The Hell Verse

24 Reencontro Caótico


Notas iniciais
Hey, hey! Eu já era para ter actualizado há muito mais tempo atrás, mas tenho um familiar hospitalizado e nem queiram saber a confusão que anda cá por casa. Bom como o próprio título indica é o grande momento! Lamento se não foi o que esperavam eheh Espero que tenha ficado bom ^^ Boa leitura*

O cabelo se estendeu longamente num manto negro, enquanto um céu avermelhado cobria redondamente as esferas acastanhadas.

Num momento breve eleva a zanpakutou no alto, no seguinte desfere impiedosamente um golpe sobre Kaien. Que atónico pela nuvem negra que possuiu o campo de batalha, não tivera oportunidade de reacção tendo sido consequentemente lançado contra um pilar rochoso. Posteriormente, todo o seu tronco estava coberto por uma mancha espessa de sangue que contornava os músculos visíveis através das vestes rasgadas do Shiba. Apesar do golpe profundo que o incapacitou não fora suficiente para o matar, o que tinha sido intencional. Kaien praguejava se mentalmente por ter fracassado em sua missão. Remoído novamente pela inveja. Seu sobrinho não só tinha a mulher que ele queria, como ainda possuía o poder para o derrubar e incapacitá-lo de lutar por ela.

– Maldição…

– Eu vou salvar Rukia.

– Não digas disparates. És só um humano, nunca vencerás Kokuto-sama…

– Também dizias que nunca te derrotaria.

O aliado dos pecadores mordiscou o lábio superior, pela falta de argumentos. Começando a escutar Ichigo caminhar na direcção oposta em que ele se encontrava, percebendo que ele ia enfrentar o seu superior. Sem conseguir levantar-se para o impedir, impossibilitado de sair daquela posição, ele revira cuidadoso o pescoço para encarar o ruivo entre a neblina agora menos espessa, consequência do enfraquecimento de seu poder espiritual. Constatou que o seu sobrinho tinha voltado à forma anterior mas por algum motivo sua reaitsu sofreu uma ligeira alteração, como se estivesse a perder seu poder gradualmente, o enfraquecendo.

– Porquê?

– O quê?

– Porque te preocupas tanto com a Rukia? Ela é uma shinigami, uma alma… Ela não está viva.

Ichigo parou de caminhar, considerando as palavras do tio. Desviou o olhar para o topo, procurando algum requisito de céu naquele lugar moribundo, querendo assistir o movimento monótono das nuvens, fossem estas alvas, cinzas ou negrumes. Que de certa forma o ajudava a pensar, o que isso era estranho e suspeitoso nele.

– Porque… Ela parou minha chuva.

Kaien o encarou confuso, não compreendo o remoto significado de suas palavras. Para aumentar seu espanto, o ruivo começa a rir descontraidamente.

– Ela me mudou… Não me passou só os poderes, como deu significado para minha vida.

O olhar do Shiba rapidamente metamorfoseou-se para a curiosidade, pela primeira vez intrigado com o desenrolar dos pensamentos do Kurosaki.

– Uma vez, o velho me disse que a mãe era a parte humana que lhe faltava…

Kaien instintivamente recordou-se da feição incontestavelmente alegre de seu irmão, sempre que retornava de uma missão no Mundo Real. Na época, nunca suspeitou do verdadeiro motivo para aquele largo sorriso. E por isso, a felicidade de seu irmão mais velho também era a sua… De facto ele estava melhor depois de ter conhecido a humana. Isso era algo que ele não podia negar ou questionar, apesar de ainda se sentir traído e abandonado pela pessoa mais importante de sua família.

– Mas tu és um ser vivo, a Rukia não pode ser isso para ti porque nem está…

– Eu estava morto.

– Nani?

– Alguém sem motivações, está morto. Por isso a Rukia foi o que me deu vida, mesmo que ela tecnicamente estivesse morta. Não gosto de pensar nisso, me sinto um doido a falar com espíritos.

Ichigo começou a gargalhar, esquecendo-se de todas as circunstâncias que o rodeavam. Ele nunca se importara com suas visões, mesmo com as opiniões negativas que criavam a respeito dele, de alguma forma sempre se sentiu bem com isso. Diferente. Por algum motivo o diferente, o desconhecido sempre o intrigava. Era mais interessante, do seu ponto de vista.

– Obrigado Kaien.

– Porque me agradeces? Fui eu quem trouxe Rukia para este lugar...

O shinigami tentava recompor seu tronco porém era inútil. Seu corpo não lhe obedecia, seus comandos eram ignorados. Só sentia um ligeiro ardor nas pernas ao tentar-se mover mas nada para além disso.

– Porque foi graças a ti, que agora sei o quanto Rukia é importante para mim. E que não a suportaria perder. Farei tudo para estar ao lado dela, mesmo que lute contra o todo o Gotei 13 novamente. Sinto que nunca nos separaste, mas que nos uniste ainda mais.

Sem delongas, o Kurosaki utiliza o shunpo para prosseguir seu trajecto até o nível mais baixo do Inferno; deixando o Shiba para trás, pensativo. Encarando o nada. Este depositou a mão na fenda que cobria o seu olho, e sentiu uma lágrima escorrer por ele. Sorriu ligeiramente, afinal talvez seu sobrinho até fosse interessante.

– Isshin… O teu filho é insuportavelmente igual a ti.

I&R

Uma aura de desânimo e frustração orbitava envolta de Kokuto que estava sob um rochedo. Porém, inesperadamente, os possantes trovões azulados destacaram um poder espiritual de uma fisionomia que se dirigia contra o albino. E cortando uma corrente de ar, Kokuto finalmente pode-o vislumbrar completamente, sorrindo de canto. Não resistiu a debochar, satisfeito, com sua sorte.

– Olha só quem voltou.

Posicionado, com as vestes negras típicas da bankai, Ichigo posa adiante do pecador albino que já tinha um enorme sorriso desenhado.

– Ichigo! Eu estavas prestes a fazer te uma visitinha. Não esperava que voltasses para cá. Vieste vingar a tua irmãzinha?

– A Karin está a salvo.

Livre de qualquer tribulação espiritual, tranquilo com o bem-estar de sua irmã mais nova, sabendo que seu pai a protegeria, talvez até melhor que ele. Kokuto por sua vez desmanchou sua feição orgulhosa para uma arregalada. Não soube como os incompetentes de seus servos falharam, nem quem os venceu mas isso era irrelevante: seu alvo estava ali, mesmo à sua frente.

– Estou surpreso. Então porque voltaste?

Ichigo recuou um passo empunhando a katana preta, com sua feição tipicamente decidida.

– Eu vim salvar os meus amigos.

– Salvar?

Kokuto sacudia os ombros, gargalhando sarcástico.

– Ainda não entendeste como as coisas funcionam por aqui. Eles já estão com as correntes do Inferno. Olha!

O albino mudou a direcção de seu olhar para um canto mais alto, abrigado, Ichigo por sua vez encarou o sítio indicado. Ele arregala os olhos ao deparar-se com um tronco em específico, onde num de seus ramos suspendia os corpos de Renji e Ishida com correntes, e em vez de terem sua peles juvenis, estavam velhas como a casca de uma árvore, parecendo que padeciam lentamente.

– Ishida! Renji!

– Aqueles caras ainda não foram levados.

Com a mão direita, o pecador segura sua espada, pelo cabo, cravada no solo.

– Mas não precisas ter pressa! A garotinha shinigami já está pronta!

Numa caveira onde o albino se encontrava, surge uma nuvem fervente com lava a salpicar. O magma torrente, misteriosamente, assumia a forma de uma pessoa, enquanto borbulhava a moldando, um nevoeiro ardente a circulava. Dentro dessa camada, a silhueta desenvencilhou-se bruscamente, como se afogasse entre as chamas e precisasse de respirar desesperadamente.

– Rukia!

Aterrorizado, notou que ela estava completamente despida com diversas correntes a rodearem-na, acabando por cobrir parcialmente seu corpo desnudo. Ao separar-se completamente da lava, a pequena shinigami tombe de joelhos na superfície apoiando seus punhos no piso para manter a posição. Por fim uma neblina repentina e instantânea percorre seu corpo se transformando num kimono alvo. Deixando somente a corrente do pescoço visível.

A morena ergue as esferas violáceas, defrontando-se por quem sempre aguardou desde que fora sequestrada. A Kuchiki, emocionada, sorri não abertamente pela falta de forças contudo seus olhos demonstravam, a Ichigo, toda a felicidade que sentia.

– Ichigo... Idiota, porque demoraste tanto?

Aquele contacto visual, aquele transbordo de emoções... Era impossível não recordar o resgate na Soul Society, a alegria que sentiram ao se rever depois de tanto tempo separados, parecia que havia magia que os envolvia, e naquele momento eram só eles os dois.

Porém esse efeito surreal não perdurou muito tempo, pois a realidade logo voltou a prevalecer quando Kokuto sustenta a corrente que prendia o pescoço da Kuchiki, e a arrastou violentamente em direcção a ele. A elevou, colocando-a mais alta, fazendo com que seus pés não tocassem no chão, e consequentemente ela agarrasse no objecto em seu pescoço tentando manter uma abertura para o oxigénio passar para seus pulmões. O Kurosaki vibrou de raiva ao ouvir o gemido doloroso da sua baixinha.

– As regras são muito simples aqui no inferno. Aqueles que estão conectados às correntes, podem reviverem quantas vezes quiserem. Se não quebrarem as correntes, nunca conseguirão sair deste lugar.

– Então eu vou quebrar essas correntes.

A mente de Ichigo não funcionava com problemas, tudo era muito simples e prático. Apesar das circunstâncias, era irritante não poder saborear e usufruir daquele momento em que ele revê Rukia bem, ou pelo menos o mais aceitável possível tendo em conta a situação. Mas o que se podia esperar de um reencontro num campo de batalha caótico?

– Quanta confiança… Vais quebrar as minhas também não vais?

– Não. Eu apenas vou te derrotar!

O getsuga tenshou negro circulava o ruivo quando ele atacou, Kokuto joga o corpo da shinigami contra uma árvore seca, com ramos apodrecidos. Suas costas ardem com o potente impacto fazendo ricochete a laçando contra o solo. Ichigo e o pecador trocam golpes, com uma intensidade semelhante, mantendo uma luta estável para ambas as partes, apesar da ligeira vantagem do albino. O albino sorrindo, surpreende Ichigo, colocando a mão no seu pescoço o atirando longe.

– Seu idiota. Achas que terás alguma chance se não usares a máscara?

O ruivo rebola com a ajuda da pressão do ar, encontrando o apoio necessário para pousar em pé e prosseguir com os golpes contra o pecador.

– Seu ingénuo! Não importa o quanto queiras, nunca me irás derrotar assim!

Kokuto esmurra o Kurosaki, voltando a lançá-lo a uma distância considerável, que pousou num rio de lava. Porém antes de aterrar, no líquido torrente, ele aproveita e manuseia os vento a seu favor para contra atacar mais fortemente.

– Getsuga Tenshou!

Ele deposita imenso poder espiritual no ataque, aumentando seus estragos no cenário, no entanto o albino não só bloqueou o ataque como sorria louco.

– Isso mesmo.

O getsuga tenshou de Ichigo devido à defesa do pecador desloca-se em duas direcções distintas, numa delas vai contra a árvore em que Rukia se encontrava, cortando o topo da árvore. Ela rastejando como podia, consegue afastar-se da zona que sofreu com a queda dos múltiplos troncos. Erguendo-se minimamente, para conseguir continuar a observar o combate, sua preocupação aumenta. Vislumbrando por um momento o momento em que Ichigo e seu irmão batalharam na Sociedade das Almas.

Ela observou estupefacta o substituto de shinigami pousar ao lado de Kokuto e pode ler por seus lábios que gemia de dor, apertando a cabeça onde a máscara do hollow tentava apoderar-se de seu rosto, arregalando os olhos.

– Ichigo…

A máscara cobria o lado esquerdo do rosto do humano, ao mesmo tempo que seu olho direito estava negro, com a íris profundamente dourada como a de um felino. Era nítido o seu esforço interno em combater aquele ser, que fazia parte dele.

Ichigo consegue finalmente desfazer-se do pedaço de máscara, respirando aceleradamente ofegante. As piores lutas são sempre aquelas que se têm de batalhar contra nós próprios. Kokuto não se compadeceu, sorrindo do esgotamento físico e mental do ruivo.

– O que foi?

Subitamente, o albino surge na dianteira dele, o surpreendendo.

– Do que tens medo?

Ichigo ataca com a zanpakutou mas ele desaparece imediatamente, e volta a aparecer de novo atrás de si, colocando a mão em seu ombro sorrindo jocoso.

– É do seu outro eu que vai destruir o mundo inteiro? Então nunca mais volte para cá!

Impiedoso, o pecador golpeia com o joelho no estômago do substituto de shinigami que é atirado contra uma árvore próxima de Rukia. Novamente ela precisa de se esquivar dos destroços causados e de toda a poeira levantada. Não conseguia movimentar-se perfeitamente bem por ainda estar enfraquecida, e a corrente em seu peito parecia cansá-la ainda mais, um peso astronómico para a sua estrutura.

Ichigo não se consegue levantar e Kokuto, aproveita essa ocasião, para continuar a esmigalhar suas dores, pisando-o no peito. Prosseguindo com seu jogo mortal psicológico.

– Eu já disse. Neste mundo sem esperanças… Os ressentimentos e as memórias são as únicas coisas que nos mantém sãos.

Ele ergue o pé e mais rápido e com mais força bateu-o agora na cara de do ruivo, o pressionando contra a rocha.

– O que me move é a vingança.

O solo que suspendia o Kurosaki era uma camada rochosa que os protegia de um banho de magma, Kokuto quebra uma parte desse solo que os cobria, e a lava começou a transbordar por essa brecha, os circulado. Ichigo fica preocupado tentando-se levantar.

– O que foi?

O pecador sorria sádico e a o mar avermelhado alcançou o pulso do humao, o queimando, fazendo este gritar.

– Ichigo!

Rukia começou a lacrimejar, desesperada com o rumo da batalha, e ela nem sequer poderia ajudar, não podia estar ao seu lado para combater... A última vez que se sentira assim foi com a morte de Kaien-dono, e ela recusava-se a ter um resultado semelhante.

Uma explosão dispara o ruivo longe e suas vestes rasgam-se pela queimadura do impacto. Kokuto continuava sorrindo, assistindo o outro o encarar furioso.

– Me odeie mais, isso te tornará mais forte!

O albino com uma corrente consegue prender e imobilizar Ichigo, dessa forma se dirige depois até a Kuchiki, a suspendendo no ar pelo cabelo. Ela ao sentir suas madeixas violentamente puxadas para cima grita de dor, agarrando os pulsos do pecador na expectativa de poder amenizar o agarre.

– Rukia! Deixa-a covarde!

O substituto de shinigami lutava arduamente contra as correntes, na esperança de se soltar infelizmente isso não resultava. Era revoltante e humilhante a sua situação: não podia fazer absolutamente nada, em simultâneo a mulher que amava era maltratada.

Kokuto, com a língua asquerosa, lambe lentamente o pescoço da Kuchiki, como se fosse um animal sedento. Com um grunhido de desgosto, ela responde ao gesto indesejado. Desejando voltar à prisão a que estivera submetida todo aquele tempo. Ela sabia que era o isco, conhecia a sua função naquela batalha. Tinha consciência que sua reacção negativa iria prejudicar e atordoar Ichigo, no entanto não conseguia permanecer impassível com o toque íntimo de um homem que, no mínimo, odiava e almejava que apodrecesse nas chamas infernais.

– Saborosa…

Apesar de longe, ele desafortunado ouviu penosamente o desejo em seu tom. E desgostoso, enxergou as mãos imundas caminharem pela cintura de Rukia até seu peito, pressionando o local, sendo torturado tanto com aquele toque como pela visão das lágrimas da pequena shinigami. O ódio se apossou de Ichigo, que até então nunca conhecera. Por incrível que pareça, ainda consciente, ele só pensava em matar.

A sua mete borbulhava no maior dilema: o que fazer naquele momento?

"Se não seguro a espada, não posso protegê-la.

Se seguro a espada, não posso envolvê-la."

Sua espada não podia salvar Rukia, seus poderes não eram suficientes. Kaien tinha razão, Kokuto era demasiado forte. O que fazer? Entregar-se a quem sempre lutou para protegê-la? O ruivo, subitamente, deparou-se com o seu hollow interior sorrindo para ele, suas esferas douradas felinas o encaravam, enquanto ele estendia sua mão. Então o ruivo soube o que fazer. Ichigo tomara sua decisão.

Um berro hollow vigoroso ecoou por todos os níveis infernais, aterrorizando cada alma condenada que o escutara, com excepção de Kokuto, que se deleitava como se escutasse a mais encantadora cantiga. Uma explosão branca proveu dos lábios do ruivo, o libertando das correntes, mas que agora o acorrentava com um molde alvo por toda a extensão de seu corpo, sem um único membro ser esquecido.

Enquanto isso, pela primeira vez, frias e solitárias, gotas de chuva pingavam no nível infernal. Todas elas se uniram em uma única poça onde repousava somente um reflexo: o substituto de shinigami que cedera ao ódio.

Notas finais
Espero não ter desapontado ninguém hihihi Beijinhos e até o próximo