The Hell Verse

27 Adeus, Inferno


Notas iniciais
Oe, oe! o/ Finalmente as provas chatas acabaram e posso dedicar-me completamente às fanfics! Era para actualizar somente em Julho mas... Como também tenho outra fic IR -Simplest Mistake- acabei por deixar as actualizações dessa para Julho mesmo, e esta ainda por cima estava mais atrasada XDXDXD Sobre o capítulo, decidi acabar com os enrolamentos e passar adiante mesmo para a próxima etapa. Acho que ficaria menos secante. Bom, sem mais delongas: Desfrutem a leitura*

Pelejando contra as ventanias infernais, as partículas brilhantes esvoaçavam, abandonado pela borboleta infernal que guiara Ichigo em seu trajecto até Rukia. O mesmo ser assistia o disputar entre o shinigami e o pecador. Deparando-se com a pequena Kuchiki, a borboleta bateu suas finas asas até ela.

Rukia sentindo uma movimentação atrás de si, prepara-se para um possível adversário mas surpreendentemente a borboleta não lhe pretendia fazer nada. Antes pousou em seu indicador. Ela aguardou, supondo que ela era portadora de uma mensagem para si, como seria sua função. Mas ela se desintegrou em cinzas lentamente.

– Nii-sama…

Byakuya era sempre imprevisível. Mesmo confiando no seu salvador, mandou uma borboleta infernal para assegurar que esta estava bem. Ela não lhe trazia uma mensagem, ela cumpriu uma ordem. Assim que comprovou seu estado físico, transmitiu de algum jeito sua mensagem ao capitão e desapareceu, tendo sua missão concluída. Ela sorriu discretamente, poderia assumir uma postura gélida mas ela sabia que ele sofria. Poderia assumir uma tranquilidade invejável mas ela o conhecia, e sabia que ele estava impaciente por notícias suas, para a salvar.

Recompondo-se da tragédia que rodeava Kaien, seguindo o exemplo de seu irmão mais velho, Rukia como uma Kuchiki não se deixaria abalar, e não sucumbiria à dor da perda até a batalha findar. Só seus amigos veriam e conheceriam seu sofrimento, seus inimigos só a conheceriam como uma lutadora destemida. Foi assim que Byakuya a ensinou.

Noutra vertente, o substituto de shinigami estava focado em seu inimigo. Nunca retirando os olhos do albino, com um único movimento, ele corta as correntes que aprisionavam e apodreciam os corpos de Renji e Ishida.

Rukia ainda com o corpo de Kaien no colo, observava a luta, tendo ainda algumas lágrimas a fluírem por seu rosto. Ao sentir a diferença térmica da baixa temperatura de seu corpo com o contraste do calor das lágrimas, ela apercebeu-se que estava vunerável naquele estado. Recompondo-se imediatamente, recolhendo as gotículas de água salgada, alterando sua feição para uma expressão mais austera. Depositando o corpo sem vida no solo, levou a ponta de seus dedos pequenos até as pálpebras ainda abertas do Shiba, as fechando. Deste modo encerrou uma etapa de sua vida.

A potente armadura dourada em forma de esqueleto, brilhou roubando a luz que o céu alvejava, enquanto Kokuto permanecia céptico perante aqueles sucessivos acontecimentos.

– O Inferno ajudando… um humano? Não, isso não é possível!

Recusando acreditar naquilo que seus olhos viam, negando a possibilidade cada vez mais próxima da sua derrota, desesperado o albino empunha sua arma contra o substituto de shinigami, tendo nítidas veias saltando em sua testa.

– Tu és da mesma espécie que eu!

Nervoso e atribulado, Kokuto avança contra o ruivo sem medir as consequências de seus actos. Por seu lado, Ichigo permanece imóvel com uma feição tediosa, assistindo a lentidão dos movimentos do inimigo.

– Sim… Assim como tu, sou um humano….

Enquanto empunhava sua katana negra, o Kurosaki constatava as semelhanças inquestionáveis entre eles… Assim como as diferenças entre eles, eram abismais.

– … E também um homem que ama!

Duas pessoas, o mesmo sentimento e dois caminhos distintos. Ichigo não conhecia o passado de Kokuto, porém tinha uma noção do que acontecera nele. Um amor perdido, que lhe fora roubado, cegou seu coração de vingança. Ele esteve prestes a tornar-se no homem à sua frente, mas a luz da memória da Rukia o resgatou.Ela nunca o perdoaria, nem em outro mundo, se ele se transforma-se em alguém como o pecador. E em homenagem a isso, ele não se corrompeu. Porque na realidade ele sempre pensou que ela tivesse morta, contudo tentava arranjar provas para o fazer seguir adiante, não por vingança, mas por seus amigos. Como sempre o fez.

Embora, quando a reviu… A esperança tornara-se desnecessária. Ela estava viva e isso era mais que suficiente para ele lutar num lago de fogo se fosse necessário.

O ataque desferido por Ichigo assume uma coloração amarelada, estendendo-se pelo vasto nível infernal. O pouco que aquele lugar ainda possuía, fora praticamente dizimado, remetido a cinzas e pó.

De uma imensa cratera Kokuto se ergue dificilmente com as vestes parcialmente rasgados, com a camisa imunda de terra húmida e pingando sangue. Começou a coxear, e nesse instante ele percebeu, quando levou a sua mão até o ferimento enorme em seu peito, para apaziguar o ardor intenso constatou que suas correntes sumiram.

– As correntes… Estou livre. Finalmente estou livre!

Porém, nesse preciso momento, um fenómeno surreal perturbou todo o festejo do pecador. Gozando a liberdade efémera, durante míseros segundos, o Inferno o volta a perseguir para condenar seus feitos imorais contra os shinigamis. Uma vasta coluna de correntes florou pelo solo, e estas como enormes serpentes abandonaram o subsolo para enrolar Kokuto como um casulo, enquanto o albino debatia-se contra elas.

– O quê!?

Por fim, as correntes cumprem seu objectivo. Estas eram um laço inquebrável imposto pelo destino, que o albino, amaldiçoaria eternamente. Um pecador nunca se livrará de sua marca: as correntes.

– Pare! Eu…

Aprisionado, ele continuava a combater na ânsia de escapar, mesmo sabendo que não iria conseguir jamais. O substituto de shinigami observava-o… O pecado de Kokuto foi ter feito o mal que lhe fizeram a ele. Por isso ele era condenado e perseguido.

– Essa é a retribuição por tentar enganar o Inferno. Kokuto, vá pagar pelos seus pecados nas profundezas do Inferno!

A armadura envolta de Ichigo cintilou quando este eleva a zanpakutou para o céu negrume, com a ponta da lâmina desfere um golpe que fere o céu que fica avermelhado, e em cólera com o ferimento, troveja. Atingindo Kokuto que em agonia fora engolido pela terra coberta de lava.

Os pilares do nível mais baixo começaram a tremer, desabando. Preocupado olhou imediatamente à sua volta encontrando o olhar que o fazia perder a noção do tempo e do espaço.

– Ichigo…

Ele ressurgiu ao seu lado, como um guardião que sempre velaria pelo seu bem-estar. Desajeitado, tipicamente do jeito do Kurosaki, ele a ergueu, segurando-a contra os seus braços musculosos. Utilizando o shunpo, deslocara-se com a pequena shinigami até o lugar mais alto daquele sítio, protegendo-a das fortes e escaldantes correntes de lava que o tentavam sugar sua vida, afogando-os naquela maresia eternamente.

Os guardiões infernais, estavam à volta do casal num círculo, como se lhes prestassem homenagens, parecendo os fiéis súbitos de Ichigo. As pérolas violáceas inocentes observavam cada detalhe da nova altura proporcionada. Estava abismada com a grandiosidade dos seres que os encaravam submissos. O tamanho monstruoso dos objectos só é entendido quando este se compara com outras coisas mais modestas no tamanho. A grandiosidade transmite não só o poder mas presença. Desviou os olhos para o seu próprio corpo, nomeadamente seus braços e mãos, seguidamente retomando o olhar aos seres infernais, como numa leve e rápida comparação, compreendendo de facto que possuía uma enorme baixa estatura. Suspirou frustrada, irritada pela primeira vez com a pequena madeixa negra entre os seus olhos, a incomodando, criando uma leve comichão em seus olhos.

Inicialmente, após a sugação de Kokuto, nada mudara. No entanto, o céu rapidamente cativara a atenção dos shinigamis que acompanharam o esplendor da abertura das nuvens, saindo por elas uma pequena brecha de luz. Pela primeira vez, aquele lugar sorriu. Com os pequenos raios solares clareando o Inferno, por um momento Ichigo remete-se ao céu de Karakura, como se estivesse perante esse. Não podia o ruivo imaginar, que aquele foi um presente do Inferno por sua preciosa ajuda em manter o prisioneiro no seu devido lugar.

A princesa da família Kuchiki tinha sido depositada no solo pelo substituto de shinigami, deparando-se com o mesmo a sorrir em sua direcção. Ligeiramente confusa, não compreendendo o motivo deste rir para ela, se analisou visualmente, entendo de imediato o motivo do sorriso contagiante. Uma bela curva desenhou-se em suas bochechas róseas, com pequenas lágrimas presas no canto de seus olhos.

– Voltou ao normal, Rukia.

– Sim.

As vestes alvas daquele lugar foram absorvidas pelo negrume, retomando o precioso kimono de shinigami. Finalmente, Rukia pode despedir-se da roupa horrorosa que simbolizava sua prisão.

Ichigo novamente desviou seu olhar pela brecha azulada no céu, pensativo. Tantos obstáculos tivera que ultrapassar para estar naquela posição, chegou a crer que nunca conseguiria salvar Rukia. Que nunca escaparia. Por momentos, perdeu a chama da esperança em si, um desmoronamento ocorreu em seu mundo interior quando ia caindo na armadilha do inimigo acreditando na suposta morte de Rukia. Mas ela estava ali, ao seu lado. A guerra acabou, e ele só conseguia festejar e sorrir por todos estarem bem.

– Ichigo?

A morena o encarava integrada e preocupada, talvez por sua face demonstrar o borbulhar das inúmeras emoções divergentes em sua mente. Seu corpo tremia com a excitação de gritar que tudo acabara.

– Eu consegui… Eu consegui. Isso aí!

Levando uma mão até aos dedos minúsculos da Kuchiki, enrolou seus dedos nos dela, erguendo seguidamente as mãos de ambos no alto, eufórico. Saltando, tendo cuidado para não machucar Rukia. Estava descontrolado. Rompia suas cordas vocais com as altas gargalhas. A vida é uma dádiva, e só quem está vivo a pode festejar. Assim como só quem enfrentou a morte de perto, a ponto de quase morrer, compreende em plenitude o significado e a importância de viver.

– Ichigo… Bom trabalho.

Ela nunca esqueceria o que ele arriscou por ela, nunca ignoraria que ele a salvou duas vezes, lhe proporcionando uma alegria imensa. Mesmo quando ela se entregara à morte, ele lhe mostrou que nenhum crime que ela cometesse mereceria a morte. Rukia pensara que Ichigo poderia ter sido seu erro, mas nunca sentiu isso e quando o viu de costas contra a fénix e agora no Inferno, ela tinha a certeza que nunca tinha feito algo tão correcto. A emoção espelhava-se em suas orbes, enquanto ele a encarava fixamente.

– É tudo o que tens a dizer depois de salvar a tua vida maníaca?

De alegre rapidamente passou a furiosa, e toda aquela gratidão por segundos evaporou, quando a shinigami de baixa estatura lhe desferiu um potente golpe em seu peito que fez o ruivo guinchar de dor. Esse som de lamúria fez a Kuchiki encará-lo risonha, esquecendo a raiva momentânea. Era impossível ela não rever o terror que alguns episódios lhe proporcionaram naquele lugar. Um leve rubor se instalou em sua face delicada, desviando o olhar do Kurosaki. Ela podia escapar daquela parte mas sentia que era necessário.

– Obrigada… Ichigo.

Rukia no passado não agradeceu em palavras, mesmo se sentindo imensamente grata interiormente, porém, ela desta vez queria demonstrar sua gratidão. O ruivo riu discretamente com o desconforta da maníaca orgulhosa.

– Sempre te virei salvar Rukia.

– Eu sei, Ichigo. Eu sei…

Naquele sorriso que compartilhavam, o constrangimento parecia não abalá-los. Contudo, o olhar penetrante avelã recordou Rukia desejos ocultos. Seus lábios contorcidos num grandioso riso, a recordaram quando inexperientemente possuíram os seus. A repentina memória a envergonha, fugindo novamente de seu olhar, procurando um outro assunto para se distrair e evitando que começasse a gaguejar demonstrando seu nervosismo.

– Agora precisamos de achar o Renji e o Ishida.

– É mesmo, eu quebrei as correntes deles. Onde é que estão?

Essa questão fez Ichigo perder seus desvaneios sobre Rukia, a fazendo ficar aliviada, levando uma mão ao peito que batia freneticamente. Começaram a buscar visualmente por todos os lados algum indício dos companheiros que o seu campo de visão permitia. Frustrados por não encontrarem nada, iam descer no topo para os procurar mais minuciosamente.

– Bem aqui! Meu corpo inteiro está doendo!

– Eu também. Estou duro como uma pedra.

Entre os destroços, na proximidade de uma árvore caída surgem o quincy e o shinigami doridos pelo impacto contra o solo rochoso, quando estes caíram dos ramos onde estavam pendurados pelas correntes.

– Vocês também estavam presos por correntes.

– Presos por correntes? Que droga é essa de que está falando Ichigo?

Ishida foi o que se recompôs mais rápido. Após a confusão inicial, como se estivesse embriagado, rapidamente recuperou a consciência e os seus sentidos se normalizaram, pondo um termo às tonturas. No entanto, Abarai prosseguiu ligeiramente desnorteado, não tendo consciência dos recentes acontecimentos nem da actual situação.

– Parece que tudo acabou.

– O que aconteceu com aquele cara?

– Ele foi puxado para as profundezas do Inferno.

– A coisa importante é que…

Renji se levantou sorrindo para encarar Ichigo porém este ao encará-lo salta pelo susto, assustando Ishida consequentemente que também encara o substituto de shinigami nessa altura surpreso.

– O que é isso!?

– Isso?

Desinteressado o Kurosaki encarou para onde os seus amigos apontavam. Não deu importância ao espanto destes pela armadura, remexendo os braços enquanto encarava seu peito coberto por algo semelhante a um esqueleto.

– Não tenho a certeza… Eu acho que eles me emprestaram o poder. É estranho?

Enquanto explicava, o horror do quincy e do shinigami aumentava. Ele apontou para os guardiões, fazendo com que os dois reparassem pela primeira vez na sua presença. Rukia mantinha-se em silêncio, achando caricata as expressões que os outros iam fazendo enquanto Ichigo prosseguia com as explicações.

– É mais que estranho!

– Você não tem jeito Kurosaki. É por isso que é possuído por qualquer coisa.

Os dois aproximaram-se até onde o casal se encontrava. Renji meio alterado enquanto o quincy mantinha seu humor sarcástico.

– Volte a sua forma original!

– Certo, eu vou desactivar agora.

Rukia ergueu uma sobrancelha, levemente preocupada. Encarando Ichigo que ia desactivar a armadura tentou impedi-lo.

– Espera, Ichigo. Assim que o desactivares, acho que eles nos vão atacar novamente…

O aviso chegou tarde demais. Assim que ele a retirou os maus presságios de Rukia se concretizaram. Estáticos e a suar perceberam uma sombra enorme sob eles tremendo, eles se arrepiaram sabendo o que os esperava.

– Viste?

O guardião mais próximo deles, o mesmo que ofereceu seus poderes ao ruivo, foi o primeiro que recomeçou os ataques. Sua mão enorme desceu sobre eles para os atingir, e não querendo sofrer um ataque daquela potência o grupo começou a correr, fugindo do exército infernal.

Apesar de serem perseguidos, escutava-se umas ligeiras risadas, enquanto uns se culpavam aos outros pelos sucedidos. Atravessando cada nível eles conseguiram ver a luz que os levaria ao seu lar. Era uma luz diferente de todas as outras, uma que possuía um calor reconfortante e não esmagador como todas as energias daquele lugar.

No Mundo Real, o portal do Inferno que tinha tido suas portas destruídas permitindo o miasma fluir, agora as portas eram reconstruídas automaticamente para suspense de todos. Porém antes que as portas fechassem completamente por uma brecha pequena o grupo saltou por lá.

Ao ultrapassarem pelo portal, este se fechou completamente desaparecendo em seguida, normalizando todas as anomalias que até ali perturbaram os humanos. O grupo caía em pleno céu, atravessando as nuvens, assistindo numa velocidade abismal o chão aproximar-se deles e a terrível queda que teriam de suportar.

Contudo, quatro fadas começaram a esvoaçar por debaixo destes, unindo seus poderes criaram um escudo alaranjado sob o grupo que pousou nele. Assim foram deslizando calmamente até terra firme. Orihime que reparara no momento que seus amigos regressaram ela rapidamente utiliza o santen kishun para estes não terem uma aterragem violeta contra o piso.

Aliviada por seu poder ter nutrido o efeito desejado, a ruiva sorriu jubilosa enquanto Sado aproximava-se dela cumprimentando os outros no alto.

Rukia encarou do infinito azul seu irmão, sério e frio como sempre, porém nem por isso o sorriso dela deixava de ser enorme e cintilante. No entanto, para sua surpresa, Byakuya ergue seu olhar impotente na direcção dela, e por muito opaco que seu olhar parecesse ela conseguiu identificar a felicidade em revê-la. A shinigami acreditou que seu peito fosse estourar com a felicidade que sentia, era superior à capacidade de seu peito armazenar dentro de si.

Recebida pelos calorosos abraços de seus amigos…

… Finalmente, a pequena Kuchiki estava em casa.

Notas finais
Um especial obrigado a todos os novos favoritos. Já agora: não pensem que a fic vai acabar sem nossos preciosos momentos IR, como já disse a alguns leitores e repito: eu não pretendo abandonar essa ideia. Como alguns podem adivinhar pelos gêneros e avisos da fic, terá momentos mais "picantes" :v Bom por um lado me custa terminar esta fic rapidamente, por outro... Estou desejosa de começar a postar e dedicar-me ao meu novo projecto *-* Eheh, desejo um bom fim de semana o/