The Haunted

17 Capítulo 16


Notas iniciais
Enjoy ;)

“Era incrível aquela capacidade que ela tinha de me deixar feliz apenas pelo fato de estar ali.”

— Wallacy Richard

Harry Stormblood

—Wow... Pensei que iríamos demorar mais para achar ele... -Alice sussurra.

-Harry... -Melody me olha — Não tinha isso aqui antes, ou tinha? Não me lembro disso.

-Tenho certeza que não... Mas... Deve ser ele. Quer dizer, nem todo mundo tem aquilo na porta de casa como proteção.

Ao lado da porta, presas na parede, havia um par de asas negras de anjo. Pelo que me lembro, eram da família dele, do primeiro Owlnight, uma das primeiras linhagens de demônios, que arrancou as mesmas pouco antes de morrer. Anthony vivia falando dessa história. De como aquilo afastava os rebeldes. Apenas os primeiros demônios tinham asas. Estes e os “anjos”, que foram extintos. Não havia mais nenhum tipo de demônio com asas, o avô de Anthony foi o último. Esse Owlnight foi da última linhagem alada.

Vamos à direção da casa, sem fazer barulho. Quando estávamos quase na porta, a mesma se abre.

Anthony parecia nos esperar. Usava casaco preto, calças pretas, sapato preto. Novamente, o capuz cobria a maior parte de seu rosto, dando destaque aos olhos cor de mel que pareciam brilhar assim como seu sorriso igual ao de um... Maníaco. Assassino. Qualquer coisa do tipo. Ele era o tipo de cara que parece assustar criancinhas para passar o tempo.

Franzo a testa, olhando-o fixamente.

-Anthony... -comecei, rindo baixinho. -Está tudo bem? Demoramos muito?

-Na verdade chegaram mais rápido do que eu esperava. Quando falei que iria fazer o máximo para ajudar vocês, falei sério. Mudei a casa para essa localização, deixando ela mais perto... Eu estou ótimo. Entrem.

Entramos na casa e Alice para, o olhando e sorrindo de canto e o olhando nos olhos.

-Casaco legal.

-Obrigado. -ele sorri igual, fechando a porta em seguida.

Ela volta a mancar ao meu lado, como se falar isso para qualquer um fosse normal. Alternei o olhar entre eles, arqueando a sobrancelha e fazendo-a dar de ombros. O chalé parecia o dobro do tamanho por dentro. Era cheio de coisas bizarras como amuletos e um cheiro muito forte de sangue. Havia um corredor com no mínimo nove portas, acabando na cozinha. Tudo estava extremamente organizado. Livros por ordem alfabética, algumas coisas de iniciação guardadas em caixas, cadernos empilhados ao lado de lápis... Parecia uma mansão misturada com casa mal assombrada.

-Com fome? -ele nos olha.

-Muita mesmo. -Sean passa a mão na barriga como se quisesse enfatizar sua fome.

-Carne ou pizza? É isso que temos para hoje. -ele fala mais alto, indo para a cozinha. Sean ri, gritando "os dois!" e desaparecendo no corredor atrás de Anthony.

-Hey, Tony... -Melody fala um pouco mais alto, para que ele ouvisse. -Tem um banheiro aqui? E chuveiro? Preciso tomar banho.

-Claro. Não sou cheiroso assim por milagre. Quarta porta a esquerda. Os únicos quartos que podem entrar são, além da cozinha, o segundo e o terceiro à esquerda. -ele grita novamente.

-Obrigada por falar... Agora quero ir aos outros. -Alice sussurra, esticando o pescoço para olhar as portas trancadas. Eu sabia o quanto ela era curiosa, e o quando a frase “não pode” a afetava e aumentava o desejo de fazer o proibido.

-Você vai aos outros. -ele ri da cozinha — É onde ocorrem as partes da iniciação e onde talvez você passe seus próximos dois dias.

Melody vai para o banheiro e eu sento em uma cadeira que tinha ali, ao lado da poltrona que Alice sentou, meio preocupada.

-Devo me preocupar? -ela me olha e eu retribuo o olhar.

-Não... Não muito. Tem algumas coisas nojentas, outras macabras e algumas... Dolorosas mas... Não é nada de mais. Pelo que eu me lembre. Acho que muda de demônio para demônio... Mas ele não vai pegar muito pesado com você, relaxa.

-Já esperava isso... -ela suspira, me olhando fixamente nos olhos, como se tentasse ler minha mente. Tinha ainda alguns arranhões no rosto e nos braços e uma fina linha de sangue seco no canto contrário ao piercing.

-Merda... Por que você me olha assim? -levanto e paro na frente dela, rindo baixinho e ela faz o mesmo.

-Não se.. Eu só estou te olhando.

-Mas... -a olho nos olhos, me abaixando para ficar da altura dela — Pare de me olhar.

-E por qual razão eu faria isso, Harry Jonathan? -ela sorri de canto

-Porque... Esquece. -sussurro, sorrindo de canto e colocando uma mão em seu rosto, passando o dedo sobre seu piercing— Olha, não tem ninguém aqui. Sabe o que isso significa?

-Acho que sei. -ela ri baixinho e deixa um espaço na poltrona para mim.

Sento ali, ficando bem perto dela e nós sorrimos. Ela coloca uma mão em meu rosto e eu coloco minhas mãos em sua cintura. Alice encostas nossas testas, deslizando sua mão para minha nuca e me beijando. Puxo-a mais perto, apertando sua cintura e fazendo-a se arrepiar. De certa forma, era bom saber o efeito que causava na loira. Com esses pequenos gestos ela demonstrava exatamente o que se passava em sua mente, me deixando louco.

Ouvimos passos no corredor e nos afastamos, parando o beijo.

Sean aparece ali, sujo pelo sangue da carne, sorrindo de canto. Ele pega as mochilas, nos olhando.

-Vou levar as coisas para os quartos. Quem divide com quem?

-Eu... -respiro fundo — Divido com você.

-Frase estranhamente duvidosa, mas o.k. -ele novamente desaparece no corredor.

Depois de todos tomarmos banho, coisa que os quatro precisavam, jantamos. Pizza e sangue. (É mais gostoso do que parece.) Ficamos conversando sobre a viagem e então Anthony começa falar dos dias seguintes. Sean não iria precisar fazer a iniciação, já que apenas quebrou o colar. Como Alice era novata, ela teria no mínimo dois dias, máximo quatro. Não explicou sobre os passos da iniciação, disse que explicaria apenas para ela depois. Ou talvez antes de cada passo.

Somos dormir e Sean praticamente desmaiou na cama. As meninas estavam no quarto ao lado, e Anthony no final do corredor. O quarto não era grande. Era cinza com duas camas, uma mesinha e um armário. Deixamos as mochilas na mesa e eu fiquei andando pelo quarto até ficar com sono, o que por algum milagre não demorou. Eu estava tão cansado que não tive pesadelos. Apenas um sonho com certa loira baixinha de olhos verdes. E eu amava sonhar com ela.

Alice Heartblood

Era madrugada e Melody parecia morta. Não me lembro de ela ter dormido na viagem então não liguei muito. O problema mesmo era que eu não conseguia dormir. Minha cabeça doía com as informações sobre o dia seguinte e mesmo minhas pálpebras estando pesadas, eu piscava e via o rosto de bonecas assassinas, pessoas morrendo e dor de todas as formas.

Saí do quarto e comecei a andar pelo lugar. Não era muito escuro e isso significava que eu poderia mexer nas coisas calmamente se não fizesse barulho. Então foi isso que fiz. Comecei a olhar as prateleiras cheias de amuletos, desenhos e livros.

-Não consegue dormir, flor? -escuto a voz baixa de Anthony perto de meu ouvido, me arrepiando e sorrindo de canto.

-Ahn... Não. Pelo visto você também não.

-Eu normalmente durmo durante a tarde... -sinto a respiração dele no meu ombro — Você tentou dormir pelo menos?

-T.Tentei... Até cair da cama. -o que ele estava fazendo? Meu Deus que perfume mais gostoso... Por que eu? Ok, Alice se controla... Isso não é a respiração dele perto da sua orelha. Eu não estou conseguindo pensar direito, mas que porra é essa? Ele é tão... Chega!

Foda-se, Anthony era lindo, e ninguém podia negar isso. E ele era legal, gentil e engraçado. Além de tudo, respondia todas as minhas perguntas sem se irritar como os outros, até achava bom eu perguntar tudo. Assim, seguinte ele, eu não me assustaria depois. “Um demônio bem informado é um demônio vivo”. Ele me explicou tudo sobre as caças e sobre sangue, mordidas e etc. Harry não pareceu gostar muito do jeito como conversávamos, mas eu nem liguei muito na verdade.

-Eu acho que posso te ajudar a dormir, se você quiser claro. -eu podia ter certeza que ele estava sorrindo. -Ou você pode passar a noite inteira acordada...

-Eu... Não sei. -sorrio de canto.

-Você tem medo de mim? Porque parece. Você ficou meio sem jeito... -ele ri baixinho. -Não precisa ter medo, está bem? Não vou fazer mal a você.

-Não tenho medo de você.

-Tudo bem... -ele respira fundo — Talvez você esteja normal. É só que... Não sou acostumado em ter muitas pessoas em casa, então posso ter achado estranho.

-Entendo. -rio baixinho. -Tu mora sozinho no meio do nada?

-Moro... Infelizmente. -ele sussurrou tão baixo que quase não ouvi.

-Isso é horrível! Não tem como mudar?

-Não. Mas eu já me acostumei, então não faz mal.

-O.k...-viro-me para ele. Seus olhos pareciam os de um gato por causa da luz fraca que entrava pela janela perto de nós. –Poderia se mudar para Londres... Se quisesse. Mas acho que quando se acostuma fica mais fácil.

-Mas às vezes eu penso que eu poderia ter uma companhia... -ele olha para o lado, mordendo o canto do lábio. -Esquece.

-Você não pode sair daqui?

-Poder eu posso... Mas minha obrigação é ficar aqui e cuidar dos novatos. É confuso, mas fui criado para isso. Cresci aqui, praticamente sozinho, cuidando de vocês...

-Entendi... Queria poder ajudar, Anthony.

-Ninguém pode... Vamos mudar de assunto, por favor.

-O.k. -rio baixinho — Do que quer falar?

-Não sei. Você que é a novata... Deve ter dúvidas, não? Quer dizer... Sei que não perguntou tudo que queria durante o jantar.

Sorrio de canto e sentamos nas cadeiras, começando a conversar. Tudo que ainda não tinha perguntado para Harry ou duvidas que ainda sobraram eu perguntava para ele. No começo foram coisas básicas, sobre o verdadeiro começo de tudo, por exemplo. E ele me explicava tudo, sem hesitar. O que era ótimo. Amei isso nele.

-Como é a iniciação?

-Eu não posso falar pelo que você vai passar, mas você vai ter que conseguir fazer tudo mesmo com medo, dor, nojo ou o que der em você. A única coisa que vou te falar é que nada é o fim do mundo e que é só um ritual para saber se você é corajosa o bastante para ser uma de nós. -ele sussurra. -Eu nunca te falei isso, o.k?

-O.k... Estou nervosa.

-Por quê? -ele ri baixinho. -Não tem nada de mais.

-Eu sei... É que geralmente deixo as coisas parecerem piores na minha cabeça, para que depois eu pense "nossa, era só isso, que bom". Ou sei lá por que, mas isso relaxa bastante. Penso assim antes de fazer alguma bosta.

-A maioria das pessoas faz isso.

-Acho que sim... Ahn, é verdade que existe alguém pior que Oliver? -o olho nos olhos.

-Não posso falar isso também... -ele olha pela janela, um pouco preocupado. -Mas enquanto vocês estiverem aqui, estarão seguros. A partir do momento em que pisarem lá fora, qualquer coisa pode acontecer.

-E sobre o colar... O que mais tu pode me dizer? -olho para baixo, mexendo na barra da blusa.

-Você já tem um colar? -ele me faz o olhar e eu nego. Ele sorri de canto — Eu posso te ajudar com isso.

-E como você me ajudaria? -arqueio uma sobrancelha.

-Vem comigo... -ele levanta e eu faço o mesmo. Anthony me puxa para um dos quartos no final do corredor. Grande, paredes cinza escuro, mais livros e prateleiras cheias, uma cama de casal e dois baús logo abaixo de uma TV não muito grande. Ele aponta para a cama. A parede ao lado da mesma estava com muitos colares pendurados. Muitos mesmo. -Senta ai.

Sento na ponta da mesma, olhando ele andar pelo quarto. Anthony começa a mexer em um armário e depois de um tempo retira um baú menor de dentro do mesmo, colocando-o do meu lado. Olhei dentro do mesmo, olhando alguns colares de ouro e outros de prata, alguns enormes e outros pequenos. Não consegui ver mais que isso.

-Licença... -ele fica na minha frente — Eu posso... Entrar na sua mente? Não é exatamente isso, preciso ver suas memórias. Não tem como explicar mais que isso, mas é bem rápido. Não gosto de invadir as memórias de alguém sem permissão.

-P.Pode... eu acho. -franzo a testa e ele sorri de canto, colocando uma mão em meu rosto.

Ele fecha os olhos. Em seguida, sinto meu cérebro queimar, latejar e depois uma sensação de que iria explodir. Arregalo um pouco os olhos e as cenas da minha vida toda passam rapidamente em minha mente. Agora parecia que alguém enfiava facas em meu crânio. Pouco depois, Anthony tira a mão de meu rosto, abrindo os olhos que pareciam mais claros agora.

Coloco uma mão na testa, fechando os olhos, murmurando alguma reclamação de dor.

-Já vai passar. -ele pega alguma coisa no bolso, sorrindo. Era uma bala com um pacotinho dourado. -É doce de leite. Açúcar geralmente melhora tudo.

Sorrio de canto, pegando o mesmo e comendo, ainda em silêncio enquanto ele mexia nas coisas dentro do baú, ainda sorrindo. Respiro fundo, sentindo a cabeça latejar menos. Fiquei o olhando até ele finalmente sorrir ainda mais, como se tivesse achado. Ele me olha, arqueando uma sobrancelha.

-Achou alguma coisa? -começo, com a voz rouca e ele concorda com a cabeça, mostrando uma corrente prateada com um pingente de uma rosa cheia de espinhos. Sorrio, segurando a mesma — Isso interfere tanto assim na minha vida?

-Sim. -ele sorri. -Eu tenho uma teoria de que todo mundo tem um objeto ou algo que marca sua vida. E no seu caso, são rosas... Assim como Harry. Mas ele já sabia o que seria antes de vir atrás de mim. Melody não fazia ideia, então fiz isso com ela também, e acabou que foi a lua. Por isso o pingente dela são duas mãos segurando a pedra em formato de lua cheia. O de Sean é uma palheta de violão, já que foi assim, por meio da música, que ele conheceu a maioria das pessoas que são importantes para ele hoje.

-Entendi. -respiro fundo, sorrindo de canto. -Mas e a pedra?

-Você achou uma, não achou? Diz que achou... -ele suspira e eu faço que sim com a cabeça, deixando-o mais relaxado. -Onde está?

-Na minha bolsa. Quer que eu vá pegar?

Ele concorda com a cabeça e senta na cama. Levanto e vou até o quarto, onde Melody ainda dormia abraçada em sua bolsa. Sorrio de canto, pegando a pedra, tentando fazer menos barulho possível. Volto para o quarto de Anthony e o entrego a pedra. Ele pega a mesma, olhando para ela e para o colar. Ele murmura um "já volto" e sai dali, voltando apenas quinze minutos depois, dando-me o colar. Sorri mais ainda. Ele tinha quebrado a pedra em pedacinhos e colocado os mesmos nas pétalas e folhas. Aquilo emitia um brilho fraco e prateado agora.

Ele me ajuda a colocar o colar.

-Obrigada, Tony... posso te chamar assim? -o olho nos olhos. Ele sorri, arqueando uma sobrancelha.

-Pode. -ele parecia um pouco cansado. Sorrio e bocejo em seguida — Acho melhor você ir dormir. Amanhã vai ser um longo dia. -ele ri baixinho -Boa noite, Ali.

-Boa noite, Tony. Tenta dormir também. -sorrio e levanto.

Ele ri um pouco mais alto, negando com a cabeça. Rio também e saio do quarto dele, indo para o meu, deitando-me na cama e me cobrindo até o pescoço. Em questão de minutos eu estava dormindo.

* * *

Acordei com Melody se espreguiçando e fazendo um barulho estranho e desafinado. Suspiro, bocejando e viro de barriga para baixo, com o rosto no travesseiro. Eu planejava dormir mais um pouco, porém fui interrompida ao ser atingida por algo macio na cabeça.

-Acorda, Lice... Os meninos já estão nos esperando. -ela murmura, batendo com o travesseiro em mim. A olho, séria e ela sorri. -Você ainda fala dormindo.

-Eu sei... -respiro fundo, sentando na cama e me espreguiçando. -O que eu falei agora?

-Apenas entendi "Harry". O que anda sonhando com ele, maninha? -ela ri baixinho e eu sinto meu rosto esquentar. Apenas levanto, olhando meu estado no espelho de corpo inteiro que ficava atrás da porta.

Meu pijama era um moletom e shorts apenas, meu cabelo estava meio enrolado já que dormi com o mesmo meio úmido -o que não era bom, porque ele ficava ou elétrico ou armado- e meu rosto estava meio vermelho, com a marca do meu colar em uma das bochechas. Como? Não faço ideia.

Assim que Melody nota o colar, explico para ela sobre noite passada. Tudo que Tony me explicou e como ele vasculhou minha mente para poder fazer o colar. Ela dá de ombros, sorrindo e saímos do quarto. O cheiro de waffle estava pela casa toda, disfarçando o cheiro forte de sangue. Eu e Melody nos olhamos e sorrimos. Prendo meu cabelo em um coque e vamos para a cozinha.

Os meninos estavam comendo em silencio em volta da mesa redonda que tinha um prato com uma pilha de waffles em cima. Sorrio e ouço minha barriga roncar.

Anthony estava comendo um waffle e lendo algum dos livros que vi na estante dele noite passada. Parecia concentrado, e eu até o levaria a sério se não fosse por apenas um dos lados de seu cabelo estar espetado e amassado e se sua boca não estivesse suja de mel e migalhas.

Sean ainda parecia dormir, com o cabelo totalmente bagunçado, bochechas rosadas. Ele mastigava um waffle e tinha mais dois em mãos, colocando manteiga nos mesmos. Seus olhos estavam meio fechados. Não pude deixar de notar o quão fofo ele era de manhã.

Harry parecia o mais sério entre os três. Estava com o cabelo ainda mais cacheado, amassado. Ele olhava sem expressão nenhuma para a xícara de café em sua frente, junto com um waffle pela metade. Sorrio de canto e sento-me ao lado dele enquanto Melody sentava entre Sean e Anthony.

-Hm... Bom dia. -falo finalmente, colocando alguns waffles no meu prato.

Sean nos olha e sorri de canto, acenando como uma criança e Anthony sorri nos olhando rapidamente, ambos com a boca cheia. Porém, Harry não tira os olhos da caneca, respirando fundo. O olho pelo canto do olho, mordendo o canto do lábio. O que aconteceu agora?

Volto à atenção á comida, em silencio. Assim como todos.

-O.k... -Anthony suspira e levanta, juntando seu prato e xícara, colocando-os na pia — Daqui a pouco vai ser a primeira etapa da iniciação. Tente não comer muito -ele me olha -Vai ser melhor. Vou avisar quando chegar a hora. Se precisarem de mim, estarei no meu quarto.

-O.k... -o olho, arqueando uma sobrancelha, terminando o último waffle. Ele sai da cozinha e ouço a porta de seu quarto fechar. Suspiro, empurrando um pouco o prato para longe de mim. Se não era para comer, então guardaria para depois. Por mais que aquele café da manhã fosse o melhor que eu estava tendo em alguns bons dias.

-O clima está estranho... -Sean suspira- Eu vou comer mais. -ele pega mais quatro waffles e sorri.

Rio baixinho e reviro os olhos, tirando a franja da frente dos olhos. Começo a brincar com o guardanapo, tentando ignorar o frio que emanava de Harry, me atingindo em cheio, diretamente no coração.

-Por que acha que o clima está estranho? -sussurro.

-Porque você e Harry parecem duas crianças. -Sean ri alto, tapando a boca- Desculpa. Mas é verdade... Ele está todo emburrado e você confusa. Desculpa de novo.

Dou de ombros, voltando à atenção para o guardanapo. Eu dei bom dia e tentei ser legal. Ele que continuou sério sem falar nada, sem ao menos me olhar. Parecia não querer ter acordado. Eu odiava pessoas que ficavam brabas do nada, por mais que eu fizesse isso. Mas se ele quer ser um grosso, a culpa não é minha. Fim da história.

-Eu... Vou para o quarto — sorrio de canto fraquinho e levanto um tempinho depois. Coloco meu prato e xícara na pia e saio dali.

Assim que piso fora da cozinha, fecho os olhos e respiro fundo, aguentando o impulso de voltar lá e exigir um porquê. Estava dividida entre ligar o foda-se e não ligar. Afinal, ninguém fica daquele jeito do nada quando no dia anterior estava sorrindo. Ele podia ter no mínimo sido educado e me respondido, mas nem isso ele fez. Estou irritada agora.

O.k, melhor guardar essa raiva para a hora da iniciação. Pelo que passei até agora, alguma coisa envolvendo dor física com certeza iria ter.

Entro no quarto, sentando na cama, começando a mexer no pingente, repassando tudo o que havia acontecido desde que chegamos aqui, tentando achar o motivo.

Chegamos, falamos com Tony, eles foram jantar, beijei Harry, fomos jantar também, conversamos e fomos tentar dormir. Não consegui, então levantei e fiquei falando com Anthony... Ah... Fiquei conversando com Anthony. Será que era isso? O fato de que acabei falando com Tony e não Harry ao perder o sono? Ele estaria com ciúmes?

Não. Não deve ser isso. O único motivo pelo qual eu falei com ele era o colar. Mas Harry não sabia disso. Ele não deve ser tão ciumento, sabe que alguns assuntos tem que ser tratados apenas com Anthony.

-O.k... foda-se. -murmuro para mim mesma, deitando.

Alguém bate na porta e eu levanto, abrindo a mesma. Harry entra no quarto, fechando a porta atrás dele e me olhando fixamente.

-Oi... -o olhei fixamente nos olhos. Ótimo jeito de ir entrando.

-Eu... -ele se aproxima — Me desculpa. Eu não te respondi e nem te olhei àquela hora. -ele morde o canto do lábio. -Eu. Estou um pouco nervoso, me desculpa.

-Tudo bem. -sorrio de canto — Mas acho que quem deveria estar nervosa sou eu, e não você. Eu estou até que bem, para falar a verdade.

-Estou preocupado e com um pouco de... -ele tosse, ficando meio vermelho e rindo baixinho. — Ciúmes, talvez? Coisa boba.

-Sério? -rio não muito baixo -Do que? Do Anthony?

-É... Mas bem pouco. Nada de mais. -ele fica ainda mais vermelho. -Não vamos falar sobre isso agora. Ele já explicou sobre o colar, então... -Harry coloca os braços em volta de minha cintura — Eu quero que você se cuide durante a iniciação, já que não vou estar lá para te ajudar. -ele ri baixinho ao ver minha cara — Brincadeira... Mas mesmo assim. Se cuida.

-Eu vou me cuidar. -rio e passo os braços ao redor do pescoço dele. -Pelo menos, vou tentar ao máximo.

-Então vou tentar ficar mais tranquilo. -ele me da um selinho. -Eu... Esquece. -Harry me beija. Sorrio e paro um pouco o beijo, o olhando nos olhos.

-Você o quê?

-Nada. -ele me beija novamente, subindo uma das mãos para o canto do meu rosto. Sorrio novamente, colocando as mãos sobre as dele. Pouco depois ele para o beijo, mordendo o lábio. O olho nos olhos, fazendo-o sorrir — Melhor nos segurarmos. Ou melhor... Eu me segurar. Não vai dar muito certo se continuarmos fazendo isso.

-O.k então. -rio baixinho — É melhor mesmo, seu inapropriado...

-Acho também que deveríamos sair desse quarto. Ou eles vão perceber.

Sorrio e seguro a mão dele, abrindo a porta.

-Na verdade, não me importo muito com isso.

-Sou eu quem vai apanhar. Você não tem mesmo com o que se preocupar. -ele ri.

Rio e saímos do quarto, indo para sala, onde os três estavam. Seguro a mão de Harry um pouquinho mais forte, fazendo ele me olhar rapidamente e sorrir. Retribuo o sorriso, olhando para baixo. Nos sentamos no sofá, esperando Anthony falar alguma coisa.

-Hm... Está na hora. -ele começa depois de algum tempo, levantando. -A iniciação tem quatro fazes; uma mais difícil que a outra. Essa primeira você irá sozinha comigo e irei ficar no canto da sala para ter certeza de que você cumpriu a etapa. Já a segunda, alguém além de mim poderá ir. Nas duas últimas você vai sozinha.

-O.k. -respiro fundo e mordo o lábio, soltando a mão de Harry.

-A Melody vai com ela. -Harry fala, forçando um sorrisinho de canto. -Acho que vai ser melhor assim.

Sorrio de canto o olhando rapidamente.

-O.k. Essa é a parte mais fácil e rápida... Quando formos para a segunda parte, no quarto cinco, te chamamos. -Tony olha para Melody que concorda com a cabeça.

-Está bem... Boa sorte, Lice.

-Obrigada. -suspiro e levanto.

Anthony me guia até a porta do primeiro quarto á esquerda. Uma porta de hospital... O que me esperava ali dentro? Alguém ou alguma coisa?