The Hell Verse

18 O homem que caminha contra o vento


Notas iniciais
Yôo pessoal! Eu sei que sou um pouco má voltar a falar de outra personagem logo agora que Ichigo está tão próximo de Rukia mas acho que encaixou bem meter este capítulo agora eheheh Espero que gostem ^^ Boa leitura*

O capitão Hitsugaya sabia que a sua zanpakutou era a mais poderosa do elemento gelo/neve, porém o albino nunca tinha suposto que Hyorinmaru pudesse criar uma sensação inexplorada realizada dentro dele, o seu próprio mestre, pelo menos até agora... O dragão, inesperadamente, conseguiu transferi-lo para um sonho bastante agradável em seu mundo espiritual, e nesse momento Hyorinmaru estava circulando o céu sob Toushirou.

– Os ventos estão mudando, mestre.

O dragão serpente soou seu enigmático grunhido, findando seus movimentos circulatórios, foi aproximando-se cautelosamente do capitão do décimo esquadrão.

– Eles carregam o cheiro do Inferno neles.

Toushiro ergueu uma sobrancelha perante as palavras enigmáticas do espírito. De facto, ele já suponha de que algo grave tivesse ocorrido para a sua zanpakutou o conduzir até seu mundo espiritual.

– Qual o motivo para isso?

Hyorinmaru interrompeu suas órbitas pelo céu enevoado novamente e enrolado-se como uma mola, seus olhos vermelhos perfuraram através das pérolas azuis-turquesa de seu mestre.

– Problemas irão surgir, mestre.

O albino despertou de seu sonho, retomando ao seu quarto no esquadrão, abalado pelo poder que ressoou na voz de sua zanpakutou. Ele ainda revirou-se na cama, tentando retomar ao seu sono, uma vez que não conseguira balançou as pernas para o lado e se levantou, saindo do compartimento. Optou por abandonar seu esquadrão, vagueando pelas ruas desertas da Sociedade das Almas. Absorto, identificou o ar mais sobrecarregado, confirmando as palavras do dragão. Encarou o céu nocturno percebendo por algumas nuvens, que uma tempestade se aproximava. Choveria brevemente.

Com a sua cabeça nadando numa abundância exagerada de pensamentos, ele caminhava distraído a passos largos, mal teve tempo de captar uma pessoa meditar na trajectória de seu caminho, acabando por tropeçar e cair no piso com um sonoro baque. Recompondo rapidamente sua postura anterior, Toushirou estava prestes a repreender quem possuía a coragem de derrubá-lo, quando ele identificou que era ninguém a menos que o capitão Byakuya Kuchiki.

– Capitão Kuchiki ...

O albino balbuciou com um pouco de receio, sem ânimo para lidar com uma Senbonzakura perturbada. Byakuya encarou o jovem capitão impassível, encolhendo minimamente os ombros.

– Fique à vontade, capitão Hitsugaya.

Toushirou estranhou o tom tenso, quase arrastado do líder da família nobre. Não se recordava de uma única vez, num longo tempo desde que se conheceram, notar a angústia nítida do homem inabalável, que nem o próprio vento podia derrubar. Esse era Kuchiki Byakuya: O homem que caminhava contra o vento.

– Se alguém deveria se desculpar, sou eu.

– Não se preocupe com isso.

O considerado prodígio respondeu apressadamente revelando sua ansiedade, aliviado por ter evitado um confronto. Mas, então, seus pensamentos estavam focados em uma coisa completamente diferente, algo ainda mais inquietante do que o comportamento de Kuchiki.

O que estava de errado com ele? Desde quando era o capitão da décima divisão tão arisco? Teria perdido toda a sua bravura com um simples embate? Em um esforço para mudar o foco de seus devaneios, Hitsugaya abordou Byakuya.

– O que o traz para fora a esta hora capitão, se posso perguntar?

O moreno desviou o olhar para um ponto diferente, longe das esferas azuladas, cruzando as mãos sobre o colo com calma.

– Estou aguardando o retorno de Rukia.

Ele disse simplesmente, antes de cair num profundo silêncio e movendo a sua mão direita suavemente ao longo do punho da Senbonzakura, como se procurasse alguma forma de consolo em sua lâmina. Toushirou, compreendendo que o curto diálogo que tivera com Kuchiki tinha acabado, curvou-se para se despedir e retirou-se, surpreendido. Isso foi tão emocional, um lado completamente desconhecido de Byakuya, e o capitão de madeixas brancas questionou-se distraidamente se todo o mundo estava se sentindo no limite esta noite.

Aparentemente, a resposta a essa pergunta surge como um sonoro "sim". Algo estava no ar, e isso fez Toushirou arrepiar-se involuntário. Ele atravessava um caminho próximo da janela do quarto de Hinamori, no quinto esquadrão, ouvindo o som estridente de sua melhor amiga torcendo e chorando em seu sono, claramente tendo um pesadelo. Preocupado, o capitão na ponta dos pés, silencioso, pula adentrando no quarto da tenente, tentando decifrar o que estava errado. Foi então que Hitsugaya mirou o rosto de Momo que tinha um rubor definido, e o que ele cogitava ser uma expressão angustiada era de fato, um sorriso tenso, com pequenas gotículas de suor escorrendo pela testa.

Claramente, ela não tinha um pesadelo; o capitão não precisava de ser um génio para descobrir o que estava acontecendo.

Estranho ...

Girando rapidamente em seus calcanhares, Hitsugaya lutou contra o vermelhão que concentrava-se em suas bochechas, arrastando-se apressadamente para a janela. Quando ele estava prestes a ir embora, porém, uma única palavra deteve-o.

– Shirou-chan ...

Tinha sido Momo, e ela ainda estava dormindo tranquilamente.

O capitão de cabelos brancos não sabia bem o que fazer com essa afirmação, então ele decidiu empurrar todas as suas reflexões no fundo de sua mente. Quando ele foi embora, todavia o escarlate ressurgiu em seu rosto, acompanhado de um sorriso claramente satisfeito.

Mesmo se o amanhã trouxesse um incalculável ​​caos, Hitsugaya ainda teria esta memória para acompanhá-lo com segurança durante a noite turbulenta.

I&R

Byakuya enxergou os primeiros raios de sol invadirem o horizonte e decidiu retomar ao Sexto Esquadrão, contudo não foi para seu leito descansar... Preferiu contemplar a foto exposta de Hisanna. Encarar o seu sorriso mesmo que num retrato, instantaneamente o relaxava. Sossegava seu espírito, como se fosse a própria a confortá-lo.

Sem ordem ou previsão, memórias penetraram pela sua mente. A origem de toda a história.

"- Posso te perguntar mais uma vez? Porque não queres salvar a Rukia?

– Se me venceres, responderei a essa pergunta."

Byakuya cerrou suas pálpebras enquanto recordava com clareza esse dia. A época em que Kurosaki Ichigo e o seu grupo invadiu a Soul Society para salvar a sua irmã, aquela que ele próprio não soube cuidar.

Ele acreditava na imortalidade de seu poder face ao ryoka, nunca supôs que tivesse de utilizar sua bankai e muito menos o golpe Shuukei — Hakuteiken, ele concentrou todas as suas últimas forças naquele ataque e mesmo assim foi derrotado. Sua espada se despedaçou em várias pétalas quando a sua lâmina cruzou com a negra do substituto de shinigami.

Kurosaki Ichigo tinha quebrado sua Senbonzakura mas mesmo assim seu estado era delicado praticamente derrotado, este ia desabar porém utilizou sua katana, cravando-a no solo, para não desabar e perder a batalha. Sua persistência foi sua vitória, e o fracasso dele.

"- Querias saber certo? Eu quero ensinar a Rukia. Os pecadores devem ser julgados. Quando a sentença é decidida deve ser cumprida. Essas são as regras.

– Devido a essas regras, matarias a tua própria irmã? E os teus sentimentos por ela?

– Que absurdo!

– O quê?

– Comparadas às regras qualquer emoção é insignificante. Nem sequer sentia nada por ela ao princípio... A família Kuchiki é uma das quatro grandes famílias nobres. Devemos servir de exemplo a todos os shinigamis. Se nós não obedecemos às regras então quem o fará?

– Lamento, mas não posso compreender. Acredito que se estivesse na tua situação iria contra as regras.

O moreno arregalou os olhos, atordoado pela resposta do ruivo. Mas finalmente ele percebeu.

'Entendo, em nenhum momento ele foi meu inimigo. Ele tem estado a lutar contra as regras da Sociedade das Almas desde o princípio.'

– Kurosaki Ichigo minha espada foi destruída por ti. Já não posso perseguir a Rukia. A vitória é tua."

O moreno pela primeira vez perdeu um combate porém não se sentia como um derrotado. Nunca uma fracasso lhe soubera tão bem, porque na realidade ele sentia que tinha ganho a guerra.

“Manter a promessa de defender a lei que fiz aos meus pais, ou a promessa à Hisanna de proteger a sua irmã? Qual delas eu deveria manter?”

– Kurosaki Ichigo eu lhe agradeço…

Byakuya não notara que seus pensamentos transfiguraram-se em palavras, que repetira as mesmas palavras daquele mesmo dia. Ele estava grato. Porque devido à força de vontade do humano pode arranjar paz em si mesmo e cumprir ambas as promessas. Rukia estava a salvo e ele não precisou quebrar as regras.

O moreno reabriu os olhos, com um singelo sorriso desenhado em seu rosto mas nem por isso menos encantador. Ao desviar seu olhar pela brecha da porta contemplou uma flor de laranjeira querer abrir, ele poderia ficar preocupado com Rukia, já que Hisanna faleceu antes de essa mesma flor desabrochar, contudo ele permanecia tranquilo.

Ele acreditava em Kurosaki Ichigo; ele confiava que o substituto de shinigami fosse salvar sua irmã mais nova, novamente.

O capitão ausentou-se da divisão, despedindo-se com um último olhar para a foto da única mulher que amou, por fim dirigindo-se para seu dormitório e enfim repousar.

Talvez, só talvez, Byakuya tivesse de se habituar a tratar o substituto de shinigami por cunhado… Mas obviamente que o líder da família Kuchiki não iria admitir que sequer cogitou essa possibilidade.

Notas finais
Já agora para deixar claro, eu sou contra HitsuMomo, gosto do nosso capitão com a Karin mas decidi dar um leve leve momento a este casal já que a minha ideia não é forcar-me em casais secundários e somente em Ichiruki. ^^ Até a próxima semana minna!