Notas iniciais
Para aqueles que acharam que tudo iria acabar assim de uma hora para outra, cá estão minhas condolências. E se eu fosse o Claude, diria para não acreditarem em tudo que vêem. É aqui que começo minha despedida, mas tenho certeza de que não será por muito tempo. Sejam gentis comigo, e com o Eros, no final de tudo. Boa leitura.

* * *

Regina levantou-se ainda de mãos dada a Emma enquanto ambas corriam até uma das janelas. A noite havia caído e a lua cheia dava à floresta um brilho macabro. Swan prendeu a respiração ao deparar-se com o que vira a quilômetros de distancia, diante a entrada do castelo.

“Regina... O que significa isso?” A voz trêmula da loira a olhou de modo cúmplice.

A armada do reino White cercava o palácio inteiro. Quilômetros de soltados vestindo armaduras brancas com emblema de leão eram possíveis de ver. Emma estava fraca demais, apoiava-se na morena para conseguir se manter em pé. Seu curativo feito às pressas em pouco tempo não adiantaria mais de nada se não fosse cuidado corretamente. Swan apertou a mão da morena, cobrando-lhe uma resposta. Regina não a satisfez com seu silêncio, e apenas observou a armada parar diante do castelo. Lá estava Ruby em frente aos soldados e a carruagem real que faria a troca ansiada pela Rainha.

“Ruby cumpriu com sua palavra. Veio na última noite de lua cheia.” Regina sibilou. Red a havia traído, pensou Emma, levando os soltados de Snow até seu refúgio. Mas elas ainda podiam ir embora, porém, sem Henry.

“O que vamos fazer? Fugir?” Emma perguntou com a voz embargada.

“Não faremos nada.” Disse simplesmente, sem lhe olhar nos olhos. Emma estava perplexa. Sem reação. Precisavam correr. Estavam em perigo. De uma forma ou de outra. Da Rainha de Copas — que a identidade ela desconhecia — ou de Snow White — sua mãe. A voz de Regina tranquila, porém pesada, não lhe transmitia uma boa sensação. De modo algum. Ela decidiu seguir o olhar da Rainha, em direção a Snow que liderava, junto a Ruby, a tropa. A atual Rainha então encheu os pulmões a fim de iniciar a sua fala.

“Estamos aqui.” Gritou Snow, sem saber quão nítida e claramente estava sendo ouvida pelas duas. “Prontos para cumprir nosso acordo.” Emma fitou Regina. Sua expressão só afirmava seu temor. “Traga-nos Emma de volta ou destruiremos seu refúgio.” Ameaçou. Emma não mais ouvia a própria mãe. Apenas mantinha os olhos fixados nos achocolatados da mulher que confessara amar há pouco tempo.

Regina segurou as mãos da loira e a névoa em torno de ambas passou a envolvê-las, até que a sensação de flutuação terminasse.

No meio de lanças apontadas e do inconfundível som da marcha dos soldados que se acumulava, Regina apertou a mão de sua companheira dentre a armada da maior inimiga desde que se lembrava. Emma estava atordoada demais para protestar, e a ilusão que mantinha sobre ser a protegida da Rainha ainda lhe dava esperança de poder confiar nela. Mas a sensação de proteção logo se esvaiu quando deu de cara com os olhos esmeraldas de Snow White, que parecia não notar a própria filha ali, mais uma vez. Regina não largou a mão de Swan por um segundo sequer, impôs seu melhor sorriso provocador aos lábios e encarou a mulher que lhe roubara tudo.

“Cumpra com sua palavra.” Disse Regina à Snow. Emma fitava o olhar que a ex-Rainha insistia em fazer. O de fria, superior e inatingível. No fundo, Swan sabia que podia existir alguém clamando por ajuda. Mas acreditar nisso tornava-se a cada segundo mais difícil.

“Acha que depois de tudo posso confiar em sua palavra?” Retrucou Snow. Emma sentia seu peito arder de raiva, e embora a dor física fosse gritante, a indignação que a consumia era ainda maior. Snow ergueu a mão a um dos guardas e os mandou aproximar a carruagem. “Ele está ali. Mas, como vira no casamento, seu estado de saúde não é o dos melhores.” Acrescentou friamente, como quem falasse de qualquer animal, e não do próprio neto. Aquilo fora demais para Swan aguentar.

“O QUE É ISSO?!” Gritou Emma com a força que lhe restava nos pulmões. A raiva e a dor lhe davam mais combustível para prosseguir: “Além de estarem decidindo a minha vida, sou uma moeda de troca?!”.

A frase servia para ambas as mulheres que barganhavam sua liberdade, mas somente Regina fora capaz de lhe dar algum indício de ter ciência de sua presença ali. Snow White não a olhou. Seus olhos vidrados estavam fixados nos de Regina. Emma não se dignou a estudar a expressão da mãe, mas sabia que havia algo além de instinto materno e a necessidade de ter de volta a filha querida. Regina apertou o pulso de Swan, querendo dizer alguma coisa, mas a loira não lhe deu crédito e muito menos atenção.

“Vocês estão me trocando pelo Henry? É isso mesmo?” Emma continuou a gritar, e só pararia até que alguém lhe esclarecesse alguma coisa. “Você concordou com isso?!” Indagou à Regina.

“Foi ela quem teve a brilhante ideia.” Disse Snow White, como quem esperasse pela pergunta certa para se manifestar. Um sorriso satisfeito e frio brotou no rosto da atual Rainha. Emma se calou imediatamente.

A dor que invadiu seu peito a deixara sem chão. Havia dito lhe amava há instantes atrás. E de fato, ela amava. Da maneira torta e sem jeito que Emma sempre amou àqueles tomavam lugar em sua vida. Ela soltou o pulso de Regina instantaneamente, sentindo-se perdida — e, além de tudo, traída. Seu olhar fitava o rosto da morena, que olhava para ela pela primeira vez nos últimos minutos. Emma não sabia mais distinguir o olhar que a morena lhe dava, talvez fosse arrependimento, ou quem sabe constrangimento por tê-la ouvido dizer o quanto a amava. A mente de Regina estava em outro lugar, embora os olhos castanhos fitassem o seus olhos esmeraldas.

“Você iria sem mim?” A voz de Emma saíra tão baixo quanto um gemido. Seu tom magoado soava patético para si mesma.

“Chega dessa atuação, Regina. Temos um acordo.” Snow White exclamou, impedindo que a filha prosseguisse. “Dê-nos Emma, e tudo estará resolvido.”

Subitamente, Regina reagiu como ninguém esperava. Sua risada gélida fez com que todos recuassem um passo, pois sabiam o que viriam a seguir. Ela encarou a carruagem com deboche.

“Você já foi melhor nisso, queridinha.” Disse Regina dando um passo à frente. Snow engoliu seco. “Mas confesso, você foi ousada.”

“O que há agora?” Protestou Snow, sínica. Então o sorriso da Rainha sumiu, dando lugar à fúria.

“Onde está Henry?” Gritou Regina. “VOCÊ NÃO O TROUXE!” Urrou.

Snow deu um passo para trás, erguendo a mão para os soldados. Emma sabia muito bem, assim como Regina, o que aquilo significava. Nem foi preciso ler os lábios da mãe para entender que era uma ordem de ataque.

O que veio a seguir fora tão rápido que Emma não teve tempo de assimilar. Ela viu um pequeno vulto dentre os soltados antes que as armas fossem apontadas para ambas. Algo que a agarrou com força, impedindo ser vítima da primeira flechada de aviso. Quando deu-se conta de onde estava, já se via em um lugar diferente; com Regina apertando-lhe a mão, a névoa ao seu redor, e August ensanguentado.

* * *

Regina foi lançada contra a parede com violência para o extremo oposto em que a loira também era jogada. Com a pressa e urgência feita na fuga, o feitiço usado para aparatar além de ricochetear, acabou assumindo mais que elas duas. A sala que foram lançadas era a enorme sala de espelho, onde ficava a rota de fuga de Emma e Regina para casa. Não havia adentrado lá desde a quebra da maldição. Havia o espelho retangular que permanecia recostado a parede desde a primeira vez que fora usado, ele era maior do que si própria. A Rainha lembrava-se muito bem daquela armação, daqueles cacos colados uns aos outros. A memória lhe afligia. Tanto de um modo quanto de outro.

Emma abaixou a cabeça como instinto, pois sabia que seria o ponto mais frágil e o mais provável de sair ferido em tal queda. Contudo, sua ferida aberta não saíra ilesa. O curativo improvisado de Regina havia saído e o sangue voltava a pingar de si. Emma apertou a própria bacia, ignorando a intensa dor, com o objetivo de cessar o sangue. Ela fechou os olhos, até sentir-se melhor para levantar.

“Você está bem?!” Perguntou Regina com urgência. Emma recusou-se a responder. A morena sentindo o corpo exausto se ergueu e correu até a loira. “Você consegue levantar?” O tom de preocupação só fazia Emma se revoltar ainda mais. Regina ergueu as mãos para que ela se levantasse, mas ao fazê-lo, sua reação não foi a mais esperada.

A ex-Rainha sentiu a ardência imediata no rosto. Emma afastou-se da morena com passos curtos — o que de nada adiantara. Todavia, a morena não revidou. Sequer reagiu. Seu corpo parecia ter sido congelado.

“Sua ferida abriu novamente. Deixe-me cuidar de você.” Pediu Regina com um sussurro. Emma continuou a andar em direção ao terceiro que também fora afetado pela névoa. August estava deitado no chão do castelo, a flecha enterrada em seu ombro era a prova do amor fraterno que ele sentia por Swan.

“Você não vai tocar em mim.” Emma esclareceu seca. “Se quer ser útil, ajude-o.”

Regina não hesitou a fazê-lo. Ela andou até o homem, espantando-se por estar acordado. Quebrou a flecha apenas o possível para minimizar a dor ao retira-la. Regina sabia que não estaria envenenada, pois o alvo poderia ser — possivelmente — para Emma.

Swan, por sua vez, acompanhava a tudo com intensa confusão. Não conseguia compreender os motivos de August, muito menos as mudanças inexplicáveis de Regina. E uma parte sua não queria mais entender. Ela virou as costas, evitando olhar à dor nos olhos do homem que daria a vida para protegê-la, e que talvez nunca pudesse sentir o mesmo de quem a considerava irmã. Emma não tinha família. Aceitar August era além de sua capacidade.

“Segure firme.” Sussurrou Regina, em um aviso. O homem fechou os olhos e respirou fundo. Sendo assim, a Rainha arrancou-lhe a flecha sem mais delongas. O grito estridente chegou aos ouvidos de Emma como um alarme.

Um tremor intenso atingiu toda a estrutura do palácio. Não era nenhuma novidade. Eles poderiam invadir a qualquer momento o castelo e arrancar Emma e August de lá, alegando estarem mantidos presos pela terrível Rainha Má. As balas de canhão que eram fortes o bastante para fazer o chão tremer — e destruir o castelo. Contudo, Swan viu seu campo de visão se preencher com uma imagem nunca vista antes.

A mulher era hipnotizante, seu vestido longo e vermelho causava a impressão de ter acabado de sair de um baile. Talvez a mesma imagem que Emma estaria se não fosse pela luta e pelo sangue. Os olhos da mulher se assemelhavam a outras íris achocolatadas, contudo, naqueles não havia um brilho qualquer. Frio e seco era seu olhar, sem alma. Seus lábios cor de carmim faziam com que uma melodia sem letra se formasse na mente de Swan. Em poucos segundos, Emma sabia exatamente quem era logo a sua frente.

“Regina...” A voz rouca da loira chamou pela Rainha ocupada. Regina não respondeu, ainda focada na ferida do homem. “Re-Regina.” Ela insistiu cada vez com menos certeza.

Quando Regina sentiu finalmente a fraqueza na voz de Swan, virou-se rapidamente. A imagem não lhe permitia fazer questionamento algum. Não podia ser. Não podia.

“Ora, ora... Não é assim que se deve ser feito... Será que terei de ensinar tudo a você, Regina?” A voz gélida e extremamente familiar para a morena fez com que seu coração parasse por longos segundos.

“Mãe?” Sua voz saiu fraca e frágil.

Era coisa demais para Emma. Seu olhar cruzou-se com o de Regina. Não precisou dizer nada para que Emma compreendesse a mensagem, mas ao contrário do que a Rainha desejava, ela sacou a espada e apontou para a mulher de lábios cor de carmim.

“Regina?” Emma repetiu, como quem perguntasse o que fazer. No entanto, assim como Swan, Regina não sabia como reagir.

Cora Mills ergueu o braço fazendo com que o corpo da loira sofresse o impacto contra a parede, certificando-se que ela continuaria lá durante algum tempo. Em seguida, a mulher deu passos até a filha, fitando-a de cima abaixo.

“Pensei... Pensei que estivesse morta.” Balbuciou boquiaberta.

“Bem que eu gostaria de estar, depois de vê-la com essa... Com essa medíocre princesinha.” Cuspiu, lançando um olhar de desprezo à Swan. “Mas eu posso dar um jeito nisso.” Portanto, Cora apontou seu punho para Emma, contraindo os músculos da mão e fazendo com que ela perdesse cada vez mais o fôlego. Já estava fraca por conta do ferimento aberto, e agora sofria um novo ataque.

“Não!” Gritou Regina avançando na mãe. Cora fora rápida, prevendo o ataque da filha, e a afastou de si — deixando Emma de lado.

“Será que você é realmente incapaz de fazer algo certo, Regina?” Exclamou a Rainha de Copas. “Eu já concertei você uma vez, quando sucumbiu aos encantos daquele garoto do estábulo. Posso concertá-la de novo!”

Regina foi obrigada a levantar-se antes fosse atacada novamente. Ela se preparava, mas sabia que sua mãe era incrivelmente mais forte. Enquanto encarava os olhos vazios de Cora, Regina sentia a estrutura tremer ao seu redor. Se não morresse nas mãos da própria mãe, morreria no desabamento daquele palácio.

A Rainha fitava o espelho logo atrás de si quando, em milésimos de segundos, percebeu o que Cora pretendia com tanto fingimento. Atrás do semblante gélido da Rainha e Copas, flutuava os detalhes faciais de seu fiel escudeiro. Como sempre, primeiro o sorriso e em seguida os olhos. Regina conseguiu ouvir um cantarolar emitido da boca flutuante.

“Você quer se vingar, não é?” Regina disse após recuperar-se do choque. “Mandar-me para Wonderland. Prender-me lá.” A risada da mulher lhe arrepiava a espinha.

“Minha querida, vejo que não burra de completo.” Comentou, dando um breve olhar cúmplice ao amigo que surgia ao seu lado.

“Eu não tinha te matado, seu filho da puta?!” Gritou Emma, ao ver Claude aparecer com seu imenso sorriso. O homem riu brevemente e encaminhou-se até a loira.

“Terá de fazer melhor.” Sussurrou, embora fosse claramente ouvido por todos.

“Regina, querida, acha mesmo que uma mãe faria isso com a própria filha?” Cora fingiu desapontamento. A morena continuava firme, lutando para não despencar do muro que conseguira construir sobre seus sentimentos.

“Faria pior.” Disse a filha. “Matou quem eu mais amava. Mas isso não vai acontecer de novo.”

“Não?” Retrucou. “E quem você ama agora? Ela? Poupe-me.” Cora deu as costas à loira, deixaria para mata-la mais tarde, enquanto isso deixaria Cheshire se divertir um pouco. Em passos lentos e calculistas, ela aproximou-se da morena. “Eu sei quem você realmente ama.”

“Sabe?”

“Meu querido neto.” A resposta fora rápida e provocara um silêncio medonho. Emma calou toda a força usada para sair daquela parede. “Não achou que ele adoeceu naturalmente, achou?”

“Foi você. Você envenenou seu próprio neto?!” Emma gritou. “Qual o seu problema?!”

“E-Eu sei que eles conseguiram encontrar uma cura.” Regina resmungou receosa. Não poderia agir sem ter certeza, embora já soubesse que o adoecimento do filho era proposital. “Ele irá melhorar.”


“Assim como a querida Eva, não é? Eles também disseram a mesma coisa, e veja como terminou? Você ocupando o lugar da Rainha.” Lembrou-a. “Graças a mim”.

“EU NUNCA QUIS NADA DISSO!” Regina esbravejou, erguendo os braços e enviando uma densa camada de fogo em direção à mãe. Cora desviou com facilidade.

“Não me importa o que você quer.” Deu de ombros. “Mas o que eu vim fazer aqui, depois de ver o seu fracasso lamentável, é oferecer-lhe o lado vencedor.”

“E você é o lado vencedor?” Regina desprezou. Emma manuseava a espada, de modo que conseguisse cortar o laço entre a magia que a prendia e a parede, no entanto, sem muito cuidado, acabou deixando-a escapar de suas mãos.

“O que acha que vai acontecer se vocês saírem vivas daqui?” Cora frisou, fitando Emma. “Querida Snow irá ter sua filha de volta, mesmo que a força. Você será condenada. Eles viveram uma linda e perfeita família com Henry e sem você.” As palavras afetavam Regina com uma facilidade assustadora.

“Não é verdade!” Gritou Emma. Cora virou-se brevemente para a loira, imprensando-a cada vez mais.

“Calada!” Gritou, voltando a filha. “Sabe que estou certa. Essa princesinha se esqueceria de você, assim como seu filho, em poucos dias. Isso se não lhe sentencia-la a morte.”

Regina balançou a cabeça, afastando o pensamento tortuoso de sua mente. A ideia de ser esquecida pelo próprio filho lhe amedrontava mais que a morte, pois saberia que não haveria nada depois disso. Sem paraíso, sem inferno, apenas a escuridão e o esquecimento.

Emma relutava a permitir que Regina caísse na armadilha daquela cruel Rainha de Copas. Claude que antes brincava com o poder nas mãos, agora se divertia com August semiconsciente.

“Você está acabada Regina.”

“Tem razão.” Sibilou a Rainha. “Meu filho adora esse lugar. Ficaria infeliz ao meu lado, mesmo se eu o forçasse a vir comigo. Snow me mataria no segundo após minha prisão. E... E Emma...” Ela olhou para a loira, que a encarava com um olhar de suplício. “Se esqueceria de mim.”

“Não me resta escolha...” Regina abaixou a cabeça, dando passos em direção à mãe. “A não ser acabar com você também!” Gritou, fazendo com que uma pequena explosão fizesse Cora cair sobre Claude.

Regina, embora abalada com o impacto de sua magia, correu até a loira e a ajudou a se libertar. O homem híbrido já ia com toda a energia, segurando a espada contra as duas. No entanto, Regina ouviu os passos estalarem atrás do homem. O enorme lobo cinzento agora lutava contra o híbrido de gato e humano. Claude tentava enrolar seu rabo ao pescoço do cão, pois assim seria fácil quebra-lo. Mas Eros era forte quando em sua forma original, lhe acertava patadas no rosto e o arranhava com agilidade. Emma agarrou-se a Regina, perplexa com a cena. Não precisou de confirmações para soubesse que aquele lobo era o seu fiel amigo.

Entretanto, Regina não tinha tempo para admirar a morte do antigo aliado. Ela via sua mãe partir em sua direção, mas fora impedida pelos braços de August que a prendiam para trás. Swan não sabia o que pensar, temia ver os amigos mortos por sua causa.

“Precisamos fugir!” Gritou Regina à loira.

Mas foram lentas demais, pois Claude em um ataque rápido, subiu sobre o lobo e cravou a espada em seu pulmão. August não conseguiria prender a Rainha de Copas por muito tempo, pois também estava fraco. Mas ao sentir o aperto de Emma em seu pulso, Regina criou uma bola de fogo que atirou sobre o híbrido. Swan correu até o lobo, na desesperada e inútil tentativa de ajudar seu fiel amigo. Já a Rainha, determinada e consumida pela raiva, segurou Claude abatido e simplesmente segurou sua cabeça. Claude tinha parte de seu corpo ainda em chamas, mas não o suficiente para queimar Regina também. Pela primeira vez, a Rainha se viu superior ao antigo aliado. Sua vida estava em suas mãos, ele a havia traído — tocara em Emma, machucara-a. Mas além de tudo o que o homem havia feito, ele guardara o segredo sobre a tortura do lobo. Quem lhe havia concedido permissão de usá-lo, machuca-lo e mata-lo. Claude sabia e ela não poderia deixar que Emma soubesse.

Quando o híbrido retomou a consciência, lhe lançou um olhar de suplício. Pela primeira vez, ele era a vítima. Portanto, sem hesitar, Regina abriu metade do sorriso doentio da qual ele se orgulhava em expor, e torceu com suas mãos o pescoço do velho amigo.

* * *

Emma praticamente se jogou sobre o lobo com a tristeza melancólica estampada no rosto, ela acariciava o amigo com tanto desespero que mal percebia sua agressividade. Os olhos de Eros refletiam sua verdadeira forma, o ser mais puro e corajoso que Emma jamais conhecera. Pela primeira vez, ela via suas verdadeiras íris: a vermelha e a outra cinza. Mas o que mais lhe tocava era a gentileza e o suplício unidos em seu olhar. Ela juntou toda a força e coragem para retirar a espada do corpo do pobre amigo e a jogou não muito longe de si. Não poderia fazer o que o amigo lhe pedia, seria incapaz.

Regina deixou o corpo sem vida de Claude cair ao chão, e evitou olhá-lo muito. Seu olhar pairou sobre Emma, e em como as lágrimas se formavam em seus olhos. Rapidamente, Cora soltou-se de August e avançou nas duas. Regina pôs-se na frente da loira, e rebateu o ataque da mãe de maneira que se formasse um escudo em frente a elas.

“Emma!” Gritou Regina, mas a loira estava fora do ar. “Emma, você vai ter que fazer isso!” Swan a olhou subitamente, como se a morena pudesse ler seus pensamentos. “Você sabe que é o certo a se fazer.”

“Não! Eu não posso!” Gritou de volta, com a voz trêmula e apavorada. “Eu não posso mata-lo.”

“Se deixa-lo aí, seu destino será pior que a morte.” Regina tentava convencê-la, mas Cora mais uma vez estava prestes a destruir seu campo de força. “Lembre o que eu ensinei a você! Você pode fazer isso!”

“Você não me ensinou a fazer isso!” Ela suplicou, olhando para o amigo. Eros ganiu de modo fraco, esticando a pata até a coxa da loira. Ele tentou levantar a cabeça, mas a dor o impedia e se mover muito.

“Emma!” Regina apressou.

Emma segurou a respiração que lhe restava e aproximou sua mão trêmula do peito do cão. Regina não lhe ensinara nada daquilo, mas lhe ensinara a focar seus sentimentos em um ponto crucial. Ela fechou os olhos e seguiu os instintos, enfiou sua mão no peito do amigo e tateou o órgão mais delicado e pulsante.

“Perdoe-me.” E então, ela retirou o coração, tirando um ganido alto do animal.

“Agora aperte-o.” Instruiu Regina. “Até a virar pó.”

Emma levou a mão até a cabeça do amigo, transmitindo o máximo de ternura e carinho que ela jamais poderia dar. Eros fechou os olhos enquanto gania baixinho. Swan apertou-o, apertou-o, enquanto os ganidos tornavam-se gritos de suplícios. Mas em sua mente, dizia a si mesma que fazia a coisa certa. As lágrimas que caíam de seu rosto, caíam também sobre o fiel amigo. Por fim, só restou o pó em sua mão e o silêncio do animal.

Regina caiu a poucos metros da loira, a mercê de Cora. Levantou-se o mais breve que pôde, mas não fora o suficiente para recuperar o equilíbrio. A Rainha de Copas abriu o maior sorriso que podia proporcionar. Sentia-se de volta a antiga cena da qual fora descartada, abandonada pela filha. Regina agora estava de costas ao enorme espelho, vulnerável frente à mãe. Cora com imensa satisfação ergueu os braços, empurrando Regina com toda a força que guardara em sua raiva e rancor. Quem descartava agora era ela, e sentia-se ensinando a lição final à Regina.

Não adiantou segurar na moldura, ou confiar à mãe qualquer suplício. Regina nunca faria tal. Mostrar-se-ia forte mesmo sabendo que sua morte era certa. No entanto, a mulher ao chão não perderia mais ninguém. Tudo aconteceu de maneira tão rápida, que Emma mal teve tempo de pensar. Em um pulo, Swan levantou-se e agarrou-se a Regina. Não iria abandoná-la, mesmo que ela quisesse ser deixada. Por fim, ambas caíram através do portal — sem volta. Prisioneiras do lugar no qual Cora reservara desde o princípio, e sem a esperança de ter, um dia, sua família de volta.

Continua...

Notas finais
Reviews? Deem-me suas sinceras opiniões. Sobre tudo! O lugar do qual elas vão, sobre meu querido Eros e o abominável Claude... Cora, Snow.. Tudo! Estou ansiosa e até um pouco triste. As cenas cortadas serão postadas durante a próxima semana. Teremos tempo para nos acostumarmos à este trágico fim... E que venha uma segunda temporada!