The Hidden Kiss
21 Emma's Song
Notas iniciais
* * *
Ela podia sentir o tempo passar tão rápido quanto o bater das asas de um beija-flor. Seu coração martelava em seu peito. Sua respiração tornara-se mais fraca. Tudo isso porque sabia que as palavras do homem eram puramente verdadeiras. Lembrou-se da vez que Rumpelstiltskin lhe alertou sobre quão perigoso era ser inimiga de Regina, e esta acabou por tentar me envenenar com uma torta de maçã. Gold não brincava ao tentar me alertar sobre algo. Principalmente sobre ele que a loira sempre teve receio. Claude seria seu fim. Ela sabia que ele estava certo. Mas não deixaria isso acontecer.
“O que você quer dizer com isso?” Questionou Emma, com rouquidão. Gold deu-lhe um longo e custoso suspiro.
“Ele será o seu fim.” Repetiu.
“Não se eu for embora antes que ele tente alguma coisa.” Disse Emma, pronta para dar-lhe as costas.
“Você sabe quem ele é?” Indagou o homem. Emma parou.
“Claro que sei.” Respondeu ríspida, mas Rumple sequer mudou sua expressão.
“Eu quero dizer: você sabe quem ele realmente é?” Insistiu. Swan só foi compreender após alguns minutos.
“Você quer dizer se sei qual personagem de conto de fadas Claude é?”
“Perfeitamente.” Afirmou. Swan parou por um instante. Não havia pensado nisso. Pouco era o que Emma sabia sobre Claude, sequer sabia se ele era um homem de verdade. Sabia que ele era diabólico, doentio. Havia violentado Eros, ameaçado e machucado a pessoa mais pura que ela jamais conheceu. E ele pagaria por isso. Claude havia criado a cicatriz em seu braço escondida pelas brancas luvas compridas.
“Claude não é deste mundo, foi o que ouvi.” Disse Emma, resgatando uma memória breve de seu inconsciente. “Um monstro.” Disse com ódio.
“Não há outra maneira de descrevê-lo, de fato. Ele é uma criatura repugnante, Regina foi estúpida em aliar-se a ele só para me afrontar.” Cuspiu Rumple tão cheio de ódio quanto à própria loira. Isso chamou mais a atenção de Emma.
“Como assim? Por que Regina faria isso?” Questionou Emma, na defensiva. Rumple riu.
“O problema de Regina você já deve conhecer muito bem. Age pelo calor do momento. E isso a faz querer resultados prematuros, por essas e outras nós colidimos. Nossos objetivos podem ser os mesmos, mas nunca concordaremos na maneira de agir.” Dizia Gold, pensativo. Seu olhar viajava dentre as próprias memórias. “Mas isso está em seu sangue.”
“Por isso Claude, ela queria resultados imediatos.” Completou Swan, apressando-o. “Mas para quê?”
“Vingança, querida.” Respondeu. “De sua mãe.”
Tantas perguntas ela gostaria de fazer. Por que tanto ódio entre ambas? Por que Regina se importava em ser a mais bela de todas? Algo na história parecia faltar. Como páginas rasgadas de um velho livro. Gold não tinha pressa, parecia ter muita coisa para contar, e embora Emma quisesse ouvi-lo, precisava reencontrar Regina e pegar seu filho. Mas antes que ela pudesse apressá-lo, o homem a surpreendeu:
“Agora vá, suma com Regina.” Disse lhe erguendo o frasco com o líquido mágico. “Suma com ela antes que estrague meu casamento.” Emma hesitou ao pegá-lo.
“Mas você disse que me faria uma pergunta.” Disse, desconfiada.
“Já a fiz, queridinha.” Retrucou o Gold. “Disse que não sabe quem ele é, e só o que precisava saber.”
“Você não vai me dizer qual personagem Claude é?!” Questionou num tom de desespero. Gold arqueou a sobrancelha, com um sorriso torto nos lábios.
“É assim que ele se diz chamar? Claude?” Riu sarcástico. “Criativo.”
“Diga-me!” Exclamou Emma, sentindo a raiva a flor da pele. Rumple não mudou de posição.
“Você deveria saber muito bem. A prova está cravada em seu braço.” Disse Rumpelstiltskin enquanto apontava ao ferimento.
“Não entendo. Isso tudo é tão insano.” Comentou Emma, fitand1’o a ferida escondida. Gold riu.
“Perfeitamente colocado.” Sibilou.
Swan o olhou intrigada. Contudo, a conversa havia chegado ao fim. O tempo se esgotou, e nada mais precisava ser dito. Emma virou-se, apertando o frasco com força e virou a maçaneta da porta.
“Isso é um adeus.” Disse Swan, antes de passar pelo hall da porta.
“É o que o destino nos guarda.” A voz de Rumple soou logo atrás de si. Não, pensou Emma. Ela nunca mais iria voltar àquele palácio.
* * *
Emma passou pelo corredor real, onde as pinturas eram expostas. Chegou a se perguntar se, se ela tivesse vivido naquele lugar, seu retrato seria pintado ao lado de sua mãe e Regina. Mas tão logo a ideia foi afastada de seu pensamento. Swan olhou para o fim do corredor, longinquamente havia um quarto vigiado por guardas. Em suas cabeças havia armaduras de penugem, assemelhando-se à armadura do palácio de Regina, contudo, brancas como a neve. Emma deu um passo à frente, talvez devesse ver o que havia lá. Mas então, lembrou-se de Regina e que tinha de encontra-la.
Quando virara no último corredor, finalmente encontrara onde os convidados dançavam com a orquestra real. Emma imprensou a máscara contra seu rosto, certificando-se de que ninguém poderia reconhecê-la. Seus pais estava há poucos metros de si, posicionada em um trono que se localizava acima dos convidados. Ela evitou olhá-los diretamente, e continuou a descer as escadas.
De repente, a orquestra parou. Os convidados olharam para frente, bastante sérios. O coração de Swan passou a martelar temendo que alguém a houvesse visto. Com o longo passar de minutos, a orquestra voltou a se movimentar e logo uma melodia calma e muito harmônica passou a tocar suavemente. Emma franziu o cenho, podia jurar já tê-la ouvido antes. Ninguém no palácio voltara a dançar, todos fitavam os governantes com uma expressão de tristeza e respeito. Swan voltou-se aos convidados. Lá estava ela. Dentre as cores alegres das roupas dos convidados, a mulher de preto. Emma podia ver um sorriso em seu rosto, ela conhecia bem aquele sorriso e sabia o que viria a seguir.
“Caros amigos, sabemos que hoje é um dia de comemoração.” A voz de Snow White atraiu a atenção da loira violentamente. Snow tinha ambas as mãos apoiadas na sacada, sem nenhum microfone ou qualquer coisa que ampliasse sua voz. Emma olhou brevemente para a mulher de preto, seu sorriso só aumentava. Ela sabia o quanto Regina se deliciava com aquele momento. “Porém, sabemos também que não tem sido dias fáceis para nós.”
Emma não podia esperar. Correu os degraus, adentrando a multidão de convidados a fim de encontrar Regina e impedi-la.
“Essa música... Eu costumava tocar para ela.” Dizia Snow, com melancolia. “Não posso dizer que, alguma vez, Emma Swan a ouviu, pois nenhuma noite passara ao nosso lado para saber onde realmente era sua casa.” Acrescentou.
Swan parou por um instante, observando a mãe. Viu uma lágrima cair de seus olhos. David deu um passo à frente, apoiando sua mão no ombro da esposa e sussurrou algo em seu ouvido. Então, Snow prosseguiu:
“Acreditamos que nossa filha está viva. E vamos encontra-la.” Afirmou. Emma abaixou a cabeça por um instante. Não, não eles não iam. “E sobre os rumores da volta da Rainha... Saibam que Regina não poderá lhes fazer mal. Nossa cavalaria está muito bem armada. Qualquer um que tentar adentrar nossas terras que não for bem-vindo será imediatamente combatido.”
Então, Emma olhou para a mulher há poucos metros de distância. Seus dedos estavam em sua máscara, e o sorriso vitorioso nos lábios. Swan sabia que Regina faria o impossível para mostrar a Snow quão poderosa ela estava.
“Gostaríamos de voltar a pedi-los: Qualquer informação sobre minha querida Emma será muito bem recompensada.” Snow voltou a dizer. Mais lágrimas brotaram em seus olhos. Seus lábios trêmulos se abriram, mas nenhum som saiu. David a abraçou fortemente, e nada mais foi dito.
A mesma música passou a ser tocada com mais firmeza, para ser ouvida. Alguns convidados voltaram a se movimentar, foi quando Emma correu até a mulher. Sua máscara estava prestes a cair. Longinquamente podia ser visto Ruby e August correndo ao encontro da mesma. Mas eles não chegariam a tempo.
Quando estava prestes a colidir com a Rainha, Emma a puxou para uma dança desajeitada, antes que esta pudesse revelar sua própria identidade.
“O que está fazendo?!” Exclamou Regina. Emma segurou a cintura da morena, enquanto tentava passos de última hora.
“Impedindo que faça uma estupidez!” A loira respondeu. Regina apoiou-se nos ombros de Swan, frustrada.
“Eu ia mostrar a ela...” Resmungou Regina furiosa.
“Não, você ia estragar a nossa volta para casa. Só isso.” Lembrou Emma, em seu ouvido.
Swan olhou para frente, observando August e Ruby chegar apavorados. Ela sorriu torto, como quem assegurasse ter resolvido o problema. O rapaz lançou um olhar para a mulher de vermelho, que Emma não conseguiu identificar. Por longos minutos Emma continuou a dançar com a mulher, para assegurar que ela nada faria. Regina segurava os ombros da loira com força, sentia seu peito arder de ódio enquanto olhava para Snow sentada no seu trono. Quando seus olhos cruzaram com a atual Rainha, Regina se lembrou: era ela quem tinha vantagem. Tinha Emma.
A morena envolveu seus braços no pescoço da loira enquanto mantinha o olhar em Snow. A atual Rainha a olhava de modo intrigado, como quem tentasse descobrir quem ela era. Emma sentiu Regina aproximar seu corpo de si, mas não recuou. Conseguia sentir a respiração ritmada da morena perto de seu ouvido.
“Você, de fato, parece um cisne nesses trajes” Comentou Regina no ouvido da loira. Emma sorriu. “Gostei.”
“E você; meu cisne negro.” Respondeu Emma. Regina arqueou a sobrancelha, embora Swan não pudesse ver.
“Seu?” Repetiu. Emma sentiu seu rosto tomar cor.
“Licença... Senhoritas...” A voz de August fez com que Swan se afastasse imediatamente de Regina. “Posso pedir que Miss Swan acompanhasse em uma dança?” Disse à Regina, como quem pedisse permissão. Na verdade, era exatamente o que ele fizera. A Rainha arqueou a sobrancelha, e mudou de par. Emma segurou a mão do rapaz e aceitou o convide.
“Gostaria de poder abraça-la.” Disse August, enquanto dava passos para frente e para trás. Emma sorriu torto. “Senti saudades.”
“Sei que sim.” Foi tudo o que pôde dizer. Ruby se uniu a Regina, impedindo que fizesse algo que pudesse em riscos ambos às fugitivas.
“Não me toque, loba.” Retrucou Regina ao sentir a morena tocar sua cintura.
“Mas... ela-” Já ia dizendo olhando para Emma, mas desistira. Optou por dançar há centímetros de distância.
“Quase não lhe reconheceria se não tivesse impedido Regina.” Comentou o rapaz. “Mas já deveria saber pelo belíssimo vestido. Sua escolha?” Emma franziu o cenho.
“de Regina.” Resmungou. “Não vai me dizer o quão irresponsável eu sou? Ou que tudo isso foi um erro?” Rebateu impaciente. August arqueou as sobrancelhas.
“Não.” Respondeu simplesmente. Emma não compreendia. Durante a quebra da maldição, tudo que August fez fora dizer-lhe o que fazer e nada mais.
“Por quê?” Insistiu.
“Porque você cumpriu seu destino. Quebrou a maldição, aquilo que nasceu para fazer. Agora, quero que viva sua vida. Do jeito que achar melhor, com quem achar melhor.” Explicou o rapaz calmamente. Não fazia sentido para a loira.
“Emma, sei que não faz sentido para você. Mas sempre senti como seu irmão mais velho.” Disse August, rodopiando com a princesa. “Cometi muitos erros, quando deveria protegê-la. Tem todo o direito que não me ver como tal. Mas, para mim, você é uma irmã.”
Emma podia ver os olhos do rapaz brilharem conforme as lágrimas se formavam, mas nenhum palavra conseguiram tocá-la. Ela simplesmente sorriu de volta, da forma mais genuína que pôde forjar. Era como quando seus pais tentavam agir como tais. Nada. Nada parecia ser real.
Por fim, August abaixou os olhos com um sorriso triste.
“Sinto muito.” Disse Emma. Não podia dizer o mesmo, para ninguém naquele salão. August fitou Regina que resmungava xingamentos junto a Ruby.
“Tudo bem.” Disse ele. “Pode pegar seu filho, e partir.” Emma olhou-o com atenção, estava pronta para ir para casa. “Mas prometa para mim que volta. Não por mim, mas por Snow White e Charming.” Emma engoliu seco.
“August...” Relutou.
“Emma, você não sabe o que sua mãe está passando. Nunca Henry desapareceu ou fora sequestrado, como seus pais realmente acham que você foi. E eles suspeitam de nós.” Acrescentou baixinho. Emma franziu o cenho.
“O que quer dizer?” Questionou.
“Eles acham que Regina a sequestrou. Mas também suspeitam que você tenha fugido por conta própria, embora não admitam isso.” Disse ele. “Snow tem nos observado. Eu e Ruby. Sabe que, se quisesse fugir, seríamos os primeiros a ajudar.”
“Não voltarei August. Como você disse, o que foi feito está feito. Quebrei a maldição, e os libertei. Agora é hora de voltar para casa.” Emma parou de dançar. Os lábios de August se curvaram.
“Mas seus pais-”
“Eu sou órfã.” Rebateu Emma, antes que ele pudesse terminar. “Nada que David e Mary Margaret façam mudará isso.” August se calou.
“Adeus, August.”
Emma deu as costas ao amigo e andou até a mulher de preto. Segurou o pulso de Regina com força e a puxou brutalmente. A morena reclamou de início, mas só então reparou na fúria nos olhos verde-esmeralda.
“Não é um adeus. Nós estaremos lá no dia.” Exclamou August. Tão logo, Ruby também exclamou:
“No último dia de lua cheia.” Avisou. Mas, desta vez, não para a loira e sim para a Rainha. Fora o combinado. Nenhuma das duas ousou a olhar para trás.
Emma puxou Regina até o início dos degraus da longa escadaria. Até então, a morena não dissera uma palavra. Enquanto subiam os cansativos degraus, Emma observava ao seu redor. Elas tinham os olhares de todo o trono. Inclusive Snow White. Mentalmente, a loira implorou que Regina não provocasse sua mãe. Assim, não entregaria suas identidades. Mas Snow estava tão intrigada com a expressão da loira que mal deu atenção à inimiga.
Só então, Swan deu-se conta. Odiava Snow White. Odiava a própria mãe. Não só por obriga-la a permanecer no palácio como princesa, mas por tê-la abandonado. Emma não compreendia como fora feito, ou os motivos para ter sido deixada. Mas se August pudera passar para — supostamente — guia-la, Snow também poderia. O rapaz também era alvo de parte de sua fúria. Outro que escolhera deixa-la para trás. Não podia sentir-se ligada a nenhum deles. Tampouco seus pais. A única pessoa que parecia verdadeiramente ao seu lado era a mulher da qual segurava as mãos. Regina era seca, ríspida, mas de uma sinceridade assustadora. Era o que sentia falta naqueles que se diziam família, até então.
“Pare.” A voz de Regina soou com um alerta. Não um grito, ou uma ordem. Emma o fez. “Acho que nos reconheceram.” O coração da loira voltou a martelar freneticamente. “Não olhe.” Mas já era tarde mais. Snow fitava os olhos verde-esmeralda profundamente. Seu cenho franzido demonstrava que o reconhecimento total não estava longe de vir. Brevemente, Emma viu os lábios da atual Rainha se entreabrir e sussurrar algo. Seu nome.
“Não dá tempo.” Emma respondeu à Regina, e voltou a correr. Regina não hesitou, principalmente após ouvir nitidamente:
“EMMA!” A voz de Snow White ecoou por todo o salão. Todos os olhares se voltaram a elas.
* * *
Alguns gritos chamaram a atenção de ambas, mas nenhuma delas ousou olhar para trás. Simplesmente porque temiam estarem perto demais a ser pega. Quando Emma estava prestes a puxar Regina para o corredor esquerdo, a Rainha fora mais rápida. Abriu uma porta e jogou-se para dentro, levando Swan consigo. Era uma espécie de armário, onde guardava roupas dos serviçais. Regina empurrou a loira contra a parede, pondo a mão sobre sua boca. O espaço era tão precário que comprimia as duas ali dentro.
“Fique quieta.” Sussurrou Regina, atenta aos passos. Emma balançou a cabeça.
“Onde elas foram?” Perguntou uma voz masculina. “Majestade, onde as viu?”
“Temos que pegar Henry e sair daqui.” Balbuciou Emma. Sua voz saíra contorcida com a mão da morena sobre sua boca. Regina lhe fuzilou ao lança-la um olhar.
“Por ali.” Respondeu a voz de Snow. Então, os passos firmes e frenéticos dos guardas partiram em retirada. Regina virou-se para a loira.
“Pegou o frasco?” Perguntou séria. Emma franziu o cenho. Regina sabia do líquido? Ela fez que sim. “Então, só nos resta partir.” Disse mais para si mesma que para Swan.
“Precisamos ir até o corredor Principal.” Lembrou Emma. Regina virou-se para a porta, imprensando a loira ainda mais.
“Já estamos nele, sua tonta.” Retrucou Regina, abrindo a porta vagarosamente. A morena pôs a cabeça para fora a fim de ver como estava a movimentação. Mas ninguém mais estava lá. Então, uma após a outra saíram do minúsculo cômodo.
“Ele está no final do corredor.” Informou ela.
Emma reconheceu o corredor imediatamente, enquanto era guiada pela Rainha. Não havia movimentação, e a música do salão soava baixa demais. Algo estava estranhamente errado. Só então notou a mão trêmula de Regina apertar a sua.
“Está tudo bem?” Perguntou Emma, num sussurro.
“Não até pegar nosso filho de volta.” Seu tom de voz inspirava fúria e preocupação. Se perguntasse a Regina se notara algo estranho, certamente a morena estaria tão centrada em reaver Henry que mal a notaria ali. Talvez sequer notasse que segurava a mão de Emma ou a maneira que se referiu a Henry.
Quando Emma e Regina estavam próximas da porta, Swan lembrou-se. Era a porta que momentos atrás estava cercada de guardas. Emma arregalou os olhos. Regina já segurava a maçaneta firmemente, e não haveria maneira de impedi-la. Mas a loira sabia; era uma emboscada.
“Regina!” Tentou.
A Rainha adentrou o quarto com tanta rapidez que Swan mal conseguiu acompanhar. A cama estava vazia, mas não o restante do cômodo. Rapidamente, a porta atrás de ambas se fechara, uma dúzia de guardas ergueram suas espadas. Regina arregalou os olhos ferozmente, apertando a mão da loira. Estavam encurraladas.
Elas se entreolharam a procura de uma saída, mas sequer poderia chegar até a janela sem ser perfurada pelas lanças apontadas para as duas. Regina ergueu a mão livre, a fim de invocar um feitiço para expeli-los, mas antes que pudesse algo lhe tirou a atenção das duas mulheres.
“Snow White.” A voz de Regina soou como um rugido. Embora as máscaras ainda cobrissem suas identidades, qualquer um, até quem não a conhecia, poderia reconhecer aquele tom de desprezo e ódio.
Desta vez, Emma foi quem apertou o punho da temida Rainha. Logo ao lado de Snow, estava Madre Superior, com uma espécie de névoa branca em mãos. A atual Rainha nada disse, seus olhos fitavam Regina tão intensamente que deixava Emma desconfortável.
Madre Superior cerrou os punhos e lançou a esfera de névoa sobre Regina, consequentemente prestes a atingir Emma. Mas a morena ergueu a mão e fez com que um escudo se projetasse sobre elas.
“Acha que isso vai funcionar de novo?” Provocou Regina, soltando a mão da loira aos poucos. “Ataque-me você mesma, covarde!” Gritou à Snow. Emma tentou relutar, mas estava incrédula com o que acontecia, e principalmente no olhar da mãe para a mulher ao seu lado.
Snow ergueu a mão, e instantaneamente Madre Superior parou. A atual Rainha deu passos a frente, fazendo com que os guardas abrissem caminho para que sua governante passasse.
“Onde está o meu filho?” Cuspiu Regina, enquanto Snow dava passos até ela. Emma apertou a mão da morena. “ONDE ESTÁ HENRY?!”
“Sob cuidados médicos.” Disse Snow friamente. “Meu neto está melhorando. Trabalhamos em um antídoto, e em breve estará bem.” Acrescentou. E isso seria uma boa notícia se não fosse pelo tom gélido da Rainha. “Isso não graças a você, que se diz mãe dele.” Rebateu.
“Muito menos a você, que permitiu que a situação chegasse onde chegou.” Retrucou Regina. Mas Snow não mudou a mínima expressão que fosse. Sequer parecia notar a presença de Emma.
“Deveria tê-la matado quando tive a chance.” Cuspiu Snow, dando um passo à frente. Seus olhos verdes se assemelhavam aos de Regina, tamanho ódio.
“Deveria tê-la deixado morrer naquele cavalo.” Respondeu Regina.
As palavras de Regina tiveram muito mais efeito que as de Snow. Em segundos, a atual Rainha tinha suas mãos em volta do pescoço de Regina. Emma foi empurrada para trás pela morena. Gritos mudos saíram da garganta da loira, podia ouvir a música da orquestra chegar aos seus ouvidos. A mesma que — momentos antes- fora homenageada à “princesa perdida”.
“Maldita!” Grunhiu Snow. “Roubou meu pai, meu final feliz e agora minha filha!” Rugiu. Regina tossia, enquanto tentava afastar as mãos da mulher de seu pescoço, contudo, o sorriso vitorioso nunca saía de seus lábios. Emma estava apavorada. O rosto de Regina tomava cor, e a falta de ar fazia com que as veias em seu pescoço se ressaltassem na pele. De repente, Swan sentiu uma pontada em seu peito. Num ataque de adrenalina, avançou contra as rivais e empurrou Snow White violentamente contra os guardas. Todos rapidamente abaixaram as armas e acolheram a Rainha para que não caísse no chão. Regina olhou incrédula à loira, mas em momento algum a agradeceu.
“Emma” Snow gemeu baixinho.
“Chega!” Gritou Swan. “Nós vamos para casa. Diga onde está meu filho.” Exigiu Emma com a voz trêmula. Snow fitou a filha por baixo da máscara.
“Eu não posso acreditar...” Disse Snow incrédula. Regina nada disse, apenas apreciou a cena.
“Onde está Henry?!” Repetiu, ignorando o máximo que podia a voz da mãe.
“Essa bruxa pode ter feito a sua cabeça... Mas não levará Henry com vocês.” Disse Snow. Regina arqueou a sobrancelha, entreabriu a boca, mas Emma não permitiu que esta dissesse qualquer coisa.
“EU QUERO IR EMBORA. EU VOU PARA CASA. E VOU LEVAR NOSSO FILHO.” Rugiu Emma, dando um passo à frente. Snow parecia horrorizada, lágrimas caíam desesperadamente de seu rosto. Mas eram rapidamente limpadas por puro orgulho. Emma sentia seu peito ofegar. “Storybrooke é minha casa. O mundo real é o meu lugar.” Acrescentou.
O silêncio se estabilizou sobre o cômodo. Os guardas não mais apontavam suas armadas para as mulheres. Snow abaixou a cabeça por um instante, deixando que as lágrimas escapassem. Regina revirou os olhos. Emma deu passos ao lado discretamente.
“Querida... E-Eu não posso permitir que o leve.” Disse Snow White chorosa. “Não enquanto ele estiver doente. Não enquanto estiver sobre o meu teto.” Regina rangeu os dentes, estava prestes a queimar o quarto inteiro.
“Você ainda pode ficar.” Lembrou Snow, antes de se virar para Regina. “Peguem-na.” Ordenou.
Rapidamente, os guardas avançaram. Mas Emma já estava preparada, segurou a mão de Regina puxando-a para si. As lanças colidiram contra a parede brutalmente. Abriu a porta e correu carregando a Rainha consigo. Os guardas a seguiram, atirando flechas freneticamente. Regina seguia defendendo os ataques e lançando bolas de fogo quando possível. Mas algumas flechas adentravam o campo de força, quase as acertando em questão de milímetros. Emma corria em direção ao cômodo de Rumple, mas este estava aberto e completamente vazio. Não podiam voltar aos convidados, mas acabaram por passar pela escadaria.
Emma voltou seu olhar aos convidados, um por um até cruzar com August. O rapaz as viu e logo correu ao seu encontro. Mas havia centenas de metros de distância, eles nunca chegariam a tempo. Rumpelstiltskin e sua noiva desciam as escadas principais e recebiam toda a atenção dos convidados, inclusive de Ruby. Quando o rapaz chegou aos primeiros degraus no final da longa escada, Emma entendeu que não daria tempo. Mais centenas de guardas avançavam a sua frente. Perto demais. Tempo de menos.
Rapidamente, Swan fechou os olhos e cobriu a mão livre sobre as orelhas. Um estrondo fez com que ambas parassem imediatamente. Regina envolveu os braços na cintura da loira e puxou-a para baixo.
“Vamos sair daqui!” Gritou Regina. Quando Emma abriu os olhos, pôde ver o estrago que tinha feito. Os guardas corriam de um lado para o outro, batendo contra si mesmos com seus corpos em chamas. Seus gritos agonizantes eram chocantes demais. Ela foi puxada por Regina para trás, contudo, mais guardas vinham para socorrer seus iguais.
“Precisamos sair daqui!” Afirmou Emma virando-se para Regina. Seus olharem no mesmo instante compreenderam o que isso significava: deixar Henry.
Rapidamente, Regina apertou os punhos de Emma e ambas fecharam os olhos, enquanto o caos se espalhava ao seu redor. De repente, uma névoa mista de turquesa e lilás cobriram seus corpos; transportando-as de volta para o palácio.
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