The Hidden Kiss

3 A New Plan with a Old Friend


Notas iniciais
Hey, mais um. Vocês pediram o lado da Regina? Bem, aí está. E também, daremos bem-vindas ao meu primeiro personagem original. Haverá dois, mas o segundo só será mostrado mais a frente. É isso aí. Boa leitura!

* * *

Um estrondo ecoou perante a sala negra e úmida. Tudo estava como antes, tão limpo e gelado como antes. As mesmas portas de aço com deuses e galhos secos desenhados em um tom grafite reluzente. Tudo era tão monótono que chegava a ser enlouquecedor. Regina fez as portas se trancarem com um leve sacudir de mãos, e um grito tão alto quando a porta ao se chocarem saiu de sua garganta. A frustração e as lágrimas caminhavam em perfeita sintonia, uma acariciava a outra enquanto o corpo da Rainha se encontrava no chão de mármore frio.

“DESGRAÇADA!” Gritou frustrada. O maxilar de Regina tremia devido ao frio que fazia dentro daquela sala, os guardas de prontidão se apressaram para trazer um manto e cobrir o corpo da realeza. “Saiam! Parece que eu preciso dessa merda de manto?!” Regina segurou o pano nas mãos e lançou no chão. Os homens abaixaram suas cabeças rapidamente, demonstrando devoção a sua Rainha. “Desapareçam da minha frente e só voltem quando eu mandar!” Ordenou. E assim foi feito.

“Graham!” Ela gritou, mas na mesma hora se arrependeu. Graham estava morto. Ela não tinha ninguém. Uma dor atingiu seu peito, o gélido que somente a solidão poderia trazer.

O sol que fazia lá fora não afetava aquela sala, pois esta se localizava no subsolo do palácio. Regina havia fugido para seu antigo lar, seu refúgio. O castelo de inverno era o menos usado pela família de Snow White, e desde a morte do Rei Leopoldo, a Rainha havia feito de uma pequena extensão de sua casa. Em comparação ao palácio de verão, o castelo de Regina era consideravelmente maior e também, o mais frio. Snow, que quase nunca caminhava por ali, tomou a área como proibida e como território da temida Rainha Má.

Regina levantou e caminhou até a saída da sala. Ela precisava ver o que estava acontecendo no castelo de Snow, precisava encontrar um novo caminho de conseguir sua vingança. De repente, ela parou. Henry. Por um segundo, a morena havia se esquecido do motivo de sua vingança não estar completa. Henry era o que impedia Regina de matar Snow White, Henry era o que mantinha a humanidade da Rainha viva.

“Onde estão vocês quando preciso seus imbecis!” Regina exclamou, adentrando sua principal sala, que dava visão, mesmo que longínqua, do castelo da sua inimiga. Um homem apressado adentrou o salão parando logo atrás da realeza. “Ora, finalmente. Parece que se esqueceu de como é que as coisas funcionam por aqui.” Disse com sarcasmo. O rapaz vestia as armaduras exigidas para um cavaleiro, e com cabeça abaixa esperava o próximo comando da Rainha. “Eu quero que volte com os espelhos.”

“Todos eles, majestade?” Questionou baixinho. Regina virou-se para o rapaz com um sorriso.

“Não, só um de mão... CLARO QUE É TODOS, SEU IMBECIL!” Urrou com raiva. O homem se encolheu, assentindo a ordem.

“Perdoe-me, majestade” Gemeu baixinho antes de correr para a saída.

O peito de Regina Mills parecia despedaçar-se, o ódio que aquecia suas cordas vocais eram o único motivador de energia em seu corpo. Sentia o vazio que ainda se alojava dentro dela, se rasgar ocupando mais e mais espaço. Era agonizante. Havia se desacostumado com aquela dor causada pela maldição. Ela foi até a varanda da torre mais alta, podia ver o castelo com seu telescópio, mas preferia usar magia para tal. Erguendo a mão, a Rainha fez surgir uma névoa roxa revelando a imagem aos poucos. Emma Swan entrava no quarto batendo a porta atrás de si. Regina fechou os punhos, havia sido ela quem destruíra sua maldição e sua vida por completa. Como ela odiava aquela loira, talvez mais que... Não, isso era impossível: Odiar alguém mais que odeia a Snow White.

“Espere...” Resmungou para si mesma. Emma tinha as linhas de expressão de seu rosto comprimidas para baixo, parecia triste. Depois de quebrar a maldição, era de se esperar que o reino estivesse em festa. A loira caminhou cabisbaixa até a cama e jogou-se no colchão, de modo que sua cabeça afundasse no travesseiro. Regina não conseguia compreender. Não era isso que eles queriam? Por que era tão difícil deduzir o que se passava na cabeça daquela mulher?

Emma lançou um olhar para a janela, exatamente onde Regina a estava vigiando. Por um momento, o olhar verde-esmeralda cruzou com o dela. Se não fosse impossível, a Rainha podia sentir o olhar da loira, ir de encontro ao seu. E então, Regina se lembrou. O castelo de inverno estava desprotegido, e visível para qualquer um que contemplasse o horizonte. Rapidamente, ela ergueu os braços reunindo o máximo de energia necessária para concluir o feitiço. E sem demora, foi feito: O castelo estava invisível. A luz atravessava diretamente o palácio sem vestígio algum que algum dia existira ali. Regina suspirou aliviada, e voltou a olhar para a névoa. A loira havia levantado à procura de algo. Ela teria visto seu castelo? Por longos segundos, a Rainha acompanhou os olhos verde-esmeralda de Emma. Eles sempre foram tão chamativos assim? Swan procurava por algo em meio ao horizonte, mas seja lá o que fosse já havia sumido. Se ela houvesse visto o castelo, fora por breves segundos.

“Emma...” A voz inconfundível de Snow White soou no salão onde Regina os observava. Ela podia ver David no corredor, esperando para adentrar o quarto. O homem falava preocupado com Leroy — ou Grumpy-, depois que a esposa havia entrado e fechando a porta atrás de si. Regina sacudiu os dedos, fazendo com que a imagem focasse apenas no Príncipe.

“Então combinamos assim.” Disse Charming seriamente. “Cuidem da reconstrução do castelo, eu mesmo entrarei em contato com Gold... Rumpelstiltskin... A respeito de Regina.” Sibilou rapidamente. O anão assentiu prontamente ao rapaz e então, partiu na direção oposta. David se virou para a porta fechada, um longo suspiro cansado saiu de sua garganta antes de, finalmente, abrir a porta.

A Rainha acompanhou David adentrando o quarto, manipulando a imagem no ângulo que mais a favorecia.

Snow envolvia a filha nos braços, e, um tanto que obrigada, a loira correspondia. David juntou-se a elas em um abraço grupal. “Você nos encontrou” Sibilou o Príncipe. Ambos os pais com lágrimas nos olhos, enquanto algo gritava pela atenção da mulher que os observava longinquamente.

Regina se esticou, inutilmente, para conferir aquilo que pensava ver. No rosto da Salvadora havia uma pequena expressão incomum, que todos na Floresta Encantada chamavam de beijo escondido. O que, ao contrário do que o mundo real chama, significava para a pessoa que o tivesse; uma grande aventura. Entretanto, o beijo guardava uma essência especial que só se manifestava em emoções intensas e só era possível ver quando em lugares mágicos.

“Eu não sei o que está acontecendo aqui” Emma disse, despertando Regina de seus próprios pensamentos.

Apressadamente, a Rainha levantou-se da poltrona que descansava, sem desfazer a conexão de sua magia. Os guardas batiam na porta, pedindo permissão para entrar. Ela concedeu sem dar muita atenção.

“Os espelhos, Vossa Majestade...” Sibilou o primeiro cavaleiro. Regina, sem dar-lhes crédito algum, voltou para a névoa estabelecida no ar, que ainda erguia a imagem para o quarto da Srta. Swan. Enquanto os guardas adentravam segurando cuidadosamente um espelho por vez, a morena sentava à sua poltrona retornando à tarefa anterior. O cristal foi posto sobre a cômoda e em lugares estratégicos em todo o salão, e assim que executaram a ordem de sua realeza deixaram o cômodo o mais de pressa possível.

“Argh! Como eu odeio toda essa bobagem” Comentou Regina revirando os olhos para a imagem erguida a centímetros de sua poltrona.

“Você parece confusa, diga-me, o que lhe aflige?” Questionou David, agora sozinho com a loira. Regina tentou aproximar a imagem, mas não era mais possível.

“Certo” Respirou fundo. “Isso é real?!” A Rainha bufou decepcionada com a pergunta. O Príncipe assentiu, rindo. “Onde está Regina?”

A morena franziu o cenho. Por que Emma iria querer saber dela? Ela não deveria estar feliz por saber que Regina estaria bem longe? Assim, poderia ter Henry só para si. No entanto, ao contrário do que a antiga prefeita esperava, os olhos verde-esmeralda exalavam verdade em sua preocupação. Não se tratava de Henry. Regina sacudiu sua cabeça, livrando-se de tal pensamento. Talvez Emma fosse igual à mãe, se importava com os outros superficialmente, como estão acostumados os heróis, mas na verdade, eles nunca faziam de fato.

Após alguns segundos de hesitação, Charming respondeu confiante.

“A Rainha fugiu, provavelmente tramando novos planos, mas não se preocupe, pois nós vamos encontra-la” Disse com seu antigo ar heroico. Regina riu sarcástica.

“Boa sorte com isso” Sussurrou a Rainha irônica, sabendo que não estava sendo escutada pelo Príncipe.

“... Vocês não pensam em...” A morena silenciou-se ao perceber que Swan falava. Algo chamava atenção no rosto da loira, mas Regina não conseguia identificar. Estava vendo à antiga Sheriff de outra forma; mais vulnerável quiçá assustada.

“Matá-la?” Charming disse. “Emma, você não sabe do que aquela mulher é capaz. Ela fará de tudo para conseguir o que quer: Destruir a nossa família.” Sibilou quase como um discurso ensaiado. Regina protestou, silenciosamente.

“Não, Regina tem uma família agora, ela tem Henry. Não precisa mais disso, se ela voltar é porque quer se juntar ao filho dela.” Retrucou Emma, virando-se para encarar a imagem da janela. Era quase como se ela a olhasse nos olhos. As imensas íris verde-esmeralda brilhavam consumindo quase toda a pupila, por causa do excesso de claridade. Regina recuou, sentindo-se observada.

“Seu filho” Corrigiu David erroneamente. Regina rangeu os dentes, sentindo o ódio consumir seus nervos.

“MEU FILHO!” Gritou Regina, como se pudesse ser ouvida.

“Nosso filho” A voz de Emma retrucou, fazendo a Rainha se calar imediatamente. Não fazia ideia que Swan pensava daquele jeito. ‘Nosso filho’, talvez a morena nunca houvesse pensado em cogitar essa opção. A névoa falhava, já fazia muito tempo em que era erguida a fim de vigiar os Charmings. Toda magia tinha sua limitação, e essa não era diferente. Entretanto, ela tinha de persistir por mais alguns minutos. Emma havia levantado e caminhado até a sacada. Seu rosto quase parecia tocar o de Regina, dado a impressão que tinha de distancia. A loira parecia pensativa, e mais uma vez, a Rainha desejava ter a capacidade de ler mentes.

“Eu não conseguiria cuidar de Henry sozinha” Resmungou Swan. A morena pela primeira vez não emitiu sequer um comentário. Não conseguir desvendar o que o rosto da Salvadora escondia, e muito bem. Já era insano Regina ter percebido o beijo no canto da boca da loira, mas ainda havia algo, além disso.

“Certo, faremos o seguinte: Vamos esperar. Se Regina quiser trégua, estou disposto a fazê-la, pelo bem da nossa família. Mas não conte nada à sua mãe ainda, ela ainda guarda muita mágoa da Rainha Má.” Disse Príncipe Charming, quebrando a concentração da Rainha.

Rapidamente, a morena olhou para Emma, a procura de sua reação. As sobrancelhas da loira se franziram como quem se incomodasse com a frase dita anteriormente.

“Por favor, chame-a de Regina...” Swan resmungou pensativa. “Eu não quero me acostumar com esse nome.” Acrescentou mais uma vez retirando de Regina o profundo silencio.

Regina ergueu a mão pronta para quebrar a conexão que a permitia que ela os vigiasse quando David assentiu ao pedido da filha. Não havia nada mais para se vir naquele cômodo e tampouco naquele castelo. E embora a Rainha tivesse conhecimento disso, ela continuou a observar o semblante da loira, minutos depois do pai sair. Emma parecia incomodada e angustiada. A morena não conhecia compreende-la. Tinha o castelo, um nome, uma família e a chance de ser feliz para sempre, e mesmo assim Swan era infeliz. Isso Regina percebia claramente, pois tal sentimento era seu velho e fiel amigo. De repente, a névoa se dissipou tão rápido quanto surgiu. A Rainha estava fraca, a magia usada havia sugado boa parte de suas energias.

Após longos segundos, Regina levantou sem saber o que pensar. O beijo escondido, a infelicidade e o fato de não saber o passado eram detalhes que não poderiam ser ignorados. Qual seria o segredo que a Salvadora poderia esconder? Se ela tinha essa missão, porque está infeliz agora que foi cumprida?

“No que tanto pensas?” Perguntou Sidney refletido no espelho. Mas a morena sequer o olhou. “Há algo que chamou sua atenção?” Sugeriu.

“Sidney, relembre-me o que significa o beijo.” Ordenou a Rainha. O homem prontificou-se a falar, como se relembrasse de um texto já decorado.

“Ora, Majestade. O beijo é a marca de uma aventureira, é claro.” Respondeu. Regina caminhou até estar à frente do maior espelho posto em sua sala.

“E este desaparece quando a aventura termina?” Questionou a morena. Sidney pensou por um minuto.

“Certamente não” Finalmente respondeu. Regina relaxou os ombros, então a aventura guardada à Emma seria a quebra da maldição e nada mais. “Para aquele que possui a marca, que possui o beijo, a aventura nunca termina, Vossa Majestade.” Sidney se apressou a acrescentar.

“O que isso significa? Há mais coisa pela frente?!” Regina protestou, cerrando os punhos. O homem oprimiu os lábios, sem saber a resposta correta a dar. Mal sabia sobre o que se tratava as perguntas feitas por sua Rainha.

“Minhas habilidades são limitadas, Majestade.” Lamentou-se. Regina deu de ombros, segurando sua capa enquanto andava em círculos em seu salão.

“Eu ao menos preciso me comunicar com Henry de alguma forma... Algo discreto...” Pensava alto, desta vez, num tom preocupado. “Dizer que estou bem. Se é que ele se importa...”.

“Suponho que não lhe faltará maneiras, Majestade”. Elogiou Sidney.

“Essa Swan vai acabar me destruindo.” Resmungou de volta com o tom amargo. “Preciso de um plano para recuperar Henry, e então livrar-me desta maldita... Mas como?” O barulho do salto da Rainha contra o piso preenchia o cômodo, além de sua própria voz. Se não fosse por sua sala, o castelo permaneceria no sombrio silencio que era antes de sua chegada. Aqueles que não foram afetados pela maldição esperando quietos e congelados durante vinte e oito anos a espera do próximo comando da sua majestade. Os guardas e outros serventes não havia outro motivo para viver se não para servir a sua Rainha.

Há muito tempo, quando Snow chorava a morte do pai e Regina assumira o trono do reino, todos os corações dos empregados do castelo haviam sido arrancados. A Rainha precisava de sua lealdade, e se não conseguira de um jeito, conseguiria de outro. Com exceção de Johanna –a inútil servente de Snow- e os guardas que mantinham as aldeias em ordens, todos tiveram seus corações arrancados e guardados no cofre de Regina, tendo assim, sua fiel lealdade.

Com quebra da maldição, nada havia mudado. E seus criados ainda a vangloriavam tão intensamente quanto a anos atrás.

“Sidney!” Regina gritou, fazendo o reflexo do homem, tremer de susto. “Chame Claude para mim” Ordenou. O espelho hesitou por um momento.

“Tem certeza que deseja chama-lo Majestade?” Questionou Sidney. A Rainha virou-se para o reflexo, suas íris ardiam de raiva.

“Parece que estou brincando?!” Retrucou. “O que sugere? Jefferson não iria me atender nem se eu suplicasse... Coisa que nunca irei fazer.” Comentou sarcástica. Sidney não apoiava a ideia da Rainha. Claude era um velho amigo, cuja origem nem o espelho tinham conhecimento. O rapaz servia a realeza, porém seu semblante era tão sombrio quanto a sua Majestade. Além de tudo, os dois eram cumplices e flertavam a todo tempo. Não era como se Sidney não visse Regina usando todos para satisfazê-la quando ela bem entendia, mas aquele homem era diferente. De qualquer jeito, o espelho o odiava.

“Se é isso que deseja...” Resmungou Sidney, desaparecendo aos poucos.

Regina deu passos a frente, observando seu próprio reflexo. Erguendo a mão até seu rosto, deslizando seus dedos em sua lisa pele. O tempo agora iria correr tão de pressa quanto antes.

Após minutos, a Rainha continuou do mesmo jeito, flutuando em seus pensamentos.

De repente, a porta do salão se abriu. Um homem branco, com cabelos lisos e escuro e um terno surrado preto, estava parado em meio a porta. Todo o cabelo estava preso para trás, exceto pela franja que fugia caindo em meio ao rosto pálido do rapaz. Com um sorriso largo e seus imensos olhos verdes-neon.

“Claude!” Exclamou Regina, fitando o homem de cima a baixo. “Quanto tempo, não?” Acrescentou com um sorriso satisfeito. Claude deu um sorriso cúmplice como resposta logo após reverenciar sua Rainha.

“É um prazer revê-la” O homem cumprimentou. “Vejo que teu plano não saiu como o esperado” Comentou, tomando a liberdade de caminhar até a pequena mesa de centro, onde havia uma jarra cheia de chá e várias xícaras detalhadamente arrumadas. Regina o acompanhou, sentando-se em uma das cadeiras e servindo uma xícara de chá para si e para seu companheiro.

“Detalhes, detalhes...” Resmungou a morena. “O fato é que você estava certo e agora, eu preciso de sua ajuda.” Disse, bebericando seu chá. Claude sorriu levemente.

“É sempre agradável ouvir isto” Comentou. “Mas diga-me; A que devo meus serviços?”

“Infelizmente não há novidades além de uma nova...” Regina parou para pensar no adjetivo correto. “... Inimiga?”

Claude franziu o cenho, estaria Regina imprecisa?

“É adorável sua facilidade em fazer novas inimizades” Comentou o rapaz sarcástico. A Rainha deu de ombros. Aquilo não era algo que ela se orgulhava, mas o que poderia fazer? “O que quer exatamente? Livrar-se da sortuda?”

“Sortuda?” Questionou a morena.

“Para conseguir tal atenção da Vossa Majestade, devo referir-me a ela como uma moça de sorte.” Resmungou cínico enquanto bebericava seu chá. Regina ergueu a sobrancelha, um tanto desconfiada.

“Quer que eu a mate?” O homem foi direto ao assunto, percebendo que seu elogio não havia sido bem recebido.

“Não!” Respondeu imediatamente.

Claude hesitou. Quando Regina absorveu a ideia de vingança contra Snow White, uma das primeiras pessoas a recorrer foi ao homem. Embora os serviços do rapaz sejam mais seguros, eles eram também muito rústicos, certamente cruéis. Quando sua tarefa era aniquilar alguém sem sequer piedade, ele se divertia com sua vítima do modo mais psicopata possível. Regina já havia presenciado tais cenas, sabia com quem estava lidando... Ou quase isso.

Sendo assim, ela preferiu fazer um acordo com Rumpelstiltskin. A Rainha, naquela época, ainda mantinha uma ligação muito forte com Snow, e por ser jovem, não queria impor um castigo tão severo quanto à morte. Todavia, conforme os anos se passavam, o ódio e a sede de vingança começaram a consumir sua sanidade até restar apenas à imagem da traidora que destruiu a vida de Regina.

“Bem, estou ansioso para conhecê-la” Claude comentou em um tom desafiador. Era como se o rapaz estivesse aproveitando mais a ideia de vingança contra a Salvadora do que a própria Rainha.

“Muita coisa aconteceu, meu caro.” Regina disse, levantando-se da mesa de chá. Claude a acompanhou, compreendendo que a visita havia terminado. Segurando o manto que cobria seu longo vestido, a Rainha caminhava salão a fora. O homem a seguiu adentrando os corredores do castelo. Pela primeira vez, Sidney não se refletia nos espelhos espalhados por todo palácio. Há muito tempo, Regina havia ordenado que este só aparecesse quando fosse chamado e o espelho, muito fiel, não se atrevia a desobedece-la.

“Mas receio que um dia não seja o suficiente para contar-lhe o que passei.”

Notas finais
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