The Hidden Kiss
11 The Horse's Number
Notas iniciais
* * *
Emma vestiu a roupa que lhe foi ordenada. Não era nada confortável, a calça justa demais, a blusa incomodava sua pele e as botas apertavam seu calcanhar. Swan prendeu seu cabelo em um rabo-de-cavalo e pôs a blusa por dentro da calça. Teria de se acostumar com as botas de qualquer maneira. O sol quente que clareava boa parte do quarto mostrava que não passava de duas horas da tarde, Emma não sabia se isso significava um atraso ou não. Ela caminhou até a porta e a abriu. Eros estava sentado na janela, suas pernas esticadas sobre a bancada. Seus olhos pareciam perdidos, Swan o observou atentamente. Seus olhos tinham um ar perdido e sofrido. Então, uma memória surgiu em sua mente.
“É meu coração, Emma. Preciso encontra-lo.” Dizia Graham ofegante. Sua testa brilhava com o suor, e suas pupilas dilatadas mostram o desespero de sua alma.
“Certo, como você vai fazer isso?” Disse Emma, num tom gentil tentando acalmá-lo. Havia recebido inúmeras ligações minutos antes; Gold, Ruby e Mary Margaret. Sentiu que precisava checar.
“Basta seguir o lobo. Vai me levar até ele.” Respondeu convicto. O homem atordoado fitava o lugar ao seu redor procurando por algo. Emma franziu o cenho.
“Oh, pensei que estivéssemos falando sobre metáforas.” Disse Emma. “Você realmente acha que não tem um coração, Graham?” Questionou Emma, numa expressão sentida. O homem sentiu o olhar de pena de Swan.
“É só isso que faz sentido. É o que explica o fato de eu não sentir absolutamente nada!” Exclamou agoniado. Emma era incapaz de compreender, mas sabia que Graham não estava bem. Ela havia vivido dez anos de sua vida tem sentir absolutamente nada por ninguém, e de fato, não era tão ruim assim. Não tivera o resultado que via no homem.
Emma olhava para Eros e passava a entender mais sobre aquele dia. Por que Graham não suportava a ausência de sentimentos. Não só por ser verdade o que dizia sobre não ter coração, simbolicamente, pois o órgão batia em seu peito, Emma vira. Mas, sim, porque ele era um lobo. Fora criado por um. Vivera como um. E Swan via em Eros a sensibilidade nunca vista em ser algum. Eles eram movidos por sentimento, milhões de uma só vez. E sequer conseguiam disfarça-los. Talvez por isso que Eros fosse ingênuo quanto uma criança. Não era a idade mental que o fazia assim, mas sua sensibilidade e, quiçá, pureza.
“Oh, o que está olhando?” Disse Eros ao perceber Emma parada. Um sorriso se abriu em seus lábios. “Emma, está muito bonita com essa roupa.” Elogiou, pondo seus pés de volta ao chão.
“Obrigada. Acho que devemos ir certo?” Disse Emma com um sorriso de lado. Eros assentiu e passou a andar em companhia com a loira. O vento frio soprou sobre seus ombros por baixo da vestimenta. Entretanto, o céu continuava aberto e azul. Eros parecia pensativo, mas Emma não se fixou em observá-lo por muito tempo.
“Bem, o que acha que Regina faz nessas caminhadas?” Perguntou Emma, tentando introduzir uma conversa. Eros foi puxado de seus pensamentos tão bruscamente que parecia assustado com a pergunta.
“Ela costuma apenas caminhar. Você sabe, tomar um banho de sol. É muito frio e escuro aqui.” Dizia Eros, observando as janelas. “Mas hoje, creio que ela vá até o estábulo.” Emma engoliu seco.
“Estábulo?” Questionou.
“Sim, ver o cavalo que a trouxe. Pelo menos é o que acredito.” Respondeu Eros indiferente. Emma suspirou aliviada.
“Sim, é verdade. Rocinante me trouxe aqui.” Resmungou Emma, lembrando-se de quando o animal se rebelou. “Parecia que ele queria chegar até aqui.” Comentou risonha. O homem parou imediatamente, olhando para Emma parecendo ofendido.
“Ele queria.” Disse certo do que falava. “Eu tratei para que seus ferimentos fossem curados e vi que ele não só queria chegar até aqui, como ainda procura por alguma coisa, ou melhor, alguém.”
“Desculpe, não quis ofendê-lo de forma alguma.” Lamentou Emma, com estranheza. Eros assentiu e voltou a andar.
“Acho que ele está esperando que você volte.” Comentou Eros, com sua voz normal. Emma sorriu de lado e balançou a cabeça de forma negativa.
“Não, ele está procurando pela Regina.” Respondeu Emma. O cavaleiro a fitou com o cenho franzido. “Rocinante era o cavalo de Regina. Antes mesmo dela se tornar a Rainha, eu acho.” Explicou. Eros ergueu as sobrancelhas surpreso.
“Ora, então faria sentido de a Rainha fosse vê-lo.” Resmungou contente. “Acho que meu amigo Rocinante terá uma surpresa! Vamos!” Exclamou segurando a mão de Swan e partindo para o hall da saída.
* * *
A Rainha escolhera o traje mais confortável que mantinha no guarda-roupa. A calça de couro preta, botas de caminhas e a capa vermelha. Claude a acompanhara até o local para checar se era realmente seguro. Ele prometeu que ficaria por perto da forma que fosse possível e espantaria os cavaleiros do reino se ousassem se aproximar. Entretanto, o homem deve de alertar:
“Se vierem, não serão poucos. Vossa Majestade tem algum plano de fuga?” Disse Claude. Regina olhou para a enorme estrutura do castelo, pensativa.
“O palácio está enfeitiçado. Se não houver tempo para nos transportar, creio que ele irá nos encobrir.” Esclareceu Regina. Claude a olhava num ar duvidoso.
“Não tem garantia de sucesso, tem?” Questionou. Regina sorriu de lado.
“Nunca tive.” Respondeu. O homem deu de ombros e deu as costas à Rainha. Seu semblante tornou a transparecer a paisagem do reino, boa parte dele, devastado. Regina virou-se e deixou que Claude cumprisse seu dever. Não demorou muito até que a passagem de saída do palácio fosse ocupada.
“Hey!” Exclamou Emma, chamando a atenção de Regina. Eros corria ao seu lado, ambos com os braços entrelaçados. A Rainha arqueou a sobrancelha. Não gostava nenhum pouco daquilo. “Acho que me atrasei” Disse já mais próxima. Eros soltou Swan bruscamente, como quem percebesse o olhar que lhe era recebido e parou roboticamente atrás da loira. Entretanto, Emma não pareceu notar, caminhou ofegante até Regina. A morena se permitiu observar as vestimentas de Swan. A calça que escolhera caíra como uma luva, tão justa que parecia ter sido feita diretamente nas pernas da Princesa. Não, apenas Swan.
“Bem, Miss Swan...” Introduziu Regina, reparando em outros detalhes como as botas. Não eram as que ela havia enviado. Mas também, era o único detalhe não previsto. A combinação ficara ainda mais bela com as ondulações do cabelo loiro da mulher sobre as costas. “Vejo que veio a caráter. Está harmônico.” Elogiou Regina, dando seu máximo. Emma sorriu de lado com estranheza. Não entendia por que a morena pretendia ao mimá-la daquele jeito.
“Obrigada.” Agradeceu Swan. “Aonde vamos?” Perguntou juntando-se a Rainha. Regina respirou fundo, aquela situação não demoraria muito tempo. Em menos de uma hora arrumaria alguma desculpa para voltar aos seus aposentos, sem precisar fingir simpatia.
“Uma caminhada, Miss Swan. É algo que faço para espairecer as ideias.” Respondeu Regina. Emma assentiu com a cabeça, preferindo não questionar mais. “Também pretendo ir ver o tal cavalo que a trouxe aqui.” Comentou a morena, impedindo que a conversa morresse.
“Oh, Rocinante. Se eu contasse o quão louco ele está para vê-la-” Regina parou bruscamente com o cenho franzido. Emma hesitou.
“Como sabe sobre Rocinante?” Perguntou severamente.
“E-Eu soube minutos antes de ser trazida para cá.” Introduziu Emma, voltando a andar. Regina fez o mesmo, enquanto tentava manter-se paciente com a loira. “Estava treinando com...” Emma se interrompeu. Talvez contar sobre a Madre Superior não fosse a melhor ideia, contar que a magia dentro de si já havia iniciado um caminho para ser exposta poderia incomodar a morena de qualquer forma. Swan precisava de Regina como aliada, não podia se dar ao luxo de deixar que a situação se desenvolva com a agressividade em que elas se tratavam desde que conheceram uma a outra. E Emma sabia que Regina pensava o mesmo, apenas não sabia por que a Rainha precisava dela.
“Miss Swan?” Chamou Regina. Emma foi puxada dos pensamentos bruscamente. “Está sonhando acordada?” Perguntou com certa severidade.
“Não, só estava pensando.” Desculpou-se. “Eu estava treinando com David. Essa coisa de montar, e bem, acho que não sou muito boa nisso.” Emma contou. Regina forçou um sorriso de acordo, mas não a olhou. Seu olhar fitava o chão ou o caminho a sua frente todo o tempo.
“Majestade!” A voz longínqua chamou. Regina virou-se para encarar Eros, quando a memória tomou posse de sua visão. O grande animal era guiado pelo guarda que tinha em seus lábios um sorriso gentil. Entretanto, a Rainha sequer reparou no homem ao lado. De repente, o peito de Regina passou a arder com a simples imagem do seu passado se aproximar com passos certos e firmes. Rocinante galopou até sua dona entre pulos e relinchos. O rosto de Regina parecia congelado; seus olhos arregalados, sua sobrancelha arqueada em uma expressão surpresa e até mesmo sua boca entreaberta. Seu inconsciente brilhava ao revê-lo. Tudo que ela pode fazer foi assistir o animal se aproximar e, sem hesitação alguma, o abraçou. Seus braços não chegavam a dar a volta no pescoço de Rocinante, mas não importava. Regina não só fechou os olhos mais os comprimiu.
“Deixe-me sozinha.” Exigiu a Rainha roucamente, sabendo que Eros ainda permanecia ali. Rapidamente o guarda caminhou até a loira e pediu que o acompanhasse com uma formalidade desnecessária. Emma deu uma última olhada para a mulher debruçada no animal — grande quando comparado ao corpo frágil da Rainha. Regina pôs suas mãos no rosto do cavalo enquanto sussurrava algo que pela distância era impossível ouvir. Mas Emma podia ver o sorriso genuíno da morena.
“Emma, por favor.” Pediu Eros, segurando gentilmente em seu braço. A loira assentiu, vendo que não havia outra opção.
Regina abriu o maior sorriso que podia após tanto tempo sem expressá-lo verdadeiramente. Rocinante balançava a cabeça enquanto a mão da Rainha passeava por seu pelo. O peito da doía ao vê-lo. Quanto tempo fazia desde a última vez que vira seu amigo, Regina não saberia dizer. Mas certamente muitas décadas. Ficara surpresa de ser reconhecida, principalmente em trajes que Rocinante nunca constatara em sua vida. Ele estava vivo. Um pedaço de seu passado, o único que lhe restara. Regina levou sua mão até a sela. Era a mesma. Com desenhos de anéis prateados, um desenho comum de sua fazenda há muito tempo atrás. O enfeite estaria intacto se não fosse por dois anéis ausentes no centro da sela. Regina sorriu ao contatá-lo. Levou sua mão até o pescoço onde seu colar se escondia em meio à blusa. Lá estava o anel prata ausente na sela de Rocinante, ou o anel de noivado que Daniel havia lhe presentado. Regina sentiu a lágrima morna descer pelo seu rosto de modo lento.
“Está tudo bem, amigo.” Sussurrou Regina numa voz aérea dada à tamanha felicidade de reencontrar seu amigo. “Você se machucou?” Perguntou percebendo um ferimento superficial em sua cabeça. Rocinante fungou brevemente e virou-se para a Rainha. “Não, querido. Não é a melhor hora para correr.” Disse Regina entendendo perfeitamente o que o animal pedia. Rocinante fungou mais uma vez, fazendo a morena rir. “Certo, certo. Mas não podemos demorar combinado?” Disse numa voz quase infantil. Regina afastou a capa e firmou sua bota na sela, tomando impulso para subir no animal. O sorriso abobado não deixava seu rosto um minuto sequer. Suas mãos seguraram o equipamento firmemente, sentia-se numa tarde de sua adolescência. Rocinante relinchou em confirmação, para que Regina pudesse prosseguir. E assim o fez, guiando o cavalo para frente. Entretanto, não era uma caminhada matinal com fim apenas de apreciar a paisagem. Não, isso não era o que eles faziam. Regina se inclinou no cavalo, pondo um de suas mãos no pescoço e a outra no equipamento. Rocinante sabia o que aquilo significava e passou a correr contra o vendo. A Rainha abriu um largo sorriso, contente em ver que o amigo não havia se esquecido de como eles agiam, de como de divertiam juntos.
“Vamos, Rocinante!” Regina gritou, rindo naturalmente. O cavalo continuou a correr e certamente de divertia com sua liberdade. Regina sentia isso. Eles compartilhavam com antiga conexão. A Rainha fechou os olhos, sentindo a brisa chocar-se contra seu rosto, mas de modo suave. Era libertador. Regina lembrava-se de pensar nessa atividade como um tratamento para toda a loucura que vivia com sua ditadora mãe. Quando Regina correu com Rocinante era impossível dizer. O caminho que tomava era instintivo, entretanto, quando a morena reabriu os olhos via que ele se encaminhava para a floresta. Rocinante estava acostumado em correr na floresta, se deparar com os riscos, as dificuldades de driblar os galhos caídos e árvores traiçoeiras. Regina sabia disto, mas também sabia que os cavaleiros de Snow também estariam nela, procurando por Emma.
“Não! Rocinante! Vamos voltar!” A morena gritou, puxando as cordas artesanais para que o animal parasse. Rocinante protestou com um relincho, mas obedeceu parando aos poucos. Regina olhou a sua volta, faltavam poucos metros para adentrar a floresta, mas ela certamente já deveria estar ouvindo o barulho do cantarolar dos pássaros, cochichar dos esquilos entre outros animais. Entretanto, o silêncio pairava sobre a imensidão verde desgastada. Não era bom sinal, não mesmo. Regina permaneceu parada durante alguns segundos, tentando procurar por algum vestígio que comprovasse tal estranheza. Rocinante bufava constantemente como quem questionasse a parada repentina. Mas a Rainha não se moveu. Algo estava estranho. De repente uma voz gritou em seu ouvido, como se estivesse muito perto há algum tempo:
“O que está fazendo?!” A voz era inconfundível. Regina olhou para cima, onde o topo das árvores era revestido de uma superfície de folhas firmes. Lá estava Claude agachado sobre ela, como se seu peso fosse equivalente a uma folha de papel. “Eles estão vindo, criatura!” Gritou o homem, com o semblante cansado e irritado. Regina rapidamente seguiu seu olhar a sua frente. Era possível ver um ponto claro em meio à selva. Os cavaleiros. Rapidamente esse ponto de tornou uma camada que se aproximava. A Rainha não sabia se havia sido vista ou não, mas certamente não havia tempo para questionamento. Ela puxou as cordas bruscamente, desejando que não machucasse Rocinante devido à urgência da retirada. Mas o cavalo não reclamou, parecia compreender o chamado, e correu de volta ao castelo. O caminho não era curto, eles haviam corrido bastante. Regina repreendia a si mesma por ter ido tão longe, não era o momento. Como pôde ser tão desatenta? Logo, seus pensamentos pararam em Swan. Precisava retirá-la dali. Os cavaleiros estavam se aproximando cada vez mais de pressa e ela não poderia perder Swan, não poderia deixar seu plano fracassar novamente. Não havia castelo, pois o feitiço posto sobre ele cumpria seu dever em escondê-lo. Entretanto a Rainha sabia exatamente onde ele se encontrava.
Rapidamente, Regina avistou Eros com seus ombros longos. O homem corria com auxílio da loira que parecia atordoada. A morena não perdeu tempo e guiou Rocinante até eles.
“Regina!” Gritou Emma ao avistá-la. A Rainha parou o animal tão rapidamente que pensou que não pararia a tempo. “O que está acontecendo?!” Perguntou.
“Suba!” Gritou Regina, pondo Rocinante ao lado da loira. O rosto de Emma tomou uma expressão surpresa, quiçá assustada. “Rápido, Swan! Não temos tempo!” O som da cavalaria se tornava mais próxima, juntamente com um uivo estridente. Eros chegou a pôr suas mãos na cintura da loira a fim de ajuda-la a subir.
“E-Eu não consigo fazer isso.” Disse Emma num tom de dar dó. Regina protestou brevemente, mas não havia tempo. Ela podia ouvir os resmungos se aproximando. Sendo assim, não havia outra maneira.
Regina pulou do cavalo, se apoiando em Eros. Um último olhar no topo das árvores apenas confirmou sua teoria. Claude corria sobre as folhas e usava de sua magia para afastar os cavaleiros. Lançando bolas de fogo e correntes de energia de origem desconhecida para Regina. A Rainha agarrou-se no pulso de Emma e desceu rapidamente do cavalo.
“Leve-o daqui!” Gritou para Eros. O homem assentiu e puxou as cordas de Rocinante para longe do castelo. Regina corria em direção ao castelo, mas Emma não conseguia acompanha-la até o hall de entrada, era lenta demais. Os passos estavam próximos demais. Elas estavam sendo seguidas. As palavras de incentivo da Rainha não adiantavam de nada para a loira que parecia confusa demais para ouvi-la.
“Já sei!” Gritou Regina, mudando o caminho. Segurando o braço de Swan, Regina mudou o rumo drasticamente. Emma segurou-se na mão que Regina a guiava e se atreveu a olhar para trás. Algo de fato as seguia, mas não era um guarda ou cavaleiro real dos Charmings. Regina jogou seu corpo contra o concreto do castelo e desejou profundamente que seu plano B tivesse sucesso. Emma a seguiu, mas parou antes que tocasse a parede do palácio. Algo tinha sua total atenção. Regina não gritou, ou questionou Emma, pois quem estava sendo o alvo de seu olhar era Ruby.
Regina prendeu a respiração assim que se deparou com a imagem da mulher encapuzada. Ela ainda segurava Emma pelo braço. Ambas só estariam completamente invisíveis se ambas estivessem em contato com o palácio enfeitiçado. Mas os segundos gélidos e silenciosos se passavam enquanto Swan encarava Ruby e vice e versa. Ruby tinha uma expressão assustada e, talvez, desapontada. Já Emma tinha uma suplicia em seu olhar para a amiga.
“Não conte.” Emma sussurrou baixinho. Regina rapidamente puxou Emma para si, vendo que nada mais seria dito e que os cavaleiros haviam driblado o homem sobre as árvores. Emma colidiu com o corpo de Regina bruscamente, mas a Rainha segurava em seus braços. Mantendo-a perto, enquanto suas costas tocavam o território enfeitiçado. Emma engoliu qualquer vontade que tinha de derramar seu pranto. Regina tinha seu olhar voltado para gramado agora apossado pelos cavaleiros. Ruby continuava a olhá-las, entretanto, não diretamente, pois já estavam invisíveis. Emma estava a poucos centímetros da morena, que puxava os braços da loira para mais perto, deixando o espaço quase nulo.
“Fique quieta.” Sussurrou Regina autoritariamente, olhando para além do campo de visão de Emma. A loira ousou virar o rosto, na tentativa de ver o que acontecia, mas Regina rapidamente segurou o queixo de Emma voltando sua cabeça para frente. “Olhe para mim. Só para mim.” Ordenou fitando os olhos verde-esmeralda. Emma pôde sentir o hálito fresco de maçã de Regina. Seu peito estava ofegante e não havia espaço entre ambas para que pudesse recuperar o ar que precisava.
“O-O que está acontecendo?” Emma questionou baixinho. Regina comprimiu os olhos, como quem tentasse deduzir os pensamentos da loira. Um sorriso suave brotou em seus lábios.
“Olhe só para mim, combinado?” Regina pediu, mais gentilmente. Só restava a Emma consentir e afirmar que a obedeceria. Então, o olhar da Rainha voltou-se para o que acontecia há metros atrás, enquanto Emma fitava o rosto da mulher que há semanas atrás considerava ser sua principal inimiga.
Regina insistiu que Emma focasse em qualquer outra coisa que não a batalha que ocorria. Claude havia descido das árvores e ataca qualquer um que se aproximasse do castelo ou delas. O homem conseguia vê-las mesmo enfeitiçadas, era uma das dádivas de seu amplo conhecimento na magia. Alguns cavaleiros foram brutalmente derrubados, a corrente que Claude distribuía era fatal. Cortava-os seus membros e os lançava ensanguentados de volta para a floresta. As bolas de fogo consumiam sua roupa inflamável e os deixava apavorados em busca de algo que amenizasse a ardência descomunal. A sombra dos homens consumidos pelo fogo dentre a chama era agonizante, seus gritos estridentes ainda mais.
“Olhe para mim. Vamos voltar para o castelo em pouco tempo, está bem?” Tagarelou Regina, tentando amenizar o som dos gritos que desesperavam Emma. Ruby — vendo a cena- se viu na obrigação de tomar liderança.
“Recuar!” Gritou a mulher encapuzada. “E-Ela não está aqui!” Anunciou em sua voz trêmula. Regina olhou para Emma rapidamente. Pensando em uma maneira de reagir caso Swan desistisse de se esconder. Entretanto, a loira fechou os olhos e comprimiu os lábios. Regina franziu o cenho, sem compreender. Uma lágrima caiu dos olhos de Emma, escorrendo pelo rosto da mulher e caindo sobre o peito de Regina, dada ao espaço nulo. Os gritos devastados pela dor responderam em uma legião de gemidos. Ruby lançou mais um olhar a elas, como se pudesse vê-las e partiu em retirada numa velocidade descomunal. Claude só parou de ataca-los quando a Ruby adentrou a floresta sendo seguida por todo cavaleiro que ainda restara no extenso campo. Emma gemeu baixinho já de olhos abertos, mas fitando o chão. Regina olhou para Claude que se aproximava e constatou o cenário deixado para trás. O campo que se recuperava da falta de chuva, agora se via por outro tipo de líquido: o sangue. As poças longinquamente notáveis de sangue deixavam os cadáveres quase camuflados. Regina voltou a olhar a loira. Ela não podia deparar-se com tal cena. Emma não estava acostumada com aquele tipo de coisa.
“Eles já foram.” Sussurrou Regina. Emma ameaçou virar-se, mas novamente a Rainha a impediu tocando seu rosto. “Preciso que continue olhando para mim até que já esteja seguro o bastante. Virão nos buscar.” Disse a Rainha, encontrando o tom certo para fazer com que seus pedidos fossem atendidos. Claude já estava no território enfeitiçado quando Regina terminara de falar.
“Está feito.” Disse Claude grosseiramente. Instintivamente Emma virou-se com a voz. Não houve tempo para que Regina a impedisse, Claude ergueu sua mão e tocou o rosto de Emma, que imediatamente caiu sobre o colo de Regina, desacordada.
“O que você fez, imbecil?!” Gritou a Rainha severamente, segurando o corpo de Swan nos braços.
“Apaguei-a.” Respondeu friamente. Regina levou a loira até o chão e a pôs deitada sobre a palha. “E estou certo de que imbecil não é o agradecimento devido por esse favor, Majestade.” Acrescentou Claude irritado.
“Não precisava apaga-la, só fará com que faça mais perguntas!” Gritava. Claude deu de ombros.
“Isso é problema seu.” Retrucou indiferente. Regina cerrou os punhos.
“Por que está tão incomodado? Esse é o seu trabalho! Você gosta de matar.” Exclamou a Rainha, lembrando-o. O homem sorriu sarcasticamente e deu a volta sobre o corpo de Swan.
“Sim, eu realmente aprecio. Mas meu trabalho é muito mais do que aniquilar esses militares imbecis. Meu trabalho é guia-la para o seu objetivo, trazer-lhe a vitória, esta que nunca teve!” Exclamava o homem. “Entretanto, o que Vossa Majestade faz? Vai dar uma volta com o bichinho de estimação e em vez de sumir com Swan daqui você e abraça calorosamente e protege a mocinha dos guardas maus!” Dizia com ironia. Regina deu um impulso e ergueu a mão, segurando o pescoço do homem. Seu rosto tomava cor dada à tamanha raiva.
“Rocinante não é bichinho de estimação.” Disse entredentes, pressionando as mãos. “E eu não me importo com Swan!” Gritou. Claude pôs sua mão no braço da mão de Regina. Não houve surpresa ou sequer hesitação. O homem riu brevemente e tirou a mão da Rainha sobre seu pescoço bruscamente.
“Certo, perdoe-me.” Desculpou-se cinicamente. “Devo ter me confundido com você segurando-a e sussurrando palavras mornas. Sou muito distraído.” Acrescentou sarcástico.
“Não me importo com ela, muito menos com o que você pensa.” Disse Regina dando as costas ao homem. “Chame Eros até aqui e peça para leva-la daqui.” Ordenou a Rainha caminhando para o hall de entrada e abandonando Emma e Claude.
“Sim, Majestade.”
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