The Haunted

13 Capítulo 12


Notas iniciais
Enjoy ;)

“Esta sou eu. Eu me sinto invisível a maior parte do tempo.”

— Diário

Alice Heartblood

Olho para a pessoa, assim como Harry. Ele sorri, eu fico confusa. Era um cara não muito alto e não devia ter mais de vinte e um anos. Tinha feições de um duende -orelhas meio pontudas, nariz redondinho e bochechas grandes- e era loiro, mas parecia ter descolorido o cabelo. Era bem pálido e tinha sardas muito claras. Tudo isso em contraste com os olhos azul-claros, como o céu. Usava roupas largas e carregava consigo uma mochila pequena e um violão.

-Sean Stark? O que faz aqui? -Harry sorria.

-Eu... -ele olha para mim rapidamente — Destruíram meu colar. Não sobrou nada. -Sean ri de um modo engraçado e um pouco chamativo e escandaloso.

-Puta merda -Harry ri -Estamos indo arranjar uma pedra para ela. Quer aproveitar a viagem? -ele aponta para mim.

-Quanto mais gente melhor. -o menino sorri e olha para Melody — Eu... Melody? -ele a cutuca.

-Hm...? -ela abre os olhos, esfregando os olhos e sorrindo em seguida. -Sean... Oi...

-Hey... Quanto tempo.

-Muito tempo... muito mesmo. -ela ri e vai mais para o lado, deixando um espaço entre ela e Harry. -Você está indo atrás de outra pedra?

-Uhum. Simplesmente pisotearam meu colar. -ele ri. Tinha um sotaque irlandês muito forte.

Ela arregala os olhos, rindo baixinho. Ele coloca o violão de lado, se esticando. Senti que agora em diante, eles estariam entre amigos e eu não me encaixaria mais. Apenas como "a pirralha que precisa de uma pedra". Não que eu já odiasse Sean, ele parecia um cara legal. Mas, como já disse, estavam entre amigos. Deviam ter se conhecido quando Melody morava com meu pai mais no interior da Inglaterra.

Tenho que parar com o ciúmes, realmente... Meu último pensamento foi ridiculamente infantil.

-Alguma notícia do Graywolf? -Sean fala mais sério.

-Adivinha? -Harry sorri sarcasticamente. Me encolho mais perto da janela.

-Ele achou a gente. -Melody fala, um pouco seca — E já veio com ameaças e tentou entrar na minha casa.

-Então ele não mudou nada... Ele fala como se fosse conseguir fazer algo contra vocês.

-Espera... Ele tentou o que? -tirei um fone, não aguentando mais ficar quieta. Melody me olha, negando com a cabeça. O que mais eles estavam escondendo de mim? O que mais eu era muito nova para saber? É sempre assim. Sinto a raiva subir a cabeça. -Vão esconder mais o que de mim?

-Ali... Depois a gente conversa sobre isso. Só nós duas. -ela fala, calma de mais.

-Era para termos conversado quando você se transformou. -a olho nos olhos por um minuto. Não confiava em mim. Nunca confiou.

Sinto os olhos marejarem e o rosto esquentar. Não iria chorar na frente deles. Respiro fundo, encostando a cabeça na janela e colocando a música no máximo. Agora era "Fools", também do Troye Sivan.

Fiquei olhando a paisagem passar rápido pela janela, com a cabeça encostada na mesma. Em algum momento, pude sentir algumas lágrimas escapando. Fiquei daquele jeito até começar a sentir sono. Então desfiz a trança, deixando o cabelo pouco úmido e agora ondulado. Depois de um tempo, acabei dormindo.

Acordei o que pareceram minutos depois, quando senti alguém encostando a cabeça no meu ombro. Olho para o lado, para a pessoa. Mais especificamente para Harry, que estava dormindo. Sorrio de canto. Já era noite, ou seja, eu dormi o dia todo.

Começo a mexer no cabelo dele. Olhei novamente pare Sean, que estava deitado com a cabeça no ombro de Melody. Ele era fofo.

Respiro fundo, olhando pelo trem. Apenas eu e Melody parecíamos não estar dormindo. Ela me olha, sorrindo. Sorrio de canto, tentando esquecer os acontecimentos de mais cedo.

-Me desculpa por antes. -sussurro.

-Tudo bem... -ela sussurra de volta, mexendo na gola da camisa de Sean.

-Quem é esse cara?

-Esse cara é o Sean Stark. -ela ri baixinho — Ele era vizinho do Harry... Quando ele ainda morava na mesma cidade que eu e o pai. Ele foi transformado logo depois de mim...

-Foi transformado pelo Graywolf também?

-Não... Mas digamos que essa pessoa é bem idiota também.

-Entendi. -olho para Harry. Ele estava com o cabelo na frente dos olhos. Sorrio, arrumando o cabelo dele, deixando a mão em seu rosto por um curto tempo.

-E ai? -Melody sussurra. -O sangue dele está te enchendo o saco já, né?-ela segura a risada — A sua vontade de beijar ele deve estar insuportável, você deixa isso evidente.

-Mais ou menos isso... -faço careta — É torturante, e só faz mais ou menos quatro ou cinco dias.

-Deve passar rápido. Você não tomou muito sangue, ou tomou?

-Acho que não... Mais ou menos, na verdade. -falo depois de um tempo. Ela me olha novamente, arqueando uma sobrancelha. Dou de ombros. -Isso se chama fome... Ou sede, já que sangue é líquido... Ou não. Enfim. -ela revira os olhos e eu olho para baixo, murmurando — Sou tão irritante assim para todos só revirarem os olhos quando eu falo?

Ela continua em silêncio. Isso deve ter sido um sim.

Volto a atenção para Harry. Estava com menos olheiras do que no dia em que o conheci, e parecia mais relaxado. Tinha um pequeno sorriso nos lábios, como se o sonho que estivesse tendo fosse perfeito. Estava não só com a cabeça em meu ombro, mas me abraçava pela cintura, me puxando um pouco mais perto.

-Sean é irlandês, não? -falo um tempo depois, ignorando meus pensamentos causados pelo efeito do sangue misturado com o que já sentia antes. Melody faz que sim. A olho. -Você está irritada comigo?

-Por que estaria? -ela me olha, franzindo a testa.

-Não sei... Parece. Todos vocês parecem um pouco irritados comigo. Menos ele, claro. -olho para Sean, sorrindo de canto. -Nem me conhece. — Ela ri, mexendo no cabelo dele. -Já foi namorada dele também? -arqueio uma sobrancelha, me arrependendo amargamente assim que as palavras saíram da minha boca. Eu ia apanhar

-Não. Você está tentando me deixar irritada? Eu não sou uma vadia que sai beijando todos os meninos que eu conheço. -ela olha pra frente- Até parece que não me conhece.

-Desculpa, eu não quis falar isso. -olho pra baixo — É que sei lá... ele está quase te usando como cama. Esquece.

-Ele esta fazendo isso porque fui eu que cuidei dele durante a transformação. -ela sorri de canto- E ele se diz muito agradecido pelo nada que eu fiz.

Sorrio de canto. Depois ela fala não saber cuidar dos outros.

-Ele deve ter mais motivos. Se você o ajudou a não passar por isso sozinho já é tipo, uma grande razão pra ele não querer te soltar.

-Mas diferente de certas pessoas, eu só cuidei dele... Não dei meu sangue.

-Vai por mim, se ele sabia das coisas já, não ia querer que você desse seu sangue pra que ele bebesse. -respiro fundo — Dar o sangue não é uma coisa muito boa para quem toma.

Ela ri baixinho e suspiramos ao mesmo tempo. Harry se mexe um pouco, murmurando alguma coisa e me apertando mais contra o corpo dele. Faço careta, sorrindo de canto. Melody nos olhava com atenção. Sorrio e bocejo, encostando a cabeça na de Harry, o abraçando também.

-Acho que vou dormir...

-Boa noite. -ela ri baixinho, mexendo no cabelo de Sean, fazendo-o se mexer um pouco.

-Tenta não demorar para dormir... -fecho os olhos, sentindo os cachos de Harry fazerem cócegas em meu rosto.

* * *

Sinto alguém colocar as mãos em minha cintura e me sacudir de leve. A pessoa devia estar bem perto de mim, eu pressentia isso

-Estou acordada... -murmuro sentando direito.

-Então levanta ou iremos perder nosso ponto... -escuto Harry falar, rindo baixinho. -Vem.

Levanto, pegando a bolsa ainda de olhos fechados. Eu me sentia leve, como se uma obrigação tivesse sido tirada de meus ombros. Eu não me sentia pressionada por estar ali, nem com um desejo anormal de ter Harry por perto. Eu ainda o queria, mas não era mais desesperadamente quanto antes. Eu sentia que podia esperar e sentia que ele não era a razão de minha vida. Sorrio de canto e abro os olhos, olhando-o.

-Você é um péssimo travesseiro, Stormblood.

-Obrigado, Heartblood. Pode deixar, Melody vai ser seu travesseiro da próxima vez, porque você feriu meus sentimentos profundamente. -Ele finge estar chorando, fazendo-me rir alto.

-Chega de drama. Me desculpa. Agora, vamos? -ele concorda com a cabeça e saímos do trem. Olho para eles. -Como vamos saber que estamos perto das pedras?

-Ah... Na hora você vai sentir... -ele sorri de canto, um pouco preocupado.

Arregalo um pouco os olhos, prendendo o cabelo em um coque. O dia estava menos frio, porém com mais vento. As pessoas estavam muito agasalhadas. Melody e Sean estavam andando na nossa frente, praticamente nos guiando.

-Sabia que você fala dormindo? -olho para Harry, não querendo mais ficar em silêncio.

-Sim... Já me falaram isso. -ele fica um pouco vermelho — O que eu falei dessa vez?

-Não entendi muito bem. Você falava muito baixo. -sorrio de canto.

-Ainda bem. Você não faz ideia de quantas coisas sujas eu já falei na frente das pessoas enquanto eu dormia. -ele ri. Rio também, tropeçando em alguma coisa.

-Tipo, coisas MUITO sujas? -era óbvio que eu queria saber.

-Tipo coisas que eu nunca pensei que algum dia sairiam do meu subconsciente. -ele fica ainda mais vermelho, arrumando o cabelo. -A maioria das pessoas ficaram com medo mas algumas riram e outras até gostaram. A sua irmã riu, gostou e ainda usou isso contra mim.

-Isso porque sou uma pessoa muito legal. -Melody nos olha, rindo — Eu ainda lembro de todas as palavras.

Rio alto e Harry revira os olhos. Continuamos a andar em silêncio até a hora do almoço, mais ou menos. Depois disso, o silêncio desconfortável foi quebrado com o som da barriga de Sean roncando alto.

-Isso ai foi mais um terremoto do que um ronco. -Harry finge estar apavorado e rimos. Sean coloca a mão sobre a barriga.

-Não como nada desde o almoço de ontem, cara. Dê um desconto.

-Vamos parar nesse bar e comer? -Melody aponta para o lado — Acho que a batata frita deve ser gostosa, pelo cheiro. E não parece cheio.

-Se tem batata frita está bom. -suspiro e entramos no bar que realmente estava quase vazio.

Sentamos na mesa mais próxima da porta para caso de fuga e Harry vai até o balcão, pedindo as coisas. Fiquei o olhando pelo canto do olho, mexendo no guardanapo que estava à minha frente.

-E ai... -Sean me olha, sorrindo. -Você se chama...?

-Alice. -sorrio de canto.

-Sean, prazer -ele ri baixinho -Tem quantos anos?

-Ei, pelo menos disfarça, Sean. -Melody revira os olhos ao ver a expressão dele. -Ela é minha irmã, o.k? Aquela que eu falei para você um tempão atrás.

-Calma, Mel. -rio. -Tenho dezenove, e você?

-Vinte e quatro. -ele fala um pouco mais baixo, olhando para Melody. Sorrio de canto e olho para o balcão a tempo de ver Harry sentando na frente de Melody, que estava do meu lado.

-Perdi alguma coisa? -ele me olha e eu nego. Harry sorri de canto e eu retribuo, pegando uma batata.

-Então... -Sean começa e passa algumas batatinhas no molho, apenas olhando para a mesa, parecendo curioso. -Vocês dois estão... namorando? Ou em uma amizade com benefícios?

-Não! -eu e Harry arregalamos os olhos, corando. Quer dizer, para as vadias da faculdade, estávamos. Mas só elas e Mattew achavam isso. Acho.

Passo a batata no molho, olhando para o mesmo. Sean olha para Melody, como se quisesse falar algo para ela. Novamente, ficamos em silêncio durante um tempo, porém Harry e Sean começam a conversar sobre o que aconteceu a última vez que se viram. Eu e Melody continuamos em silencio.

-Está tudo bem? -sussurro, a olhando.

-Sim... -ela sussurra também, ainda sem me olhar. -Só estou um pouco cansada. Não dormi muito esses dias.

-Você parece preocupada... É por causa dele, não é?

-Quem? -ela me olha, arqueando uma sobrancelha.

-Voldemort. — reviro os olhos. -Quem será, Melody? Graywolf! Você está assim desde que ele reapareceu aquele dia.

-Não... -ela nega com a cabeça, olhando para a mesa. A esse ponto, os dois haviam parado de conversar e nos olhavam curiosos. -Eu estou cansada, já disse. Estou assim desde quando me ligaram falando que você estava no hospital.

-O.k... -olho para baixo e suspiro. Sabia que não era por isso. Sabia que Oliver estava envolvido de algum jeito. Ela não ficaria tão preocupada sabendo que estou bem. Melody parecia... Incomodada com algo. Só queria a ajudar. Facilitaria se ela confiasse em mim e contasse as coisas.

Harry me olha e nega com a cabeça, como se soubesse o que eu pensava. Dou de ombros, continuando em silencio. Todos nós ficamos quietos até a comida terminar. Após isso, Harry e Sean levantam nos olhando.

-Nós pagamos. -Harry sorri de canto e nos levantamos também. -Enquanto isso seria melhores vocês irem ao banheiro, porque a viagem é meio longa e só vai ter mato. -ele ri.

Rio baixinho e vamos até os banheiros. Fazemos o que temos que fazer e eu coloco um casaco e um sapato mais confortável. Melody faz o mesmo e eu a olho.

-Tem certeza que só está cansada?

-Sim... -ela sorri — Quando a gente voltar para casa, vou dormir durante uns três dias e então tudo volta ao normal. -ela bagunça meu cabelo e eu sorrio.

-O.k então.

Voltamos com os meninos e saímos do bar, olhando para os trilhos em seguida. Algo me dizia que dali para frente, eu sentiria saudades daquela coisa fedida com bancos desconfortáveis.

-Vem... -Harry segura meu pulso com um pouco de força, sorrindo de canto — Não podemos nos separar. Sean e Melody, vocês andam atrás de nós, o.k?

-O.k. -respondemos juntos e eu arqueio uma sobrancelha.

Eu já pretendia não me separar dele, depois dessa principalmente.

Começamos a andar para fora da cidade. Logo já tinha apenas mato, moscas e o nada. Ah, e vento. Muito vento. Tipo... Muito mesmo. Estava ficando cada vez mais frio à medida que escurecia.

Uma cobra passa na nossa frente e eu me aproximo mais de Harry, revirando os olhos.

-Samantha me perseguindo até na puta que pariu. Incrível.

Harry ri, jogando um galho na cobra. Rio e continuamos a andar. Me encolho um pouco mais, fechando o casaco. Ele solta meu pulso -sim, ainda estava o segurando-, colocando o braço em volta da minha cintura. Sorrio de canto, sentindo minha cabeça doer um pouco. Ignoro e continuo a andar. Devia ser coisa da viagem ou algo do tipo.

Escuro Sean reclamando de alguma coisa e Melody rindo.

-Você não está com frio? -olho para Harry.

-Estou com frio, mas esse casaco é bem quente... -ele sorri — Eu tenho outro desse na mochila, mas vou te emprestar só quando ficar de noite, já que ai sim vai ser bem frio.

-O.k. -rio baixinho e mordo o canto do lábio. -Ahn... Harry?

-Oi? -ele me olha, franzindo a testa — O que foi?

-Sabe como eu descubro se o efeito passou? -"Porque tenho a leve impressão de que acordei sem ele." termino em pensamento, reprimindo um sorriso. Precisava ter certeza.

-Não sei exatamente... Dizem que você se sente aliviado, sem nenhuma obrigação e não se sente mais preso à pessoa que te deu o sangue. Por quê? -ele olha nos meus olhos. -Acha que já está passando ou já passou? Não... Se sente mais ligada à mim?

-Não... Quer dizer... Sim, mas não pelo sangue. Acordei assim hoje. -sorrio de canto.

Ele sorri muito fraco, olhando para frente. Meu sorriso murcha. Ele não estava feliz? Não era isso que ele queria? Que o efeito passasse? Agora eu não tinha tanta certeza. A expressão dele... Merda, Alice. Você devia ter mentido.

Sinto o rosto quente. Não poderia chorar por isso. Mesmo que agora, talvez ele se afastasse e mesmo que eu não quisesse isso. Não posso chorar em hipótese alguma. Mas desde que eu falei sobre minha quase certeza, ele havia ficado estranho. O caminho todo sem me olhar e em silencio. A única certeza da presença dele que me restava, era o abraço fraco que nos mantinha juntos. Não tanto quanto antes.

A partir daquele momento, tive certeza. E esta certeza atingiu meu peito com tudo. Nós não estávamos mais ligados. Nada mais nos conectava.

Eu não era mais dele.