The Hellmuths

2 Garotas sem rumo


Notas iniciais
OI OI OI :)
HEY GIRLS! WHAZUPP!
Então, fiquei muito feliz com os rewiens :) Mesmo!
Por isso vim postar mais cedo. COOF COOF, me amem.
É.
Nada muito a falar aqui, mas nos vemos nas notas finais.
NOTAS. LEIAM. É.
É isso :3
Enjoy it!

Narrado por: Lollie Pepper

Ouvindo: Rebel Rebel – David Bowie.

- DESLIGA ESSA PORCARIA! – Milly berrou sonoramente do corredor. Encarei a porta fechada do meu quarto, com o pôster dos Ramones me encarando.

- E aí Joey? – perguntei vagamente para Joey Ramone, com o cabelo cobrindo o rosto – Devo abaixar?

Silêncio. Cortado pela voz de David Bowie no meu rádio portátil acima do criado mudo.

- Não? Concordo. Vou aumentar... – decidi aumentando ainda mais a estação de rádio e fazendo as janelas do quarto tremerem por um segundo.

Agora a musica gritava mais alto que minha irmã mais velha e implicante.

Batidas na porta. Parecia que alguém queria arrombar.

- VAI EMBORA! – gritei.

- ABAIXA ISSO! NÃO CONSIGO OUVIR MEUS PRÓPRIOS PENSAMENTOS!

- AH! VOCÊ PENSA? ESSA É NOVA! – retruquei.

Milly continuou batendo na porta.

Pus as mãos no meus ouvidos e comecei a gritar mais alto que ela e que Bowie.

- REBEL REBEL, YOUR FACE IS A MESS! REBEL REBEL, I COULD THEY KNOW! HOT TRAMP, I LOVE YOU SO!

- LOUSIE! ABAIXA ANTES QUE EU ARROMBE ISSO!

- REBEL REBEL, YOUR FACE IS A MESS! REBEL REBEL, I COULD THEY KNOW! HOT TRAMP, I LOVE YOU SO!

- É SÉRIO!

Olhei a porta novamente, e por um segundo vi Joey Ramone esboçar um sorriso.

- Por que ela não cala a boca? – resmunguei sob os gritos e socos que Milly dava a porta.

E então ela parou.

Suspirei aliviada e David terminou a musica. Agora Debbie Harry me balançava ao som de One Way or Another.

Barulhos de chave na porta. Merda.

Milly deve ter achado as chaves de emergência da mamãe.

Entenda, minha mãe é uma pessoa no mínimo neurótica e acha que eu poderia por fogo no meu quarto a qualquer descuido (o que é verdade), e portanto mandou fazer ‘chaves extras’ de todos os cômodos da casa e as escondeu. Assim, se algo acontecer a mim ou a Milly, como ficarmos presas juntas no banheiro, ou ela me trancar na despensa, minha mãe não precisaria chamar o chaveiro. Ela teria as chaves de emergência.

Milly girou as malditas e abriu a porta com violência, mandando os Ramones de encontro com a parede.

- Eu vou te matar! – anunciou apontando ameaçadoramente para mim.

Atirei meu travesseiro nela.

- Eu já não disse para você ir embora? – esbravejei.

- Me dá essa droga de rádio agora! – ela exigiu.

- Nunca! – falei dramaticamente pegando o rádio e o abraçando.

- Sua... – ela saiu atrás de mim pelo quarto – Vem aqui!

- Sai do meu quarto!

- Me dá o rádio!

- Não!

Fui puxada com violência e jogada de volta na cama.

- HEY! – berrei histéricamente.

Ela puxou o rádio de mim com um movimento de surpresa.

- Me devolve! – pedi irritada.

- Sem chance – ela abriu a janela e atirou Debbie Harry desafinadamente para o jardim.

- O QUE VOCÊ FEZ SUA DOENTE! – Surtei me dependurando no beiral da janela e olhando chocada o rádio chiar e enfim se silenciar na grama.

Ela ignorou.

- Vou sair com Tommy – anunciou.

- Não vai não – respondi.

- Ah, vou sim – ela rebateu.

- Mamãe o odeia. Ela disse que não queria ver você saindo com ele novamente.

- Mas ela está vendo? – Milly arqueou a sobrancelha milimétricamente feita.

- Não importa. Vou contar. Você destruiu meu rádio!

- Você não vai contar nada para ninguém – ela ameaçou – Ou acabo com você.

- Puxa, estou morrendo de medo.

Ela me fuzilou com os olhos carregados de maquiagem.

- Estou indo.

- Vai me deixar aqui? – perguntei.

- Vou. Você fez dezesseis mês passado. Já sabe se virar.

- Eu quero ir – anunciei para o horror dela.

- Você o quê?

- Eu quero ir. Não entendeu?

- Não. Absolutamente não.

- Por que não?

- Não queremos frígidas por perto.

Abri minha boca e fechei pelo menos umas cinco vezes. Eu não tinha resposta. Eu era uma frígida.

- Não sou frígida.

- Se não fosse teria me batido já por ter atirado aquela sua coisa da janela. – ela disse descendo as escadas majestosamente.

- Espero que você morra! – gritei do alto da escadaria rangente de casa.

Ela com o corpo para fora da sala me mostrou o dedo do meio.

- Se divirta, irmãzinha!

E me trancou em casa.

Bufei.

Milly nunca foi uma irmã do tipo que dá exemplos. Com os cabelos cor de fogo empapados em litros de laquê barato, calças douradas, saltos plataforma e blusas justas, era a típica garota – fácil. Maquiagem pesada, humor sádico e más – companhias completavam sua já doce personalidade. Ela era encarregada de cuidar de mim, já que era alguns anos mais velha.

Minha mãe trabalhava no hospital local. E nunca estava em casa, o que fazia da nossa sala, ponto de encontro para os amigos imbecis de Milly fumarem maconha e se embebedarem. E eu ficava no meio daquilo tudo, observando e algumas vezes, roubando um pouco de vodka e traficando baseados para meu quarto, onde eu fumava e tossia simultaneamente sob os olhares rígidos de Joey Ramone, Mick Jagger e Robert Plant.

Mas eram raras vezes. Na maioria das vezes, eu era obrigada a servir comida, receber cantadas idiotas e responder perguntas do tipo: Por que você não tem tantos amigos como sua irmã?

Eu nunca fui de ter amigos. Nunca trouxe garotas em casa, nunca deixei ninguém fazer tranças nos meus cabelos vermelhos na hora do recreio, nunca falei de garotos para ninguém ou contei segredos em brincadeiras do tipo Verdade ou Desafio. Por um simples motivo: As pessoas são estúpidas.

Mudar minha vida? Eu sempre quis. Principalmente quando aquela menina esquisita apareceu com a proposta de ir para Los Angeles.

Suspirei. O relógio marcava sete e quinze. Ela provavelmente estaria no ponto de ônibus, a caminho de uma vida melhor.

E eu ficaria aqui, presa nessa cidadezinha perdida no interior do Arkansas. Provavelmente terminaria a escola, aceitaria um emprego qualquer e ficaria nele o resto da minha vida patética. Teria dois filhos com um homem igualmente frustrado e conservador que proibiria discos e televisão em casa. Envelheceríamos juntos e infelizes com nossos destinos e por fim, morreríamos. Sem sermos lembrados por absolutamente nada.

Entrei no meu quarto e fechei a porta, ficando cara a cara com o vocalista dos Ramones.

- Eu me odeio – sussurrei – Por ser tão covarde.

Ele me olhava.

Revirei meus olhos. Por que eu conversava com o pôster? Aposto que era a maconha, já fundindo meus neurônios de vez.

Desviei meu olhar para o relógio na cômoda de madeira polida.

Sete e vinte.

Abri meu guarda – roupa e tirei de lá uma mala de couro, que era da minha mãe. A coloquei na cama e comecei a puxar cabides e jogar as roupas dentro dela. Calças, tênis, camisetas, suéteres. Todos foram parar dentro daquela mala de couro de búfalo.

Abri minha gaveta de meias e enfiei minha mão até o fundo. Lá, eu mantinha uma pequena fortuna, que eu vinha juntando há uns meses. Cento de vinte dólares e sessenta centavos, para ser mais exata.

Enfiei as cédulas e moedas num saquinho e amarrei com firmeza. Joguei junto com uma bota roubada do quarto da minha irmã. Era a única coisa que valia a pena tirar dela.

Vesti minha jaqueta jeans por cima da minha camiseta uniforme da lanchonete – que eu agora usava como uma espécie de pijama – troquei as calças de flanela por jeans manchados e puídos e calcei botas.

Puxei o antigo contra – baixo do meu pai debaixo da cama e o pus nas costas.

Me encarei no pequeno espelho embutido no armário e sorri. Eu estava prestes a mudar minha vida. Disso eu tinha certeza.

Fechei a mala, sem antes tirar da parede Joey e companhia e enfia-los naquela mistura louca de roupas, sapatos e couro.

Fui até a janela do quarto, de onde Milly atirara meu mini – rádio e joguei a mala, que caiu com um som abafado na grama fofa.

Em seguida, fui até o criado – mudo a procura de caneta e papel. Achei um bloquinho e um lápis.

Escrevi um adeus rápido para minha mãe e Milly, avisando que decidira seguir minha vida sem elas e pedindo desculpas por isso. Deixei em cima da cama.

Puxei um dos galhos da arvore do jardim até conseguir apoio e tremendo com os pés no beiral, escorreguei até a arvore, descendo ruidosamente e nada agilmente depois. É um tanto complicado descer por uma árvore agarrada com um baixo

Peguei a mala e o rádio do chão. Bati nele, que chiou novamente.

- Funciona merda... – resmunguei mudando as estações.

Ele tocou, com alguma interferência, um trecho da nova musica dos Van Halen.

Sorri de leve e o carreguei junto. A rodoviária não era tão longe. Com a mala e o rádio debaixo do braço, corri pelas ruas, ultrapassando os carros nas ruazinhas perigosamente e tropeçando ocasionalmente.

O sino na igreja batia as oito horas. Apertei o passo. Eu chegara e o ônibus soltava fumaça pelo escapamento, saindo.

Corri atrás dele e quando alcancei a porta, comecei a bater desesperadamente, gesticulando e gritando para o motorista parar.

Felizmente, eu devia ter pego o cara de bom – humor. Ele parou o veiculo e abriu a porta, levantando poeira.

- Esse é o ônibus que leva para Los Angeles? – perguntei arfando um pouco e com as mãos no joelho.

- É sim – ele respondeu azedo – Quando anos tem?

- Idade o suficiente para pagar a passagem – repliquei.

Ele fez um gesto com a cabeça para que eu entrasse.

- São sessenta dólares, ruiva – ele informou.

Abri a mala e peguei minhas economias. Metade já havia ido.

- Aqui está – entreguei o dinheiro a ele e entrei pelo corredor do ônibus, a procura da menina da guitarra. O ônibus chacoalhava a cada buraco e eu ia de encontro com os bancos vazios. Poucas pessoas, a maioria mal – encarada, ocupava aquele veiculo. O mais barato ao que parecia.

Notei, com a cabeça encostada na janela do fundo, uma menina de cabelos negros e camiseta dos Sex Pistols me encarando pelas sombras.

Caminhei com dificuldade até ela, arrastando minha mala e o baixo.

- Pensei que havia desistido – ela disse puxando a guitarra para eu me sentar.

- É. Eu não desisti – me sentei.

Ela sorriu.

- Bem – vinda ao grupo.

Notas finais
BEM
VINDOS
AS
FANTÁSTICAS
E CHATAS
NOTINHAS FINAIS
PENTELHAS
DA
LOLIS :)
ok, acho que vocês já entenderam. É o seguinte, pessoas:
Os 4 primeiros capitulos são tipo, uma introdução a história. A partir do 5 temos 1 pulo de tempo gigante, então não se assustem :)
É isso :)
A espera de rewiens gatzos :)
Kissus
Lolis