Notas iniciais
Hey guys, me arrisquei em um universo alternativo. Espero que gostem. Boa leitura! Viva la Swan Queen!

* * *

O corredor úmido e imundo não era o lugar apropriado para uma mulher com tamanha beleza. Seus cabelos eram tão negros quanto à escuridão, e sua pele tão branca como a neve. Entretanto, diante das circunstâncias, a elegância não era uma prioridade. As paredes tinham um tom preto e pareciam ter sido tingidas recentemente. Ratos e insetos circulavam livremente pelo lugar abandonado, caracterizando a imagem que a sociedade tinha sobre o único humano — se é possível chama-lo de tal- existente ali. A entrada no local era proibida, mas burlar regras não era exatamente um problema para a mulher. Com a ajuda de magia, foi capaz de transformar a si própria em um roedor insignificante para que passasse pelos guardas que protegiam o refúgio sem levantar mínima suspeita. Agora, com sua forma original ela podia caminhar sem preocupações até seu destino, já que ninguém se atrevia a caminhar pelos arredores por medo da fera que era encarcerada ali.

Uma risada aguda ecoou por todo corredor. Regina sabia que sua caminhada havia chegado ao fim. A fera, cuja sanidade boa parte perdida pelo longo tempo aprisionado a uma tediosa rotina, pulava e se segurava nas incrivelmente fortes barras de aço que o mantinham preso. O monstro tinha como pele uma escama grudenta e úmida, e sem seus olhos gigantescos uma pupila quase completamente consumida pela chamativa íris castanha amarelada. Seu nome era Rumpelstiltskin.

“Você me enganou” Gritou a mulher para a fera sem se preocupar se estava sendo ouvida por terceiros. “A maldição fracassou! Diga-me o que fiz de errado!” Ordenou. O prisioneiro respondeu-lhe com uma escandalosa gargalhada igualmente aguda.

“Achas que será fácil?” Disse a fera saltando para as barras da cela. “Dou-lhe a mais terrível das maldições e tu usas um cavalo como sacrifício! Um cavalo!” Zombava. A mulher prestava atenção nas palavras ditas. “Se queres alcançar teu objetivo, terá de sacrificar-se para tal. O coração.” Ele dizia, dando pequenas pausas, vangloriando-se pela atenção recebida. “O coração de quem mais ama é o sacrifício estimado. Se não... Nunca irá conseguir.” A mulher recuou, cerrando os olhos e fechando os punhos.

“Quem mais amo está morto! Por causa de Branca de Neve!” Exclamou Regina, sentindo a quentura do ódio consumir seu peito. A fera esticou seu braço magricelo dentre as barras chegando até o pescoço da morena, de modo que sua mão envolvesse-o e puxasse-a para mais perto.

“Oh, querida...” Fingiu preocupação, usando sua mão livre para acariciar o rosto da Rainha com suas longas unhas. “E não há mais ninguém que ame verdadeiramente?” E então, o monstro a soltou. Regina sorriu suavemente, sentindo uma fagulha de esperança se acender em seu peito. Seu plano não havia fracassado por completo. Ela ainda tinha como ganhar aquela batalha.

Tendo a informação necessária, a Rainha virou-se reerguendo seu manto negro — para que não encostasse ao chão — abandonando o prisioneiro. Entretanto, antes de estar longe o suficiente sua atenção foi chamada por mais um dos agudos gritinhos da fera.

“Sabes que há um jeito, um único jeito, de a sua estimada maldição ser quebrada, não é mesmo?” Provocou. Regina virou-se novamente, desta vez para observar as expressões da besta. “A Salvadora, fruto da magia mais poderosa; amor verdadeiro. A salvadora é a chave.” A repulsa de cogitar a ideia de todo seu trabalho ser destruído era constante.

“Esta sequer saberá quem é. De qualquer forma, me certificarei de tirá-la do meu caminho. Nada irá me impedir de ter o que quero.” Dizia vitoriosa. O monstro riu novamente.

“O futuro... Querida, nós sequer imaginamos o que o futuro guarda para nós. Como podes declarar vitória tão prematura?” Disse com um sorriso sarcástico. A fera tinha seus privilégios mágicos, assim como a Rainha, entretanto, este era o mais poderoso feiticeiro daquele mundo. Rumpelstiltskin era o Senhor das Trevas, mais poderoso que qualquer bruxo ou bruxa existente. E dado a tamanho poder, não poderia deixar de dar pequena espiada no futuro curioso da mulher. E pelo que pôde ver era no mínimo irônico. Infelizmente, Regina não era capaz de tal dádiva, seus poderes limitavam ao que aprendera pela própria besta, agora presa. “O fato é: Se sua maldição for quebrada, todos voltarão ao ponto de partida. Nem mais nem menos, como sempre foi.” Acrescentou. A mulher recuou. Voltar? Voltar seria a última alternativa possível.

“Isso não vai acontecer. Essa maldita não irá se atrever a cruzar meu caminho.” Finalizou Regina, erguendo as mãos sob seu corpo exalando uma quantidade inusitada de névoa lilás, que envolveu seu corpo transformando-a em um pequeno roedor para que pudesse sair daquele lugar repugnante. Enquanto Rumpelstiltskin a observava com imenso sorriso sarcástico e satisfatório no rosto. Guardava um segredo que, nem se fosse permitido pelo destino, não contraria a absolutamente ninguém. Iria saborear o gosto de ver sua aprendiza fracassar em seu próprio jogo.

* * *

Em um leito de hospital, a única pessoa inocente por assim dizer perante todos existentes da cidade de Storybrook, Maine. Henry Mills, desacordado, embarcava para um mundo no qual ninguém seria capaz de sair, ou resgatá-lo. Desta vez, não haveria história com final feliz. Emma Swan e Regina Mills receberam a notícia de que seu filho havia falecido. Sem volta. Suas vidas se entrelaçavam por conta de um, se somente um, ser. E este as estava deixando. Lá estava o menino, deitado com seu peito descoberto para que fosse possível a massagem cardíaca, e sua pele pálida pela vitalidade que a cada minudo que se passava o abandonava lentamente. Regina não conseguia calar seu pranto ou acalmar sua respiração. Tudo se misturava em um choro continuo, que acolhida aos braços que o médico — incapaz de salvar seu filho- oferecia. Emma, por sua vez, lutava para controlar seus batimentos. Mas suas lágrimas caíam inconsequentemente tornando seu rosto cada vez mais vermelho. A Prefeita soltou-se do médico para se aproximar do menino gelado, inconformada com o que o destino havia reservado para sua miserável vida. Ela sequer se importava de estar tocando a mão de Miss Swan, a pessoa que mais odiava no mundo. Seu desespero era tanto, que para aguentar a dor investida pela notícia, seu primeiro ato foi agarrar-se a manga da jaqueta de couro vermelha da Sheriff. Elas compartilhavam a mesma dor apesar de tudo. Era o filho delas.

Respondendo a agonia, Emma segurou a mão de Regina, por um breve segundo esquecendo-se de quem ela era. Aproximou-se de seu filho, a fim de dar seu último adeus.

“Eu te amo, Henry” Sussurrou, antes de beijar a testa do menino.

De repente, uma ventania adentrou o leito do hospital. Não muito longe dali, uma intensa névoa se aproximava capaz de engolir a cidade em um piscar de olhos. Sentiu sua última lágrima cair sobre o rosto de Henry e então; Seus olhos castanhos se abriram, com uma enorme respiração desesperada em busca de ar.

“Eu também te amo” Sussurrou do volta, com um sorriso cansado. Um misto de surpresa, felicidade e pavor apoderou-se da expressão de Swan. Regina, usando sua outra mão livre, segurou a mão de seu filho para que soubesse que estava ali.

O vento ficou mais forte, e a névoa ainda mais perto. Regina só se deu conta do que acontecia quando já era tarde. O vinho que dava tonalidade a fumaça adentrou a sala do hospital destruindo tudo que via pela frente; paredes, máquinas, móveis. Emma fechou os olhos sem saber o que estava acontecendo, e quando finalmente abriu se via flutuando em uma escuridão roxa.

“Regina! Henry!” Gritou Emma, desesperada. Ao olhar em volta pode perceber: A prefeita flutuava em um vento absurdamente forte segurando em um abraço firme a criança novamente desacordada. Emma reuniu toda a força, que nunca imaginara ter para unir-se a eles. Segurando no braço da morena, ela os abraçou, protegendo principalmente seu filho.

“O que está acontecendo?!” Gritou Emma para Regina. Seus rostos nunca estiveram tão perto, a loira desejava com todo seu ser que a morena fosse capaz de ouvi-la. A sensação que tinham era de serem erguidas no ar por uma força estupidamente poderosa que as sustentavam quilômetros do chão.

“A maldição!” Gritou Regina, forçando seus olhos a manterem-se fechados. “Você a quebrou!” Regina não podia ver, mas tinha certeza do que estava acontecendo. Tinha certeza de que aquilo acontecia naquele exato momento com todos os cidadãos de Storybrook condenados a uma vida sem final feliz.

E com mesma rapidez e força, tudo ficou branco. Eles haviam sido transportados à linha de partida. Onde toda dor, toda miséria, toda história começara. Eles haviam sido transportados à Terra Encantada. E a maldição, finalmente quebrada.

Notas finais
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