The Hidden Kiss
7 Welcome Little Princess
Notas iniciais
* * *
Após algumas horas, Emma já havia dormido e acordado inúmeras vezes. Sempre o mesmo sonho: em que Regina a acordava, elas estavam no meio do mar, em um barco. O que isso significava? Ela não fazia ideia, eram apenas sonhos confusos. E na maioria das vezes, acordava enjoada. Emma continuou assim até decidir que não dormiria até que Regina viesse e a tirasse dali. Ainda tinha que ver como Rocinante estava, mesmo que fora ela a ser jogada pelo animal. A cela era enlouquecedora, seu odor era insuportável e o barulho dos pingos de infiltração ou, talvez, chuva estava mexendo com seus nervos. De repente, um barulho substituiu o frenético pingar da água. Botas aceleradas contra o piso molhado, alguém estava chegando. Emma se escondeu rapidamente, embora não tivesse noção do que, ou de quem estava se escondendo, mas de qualquer jeito fora inútil. Eros se aproximava tendo em mãos uma caixa de madeira escura. Emma sentiu seu estômago roncar com tamanha violência, que fora ouvida até pelos guardas há metros de distância. O moreno, agora livre da armadura que cobria o peitoral, se aproximara descansando a caixa no chão.
“O que tem aí?” Perguntou Swan, sentindo a fome corroer seu estômago. O homem abriu um imenso sorriso, fazendo com que a loira desse um pulo para trás ao se deparar com o esquerdo olho brilhante.
“Trouxe remédio e comida.” Disse contente, sem perceber quão assustada a loira estava.
“O que... O que aconteceu com seu olho?” Perguntou Emma assustada. Eros viu seu sorriso de desmanchar lentamente.
“É meu olho. Nasci assim.” Explicou, abrindo a caixa distraidamente. “Meu outro olho é naturalmente cinza, mas com nessa forma, eles tomaram essa cor esquisita, cor de mel.”
“Que estranho...” Resmungou. “Como assim ‘nessa forma’?” Perguntou desta vez, não se importando muito. O que o homem tirava da caixa roubara completamente sua atenção. Ela estava faminta e com dores no corpo ainda.
“Nessa forma humana, é claro. Mas está tudo certo, a Rainha disse que me transformará de volta em breve. Ora, já consigo até sentir o cheiro fresco da floresta!” Comentou animado. Emma não entendia uma palavra sequer. A única coisa que fizera sentido foi ter falado com Regina. Eros, após retirar vidros com líquidos de diversas cores e tamanhos, revirou um saquinho branco onde havia alguns sanduíches e garrafinhas de água. Emma agarrou aquilo desesperadamente, sentia seu estomago se auto digerir de tanta fome que sentia.
“Não demora até sair daqui. Já estão preparando um quarto para se instalar.” Disse Eros gentilmente, parecia empolgado com alguma coisa. Provavelmente com aquilo que dissera segundos atrás, mas Emma não entendera absolutamente nada.
“Obrigada.” Agradeceu Emma, com a boca cheia. Ele sorriu docemente.
“É bom ver alguém que não esteja hipnotizado, ou que não seja tão horripilante quanto à própria Rainha.” Comentou brevemente, a essa altura Emma já havia engolido tudo que podia.
“Hipnotizado?” Repetiu à loira, franzindo o cenho.
“Não sabe? Todos neste castelo são enfeitiçados pela Rainha. Por isso não quiseram lhe soltar, seguem rigidamente as ordens dela. E até então, não sabíamos o que ela queria.” Explicou gentilmente.
“Todos? Regina os enfeitiçou?” Emma questionou, apontando para os homens parados perto a cela. Eros assentiu com a cabeça.
“Melhor não dizer o nome dela.” Aconselhou. “Não sei como, nunca entendi como essa coisa funciona. Mas creio que seja isso.” Deu de ombros, voltando a olhar para a caixa de suplementos.
“Você disse que alguém é mais horripilante que a Re-” Parou imediatamente. “... Que a Rainha. De quem de refere?”
“O Mr. Smile, obviamente. Não a culpo de não o conhecer, aliás, não está perdendo absolutamente nada. Ele é um homem muito esquisito, isso ele é. Tenho minhas dúvidas se ele é um homem de fato.” Tagarelou, retirando um vidro pequeno com as palavras: “Beba-me” no rótulo e entregou à loira.
“Isso não vai me fazer diminuir ou crescer igual à Alice, vai?” Comentou irônica, mas Eros não a acompanhou.
“Quem?” Indagou, mas Swan decidiu ignorar. “Enfim, ele é de dar medo.” Concluiu.
Emma observava o homem cautelosamente, apesar de sua anatomia atlética e forte, ele parecia ter a idade mental de um adolescente hiperativo. De certa forma, parecia com Bill.
“Desculpe, mas como conheceu Graham mesmo?” Emma tomou coragem para perguntar. De repente, a feição alegre e esperançosa do rapaz se esvaiu rapidamente, junto a sua cor, dando espaço para a tristeza.
“Ele cresceu comigo.” Disse, num tom melancólico. “Fomos criados pela mesma mãe, mas ele era diferente de mim. Era como você e, agora, eu.”
“Não entendi.” Emma admitiu, bebendo o frasco com o líquido. Instantaneamente, sua dor de cabeça cessou.
“Não sei se sabe, mas Graham foi criado por uma família de lobos. Assim como eu e meus outros irmãos.” Explicou, num ar mais maduro e sóbrio. Emma franziu a testa, nunca soubera disso. “Nós criamos um laço muito forte. Não se tem muitas regras em nossa matilha, mas há uma história milenar, talvez conheça; se chama ‘Alma gêmea’.” Emma bufou, esperando a piada a seguir. Ele não podia estar falando sério. Mas Eros continuava tão sóbrio quanto ela.
“Alma gêmea, amor verdadeiro... Sério?” Reclamou Swan. Eros sorriu tranquilamente.
“Eu pensava a mesma coisa, até encontrar Graham. Diferente do amor verdadeiro, a necessidade do lobo de encontrar sua alma gêmea é quase a uma missão de vida. Às vezes, fatal. Mas é o instinto. A sua alma gêmea, não necessariamente é o seu amor verdadeiro. Embora seja muito poderosa também, mas não uma magia sólida. Não sem bem explicar.” Emma ouvia atentamente, achando a ideia, além de absurda, fascinante. E percebendo isso, Eros continuou:
“Há uma história mitológica, que nós, há muito tempo atrás, nascíamos unidos a nossa alma gêmea. Nunca se soube exatamente como, mas nós simplesmente éramos unidos uns aos outros. Porém, Prometheus que era o Titã servente de Zeus, recebeu ordens do Deus dos deuses para que separassem essas almas como castigo por nossos pecados capitais. E sendo assim, éramos destinados a traçar o mundo a procura da nossa metade, na nossa alma, enquanto Zeus nos observava vagar perdidamente.” Os olhos de Eros brilhavam, mesmo na ausência de luz. O vermelho da sua íris esquerda escurecia e clareava enquanto citava o nome do irmão.
“Você conseguiu encontrar sua alma gêmea?” Emma perguntou timidamente sentida pelas palavras do homem.
“Sim, eu encontrei.” Respondeu. Sua voz falhava frequentemente. Swan se perguntava se havia sido uma boa ideia perguntar. “Graham sempre foi minha alma gêmea.”
“Oh, sinto muito.” Emma lamentou-se, erguendo a mão até o ombro do homem.
“Porém, os guardas da Rainha vieram e o tiraram de mim. Passei dias e noites procurando por ele, desesperado por tê-lo perdido. Mas então, uma nuvem roxa tomou todo o lugar e de repente, quando acordei estava no meio de um chão duro e áspero. Com casas estranhas e carruagens mais ainda.”
“Storybrooke?” Emma perguntou, franzindo o cenho.
“Sim, lembro-me de ver algo assim.” Concordou. “Mesmo nesse lugar esquisito, eu continuei a procurar por ele, afinal, era o que eu nasci para fazer. E sabia que ele estaria procurando por mim. Porém, muito tempo depois. Na primeira vez que eu o vi, ele sequer me reconheceu.”
“Eu não me lembro de tê-lo visto em Storybrooke.” Comentou Emma.
“Ora, isto porque Regina não havia me transformado em humano ainda. Mas eu a vi, uma única vez. Esta forma em que estou, de fato, não é minha. Eu tinha um pelo macio e cinza. Diferenciava-me dos outros por causa dos meus olhos, capazes de enxergar duas vezes mais!” Gabou-se. “Mas agora? Olhe o que sou? Apenas um homem.”
“Espera...” Emma resmungou confusa. “O lobo de quem Graham sonhava e falava era você?!”
“Graham sonhou comigo?” Perguntou o homem, voltando a ter o sorriso em seus lábios.
“Meu Deus. Era você.” Disse Emma, abismada. “Ele dizia que se sentia perdido, sem conseguir sentir nada. Dizia que ela culpa de Regina. Mas não era só isso, não é mesmo? Ele estava procurando...”.
“Por mim.”’
* * *
Sidney reapareceu no espelho lentamente, temendo ver o que não queria. Mas desta vez, a Rainha estava em uma distancia segura do mordomo. Pôde ouvir a sugestão quase comandada por Claude. Sidney odiava o jeito que aquele homem podia manipular sua Rainha. E se sentia imponente por não conseguir afastá-lo de algum jeito da mulher que ele julgava, erroneamente, sua.
“Sidney.” Suspirou a Rainha percebendo sua presença. Diferente do habitual, não fora um suspiro de cansaço ou decepção. “Novidades sobre nossa querida prisioneira?” Perguntou Regina com um sorriso malicioso nos lábios.
“Sim, senhora.” Respondeu satisfeito. “A Princesa parece estar bastante confortável com o guarda novato.” Acrescentou. A feição vitoriosa de Regina rapidamente se desfez.
“Eros?” Questionou, num ar desconfiado.
“Sim, Majestade.” Confirmou. Regina comprimiu os olhos, pensativa.
“Isto seria um problema?” Claude se manifestou, tirando as palavras da boca de Sidney. Ela o olhou por alguns segundos, sem lhe responder.
“Swan se envolveu com Graham.” Informou num tom seco e rancoroso. “Eros, além de irmão por assim dizer, é muito semelhante ao caçador.” Claude ergueu a sobrancelha, compreendendo a preocupação.
“Não gosto disso. Mas deixe assim, por ora.” Regina decidiu enquanto se levantava do trono. “Sidney, o quarto de nossa hospede já está preparado?” O homem rapidamente assentiu. Tinha um sorriso satisfeito nos lábios sempre que cumpria os desejos da Rainha, pensava que isso a fazia gostar mais dele.
“Ótimo. Está dispensado.” Concluiu a Rainha. Sidney então desapareceu rapidamente. Claude virou-se com um sorriso sarcástico.
“Décadas se passam e ele sempre se arrastará aos teus pés, não é mesmo?” Comentou risonho. Regina deu de ombros, não dando importância.
“Vou me preparar para apresentar o castelo. Você também está dispensado.” Disse Regina seca. Claude riu.
“Não poderei acompanhar nosso brinquedo pelo castelo?” Perguntou Claude.
“Ela é meu brinquedo.” Corrigiu rápida e severamente. O sorriso no rosto do mordomo se desmontou por um breve segundo. “Poderá se divertir com ela depois, se eu quiser. Enquanto isso fique com Eros. Não me importo.” Gesticulou.
“Posso me satisfazer com ele, por enquanto.” Disse audacioso. Regina ergueu a sobrancelha, entendendo a mensagem. “Como espera manter a sua Princesa aqui?” Perguntou subitamente, como se quisesse fazê-lo já há algum tempo.
“Pensarei nisso depois.”
Sendo assim, Claude estalou os dedos e, de repente, não estava mais ali. Regina esperou para ver se o homem voltaria, mas isto não aconteceu. E sendo assim, ela caminhou até o seus aposentos e vestiu-se sozinha. Geralmente, ela mandava um de seus escravos fazê-lo, mas com a quebra da maldição os únicos que permaneceram em seu castelo foram aqueles que a Rainha possuía os corações e isso não incluía seus escravos, e consequentemente estes fugiram. Regina não se importava com isso. Não precisava forçar ninguém a servi-la. Seus objetivos, ao contrário da primeira vez, eram claros e específicos. Foi bom Swan ter quebrado sua estimada maldição, assim, quando fugisse daquele mundo, não seria seguida pela família Charming.
Assim que se julgou pronta para receber Emma, Regina caminhou pelos corredores, descendo e descendo cada vez mais. Sidney chegou a aparecer em alguns espelhos, mas não emitiu nenhum som, apenas observou a Rainha andar. Regina não conseguia tirar o sorriso vitorioso dos lábios, mas sabia que para enganar sua prisioneira precisaria ser gentil. Era estranho saber que enganar Emma não seria difícil, a Princesa tinha uma imagem da Rainha diferente de todos daquele mundo. Pelo menos nas últimas semanas que Regina a tivera observando. Havia tantos enigmas sobre aquela mulher que ela ansiava para desvendar, como por exemplo, o fato de Swan querer tanto a opinião da morena sobre aquele lugar. Por que se importava tanto? Ou a marca que ela guardava no canto dos lábios. Um beijo, como eles costumavam chamar. Mas o que mais incomodava Regina eram as consequências que aquela marca poderia trazer. Se a aventura nunca tivesse fim, significava que enquanto Emma estivesse viva Regina nunca poderia seguir sua vida em paz?
Estava entrando nas masmorras sem mesmo perceber, apenas quando ouviu seu salto estalar sobre o piso de pedras. O odor do lugar era terrível. Regina não se lembrava da última vez que entrou naquele lugar, talvez porque nunca entrara. E quando fora reabilitar Emma, ocorreu tão rápido que mal deu para sentir o cheiro local. Ela apressou o passo, a loira não podia ficar ali por muito tempo. Não era um lugar para Princesas. Não que a Rainha se importasse.
A última cela ficava muito distante da entrada, mas Regina já podia ver o brilho loiro em meio a tanto preto. Porém, vira também algo que não lhe agradou nenhum pouco. Sentado a poucos centímetros de encostar-se às barras estava Eros, com seus ombros largos e musculosos.
“Vejo que fez um amigo.” A voz da Rainha soara mecânica. Tinha que ser mais convincente.
Eros levantou em um salto, como quem fosse pego fazendo algo que não devia. E Emma arregalou os olhos, primeiramente num susto, e depois admirada. Seus olhos fitavam toda a vestimenta da Rainha. O pano azul marinho era extremamente colado ao corpo, realçando curvas que a antiga Sheriff nunca havia notado. Ela se perguntava se Regina conseguia respirar naquele traje, mas preferiu não perguntar. Subindo, o decote era o centro das atenções, até para quem não quisesse olhar — o que era difícil. E fazendo um ‘V’, boa parte de suas costas, e vestígios de sua coluna vertebral devido à magreza, eram expostos.
“R-Regina” Foi só o que Emma conseguiu emitir. Não fora uma pergunta, mas soara como. Para quem a conheceu como a Prefeita séria e sóbria da cidade fria e escondida como Storybrook, Maine, ela parecia outra pessoa.
“Sim, Miss Swan. Sou eu.” Afirmou Regina indiferente. Eros permaneceu calado e ereto enquanto encostado à parede. “Eros, por favor, abra esta cela. Certamente não é o lugar apropriado para a nossa convidada.” Disse alto e claramente. O homem não demorou a fazê-lo, sacando a chave do bolso e encaixando na velha fechadura.
Emma franziu o cenho, desconfiada. Regina nunca fora amigável assim em Storybrooke, quanto mais no mundo onde ela poderia ser ela mesma. Também estranhava o jeito de Eros. Será que o fato dele ser o único não hipnotizado era algo que Regina não sabia, pensou.
“Você... Você é você?” Emma perguntou, embora não tivesse saído do jeito que pensara. Regina riu brevemente e virou-se para o homem.
“Está dispensado, Eros. Obrigada.” Disse. Prontamente, o homem partiu em retirada, como quem quisesse fazer isso há algum tempo. “Venha, vou mostrar o lugar que vai ficar.” Disse, erguendo o braço de modo que mostrasse o caminho. Emma não tardou a andar, estava mais que incomodada com o lugar.
“Está tudo certo?” Perguntou Emma, após alguns minutos de silencio.
“O que quer dizer?” A voz de Regina, aos poucos, tornava-se mais natural e quiçá mais seca, como Emma estava acostumada.
“Você assim... Amigável, gentil? Não tente me enganar.” Resmungou. Entretanto, Swan não conseguira o tom que desejava. Ela estava admirada demais com o vestido e o ar, literalmente, magistral da Rainha.
“Está certa. Mas perdoe-nos por tê-la confundido com um intruso.” Disse Regina, com uma voz mais estável, suficiente para que Emma se convencesse. “Não estou abaixando a guarda por um segundo sequer”. Emma não podia deixar de se sentir mal com aquilo. Afinal, fora ela quem pedira para David procurar por Regina.
“Tudo bem.” Tranquilizou Swan, deixando transparecer um sorriso. “Sabe, Henry estava preocupado com você. Então, decidi atender esse pedido a ele. Mas não me dou bem com cavalos, sabe como é.” Emma riu, mas Regina não acompanhou.
“Não, não sei.” Resmungou a Rainha.
“Ah! O cavalo! David me disse que ele era seu.” Exclamou Emma, mais alto que desejava. Regina franziu o cenho.
“Tive muitos cavalos.” Retrucou, voltando ao seu tom normal. Mas isso não deteve a loira.
“Mas... Ele parecia... Não, você não deve estar lembrando. O nome dele é... Rico... Reci... Algo assim...” Resmungou mais para si mesma do que para mulher. Regina reprimiu seu revirar de olhos, esquecera-se do quão irritante era Swan, principalmente quando ela pensava que Regina era uma companhia agradável, mas mesmo assim ela forçou um riso.
“Parece com Rocinante, mas seria impossível.” Disse, num tom amigável. Emma arregalou os olhos com um sorriso contente.
“Isso mesmo! Lembro-me de ter um nome esquisito, tipo italiano.” Exclamou contente. De repente, um sorriso escapou dos lábios de Regina e rapidamente foram reprimidos. Mas Emma viu. Ele esteve lá.
“Impossível.” Disse Regina friamente. Emma tentou argumentar, mas vira que seria inútil. Então continuou a andar em silêncio.
“Sei que certamente não é tão cativante quando o de seus pais, mas este é o meu castelo.” Apresentou, forçando um pequeno sorriso. Emma deu uma olhada em volta, reparando em pequenos detalhes; como as imagens desenhadas no teto, cumpriam seu papel de causar certa angústia a quem quisesse olhá-la. Mas Regina parecia estar acostumada a elas.
“É estranho.” Resmungou Emma, mais alto do que desejava. Regina a olhou.
“O que quer dizer, Miss Swan?” Indagou.
“Ver você assim. Ver todos daquele jeito é realmente estranho.” Comentou. Regina sorriu brevemente. Emma pensou em dizer algo, mas nada lhe pareceu cabível para o momento.
“Não a culpo. Imagino que Henry esteja amando tudo isso.” Disse num tom rouco e pensativo. Emma abriu um longo sorriso.
“Ele está. Com certeza está.” Riu. “Sabe, ele chegou a me dizer que tinha sonhado muito com você.” Dizia Emma, admirada. Regina engoliu seca. Ambas caminhavam pelos longos corredores que, embora Swan não soubesse, levavam ao salão principal. Eros não mais as acompanhavam, havia se juntado ao restante dos funcionários proibidos de deixar ou adentrar mais afundo o castelo.
“Ele diz que você o ‘visitava’ de noite.” Acrescentou rindo. Regina tentou acompanha-la, mas não fora muito convincente.
“E você acredita?” Perguntou em meio a uma risadinha nervosa. Emma a olhou sem entender.
“Como poderia?” Respondeu, meio sem graça. “Ele estava com saudades...” Regina a fitou por alguns segundos. “... Da mãe.”
A Rainha nada disse, tentou conter um pequeno sorriso de satisfação, mas sem querer este saíra. E Emma percebera, mas não ousou emitir qualquer comentário. Elas, então em silêncio, andaram por alguns minutos até Regina parar em frente a uma porta alta de madeira. Havia pregos artesanalmente colocados em toda a porta, formando o desenho exato de uma coroa.
“Este é o quarto onde você irá ficar.” Anunciou Regina, estalando os dedos. Rapidamente, um homem alto, com o rosto coberto por uma espécie de capacete enfeitado, se pôs diante a morena e abriu a porta que parecia ser extremamente pesada. Ou Regina apenas não queria se dar ao trabalho de abri-la. Emma franziu o cenho, adentrando o cômodo.
O quarto era pequeno comparado ao restante do castelo, entretanto, era consideravelmente maior que o antigo quarto de Emma no castelo dos Charmings. Havia diferenças peculiares entre os castelos. Enquanto o dos Charmings era pequeno e arejado, o de Regina era espaçoso e incrivelmente fechado. Emma não sabia explicar, mas aquele lugar era muito mais frio que o palácio dos seus pais. E, embora não pudesse ver a frente dele, era também muito mais sóbrio e triste em seus desenhos e decorações.
Mas aquele cômodo era pouquíssimo mais claro que o restante do castelo. As paredes tinham cor de grafite, o teto branco e o piso brilhantemente preto. Parecido com um degradê. Uma cama macia era posicionada no meio do cômodo, com quatro barras de um material escuro penduravam uma cortina de ceda fazendo com que tudo que mostrasse do interior da cama fosse apenas um semblante confortável. No canto, uma estante média de livros e um criado-mudo branco.
“É lindo...” Emma resmungou. “Mas, Regina, pensei que você não quisesse voltar... para cá.” Disse virando-se para a mulher.
“Por que pensou isto?” Questionou. De fato, a Rainha odiava cada canto daquela terra. A terra que só trazia péssimas lembranças. Mas ela tinha que compreender Swan, se quisesse usá-la mais tarde para ter sua vingança.
“E-Eu... Bem, você quis sair daqui por um motivo. Não sei qual. Não quero saber. Mas pensei que não quisesse voltar.” Respondeu, medindo suas palavras. Regina ergueu a sobrancelha.
“É impressão minha, ou você não está satisfeita com esta terra?” Indagou com um sorriso sarcástico, como quem acabasse de compreender do que aquilo realmente se tratava.
“Não... Quer dizer, sim.” Tagarelou. “Não é que eu não goste daqui... Eu só...”
“Você odeia esse lugar, não é mesmo?” Perguntou, rindo. Emma se perguntou se era para ela rir também, mas não o fez.
“Eu odeio tudo isso.” Afirmou, num profundo suspiro. Regina sorriu gentilmente, o que tranquilizou Swan.
“Está certa em odiar.” Comentou brevemente. “Mas sugiro que fique até se recuperar completamente. O jantar estará servido às oito.” Acrescentou, dando as costas a loira.
“Não avisará a David ou Mary Margaret que estou aqui, vai?” Emma indagou com certa hesitação, antes de Regina sair do quarto. A Rainha virou a cabeça, olhando-a sob os ombros.
“Não farei, se não quiser.” Respondeu, sem conter o sorriso malicioso.
“Então não o faça.”
Fale com o autor