The Hell Verse
30 Delicioso Pecado
Notas iniciais
O sol vagarosamente coloriu o céu, expandindo sua luz, despistando qualquer requisito lunar. Os pequenos insectos, insignificantes à visão humana, despertaram com o céu límpido, cumprindo seus afazeres mecanicamente. Tudo ocorria segundo a ordem comum e necessária da Natureza.
Kurosaki Ichigo, como qualquer adolescente, odiava manhãs e qualquer sinónimo que provesse destas.
Porém, nesta alvorada peculiar, ele situava-se junto ao rio, onde se despedira de sua mãe. Poderia encontrar-se melancólico pela saudade, mas não era esse o caso. Estranhamente, simplesmente estava submerso em pensamentos. Revivendo todo o horror do Inferno, todas as angústias, medos… E só conseguia concluir que quase se entregou ao inimigo por uma única pessoa, que por momentos, creu que estaria morta em seus braços.
Kuchiki Rukia.
Ichigo inconscientemente levou a sua mão ao peito, a mesma que empunhava sua zanpakutou, naquele momento repousava sob seu coração sentindo suas palpitações.
Sentia-se estranho. Deveria estar feliz, afinal conseguira resgatar Rukia. Supostamente o vazio em seu peito deveria ter sumido, porém, prevalecia.
Algo estava errado.
O ruivo sempre evitava pensar em assuntos relacionados aos sentimentos. Mas não se pode fugir para sempre. Ele escapara de sua casa, como um ladrão, para ficar a só com seus pensamentos. Encarava o reflexo tingido na água, sem de facto prestar atenção na sua imagem.
Em suas lembranças, uma ganhou destaque. Aquela que quase evaporou de sua mente pelos episódios opressores do mundo infernal.
Ele beijou Rukia. Não se arrependera nunca disso, antes tinha vontade de o repetir. Isso queria dizer alguma coisa? Será que ele gostava de Rukia para além de uma amiga?
– Que cara de bobo é essa?
– Rukia!? O que raio você está fazendo aqui?
– Idiota! Eu segui você!
– Esteve aí o tempo todo…?
– Sim.
Aquela revelação foi como um calafrio para o Kurosaki. Sentia vergonha de estar tão distraído a ponto de não pressentir movimentação ou reiatsu perto de si…. Principalmente, estava embaraçado só pela ideia de ter sido vigiado pela pessoa em quem ele esteve o tempo todo a pensar.
A coloração avermelhada atingia uma proporção maior gradualmente, fazendo o ruivo desviar imediatamente sua face, quebrando o contacto visual total com a shinigami rabugenta, que tinha os braços cruzados em frente de seu peito.
– O que há de errado, Ichigo?
O tom ligeiro de provocação havia sumido, a serenidade da voz da morena foi extremamente reconfortante para Ichigo que sentiu vontade de desabafar, contudo tinha receio O que ele deveria dizer afinal?
– Nada.
– Como “nada”!? Ichigo deixe de pensar só em você! Me conte o que aconteceu! Machuca ver um companheiro sofrer e não poder fazer nada!
Um ligeiro sorriso curvou o rosto do substituto de shinigami. Não por suas palavras acusatórias serem semelhantes às de seu pai com a morte de sua mãe, mas pelo jeito peculiar de Rukia demonstrar preocupação. Ele desviou seu olhar para encontrar as íris violáceas fulminantes, um brilho que remexeu em seu peito. Deveria contar-lhe…
Afinal, o que ele tinha a perder? Rukia nunca deixaria de ser sua amiga, ele sempre confiara e partilhara tudo com ela, porque não a sua confusão sentimental também?
– Eu amo você Rukia, e estou metido numa encrenca por isso.
– O… quê? O que você disse?
Uma ligeira veia saltou da testa do ruivo, que irritado por ter-se de repetir, encarou directamente para a Kuchiki.
– Você é surda naníaca? O Inferno lhe tirou a capacidade de escutar direito?
– Seu idiota! Não precisa gritar!
As discussões sempre se fariam presentes no casal, até mesmo em meio das declarações. Apesar do constrangimento da Kuchiki, esta conseguiu libertar-se ligeiramente do agarro do sentimento embaraçoso, tornando a temática daquela briga como se fosse algo do quotidiano.
– Eu não compreendo como fui gostar de você, baixinha!
– Maldito! Eu não sei o que vi em você para me apaixonar por um idiota grosso!
Enquanto a shinigami não compreendera a dimensão de sua confissão, o Kurosaki sentiu todo o seu mundo bloquear com essa revelação. A compostura rígida e austera da morena, demonstrava o quanto esta estava irada, porém não menos bela.
Rukia tinha razão, ele era um idiota por nunca ter percebido…
Ele tinha perdido todo este tempo, quando podia estar aproveitando-o.
O olhar avelã ganhou uma tonalidade mais escura, como a sombra de uma chama o cobrisse. Num piscar de olhos, Ichigo agarrou brutalmente a cintura de Rukia, a puxando contra si, chocando seus lábios num embate quase violento.
A shinigami arregalou os olhos, estática com as acções do ruivo. Tentou questioná-lo, interrompendo o contacto mas assim que abriu seus finos lábios para o fazer, sentiu a língua ávida e calorosa adentrar por sua boca.
Um calafrio arrepiou toda a sua coluna. Selvagem, mas em contrapartida extremamente prazeroso. O corpo pequeno simplesmente retribuiu o agarro com a mesma intensidade, não tendo força para o repelir, nem vontade.
A mente de ambos os alertava de que se encontravam num lugar público, apesar de pouco movimentado pelo horário. No entanto, o calor em seus ventres fora mais cativante, os persuadindo a entregarem-se naquele exacto momento, ao sentimento que os dominava: luxúria.
Esta pode ser, ou não, uma consequência do amor. Contudo, é inegável que estando ambas as forças juntas, a concupiscência poderia atingir um nível impensado, a quem não usufrui de uma afeição anterior.
O substituto de shinigami deslocou seus lábios para a curvatura alva no pescoço, sugando quase desesperadamente sua pele, deixando pequenas marcas arroxeadas por onde sua boca passava. Vagarosamente, sua mão foi subindo pela coxa torneada da shinigami, erguendo juntamente seu vestido celeste. Quando alcançara os ombros finos, ele afastou-se ligeiramente desta para com um puxão rápido retirar a veste, deixando a pequena mulher com um conjunto de lingerie branco.
Os dedos longos, sensualmente, contornando seu corpo, acendeu sensações desconhecidas para Rukia. Porém agradáveis o suficiente para esquecer o constrangimento de estar parcialmente desnuda. Em vez de cobrir-se ou tapar-se com seus braços, depositou seus pés pequenos nas nádegas de Ichigo, o impulsionando para este cair de novo sobre seu corpo. O gemido rouco, perto de seu ouvido, atiçou ainda mais a audácia da Kuchiki, que sem delicadeza, desabotoou a camisa de Ichigo, mordendo o peito deste com seus caninos.
Se controlar não era uma tarefa fácil. Seu desejo reprimido pelo ruivo atraente estava lhe deixando sufocada. Perfurou a pele bronzeada com força, ainda sentindo uma pressão agoniante no meio das pernas.
Quase como instinto, aproveitando os calcanhares em suas coxas, o substituto de shinigami desferiu um tapa moderado na nádega redonda. Deliciando-se com o som produzido tanto pelo seu movimento como pelo gemido contorcido da morena.
E o inevitável aconteceu: ela encontrava-se molhada e quente. Seu útero latejava e na tentativa de aliviá-lo, Rukia apertava suas pernas, inutilmente, com a pressão de suas pernas a deixando ainda mais sensível.
Ela fez um esforço colossal para manter suas pálpebras abertas. Sua vontade era cerrar os olhos e apenas sentir todo o seu corpo vibrar com os toques proporcionados.
Porém, Ichigo conseguia aflorar seu lado depravado com apenas um olhar. Convite para um delicioso pecado.
As mãos desajeitadas agiam habilmente. Ichigo talvez por escutar conversas inconvenientes e íntimas entre suas irmãs acabou por aprender, ocasionalmente, determinados assuntos de mulheres. Isto poderá justificar a sua facilidade em remover o pequeno pedaço de pano que cobria os seios pomposos da irmã de Hisanna.
Lambeu os lábios voluntariamente quando notou o peito, agora descoberto, rígido. Deu-se ao privilégio de parar poucos segundos, alucinado com a visão dos mamilos rosados completamente suados pelo prazer mal contido da sua portadora. Não perdeu mais do que cinco segundos para absorver a imagem, encaixando sua testa entre os seios.
Com as pernas femininas entrelaças em sua cintura, Ichigo utilizou suas mãos para apertar os dois seios, um ao encontro do outro, como se estes se esmagassem. Dessa forma, o Kurosaki voltou a agachar sua boca, para com a língua dar atenção aos dois membros em simultâneo.
A Kuchiki remexia, inquieta, as pernas em sua cintura, apesar de não desfazer o elo com a cintura dele, roçando levemente suas intimidades. Aumentando assim, o desejo e curiosidade do substituto de shinigami em desvendar o restante do corpo róseo.
Sentia os lábios do ruivo descendo deliciosamente pela sua pele, percorrendo um trilho até seu ventre, para depois escorregarem acidentalmente até sua virilha, próximo ao ponto prazeroso que algum tempo vem necessitando de atenção.
Imediatamente, com seus dedos minuciosos, ela agarrou nas madeixas arruivadas rebeldes, as pressionando contra a sua intimidade. Ele sorriu com esse gesto. Usando os dentes para rasgar o último tecido, enquanto retirava também suas restantes vestes.
Lambeu o pequeno líquido que escoria visivelmente sobre a entrada de Rukia, a escutando ofegar e tremer involuntariamente. A resposta dela aos seus movimentos tornou-se mais intensa e isso o incentivou a penetrá-la com a própria língua, enquanto suas mãos suspendiam as coxas de Rukia sobre seus ombros.
Rodopiando-se magistralmente dentro da cavidade húmida, Ichigo sempre gemia quando os espasmos da Kuchiki se tornavam mais apertados. Sentia o corpo pequeno amolecer, prevendo que Rukia poderia estar perto do seu primeiro orgasmo. No entanto, ele não permitiu isso. Ele queria que ela tivesse algo mais forte e avassalador.
Ao travar seus movimentos circulares, retirando sua boca do local, escutou de imediato os resmungos da morena, e constatou seu olhar raivoso. Sorrindo travesso perante essa situação.
Ainda com as pernas sob seus ombros, Ichigo volta a penetrá-la com seu órgão volumoso. Apesar de não ter sido pausado quando adentrou tentou ser o mais cuidadoso e lento possível, para evitar dores maiores.
Assistiu Rukia engolir um grito fininho pela dormência, enquanto cravava as unhas contra seus punhos. Ele não disse nada, não agiu. Simplesmente, esperou. Quando a pressão do corpo feminino diminuiu, escutou um longo suspiro da morena, que mordeu o lábio inferior o encarando ligeiramente avermelhada.
O salvador da Soul Society teve vontade de rir pelo pedido mudo, contudo não se fez de desentendido. Ele próprio estava desejoso em continuar. E assim o fez. As estocadas iniciais eram desajeitadas e lentas, mas rapidamente se tornaram rimáticas e firmes. Seus corpos sacudiam-se perante as estocadas consecutivas.
O suor se mistura com líquidos libidinais, facilitando a lubricidade do acto.
Deslizando pelos braços, as pernas delgadas de Rukia tombam na cintura do ruivo que delicadamente se deitou sobre a shinigami, colando seus corpos. Os gemidos do casal pouco ou nada eram discretos, comprovando que prontamente ambos chegariam ao ápice.
Numa última estocada, Ichigo suspirou longamente acabando por perder a força que suspendia seu tronco, deitando a cabeça no peito da shinigami. Esta parecia estar inerte, respirando profundamente, com a cabeça inclinada para trás com os olhos fechados.
– Rukia…
– Se o Nii-sama descobre, você está mesmo metido numa encrenca Ichigo.
– Maldição! O Byakuya!
O irmão mais velho da família Kurosaki quando pulou para se levantar pelo susto, quase perdeu o equilíbrio. Esquecendo completamente seu estado impróprio. A Kuchiki permitiu-se encarar o ruivo nervoso, ternamente.
Usara o nome de seu irmão como uma provocação, e fora bem-sucedida. Gargalhou discretamente enquanto assistia este recolher suas roupas, atrapalhando-se enquanto tentava-se vestir.
Uma ligeira brisa contra suas costas, a fez estremecer. Apesar do pequeno frio que sentiu, um detalhe prendera a sua atenção. Enrolou algumas madeixas negras em seu indicador levando-as à ponta do nariz, as cheirando. Ruborizada, alargou seu sorriso.
– Cheira a… Morango.
Rukia estava disposta repetir a experiência só para sentir de novo aquele cheiro. Bom, talvez, não fosse só por isso…
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