The Hell Verse

17 Borboleta Infernal


Notas iniciais
Yôo minna! Como prometido eu postei hoje também, eheh. Acho que este capítulo ficou meio kawaii, principalmente o final :3 Espero que gostem, ihihih. Boa leitura*

Ichigo e Kokuto alcançaram por fim o nível mais baixo do Inferno. Sua paisagem negra era arrepiante, incomparável aos níveis anteriores. A carência de luminosidade, reflectia-se pela ausência de cor. Este nível era composto com muitas colunas irregulares cobertas de veias de lava que se projectavam para fora do chão. Para completar o cenário, havia também árvores secas compostas de ossos espalhados por toda a paisagem.

Kokuto apreciava o local sorridente, de certa forma até melancólico. Foi naquele nível em que ele foi aprisionado, e também onde ele posteriormente acordou depois de testemunhar a hollowficação de Ichigo, podendo assim elaborar todo o seu plano.

O Kurosaki percorria seu trajecto calmamente, inspeccionando todo o lugar desconhecido atentamente. Estava tão concentrado que sobressaltou-se ao ouvir um estrondo muito perto de si, enquanto um clarão furioso iluminava macabramente o céu.

– Os relâmpagos são uma ocorrência frequente aqui.

– Não me vou esquecer disso...

Kokuto teve vontade de rir do susto do Kurosaki, mesmo estando escuro, notava-se nitidamente a palidez do shinigami. Irónico como ele não temia estar no Inferno, nem pecadores ou hollows mas assusta-se com uma catástrofe natural? Pela primeira vez o pecador sorriu verdadeiramente como não o fizera desde que a mulher que amou morrera. Porém, nem o próprio reparou nesse detalhe da sua transformação.

Ichigo Kurosaki tinha a capacidade de mudar as pessoas.

I&R

Uma chuva azulada de setas moldadas por reaitsu desaba sob o pecador.

– É inútil, inútil!

A alma condenada tinha uma estranha capacidade: criar uma segunda boca na barriga, que pode devorar poder espiritual, sendo assim todas as setas do quincy, sem ser ferido... Muito pelo contrário, era como se alimentasse o adversário.

Ishida resmunga baixo e recua um passo, pondo o seu arco Ginrei Kojaku em posição de ataque. Depois de ele recuperar seus poderes com a ajuda de seu pai, Uryu usa uma nova cruz quincy, esta assemelha-se a um pentagrama. Ao contrário de seu arco original, este arco tem a forma de uma teia de aranha.

O pecador foi mais rápido e proferiu uma esfera rósea, provavelmente resultado das setas que devorou, contra o quincy que desviou a tempo.

Ishida foi correndo até reaparecer inesperadamente ao lado do pecador, o golpeando com a sua espada quincy, Seele Schneider, mesmo que seja realmente uma flecha, e seu principal talento está nas técnicas de tiro com arco, Uryu tem habilidade com a espada.

O pecador sorriu macabramente, novamente a boca reapareceu e devorou as partículas. Pelos vistos, aquela boca tinha a incrível capacidade de surgir em qualquer zona do corpo do inimigo para além da barriga.

– Obrigado! Tem um gosto estranho, mas eu não me importo.

Uryu pouso piso, firmando seus pés no solo. Recuou, avaliando pensativo o inimigo e o cenário que os rodeava.

– Pare com essa resistência inútil e me deixe te matar logo!

O pecador ergue os braços no alto, enquanto rodopiava, como se fosse um bailarino. Num dos seus passos de dança, ele lança outra esfera espiritual rosa. O quincy gira seu tronco, cruzando as pernas, esquivando majestosamente ao ataque.

– Vou recusar a oferta.

Ajeitou seus óculos, e voltou a ir em direcção ao inimigo. Ishida atingiu a lateral da barriga do pecador, mas a boca voltou a sugar o seu ataque.

– Eu te disse que é inútil.

– Eu ainda não acabei!

Ishida ajoelha-se para dar impulso à sua corrida e poder saltar mais alto, voltando a empunhar a espada contra o pecador atingindo-o perto de seu pescoço mas a boca voltou a surgir, o quincy teve que impulsionar-se para distanciar-se, evitando poder sofrer um contra-ataque.

– É melhor você parar logo.

Uryu o encara sério, ele sabia que seus ataques estavam a aumentar a força do inimigo. Mas mesmo assim recriou seu arco e disparou uma flecha, que provinha do cabo da espada, por isso era mais brilhante que as anteriores. O inimigo ergue a mão e bate no cabo, fazendo-o a espada girar e enterrar-se no solo. Novamente o pecador voltou a gargalhar enfadonhamente.

– Esse era o seu trunfo, certo? Eu não esperava que você fosse tão estúpido.

– Tenta dizer isso novamente depois disto.

Ishida ergue seu arco e flecha, exactamente igual ao que tinha feito anteriormente.

– Este é o meu último ataque.

O quincy deixa a flecha fluir em direcção do oponente, que alargou o seu riso sinistro.

– Eu já disse que é inútil!

A flecha foi perdendo intensidade, como se estivesse a enfraquecer, e de repente todo o feixe azul desapareceu só revelando o cabo

– O que é isto?

A luz reacendeu em quatro pontas, num formato de cruz, surpreendendo o pecador pela primeira vez. Os quatro feixes azulados rodearam o inimigo, criando um cubo que prendeu o inimigo.

– Geto Schneider. Usando reaitsu de alta densidade para cercar o oponente. Ele cria uma barreira como o sprenger.

– Mas, eu absorvi todo o teu reishi. Porque isto está aqui?

– Estou tirando de você.

O pecador arregala os olhos pela explicação, principalmente quando surge um arranhão em seu ombro, confirmando as palavras do quincy. Esse raspão começa a expulsar uma energia azul, e o pecador desvia seu olhar para essa zona, começando a ficar deveras preocupado. Do mesmo modo, sucede-se no canto de sua cintura.

– Através de pequenas feridas que a scheneider fez, a barreira tirou a reaitsu que precisava de você. Você não é o único especialista em transformar o reaitsu que absorve em arma.

Outra ferida surgiu no rosto do pecador enquanto Ishida ergue um objecto pequeno, semelhante a uma cápsula.

– O quincy é muito…

Uryu utilizando o polegar, arremessa a cápsula.

– … melhor nisso.

O minúsculo aparelho bateu na ponta do cabo, saindo dele uma esfera azul escura. O cubo começou a brilhar intensamente e choques percorriam todo o interior. O pecador começou a gritar agoniado. Seus urros aumentavam à medida que o cubo ia encolhendo, acabando por reduzir-se a nada e explodir, criando uma poeira violeta.

Ishida virou-se de costas, enquanto novamente acomodava seus óculos na ponta do nariz, enquanto a explosão se propagava por todo o nível.

I&R

O Kurosaki andava com Kokuto, procurando alguma reaitsu que os levasse ao inimigo.

– Ichigo, depois de salvares a Rukia, podes fazer-me um favor?

– O que é?

– Me liberta do Inferno.

O substituto de shinigami pára imediatamente de caminhar, encarando o pecador que demonstrava uma feição abatida e ate tímida, como se o seu pedido o envergonhasse. O suposto aliado focou seus olhos nos ossos que compunham os troncos das árvores secas, aguardando uma resposta paciente.

– Eu quero renascer. Eu preciso ver uma pessoa novamente, me desculpar com ela.

– Certo, se estiver dentro do meu alcance.

Ichigo sabia que poderia estar a errar ao confiar nele, que ele podia cometer um grave descuido ao prometer aquilo que lhe era pedido. Mas o shinigami recusava-se a não ajudar alguém, mesmo sendo um possível inimigo. Ele acredita em novas oportunidades, em recomeços, e principalmente de que seu poder servia para proteger todos ao seu alcance.

– Desculpa por isto. Ichigo, vamos logo!

– É, logo depois daquele monte.

Kurosaki encarou determinado o monte, aquele que lhe levaria à última fase daquele nível. O lugar onde o inimigo estaria, e onde Rukia se poderia encontrar... Ichigo quis controlar a sua empolgação, afinal não havia certezas de nada... Mas mesmo assim era impossível não sentir-se eufórico com a expectativa.

O substituto de shinigami ia usar o shunpo para ir em direcção ao monte quando vê uma borboleta infernal. Ficou mais curioso quando num breve momento pareceu ver duas borboletas, mas ao fechar os olhos num milésimo de segundo, ele voltou a encarar só uma. Estava surpreso, afinal o que uma borboleta infernal fazia no submundo? Elas eram usadas pelos shinigamis para transmitirem as suas mensagens, e peculiarmente aquela lhe parecia trazer alguma mensagem sublinhar. Como se a sua simples presença fosse algo revelador.

E como um clarão, Ichigo recordou-se de quando viu Rukia pela primeira vez, havia uma borboleta infernal, como se antedesse a sua vinda. Quando a shinigami invadiu seu quarto, pela janela, enquanto ainda não se conheciam, houve uma borboleta que surgiu anteriormente dela. Como se o avisasse da sua chegada.

A borboleta é o símbolo da alma, a mais profunda fonte de vida no humano. Simbolizava o espírito imortal. Na mitologia grega a personificação da alma era geralmente representada por uma figura feminina, mais menina do que mulher, com asas de borboleta. As crenças gregas populares concebiam a alma como uma borboleta, quando o espírito se desgarrava de um corpo, ele tomava a forma de uma borboleta. No Japão, duas borboletas indicam felicidade matrimonial...

Ichigo sorriu abertamente; assistindo o bater sincronizado das asas da borboleta infernal, do pó que ela libertava enquanto esvoaçava distraída… Ele estava perto da Rukia.

Notas finais
Finalmente um avanço no enredo, né? Já estava na hora, ufa! Muita coisa vai começar a acontecer, até na intriga secundária (o portal no mundo real), acho que talvez vá surpreender em algumas coisas eh eh eh. ^w^ Beijinhos, Jya née!