The Hidden Kiss
5 A Little Help
Notas iniciais
ATENÇÃO: A partir de hoje, irei postar fielmente aos sábados.
* * *
A sala da antiga mansão dos Mills parecia mais vazia do que de costume, mas Henry mal percebia. Ele esperava sentado no sofá esperando que sua mãe chegasse. Regina também demorava mais do que de costume, mas para passar o tempo o menino brincava com seu dado.
“Henry, querido!” Exclamou Regina, em trajes modernos de Storybrook, surgindo em meio à névoa lilás. Henry levantou-se correndo em direção à mulher, ganhando um grande abraço da mesma.
“Mãe, por que você não nos visita no castelo?” Henry perguntou, enquanto puxava a ponta dos dedos da mulher até o sofá, sentando-se.
“Querido, você sabe por quê.” Lamentou-se Regina.
“Você poderia aparecer para a Emma pelo menos...” Comentou o menino. A antiga-Prefeita franziu o cenho. “Ela tem perguntado sobre você... Eu disse que tem aparecido, mas-”.
“Querido, prometemos manter segredo, não se lembra?” Regina frisou, parecendo preocupada. “Mas a Miss Swan tem... Por que ela perguntaria?”
“Porque ela se importa, é claro.” Respondeu com um grande sorriso. Regina riu brevemente.
“Não, Miss Swan nunca gostou de mim, querido. Não seria agora...” Dizia.
“Foi exatamente o que ela disse!” Exclamou Henry, empolgado. “Acredite em mim, ela vai ficar feliz em vê-la!” Mas isso não pareceu convencer a mulher. Regina se levantou, parecia atrasada para alguma coisa.
“Não vou prometer nada, querido. Mas pensarei no assunto, certo?” Disse a Rainha, num tom infantil. “Agora preciso ir, e não conte sobre minha visita com ninguém, combinado? Sinto sua falta, querido.” Acrescentou, abraçando o menino. Henry sorriu de volta, não precisava dizer que sentia o mesmo.
Sendo assim, a névoa lilás surgiu envolvendo o corpo da Rainha de modo cauteloso. E após possuí-la por completo, dissipou-se a levanto consigo.
* * *
“Henry!” A voz de Emma Swan foi se tornando mais alta à medida que o menino acordava. “Vamos, estamos atrasados.” A loira estava sentada sob a cama do filho com um sorriso — que podia julgar ser animado- em seu rosto.
“Lembra? Vamos visitar Ruby.” Acrescentou, levantando-se. Após longos minutos ambos estavam arrumados e prontos para partir.
“Minha mãe apareceu para mim essa noite outra vez...” Henry comentou. A loira por alguns segundos ficou em silêncio, só depois percebeu que o menino esperava dela algum comentário.
“Oh, como ela está?” Perguntou aleatoriamente, laçando o braço no do filho e o acompanhando pelos corredores do castelo. Ela um longo caminho até a porta dos fundos.
“Não sei. Ela parecia ocupada, sabe?” Dizia Henry, relembrando do sonho. “Como tivesse parado o que estava fazendo para me ver...”.
“Sério, garoto, às vezes eu me esqueço de que você é uma criança.” Emma comentou brevemente. Henry sorriu.
“Eu falei de você! Falei que estava preocupada com ela!” Exclamou animado. A loira o olhou rindo, se aquilo não fosse um sonho seria muita ironia, de fato. Emma preocupada com a mulher que infernizou a sua vida no último ano.
“E ela disse exatamente a mesma coisa que você ‘Ela nunca gostou de mim’...” Disse tornando a voz mais aguda ao imitar a Rainha. “Às vezes é chato, sabe.” Henry disse, largando a mão da mãe para se aproximar da janela.
“O que é chato?” Questionou.
“Parece que vocês têm um script, falam a mesma coisa, pensam a mesma coisa, fazem as mesmas coisas... Eu é que não escrevo isto, com certeza. Se fosse, seria bem diferente.” Por um segundo, Emma pensou que Henry estivesse falando consigo mesmo. Mas após um sorriso que ele dera à mãe, percebeu que ele queria uma resposta.
“A questão é: Como sabe o que pensamos?” Emma se virou com um sorriso brincalhão, agarrando o menino e o fazendo rir com seu ataque de cócegas.
“Vejo que acordaram bem esta manhã.” A voz grave do Rei quase fez com que os dois caíssem. David estava logo afrente, com um sorriso tranquilo, quiçá orgulhoso. “Vão a algum lugar?”
“Oh, sim. Ruby nos convidou, August estará lá e”.
“August? Pinocchio?” David sugeriu. A loira assentiu, embora não tivesse se acostumado com os verdadeiros nomes de todos eles; Snow White, Red, Pinocchio, Gepeto. Fazia pouco menos de um mês, mas ainda era um mundo diferente.
“Sim.” Respondeu. Um sorriso brotou nos lábios do Rei.
“Que bom. Ele me parece gostar muito de você.” Insinuou David. Emma olhou ao seu redor estranhando. David agindo como pai, arranjando-lhe pretendentes... Era só o que faltava para a loira.
“Certo... Estamos indo.” Disse em resposta. Era melhor maneira de escapar daquele tipo de assunto.
“Oh, Emma!” David chamou antes que eles começassem a andar. “Quando voltar, depois do treino com a Fada Azul... Você me prometeu uma coisa, lembra-se?”
“Sim...” Respondeu num tom de dar dó. “Eu estarei lá.” Acrescentou desgostosa. Trava-se do pedido que David havia feito outro dia: ensiná-la a montar. Disso e do treinamento, Emma não poderia fugir, pelo menos por enquanto. Então, ela virou-se e levou Henry até os fundos do castelo.
Não era como se Emma estivesse acostumada a sair do castelo; em um mês, aquela era a sua primeira vez fora do quarto, fora da sua zona de conforto. Do lado de fora, estava Johanna alegre ao vê-los chegar. Henry havia ficado muito próximo da mulher e Swan não podia negar que ela era extremamente gentil com eles. Tudo já havia sido preparado para a visita, e a carruagem estava a sua espera. Johanna estava perto da carruagem, parecia consolar um rapaz, que Emma demorou a reconhecer; era Bill — ou Jacque. Ele parecia estar realmente chateado com algo, que fez a loira se aproximar curiosa.
“Está tudo bem?” Perguntou cautelosa. O homem quase caiu pelo susto que levara.
“Sim, está tudo bem, Majestade. São apenas os cavalos... Eles estão muito agitados esta manhã.” Explicou a mulher com um sorriso genuíno.
“Por favor, me chame apenas ‘Emma’.” Pediu gentilmente. “Mas o que há com eles?” Perguntou curiosa. Não que ela de fato quisesse saber algo sobre os cavalos; eles eram horripilantes para a loira.
“Por minha culpa, ‘Apenas Emma’. — O rapaz disse. A loira riu brevemente. “Mesmo com esta forma humana, eles ainda se negam a me receber.” Explicou apontando para si mesmo. “Principalmente o número 9... Oh, aquele me dá arrepios. Parece estar numa pilha de nervos deste que chegamos aqui!”. Exclamou, balançando todo o corpo. Emma não sabia como responder a isso, não conhecia -e nem queria conhecer- os cavalos, muito menos sua numeração.
“Chega de papo, não é mesmo?” Johanna disse, dando tapinhas no ombro do rapaz. “A carruagem está pronta, Majestade.” A loira abaixou a cabeça, com um sorriso sarcástico. “Quero dizer; Emma.” Corrigiu imediatamente. “Jacque irá leva-los até a Miss Red.” Anunciou num tom orgulhoso por lembrar-se do pedido anterior da princesa.
O rapaz pôs-se de pé, e os acompanhou até o veículo que os levaria até Ruby. Henry entrou primeiro, apressado como sempre, já Emma custou até conseguir ignorar o cavalo posto à frente da carruagem.
“Vai ter que superar esse medo se meu avô for te ensinar a montar.” Brincou Henry, após Emma finalmente subir e se sentar no acolchoamento. Era tudo mais sofisticado que Emma lembrava ter lido em livros antigos. Havia uma pequena porta com janela; grande o suficiente para refrescar quem estivesse lá dentro; o teto parecia ser envolvido com veludo e em uma das paredes havia uma buraco retangular que dava visão a quem conduzia a carruagem.
“Eles são muito esquisitos, já viu aqueles olhos todo preto? Eu vi isso um seriado na TV, e vou te contar; não significava boa coisa.” Emma disse, num tom brincalhão.
“Olha, não sei o que foi que viu ‘Apenas Emma’... Mas eu concordo; eles são mesmo aterrorizantes.” A voz de Bill soou entre os dois, fazendo-os cair na gargalhada. Fazia tempo que Emma não se sentia bem. “Mas é verdade, é verdade.” Resmungou o rapaz. O resto da viagem, Bill e os dois comentaram e riram mais um pouco — isso quando o condutor não estava ocupado reclamando e resmungando consigo mesmo-.
“Chegamos.” Anunciou Bill, puxando as amarras do cavalo e fazendo a carruagem parar. Emma e Henry saíram sem muito esforço, mas a loira se certificou de estar bem longe do animal.
Durante a viagem, Emma havia se distraído na conversa, por isso não vira boa parte do trajeto. Estava em meio à floresta, as árvores ali pareciam nunca ter fim de tão altas. O clima muito frio parecia aumentar quando entre toda aquela vegetação. E em meio a tanto verde, uma casa grande de madeira com janelas de ferro enferrujadas e uma faixa vermelha erguida no teto. Perto dali havia apenas um estreito galinheiro e uma moto preta familiar. Bill se apressou até a casa, querendo anunciar a presenta dos visitantes, mas se atrapalhara todo no caminho acabando por chegar junto a eles.
“Emma!” Ruby exclamou ao abrir a porta. Ela abraçou a amiga e o menino calorosamente. “Estávamos esperando por vocês! Venha, entrem.” Disse, abrindo espaço para que os amigos entrassem.
“Nós acabamos de parar aqui, como sabia que havíamos chegado?” Perguntou Emma casualmente. Ruby a olhou brevemente, com um olhar misterioso.
“Ouvidos de lobo.” Resmungou roucamente. A loira hesitou, pensando que talvez fosse um assunto delicado. “Brincadeira, é que Bill faz muito barulho mesmo.” Zombou rindo. O rapaz passou pela morena resmungando consigo mesmo, fazendo Emma rir.
“Hey, Henry. Granny’s fez cookies fresquinhos, pode ir lá pegar para nós? Você sabe o caminho.” Pediu Ruby. O menino assentiu animado e sumiu em uma das portas. A casa por dentro era completamente diferente do de fora; enquanto lá tinha um ar modesto, na parte de dentro havia sofás de couro, lareira quente, quadros na parede, tudo tanto um tom mais elegante a cada detalhe.
“Se deixar, ele vai comer tudo.” Emma comentou sentando-se. Ruby riu.
“Bem, Emma... Eu comentei com August sobre seu plano doido.” Começou a morena, acompanhando a amiga ao se sentar. Só então Emma entendeu.
“A moto...” Resmungou. “Ele está aqui, não está?” Perguntou. Mas não houve resposta, Ruby apenas lhe deu um sorriso culpado antes de ouvir passos no piso de madeira.
“Emma?” A voz do homem soou em seus ouvidos. Emma quase não teve coragem de olhar afrente. August estava parado logo a ali, com a mesma jaqueta preta e seu sorriso indecifrável.
“August.” Emma levantou indo em sua direção. Por mais envergonhada que a loira estivesse, a expressão do homem sequer parecia se lembrar do que acontecera. Swan temia que August estivesse magoado por não lhe ter dado crédito. O moreno viu a antiga Sheriff se aproximar e parar subitamente, como quem esperasse por seu movimento; um aperto de mão ou quiçá um cumprimento mais caloroso. No entanto, August sentira falta de Emma. Ele deu um passo a frente a abraçou fortemente.
“Estou orgulhoso de você.” Sussurrou o rapaz, num tom quase protetor.
“Está falando como o David.” Comentou Emma, com um sorriso.
“Yaaaay! Então, agora que estamos todos bem! Vamos falar do que realmente importa: A ideia maluca dessa mocinha...” Disse Ruby puxando mão da amiga para de volta do sofá. August e Bill se sentaram logo ao lado das mulheres.
* * *
“Ok... Deixe-me ver se eu entendi.” Disse August recapitulando o plano. “Você quer achar Regina para se unir a ela para achar um jeito de voltar para Storybrook.” Repetiu. Emma assentiu cautelosamente.
“Nós nem sabemos se Storybrook ainda existe. Sabe, ela apareceu com a maldição, faria sentido se ela desaparecesse com ela também.” Sugeriu Ruby cruzando as pernas sobre o sofá.
“E falar com a Rainha pode ser perigoso.” Intrometeu-se Bill. Mas August não tirava os olhos de Emma e a loira também não. Compartilhavam de um mesmo pensamento.
“Você tem fé de que o que ela quer é isso? Viver longe daqui?” August questionou, cerrando os olhos. Emma olhou brevemente para a porta onde levava para a cozinha; Henry não estava lá.
“Sim.” Respondeu com certeza. Um sorriso satisfeito brotou em seus lábios.
“Para mim, isso basta.” Concluiu o rapaz. Emma não pode deixar de sorrir. Finalmente, alguém lhe dava algum apoio.
“O quê?!” Ruby e Bill disseram em coro. “Sério mesmo? Como um irmão mais velho, imaginei que fosse impedir essa loucura... Francamente...” Ruby praguejou, movendo seus dedos na cabeça.
“Mas como planeja chegar até ela?” August perguntou determinado.
“Aí que está: Não faço ideia. A última vez que a vi; eu estava impedindo Mary Margaret de atacá-la, aí ela sumiu naquela coisa roxa.” Explicou, desejando ter sido o mais clara possível. August assentiu com a cabeça, pensativo.
“Sinceramente, August não viveu com Regina em Storybrook, não sabe o que ela fez.” Comentou Ruby, mas ninguém lhe deu crédito, August continuou a falar com Emma como se não pudesse ouvi-la. “Gente! Eu sou a mais velha daqui! Vocês tem que me ouvir!”
“Na verdade, não seria eu o mais velho?” Bill pensou alto.
“Minha casa; sou mais velha.” Contestou orgulhosa. O homem riu.
“Se pudermos focar no meu problema...” Emma repreendeu-os rapidamente, tinha que ser breve antes que Henry resolvesse voltar.
“O que eu acho estranho é Regina estar quieta. Já se passaram semanas, e ela sequer quis saber do filho? Você ouviu o David ou Mary Margaret comentarem nada? Ou qualquer pessoa no castelo...”.
“Mary Margaret sequer desconfia desse meu desejo de ir embora. Eu pedi para David para encontrar Regina, mas ele não parece que vá fazer alguma coisa. A única coisa que ouvi de estranho foi o casamento de Gold e os sonhos de Henry.” Explicava baixinho, temendo que o filho aparecesse. August estalou os dedos subitamente, como se uma lâmpada houvesse acendido sobre sua cabeça.
“Como assim sonhos?” Disse o rapaz.
“Ele tem sonhado com Regina constantemente, pelo que me conta. Mas o que isso tem haver com-”.
“Ele te contou sobre esses sonhos?” Questionou August pensativo.
“São apenas sonhos... O garoto está sentindo falta da mãe, só isso.” Resmungou Emma.
“Sonhos, além de revelar nossos segredos inconscientes, são mundos muito perigosos. Só pessoas poderosas conseguem controla-lo, quiçá transitar entre eles.” Explicou ele.
“Quer dizer que Regina está visitando Henry nos sonhos porque não pode na vida real? Por favor, ela é a Rainha poderia aparecer e pegar o menino...” Ruby contrapôs. Emma lhe lançou um olhar repreendedor, não podiam falar muito alto.
“Ela poderia. Mas não se quisesse ter a confiança de Henry.” Bill se manifestou. Os três amigos olharam para o rapaz assustado; fora a primeira coisa inteligente que dissera naquele dia.
“Isso é tão a cara da Regina!” Exclamou Emma, satisfeita em ter uma pista.
“Então, Cavaleira, prepare sua armada que já temos uma maneira de encontrar sua Rainha.” Disse Ruby dando um soco de leve no ombro da loira. August riu brevemente, e Bill -confuso- deu um sorriso ou dois. Mas Emma permaneceu em silêncio.
“Então... Acho que Henry comeu todos os cookies...” Bill disse, numa expressão melancólica ao olhar para a porta.
“Eu avisei!” Exclamou Emma à Ruby.
* * *
Depois do farto lanche que Granny’s havia preparado para seus convidados, Ruby e August tiveram que se despedir de Emma e Henry. Não demoraria até o sol se pôr, e Emma ainda precisava treinar com a Fada Azul.
“Juízo, Swan.” Sussurrou August, ao se despedir.
Então, Emma e Henry subiram na carruagem e, guiados por Bill, voltaram para casa.
* * *
Durante o trajeto, Swan aproveitou para finalmente observar tudo ao seu redor. Tinha que admitir, era tudo muito bonito. Os picos das montanhas eram salpicados de branco; neve que não derretia por mais quente que fosse o sol. A estrada única estreita que passaram era banhada pela água do mar de ambos os lados. Lindo e perigoso; uma ótima descrição para aquela terra.
“Por que a volta é sempre mais rápida que a ida?” A voz de Bill fez Emma acordar de seus pensamentos. A carruagem parou logo em seguida. O Rei e a Rainha esperavam ansiosos pela sua chegada, assim como Johanna e Fada Azul.
“Demoraram... Estava divertido?” Snow perguntou com um sorriso gentil. Emma assentiu hesitante, Fada Azul a encarava numa expressão severa.
“Os deveres deveriam ser primordiais...” Reclamou a Fada. A loira não se lembrava da mulher ser tão irritante quando em Storybrook. Deveria ser por isso que Regina a amaldiçoou. Emma riu com o pensamento. “Melhor irmos andando, será um duro treinamento hoje.” Ordenou dando as costas e caminhando até o campo onde usualmente treinavam. Emma revirou os olhos assim que a mulher virou-se.
“Pelo visto, eu sequer poderei me trocar, não é?” Comentou. Mas Snow não encarou como uma reclamação, embora David a olhara tranquilo; como quem pedisse para que ela aguentasse só mais aquela vez. Henry seguiu com Johanna e os Reis, deixando a loira a mercê da severa mulher.
“Se pudermos pegar leve, eu adoraria. Estou cansada, sabe.” Emma pediu à Madre Superior.
“Ora, quando era o meu treinamento, não parava um minuto para ‘me divertir’, eu levava isso a sério.” Resmungou para si mesma, alto o bastante para que Emma ouvisse.
“O que vai ser hoje? Levitação? Transformação? Poção! Aquele negócio de aparatar?” A loira perguntou, tentando se animar com aquela tarefa cansativa.
“Foco, Miss Swan!” Repreendeu a mulher. “Ainda tenho que ouvir isso...” Lamentou-se baixinho.
“Você não gosta muito de mim, não é?” Exclamou Emma, finalmente. “Estou tentando fazer isso, é difícil se você desvaloriza tudo que eu faça ou diga!” Madre Superior parecia ouvir aquilo com total amargura.
“Tentar não é o suficiente. Se quiser ter conhecimento em magia, ou melhor; se quiser ter algum conhecimento, tem de conseguir.” Censurou Fada Azul.
“Espera... Me chamou de burra?” Emma perguntou, mais para si do que para a mulher. Mas ela nada respondeu, apenas revirou os olhos. “Quer saber? Eu não pedi isso, não quero e nunca quis usar magia ou qualquer merda igual. Não preciso. Estou fora!” Gritou, arrumando sua jaqueta e dando as costas.
Ela não pretendia permanecer por muito mais tempo. Não precisava de magia. Sendo assim, deixou Fada Azul e caminhou para a construção perto dali. Mal sabia o que era, mas precisava ficar em algum lugar até que a desse a hora certa de voltar para o castelo. O sol teimava em permanecer no céu, o dia teimava a permanecer claro. Então, Emma abriu a porta de madeira, mas acabou se deparando com algo ainda pior: havia entrado em um estábulo.
“Não precisava ter falado daquele jeito.” A voz de Charming fez com que Emma pulasse de susto. O homem estava logo atrás dela, fechando a porta do estábulo.
“Não, não, não... Vamos voltar!” Emma disse com a voz tremula, mas antes que pudesse puxar a porta, Charming pôs a mão sobre o ombro da filha, com um sorriso tranquilo.
“Vamos lá, você me prometeu.” Pediu o Rei. “E aproveitemos para passar o tempo. Em troca, não digo nada à sua mãe do que vi.” Acrescentou, rindo genuinamente. Emma bufou, não poderia discutir com seu pai, ele só queria amenizar as coisas.
“Está bem, mas eu vou escolher o menos aterrorizante, temos um acordo?” Cedeu ao rapaz. David assentiu, e começou a mostra-la os animais.
Todos eram exatamente iguais. Havia exatamente dez selas onde os cavalos eram presos, todos com números em seus portões; seis pretos, três brancos -completamente albinos- e apenas um tinha na pele um castanho achocolatado. Todos os olhos negros se viravam para ela, parecia que iriam se rebelar a qualquer momento. Emma lutou para não correr para porta afora. Mas uns dos últimos; achocolatado era o único que insistia em bater os pés contra o chão e a por seu corpo para frente forçando o portão.
“Muitos daqui foram abandonados pelos seus donos e resgatados pela nossa guarda.” Informou David, caminhando com Emma até o cavalo número um, do lado paralelo havia o número 7, e assim em diante. “Mas todos já se acostumaram com o novo lar.” Acrescentou cautelosamente. Andando mais dois portões, Emma parou.
“Até esse daqui?” Questionou apontando para o animal. O cavalo achocolato — cujo tinha o número nove desenhado sobre o portão. Ele bufou agressivamente, fazendo Emma pular instantaneamente.
“Esse é o mais novo. Já nos causou muito problema, ninguém conseguiu acalmá-lo.” Disse David, chamando Emma para longe dele.
“O que há com ele?” Quis saber, insistindo em ficar. Quando estava frente a frente com o animal viu que pouco acima de sua boca havia uma cicatriz funda e finalmente: seus olhos; se fora decretado que cavalos não possuem expressão facial aquele era certamente uma exceção. Emma não sabia explicar, mas havia algo muito triste ali.
“Emma, há tantos outros, podemos começar com um mais dócil.” Pediu Charming, num tom preocupado. Mas a loira não viu problema em erguer a mão e tentar tocá-lo. “Cuidado...”
Primeiramente, o cavalo recuou, relinchando constantemente, até que a loira finalmente conseguiu tocá-lo em meio aos olhos. Alisou-o gentilmente, sentindo-se muito curiosa por conta de sua expressão.
“Hey, amigo.” Sussurrou se sentindo um pouco boba ao falar com o animal. “É a minha primeira vez, que tal ser legal comigo?” Disse numa voz infantil. David iria repreender a filha a recuar, mas então, subitamente, o cavalo se aquietou; abrindo e fechando os olhos lentamente.
“O que isso significa?” Perguntou Emma num sussurro, tomando mais confiança em acaricia-lo. Ele chegou a dar um passo à frente, dando mais mobilidade à loira. David franziu o cenho.
“Significa que ele... Gostou de você.” David respondeu hesitante. Deu um passo a frente, mas o animal protestou bufando, e então tornou a recuar. “Sim, ele gostou.”
“E isso não é bom?” Sussurrou a loira, estranhando a reação do pai. Charming assentiu ainda hesitante.
“Sim, é que ninguém antes conseguiu acalmá-lo... Nem mesmo a sua mãe.” Explicou cauteloso. No entanto, o homem recuou até as selas que estavam penduradas. “Bem, parece que ele escolheu você.” Concluiu, com um sorriso surpreso. Emma deu de ombros, sorrindo para o animal.
“E você tem um nome, amigo?” Disse a loira. Começava a ficar animada com perder o medo que tinha.
“Rocinante.” Disse David, erguendo uma sela à filha. “Seu nome é Rocinante”.
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