Notas iniciais
Yaaay ladies and gays! Espero que vocês tenham tido um ótimo natal, porque eu comi muito. Hahahaha. Aqui vamos nós com mais um capítulo no sábado, como previsto. O tempo está acabando e a fic também. Devo dizer que a fic (segundo as regras do Nyah, contando o prólogo) terá, ao todo, 24 capítulos. No entanto, na edição final, eu tive que cortar algumas cenas e deixarei vocês decidirem se querem que eu as poste ou não. Mas vamos ao que interessa... Boa leitura!

* * *

As portas do quarto se abriram num extravagante rangido preguiçoso. Emma Swan se manteve concentrada, mas sentia seus pensamentos se perderem no rosto da Rainha adormecida. Ela tentava as melhores posições para que não cedesse o contato com a mulher; não teve outra opção se não subir sobre seu corpo. Aquilo já estava durando horas, e o tempo passava sem pena. Elas ainda precisavam treinar, mas concordavam que certificar-se de que Henry estava bem era primordial.

Os passos lentos faziam tanto barulho quando um salto alto. Emma, com o tempo, soubera distinguir os passos das pessoas daquele castelo. Os de Eros eram leves e inseguros, enquanto os da Rainha firmes e frequentes, mas aqueles eram calmos e calculados. A loira suspirou profundamente; não poderia deixar sua atenção ser desviada.

“Eu não a culpo.” A voz suave soprou em seus ouvidos. “Os lábios da Rainha são realmente um ótimo entretenimento.” Disse Claude.

“Você deve saber muito bem.” Retrucou Emma, sem ânimo para aguentar as embromações do homem.

“Oh, de fato.” Concordou, num tom orgulhoso. “Você deveria saber também.” Claude caminhou até a poltrona ao lado da cama, sentando-se de pernas cruzadas.

“Cale a boca. Estou tentando me concentrar.” Disse Emma, sem retirar os olhos da Rainha.

“Não é tão difícil.” Comentou Claude, um tempo depois. “Quero dizer, sobre beijá-la.” Emma revirou os olhos. “Vamos lá, ela está dormindo mesmo.” Sugeriu animado. Swan franziu o cenho observando o homem por um instante.

“Qual é o seu problema, cara?” Disse ela. “Regina é uma-”

“Mulher, sim. Creio que eu já tenha percebido.” Contrapôs impaciente. “Ainda está nessa?”

“O que quer dizer?” Questionou Emma, olhando-o. “Ela quebraria o resto da minha perna se eu fizesse.” Comentou.

“Diga-me que nunca sentiu vontade de beijar qualquer mulher.” Disse Claude, com um sorriso malicioso. Emma fitou o prazer exposto na expressão do homem com desprezo.

“Nunca.” Resmungou, voltando a olhá-la.

“Está mentindo.” Afirmou, num tom vitorioso. Emma se ajeitou na cama na tentativa de ignorar o rapaz, mas este não se calou. “Não é a única com superpoder. Aliás, devia se aventurar mais. Não iria se arrepender.”

“Devo imaginar que você já deve ter se aventurado com quantos homens?” Retrucou Swan, ríspida e impacientemente. Claude riu, com sua voz estridente e aguda.

“Mais que você, eu presumo.” Emma o encarou por um instante, enojada. Ele falava sério e orgulhoso. “Mas, diga-me, como vai ao baile esta noite?”

Só então, Emma se deu conta do dia em que estavam. Ela olhou para a janela; o tempo estava ensolarado e com pouquíssimas nuvens. A lua insistia em permanecer no céu, mesmo com o tardio horário.

“Merda, merda...” Resmungou consigo mesma.

“O que foi? Não tem um vestido?” Questionou Claude, distraído.

“Você não tem mais nada para fazer? Estou me segurando para não acertar um soco na sua cara.” Ameaçou Swan, mas, ao contrário do esperado, o rapaz riu.

“Tudo bem, princesa.” Zombou. “Tenho coisas a fazer mesmo. Já consegui o que queria aqui, de qualquer forma.” Emma franziu o cenho, encarando o sorriso vitorioso do detestável homem. Do que ele se referia? Logo, Claude levantou da poltrona passando pela beirada da cama e apalpando o ombro da loira por um instante.

De repente, Regina se mexeu na cama, resmungando baixinho consigo mesma. Suas mãos estavam cerradas e suas sobrancelhas arqueadas numa expressão melancólica. Emma olhou para Claude, enfurecida. De fato, ele havia conseguido desconcentrá-la. Os passos calmos se esvaíram, e embora não houvesse tido barulho de porta se fechando, Swan sabia que o homem havia desaparecido. Ela esperou que a mulher abrisse os olhos completamente para sair dali.

“Regina?” Sussurrou Emma cautelosamente, aproximando-se da Rainha. A morena despertou vagarosamente, acostumando-se com a claridade da sala e fitando os olhos verde-esmeralda da loira. Um sorriso satisfeito brotou nos lábios de Emma. Minutos depois, só então, Regina deu-se conta de onde estava.

“Swan?!” Exclamou. “SAIA DE CIMA DE MIM!” Esbravejou enfurecida.

Emma pulou para fora da cama, um pouco atordoada. Como Regina mudava repentinamente. A morena levantou e apalpou seu vestido, como quem retirasse a sujeira emposta nele. A loira nada disse, receando que fosse atacada pelas palavras da Rainha.

“Pedi que me guiasse, e não que se alojasse em cima de mim!” Continuou a reclamar. Emma revirou os olhos, sentindo-se injustiçada.

“Era o único jeito! Você passou horas ali, não é muito confortável!” Exclamou também. Regina massageou as têmporas, recuperando sua paciência.

“Está bem, está bem.” Resmungou consigo mesma. “Você pelo menos podia ter aguentado mais cinco minutos? Eu não consegui quase nada!”

“Porra, foram horas lá e não conseguiu nada?!” Gritou na mesma altura. Regina sentou-se na beirada do colchão, reorganizando seus pensamentos. Emma fitou o ar preocupado da morena, e decidiu acompanha-la.

“Não vai me contar o que aconteceu?” Perguntou Swan, mais gentilmente. Regina deu um longo e doloroso suspiro. “Eu vi que pela sua expressão não estava nada bem.”

“O tempo no Mundo dos Sonhos é completamente diferente do nosso. Horas são segundos. Instantes são anos. É simplesmente confuso.” Introduziu Regina, sem olhá-la nos olhos. “Receio que não poderemos esperar até ter o espelho reconstruído.” Emma engoliu seco.

“É esse ruim?” Questionou, preocupada.

“É pior.” Respondeu. Emma observou cada detalhe do rosto da Rainha, franzindo a testa.

“Você sabe o que aconteceu com ele, não sabe?” Perguntou desconfiada. Regina não respondeu, apenas fitou o chão, pensativa. “Regina, acha que não pode confiar em mim? Depois de todo esse tempo escondida aqui, nenhum pouco de confiança nós temos?” Questionou Emma, tentando ser o mais gentil que podia.

“Henry foi envenenado.” Disse Regina após segundos de silêncio. Emma prendeu a respiração. Seu olhar se perdeu como se tivesse os pés fora do chão. “É o que eu suponho.”

“Mas você pode se enganar, não pode? Pode ser passageiro. Você está enganada. Até você pode se enganar!” Sua voz aumentava à medida que tagarelava. Regina suspirou, não estava a fim de discutir isso com a loira.

“Controle-se, Swan.” Disse firmemente. Emma calou-se, mas não se aquietou. O silêncio se pôs sobre o quarto durante minutos que mais pareciam milênios. Ambas não sabiam o que dizer para consolar uma a outra, palavras não eram suficientes. Swan observava a feição de Regina vez ou outra, perguntando-se o que se passava pela mente da morena. Certamente que era sua culpa. Se alguém havia envenenado o pobre menino fora para atingi-la. A mão da mulher apertava o colchão inconscientemente. Emma arriscou tentar segurá-la, mas Regina recuou como se seu toque a machucasse.

“Não me toque.” Ordenou a Rainha, com o mesmo tom que usava com os empregados. Emma entreabriu a boca, mas nada falou.

“Hey...” Emma insistiu, com um movimento mais cuidadoso, pondo sua mão sobre a gélida da morena. “Você sabe que não é culpa sua, não é? Sabe disso?” Disse Swan, sorrindo torto. Regina não respondeu e sequer a olhou. Emma poderia jurar de visto uma lágrima fugir pelo rosto da Rainha.

“Se não fosse por mim...” Já ia dizendo, quando Swan a interrompeu, levando a ponta do dedo sobre seu queixo, fazendo-a olhar para ela.

“Não comece a falar besteira. Poupe meus ouvidos.” Disse Swan, sentindo que falara a coisa certa pela primeira vez. Tinha a atenção da Rainha, sem gritos ou discussões. “Não é culpa sua.” Afirmou calmamente. Não uma pergunta; uma afirmação. E ninguém, além de seu próprio pai havia lhe dito tal, mesmo que não acreditasse. Emma sorriu torto, como quem assegurasse cada palavra que dissera. Então, um pensamento lhe ocorreu. O que Claude dissera. Se estivesse disposta a beijá-la, aquele seria o momento. Regina estava cedendo, e as barreiras ao seu redor caindo. Não que quisesse tirar vantagem de seu sofrimento. Não que já houvesse sentido isso antes. Mas, de repente, a ideia não lhe soava tão absurda assim. Emma aproximou seu rosto lentamente do da morena, que não recuou. Seu olhar fitava os lábios da loira nitidamente, contudo, fitava também o sinal logo ao lado; o beijo escondido. O maldito sinal que não havia conseguido desvendar, tampouco esquecer. Regina ergueu a mão, tocando o rosto da loira por impulso. Seu dedo percorreu pelo exato local onde o sinal se posicionava. Era como uma cicatriz quase imperceptível, diferente da sua. Emma sentiu-se correspondida, embora não tivesse ideia.

“Regina” Gemeu baixinho. Aproximando-se uma última vez, quando faltavam apenas milímetros para que se colidissem. Só então Regina se deu conta do que acontecia, lembrando-se do momento que a loira a rejeitara. Seus comprimidos olhos achocolatados observavam os verdes-esmeralda.

“Não...” Resmungou a Rainha com gosto, rejeitando a loira e levantando-se bruscamente. “Deixe-me só.” Ordenou com seu tom superior. “Vá comer alguma coisa. Daremos continuidade ao treino até que chegue a hora de partirmos.” Prosseguiu. Emma estava desolada e confusa. Era impossível desvendar Regina. Ora estava prestes a beijá-la, ora sentia tanto ódio a ponto de querer quebra-la em pedaços. A loira levantou como quem fora acordada de um sono profundo. Se aquilo era o que as princesas sentiram ao serem acordadas de sua maldição do sono profundo, Emma compreendia porque tanto ressentimento e receio de Snow por Regina. Mas a questão desta princesa era que Regina significava sua maldição e seu beijo do despertar.

* * *

“Não sei exatamente o que vamos fazer.” Explicava Emma, enquanto comia. Eros balançou a cabeça.

“A Rainha não vem para a refeição?” Perguntou o cavaleiro, numa voz rouca. Emma deu de ombros. “Faz dias que a Majestade não se junta para as refeições.” Comentou.

“Regina precisa de um tempo sozinha.” Resmungou, distraída.

“Mas o menino está bem?” Perguntou Eros preocupado. “A Rainha deve estar devastada.”

“Não posso dizer isso. Mas vamos busca-lo quando sairmos do baile.” Explicou Swan. “Você se preocupa muito para quem foi amaldiçoado por ela.” Eros sorriu torto.

“Acredito que a Rainha queria um modo de superar a morte de meu irmão.” Disse o rapaz, pensativo. “E até em maldições é possível ver um lado bom.”

“Você não se importa de ser comparado ao seu irmão todo o tempo?” Questionou Emma curiosa. “De onde eu venho, os irmãos tem uma convivência complicada, já vi muitos que se detestavam.”

“Oh, isso é horrível!” Exclamou Eros pasmo. “Tenho certeza de que aqui, os irmãos valorizam muito uns aos outros. É muito triste viver sozinho. Sem ninguém neste mundo que lhe ampare. Não só nós, lobos, mas os humanos também. Todos nós valorizamos muito isso aqui.”

Emma pensou por um momento, o quão diferente era a vida naquele mundo. Contudo, de certa forma, era bastante semelhante; muitos com pouquíssimas condições de vida e outros com abundância em ouro, comida e tudo que se poderia imaginar. Tudo que ficava muito afastada do reino era muito pobre, mas o povo mesmo sem motivo aparente permanecia unido e feliz.

“Ela era muito apegada à Graham?” Perguntou Swan, pela primeira vez pensando em como teria sido para Regina, enfrentar a perda do homem.

“Enquanto meu irmão estava aqui, eu procurava pelas florestas. Nunca tive contato com a Rainha, até então. Mas creio que sim.” Respondeu Eros. Emma deu de ombros. “Mas não acho que ela o amasse.”

“Como assim?” Perguntou curiosa entre garfadas. O cavaleiro apoiou o queixo na mão, como se pensasse na resposta.

“Amar é algo difícil e forte demais para ser constante.” Dizia. Emma sorriu ao ver seu olho colorido brilhar enquanto o falava. “E a Rainha é uma pessoa solitária e amargurada.” Prosseguiu, desta vez um pouco mais baixo. “Pode se dizer que amar, para a Majestade, precise vir depois de superar seus demônios. E a Rainha ainda tem essa baralha para enfrentar.” Emma riu admirada com a explicação do amigo.

“Você romantiza muito as coisas para alguém que mal conhecia a vida humana.” Comentou Emma.

“Talvez seja mais difícil ver a bondade quando se está muito perto.” Disse Eros, com um sorriso gentil. Swan riu e terminou de comer.

“Está pronta para o baile?” Perguntou o cavaleiro, finalmente. Emma deu-lhe um longo suspiro cansado.

“É claro que não. Mas vamos lá.” Disse ela, se levantando da mesa. Eros a acompanhou, caminhando de volta ao corredor principal.

Emma se perguntou se teria de usar um daqueles vestidos que Regina tinha em seu acervo. Tinha certeza de que não eram nada confortáveis. Swan imaginou o que diria a Henry para compensar o tempo que escolheu ficar longe dele. Ela sabia que se pudesse, traria o filho para que passasse os dias no castelo de Regina até que conseguisse um jeito de voltar para casa, mas a loira sabia que Henry queria ficar na Floresta Encantada.

Ela desviou o olhar até o amigo que a acompanhava com muita dificuldade, mancava sucessivamente e faria pequenas paradas como se tentasse recuperar o fôlego perdido a cada passo.

“O que houve?” Perguntou Emma, pondo a mão sobre o ombro do rapaz. Eros forçou um sorriso aos lábios.

“Não foi nada. Só um pequeno acidente.” Eros deu de ombros, voltando a andar. Mas Emma franzia o cenho, desconfiada. “Tenho guardado a entrada do castelo.” Informou, como se aquilo explicasse o restante. Swan balançou a cabeça, sem que realmente entendesse.

“Regina rebaixou você a ficar em pé o dia inteiro para nada?” Perguntou num tom acusatório. Eros sorriu gentilmente.

“Eu gosto. Assim cuido dos cavalos.” Disse ele, animado.

“Oh, conte-me: como está Rocinante? Deve estar se sentindo meio sozinho.” Perguntou Emma, enquanto caminhava até a sala da Rainha. Eros sorriu de orelha a orelha.

“Ele está mais saudável que quando chegou, certamente. Mas a Rainha o visita todas as tardes, e isso deixa Rocinante numa felicidade só!” Respondeu ele. Emma arqueou a sobrancelha. Não esperava que Regina fosse apegada ao animal de tal forma, para sempre conseguir um tempo para visita-la.

Logo, ambos pararam diante a imensa porta. Eros antes que Swan abrisse a porta, decidiu se despedir:

“Bem, tenho coisas a fazer.” Disse Eros, com a aparência um tanto desconfortável. Emma o olhou com estranheza, se perguntando se ele não iria entrar com ela. “Nos veremos quando voltar com seu menino.” Acrescentou sorrindo.

“Tudo bem.” Balançou a cabeça. O cavaleiro então deu a volta e voltou a caminhar pelo caminho que haviam acabado de percorrer. Emma já ia abrir a porta quando notou uma mancha no chão a centímetros de onde estava. Uma gota de sangue, e logo há poucos metros estava outra não longe do cavaleiro.

“Eros!” Exclamou Emma. “Você está ferido.” Disse, aproximando-se do amigo. Outra gota caiu de seu sapato. “É o seu pé.” Informou. Eros balançou a cabeça, afastando-a gentilmente de si.

“Está tudo bem, já disse.” Afirmou, abaixando e esfregando sua calça. Emma franziu o cenho, ao observá-lo virar-se. Não era do pé que vinha o ferimento, outra mancha se espalhava logo acima de sua coxa. Swan engoliu seco. Não era médica, mas já havia vivido o suficiente para ter uma suspeita de onde Eros havia conseguido aquilo.

“E-Está tudo bem. Vou à enfermaria.” Resmungou, com a voz trêmula. Emma segurou o braço do cavaleiro.

“Eu te acompanho.” Insistiu, severamente. Eros parecia extremamente nervoso.

“Não! Já disse que está tudo bem. A Rainha deve estar lhe esperando há horas.” Argumentou o cavaleiro, trêmulo. Emma deu um longo suspiro.

“Não vai me dizer quem fez isso com você?” Perguntou Emma, sentindo seu peito arder em preocupação e raiva. A verdade era que ela já sabia a resposta. “Foi ele?”

“Não foi ninguém. Nada aconteceu.” Balbuciou Eros, afastando-se. “E-Eu pre-preciso ir.”

Emma viu o rapaz mancar até virar no corredor, que certamente não era caminho da enfermaria. Ela nada poderia fazer. Um misto de ódio e dor surgiu em seu peito. Tinha tantas coisas para lidar agora. Não se esqueceria de Eros, iria ajuda-lo. Ela sabia que estava certa. No entanto, Swan virou-se para dentro da sala e abrindo a porta, finalmente.

Regina estava sentada em frente a uma longa mesa de madeira maciça, ela usava um óculos arredondado que nunca a vira usar antes, mas sabia que, muito provavelmente, teria sido trazido de Storybrooke. Emma reparou que a mulher usava uma roupa diferente da habitual, calças justas e blusas que semelhantes àquela que usava como prefeita, mas que certamente eram feitas de um tecido peculiar da Floresta Encantada. Contudo, sua feição mudou completamente ao deparar-se com o homem ao lado da Rainha, cochichando em seu ouvido. Algo ardeu em seu peito, e se revirou em seu estômago. Quando se deu conta, já havia partido para cima do homem engravatado.

“Swan!” Gritou Regina, na tentativa inútil de repreendê-la. Mas a Rainha nada pôde fazer, a loira acertara um soco violento no rosto de Claude, que sequer se moveu.

Regina alcançou a Emma a tempo de impedir um próximo golpe, e mais ainda de impedir que o homem revidasse. O que seria imperdoável. A Rainha pôs-se entre ambos, virada de frente a mulher, que tentava de todo jeito atacar Claude mais uma vez.

Emma não se dera conta de que a morena a segurava, apenas sentiu seu corpo congelar ao deparar-se com outra novidade. Claude sorriu. Mas desta vez, um sorriso diferente; maníaco e doentio. Podia jurar ter visto — e viu — os olhos do homem brilhar com uma cor intensa, o azul turquesa que mais se parecia com o neon. Emma se perguntou, momentaneamente, se eles de destacavam quando na escuridão. Mas logo arrependeu-se, pois nunca gostaria de imaginar a possibilidade de tê-lo como companhia em situação qualquer. Claude abriu mais o sorriso, até este desaparecer rapidamente antes da Rainha virar-se para o rapaz.

“Vocês dois, chega!” Exclamou impaciente. Regina virou-se para Swan. “E você: recomponha-se, pois em poucas horas partiremos.” Ordenou.

Regina encaminhou Swan até a poltrona no canto extremo da sala, em uma distância segura de Claude. Mas mesmo assim, preferiu ficar de pé, pois não confiava em nenhum dos dois.

“Pedi que viesse para encerrar o treinamento, mas devido à falta de tempo e a mudança dos planos; só vamos esclarecer nossa rota. Por isso, Claude está aqui.” Explicou Regina, lentamente, à Emma. A loira a ouvia, mas não desviava seu olhar fuzilante até o homem que também não parecia interessado com outra coisa. “Agora, se vocês puderem não matar um ao outro. Gostaria que Swan se aproximasse para dizer-lhe por onde entraremos no reino dos White.”

Emma levantou-se e parou logo ao lado da Rainha, observando o mapa sobre a mesa de madeira. Era uma planta assustadoramente fiel à estrutura do castelo. Incluindo o salão onde a festa estava sendo preparada naquele exato momento. A loira viu um símbolo “x” marcado em pontos estratégicos.

“No castelo, há algumas passagens secretas. As mais novas foram interditadas recentemente por receio de que intrusos pudessem adentrar o castelo. Mas tem aquelas que são de antes do reinado de Leopoldo, muito antigas, que nos leva até pontos estratégicos do castelo.” Disse Regina, apontando até as linhas em giz vermelho.

“E por que diabos existem essas passagens?” Questionou Emma, sem entender. Regina a olhou.


“Reis entediados podem receber suas visitas secretas.” Respondeu. Emma balançou a cabeça, pedindo que não explicasse mais. “De qualquer forma, as que estão em melhor estado levam até o corredor da Principal e ao armazém.” Emma assentiu, fingindo compreender.

“O espelho está no armazém?” Perguntou Swan.

“Não, mas é lá que ficaremos até que se dê início ao baile.” Explicou Regina. “Ninguém se atreve a ir lá, é onde parte de meus utensílios ficam.” Acrescentou. Emma assentiu.

Regina apontou a rota que passariam antes de chegar até o corredor Principal, onde os quadros de todas as imagens de cada governante já passado pelo reino eram expostos exclusivamente no corredor dos quartos de hóspedes. Isto é, para que cada convidado apreciasse a história local antes de se instalar no palácio. Lá era onde Henry se localizava, não só pela praticidade, mas também porque o salão de reuniões do reino dos White — ou Charmings, agora que ambos os reinos finalmente tornaram-se um só — era feita ali perto.

Ao fim de tudo, Emma sentia-se tonta com tanta informação. Não só sobre seus próprios pais, mas sobre o que lhe esperava a seguir. Claude assegurou que Rumpelstiltskin estava de acordo, mesmo estes tendo uma rixa histórica e desconhecida; um mistério para qualquer um que soubesse da existência de Claude.

Regina deu alguns minutos para que Swan assimilasse sua próxima aventura, e, finalmente, concordasse em prosseguir com aquele plano insano.

“Pegamos Henry e voltamos para casa?” Disse Emma, fixando seus olhos em Regina. A Rainha permitiu que um sorriso satisfatório tomasse lugar em seus lábios.

“Tão certo e rápido, que mal irá notar.” Assegurou Regina.

“Então, nós temos um casamento para ir.”

Notas finais
Reviews? Quero saber o que acharam sobre as cenas cortadas, o capítulo e o que virá a seguir. Lista longa? Hahahaha. Desculpe, eu adoro ler seus palpites. Não se acanhem! E para quem não viu, postei um oneshot de natal, ( http://fanfiction.com.br/historia/453363/A_Christmas_Story/ ) se tiver um tempinho, vá lá e deixe sua opinião! Até a próxima!