me ensiná-la a montar. É só o que peço.” Um sorriso esperançoso brotou nos lábios rosados do Rei.

“Montar? Tipo... Em cavalo?” Disse receosa. David riu.

“Não imagino outra opção...”.

“Hm... Sobre isso... Eu meio que tenho pavor de cavalo.” Emma falou desconfortável. Os olhos do homem se arregalaram animados.

“Ora! Melhor ainda! Perderemos esse medo esta semana mesmo!”

* * *

Horas depois, Henry estava voltando de seu passeio com Ruby quando Snow White a convidara para almoçar com a família. A mulher certamente aceitou, fazia algum tempo que não conversava com Emma e essa seria uma ótima oportunidade.

“Ruby está aqui!” Exclamou Henry ao bater na porta do quarto da mãe. Emma, que antes observava o lado de fora da janela, virou-se para o garoto. “Vai ficar para o almoço.” Acrescentou. Emma sorriu, pela primeira vez animada com a visita.

“Que bom!” Exclamou, num tom aliviado. O menino sorriu de lado e já ia seguindo em frente, quando Emma o chamou de novo. “Henry...” Disse se aproximando do filho. “Você não sente falta da sua mãe? Não se preocupa com ela?” Perguntou enquanto caminhava, saindo do quarto. Henry a olhou por um segundo, sem entender.

“Por que me preocuparia?” Questionou ingenuamente. Emma franziu o cenho. “Ela me visita todas as noites.” Acrescentou. A loira parou de repente.

“O que quer dizer? Ela aparece vem aqui todas as noites?” Perguntou aflita. Henry parecia confuso.

“Não, não vem aqui. Ela parece para mim em meus sonhos.” Explicou o menino, como se fosse algo óbvio. Os ombros de Emma caíram. Então era apenas um sonho.

“Certo, garoto.” Concordou Emma, um pouco desapontada.

“Estranho. Pensei que ela aparecia para você também.” Comentou, voltando a andar.

“Por que ela faria? Sua mãe nunca gostou muito de mim.” Emma falou, sentindo que já havia passado por aquele corredor antes, eles eram todos iguais. Henry sorriu de lado.

“Não é verdade. Minha mãe nunca soube direito como gostar de alguém”. Disse o menino. Ele segurou a mão de Emma e passou a conduzi-la, percebendo que estava perdida. “Se você desse uma chance ao jeito dela, como eu fiz, perceberia”. Concluiu, num tom orgulhoso.

“Talvez você esteja certo, garoto. Quem sabe um dia...” Sorriu ao filho, abraçando o menino. Às vezes, Henry era o único que fazia algum sentido em toda aquela baboseira de castelo.

Descendo as escadas, logo Emma e Henry chegaram ao salão principal, onde Ruby estaria a sua espera. O almoço ainda não estava servido, o que significava que elas teriam algum tempo para conversar.

“Emma!” Exclamou Ruby feliz em vê-la. A loira não se importou em esconder, também estava animada em vê-la. “Sabe, eu resolvi esperar um tempo até que se acostumasse com o lugar e só então lhe fazer uma visita...” Sussurrou ao abraça-la.

“Digamos que essa seja uma tarefa difícil...” Sussurrou em resposta.

Ruby sorriu de lado. Não era como se aquela fosse uma notícia boa, significava que Emma não havia gostado nenhum pouco de seu lar. Johanna -amiga e servente da família- anunciou logo mais que o almoço seria servido em meia hora, então Henry e Charming ajudaram a pôr a mesa.

“Pensei que você viesse conosco nessa manhã. Estava um sol belíssimo.” Disse Ruby, caminhando com Emma até o corredor, parando em frente a enorme janela que permitia que o sol se encarregasse da iluminação.

“Henry parece estar se divertindo muito aqui.” Comentou, num tom triste.

“Menos você, não é mesmo?” Ruby perguntou preocupada. “Aposto que se você saísse um pouco, poderia ver o quão lindo é a nossa Terra.”

“Eu não preciso, não pretendo ficar por muito tempo.” Desabafou brevemente. A morena franziu o cenho, confusa.

“Você quer voltar?” Questionou em um sussurro, como se fosse proibido sequer pensar nisso.

“Sim, eu não pertenço a esse lugar. Não faz sentido ficar aqui.” Respondeu Emma, observando o outro lado da janela. Havia algo no visual que lhe era exposto toda vez que olhava em direção a qualquer janela no castelo. Sentia algo diferente. Sentia como se estivesse sendo observada, porém, não de um jeito invasivo, mas sim de modo cuidadoso. Como se houvesse alguém cuidando dela de algum lugar, e por algum motivo.

“E como você planeja ir embora?” Perguntou Ruby num tom desgostoso, trazendo Emma de volta à realidade.

“Regina.” Respondeu. “Regina vai me ajudar.” A morena riu, primeiramente achando que fosse alguma piada, mas ao ver a expressão séria da loira parou imediatamente.

“É sério? Como Regina vai te ajudar?!”

“Se eu bem a conheço, ela quer sair desse mundo tanto quanto eu. E... Regina tem esse negócio de magia, pode me ajudar a conseguir voltar para casa...”. Explicou, mas isso não foi suficiente para convencer Ruby de que era uma boa ideia.

“Primeiro, você conhece a Regina não faz um ano.” A morena ponderou. “E segundo, se você quer voltar porque não pede ajuda de pessoas realmente confiáveis? Como eu... Ou o August!” Sugeriu.

“O que vocês sabem sobre isso? E não acho que o August vá querer me ver... Afinal, eu não acreditei nele como deveria...” Emma lamentou-se, voltando a olhar pela janela.

“Aposto que mais do que você.” Retrucou Ruby, num tom orgulhoso. “E outra coisa; eu estive com August, e ele está louco para vê-la! Nós não guardamos rancor, somos seus amigos, Emma. Coloque isso em sua cabeça.” Concluiu, envolvendo seu braço no braço da antiga-Sheriff.

“Mas eu preciso encontra-la.” Comentou num sussurro. Ruby sorriu brevemente.

“Eu sei.” Disse. “Nós vamos, sem que isso arrisque nossas vidas, combinado?” Sugeriu animada. Emma não pode deixar de rir e consentir com a cabeça. “Certo, então vamos porque eu estou com fome... E ninguém quer me ver com fome...” Brincou, puxando a amiga de volta ao salão.

“E falando em amigos, Gold-” Se interrompeu brevemente. “Rumpelstiltskin está preparando um baile para apresentar sua futura esposa.” Informou Ruby, com um sorriso brincalhão.

“O Gold?” Emma repetiu incrédula. “Vai se casar?”

* * *

O almoço havia sido muito agradável, não poderia ser de outra forma, ainda mais quando os amigos estavam reunidos. Em meio a tanta conversa, Ruby convidou Emma para visita-la e aproveitar para conversar com August sobre seus futuros planos. Também disse que eles se precisassem de alguma coisa, Bill não se importaria de ajudar. Apesar de ter se passado mais de duas semanas desde que a maldição fora quebrada, os personagens ainda não tinham se acostumado com seus nomes habituais. Bill, por exemplo, não gostava mais de ser chamado por seu antigo nome: Jacque, assim como muitos outros que ainda se sentiam confusos com duas vidas na cabeça.

Emma passou a entender lados que não havia antes, e que talvez pudesse se confortar com Ruby, até conseguir voltar a sua antiga realidade. Mas para conseguir sequer sair do castelo, precisava mostrar para aqueles que agora ela sabia que eram seus pais, não que estava satisfeita com a Terra Encantada, mas -por enquanto- apenas conformada.

“Emma?” Henry chamou, pondo a cabeça para dentro do quarto da loira.

“Pode entrar garoto.” Assentiu gentilmente. O menino entrou no quarto sorrateiramente e sentou-se na cama da mãe.

“Meu avô está nos chamando para cavalgar!” Disse deitando-se no colchão. “Isso é bem mais macio que o meu...” Comentou brevemente. “Enfim, mas ante minha avó queria falar com você...”.

“Como está a cara dela? Brava?” Perguntou, num tom brincalhão. Henry sorriu, animado em ver o bom humor da loira de volta.

“Bem... Está com a Fada Azul... Provavelmente para te dar uma bronca!” Disse rindo. Emma riu junto e chamou o menino para acompanha-la.

“Não duvido disso.” Resmungou com um sorriso brincalhão. Henry então, junto a sua mãe, desceu as escadas até o salão onde Fada Azul e Snow White estariam a sua espera.

Ambas esperavam enquanto conversavam alegremente, Emma não pode ouvir, pois exatamente quando chegava pararam de falar. Apesar de tudo, elas a esperavam com um grande sorriso, animadas até demais para o gosto de Swan.

“Emma, querida, esta é a Fada Azul, como sabe.” Disse Snow White, apoiando sua mão no ombro da loira. “Conversei com ela sobre... Sobre seu treinamento, e diga para ela o que disse a mim antes!” A morena virou-se para a Madre Superior, que sorriu genuinamente.

“Sim, Miss Swan, você tem potencial para magia. Com certeza.” Afirmou contente. Snow parecia mais empolgada do que qualquer um, como se o elogio tivesse sido feito a ela. “Mas fiquei sabendo que você não está satisfeita com o treinamento?” Questionou preocupada. Emma suspirou, percebia na voz da mulher certa severidade, como se fosse sua obrigação aperfeiçoar suas habilidades -que ela mal sabia que tinha- com magia.

“Na verdade, eu não acho uma boa ideia.” Respondeu tentando ao máximo ser gentil. “Quer dizer, eu não acho que seja necessário...” Acrescentava quando foi obrigada a parar, pois Fada Azul fizera uma careta como se ficasse ofendida com o comentário.

“Necessário?” Repetiu incrédula. Emma olhou em volta, Snow abaixara a cabeça envergonhada enquanto Henry comia uma rosquinha -sabe se lá onde encontrou- e as observava tranquilamente. “Miss Swan, a magia é um dom. E dons como este devem ser muito bem usados, pois eles têm uma missão, um destino a cumprir.” Dizia enquanto gesticulava. Emma recuou por um segundo temendo que a mão da Madre Superior fosse, acidentalmente, parar em meio ao seu rosto. “Aposto que deve achar isso desnecessário também...” Resmungou mais para si mesma do que para a loira.

“Hm... Sim?” Emma arriscou dizer, hesitante.

“Oh céus...” Protestou a pobre mulher, desapontada. “Miss Swan, vejo que tem muito a aprender. Mas se há tanto trabalho a fazer, sugiro que comecemos agora mesmo.” Concluiu, retomando seu tom gentil. Não que Emma visse alguma gentileza na frase anterior, e embora protestasse com revirar de olhos, ela não disse nada. Havia prometido a Henry que tentaria, e a si mesma dar uma chance ao lugar.

Snow White comemorou animada e as acompanhou até o campo, nos fundos do castelo. Apesar do barulho — embora fosse pouco- de Grumpy, ou Leroy, trabalhando e dos animais perto, elas teriam espaço o suficiente para o devido treinamento.

Emma nunca havia estado naquele lugar antes, e certamente nunca havia visto tanto verde em um só lugar. Ou tantos cavalos e outros animais em um só lugar. Era insano o quão amplo e ao mesmo tem fechado era a Terra Encantada.

“Gosta do que vê?” Snow perguntou, por trás da filha, pondo suas mãos nos ombros da mesma. Emma deu um pequeno sorriso de lado.

“É bonito, admito.” Disse baixinho.

“Bem, para a primeira aula está tudo bem as visitas. Porém, gostaria de sigilo nas próximas, se estiver tudo bem para você, Majestade...” Disse Fada Azul à Snow. A morena assentiu, gentilmente afastando-se para que elas enfim pudessem começar. “Certo, certo...”

“Espero que tenha tempo e paciência comigo” Emma comentou, num tom brincalhão, na tentativa de parecer mais disposta. Mas ambas as mulheres tinham uma expressão séria e concentrada em seus rostos e, sendo assim, ela resolveu desmanchar seu sorriso.

“Primeiro, vamos começar com algo fácil: Levitação.” Anunciou. “Basta pensar no que quer fazer e como se sente sobre isso.” Explicou, como se somente aquilo fizesse todo o sentido. Emma riu brevemente, imaginando o que aconteceria se ela pensasse no que realmente sentia sobre tudo aquilo. Talvez um ônibus espacial aparecesse do nada para leva-la para Nova York, ou seu velho fusca amarelo com o tanque cheio de gasolina, poderia ser até a Mercedes da antiga Prefeita contanto que estivesse disposto a leva-la para casa. “Miss Swan!” Chamou Fada Azul, arrancando-a de seus pensamentos. “Sabe, você é muito distraída. Lembra-me certa mocinha que deu muito trabalho para nós, fadas, quando pequena. Seu nome era Alice, certamente não a conhece.” Comentou brevemente.

“Alice?” Repetiu Emma, fingindo se interessar. “Alice de ‘Alice in Wonderland’?” Perguntou. Fada Azul franziu o cenho, confusa.

“Ora, já ouviu falar da senhorita Alice, Miss Swan?” Questionou, embora não esperasse resposta. “Vejo de onde aprendeu tal distração. Mas devemos focar na aula...” Balançou a cabeça, de modo que seus pensamentos fossem expelidos rapidamente.

“Bem, use esta xícara...” Disse Madre Superior erguendo a mão e, de uma névoa azul-turquesa, fazendo surgir uma peça de porcelana, parecendo vir diretamente de alguma festa de chá da Inglaterra. Emma pegou a xícara e apoiou-a no chão, durante longos minutos tratando de observá-la. Lembrou-se do que a treinadora havia acabado de lhe dizer; pensar no que queria fazer e como se sentia sobre isso. Mas... Sobre isso o quê? Sobre o que iria fazer ou sobre isso como um todo? Certamente, magia não era com Emma. Por fim, ela optou pelo que mais parecia do feitio da mulher. E passou a pensar em como queria que aquela xícara flutuasse. Fechou os olhos e forçou as pálpebras, imaginando que quanto mais força impusesse, o objeto sairia do chão com mais rapidez.

“O que está fazendo?” Fada Azul perguntou, casualmente. Emma abriu os olhos, sentindo as consequências da força que fazia.

“Tentando levitar esse copo.” Respondeu à mulher, como se fosse uma resposta óbvia.

“Magia não é um esforço intelectual!” Criticou, balançando as mãos para dar mais ênfase. Emma suspirou tão pesado que quase ficara sem ar. “É emocional.”

“Claro. Claro.” Emma debochou baixinho, desejando que ninguém a tivessem ouvido. “Nós iríamos ter uma discussão sobre o nosso relacionamento mais tarde de qualquer jeito.” Revirou os olhos, dando as costas para a xícara.

“O que disse?!” Fada Azul virou-se agressivamente. Emma gelou.

“Nada.” Disse imediatamente. E isso pareceu ser o suficiente para a mulher.

“Certo. Planejarei outros métodos com você, Miss Swan.” Concluiu, num tom amargo. “Teremos muito trabalho pela frente, mas acredito que conseguiremos chegar a algum lugar.” Finalmente, ela ergueu as mãos fazendo brotar a antiga névoa e junto com esta, sumir o objeto de porcelana.

“Miss Swan, há uma coisa que deve saber; uma lição importantíssima a aprender.” Disse a treinadora, desta vez num tom sério e severo, enquanto caminhava mais adiante até Emma.

“Sou toda ouvidos.” Disse querendo ser gentil. A mulher riu brevemente.

“Não diga bobagens, querida. Não há como ser ‘toda ouvidos’.” Comentou.

“Isto é...” Emma já ia corrigir, mas desistiu ao perceber que não adiantaria de nada.

“Pessoas como nós tem um propósito. No entanto, tem todas usam esse dom para o bem.” Deu uma pausa olhando rapidamente ao céu, como se lembrasse de algo. “Em cada um de nós, sendo ou não provido de magia, há um coração que aguenta as consequências de nossos atos. Sendo assim, se nós tendermos a ir para as trevas, nosso coração cria uma mancha negra. E quando se decidi seguir por esse caminho... Não há mais volta.” Disse, voltando a olhar para a aprendiz.

“Mas por que está me contando isso?” Emma se arriscou a perguntar. Desta vez, a resposta não foi rude, como esperava, ela apenas ignorou e tornou a explicar.

“Porém, como toda virtude há um defeito; nós somos obrigados, por assim dizer, de ver essas consequências usualmente. Refletido não só em nossos corações, mas como em nossa magia.”

“Essa fumaça?” Emma indagou, procurando entender. E finalmente um sorriso consentidor.

“Exato. Nossa névoa expõe nossa alma, se é pura ou não. Se é sombria ou não.” Emma a olhou, imaginando por que a mulher parecia tão pensativa. “Você irá perceber mais cedo ou mais tarde.”

“V-Você nunca teve medo de ter uma... Névoa? É, uma névoa escura?” Perguntou à mulher, num tom receoso.

“Nunca. Sempre tive uma vida limpa, afinal, é o que nós, fadas, fazemos.” Respondeu orgulhosa, embora não tivesse dito exatamente o que Emma queria saber. “Nós sabemos quem realmente somos.”

Emma então voltou a olhar para o horizonte, assim como olhava quando estava em seu quarto. Começava a ter aquela sensação de estar sendo observada. Mas e se Emma não tivesse uma vida pura? E se ela seu coração tivesse uma mancha... Ela nunca teve uma vida lá muito honesta, fora presa uma vez e nem fora pelos milhares crimes que havia cometido. E se Emma não soubesse quem ela realmente era?

Notas finais
Hey! Esqueci de perguntar - e é importante: O que acharam do Claude??
E, por favor, mandem reviews para eu saber o que estão achando! Até o próximo!