The Hidden Kiss
20 The Wedding Dance
Notas iniciais
* * *
A música era tão sonora e harmônica que fazia os convidados flutuarem ao dança-la. Essa sensibilidade era a característica mais apreciada no reino White. Logo, a ideia de unir-se ao reino Charming não podia ser mais apreciada pelos súditos e admiradores do casal. O reino de Cinderela foi o primeiro a confirmar presença no evento que, mesmo não sendo em homenagem à amiga, e, sim do tão temido Rumpelstiltskin, fez questão de apreciar a festa apadrinhada por Snow.
Em uma espécie de palco lateral, uma orquestra sinfônica tocava com leveza e harmonia. O som era ambiente. Nem alto demais, para que os convidados possam conversar confortavelmente, e nem baixo demais para ser ignorada. Os apreciadores de música se localizavam logo em frente à orquestra, sempre de pé e, às vezes, arriscavam uma dança. Era algo que o reino adorava, não só o de Snow White como todos os reinos vizinhos. Não havia mesas, pois ninguém gostava de ficar sentado diante de tamanha comemoração. E aquela em especial comemorava a volta de um novo reinado, uma nova era; onde se veriam livres das maldades do Lorde das Trevas e conseguiriam, finalmente, sentir-se seguros novamente.
Rumple não havia aparecido até então. Bella caminhava pelo saguão e recebia cumprimentos, abraços e até olhares orgulhosos, como se esta estivesse fazendo algo para o bem maior. Poucos acreditavam realmente que o motivo da festa era o amor verdadeiro. E seria possível o contrário? Seria possível amar Rumpelstiltskin?
“Como está belíssima esta noite, princesa!” Elogiou August, ajeitando a mascara no rosto, enquanto dançava com a ruiva. Bella corou.
“Mas também está muito elegante, Senhor...?” Disse Bella, retirando a sua máscara. A princesa que há tanto tempo havia permanecido presa em um manicômio por Regina Mills ainda não conseguira conhecer todos do reino, mas tentava o máximo para ser gentil com todos.
“Senhor W. Booth.” Apresentou-se o rapaz, com uma reverência desajeitada. “Mas pode me chamar de August, Pinocchio, ou apenas você.” Disse gentilmente. Bella assentiu, e continuou a dançar com o cavalheiro.
Os convidados dançavam organizadamente. Estava na cultura local, crescer ouvindo e apreciando a música e a dança. Todas as meninas e os rapazes bem prendados sabiam o jeito correto de se portar diante à festa como essa. Príncipes e princesas, condes e condessas não paravam de adentrar o palácio — todos mascarados, conforme exigia a festa — com os olhos marejados, admirados com a incrível recuperação do reino em tão pouco tempo.
A felicidade era o que reinava no salão, exceto no trono no andar acima dos convidados. Ella fora cumprimentar sua amiga, contava-lhe novidades; sua filha de um ano e poucos meses estava começando a se aventurar em seus primeiros passos — ou tentativas de um. Mas a Rainha Cinderela via que nada consolaria a amiga, a tristeza era nítida em sua expressão. Que tolice a sua, falar de sua pequena princesa quando Emma Swan ainda se encontrava desaparecida. O Rei Charming agradeceu as condolências, mas fez questão de que suas aflições não contaminassem o humor dos convidados. David chegou a insistir que Snow o acompanhasse em uma dança, mas esta estava triste demais e recusou.
Mais tarde, Ruby se uniu a August. Eles ficaram juntos durante a maior parte da festa, ambos aflitos esperando algo dar errado.
* * *
O corredor estava em pior estado do que ambas imaginavam. Regina segurava seu vestido longo para que não tocasse no chão imundo, e Emma fazia o mesmo. A loira foi guiada pela temida Rainha até o armazém, que ficava ao leste do palácio.
“Eu odeio isso.” Reclamou Emma, puxando a máscara com penugem do rosto e soltando-se sobre o pescoço. Estas estavam presas aos rostos de ambas, pois, em circunstância alguma, poderia soltar-se. Era uma desaparecida e outra foragida. Chamar atenção com suas identidades seria a última coisa que elas queriam.
Quando a porta finalmente chegou, as duas pularam para dentro do armazém. Regina apalpou seu vestido, limpando a poeira. A ex-Rainha caminhou em disparada até um quadro coberto posicionado na parede. Regina puxou a proteção de pano, que caiu no chão revelando um espelho bordado a ouro maciço e reluzente. Emma ficou admirada com a sala. Havia muita coisa a se fazer para arrumá-la do jeito certo; tirar a poeira, ajeitar os móveis. Contudo, havia também tantos artefatos históricos no cômodo. Swan se lembrava de cada detalhe não só do livro de Henry, como nas histórias que ouvia quando era pequena.
“Espelho...” Começou Regina, tocando seu próprio reflexo no vidro espelhado. “Mostre-me o baile que acontece neste mesmo palácio.” Ordenou. Logo, o rosto de Sidney surgiu em meio à superfície. Era como se pudesse tocá-lo, se quisesse. Emma observava a tudo quieta, a morena parecia muito concentrada no que fazia e queria ser a última a atrapalhá-la. O homem do espelho assentiu, e rapidamente sua imagem foi substituída por silhuetas dançantes. Mostrava cenas do saguão de diversas direções, como se tudo estivesse sendo filmado naquele mesmo instante.
“Já começou...” Resmungou Emma, baixinho. “Não é a hora de irmos? Assim falamos com Rumple antes do casamento.” Sugeriu.
“Não se aprece.” Advertiu Regina. “Não podemos sair ao mesmo tempo.” Esclareceu. Emma não compreendeu. Ambas estavam mascaradas, irreconhecíveis. Swan ainda mais, pois usava um vestido que nunca ninguém a vira usando. Era longo e bufante, tão branco quanto nuvens. Feito de penas, o vestido não tinha alça, e, assim, valorizava os seios da princesa perdida. Digna de uma festa real.
“Eu vou primeiro então?” Sugeriu Emma, segurando a calda do vestido para que não tocasse o chão empoeirado. Um sorriso suspeito brotou nos lábios de Regina. Um longo silêncio pairou antes que a Rainha dissesse algo.
“Não, queridinha. Eu vou primeiro.” Respondeu com um sorriso malicioso. Emma hesitou.
“Regina... Nós temos um objetivo.” Relembrou a loira, mas ela não parecia estar sendo ouvida. “Você não vai fazer nada que-” Já dizia, quando a Rainha a interrompeu:
“Eu sei muito bem o que viemos fazer aqui. Resgatar o meu filho.” Retrucou Regina rispidamente. Emma bufou.
“Nosso.” Resmungou baixinho, mas a morena sequer lhe deu atenção. Regina encarava o espelho que não parava de lhe dar imagens do saguão onde a festa rolava. Emma deu passo afrente, observando-o curiosamente. Seu coração quase parou quando a imagem do Rei e da Rainha tomou o reflexo. Swan tomou frente. Um sorriso vitorioso tomou os lábios de Regina ao contemplar a cena: a tristeza nítida no rosto de Snow White. A mão da rainha era tomada pela mão do Rei, que a acariciava carinhosamente. Uma tentativa inútil de consolar a esposa. Emma era apenas dor. Sua expressão se assemelhava a da mãe angustiada. Sabia de certo o motivo de tal sofrimento.
“Não perca tempo, Swan.” Repreendeu Regina, contendo a satisfação em seu rosto. “Rumpelstiltskin terá menos de uma hora com você. Pegue o que precisa e me encontre no corredor. Pegaremos Henry e sairemos daqui o quanto antes.” Esclareceu a Rainha, andando até a porta do armazém. Emma não respondeu, apenas assentiu sem olhá-la. Regina não se importou. Estava contente em ver o sofrimento de Snow White, e ainda mais por ser o motivo de tal.
Regina Mills ajeitou sua máscara de penugem enquanto atravessava o corredor do castelo livremente. Desceu uma escadaria menos movimentada, ela conhecia aquele castelo como a palma de sua mão. Conseguira tempo bastante enquanto estava acorrentada a Leopoldo. Quando faltada apenas mais uma sequência de degraus até adentrar o saguão, já conseguia ver os convidados dançando alegremente. Todos sóbrios — ainda. Pode ver todos os representantes dos reinos vizinhos dali mesmo, sem muito esforço. Eles usavam as roupas mais reluzentes do palácio. Via Cinderela com seu tradicional vestido azul claro — agora com uma versão menos simples — bordado a diamantes, via Aurora acompanhada de uma mulher de traços orientais que Regina não conseguia se recordar. Logo, o olhar da temida Rainha pairou sobre a suposta convidada especial: Bella. Bella, com seu genuíno sorriso, dançava com um homem alto de ombros largos que usava uma máscara preta de brilhantes. A morena precisou de alguns minutos até que reconhecesse o rapaz, e só o fez pela companhia vestida com um vestido vermelho sangue que caía em seus pés. A máscara também vermelha já denunciava sua identidade: Ruby Lucas. Um sorriso malicioso voltou a tomar seus lábios. Iria descer e cumprimenta-los. Não era isso o certo a fazer? Afinal, que dama seria ela se não cumprimentasse seus convidados. Pois aquele palácio, assim como todo o reino, pertencia a ela.
* * *
Emma não parava de encarar aquele reflexo. Foi preciso Sidney reaparecer para finalmente libertá-la do transe. O homem a encarou com desgosto e desprezo. Ela respirou fundo, como se recuperasse o ar perdido. Snow sofria por sua causa, e isso só pioraria.
“Minha alteza espera que cumpra a ordem dada.” Balbuciou o homem do espelho, com rancor. Emma revirou os olhos.
“É eu sei.” Disse Emma. “Eu estava aqui quando sua alteza disse isso.” Retrucou. Sidney revirou os olhos.
“Saiba que do que depender de mim, esse plano saíra por água abaixo.” Queixou-se o homem do espelho. Logo, o rosto da loira se iluminou.
“E é por isso...” Disse Emma, abaixando-se e pegando o pano caído ao chão. “Que eu vou cobrir você, já que não posso quebra-lo — Setes anos de azar.” Debochou Swan, enquanto cobria o reflexo com o pano. Sidney protestou, mas Emma não lhe deu ouvidos. “Já basta o azar que eu carrego diariamente.” Comentou, dando-lhe as costas, e saindo do armazém.
Depois de certificar-se de que a máscara que cobria os olhos e a lateral esquerda do rosto não cairia, Emma percorreu aquilo que conhecia do palácio onde viveu durante poucas semanas. Seguiu o corredor que julgou ser o Principal, onde vários quadros se encontravam pendurados na parede. Swan passou por cada um deles. De início, apenas homens eram homenageados nos quadros pintados a mão. Todos já marcados pelo tempo e cansaço, com seus nomes gravados abaixo das respectivas imagens. Emma andou sem prestar muita atenção, até que seu olhar pairasse sobre certo retrato. O homem era o único com rosto jovial, embora seus cabelos fossem visivelmente brancos. Seu sorriso era genuíno, e também havia uma barba não muito comprida. A coroa parecia grande demais em sua cabeça, mas ainda sim o Rei passava uma imagem simpática e caridosa. Logo ao seu lado, uma mulher de pele branca sorria excessivamente. Seu cabelo estava totalmente preso em um coque no topo da cabeça, e seu vestido coral parecia prender-lhe a respiração. Emma reparou que o braço da Rainha se erguia mais que o normal, dando a sensação que, fora da pintura, entrelaçava as mãos ao Rei. Os traços da mulher lhe eram tão familiares, que logo a placa dourada abaixo de ambos os retratos lhe chamou atenção.
“Em homenagem ao Rei Leopoldo e Rainha Eva.
Que sempre terão seus nomes gravados nos corações de cada cidadão do Reino White.”
Emma fitou aquelas palavras com atenção. Então, aqueles eram seus avós? A semelhança entre a rainha e Snow era assustadora. Swan se perguntou como seria tê-los conhecido. Como seria ter vivido aquele conto de fadas. Seria uma princesa? Ou nunca se sentiria em casa, assim como se sentia agora, estando na Floresta Encantada?
De repente, Emma olhou o retrato ao lado. Outra Rainha, desta vez, sem companhia ao lado. O reconhecimento foi imediato. Os olhos achocolatados, o nariz arrebitado e a ousada cicatriz no lábio superior. Regina Mills. Emma parecia intrigada com tal imagem: Regina vestindo um vestido branco bufado, bordado a pérolas. A cor realçava a palidez no rosto da Rainha, assim como seu cabelo preso e alguns cachos e os incríveis lábios vermelhos. Por um breve momento, algo ecoou na cabeça da loira. “Pele tão branca como a neve, cabelo tão negro quanto à noite”. Por que a descrição se assemelhava tanto com Regina? O olhar de Regina recaia para sua direita. Não havia sorriso em seu rosto, como no de Eva. Não havia expressão em seu rosto, a não ser a frieza e o ódio. Foi quando Emma percebeu que o olhar da Rainha se direcionava a rainha ao lado. Snow White. Sua mãe vestia o mesmo vestuário de Regina. As mesmas pérolas, a mesma maquiagem. Contudo, no lugar dos olhos achocolatados, haviam imensas esmeraldas devidamente valorizadas pelo pintor. Os mesmos olhos de Emma.
“É realmente intrigante, queridinha.” A voz aguda do homem a fez pular. Emma virou rapidamente para encarar o homem, que vestia um terno achocolatado e uma blusa social de um branco desbotado.
“Gold.” Resmungou Emma.
“Confesso que me perco admirando a ironia dessas pinturas. É realmente interessante.” Comentou Rumpelstiltskin, parado com as costas recostadas na porta de madeira. Emma nada disse. “Snow sempre quis o amor de Regina. Lutou para tê-lo de todas as formas.” Dizia Gold.
“Mas e Eva?” Questionou Swan, observando o quadro da falecida rainha. Rumple riu brevemente.
“Eva traçou seu próprio destino quando ainda era uma princesa. Morreu quando a pequena Snow completava sua primeira década.” Disse Rumple, observando os quadros consigo.
“Ela está idêntica a Regina.” Comentou Emma, erguendo a mão para tocar no quadro da mãe.
“E fez questão de estar.” Disse Gold. “Não que algum dia admita isso. Snow mendiga o amor da madrasta até hoje.” Emma voltou-se para o homem, com o cenho franzido. “Às vezes me pergunto como Regina conseguiu o amor de três gerações de uma mesma família. O que ela tem de tão especial?”
Emma fitou a sequência de retratos algumas vezes até que compreendesse o que o homem queria de fato dizer. Mas antes que pudesse protestar, o homem deu-lhe as costas e adentrou o cômodo. Swan o seguiu por instinto, e também porque precisava do espelho para voltar ao palácio da morena.
O quarto era espaçoso e cercado de espelhos compridos, o suficiente para refletir o corpo inteiro de ambos. Havia uma mesinha de madeira no meio do cômodo, onde uma máquina de fiar se posicionava. Rumpelstiltskin sentou-se em um banco em frente à mesa, e passou seus dedos dentre os fios de palha com desenvoltura.
“Bem, você sabe o que vim fazer aqui. Podemos ir logo ao assunto.” Disse Emma, indo direto ao ponto. “Você tem o espelho?” Rumpelstiltskin sorriu.
“Não.” Respondeu concentrado no fio que esticava.
“O quê?!” Exclamou Emma, sentindo uma pontada de desespero.
“Não tenho o espelho, minha queridinha. Mas não se preocupe.” Rumple resmungou. “O que tenho a lhe dar é melhor do que um caco de vidro.” Emma engoliu seco.
“Tínhamos um acordo.” Disse Swan. Rumple a olhou por um minuto.
“Na verdade, o único acordo que fizemos fora aquele envolvendo a pobre Ashley.” Retrucou Gold. “Acordo este, do qual você ainda me deve um favor.” Relembrou.
“E resolveu cobrá-lo agora?” Perguntou Emma ríspida. Rumple suspirou cansado.
“Não, querida. Não é nada disso. O que tenho para você é uma poção, esta que você deve pôr no espelho, uma vez, enfeitiçado. Outro não servirá.” Esclareceu o homem, retirando um pequeno frasco do bolso do paletó.
“Certo.” Resmungou Emma, erguendo a mão para pegá-lo, mas Gold hesitou.
“Mas antes, quero que me responda algumas coisinhas.” Contrapôs. Emma deu-lhe um longo suspiro. Não podia perder tempo.
“Preciso ir embora, Gold.” Disse Swan, num tom pedinte. Um sorriso tordo surgiu nos lábios do homem.
“Tenho um casamento para comparecer, não demorarei.”
* * *
Regina caminhou por entre os convidados sem dificuldade, alguns chegavam a cumprimenta-la por pura gentileza e embriaguez. Com boa parte do seu rosto coberto, sua identidade era a última coisa que se preocuparia. A temida Rainha andou até o casal, seus cúmplices. Ruby parecia outra pessoa vestida e maquiada para uma festa de gala, e August sem sua jaqueta e luvas de motoqueiro, também estava irreconhecíveis. Regina aproximou-se dos dois no ritmo da dança.
“A festa está ótima, não?” Disse Regina, sínica. August assentiu sem nem mesmo olhá-la. Ruby a fitou, desconfiada, mas nada disse. “Quando eu governava, dava festas melhores.” Comentou. De repente, o rosto do rapaz se franziu em surpresa e preocupação.
“R-Regina?” Ruby sussurrou, com a voz trêmula.
“Creio que não tenho cabelos loiros para confundir-me com outra pessoa.” Retrucou mais ríspida. “Fiz questão de vir ver o desfecho dessa palhaçada.” Disse Regina, fitando o trono por cima da máscara.
“Regina... Você não vai destruir essa comemoração!” Advertiu Ruby, seriamente. Regina a fitou com desprezo, mas decidiu ignorá-la.
“Quem mencionou destruição?” Perguntou. “Vocês realmente acham que ele irá ceder? Abandonar as trevas ao casar-se?” Disse a Rainha, com sarcasmo. “Pois esse será o pior erro de vocês.”
“Mas isso certamente não deverá fazer parte suas preocupações, já que está bem longe daqui antes de nos arrependermos.” Comentou August. Regina o olhou de sobrancelha arqueada. Até então, o rapaz nunca havia lhe dirigido a palavra e agora que o fizera, parecia bastante certo e firme com suas palavras.
“De fato.” Admitiu. “Estarei bem longe desse povo hipócrita, com Henry; em casa.”
“Pensei que Emma fizesse parte de seus planos.” Disse August, petulante. Regina o fitou, com a leve sensação de estar sendo desafiada.
“Certamente o que fará parte dos meus planos ou não, não é de sua conta.” Retrucou a temida Rainha. Ruby deu um passo à frente, com uma resposta na ponta da língua, mas antes que pudesse dizer algo, August a impediu.
“Está certa.” Respondeu. Regina o olhou mais uma vez.
“Estou?”
“Mas é claro.” Afirmou August. “Quem contestaria vossa majestade?” Acrescentou, observando os convidados ao seu redor.
“Você é muito atrevido, rapaz.” Disse Regina comprimindo os olhos. “Mas gostei de você.” Completou, com um sorriso malicioso. “Agora, se me dão licença, eu gostaria de aproveitar a comemoração.”
Regina então sumiu em meio à multidão. Seu humor estava contente demais para se alterar por conta das duas crianças. Ela se misturou dentre os convidados, apreciando a música e observando o semblante depressivo de Snow White. Nada poderia estragar a sensação de missão comprida. Ela gostaria de aparecer, ali mesmo, e revelar sua identidade. Seria extraordinário. Pisar em Snow o máximo que podia. Talvez fosse exatamente o que deveria fazer.
* * *
Emma tinha suas mãos trêmulas enquanto balançava os dedos freneticamente sobre seu vestido. Ela não podia confiar em Regina. Não podia deixa-la sozinha. Mas Gold insistia em fazê-la perguntas; provavelmente como aquelas que Regina fez no momento que chegou com Rocinante ao palácio enfeitiçado; perguntas das quais, Emma não sabia responder.
“Quando recebi a noticia de que a princesa Emma Swan havia sumido, soube no primeiro instante que era exatamente aquilo que tu querias.” Gold disse, sem receio. Emma franziu o cenho. “Como havia dito à Bella, daria todo meu ouro para vê-la agindo como uma perfeita Princesa. Pois minha imaginação não me permite tanto.” Disse com uma risadinha.
“Você disse que queria me fazer uma pergunta, não questionar minhas habilidades para o trono.” Retrucou Emma, sentindo-se um pouco sentida. Rumple deu-lhe uma risadinha aguda.
“Quando Regina me visitou para deixar-me a par de seu plano, tive minhas suposições confirmadas. Mas então, ele veio...” De repente, a feição do homem mudou. Emma não reconheceu em primeiro momento, mas havia algo ali. Rumple levantou-se, encarando Swan. A loira recuou hesitante.
“Você sabe quem ele é, Emma Swan?” Perguntou, arregalando seus olhos. Só então, Emma compreendeu.
“Claude.” Sibilou. “Por que diz isso?”
“Porque ele será o seu fim.”
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