The Hidden Kiss

6 Just the Beginning


Notas iniciais
Culpem o Nyah pela eterna manutenção do site. Bem, vou tentar adiantar as coisas, pois se passaram dois sábados, right? Neste capítulo vamos conhecer um personagem semi-original. Ele já foi visto em OUAT (duas vezes na primeira temporada, eu acho), mas eu dei-lhe uma personalidade e um nome. Obrigada pela atenção e boa leitura!

* * *
“Rocinante?” Repetiu Emma. “Parece italiano.” Comentou.


David abriu o portão cuidadosamente, puxando o cavalo até o fim do estábulo. Emma tomou a corda do pai cautelosamente, esperando que o rapaz fosse buscar o seu próprio animal. Rocinante parecia que não via o céu a algum tempo de tão empolgado que ficara; embora Swan ainda não soubesse reconhecer felicidade ou revolta na cara do animal.

“Você tem que apoiar seu pé aqui.” Disse David apontando para a sela. Emma segurou firme e conseguiu subir. “Muito bom! Agora segure bem e” Mas a loira envolveu seus braços no pescoço do cavalo. “Emma... É na corda...”.

“Quero descer! Desça-me, David!” Emma disse desesperada. O homem não pode deixar de rir. Ele segurou os braços da loira, posicionando na posição correta.

“Não vamos desistir agora, não é mesmo?” Respondeu David num tom infantil. Emma fuzilou-o com olhar, mas o homem não se importou. “Pronto, agora eu vou subir em Philip e vamos começar.”

“Philip? Qual o problema de vocês em colocar nomes estranhos?” Emma disse, segurando na sela. Neste mesmo minuto, Rocinante bufou tão forte que quase fez a loira cair. “Desculpe!” Exclamou imediatamente ao animal.

“Rocinante não foi nomeado por nós, nem nasceu naturalmente aqui, talvez seja por isso que esteja tão incomodado com o novo lar. Apenas sua mãe sabia seu nome.” Disse David se aproximando, montado a um cavalo branco. Emma então imitou todos os passos do homem, puxando a corda um pouco mais a cada passo que Rocinante dava para frente. Estava aprendendo.

“Por que só Mary Margaret?” Questionou distraída, acariciando a crina do cavalo.

“Porque, há muito tempo atrás, ele pertenceu a Regina.” Respondeu David pensativo.

“Quê?!” Exclamou Emma.

De repente, Rocinante bateu as patas com mais força no chão, como se reconhecesse o nome de quem eles falavam. O cavalo se ergueu, fazendo com que Emma agarrasse em seu pescoço, e no segundo depois partiu em disparada a decida da colina.

“DAVID!” Gritou Emma, fechando os olhos e apertando os braços para se sentir segura, ou quem sabe para desacelerar o cavalo. Mas Rocinante não hesitava, continuava a correr mais rápido a cada segundo. Emma sequer teve coragem para olhar para trás e ver se David estava a seguindo, apenas sentiu galhos baterem contra as suas costas.

“Rocinante! Pare! Pare!” Gritava, mas era inútil. Ele estava determinado a encontrar algo. Minutos se passaram e nada de David ou qualquer outra ajuda. Sendo assim, ela se atreveu a abrir os olhos: O final da floresta estava chegando, árvores de todos os tamanhos iam em direção ao seu rosto e, quando não a atingia, machucavam Rocinante. “Você não é muito inteligente, é?!” Gritou.

Quando finalmente se viram em um campo aberto, Emma tentou se colocar sentada e segurar nas cordas como David a havia ensinado. Puxou-as, mas Rocinante não cedia de forma alguma. Até que algo veio à mente da loira.

“Está procurando pela Regina?!” Gritou, pondo suas mãos no pescoço do animal. Neste mesmo instante Rocinante parou tão agressivamente que Emma foi arremessada metros longe.

* * *
O castelo estaria completamente vazio senão fosse pela sala de chá. A Rainha tomava seu chá calmamente, somente com seu pensamento e um mórbido silêncio. Mas isso ela já estava acostumada. De uns dias para cá, ela havia ficado mais feliz — se é que pode descrever de tal jeito-, pois soubera que os Charmings não puseram coisas na cabeça de seu filho a respeito dela; Henry ainda a amava. Não havia muitas maneiras de visita-lo, e apenas observar tudo de longe não mais a satisfazia. Só havia um jeito: Visitá-lo em sonhos. No entanto, aquela mágica só era concedida a fadas quiçá poderosos feiticeiros; sozinha, ela nunca conseguiria. Usou a ajuda de Claude para conseguir atravessar os mundos durante a noite e entrar nos sonhos do filho.

“Majestade!” A voz de Sidney ecoou por toda a sala, fazendo a Rainha tremer de susto.

“SIDNEY!” Urrou. “Já disse para nunca me interromper quando estiver tomando chá!” Esbravejou para o pobre homem.

“M-Mas minha Rainha, aposto que tu irás gostar da notícia a que venho compartilhar!” Resmungou o reflexo, um tanto acuado.

“Vá em frente... Já me interrompeu de qualquer jeito.” Disse Regina entredentes, abandonando seu chá e caminhando em direção ao espelho.

“Temos visita!” Anunciou. Regina franziu o cenho, sem entender. Mas Sidney não explicou, apenas olhou para o lado e então, os guardas reais adentraram a sala tropeçando uns nos outros.

“Ora...” Regina já iria ameaça-los, mas percebera que algo estava errado.

“Majestade! Invasores!” Exclamou um dos homens. Todos se entreolharam esperando a reação da Rainha.

“O que estão esperando? Preda-os, matem-nos. Não me importo.” Retrucou indiferente, revirando os olhos, e tornando à mesa de chá. Os guardas, entretanto, não se mexeram.

“Nós... Nós o prendemos, mas-” O guarda se atreveu a dizer. Regina o olhou com os olhos pegando fogo de ódio.

“MAS O QUÊ?!” Urrou.

“M-Mas é que a moça está desacordada...” Respondeu acuado, com a voz trêmula. Regina parou imediatamente.

“Moça?” Repetiu baixinho, e olhou para Sidney. O homem a olhava num ar orgulhoso, como se esperasse um elogio por ser o primeiro a contar, ou o primeiro a ter conhecimento da notícia.

“Ainda deseja que nós o matemos?” Indagou o pobre guarda.

“Não.” Ordenou. “Eu irei verificar pessoalmente. Estão dispensados.” Concluiu. Os homens se apressaram a recuar e sair da sala, voltando a tropeçar uns nos outros. Regina se voltou para o espelho.

“Você sabe quem são.” Afirmou a Rainha. “Mostre-me.” Ordenou.

Sidney, satisfeito com o pedido, desapareceu aos poucos dando lugar à imagem da prisioneira. Não havia colchão, sequer um pano que tornasse o chão mais confortável para o leito da moça. As mechas loiras caídas sobre a jaqueta vermelha eram inconfundíveis tanto quando os olhos verde-esmeralda, porém, ela estava adormecida. Aquela era Emma Swan.

* * *
Regina não podia acreditar. O destino havia lhe presentado com uma deliciosa surpresa. Tinha posse do bem mais precioso de seus inimigos: os Charmings. Tudo que havia planejado, com a ajuda de Claude, agora seria modificado.

“Convoque Claude.” Ordenou a Rainha, dando as costas para o reflexo e tornando a caminhar pelo corredor. No entanto, Sidney parecia confuso e reapareceu na enorme sequência de espelhos.

“Onde Vossa Majestade está indo?” Questionou, pulando de um espelho para o outro. “Está certa de que devo chamar o Mr. Smile?” Regina deixou escapar um pequeno sorriso, estava satisfeita demais para se irritar com as inconveniências de Sidney.

“Primeiramente; Espero que não o chame desta maneira quando estivermos em sua companhia.” Disse Regina enquanto andava apressadamente. “E onde estava, estou ou vou é um problema meu. Conversaremos sobre sua insubordinação mais tarde.” Disse severamente, lançando um último olhar congelando ao homem.

“Como desejar, Majestade.” Sibilou Sidney num misto de dor e frustração, abaixando a cabeça e desaparecendo aos poucos.

Regina não parou, desceu as escadas e com a companhia de seus homens adentrou o calabouço. Ela podia contar nos dedos quantas vezes fora naquele lugar, certamente um ou duas vezes; nunca se importou com seus prisioneiros. Mas aquela era um presente especial.
Embora os guardas estranhassem o súbito interesse da Rainha, eles não ousaram questionar. Apenas seguiam junto com a sua majestade. O lugar era repugnante, de fato não era um lugar para um ser humano viver. A única prisioneira se encontrava na última sela. A mais escondida, do mundo, de todos.
Após alguns minutos andando, Regina finalmente pôde ver: Emma continuava desacordada. Sua usual jaqueta estava quase irreconhecível pela sujeita do chão. Como se houvesse sido brutalmente jogada naquele leito.

“Miss Swan.” Regina resmungou baixinho ao se aproximar das barras da cela. No entanto, não houve resposta alguma. As mãos da loira estavam escondidas sob a jaqueta, como se tentasse se proteger da queda. “Miss Swan!” Chamou mais alto. Mas nada.

“Abra.” Ordenou aos guardas. Os homens se entreolharam confusos. “TEREI QUE REPETIR?!” Gritou até que um deles se apressasse para cumprir a ordem dada. Com a chave na mão, um deles abriu a cela rapidamente. Regina adentrou cautelosamente. Algo estava errado. Como Emma havia chegado até ela afinal? Lembrava-se de Henry lhe contar que a loira estava perguntando sobre a antiga Prefeita, mas de fato não pode acreditar que havia alguma boa intenção naquilo. Será que os Charmings estiveram planejando algo contra ela, assim como a Rainha planejava contra eles?

Cuidadosamente, Regina se abaixou até a mulher. Havia alguns ferimentos em seu rosto, mas não passavam de ser superficiais. Sendo assim, Regina ergueu a mão até a jaqueta da loira, afastando-a para lhe dar mais visibilidade. Não havia mancha alguma de sangue ou qualquer coisa que mostrasse o motivo para a mulher ainda estar desacordada. Não que a Rainha se importasse. Mas precisava da prisioneira em boa saúde, para que pudesse usá-la contra os Charmings. No entanto, Regina levantou sua blusa, afastando-a do mesmo jeito que fizera com a jaqueta e lhe dando visão de toda a barriga e costela de Emma.
Por alguns segundos, ela hesitou em tocá-la, temendo que acordasse. Mas logo viu o que estava errado; uma brutal elevação na pele a chamou sua atenção. Emma havia quebrado uma costela, e se não tratasse com cuidado o osso logo estaria exposto. A queda de um animal grande poderia ser fatal, Swan teve sorte. Regina levou seus dedos até o local; tendo mais noção do ferimento. A loira gemeu baixinho. Sendo assim, ela ajeitou a blusa numa posição que pudesse trabalhar, e com suas duas mãos unidas sobre o ferimento, pressionou mais e mais, até que um estalo oco estremecesse sua sensibilidade.

“AAAAH!” O grito estridente da loira quase fez com que a Rainha pulasse de susto, embora esta se mantivesse concentrada. “Regi... Regina?!” Gritou piscando várias vezes, como se não acreditasse no que visse. “Ah! O que está...” Gemeu tentando olhar o a mulher fazia, sentia a mão da mulher sobre seu corpo, mas não compreendia o que estava acontecendo. Regina revirou os olhos, tinha se esquecido do quão irritante era aquela voz tagarelando em seu ouvido.

“Se permanecer quieta, eu poderei concluir.” Retrucou Regina. Então, suas mãos tomaram uma cor arroxeada e uma sensação aveludada cobriu toda a pele da loira. “Pronto.” Concluiu, afastando as mãos do corpo de Emma e voltando com o tecido para seu devido lugar. Mas Emma não respondeu; havia adormecido novamente.

* * *
O preto se tornou cinza que logo se transformou em branco; revelando a imagem real a sua frente. O chão frio não incomodava mais, ela estava deitada em uma pequena cama de solteiro, erguida por barras decoradas de metal. Era aquela parede de tijolos pretos, e aquele piso úmido. Não havia sido um sonho? Então Regina realmente esteve lá? Emma levantou-se brutalmente.

“Regina?!” Chamou, olhando em volta a procura da morena. “Regina!”

Emma sabia que ela esteve ali, mas só depois de se cansar de chama-la, de deparou onde realmente estava. As barras de ferro há metros de seu leito era uma velha conhecida da loira. Por um momento, ela hesitou levantar temendo sentir a terrível dor de quando foi jogada longe de Rocinante, mas não havia mais dor alguma. Regina havia cuidado dela.

“Regina! Eu sei que está por aí!” Gritou Emma se aproximando das barras e as segurando com força. “Hey! Regina!” Continuava. De longe, avistara dois ou mais guardas cochichando entre si e lhe lançando olhares abismados, como se fosse um absurdo fazer o que ela fazia. “Vocês! Vocês aí!” Chamou. Um deles hesitou, parecia indeciso de atendia ou não. “Solte-me!” Ordenou.

Os homens tinham medo de desobedecer às ordens comandadas pela Rainha, mas ao mesmo tempo eles desconfiavam da mulher o tratamento de extrema cautela à prisioneira. Sendo assim, ficaram congelados, confusos sobre o que seria certo fazer, até que um deles abriu caminho e andou até Emma. A loira sentia uma pressão lhe incomodar, sem falar da dor de cabeça que sentia. O homem, subitamente, parou em frente à Swan, como se arriscar uma aproximação fosse fatal. Por alguns minutos, o silêncio pairou sobre todos ali, esperavam que a prisioneira se pronunciasse primeiramente.

“Eu preciso ir ao banheiro.” Pediu, numa voz baixa e envergonhada. O guarda assentiu brevemente, como se fizesse uma anotação mental e esperasse por mais pedidos. Emma, percebendo isso não perdeu tempo: “Vocês podiam me trazer algum remédio...” Ela pediu, mas o homem franziu a sobrancelha. “Não tem remédio? Tudo bem... Serve whisky... Também não? Chamem a Regina, por favor!” Disse, acompanhando as expressões do homem.

“Vossa Majestade está ocupada.” Respondeu após algum tempo, receando se era o certo a se fazer. Emma franziu o cenho imediatamente.

“Vossa Majestade?” Questionou. “Ocupada com o quê? Ela veio aqui, não foi? Por que não me tirou daqui? Aliás, por que estou aqui, afinal de contas?” Indagou Emma sem parar. O homem parecia mais confuso, mas desta vez não tardou a responder:

“Com um homem. A Rainha mandou essas acomodações para a prisioneira.” Informou, numa voz mecânica como se tivesse levado horas gravando uma fala.

“Não sou prisioneira.” Retrucou rapidamente. “Sou a mãe do filho dela!” Protestou, mais alto do que deveria. Nesse momento, o grupo de guardas reunidos por pura curiosidade passou um alvoroço de vozes revoltosas. O homem a sua frente congelou, sem esperar por aquilo, e principalmente sem saber se era verdade ou não. Os prisioneiros sempre tentavam alguma desculpa para que fossem soltos, porém nenhum recebeu qualquer tratamento, sequer contato da Rainha.

“Eu... Comunicarei a Rainha.” Informou receoso. “Mas, se quiser um conselho, não a chame pelo nome.” Sussurrou como o contado informal fosse um crime. “Ela fica muito irritada quando o chamam.” Aconselhou num tom de dar dó. Emma sentiu o medo em sua voz, brevemente ele olhava para os lados como se sentisse que estava sendo observado. Mas sabia que isso era impossível. Embora já chamasse Regina pelo nome há quase um ano, ela assentiu, decidindo ser o melhor a se fazer. O homem balançou a cabeça, desejando-lhe boa sorte. Parecia uma despedida, mas ele era funcionário do castelo, consequentemente, Emma o veria mais cedo ou mais tarde.

“Qual seu nome?” Perguntou Emma, retribuindo o sussurro. Um sorriso gentil se formou em seus lábios, mas rapidamente foi repreendido.

“Eros.” Sussurrou.

“Você me lembra de alguém.” Pensou alto. Eros abaixou os olhos, pensativo por longos segundos, parecia que sabia de quem Emma se referia. A barba por fazer, seus ombros largos, até por seus olhos castanhos cor de mel que, dependendo da luz, tornava uma cor inusitada, um vermelho sangue. Mas Emma sabia que era só impressão. Tudo era igual a ele, a não ser pelo cabelo extremamente escuro e com alguns fios grisalhos, embora sua aparência fosse atlética e jovial. E se não fosse pelo cabelo e pela jaqueta com o distintivo de Sheriff, Eros poderia se tornar sósia dele. O restante dos guardas não lhe chamava atenção, loiros, morenos, brancos ou negros. Tão mecânicos e obcecados em seguir as regras de Regina que pareciam hipnotizados. Exceto por aquele homem: Eros.

“Todos dizem isso. Eu cresci junto a ele.” Disse, com uma voz melancólica. Emma não parecia surpresa, ele parecia ser um esboço quase perfeito ao rosto de Graham. Subitamente, o homem deu um pulo se afastando da prisioneira. Swan pensou que talvez ele fosse proibido de falar com ela, e isso só a fez com que simpatizasse mais com o guarda.

“O que faremos?” A loira pôde ouvir o grupo de homens cochicharem enquanto o outro. Eros já entre eles, os repreendeu com um severo olhar.

“Falaremos com a Rainha. Logo depois que ele for embora.” Comunicou, num sussurro. Mas Emma foi capaz de escutar. Os homens se entreolharam como se discordasse da decisão.

“Mas ele irá embora?” Questionou um deles. Eros pensou por um minuto.

“Sim.” Respondeu simplesmente — embora não levasse fé no que dizia- e partiu para longe do alcance de visão de Emma.

* * *
Regina sentou em sua enorme poltrona de camurça vermelha com detalhes dourados. Ela sabia que seu convidado já havia chegado, pois Sidney surgiu em meio ao espelho contragosto e anunciou sua chegada. Vez ou outra, a Rainha se divertia com o estúpido ciúme que o reflexo tinha dela.
O enorme portão com imagens melancólicas em sua decoração de abriu, sem ecoar sequer um ruído, o que era impressionante dada aos anos que ninguém usava aqueles cômodos. Um homem com um terno azul marinho, confundível ao preto, sem gravata, e com uma mecha de seu cabelo caída pelo rosto surgiu em meio a ela. Logo, um sorriso satisfeito brotou em meio aos lábios da Rainha. Não poderia ser diferente. Tinha tudo o que queria para conseguir seu filho de volta.

“É um prazer ser convocado pela Majestade.” Disse Claude após dar sua habitual reverência, numa voz grave e aveludada. Regina cruzou pernas, permitindo que parte do pano de seu vestido decaísse e que metade de sua coxa ficasse a mostra.

“Temos novidades, meu caro.” Informou Regina, com um olhar faminto. Claude abriu um longo sorriso, mostrando seus branquíssimos dentes brilharem. Aquele sorriso era sua marca, juntamente com seus escandalosos olhos verdes-neon.

“Deixe-me adivinhar: Conseguistes se comunicar com teu filho?” Sugeriu numa falsa empolgação. Regina levantou subitamente e caminhou até o homem.

“Isso não seria tão relevante se não fosse pelo que tenho presa em minhas masmorras.” Gabou-se, aproximando-se cada vez mais do moreno. O sorriso tenebroso acompanhava cada movimento que a mulher desbravava.

“Miss Emma Swan.” Sibilou a mulher apreciando o som de cada sílaba, levando a ponta de seus dedos até o queixo pálido do homem. Claude podia sentir a curvas de a Rainha tocar seu corpo, e principalmente o hálito quente sabor maçã.

“A tal sortuda?” Sugeriu, desta vez, com mais interesse. Regina ignorou este fato, e assentiu mordiscando o lábio. “E o que esperas tu? Tem na mão tudo o que lhe impedia, pode mata-la facilmente uma vez tendo-a em sua posse.” Questionou aproximando seu rosto perigosamente perto do da mulher. A Rainha virou-se bruscamente, dando-lhe as costas e se afastando.

“Tenho em mente uma troca. A princesa por meu filho.” Disse, voltando a se sentar em seu trono. Claude sorriu.

“Quer dizer que não poderei me divertir?” Sibilou numa falsa decepção. Regina riu brevemente, sabia qual era o conceito de diversão para o homem, e precisava de Swan viva para a troca.

“Não.” Respondeu convicta, quase como uma repreensão. “Mas, em breve, poderá lhe fazer uma visita. Quero deixar claro meu propósito.” Concluiu Regina. Mas Claude achava pouco, ele não havia viajado de tão longe apenas para ver uma pequena vingança boba. Queria algo mais animado, do seu jeito.

“Se me permite dizer Majestade, creio que chocá-la com a realidade seria muita crueldade.” Comentou sarcástico. Regina sorriu, assentindo para que ele continuasse. Claude dava passos curtos e rápidos enquanto falava. “Por que não a conquistamos primeiramente, e então ganhamos algo com isso.”

“Torná-la escrava, você quer dizer.” Repetiu. Agora Claude estava a menos de dois passos da Rainha. Ele sorriu, fazendo sim com a cabeça.

“Podemos nos divertir com ela, só por enquanto. Que mal há nisso? Está vivinha, por assim dizer, até que a mamãe venha salvá-la.” Sibilou, curvando seu corpo até Regina. Desta vez, a mulher não o impediu. Sentiu os lábios gelados de Claude tocar aos seus; primeiramente, lenta e cautelosamente, até que ao corresponder da Rainha o ritmo se acelerou.

Não que aquela aproximação nada profissional fosse algo incomum, eles era aliados de longa data e já estavam habituados a conhecer intimamente um ao outro. Embora a diversão mútua entre ambos ocupassem um precioso tempo, Claude nunca passava uma noite inteira no castelo, ou na cama da Rainha. Era puramente físico, e Regina sequer notava sua ausência ao acordar. Porém, naquele momento, antes mesmo de livrarem-se de ambas as vestimentas, um barulho os obrigou a parar. Regina revirou os olhos e ergueu a cabeça, para que pudesse olhar para a porta por cima dos ombros do homem.

“Majestade... Perdoe-me interromper...” A voz morna do guarda chegou quase que tardiamente aos ouvidos da Rainha. A mulher olhou para Claude, que ainda estava curvado a sua frente, e aproximou-se pela última vez, mordicando seu lábio e empurrando o peitoral musculoso do homem.

“Fale logo, Eros.” Regina disse retomando sua voz autoritária, enquanto Claude caminhava até pôr-se ao lado do trono. O homem levantou a cabeça, como se fosse obrigado a olhar ao chão para não olhar a cena anterior.

“A prisioneira suplica pela vossa visita. Ela pede por um objeto desconhecido, pensamos ser algum tipo de magia.” Comunica Eros, timidamente.

“Swan não conhece magia. Certamente não é.” Respondeu Regina. “Provavelmente é um remédio, ou bebida.” Acrescentou sarcástica. Mas o guarda continuou sem compreender.

“Devo oferecer a ela medicamentos?” Perguntou Eros, estranhando o comportamento súbito da Rainha.

“Sim, Eros. Aproveite e leve a caixa que Claude nos presenteou em sua última visita. Swan é uma convidada especial. Mande preparar um quarto para ela, e cuide de sua transferência.” Ordenou calmamente. “Melhor; mais tarde eu cuidarei de transferi-la. Preocupe-se em deixar um cômodo em perfeito estado para sua chegada.” Acrescentou.

Eros repreendeu o sorriso satisfeito prestes a escapar. Embora estivesse preso àquele castelo, sendo o único a não ser hipnotizado dentre os serventes, havia simpatizado com a prisioneira que parecia ter convivido com seu irmão, certamente diferente da convivência de Graham com a Rainha.

“Se for bom e cumprir todas as minhas ordens, prometo libertá-lo para sua forma original.” A voz da Rainha o fez acordar de seus próprios pensamentos. Desta vez, Eros não pode conter o sorriso de satisfação. O seu olho esquerdo passou a cintilar sua íris vermelha, aquilo era um raio de esperança.

“Eu serei!” Assegurou Eros, contente pela promessa. “Com licença, Majestade.” Concluiu fechando os portões com um imenso sorriso.

Claude virou-se para a Rainha lentamente.

“Isso foi cruel.” Comentou, deliciando-se com a cena anterior.

“São apenas cães.” Retrucou Regina, lhe lançando um olhar malicioso.

“Nunca irá conceber a liberdade ao pobre, não é mesmo?” Perguntou distraído.

“Nunca.”

Notas finais
O que acharam do Eros? Reviews?