The Hell Verse

16 Portal no Mundo Real


Notas iniciais
Oe, oe! As coisas estão cada vez a enrolar mais né? Ihihih. Bom eu postei mais cedo porque eu era na semana passada ter criado dois capítulos para esta fanfic e não consegui, por isso vou tentar publicar este e no sábado o segundo. ^^ Boa leitura*

O céu límpido de Karakura era sugado pelo anoitecer enquanto as estrelas emergiam no alto. Porém, subitamente, as nuvens começaram a sacudir-se violentamente, envolvendo-se num círculo, onde no centro havia uma abertura por onde um objecto macabro surgia. Os céus rasgaram-se num buraco negro, onde chamas ferventes adentraram por Karakura anteriormente tranquila, aumentando drasticamente a temperatura da noite amena. Como se tivessem vontade própria, iluminavam toda a cidade adormecida como uma desastrosa explosão, porém silenciosa, não incomodando o sono dos humanos alheios ao que acontecia. Entre as chamas, um portal destacava-se.

As suas ombreiras são de cor vermelha e decoradas com padrões de fogo cruzando a superfície. Além disso, as portas são mantidas juntas por uma coluna preta estampada com cygnets de ouro, que é ligado por uma série de cadeias.

Os ventos enrolavam-se em remoinhos desconexos. Quem observasse o portal iria estremecer; era como se só de o ver, a morte se aproxima-se, como se sugasse todas as almas vivas. Como se fosse um trágico presságio...

I&R

Sado vagueava por uma rua deserta quando sentiu o drástico aumento de temperatura, erguendo o olhar, manteve-se em silêncio, encarando a noite ser colorida pelos raios avermelhados. Posicionou a mão no braço direito, como se preparasse para o que seguiria. Ele sabia que mais cedo ou mais tarde, uma luta iria começar.

I&R

Inoue prezava o altar de seu irmão quando reconheceu um poder maligno fora de seu apartamento. Indo espreitar pela janela, depara-se com um misterioso portal no alto, sentindo um calafrio percorrer todo seu espírito. O que era aquilo? Orihime não sabia, mas não seria boa coisa. Levando as mãos entrelaçadas ao peito, como numa silenciosa preze, balbuciou.

– Kurosaki-kun…

I&R

Tatsuki caminhava de regresso rumo a casa, depois de um árduo e tardio treino. Quando surgiu o estranho movimento e sincronia das nuvens, fazendo-a sentir-se enferma com o próprio ar. Teve de ajoelhar-se e tentar recompor-se. O que havia de errado? Parecia que o oxigénio era mais difícil de inspirar, como se estivesse contaminado com o denso carbono. Ela teria que conversar com Ichigo, certamente ele teria uma justificação para isto... E obrigaria ele a responder-lhe, nem que tivesse de socá-lo para isso.

I&R

Keigo estava sobrecarregado pelas compras que sua irmã, Mizuho Asano, fizera naquela tarde. Seus pés estavam doloridos, implorando por um descanso. Mas sabia que não iria ter isso até chegar finalmente à sua cama. Sua cabeça estava longe de ouvir o apaixonado discurso de sua irmã, desde que ela conhecera o shinigami careca Ikkaku, sempre remodelava a despensa esperando e aguardando pelo seu retorno. Suspirou pesadamente, até encarar uma sombra suspeita. Ao olhar para o céu escuro, avistou o portal aproximar-se sorrateiro da cidade. Começou a tremer assustado, deixando as compras caírem.

– One…

Mizuho iria reclamar com Keigo mas ao deparar-se com seu estado aterrorizado, optou por permanecer silenciosa. Ele apontou na direcção do portal, porém ela não conseguiu ver nada, olhando interrogativa para ele. Ele sentia-se no mínimo idiota, provavelmente ela o iria xingar, chamando-o de louco e chutá-lo por ter deixado as compras caírem.

Ele ajoelhou-se, tentando apanhar as coisas, para evitar uma bronca maior.

– Eu sei, também o posso sentir.

O moreno desviou rapidamente seu olhar para a irmã, estupefacto pelo que ouvira. Ela não podia ver mas sentia a aura negra que fluía sobre o alto, irónico não? O céu na sua plenitude representa a calmaria e a esperança, contudo naquele momento era a origem para o possível massacre. Keigo viu pela primeira vez o olhar sério no rosto dela, observando, aos seus olhos, um céu vazio porém com a certeza que no vazio escondia-se uma imensidão de segredos terríveis.

– Vamos para casa, estou com um pressentimento que vai chover. Não queremos que a comida se estrague.

Ela não esperou por uma resposta, retomando ao seu caminho.

– Espera one!

I&R

Yuzu lavava a loiça enquanto Karin a secava, por sua vez Isshin estava caído no sofá, bêbado. Suspirou frustrada pela inutilidade do homem que apelidava de pai. Seguindo o movimento de suas mãos, envoltas pelo pano, ela pressentiu a mesma sensação que tivera durante o dia, deixando um prato cair, quebrando entre os seus pés. Yuzu rapidamente secou as mãos no avental ajudando a irmã apanhando os cacos espalhados no chão antes que alguém se magoasse.

Karin permaneceu imóvel, seus sentidos estavam mais lento, como se tudo se movimentasse em câmara lenta. A sua irmã não pareceu afectar-se como ela, em vez disso retomou às suas tarefas domésticas. Sem se explicar, a morena foi para a entrada de casa, tentando encontrar o peluche falante de seu irmão.

Ela esquece-se de sua finalidade ao constatar o céu avermelhado. Seus olhos se arregalaram, ela sabia que não se tinha enganado. De facto algo de grave estava para acontecer e isso iria envolver sua família. A prova era tudo o que lhe rodeava, todo o seu mundo, estava a ser atacado.

Ela mordeu o lábio superior, indignada. Não podia fazer nada para proteger sua família. Não era forte o suficiente.

Por vezes queria ser como sua irmã Yuzu, não perceber o que acontecia à sua volta. Não ver monstros, não sentir estas sensações ruins… Queria viver feliz e ignorante àquelas coisas. Mas não fora afortunada a esse ponto.

A Kurosaki virou-se para voltar a entrar em casa, esbarrando em seu pai, sóbrio, e olhando para o céu como ela à alguns segundos atrás. Parecia sereno porém ela decifrou uma ruga de preocupação em sua expressão e pela primeira vez a morena se sentiu intimidada pela forte presença que seu pai possuía. Ela já sabia que ele era um shinigami, não se importou com isso, com o facto de ele ter omitido esse detalhe. Fosse o que ele fosse, sempre seria um velho bêbado bobão. Mas aquela imagem era diferente, contraditória daquela com que ela estava familiarizada, uma que ela só conheceu na morte de sua mãe.

Foi quando se recordou de Ichigo, estaria ele bem? E novamente encarou para o alto infinito, permanecendo aquele silêncio acolhedor com seu pai, somente fazendo-se companhia um ao outro. Dentro da casa, Yuzu cantarolava, a única que não percebia o risco que todos eles corriam… E certamente eles não lhe iriam contar nada. Ao menos alguém não iria se preocupar, alguém iria sorrir verdadeiramente sem uma máscara que cobrisse a angústia que consumia seu ser.

I&R

Jinta, Ururu e Tessai cumpriam as suas rotineiras limpezas mas nesta noite eles estavam quietos, mortalmente silenciosos. Jinta era o mais suspeito, calado e apreensivo, não se distraia ou perdia o foco de seu trabalho. Mas isso não quer dizer que uma ou outra vez seu olhar não fugisse para o avermelhado e perturbador céu.

Eles sabiam o que iria acontecer, conheciam a existência do portal, dos possíveis inimigos. Mas Jinta não comemorou pela luta que teria, de poder divertir-se com os inimigos. Ururu não tentava animar Jinta, estava perigosamente sisuda encarando a poeira que sua vassoura varria. Os três tinham conhecimento que a luta que se seguiria não era uma luta comum, era um combate entre a vida e a morte, da qual só uma delas poderia sair vencedora.

– Kisuke?

– Sim Yourichi, está na hora. Vamos ter que agir.

– Tens a certeza que é uma boa ideia?

– Não. Mas não temos tempo para dúvidas, precisamos de agir. E rápido, antes que seja tarde demais.

Urahara pousou sua chávena na mesa, com o chá verde oscilando. Entroncou a coluna, ajeitando seu chapéu. Yourichi caminhou ao lado do shinigami para o inevitável.

A ampulheta foi virada pela mão divina; a areia começou a correr contra todos os personagens. Esta luta era muito mais que a vida e a morte, era contra o próprio tempo.

Notas finais
Bem estranho eu ter-me focado mais nos irmãos né? Afinal são meros humanos, eu podia ter-me focado mais nos pensamentos da Orihime ou do Sado, mas eu queria que fosse algo diferente, inovador... Tipo todo o grupo de Ichigo sabia o que se passava, já passaram por lutas e tals, mas eu quis focar-me em personagens que não são desconhecidas mas que não percebem o que acontecia. Por isso, também a Tatsuki participou neste capítulo eheh. Vou começar a fazer uma coisa para todos os meus capítulos, uma previsão eheh: NO PRÓXIMO CAPÍTULO: Voltamos ao Inferno onde Ichigo alcança o último nível do Inferno com Kokuto, e após um breve diálogo, algo aparece que vai surpreender o ruivinho. ^^