The Hidden Kiss
13 Unanswerable Riddle
Notas iniciais
* * *
Emma Swan prendeu a respiração no segundo que conseguira assimilar a situação. Eros sumira. Com aquele homem. Swan não confiava nem um pouco naquele homem, pelo contrário, desconfiava que este estivesse ameaçando o cavaleiro. Mas por que ameaçar alguém tão ingênuo quanto Eros? O homem não possuía dinheiro, ouro, ou seja lá qual moeda de troca eles usavam naquele mundo. Tudo que Eros possuía era a esperança de um dia reaver sua liberdade. Emma viu seu peito subir e descer com a respiração ofegante e nervosa que certamente não conseguia controlar. O que ele estaria fazendo com Eros agora? Não duvidaria de absolutamente nada. Não gostava do jeito falso e excessivamente carinhoso de Claude. Ela mal podia proteger a si mesma contra alguém com o “conhecimento amplo” de magia. Emma sequer sabia o que significava essa amplitude de poder.
Ela correu pelos corredores a procura de mais vozes. Naquela situação podia ser até a ajuda de um cavaleiro hipnotizado, não se importava. Algo estava muito errado. As janelas já não mais clareavam o caminho, fazendo-a tropeçar em cada falha no piso. Assim que as velas se acenderam sem ajuda alguma, Emma pulou de susto. A luz exalada pela vela a permitiu ver algo que estava prestes a colidir: uma enorme porta de marfim havia desenhos de dragões, cobras e principalmente de um monstro desconhecido para Emma. Tinha um corpo único; um misto entre leão, bode e asas de dragão. Possuía três cabeças; uma de bode, uma de leão e a terceira de dragão. A imagem era assustadora.
Subitamente, uma luz diferente da amarelada da vela esclareceu ainda mais a porta. Emma virou-se até sua origem e novamente pulou com o susto.
“O que procuras tu?!” Questionou num agressivo tom. Emma levou minutos até constatar o que realmente estava a sua frente. Um espelho comprido e redondo ocupava boa parte da parede do palácio. O rosto inconfundível do homem estava imprensado no espelho.
“S-Sidney?!” Exclamou Emma. “O que está fazendo num espelho?” Perguntou mais alto do que gostaria, entretanto, não havia como controlar.
“O que procuras tu?!” Repetiu invasivo. Emma franzia o cenho. Sidney não a reconhecia? Ela olhou ao seu redor, tentando assimilar a realidade.
“Eu preciso encontrar Regina.” Respondeu, ignorando o fato de que falava com um homem preso dentro de seu próprio reflexo. “Ela está aqui, não é?” Perguntou, embora já soubesse a resposta. A aparição de Sidney apenas confirmava sua suspeita. Algo não parecia certo. Regina tinha algo haver com isso? Ou talvez ela estivesse apenas exagerando.
“Vossa Majestade está ocupadíssima, impossível receber qualquer visita. Até mesmo a sua.” Respondeu rancoroso, quiçá enciumado.
“O que quer dizer com até mesmo a sua?” Questionou Emma. Sidney revirou os olhos.
“Obviamente... Eu sei o que está fazendo, não há negação.” Dizia o espelho enquanto sua voz ecoava nas paredes. Emma tentou negar, mas Sidney estava disposto a não deixa-la falar. “Está tentando seduzir a Rainha para compactuar com seu absurdo plano!” Exclamou num tom acusatório. Emma não pôde deixar de rir.
“Seduzir?” Repetiu incrédula. “Seduzir Regina?”
“Não se faça de ingênua!” Exclamou Sidney enciumado.
“Está louco Sidney?! Eu quero apenas voltar para casa, não quero seduzir ninguém, muito menos Regina que é uma...”. Dizia Emma.
“A Rainha não é tola, Miss Swan. Muito menos eu.” Acusava Sidney. “Acha que com ela em mãos terá seu portal para casa e ainda seu filho! Mas saiba de uma coisa: no que depender de mim, nunca terá o que quer! Muito menos Regina!” Sua voz tornava grave e mais ecoante. Emma bufou protestante.
“CHEGA SIDNEY!” Repentinamente a porta se abriu. E lá estava Regina em meio a ela. “Ordeno que suma da minha frente e só apareça novamente quando eu quiser. E se eu quiser!” Exclamou Regina caminhando para frente do espelho, consequentemente pondo-se a frente de Swan.
O homem abaixou a cabeça prontamente, fitaria os pés se tivesse um. E lentamente sua imagem submissa foi desaparecendo e dando lugar ao real reflexo de Regina. Desta vez, não houve sorriso gentil ou voz morna, a Rainha virou-se para Swan.
“O que quer Miss Swan?” Perguntou autoritariamente. “Eu realmente estou ocupada.” Acrescentou. Emma respirou fundo, percebendo que era de fato verdade.
“Eros desapareceu.” Disse Emma. “Com aquele homem estranho.” Regina arqueou a sobrancelha.
“Claude?” Perguntou. Emma deu de ombros, não sabia o nome do rapaz. “Merda.” Regina resmungou, dando as costas para a loira e voltando para a sala cuja porta era a passagem. Emma a seguiu, sentindo que era isso que deveria fazer. A sala na verdade, era um imenso quarto. Uma cama cinza com cortinas de ceda opaca impedia de ver o colchão coberto. Emma se assustou com a quantidade de espelhos pendurados a parede. Temia estar sendo vigiada por Sidney naquele momento, mas, honestamente, se fosse Sidney, aquela seria a última coisa a se fazer. Regina tinha seu rosto tomado pela cor vermelha. Emma estava receosa quanto a isso.
“Ele falou com você? O que tocou em você?” Perguntou Regina elevando a voz, como se fosse um detalhe importante. Emma não sabia o que responder.
“E-Ele o quê? Não, não tocou em mim de forma alguma. Que pergunta é essa?!” Exclamou Emma. Regina suspirou e virou-se para a loira.
“Nada. O que ele disse para você?” Perguntou novamente. A Rainha fitava qualquer mínima expressão do rosto da loira, precisaria saber se quisesse descobrir o que Claude faria a seguir. Mais uma vez, descumprira o combinado.
“O que está acontecendo aqui?” Emma questionou num tom acusatório. Regina não estava nem um pouco preocupada com Eros. Regina novamente deu as costas a loira e sentou-se na mesinha próxima da cama. Olhando para Swan, sugeriu que a acompanhasse.
“Sente-se.” Ordenou Regina, pensativa. Emma arqueou a sobrancelha, lá estava a Prefeita que conhecia. Contudo, a loira consentiu e se sentou, afinal, precisava de respostas. “Responda minha pergunta.” Comandou novamente, olhando para a xícara a sua frente. Emma nada disse, esperava mais gentileza. Regina a fitou. “ Por favor?” Acrescentou, com a sobrancelha igualmente arqueada.
“Ele apenas se apresentou como aquele aliado que você havia comentado mais cedo.” Dizia Emma, num tom seco. “E também sugeriu que eu me tornasse mais poderosa de negócio de magia... Que você.” Regina piscou lentamente, surpresa.
“Oh, ele sugeriu?” Resmungou sarcástica. Regina bebericou sua xícara brevemente. “Mas diga-me, ele não a tocou ou se aproximou?” Insistiu.
“Já disse que não!” Exclamou farta. “O que quer dizer com isso, Regina?” Perguntou irritada com sua calma.
“Só quero garantir que se ele cumpriu com o acordo. Temo que alguém esteja me enganando.” Respondeu a Rainha, pensativa. Emma balançou a cabeça.
“Espera, você o proibiu de me tocar?” Questionou. Regina a olhou surpresa, e engoliu seco. Subitamente, a voz de Sidney soou em sua mente.
“Regina, você gosta de mim?!” Perguntou desta vez num tom mais baixinho. Regina ergueu as sobrancelhas, soltando uma alta gargalhada.
“Que diabo de pergunta é essa, eu é que pergunto desta vez!” A Rainha ria. Emma se encolheu na cadeira, arrependida de tê-la perguntado. Então, Regina compreendeu que a pergunta não era uma piada e seu sorriso desapareceu. Pelo contrário, tornou-se uma expressão enojada. “Bem, como você mesma disse antes: Eu nunca disse que lhe odiava.” Acrescentou. Emma franziu o cenho, perguntando se a Rainha havia compreendido o realmente ela havia querido dizer.
“O que quer dizer com isso?” Exclamou, decidindo levar a situação na brincadeira.
“De qualquer forma, não escute todo o lixo que Sidney fala”. Aconselhou. “Ele se sente enciumado por qualquer um que esteja em um raio de dois metros.” Comentou revirando os olhos.
“Provavelmente porque deu razões para isso.” Resmungou Emma, baixinho. Regina a fitou com um sorriso malicioso.
“Talvez.” Deu de ombros. Emma a olhou, sentindo certa ironia.
“Regina, não gosto daquele homem. Acho que ele está ameaçando Eros.” Prosseguiu, decidindo ignorar tudo dito anteriormente. Regina fez o mesmo, contudo, estava entediada.
“Miss Swan, eu não posso expulsá-lo com base em seus pressentimentos.” Regina disse. “Mas só por curiosidade, por que tanta preocupação no cavaleiro?” Perguntou num tom acusatório.
“Por que ele não merece qualquer tipo de mau trato. Aliás, deveria libertá-lo.” Respondeu Emma.
“Oh! Bem, eu acho que a senhorita não deveria meter-se onde não é chamada.” Retrucou com um sorriso sarcástico. Emma protestou brevemente, mas Regina não permitiu que continuasse. “Contudo, posso verificar sua denúncia. Claude é a única chance que tem se quiser voltar para casa.”
“Que temos” Corrigiu Emma. “Você também quer voltar, não é?”
“Oh, olhe quem está dando motivos para Sidney agora!” Zombou Regina.
* * *
Emma revirou os olhos, percebendo que a situação de fato não precisava de tal seriedade. Após alguns minutos de descontração, Regina levantou-se e se encaminhou até a janela do quarto. Emma permaneceu no lugar, até ver qual o tempo certo para deixa-lo. Regina ficou em silêncio enquanto constatava algo no horizonte. Emma decidiu falar.
“Mas... Regina, o que esse tal de Claude disse... O que você acha?” Perguntou receosa. Regina arqueou a sobrancelha.
“De um treinamento? Bem, odeio pensar que possa ser necessário.” Comentou a Rainha, sem olhá-la. “Há um portal nesta terra, exclusivamente neste palácio.” Virou-se, num ar cativante. “Não precisa de feijão mágico, chapéus ou livros velhos, mas precisa de uma fonte poderosa de magia. Sem falar do trabalho manual, pois ele está incompleto.”
“Eu quero ajudar. Estou cansada de não fazer nada.” Emma disse. Regina sorriu abertamente.
“Posso ocupa-la.” Respondeu Regina. Emma arqueou a sobrancelha, percebendo algo no ar. “Mas sairá da sua zona de conforto.”
“O que quer dizer?” Perguntou Emma.
“Bem, para concertar o portal eu preciso de um tipo especial de vidro. Mágico, obviamente.” Explicou Regina aproximando-se da mesinha na qual Emma residia. “Mas este só pode ser feito pelas mãos daquele que o criou. Aí que você entra! Irá busca-lo para mim.” Emma engoliu seco.
“Como?” Questionou Emma, hesitante.
“Você vai até Rumpelstiltskin.” Respondeu Regina pondo-se em pé diante à loira. “E logo, logo virá a melhor das oportunidades!” Exclamou grandiosa. Emma levantou-se, contagiada pela ganância da Rainha.
“Que oportunidade? É seguro eu sair daqui? Meus pais estão me procurando.” Dizia Emma, esperando pela estratégica solução da morena.
“Exatamente por isso que sairá da sua zona de conforto, minha cara. Sairá de perto de mim.” Regina disse, sussurrando as palavras ao sorrir com malícia. Emma não pode deixar de rir brevemente. “Gold está prestes a se casar! E o evento será realizado no palácio de seus pais. Estarão ocupados demais com a grande felicidade de ver Rumple os deixando em paz e você se infiltra na multidão, consegue o artefato.”
“Você realmente acha que Gold carrega isso o tempo todo?” Questionou Emma preocupada.
“Deixe isso comigo, querida.” Disse Regina tocando o queixo de Swan com a ponta dos dedos. Emma não se moveu, entretanto, sentiu seu estômago formigar com tal toque. “Assim que conseguir pegá-lo, o portal está pronto” Prosseguiu. “Para então, partirmos.” Acrescentou, aproximando seu rosto. Emma esqueceu-se de respirar por alguns segundos, os olhos castanhos da Rainha estavam logo ali a sua frente de uma forma que nunca a chamara atenção antes.
“Mas como pegaremos Henry?” Questionou.
“Não se preocupe. Eu vou cuidar disso.” Respondeu a Rainha, sem perder a animação. “O que acha?” Perguntou.
“Perfeito.” Disse Emma numa voz rouca. Regina sorriu suavemente, permitindo-se observar o rosto de Swan de perto mais uma vez, e então se afastou bruscamente indo em direção a sua cama.
“Agora vá, Swan. Estou muito cansada.” Regina dizia enquanto se jogava em sua cama. Emma engoliu seco, sentindo-se desconfortável ao vê-la de tal forma. “Preciso relaxar um pouco.” Resmungou mais para si mesma do que para Emma.
“Poderia ajuda-la.” Emma pensou alto, mas rapidamente calou-se ao perceber o que dissera. Regina levantou a cabeça com o cenho franzido.
“O que disse?” Questionou, perguntando-se se realmente ouvira aquilo. Emma arregalou os olhos, prendendo a respiração.
“Nada. E-Eu devo ir.” Emma balbuciou, virando-se desajeitadamente para a porta. Assim que Emma deu-lhe as costas, Regina sorriu satisfatoriamente.
“Até o jantar, Miss Swan” Sussurrou Regina roucamente. Emma parou, mas não se virou para constatar a malícia da Rainha ao pronunciar seu nome. Sendo assim, Regina ouviu as portas se fecharam, entretanto, diferentes de todas as outras vezes, o sorriso não desapareceu por um longo tempo.
* * *
O corredor imundo era um longo caminho até o pior destino. Dez minutos de caminhada até chegar à estreita porta de metal. Não que alguém realmente usasse aquele corredor para passagem alguma. Aquilo era só para garantir que ninguém se desse ao trabalho de percorrer o caminho visivelmente demorado para matar uma leve curiosidade. O odor era péssimo, a umidade ainda pior. Ratos, baratas e todo tipo de inseto eram mais um impedimento. Contudo, a porta de metal tinha como objetivo barrar qualquer tentativa insistente de curiosos. Além de cadeados, ela estava protegida por magia. Capaz de transformar em pó qualquer um que ousasse tocá-la. Não havia jeito de passar. Não havia passagem alternativa para qualquer insistência. Mas por que tanta proteção? Por que tanto segredo? Ninguém do castelo, serventes antigos ou novos, prisioneiros ou escravos, convidados ou a própria realeza sabia o que as passava lá dentro. Mas era de conhecimento geral que quem entrasse lá, nunca mais saía. Morto ou vivo. Ninguém saía.
Atrevendo-se a mostrar-lhes mais, ultrapassamos a misteriosa porta de metal. A visão tornou-se completamente diferente a realidade imunda do corredor antecessor. O chão era preto — cor de carvão — e não havia outra cor. Todas as cadeiras, mesa, peças, tinha a idêntica silhueta. Quem olhasse rápido veria apenas um breou, se não fosse pela luminosidade da grande fogueira que brilhava e ardia ao fundo da sala. Algumas velas espalhada também por toda a sala serviam de apoio na difícil tarefa de iluminar o lugar. O que significava todo aquele mistério? Se alguém fosse capaz de adentrar aquele pavoroso lugar teria suas dúvidas respondidas pelo simples som absurdamente alto dentro daquela ecoante sala. Sendo pequeno ou grande, qualquer estalo refletia das paredes de marfim e voltavam causando verdadeiro estrago, não só em seu tímpano como em sua sanidade. Artefatos doentios serviam como um enfeite prático. De fácil remoção e facilmente pendurável. Lanças, alicates, fios elétricos, longas varas, giletes, chicotes entre outros desconhecidos pela mente humana. Apenas uma coisa brilhava mais que qualquer coisa; sendo o fogo ou o metal reluzente: o sorriso.
Uma bacia rasa de metal era posta no chão com carvão recém-tirados do fogo. Eles tinham a sombra vermelha dada ao extremo calor. Em frente a essa bacia, uma cadeira de madeira com detalhes de metal nos braços. Detalhes perigosos, servindo como uma algema para prender os pulsos da vítima fadada a tal destino. Mas desta vez, a vítima teria tratamento especial; especialmente sigiloso. Portanto, seus braços se safariam no castigo por ora, sendo assim amarrados por trás do corpo. Mas tudo que pudesse ser coberto pela roupa seria cautelosamente tratado. A venda nos olhos escondia sua principal característica: os olhos raros; uma cor de sangue, enquanto o outro castanho pela forma amaldiçoada. Os ombros largos eram inconfundíveis. A vítima era Eros.
Eros se debatia na cadeira nada confortável, enquanto seus membros eram segurados. Só havia seu tronco móvel, pois até mesmo sua cabeça era presa por uma coleira metálica. Desta vez seria diferente, pois a tortura de hoje não seria por diversão e sim por pura raiva. A risada aguda e instável era a única trilha sonora de seu sofrimento, este que ainda estava por começar. O torturador, Eros já conhecia bem, tinha a marca registrada constante até em seus mais leves pesadelos. A imagem não o abandonava nunca. O sorriso doentio e os olhos cristalinos. Lá estava Claude a sua frente, preparando seu primeiro entretenimento.
Claude abaixou-se no chão e segurou ambos os pés descalços do pobre cavaleiro e os recostou lentamente dentro da bacia fervente. O grito grave e doloroso ecoou por toda a sala e voltou para seu pobre ouvido. A ardência imposta vagarosamente sobre a sola de seus pés foi arrebatadora. Só após alguns segundos, Claude largou-os dentro da bacia de uma vez. O grito do cavaleiro durou segundos demorados até que o homem a sua volta chutasse agressivamente o pote com o carvão para longe, fazendo com que os pés de Eros fossem jogados contra o friorento chão, sofrendo um terrível choque climático.
“Se aquela Princesinha não tivesse me irritado, estaríamos nos divertindo de uma forma menos dolorosa!” Gritou Claude risonho. Porém com uma voz cada vez mais monstruosamente grave. Eros estava ofegante, mas sabia que seria apenas o começo. Suas mãos amarradas não o incomodavam tanto quando a coleira sufocante. Na realidade, nada o incomodava mais que os pés atacados. “Eu devia... Eu devia pegá-la e por em seu lugar!” Gritava. “Mas deixe estar... Deixe estar, pois assim que Regina abaixar a guarda eu irei divertir-me com a Princesinha também.”
“N-Não!” Eros conseguiu gritar. Claude parou imediatamente. O sorriso nunca saía de seu rosto, até mesmo em suas sessões de fúria.
“E desde quando...” Ele andou até a parede pegando um de seus objetos preferidos; chicote. “VOCÊ DIZ ALGUMA COISA?” Urrou Claude, lançando a ponta do chicote no cavaleiro. O pobre estava sem camisa ou calças, apenas de cueca. O frio que antes congelava seu corpo se dissipara com os ataques recebidos. A extremidade do chicote colidiu com sua barriga musculosa em cheio, provocando um longo corte por onde passava. Eros mordeu o lábio ao gritar, sentiu o sangue escorrer de sua boca.
“Você, cão, não se dizia um lobo? Ou é apenas um cachorrinho indefeso?” Dizia Claude, aproximando-se do homem. Eros ainda tinha os olhos vendados, não poderia ter a noção da pequena distancia em que estavam. Contudo, seu ouvido de caçador não o deixava na mão nunca. “Por que vocês saúdam aquela energúmena com tanta confiança?” Sussurrou Claude, segurando o rosto de Eros com uma das mãos, enquanto a outra — agora livre do chicote — arranhava a região ferida. Eros gemeu friamente enquanto as unhas do torturador perfuravam sua pele por cima do ferimento já aberto.
“Regina está protegendo-a também, de certa forma.” Comentou ainda sussurrando. Claude aproximou seus lábios do rosto do rapaz, selando um beijo rápido e se afastou com tanta brutalidade que a cadeira quase foi parar no chão. “Esse é o problema dos humanos; há dois lados. A fraqueza e força têm de lutar para sobreviver, e essa luta contínua é o que os formam. Eles não podem escolher ser um lado só, isso fugiria da classificação de humanidade. Confuso, não?” Resmungou Claude dando as costas ao cavaleiro. Ele sabia que não haveria resposta, pois silêncio era exatamente o que ele próprio exigia.
“Eu odeio os humanos, particularmente. Criaturas repugnantes e facilmente moldáveis. Veja Regina; passas a vida inteira matando para encontrar a felicidade. Isso faz algum sentindo?” O homem seguiu até a parede pegando um cabo grosso e longo. “Sabe Eros, sua amiga Swan me lembra de uma pessoa muito curiosa e realmente irritante.” Eros não se atreveu a protestar, não queria sofrer ainda mais. Sendo assim, Claude arrastou os fios até a vítima e prendeu pontas na testa suada do cavaleiro.
“Sabe de quem falo? Obviamente não. Mas acredite, não está perdendo nada, pois aquela criança era verdadeiramente detestável. E graças a ela, tudo virou de cabeça para baixo. Sequer deu para me divertir com ela. Muito, muito frágil, a coitada.” Claude ria. Eros abria a boca cada vez mais em busca de ar. O fio preso em sua testa também habitada a ponta de seus dedos e pés queimados.
Claude deu a volta e parou em frente à parede, onde caixas eram erguidas na altura de sua cabeça. Havia botões coloridos e em letras em latim, idioma que ele sabia e falava fluentemente. Com um toque delicado de dedos, o homem acendeu todas as luzes e acionou todos os outros botões que ele sequer sabia a tarefa. Sendo assim, ele voltou à frente da vítima e reatou o chicote uma vez largado ao chão.
“Quero que transpire mais, talvez mais calor?” Comentou pensativo, como quem escolhesse uma roupa. “Nah, isso é o suficiente.” Concluiu.
“Quem é você?” Eros gemeu numa voz melancólica. A risada de Claude percorreu todo canto da sala.
“Alguém que muitos falam, mas poucos conhecem.” Respondeu. “E os que conheceram... Enlouqueceram.” Sussurrou, com um sorriso de orelha a orelha. “Vamos à adivinhação de hoje...” Prosseguiu erguendo a mão e acionando a última alavanca deixada para trás. Subidamente um barulho metálico colidiu contra os ouvidos expostos, e a energia acumulada correu pelos fios extensos levando algum tempo até serem jogados contra o corpo humano preso na cadeira. Claude ergueu a mão ocupada pelo chicote preparando seu próximo golpe.
Em instantes a eletricidade estupidamente forte colidiu contra o corpo de Eros, provocando uma frenética convulsão. Foi então que os ataques verdadeiros do torturador começaram. Enquanto o corpo de Eros fritava, ele acertava-lhes golpes em toda sua região exposta. Os gritos estridentes e pavorosos do pobre cavaleiro soavam como uma cativante melodia para o doentio homem. Qualquer possibilidade de ser atingido pela energia era remotamente vaga. Ele era imune a qualquer dor daquele e de muitos outros mundos. Não era facilmente aniquilado nem com o maior dos choques, ou qualquer coisa em que a limitada mente humana fosse capaz de pensar. Ele precisava ouvir os suplícios de suas vítimas, sentir o sangue escorrer por suas feridas, ver suas palavras adentrarem a mente humana e bagunçarem a sanidade frágil das vítimas. Era sua razão de existir, seu padrão de loucura. De onde ele vinha, todo mundo era louco. Claude abriu a boca lentamente, apreciando o prazer de sua próxima frase, sua antiga adivinhação sem resposta:
“Qual a semelhança entre um corvo e uma escrivaninha?”
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