The Hidden Kiss

10 A Lovely Day to Hide Yourself


* * *

Regina não deu as costas a Emma sem antes avisá-la o horário que o almoço seria servido. Ela precisava de um tempo, mesmo que curto, para assimilar a informação que recebera. De fato, a Rainha não pensava nas reais intenções da loira. Talvez ela não fosse tão heroica como dizem as histórias e profecias. Swan vivera no mundo real, afinal. Onde heroísmo é raro, quiçá dispensável. Conviver com ela talvez não fosse algo tão insuportável.

A Rainha se encaminhou de volta aos seus aposentos para checar de Claude ainda permanecia no castelo. A sala — semelhante ao escritório na prefeitura — estaria vazia se não fosse pelo homem sentado no sofá de couro preto, de pernas cruzadas e braços erguidos sobre as almofadas. Regina se aproximou sem se preocupar com seu sorriso satisfeito.

“Vejo que constatou o que eu lhe disse.” Comentou Claude, num tom malicioso. Regina sentou-se no sofá ao lado do homem.

“Sim, mas você se enganou.” Disse Regina. “Emma não me vangloria, de modo algum. Ela tem um objetivo aqui. Não veio por acaso.” Acrescentou, arqueando a sobrancelha. Claude se ajeitou no sofá.

“É difícil acreditar nisso pelo estado em que ela chegou ao castelo.” Resmungou o mordomo. Regina riu brevemente.

“Pode ter sido o destino, não importa. O que digo é que Emma quer a minha ajuda para voltar à Storybrooke.” A voz da Rainha parecia aérea, como se — enquanto falasse — vários pensamentos transitassem dentre sua mente. Claude a observava atentamente, absorvendo suas expressões. “Ela não é boba igual à mãe.”

“E isso lhe agrada muito, pelo que posso ver.” Disse o homem. Regina riu brevemente.

“É lógico que sim. Como não agradaria? Ver o herói mostrar seu verdadeiro lado? É interessante o fato de ela estar disposta a abandonar a família que acabou de conhecer.” Disse, levantando-se novamente. Claude a acompanhou desta vez.

“Bem, o que pretende fazer após essa grande revelação?” Perguntou, num tom sarcástico. “Quer desistir de usá-la para sua vingança?” Regina o fitou pensativa por um momento.

“Claro que não... Eles vão pagar por tudo que me fizeram. Mas, talvez, eu não precise tortura-la para que ela coopere.” Respondeu convicta. Claude arqueou a sobrancelha, como se a ideia não lhe agradasse. “E quem sabe, eu possa...” A Rainha parou por um momento. Claude chegou a esticar a cabeça, em busca do fim da frase. “Não. É claro que não.” Os ombros do mordomo caíram de frustração.

De repente, um bater na porta fez com que qualquer tentativa de Claude de questionar o pensamento da Rainha fosse falha. Os olhares se voltaram para a maçaneta. A cabeça de Eros apareceu em meio à porta, hesitante.

“Perdoe-me interromper, mas... O almoço está servido.” Anunciou Eros, gaguejando ao perceber a presença de Claude. O mordomo deu-lhe seu habitual sorriso esbranquiçado de orelha a orelha, de modo até assustador. A Rainha assentiu com a cabeça e Eros saiu.

“Quando disse que poderia se divertir com ele, não pensei que fosse começar tão rápido.” Comentou Regina.

“Bem, é o que os anos de puro tédio me levam a fazer.” Retrucou. Regina deu de ombros, e se encaminhou até a porta. “Mas tome cuidado; eu o quero vivo, e lúcido. Você sabe muito bem o que quero dizer.” Repreendeu Regina, antes de partir. Claude já começara a desaparecer aos poucos, tornando-se apenas uma sombra — parecendo um espírito. “Swan não pode desconfiar que eu estou de acordo com isso.” E com o mesmo sorriso, Claude sumiu.

* * *

Emma arrumou um jeito de prender seu cabelo em um rabo desajeitado com um elástico velho no pulso. Entretanto, preferiu continuar com a sua jaqueta, pois — embora o sol estivesse firme no céu — o piso e as paredes gelados isolavam o frio da noite durante todo o dia. Eros havia batido em sua porta contente para anunciar o almoço, e pedindo que não se atrasasse, pois logo em seguida de certificaria de chamar a Rainha. Swan ainda precisava se acostumar de ouvir chamarem Regina de Rainha. O quarto de hóspedes era grande comparado ao do castelo dos Charmings. Emma se perguntou se Henry sabia sobre esse castelo, ou se pelo menos, sabia que Regina estava segura em um. Talvez devesse falar com a morena para trazer Henry, mas pensou em sugerir isso numa hora mais oportuna. Ainda precisava checar se a volta para casa era uma possibilidade real. Para só então, envolver Henry.

E se fosse? Emma deixaria tudo para trás? O que aconteceria com Eros? Ele voltaria a ser um lobo, ou permaneceria um humano perdido a procura de sua alma gêmea falecida? Talvez essa simples decisão envolvesse mais pessoas que Swan gostaria. Snow e Charming, onde eles estariam agora? Snow só notaria sua ausência quando a Madre Superior viesse se queixar do péssimo comportamento da “princesa” em sua última aula. Mas de fato, Emma sequer se importava com aquela mulher. Ela era muito mais agradável quando não sabia quem, de fato, era. Importuna, severa e insensível. Não muito diferente de sua mãe, que se preocupava tanto em passar a todos uma boa imagem, que se perdia no relacionamento afetivo com a própria família. Se é que se podia chama-los de família. Afinal, Snow e Charming teriam a mesma idade de Emma se não fosse por alguns anos a mais.

Bem, sobre arriscar tudo para ter de volta sua vida normal, Emma ainda precisava analisar seu conceito de “tudo” e de “normal”. Afinal, se conseguisse ter Regina ao seu lado, por quanto tempo a teria como aliada? Entretanto, essa reflexão teria de esperar. Embora soubesse que a Rainha não iria se queixar, era de bom tom não se atrasar para seu primeiro compromisso com a realeza.

“Pensei que não viesse.” Disse Eros num sussurro, ao ver Emma caminhar em direção à sala de almoço e jantar. “A Rainha está a sua espera.” Informou.

“Como ela pode chegar mais rápido que eu, se eu fico mais perto?!” Questionou, num ar brincalhão. Entretanto, Eros não pôde rir, pois já havia aberto as portas. Emma tornou sua coluna ereta, mais para imitar Eros do que para passar uma boa imagem à Rainha.

A mesa que lhe esperava era maior do que imaginava. Retangular e extensa, ela oferecia mais lugares do que de fato ocupava. Nem se todos os serviçais se sentassem a mesa, poderia ocupar todos os espaços vazios. Todavia, a Rainha sequer parecia se importar. Um prato branco e raso, com vários talheres de diversos tamanhos era oferecido em polos diferentes. Tão distantes um do outro, pensava Emma. A loira caminhou até a mesa, mas não sentou no acento marcado. Ela deu mais longos passos até se sentar na segunda cadeira, ao lado da cabeceira da mesa. Apenas um lugar vago de distancia da Rainha. Regina sorriu, mas conseguiu se conter. Emma não seguia uma regra sequer. A morena fez um gesto com a mão, pedindo que levassem o prato servido até Emma, que agradeceu logo após o favor feito.

“Espero não tê-la feito esperar.” Disse Emma, num tom robótico, assim como seus serviçais. “... Majestade.” Acrescentou, com um sorriso bobo.

“Não, isso não é nada sonoro vindo de você.” Disse Regina, sem formalidade. “Seria como chama-la de Princesa.” Emma bufou imediatamente.

“Como eu odeio essa palavra.” Praguejou. Regina conteve o sorriso. Então, uma mulher corpulenta e de olhos opacos se aproximou, acompanhada de outras cozinheiras — era o que dava a entender com os aventais brancos -, e serviu o jantar em pratos de prata cintilantes.

“Obrigada.” Resmungou Swan. Regina simplesmente fez um gesto de cabeça, como quem as dispensasse por ora.

“Não me admira. Miss Swan, não consigo te imaginar de vestido e coque, ou em um baile promocional.” Comentou a Rainha, reorganizando os talheres. Emma se perguntou se deveria imitar o gesto.

“Bem, eu também gostaria de dizer o mesmo.” Disse a loira, com um sorriso sarcástico nos lábios. “Mas veja só quem me surpreendeu.” Então, a antiga mulher reapareceu para servi-las.

“Não é muito diferente das roupas de Prefeita.” Resmungou Regina, na tentativa levar a conversa para outro rumo. Emma riu brevemente.

“Oh, é sim. Pode ter certeza. Quer dizer... Eu nunca pensei que a veria de...” Se interrompeu imediatamente. Regina arqueou a sobrancelha. Swan fitou os garfos, um menor que o outro. Perguntou-se se ela deveria começar a comer ou se esperaria por Regina.

“De...?” Repetiu Regina, formando uma espécie de sorriso nos lábios. Emma limpou a garganta nervosamente.

“Desse jeito. Não importa.” Balbuciou. Regina deu de ombros, e escolheu seu talher. Swan decidiu imitá-la para que não fizesse nada de errado. Enquanto ambas comiam, o silêncio se estabeleceu no palácio. As serviçais hipnotizadas não mais as observavam, já haviam se recolhido. Eros, por sua vez, havia deixado o salão há algum tempo. Funcionários tinham suas refeições na própria cozinha do castelo.

“Bem, Miss Swan... O que pretende fazer a partir de agora?” Perguntou a Rainha, enquanto cortava seu pedaço de carne.

“O que quer dizer?” Questionou Emma, engolindo antes de falar. Regina suspirou pesadamente, precisava soletrar para que a loira entendesse?

“Pretende se esconder para sempre? Como está Henry nesse seu plano de se livrar desta terra? Digo, não foi nada prudente deixa-lo.” Dizia Regina, com um ar severo. Emma assentiu, sabia que Regina estava certa. Henry deveria estar no castelo com elas, seria muito mais fácil quando elas foram escapar para o mundo real. Após alguns segundos, Swan entendeu algo dito entrelinhas.

“Eu não cheguei até aqui de propósito, se é o que pensa.” Disse a loira, franzindo o cenho. Regina a fitou por um momento. “Eu estava tentando montar quando o cavalo começou a correr e vim parar aqui.” Explicou.

“Interessante.” Resmungou a Rainha.

“Eu estive pensando que nós podemos pegá-lo quando formos partir.” Estabeleceu Emma, com uma voz sonhadora. “Então, abrimos um portal, ou seja, lá o que for, e saímos daqui!”

“Miss Swan, sabe que não existe nós, não é mesmo? Muito menos o quão difícil é achar um portal para outro Reino.” Regina interrompeu rudemente. Emma engoliu seca.

“Não, não sabia. Mas você pode fazer isso, certo? Quer dizer, tem magia e tudo mais.” Disse, num tom de dar dó. Regina riu brevemente.

“Querida, magia é muito mais difícil do que se parece. Um portal para outro reino é raro, principalmente nessa terra devastada. Muitos anos se passaram e não há plantações de feijões mágicos, e o único com uma passagem jamais nos ajudaria.” Explicou Regina. Emma enfiou o garfo na boca, enquanto pensava.

“Quem?” Perguntou curiosamente, após mastigar.

“Jefferson.” Respondeu a Rainha, seca. Emma não falou durante alguns minutos, refletia sobre a última vez que vira Jefferson. Quando ele sequestrara Mary Margaret para atraí-la à sua mansão. Seu discurso insano de contos de fadas, que de fato era real. Emma havia tido todos os indícios de que a maldição era verdade e sequer cogitara a possibilidade de acreditar ser verdade. Jefferson, Henry... Graham.

“Entretanto, conheço alguém que pode nos ajudar.” A voz de Regina se tornou mais gélida. Emma se desconectou de seus pensamentos rapidamente, com um olhar esperançoso. Mal percebera a verdadeira intensão de Regina ou em sua mudança de entonação.

“Quem?! Mr. Gold?” Questionou receosa. Regina riu.

“Estou longe de fazer acordos com Rumpelstiltskin por algumas décadas, querida.” Disse risonha, mas Emma não a acompanhou. “Bem, ele tem um conhecimento mais amplo que qualquer uma de nós, pois é de outro reino. O veremos mais tarde, ainda hoje. Mas agora, tenho planos para esta tarde.” Concluiu, com um sorriso amplo e quiçá sombrio. Emma assentiu, mas ainda estava curiosa.

“É algum problema? Posso ir junto?” Perguntou Emma. Regina a fitou com estranheza. A loira nunca suportou permanecer com ela durante poucas horas e agora sorri ao vê-a? Quer segui-la em suas caminhadas ao fim da tarde?

“Só por curiosidade, Miss Swan, por que quer fazer companhia a alguém que odeia?” Regina questionou, afastando seu prato para longe e apoiando seus cotovelos na mesa. Seus olhos fitavam os olhos verde-esmeralda da loira, que não sabiam onde se esconder dada a pergunta anterior.

“Eu nunca disse que lhe odiava.” Respondeu após alguns segundos, pensativa.

“Nunca disse que me suportava.” Retrucou Regina, na tentativa de arrancar-lhe a verdade.

“É pelo Henry.” Respondeu, sem jeito. A Rainha balançou a cabeça negativamente.

“Não, é por si mesma. Mas não se preocupe Miss Swan, todos nós somos egoístas ao fim de tudo. Apenas nos enganamos ao pensar o contrário.” Contrapôs, levantando-se da mesa. “Vejo que vamos nos dar muito bem.” Comentou, com um sorriso misterioso nos lábios. Emma não conseguiu distingui-los, mas sentia estranha com isso.

“Aonde vamos?” Perguntou Emma, antes que Regina saísse do salão. E morena se virou.

“Encontre-me nos fundos do castelo. Eros sabe o caminho.” Anunciou em resposta, alto o bastante para que qualquer um da cozinha fosse capaz de ouvir. Seu habitual tom Real. Regina fechou passou sobre a porta e as fechou por trás de si sem sequer tocá-las. Emma se perguntava se ela conseguiria fazer isso um dia. A magia mais simples era um enorme desafio para ela, talvez não fosse sua vocação. O que seria irônico, dado a seu histórico de magia feita ao acaso.

Emma se viu sozinha após a saída da Rainha, não havia mais o que fazer. Sequer fome tinha para continuar a refeição. Deixou a comida de lado e levantou-se também. Eros não aparecera, muito menos uma das mulheres que havia lhe servido, não tinha outra opção se não voltar aos seus aposentos.

O caminho até seu quarto era mais curto na volta, era a sensação que tinha. Sua cama estava arrumada, diferente do que vira ao sair. Havia peças de roupas dobradas sobre o lençol, junto com alguns sapatos. Botas de couro preto, próprias para caça. Um armário de madeira escura havia sido colocado a alguns passos da cama, junto com um espelho de corpo inteiro logo ao lado. Emma não se atreveu a olhar o que tinha naquele guarda-roupa, caminhou até a cama e desdobrou o que havia sobre ela.

“Eu que escolhi.” A voz atrás de si a fez saltar de susto.

“Eros!” Exclamou ponto a mão sobre o peito, suspirando ofegante. “Nunca. Mais. Faça isso.” Disse pausadamente. A expressão feliz do homem desapareceu imediatamente, tornando os olhos arrependidos. Emma repensou sua frase. “Está tudo bem. Desculpe você me assustou.”

“Viu as roupas? Eu que escolhi.” Repetiu voltando com sua expressão animada e até infantil. Emma não pôde deixar de rir. “Tive uma ajuda, mas as botas foi minha ideia. A Rainha disse que você a acompanharia na caminhada, então resolvi trazer esses sapatos. São muito bons para andar.” Tagarelava.

“Certo, certo. Regina é rápida, não é? Quer dizer, ela saiu de lá não faz nem dez minutos e... Enfim.” Concluiu, ao perceber que Eros não prestava atenção alguma nela. O homem se posicionava na janela, seu olhar parou no lado de fora, bastante atento, pondo a mão no pescoço.

“Está tudo bem?” Perguntou Emma. Ele demorou a perceber que se referia a ele.

“Oh, sim. É que...” Disse olhando mais uma vez para a janela, então, seu rosto tornou a ficar sério. “Não é nada.”

“Não parece nada. Deixe-me ver.” Disse preocupada. Emma andou até a janela, mas não havia nada além de torres e telhado. Havia uma pequena visão para os fundos do castelo, mas estava longe demais para enxergar qualquer coisa. Ela se virou para Eros, comprimindo os olhos. “O que é isso?” Perguntou, apontando para sua mão coberta pela luva.

“Nada.” Respondeu rapidamente. “Esqueça, vamos ver como a bota fica em você!” Disse Eros, voltando com seu sorriso infantil. Emma o fitou, mas não insistiu mais. Ela se sentou na cama, examinando as roupas. A calça era justa demais, de couro preto. A blusa branca de ceda lembrava a vez que Henry lhe emprestou uma camiseta de Regina — era típica da Prefeita.

“Bem, o banheiro está pronto. É melhor se vestir logo, para não deixar a Rainha esperando.” Disse animado. Emma assentiu e pegou as roupas, jogando-as sobre o braço e se encaminhando para o banheiro, mas parou em frente à entrada — não havia porta ou qualquer coisa semelhante.

“O que está esperando?” Perguntou Eros distraidamente.

“Você sair, ora. Acha que vou me trocar com você aqui?” Exclamou Emma, com estranheza. Eros franziu o cenho, e revirou os olhos.

“Céus, vocês humanos são muito estranhos. Está bem, está bem.” Resmungou, virando as costas e saindo do quarto, fechando a porta atrás de si. Emma riu após sua saída. Era engraçado como Eros se referia aos humanos, Swan precisava lembrar a si mesma de que ele não está acostumado a ser um, por ora. De longe, o homem dá a sensação de ser um leal cavalheiro real, mas para convivendo mais intimamente -se é que Swan poderia dizer tal coisa- sua alma era tão ingênua como de uma criança. Fazia-se feliz com coisas pequenas e triviais como botas de caça novas.

O que lhe esperava no banheiro era uma banheira branca e larga, com pés de ouro, quase transbordando. Ao lado, havia um criado mudo de cristal com tudo que precisava para higiene. Não era preciso acrescentar detalhe algum, havia espuma o suficiente para o banho. Emma só havia entrado numa banheira uma vez em toda a sua vida, quando se hospedara em um bom hotel após o pagamento de um complexo serviço. Mas não era nada que Swan não pudesse resolver.

Ela tentou não demorar, mas a água estava verdadeiramente agradável. Emma deixou sua roupa sobre o criado mudo e permitiu-se adentrar a banheira. Suas costas tocaram a banheira fria, mas não demorou até que a pele se acostumasse com a temperatura. Emma deitou sua cabeça sobre a quina da banheira e fechou os olhos. Esquecera o quão relaxante era estar ali, e por um momento esqueceu-se de todos os problemas que a esperava.

* * *

“Sidney, confira se minha ordem foi realizada.” Comandou Regina, enquanto adentrava seus aposentos. A imagem do homem já formada no espelho assentiu.

“Sim, Vossa Majestade.” Sibilou, desaparecendo aos poucos. A Rainha jogou-se na cama, aproveitando a oportunidade de se ver livre do reflexo. Seus músculos estavam contraídos, e sua mente gritava consigo mesma. O que iria fazer agora? Seu plano era massacrar o Reino, tomando Emma como prisioneira. Torturando-a física e psicologicamente. Oferecê-la como troca para os Charmings, para que pudesse ter Henry de volta. Entretanto, a proposta oferecida a ela era igualmente satisfatória. Ela se veria livre de Snow White, e teria seu filho. Mas Emma Swan também viria com eles, o que certamente seria um problema. E se Swan decidisse levar o filho com ela? Sair de Storybrooke e leva-lo. Não, Regina não iria dividir Henry com ninguém. Precisava de mais tempo para pensar.

“Vossa Majestade, os utensílios já estão em uso.” Anunciou Sidney, com sua voz ecoante. Regina teve de levantar.

“Mostre-me.” Ordenou. O homem hesitou. “Qual o problema? Não tenho o dia todo.” Protestou.

“Tem certeza, Majestade?” Questionou o homem. Regina estava prestes a gritar com o espelho, mas este fora rápido em desaparecer. A imagem fora reaparecendo vagarosamente, o quarto de Emma estava vazio, mas as roupas mandadas não estavam mais dobradas sobre a cama, como havia exigido. Contudo, a imagem deu lugar ao anexo do quarto. A banheira estava prestes a transbordar, principalmente agora que não havia apenas água dentro dela. Regina prendeu a respiração ao assimilar o que via. O cabelo loiro de Emma estava caído sobre o lado externo da banheira, chegaria a tocar o chão se não fosse por alguns centímetros. Seu pescoço e ombros eram a única parte fora d’agua. Era possível ver a palidez de sua pele que, pelo que se lembrava, deveria ser mais bronzeada que isso. A espuma que cobria toda a superfície já era escassa, quase ausente. Cobria partes estratégicas, mas em poucos segundos se tornaria completamente inútil. Seu olhar desceu dos olhos fechados e ainda sim pensativos, até o topo dos ombros.

“Vossa Majestade...” Sidney chamou, limpando a garganta. Mas Regina não pareceu ouvir. A espuma que cobria parte de seu busto agora se dissipara, deixando os seios nus desprotegidos. Se houvesse alguma fraqueza nela, pensava Regina, que pudesse ser usada ao meu favor. O corpo de Emma era mais visivelmente agradável que a maioria de os escravos pessoais de Rainha — Regina nunca admitiria ser de fato bonito. “Majestade!” Exclamou Sidney. Regina o olhou, ele se mantinha refletido em um espelho paralelo.

“O que foi?!” Protestou Regina, lamentando-se por ser interrompida.

“Creio que já constatou o serviço realizado.” Disse o reflexo. Regina revirou os olhos e voltou a observá-la, não tinha tempo para insinuações enciumada de Sidney. Emma se mexeu suavemente, abrindo os olhos. Ela levantou-se apressadamente, achando que perdera a hora, e levantou. Se Sidney estivesse murmurando algo, ela sequer estava escutando. A loira deixou toda a água escorrer pelas suas curvas. Regina observou cada gota com cautela, a loira procurava pela toalha que se encontrava na segunda gaveta do criado-mudo. Após, vê-la vestir as roupas que Regina mandara, o som exterior foi tomando lugar em sua mente. A calça lhe caíra muito bem.

“Não se preocupe, Sidney. Não quero atrapalhar, é uma bela cena, de fato.” A voz de Claude a fez despertar. Regina virou-se, sacodindo a mão e fazendo com que a imagem anterior sumisse imediatamente.

“Bater é algo moderno demais para você?” Retrucou Regina, sentindo-se sem jeito pela imagem anterior. Claude riu.

“Minha chegada foi anunciada duas vezes, mas tudo bem. Vossa Majestade estava entretida.” Comentou, sentando-se na cama e cruzando as pernas finas. Regina bufou.

“Está entediado? O que veio fazer aqui? Pensei que só viesse pela noite.” Desconversou, caminhando em sua direção. Claude sorriu amplamente.

“Não, querida. Estou de excelente humor.” Respondeu. “Vim alertar minha Rainha de que o Rei Chaming mandou um grupo de busca para a floresta nessa manhã. Os pobrezinhos estão batendo cabeça no meio da mata, é hilário.” Contou risonho. “Tome cuidado se for sair.” Concluiu.

“Emma vai comigo. Mantenha-os longe.” Comandou. Claude levou sua mão até o peito, fingindo estar ofendido.

“É só isso que mereço? Um obrigada caía bem.” Comentou sarcástico. “E por que a princesinha irá lhe acompanhar? Está brincando com a presa, minha querida?” Perguntou Claude curioso. Regina sorriu de lado, pensando no que vira segundos antes.

“Ou está entediada, ou acha que vai conseguir algo de mim.” Respondeu a Rainha. “Mas, sabe, talvez me divertir um pouco não seja uma má ideia.” Um sorriso mais que satisfeito brotou nos lábios de Claude, de modo que toda sua impecável arcada dentária fosse exibida. Tudo estava caminhando bem.

Notas finais
Reviews? Vai, podem admitir que mesmo detestável o Claude dá uma ajudinha, não é? Obrigada pela leitura! O próximo cap. vai ser um passo significativo... Aguardem.