The Hidden Kiss

23 The Truth Between Us


Notas iniciais
Yaaay estamos na reta finalíssima! Esse é o penúltimo capítulo (sem contar as cenas extras). Pedi que tivessem paciência com a Regina, e continuo pedindo. Espero de coração que goste desse capítulo tanto quanto eu gostei de escrevê-lo. -[ATENÇÃO]- Nesse capítulo pode haver cenas impactantes de violência (e marcas de flagelação) explícita. Portanto, se você é sensível à isso não precisa ler. Ao final do capítulo será dado um resumo da cena. Boa leitura!

* * *

Emma Swan não permitiu que Regina a impedisse de seguir seu plano. Bem, ela não tinha um plano exatamente. Mas iria improvisando. Era o que fazia de melhor. Ela corria a todo vapor pelos corredores que pareciam não ter fim. Vez ou outra passava pelas servas hipnotizadas que sequer percebiam a rápida aparição da loira. Olhando brevemente por todos os cômodos, Swan procurava pelo seu amigo. Ele havia dito que estaria lá para ela, mas não poderia imaginar. Já descalça e sem parte de seu belíssimo vestido de penas, Emma demonstrava cansaço, mas não cogitava a possibilidade de parar.

“Não está aqui.” A voz soou em sua mente. A loira não parou de correr.

“Também não está aqui.” Repetiu. Emma sabia que a voz não era de sua cabeça, mas sim de Claude.

“Ah, ele também não estava ali.” Disse sua voz, fingindo decepção. Swan não conseguia vê-lo, apenas escutar seu grave e inconfundível tom.

“Eu sei quem você é!” Gritou Emma enquanto corria.

Então, o homem surgiu em sua frente com a mão erguida. O corpo da loira foi então arremessado para trás sem que atingisse em Claude. Emma tossiu fortemente por conta da colisão de seu corpo contra o chão.

“Prove-me.” Desafiou o homem.

“Eu vou.” Ela levantou, batendo as mãos sobre o vestido que há pouco tempo era branco. “Mas antes, você vai me dizer onde está Eros!” Exigiu. A risada esganiçada do homem fez Emma recuar com o estridente som.

“Nah, não vou lhe dizer onde meu brinquedo está.” Retrucou o homem. Swan estava perplexa. “A não ser que queira trocar com ele.”

“Eu sou protegida de Regina, ou se esqueceu?” Gabou-se. Contudo, Emma já não estava tão certa disso. “Diga-me onde ele está ou eu quebro o seu pescoço!” Claude deu um passo à frente, desafiando-a.

“O que acha que vai conseguir ao tê-lo? Acha que Regina se importa com o que acontece com Eros? Ou melhor, acha que Regina se importa com você?” Dizia o homem enquanto andava ao redor da loira. As palavras afetavam Swan, embora não demonstrasse. Os olhos azuis brilhavam à medida que o homem falava, tão satisfeito em causar o conflito quanto ao machucar Eros.

“Vou conseguir é me livrar de você ao provar que você é doente... Maluco!” Ela disse num sussurro. Claude sorriu com malícia.

“Ora, então você desvendou a charada.” Riu satisfeito. “Sabe quem eu sou? Divertido.”

“Sim.” Respondeu Emma comprimindo seus olhos. “Mas não compreendo o porquê está fazendo tudo isso.”

“Porque eu sou um leal súdito, e também aprecio uma boa diversão.” Deu de ombros, alargando seu sorriso grotesco. Swan deu um passo à frente.

“Então tem mais alguém por trás disso? Para quem você está trabalhando, Claude?” Questionou Emma, com fúria nos olhos. Claude avançou. Seus narizes já se tocavam. Ambos tentando demonstrar controle.

“Para quê cerimônia, chame-me pelo meu verdadeiro nome, Emma Swan!” Gritou Claude, enquanto seu corpo se esvaía como uma nuvem no céu ensolarado.

“Para quem você está trabalhando, Gato de Cheshire?!”

* * *

Snow White comprimiu seus olhos enquanto apoiava suas mãos da mesa arredondada. Charming ergueu sua espada, prestes a gritar um sonoro “não” e partir para o ataque, mas então Snow saiu de sua cadeira, enquanto andava em direção a morena.

“Feito.”

“O quê?!” Disseram em coro. Um sorriso de estendeu no rosto de Regina.

“Vejo o quanto mudou Snow White.” Provocou a temida ex-Rainha.

“Sabemos de seu paradeiro: o castelo de inverno de meu pai. A troca será feita no último dia de lua cheia.” Snow afirmou, ignorando os olhares e múrmuros desconfiados da assembleia.

“Querida, não podemos-” Charming já dizia, quando Regina o interrompeu.

“Fique fora disso, Príncipe. Meu acordo é com ela.” Retrucou a temida Rainha, fitando Snow. “Antes do anoitecer, quero Henry em meus braços ou-”.

“Ou o quê?” Indagou Snow.

“Eu a mato.” Respondeu. “E depois de sua inutilidade provada hoje em batalha, não será muito difícil para mim, acredite.” Assegurou, erguendo a ponta do dedo e tocando o queixo da atual Rainha. Snow não recuou, tinha seus olhos fitando os da antiga madrasta.

“Você não vai tê-la, Regina.” Sussurrou tão baixinho que mal pôde ser escutada. Regina sorriu com malícia. Seus rostos estavam perigosamente perto.

“Eu já tenho.” Sussurrou baixinho. “Temos um acordo, querida?” Perguntou com um tom ameaçador. Snow sorriu, mas sem humor.

“Sim, nós temos.”

E com a névoa voltando a cobrir todo o corpo da ex-Rainha, todos os convocados à assembleia relaxaram seus músculos. Contudo, não eram todos que estavam satisfeito com a decisão tomada.

“O que diabo aconteceu?” Exclamou Mulan levantando-se. Aurora pegou sua mão na tentativa de repreender a esposa, mas sabia ser inútil.

“Querida, tem certeza do que acabou de fazer?” Charming disse, antes que Mulan prosseguisse em sua fala. “Henry sequer está bem de saúde ainda. Não acredito que Regina tenha as mesmas condições que nós temos aqui no palácio.”

“Eu tenho ciência de tudo isso, David.” Retrucou Snow pensativa.

“Viu o que digo?” Cochichou Mulan à Aurora. Snow levantou-se da cadeira fitando principalmente a guerreira.

“Não entendem? Não faremos a troca.” Explicou a Rainha.

“E acha seguro traçar essa batalha com a Rainha?” Questionou Ella, fitando a amiga.

“Temos a armada mais que preparada para lidar com esta batalha. Regina não tem guarda suficiente. Pouquíssimos são aqueles que permaneceram no palácio após a cassação dela.” Snow argumentava, levando pausas pensativas. “Eu sou a Rainha. Espero que possa contar com ajuda de todos para acompanhar-nos.”

David deu-lhe um longo suspiro ao fitar o Rei Thomas, que também via a situação com o mesmo receio de Charming. Ella cochichou no ouvido do marido brevemente, antes de voltar-se para a amiga.

“Pode contar com a nossa armada.” Disse Ella com um sorriso compreensivo. Thomas assentiu, apoiando a decisão da esposa.

“Pode contar com a nossa também.” Aurora disse, apertando a mão da esposa.

“Tem certeza?” Mulan questionou baixinho. Mas a princesa sorriu assentindo. “Então tudo bem.”

“Mas não podemos ir à batalha sem estratégia. É preciso uma distração.” Granny finalmente comentou. Todos sentados à mesa se entreolharam hesitantes.

“Não se preocupem.” Ruby resmungou. “Eu vou ajudar.”

* * *

Claude — ou Cheshire– ergueu sua mão, que agora se transformara em uma verdadeira garra felina, no ar. Emma instantaneamente foi jogada contra a parede mais uma vez. O rapaz agora híbrido aproximou-se levando suas garras até o rosto da loira.

“Você não sabe há quanto tempo estive querendo fazer isso!” Exclamou Claude. Entretanto, antes que suas unhas perfurassem o rosto de Swan, Emma jogou-se contra o chão desviando de seu ataque.

“Qual o seu problema? Nos contos, você era mais amigável!” A loira gritou se afastando do homem. Seu sorriso aumentava cada vez mais, de forma não humana. Seus lábios pareciam se alongar à medida que seus olhos famintos se aproximavam de Emma.

“Com quem? Aquela maldita menina Alice?” Gritou Claude de volta. Tudo parecia tão surreal para Swan que mal podia acreditar que realmente estava tendo essa discussão.

“E alguém mais foi até Wonderland? Vocês eram amigos, não eram?” Perguntou Emma na tentativa de acalmá-lo, apenas o suficiente para chegar até onde quer que Eros esteja.

“Sim, um menino. Certamente, menos importuno e desprezível que tal menina Alice.” Respondeu Claude pensativo. “Mas aquela menina destruiu a soberania de minha Rainha, tornou o que ela chamava de Wonderland um caos.”

“Então é para ela que você trabalha? A Rainha de Copas?” Emma disse com um sorriso vitorioso. Claude abriu seu imenso sorriso, esbugalhando seus olhos azuis-turquesa.

“Você me lembra da menina Alice.” Disse ele, com um ar doentio. “A mesma petulância e a mesma curiosidade.” Acrescentou. O rapaz avançava contra Emma suavemente, seus pés e pernas iam desaparecendo calmamente, sem que ela percebesse até que só restasse sua cabeça. “Mas permita dizer-lhe uma coisa: a curiosidade matou o gato...”. E então apenas seu sorriso doentio.

Emma deu passos para trás, pois sabia que Claude ainda estava por lá. Ela esperou, esperou, mas apenas múrmuros longínquos do mesmo eram dados há metros de distância. Não hesitou em segui-lo, pensando que assim fosse a única maneira de encontrar Eros.

Quando o corredor passou a ficar mais estreito Emma percebeu que algo estava errado. O chão havia se tornado mais grudento e úmido, e várias armaduras abandonadas eram amontoadas em um canto, como se tivessem evacuado o lugar no último instante. Swan reconheceu o que estava logo a sua frente. A cela da qual esteve presa no dia que havia chegado. Rapidamente, Emma virou-se para percorrer o caminho de volta, mas logo a sua frente havia um rabo felino flutuando sobre o ar. Nele havia algumas listras roxas — que mais pareciam pintadas a mão. Quando o sorriso e os olhos surgiram, Emma sacou uma espada abandonada sobre uma das armaduras e apontou para o homem híbrido.

“Por que tanta fixação em nós?” Exclamou Emma, dando passos milimétricos adiante. Claude apareceu por completo, mas desta vez tinha orelhas, patas e um rabo felino.

“Há tantas explicações para isso, minha querida.” Sibilou ele, aproximando-se da loira. “Mas primeiramente: não é por você. Para ela, você é apenas um detalhe.” Disse Claude lambendo seu lábio inferior. “Um delicioso detalhe.”

“Ela quer Regina.” Emma resmungou incrédula, vacilando por um instante. E isso foi o necessário para Claude, que avançou contra a loira, imprensando-a contra a parede úmida. Swan sentiu as garras do híbrido arranhar seu pescoço, mas havia pouco espaço para reagir. Tudo que pode fazer foi manusear a espada, de modo que ela girasse contra o corpo de Claude.

O homem afastou-se com um grito animalesco, levando sua mão até a cintura onde a espada havia aberto uma grande ferida. Emma aproveitou a vantagem para correr todo o caminho de volta. Não ouviu o murmurar de Claude, que agora ela compreendia ser mais um ronronar. Quando virou em um minúsculo corredor, algo lhe chamou a atenção. Uma entrada mais estreita ainda com uma porta de latão. Swan sabia, por algum motivo, o que aquilo significava.

Emma deu a volta, retomando seu caminho de volta ao que ela conhecia ser o palácio de Regina. Sabia que poderia se arrepender amargamente disso mais tarde, mas tinha que avisar Regina. Salvá-la antes Claude avisasse a tal Rainha que ela o havia descoberto. A loira fez uma anotação mental de onde aquele mesmo corredor se localizava, pois ela voltaria para buscar Eros de lá.

* * *

Horas se passaram quando Regina se despedia da névoa que lhe transportara de volta ao seu palácio. O sol se encontrava no meio do céu. Era surpreendente o fato da armada de Snow não ter aparecido para fazer a combinada troca. Logo, a Rainha se lembrou de que precisava encontrar Emma novamente. Portanto, tratou de caminhar até a entrada dos fundos do castelo. Ela nunca era usada, pois os serviçais já não se preocupavam mais em não serem vistos ou não. Na verdade, nem Regina se preocupava mais. Pelo corredor inferior, Regina sequer segurava seu vestido ao andar pro ele. O chão pegajoso a fez se lembrar de quando encontrara Emma jogada ao chão com a costela fraturada, e ainda do modo em que a curou. De repente, uma porta de metal imprensada na parede lhe chamou atenção. Estava a poucos metros de si, e Regina percebeu que não havia outra saída se não voltar pelo caminho do qual ela havia acabado de percorrer. A porta de metal não pareceria nem um pouco ameaçadora se a Rainha não conhecesse o próprio castelo. Ainda mais sabendo que o lugar era usado por Claude.

Regina ergueu a mão sobre a porta, fazendo com que o encanto fosse revelado. A esverdeada névoa turbulenta que envolvia o metal tinha um único significado à morena. Era letal, ela sabia. Portanto, ao preferir não desafiar o feitiço do antigo aliado, Regina aparatou para sala adentro. O lugar era imundo. Era possível ver os animais repugnantes rastejando pelos cantos. Ela fitou a única fonte de luz naquele cômodo escuro: uma lareira. Contudo, a luminosidade das chamas estava sendo bloqueada por alguma coisa.

“Eros?” Regina chamou. Ela deu passos a frente. Havia uma cadeira de madeira robusta em frente às chamas, perigosamente perto do fogo. O pobre homem sentado a ela parecia estar fora do ar. A cena era deplorável. Um homem forte e musculoso como o cavaleiro, estava amarrado e amordaçado como uma criatura frágil e quebrável. Seus olhos entreabertos deixavam escapar uma lágrima vez ou outra. O homem estava nu, e os ferimentos expostos a moscas e vermes. O cheiro se tornava pior à medida que Regina se aproximava.

“Pelos Céus...” Ela resmungou.

Rapidamente, Regina puxou a cadeira para fora longe da lareira, onde poderia visualizar melhor o que fazer. Tudo que podia pensar era em Emma. Ela não poderia deixar Claude ter ido tão longe. O sangue abaixo do homem indicava que ele havia sido violentado há poucas horas.

“Vamos lá, Eros. Acorde. Agora!” Ordenou Regina. Mas o cavaleiro sequer moveu o peito pela respiração fraca.

Regina pôs a mão sobre os pulsos do homem, soltando as amarras com sua magia. Eros subitamente caiu nos braços da morena. A Rainha pegou um dos braços do rapaz e ergueu-o sobre seu ombro.

“Emma...” Resmungou Eros. Regina arqueou a sobrancelha, mas impediu que se deixasse levar pelo ciúme. “Salve-a.”

Eros estava congelando, as feridas em seu corpo não cessavam o sangue. Ele morreria por perda do mesmo, ou por alguma infecção mais cedo ou mais tarde. Portanto, tudo que Regina podia fazer era transportá-lo dali. A névoa passou a sair daquele imundo chão. Mas ela os envolvia com lentidão. O homem ergueu a cabeça e sussurrou novamente:

“Salve Emma”

Só então, quando a névoa os deixara no corredor do castelo, que Regina compreendeu que o recado não era para a loira e sim para ela mesma. Ela quem deveria salvar Emma. De Claude.

“Não posso deixa-lo aqui, ela não me perdoaria.” Resmungou Regina, pondo-o no chão. A Rainha o pôs de lado, de modo que não fosse obrigada a olhar sua genitália também flagelada. Sua mão percorreu dos ombros até a cintura do cavaleiro, mas a magia não seria rápida o suficiente. Curava apenas os ferimentos mais superficiais.

“Merda, merda...” Regina levantou, desesperada. Definitivamente não poderia deixa-lo morrer. Emma não suportaria tal perda. Ela já iria machuca-la o suficiente ao efetuar a troca, mais isso seria demais. De repente, uma ideia lhe surgiu.

“Eros... Eros!” Regina chamou, segurando o rosto do rapaz. Ele abriu o máximo que conseguia de seus olhos, encarando os achocolatados da Rainha. “Você me foi muito útil, sou grata por isso.” Ela introduziu. Subitamente, o rosto do homem tornou-se contente. Um sorriso fraco e genuíno brotou em seus lábios secos. “Agora, concedo-lhe sua liberdade.”

Foi quando a Rainha se afastou, deixando que a luz lilás cobrisse o homem por inteiro. Ela se afastou o suficiente para ver a maldição ser retirada do pobre rapaz. E ao passar de longos segundos, a luz embaçou-se até denunciar o lobo cinza.

Regina aproximou-se novamente, acariciando o pelo do animal. Ela deixou que sua magia irradiasse pelo lobo até que a maioria das feridas fosse curada, para finalmente deixá-lo ir.

“Está livre.” Ela resmungou afastando-se. O lobo ainda estava fraco demais para levantar-se, então tudo que pode fazer foi latir baixinho como um agradecimento e lançar um olhar que Regina saberia como interpretar. Precisava encontrar Emma.

* * *

Emma virou-separa trás com a espada em punho preparada para um próximo ataque. Entretanto, não havia ninguém a seguindo. Swan diminuiu seu ritmo a fim de descansar apenas o suficiente para voltar à correria. Apoiou as costas sobre o parapeito da janela, seu peito subia e descia com sua respiração ofegante. Seu pescoço ardia tanto que depois de certo ponto, mal chegava a sentir alguma coisa. O sangue que escorria já havia secado em sua maior parte e manchado o vestido antes branco.

Ela olhou o terreno ao redor do castelo. A grama não estava mais queimada ou seca como no dia que chegaram à Floresta Encantada. Era como se a terra estivesse apenas à espera deles para que se regenerasse. Longinquamente, Emma podia ver uma das maiores do castelo onde ela ficara as primeiras semanas. Estava muito longe, mas lá estavam as bandeiras vermelhas erguidas. Isso só podia significar uma coisa: uma guerra estava prestes a ser iniciada. Swan sabia que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde. Entretanto, havia tanta coisa a ser feita antes que partissem de volta para Storybrooke. E isso incluía pegar Henry e salvar Eros.

Emma respirou profundamente, se preparando para correr novamente. Contudo, quando virara, constatou o homem a sua frente. O Claude híbrido a sua frente a encarava com a mão imprensada na própria cintura enquanto a outra mão segurava um pedaço comprido de ferro. O sangue que expelia de sua pele agora era menor, mas mesmo assim continuava a escorrer. Seus olhos felinos tinham a pupila como uma única triangular faixa negra, e suas íris o turquesa cintilante. Ela nunca pensou que Cheshire poderia ser tão aterrorizante.

“Pensei que tivesse desistido, Chesh...” Emma provocou, manuseando a espada em mãos.

“Pensei que não fosse tão ingênua assim...” Sibilou antes de ataca-la. Emma desviou rapidamente, voltando a correr pelos corredores principais. Uma hora ela chegaria até Regina. Vez ou outra lançava a espada para trás, temendo que o homem estivesse perto demais. Contudo, após alguns minutos de correria ela não ouvia mais os passos de Claude.

“Tudo bem, você quer lutar? Que seja!” Swan exclamou parando bruscamente. Ela fitou todo o lugar ao seu redor, virando em círculos. Mas ele não estava lá. “Chega de brincadeira! Apareça!”

Quando algo deslizou sobre suas costas, Emma teve de lembrar a si mesma novamente sobre as habilidades do híbrido. Ela olhou para cima. Claude estava recostado sobre o teto com a calda anormalmente mais longa. De repente, a calda listrada se enrolou no pescoço da loira e então, o homem caiu sobre Emma.

Swan comprimiu os olhos sentindo a dor se instalar sobre seu corpo. Ela abriu os olhos vagarosamente na tentativa de entender o que havia acabado de acontecer. Claude sobre seu corpo, mas algo havia acontecido. Sangue pingava de seus lábios, mas o sorriso doentio não saía dos mesmos. Ele caiu segundos depois ao lado da loira, revelando a espada cravada em sua barriga. Emma sentiu seus dedos formigarem a medida que soltava a espada. Ela tentou levantar, mas a dor era forte demais.

“Eu posso morrer aqui... Mas não vou sozinho...” Claude gemeu, segurando o pulso de Swan com as mãos ensanguentadas. Só então Emma notou aquele pedaço de metal afundado em seu próprio baço. Ela tentou segurá-lo com suas mãos trêmulas, mas não tinha força suficiente para tirá-lo, estava muito a fundo.

“N-Não...” Emma gemeu, arrastando-se para longe do homem. “Eu não posso morrer aqui”

“Não se preocupe... Regina também morrerá.” Disse ele, segurando a espada com força. Suas mãos abriam feridas em si mesmas enquanto puxava a lâmina para fora de si. Emma sentou-se com as costas na parede, segurando o ferro com ambas as mãos.

“Não... Eu vou conseguir salvar Regina” Gemeu ela. “Vou conseguir reaver minha família.” Continuava dizendo a si mesma. “Nós seremos uma família.” O grito estridente e alto escapou de suas cordas vocais quando usou toda sua força para tirá-lo de lá.

Assim que Emma jogou o ferro para longe de si, apoiou suas mãos ensanguentadas para conseguir se levantar. Ela deu uma última olhada em Claude. Ele não sobreviveria. A poça de sangue fazia um círculo ao seu redor que aumentava cada vez mais. Cheshire a fitou de cima abaixo, seu corpo começou a desaparecer.

Emma começou a correr com a espada em mãos enquanto sua mão livre tentava tampar a saída descontrolada de sangue em seu baço. Ela olhou para trás, mas só o que restara do homem híbrido eram seus olhos e seu sorriso — que agora se tornavam opacos e sem cor.

* * *

Regina estava no primeiro andar do castelo quando viu uma poça de sangue no meio do corredor. Seu coração começou a palpitar. Um aro de ferro, completamente ensanguentado também marcava o chão a metros de distância. Aquela quantidade era certa para matar alguém. Mas não havia corpo. O rosto da Rainha foi tomando cor, sua aflição fazia suas mãos tremerem. Mal podia perceber que já corria a procura da loira. Gritava seu nome o mais alto que podia. Seus saltos eram tão barulhentos quanto sua voz. Regina só parou de gritar quando se deparou com a silhueta a metros de distância de si. A loira com os joelhos dobrados, prestes a cair ao chão, mas segurando com firmeza a parede. Ela estava ferida. O trajeto todo estava marcado pelas gotas de sangue no chão.

“Emma!” Regina gritou correndo até ela. Swan ergueu a cabeça virando-se bruscamente. A morena estava rápida demais para parar. Emma ergueu os braços envolvendo o pescoço da morena e apertando-o suavemente, de modo que seu rosto afundasse no ombro da Rainha.

“Pensei que tivesse te perdido... Pensei que ela tivesse pegado você...” Gemeu Swan. Regina acariciou o cabelo desgrenhado da loira. “Merda Regina, onde você estava?!”

“Perdoe-me.” Resmungou apertando Emma em seus braços. “O que aconteceu?” Ela perguntou, segurando o rosto da loira ao afastar-se. “O que aquele filho da puta fez com você?”

“O que ele queria há muito tempo.” Emma respondeu com um sorriso torto. “Me apunhalar.” Apontou para a mancha em seu vestido. Regina prendeu o fôlego por um minuto, não ousou tocar na ferida, mas podia ver que era grande.

“Eu vou mata-lo.” Regina resmungou, observando Emma.

“Acho que eu fiz isso.” Disse. A Rainha arregalou os olhos, surpresa. “Ele é o Gato de Cheshire.” Emma prosseguiu. Havia tanta coisa a ser dita, que se perguntava se elas teriam tempo para tanta conversa. Mas Regina parecia ter a reposta na ponta da língua. Seu olhar não fitava mais a loira, e sim na janela atrás de Emma.

“Precisamos ir.” Disse a Rainha alarmada. Regina segurou-a pela cintura, enquanto Emma a envolvia pelo ombro. Metade do peso de seu corpo era a morena quem carregava, mas Swan se sentia tão bem ao ver a cautela de Regina com ela, que não se preocupou muito.

Regina carregou Emma até a sala do final do corredor. A porta era cheia de símbolos e desenhos que a loira desconhecia. A morena deitou a loira em seu colo. Swan sorria genuinamente enquanto recebia os cuidados da morena em seu ferimento. Regina isolou a pele machucada, dando-se por satisfeita. Era só o que podia fazer por ora.

“Por que está sorrindo para mim?” Perguntou Regina.

“Eu te amo.” Emma sibilou. Seus olhos estavam prestes a se fechar.

“O quê?! Não seja estúpida, Emma. Você me odeia.” Regina lembrou, desviando o olhar. Mas a loira não parecia se importar.

“Quando eu pensei que fosse te perder, vi que era por isso que eu precisava saber de você quando eu cheguei aqui.” Ela prosseguiu em sua fala. “Eu já amava você.”

“Você perdeu muito sangue, certamente não sabe do que está falando.” Disse Regina, mais para si mesma o que para a loira.

Emma ergueu-se no colo da morena, deitando sobre o ombro da mesma. Regina sentiu seu corpo tremer com o toque. Ela fitou o rosto de Swan até chegar aos lábios. Lá estava o beijo escondido tão discreto que mal se via. Emma a olhava nos olhos. Aquelas imensas íris esmeraldas nunca pareciam brilhar como naquele instante.

Swan ergueu a mão até o rosto da morena, puxando-o suavemente até o seu. Regina não via seu corpo movimentar, era como se tudo ao seu redor tivesse congelado. Ela viu a loira fechar os olhos e não pôde evitar fazer o mesmo. Quando seus lábios se tocaram foi como se o mundo parasse por mais alguns segundos, tornando aqueles milésimos infinitos. Emma entreabriu a boca, dando mais movimentação ao beijo. Sua mão descera até o pescoço, puxando-a mais para perto.

Regina parecia estática, ela viu sua mão cobrir a mão pálida da loira, sem entender porque faziam, mas sem se arrepender um segundo sequer. Emma abriu um sorriso genuíno, sem parar o beijo, mas Regina não. A lágrima que fugia dos olhos da morena antecipava a dor que viria a seguir.

“Emma, não...” Gemeu Regina, parando o beijo e apoiando sua testa na da loira. Emma abriu os olhos com preocupação. Mais lágrimas caíam do rosto da morena. Swan acariciou o rosto de Regina, procurando o motivo do pranto. “Eu vou estragar tudo novamente.” Foi quando um estrondo fez o palácio inteiro tremer. “Eu já estreguei.”

Notas finais
Resumo para quem não se sentiu confortável em ler: Regina encontra Eros mutilado e a beira da morte, não pode salvá-lo com magia e desfaz a maldição colocada sobre o cavaleiro, tornando-o lobo novamente. Reviews? O que acharam do Claude?!?!?! Já sacaram quem é a mulher, claro. E SQ?? Ai que amor...