The Hidden Kiss
8 Lost Princess
Notas iniciais
* * *
David corria no ritmo de sua respiração. As fortes patas de seu cavalo estalavam contra a grama e ambos estavam exausto de tanto procurar. Estava mergulhado naquele desespero há horas. Não devia ter permitido que sua filha subisse naquele animal. Ele nunca se comportara bem, era óbvio que não seria diferente desta vez. Mas mesmo assim, David o fez. Imaginando que isso amenizaria a ansiedade da Princesa de encontrar a temida Rainha. E agora, ela estaria sabe Deus onde. Philip, seu cavalo, já reclamava e o Rei teve de voltar ao castelo.
O dia já escurecia, ele precisava contar à esposa. Não queria preocupar Snow White, mas precisaria de ajuda para achar Emma e Rocinante. Eles não sabiam como se virar na floresta durante a noite. Após pedir aos serventes que guardassem o animal no estábulo, David correu até o salão da realeza.
“Majestade, há algo errado?” Perguntou Leroy seguindo o Rei.
“Sim, Grumpy.” Afirmou David com a voz trêmula. “O cavalo da Rainha... Lembra-se dele? Não permitia que nenhum de nós se aproximasse dele. Nem mesmo o pobre do Jacques, ou Bill, tanto faz.”
“Claro, Majestade, o que houve com ele?” Questionou preocupado. David caminhava de um lado para o outro inquieto, até que decidir se sentar.
“Ele permitiu que Emma montasse nele...” Resmungou, enquanto tentava massagear sua testa e, talvez, pensar no que fazer.
“O cavalo de Regina deixou que Emma montasse? Isso é realmente muito estranho!” Comentou acompanhando seu Rei.
“Mas Rocinante partiu! Saiu correndo para a direção errada com Emma, eu estou há horas procurando e não consegui encontra-la.” Lamentou-se num tom choroso. Leroy arregalou os olhos, assustado.
“Majestade, por que não falou antes?! Vou falar com os guardas, os outros e nós a acharemos, Senhor!” Recorreu prontamente. David viu surgir uma faísca de esperança.
“Leroy faça isso. Mas em silêncio. Não quero alertar Snow atoa.” Pediu levantando-se. “Reúna a guarda, irei mostra-los o caminho certo para se começar.” Instruiu. Leroy fez que sim com a cabeça e partiu com passos acelerados.
* * *
Snow White sentou-se na beirada da cama de seu enorme quarto. Era o maior de todo o castelo. Ficava ao lado da enfermaria — onde também era o antigo berçário. Snow brincava com seu cordão — cujo pingente era uma esmeralda — com a ponta dos dedos. Estava tão feliz em ver Emma se tornar, mesmo que aos poucos, na Princesa que ela sempre quis. Não poderia querer mais; Henry começara a estudar no palácio e já era bom em montar em cavalos. Ruby o ajudava nas aulas práticas enquanto August adorava lhe contar algumas histórias sobre este e o outro mundo do qual ele veio. Tudo saía perfeitamente conforme o plano, eles estavam vivendo o seu final feliz. A única coisa que preocupava Snow era a recusa de Emma pelas aulas de magia. Seu comportamento ainda era muito robusto, grosseiro e quiçá, masculino. Entendia que com o fato de sua filha ter vivido toda uma vida longe de suas raízes, poderia levar um tempo a se acostumar com a sua nova vida. Mas estava levando tempo demais. Ela pensou que em uma visita a Ruby faria bem, inclusive quando foi receber sua chegada. Havia um sorriso animado, quiçá esperanço, em seu rosto. Mas Emma a ignorou por completo, e seguiu com sua aula magia perto do estábulo. Agora estava escurecendo, e Snow se perguntava por que da demora excessiva da filha. Talvez a Madre Superior estivesse pegando pesado e estendendo o horário desta vez. David também não havia voltado. Ele sequer voltou para o castelo com Snow, havia ficado com a desculpa de que precisa acertar algo com Leroy. Grumpy, que vivia rodeando David, era outro que ela não via há algum tempo. Snow se perguntava se deveria estar preocupada. Resolveu levantar segundos depois, se deixando levar pelo instinto materno. Caminhou até o quarto de Henry, abriu a porta vagarosamente para não perturbá-lo. O menino estava sentado a sua mesa de madeira feita pelo próprio Gepeto. Henry estava de costas para a porta, e não reparou a chegada da Rainha, sua coluna estava curvada para frente enquanto o rosto quase invadia o papel de tão perto. Estava muito concentrado no que fazia.
“Querido, o que está fazendo?” Snow perguntou numa voz tão calma que foi impossível Henry se assustar. O menino se virou, abrindo um sorriso para a avó.
“Desenhando.” Respondeu, voltando a rabiscar em sua folha. Snow arrastou um banquinho que havia ao lado, e se sentou.
“Posso ver?” Perguntou num tom infantil. Henry hesitou por um momento, se perguntando se era uma boa ideia, mas acabou cedendo. Afastou o braço que antes se posicionava sobre a folha e a mostrou.
Eram dois bonecos, um comprido e um baixinho. Ambos de cabelos pintados com giz de cera preto. Após muito olhar, Snow percebeu que o boneco mais alto era, na verdade, uma mulher. E o menor; Henry.
“É a minha mãe.” Explicou o menino. Snow franziu o cenho, observando novamente o desenho.
“Sua mãe é a Emma, querido.” Disse. Henry fez que sim com a cabeça, sem desmanchar seu sorriso.
“Eu sei. Ela também é.” Respondeu. Snow riu brevemente. O menino pegou o papel e apontou para o canto da folha. Havia outra boneca, que agora Snow sabia diferenciar o sexo, com cabelo pintado de giz de cera amarelo.
“Ela está aqui, viu?” Henry disse, mostrando à avó. Snow franziu o cenho.
“O que ela está fazendo lá?” Perguntou.
“Procurando pela gente. Minha mãe e eu estamos esperando por ela.” Explicou. Snow viu aquele desenho e pensou em perguntar por que Emma procurava por eles, ou por que Regina esperava por ela, decidiu não fazê-lo.
“Muito bonito querido.” Concluiu gentilmente, levantando-se do banquinho de madeira.
“Vó, você viu a Emma por aí?” Henry chamou, antes que Snow saísse do quarto. A mulher se virou, lembrando-se do motivo cujo entrara no cômodo.
“Não, querido.” Disse preocupada. “Pensei que você tivesse.” Acrescentou. O menino balançou a cabeça negativamente, e voltou a desenhar.
* * *
“Nada ainda?!” A voz do Rei soara entre os demais. Havia cerca de vinte homens montados e mais sete a pé. Todos tinham em mãos amarrado como uma pulseira sinos brancos. Para serem encontrados, ao caso de se perdessem. Mas isso era quase impossível de se acontecer, todos aqueles homens conheciam a Floresta Encantada como a palma de suas próprias mãos.
“Não, senhor!” Urrou um dos homens. David parou seu cavalo, puxando-o agressivamente. Logo em seguida, os outros também pararam. Os guardas se voltaram para o Rei, seus peitos ofegantes subiam e desciam rapidamente. Corriam tão rápido que sua cabeça não conseguia acompanhar, provocando — ao parar — uma forte dor. Mas os homens sequer se queixavam, tinham de aguentar qualquer coisa principalmente com a presença do comandante.
David estava desesperado. Seu olhar fitava cada milímetro das árvores e plantas. Procurava qualquer pista de Rocinante e principalmente uma pista de Emma. Eles não poderiam ter ido muito longe, o animal ficara preso por muito tempo. Não estava habituado com uma corrida longa. Entretanto, o desespero faz milagres. David estava ciente disso. A questão era: Por que Rocinante estava desesperado? O que ele procurava? A resposta era óbvia, no entanto, David se recusava a admitir. Rocinante não poderia estar procurando por Regina. Fazia tanto tempo que o cavalo se afastara da dona que era espantoso ele ainda se lembrar da mulher.
A visão já não era mais como antes, o sol se fora, deixando espaço para a densa escuridão da noite. Algumas estrelas faziam a gentileza de iluminar o caminho dos homens, já que a lua era constantemente impedida com a presença das nuvens. Os cavalos eram animais diurnos, tanto que usá-los numa busca a noite seria inútil. David foi obrigado a admitir. Rocinante estava esperando para essa fuga durante todo esse tempo, mas levara o que o Rei mais estimava. E somente por isso, ele nunca desistiria de procurar. A única coisa que o preocupava, além de Emma não saber como passar uma noite na floresta, era a mínima possibilidade de Rocinante ter ido atrás de sua dona. Regina. Emma poderia sobreviver a uma noite de frio, mas certamente não a Regina.
“Devemos seguir Senhor?” Questionou um dos guardas, já batendo o queixo por conta do frio. Os outros homens se viraram para David com esperança nos olhos, entendiam a aflição do Rei, mas desejavam voltar para suas casas.
“Não.” David anunciou após alguns minutos em silêncio. “Vamos dar meia volta.” Acrescentou. Os homens se repreenderam a não sorrir, mas não puderam evitar um suspiro aliviado. Aos poucos, eles comandaram seus cavalos a darem a volta e seguir para o castelo. David foi o último a acompanhar a tropa, olhou para a floresta e prometeu mentalmente que ao raiar do sol voltaria, não para procura-la, mas para encontra-la.
* * *
Snow saiu do quarto de Henry mais preocupada do que quando entrou. A janela do final do corredor já não iluminava mais nada, pois o sol sumira por completo. As luzes a vela e alguma eletricidade foram acionadas imediatamente. Snow voltou ao seu quarto, mas não encontrou David como esperou que acontecesse. Sendo assim, se encaminhou para os andares inferiores a procura de Johanna. Talvez ela soubesse onde se meteram Emma e David. A sala principal estava completamente vazia, ao contrário da cozinha. Lá havia várias mulheres e alguns rapazes preparando o jantar.
“Johanna!” Chamou Snow ao entrar. Todas as mulheres eram baixinhas e idosas. Elas se entreolharam como quem procurasse pela mulher, até que a servente se manifestou.
“Sim, querida?” Disse Johanna gentilmente, dando passos curtos e rápidos até a Rainha.
“Sabe onde está David?” Perguntou preocupada. A mulher franziu o cenho.
“O Rei saiu. Grumpy e o restante os acompanharam.” Informou baixinho, como se fosse um segredo.
“Ele a avisou para onde ia?” Questionou. “Não entendo porque saiu sem avisar a mim.”
“Não. Na verdade, eles não me disseram nada. Eu apenas os vi saindo.” Explicou brevemente. Mas isso só serviu para deixar a Rainha mais desconfiada. “Está tudo bem, querida?” Perguntou. Snow forçou um sorriso, mas estava longe de ser convincente.
“Não sei.” Resmungou baixinho. “Johanna, faça-me um favor. Vá até o campo e leve algo para Emma comer, o treinamento deve estar sendo puxado para ela hoje.” Pediu gentilmente, dando-lhe as costas.
“Majestade, não sabe? A Madre Superior foi embora há algum tempo.” Disse, antes de Snow partir. A Rainha virou-se com o cenho franzido.
“O quê?” Exclamou.
“E ela não me parecia muito contente. Pensei que a Princesa Swan estivesse em sua companhia.” Disse Johanna, preocupada. Snow respirou fundo.
“Precisamos encontrar Charming.” Sibilou, virando-se para a porta principal do salão.
Seus passos eram acelerados e faziam eco com os passos breves de Johanna. Ambas preocupadas. Abrindo a porta, elas foram a disparada para o campo onde Emma costumava treinar. Ficava há mais de quarenta metros do castelo. Quando os passos acelerados não mais satisfaziam sua preocupação, elas passaram a correr. Mas ao chegar, não havia ninguém. Nem a Fada Azul, muito menos Emma. Entretanto, algo lhes chamou a atenção; o estábulo tinha ambas as portas abertas.
“Os cavalos.” Resmungou Snow assustada. Johanna a olhou, preocupada.
“O que foi querida?” Perguntou. A Rainha não respondeu, caminhou até o estabulo para confirmar. Não havia um animal sequer. Do número um ao número doze; todos vazios e desarrumados, como quem os tirasse apressadamente.
Naquele mesmo momento, Snow ouviu um estrondo longínquo, que a chamou até a porta de saída. Uma sequência de barulhos ocos surgiu da floresta; David saíra montado ao seu cavalo branco, sendo seguido por dezenas de homens.
“Snow!” Gritou David ao ver sua esposa sair do estábulo. O Rei ergueu o braço imediatamente, ordenando que os demais parassem. Ele desceu do cavalo e caminhou até a Rainha. Os homens se viram no direito de fazer o mesmo; descer dos animais e coloca-los de volta ao estábulo.
“David, onde você estava? Emma está com você?” Perguntou esticando o pescoço para ver o restante da tropa sair da floresta e se dispersar. David suspirou fundo e apoiou suas mãos no ombro da esposa. “David, não estou gostando nada disso.”
“Mantenha calma, querida.” Disse David primeiramente. “Aconteceu um pequeno imprevisto e...”.
“Conte-me, David!” Exclamou Snow por cima da voz do Rei. David não tinha saída.
“Certo! Rocinante permitiu que Emma montasse nele... E então algo o assustou, ou sei lá, e ele começou a correr, sem parar.” Explicou, num tom de dar dó.
“Rocinante? Ele sequer permitiu que eu o reabilitasse. Por que Emma?” Questionou. Charming deu de ombros.
“Eu juntei as tropas, mas já estavam todos cansados e a noite não cooperaria se continuássemos.” Explicou-se. Snow assentiu e o abraçou. Questioná-lo não seria o certo a fazer.
“Fez certo, querido.” Sussurrou em seu ouvido. “Vamos subir, e decidimos o que fazer.” Sugeriu.
David assentiu e acompanhou a esposa. Tinha que se manter firme para tranquilizar os homens que esperariam por suas ordens, e mais ainda por sua mulher que enlouqueceria caso soubesse da possibilidade de Emma encontrar com Regina nesse caminho. Eles nunca correram tanto para chegar à torre de comando. Com a companhia de Leroy, seus amigos e mais alguma ajuda que precisaria para a busca.
“Johanna, peça para Bill avisar Ruby e August do sumiço de Emma e pedir ajuda deles para procura-la por lá. Rocinante por ter ido para qualquer lugar, mas não fora muito longe.” Pediu David ao chegar à torre. A mulher assentiu prontamente e correu, seguindo seu caminho.
David sentou a mesa ao lado de sua mulher e pediu que um dos anões chamasse Fada Azul para que convocasse o conselho para uma reunião de emergência. Gepeto, Cinderela, Ruby, Granny’s e o restante. Os Charmings desejavam do fundo de seu ser, não ser preciso ajuda de Rumpelstiltskin.
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