The Haunted

14 Capítulo 13


“Tenho a sensação de que minha vida está muito dispersa neste momento. Como se fosse um monte de pedacinhos de papel e alguém ligasse o ventilador. Mas falar com você me faz sentir como se o ventilador tivesse sido desligado por um tempo. Como se as coisas pudessem de fato fazer algum sentido. Você junta todos os meus pedacinhos, e sou muito grato por isso.”

— John Green

Harry Stormblood

Andamos por horas até começar a escurecer. "O efeito passou. Ela possivelmente vai me deixar." era meu único pensamento. O vento pareceu ficar mais forte e mais sombras se mexiam no meio do mato. Eu tinha afrouxado o abraço com Alice, e ela parecia não querer falar com ninguém. Parecia que iria quebrar a qualquer momento.

-Eu não estou sentindo meus dedos! -Melody grita — Que merda!

-Não é só você. Vamos parar aqui. -Sean suspira, sentando no chão em seguida. Alice se soltou completamente de mim e sentou ao lado dele. Ela me olha pelo canto do olho.

-Vou pegar alguma coisa para fazer fogo. -mordo o canto do lábio. Eles concordam e eu saio dali, indo para o meio das árvores.

Comecei a andar pelo nada, procurando qualquer coisa que pegasse fogo. Tinha achado apenas alguns gravetos quando começou a garoar. Respiro fundo, voltando para onde eles estavam. Os três tremiam de frio. Melody e Sean conversavam sobre algo e Alice estava em silencio, usando um casado da irmã e uma touca.

-Voltei... Me ajuda aqui, Melody? -forço um sorriso de canto.

Ela levanta e me ajuda a fazer uma pequena fogueira no meio do circulo que eles estavam. A garoa para e Sean senta mais perto da fogueira, sorrindo. Continuo em pé, sem falar nada e olhando para o fogo. Quando desviei o olhar rapidamente, Alice me observava preocupada e meio confusa. Ignoro, sentando no chão e fechando o casaco.

Ela olha para o fogo, se afastando de mim. A olho novamente, vendo-a mexer nos gravetos em silencio. A ultima coisa que havia falado foi sobre o efeito.

-Eu acho que vou dormir... -Sean fala, deitando a cabeça sobre a mochila e fechando os olhos. -Boa noite.

-Boa noite. -respondemos em coro.

-Vou dormir também. Boa noite. -Alice fala baixinho, deitando com a cabeça sobre a mochila, de costas para mim.

Melody coloca o outro casaco de Sean sobre ele cuidadosamente, sentando ao meu lado em seguida. Ficamos em silencio, eu olhando o nada e ela brincando com as pontas do cabelo. Uns minutos depois, me olhou como se fosse falar algo, negando com a cabeça em seguida, olhando para o chão.

-Fala. Sabe que eu odeio quando alguém para o que estava falando. -a olho.

-Eu nem tinha começado. -ela ri baixinho.

-Mas você ia falar alguma coisa e desistiu. -sorrio de canto.

-Eu ia perguntar por que você ficou estranho do nada, mas achei melhor não falar nada. -ela me olha.

-Não fiquei estranho...

-Ficou sim... Um tempo depois que saímos do bar. -ela me empurra fraquinho. -Fala logo. Eles estão dormindo, não vão saber o que você me falou.

-O efeito passou. Ela disse que acha, pelo menos... -dou de ombros.

-Tá... E qual o problema? -ela franze a testa — O que isso tem a ver?

-Eu... Não sei. -continuo sem olhá-la. Claro que eu sabia. Como o efeito passou... Alice vai se afastar mais de mim. Não estávamos mais ligados. Assim que voltássemos para casa ela iria embora. Como todos aqueles que já gostei ou amei.

-Harry, você não sabe mentir... Principalmente para mim. -ela me faz olhá-la e sorri. -Você está com medo? É isso, não é? Você acha que porque o seu sangue não funciona mais nela... -a faço parar de falar, colocando a mão sobre a boca dela.

-Não tenho medo disso. Não estou com medo. -fico sério e ela ri, tirando minha mão da boca dela e revirando os olhos — Por que acha que eu tenho medo?

-Porque eu te conheço. E você odeia ficar sozinho.

-Eu fiquei sozinho minha vida inteira, Melody.

-Na verdade não; e você sabe disso. Só que você se recusa a lembrar de quando tinha vários amigos e família. Odeio ter que ficar falando essas coisas para você, mas é a verdade. -ela suspira, olhando para o chão.

-Eu sei. -respiro fundo — Só que eu já me acostumei a ficar sozinho. Esse é o problema.

-Pare de mentir para si mesmo. -ela revira os olhos de novo. -Não se acostumou não. E você gosta dela, então ficou pior ainda. Você não quer que ela te deixe. Pronto, falei.

-Talvez. -a olho. -Você sabe o que o sangue faz com as pessoas. Durante e depois do efeito.

-E...? Foi ela que bebeu seu sangue, não ao contrário. Não sei por que está assim. Alice não vai sair saltitando para longe de você só porque o efeito passou. -ela ri — Você não percebeu que ela ficou preocupada por você ficar desse jeito?

-Quando uma pessoa fica assim do nada, todo mundo se preocupa. Eu vou dormir e você deveria fazer isso também.

-Para de dar desculpas, Harry! -ela ri e eu rio baixinho também — Que raiva!

-Boa noite, Heartblood.

Ela mostra o dedo do meio, rindo e volta a olhar para a fogueira abraçando as pernas. Deito a cabeça na mochila e fecho os olhos, só então percebendo como eu estava cansado.

* * *

Acordei o que pareceram segundos depois, com alguém mexendo na minha mochila. Abro os olhos, sentando em seguida. Parecia ser madrugada ainda. Giulia me olha, colocando a mão sobre a perna, passando uma mensagem clara. "Minha perna vai quebrar".

Abro a bolsa, sem parar de olhá-la e pego a seringa que estava com o soro.

-Onde? -sussurro, me aproximando dela.

-A perna toda. De novo. -ela senta direito, colocando a mão sobre a perna esquerda.

Coloco a mão dela no meu braço, pegando na perna dela. Ela faz uma careta de dor. Pego o soro, coloco na seringa e injeto o soro na perna dela. A olho nos olhos. Ela desvia o olhar, olhando para a perna. Parecia um pouco tonta.

-O que houve? -sussurro- Ainda está doendo? Está sentindo alguma coisa? —Ok Harry... Você esta parecendo um pouco desesperado de mais, calma cara- Quer que eu faça alguma coisa?

-Só estou um pouco tonta e com dor de cabeça. Deve ser o soro...

-Deita e dorme mais um pouco. -sorrio de canto- Logo passa.

Ela pega a bolsa dela, deitando novamente. Fico olhando pra ela. Estava com mais olheiras e estava mais pálida. O cabelo estava mais escuro e o olhar sem tanto brilho. Estávamos no caminho certo para a caverna onde encontraríamos as pedras.

-Se sentir mais alguma coisa, me chama... -sussurro, deitando novamente.

-Ok... -ela fecha os olhos, se encolhendo um pouco.

Pego o outro casaco dentro da minha mochila, colocando sobre dela. Ela segura a manga do casaco mais perto dela, possivelmente pegando no sono. Pouco depois eu estava dormindo de novo.

Acordei novamente com o vento soprando folhas em mim. Suspiro, colocando as mãos sobre o rosto. Sento ainda de olhos fechados. Sean estava acordado, olhando em volta.

-O que foi? -sussurro

-Eu pensei ter ouvido alguma coisa — ele sussurra de volta -Acho que estou ficando maluco.

Dou de ombros e olho pelo lugar também. Minha respiração falha. Sean estava sentado, Alice ainda dormindo... E Melody, que devia estar ao lado da irmã, não estava em lugar nenhum.

-Você viu a Melody a hora que acordou? -pergunto, levantando rapidamente.

-Não — ele olha pro lugar dela, preocupado -Pensei que o barulho foi ela procurando alguma coisa.

-Droga. Sabia que eu não deveria ter dormido. -suspiro- As coisas dela estão aqui... Então acho que ela não foi embora.

-Por que ela iria embora? -ele levanta — Fica ai. Vou procurar ela

-Não... Vocês já estão fracos. -olho para Alice- Fica aqui. Se ela acordar inventa alguma coisa ou então fala que eu e a Melody fomos andar em volta pra procurar mais um pouco.

-Tem certeza? Não estou tão fraco assim.

Concordo com a cabeça, arrumando o cabelo e indo procurar ela. Olhei por praticamente tudo, me afastando até de mais dos dois. Escuto um barulho baixinho perto de mim. Olho em volta, procurando o que quer que tenha feito o barulho.

Melody parecia não ter me notado. Estava voltando para onde estávamos. Vou até ela e seguro seu pulso.

-Onde você estava?

-Harry... -ela me olha, assustada- Ainda bem que eu achei você. Eu acordei e estava no meio do nada. -vejo que os olhos dela estavam vermelhos e ela escondia um canto do rosto com o cabelo- Eu estou tentando achar vocês faz quase uma hora.

-Nós não saímos de lá... Melody, como assim? -a olho, preocupado.

-Eu não sei o que aconteceu. Eu acordei e estava deitada no meio de duas arvores. -ela olha em volta- Será que eu virei sonâmbula de novo? Eu não me lembro de ter ido para lá.

-Não ouvi levantando. Quando acordei de madrugada e você ainda estava lá... O que você fez no rosto? -falo tirando o cabelo da frente do rosto dela. Estava machucado e tinha uma cicatriz, um machucado grande em seu pescoço.

-Eu... -ela olha pro lado, mordendo o lábio- Não sei... Eu estou com alguns machucados. Talvez eu tenha caído ou algo assim.

Ouço passos atrás de nós e uma risada conhecida.

-Ela realmente caiu. Não sozinha, óbvio. E calma lindinha, você não é sonâmbula.

Ela me olha, se aproxima mais de mim, olhando em volta. Oliver estava parado encostado a uma pedra grande, de braços cruzados, nos olhando. Usava uma jaqueta de couro sobre uma blusa branca e jeans claros, junto com os coturnos pretos de sempre.

-Deixaram os dois "protegidos" de vocês sozinhos? Vocês têm problemas? -ele arqueia uma sobrancelha.

A partir do momento que alguém é transformado, a pessoa/demônio que o transformou vira seu protetor. Ou seja, aquele que cuida do novato e o mostra as coisas do mundo demoníaco. Como pedras, o sangue e etc. Se não acharam a pessoa que transformou o novato ou a novata, aquele que esta com o mesmo desde o começo vira seu protetor.

-Você fala como se tivesse cuidado dos seus. -Melody fala, com raiva- Na verdade você matou a maioria, não? Por isso fica sozinho o tempo todo.

-Gosto de ficar sozinho. E só tenho dois protegidos, vocês no caso. Os outros eu nem me dei o trabalho de transformar. Eu só estava com fome. -ele sorri de canto — Fui treinado assim. Vocês sabem que fui. E já sabiam da maioria das coisas, então estavam livres para ir. Mas continuo aqui com vocês, o tempo todo. Não continuo?

-Infelizmente... -sussurro- Foi você que tirou ela de lá? Por que fez isso?

-Não fui eu. Eu a mantive viva, Stormblood.

A expressão da Melody muda completamente, como se ela não esperasse aquilo. Eu não devia estar tão diferente.

-Que foi, lindinha? Acha mesmo que sou o único que quer a cura? Não sou tão frio assim a ponto de tentar com você... -ele pisca com um olho só — Mas vou deixar vocês continuarem. Não que eu vá deixá-los sozinhos.

-Eu não acredito em você. -ela fala, mais irritada ainda- Você... Você não encostou em mim né? Porque se tiver feito isso... -seguro ela, tentando a fazer parar.

-Ou era isso, ou você morria Melody. -tinha uma certa dor nos olhos dele. Pela primeira vez pensei na possibilidade de o velho Oliver ainda estar ali, em algum lugar no corpo tomado pelo poder. -Você não vê que eu quero te proteger? Ou prefere deixar sua irmã sozinha de novo, dessa vez para sempre?

-Eu não acredito que você é capaz de fazer alguma coisa pra ajudar alguém que não seja você mesmo. -ela suspira- Vem, Harry... Eu quero ver se a Alice e o Sean estão bem. -ela me puxa

Oliver não fala nada. Apenas se afasta com as mãos no bolso.

-Já pensou que ele poderia estar falando a verdade? E se existe alguém pior que ele atrás de nós? -paro de andar, fazendo Melody olhar para mim.

-Ninguém pode ser pior que ele. -ela desvia o olhar, mordendo o lábio- Duvido que ele tenha me ajudado.

-Nada é impossível Melody... -respiro fundo e volto a andar.

Ela passa por mim, andando um pouco rápido. Quando chegamos, Sean e Alice conversavam sobre alguma coisa.

-... Mas eu não sei como vai ser meu colar. Não tem nada que eu consiga pensar! -ela murmura e ele ri.

-Não comenta nada sobre o que aconteceu. -Melody sussurra tão baixo que eu quase não ouvi- Por favor.

-Não vou... -sussurro de volta

—Não precisam falar. -Alice nos olha, séria. -Falei com Oliver ontem.

-Que? -Melody fica seria, olhando ora pra mim e ora para — Você está brincando, né?

-Não. Vocês estavam dormindo, foi pouco antes de eu acordar Harry por causa da perna. Ele falou pra tomarmos cuidado porque tem um cara pior que ele seguindo a gente. Vi esse cara pegar a Melody, e vi o Oliver correndo até eles.

-Eu não devia ter vindo... -Melody sussurra, irritada- Qual o seu problema, Alice? Eu já falei que o Oliver não é confiável.

-Melody, agradeça por estar viva. Você mudou de ideia sobre vir, não sei o por quê. -Alice fala e Sean a ajuda a levantar. Eles já tinham juntado as coisas.

A Melody pega a bolsa dela, indo na direção que a gente veio. Reviro os olhos e começo a ir até ela.

-Melody, chega de cu doce. -Sean a olha. -Chega disso. Se não quer acreditar, não acredita. Cadê o papo de "temos que ficar com nossos protegidos"?

Ela olha pra ele. Seus olhos estavam vermelhos ainda.

-Querem voltar, podem ir. Eu sei o caminho para a caverna e para Anthony. -Sean respira fundo e ajuda Alice a continuar caminhando. -Sei como ajudá-la também.

-Ei... -falo, indo até a Melody- Calma, o.k? Quando a gente achar as pedras e achar o Anthony eu te ajudo a achar um lugar onde o Oliver não vai te achar. -sorrio de canto- Só ignora ele agora e faz isso pela sua irmã e pelo Sean. -os dois estavam bem na frente agora. Melody revira os olhos e começamos a seguir os dois.

Estavam rindo, abraçados e estavam cantando alguma coisa. Ela tinha dado um fone para ele. Ficamos andando por horas. Só não estávamos em silêncio, porque Sean e Alice ficaram conversando e rindo o tempo todo. E eu não conseguia ouvir nada.

Eu já estava cansado de andar e estava ficando com fome. Chegamos perto de um lago. Por mais estranho que pareça, ali não estava frio. Eu já tinha visto aquele lago em algum lugar... Não era da ultima vez que fui atrás de uma pedra. Foi... Depois. Era um lago cheio de pétalas de rosas vermelhas boiando e rosas por todo lugar.

Então me lembrei. Eu vi aqueles lugares quase todas as noites desde que era pequeno. O que era muito estranho, porque eu estava no lugar de meus sonhos. Onde eu me lembrava das coisas boas que já tinham acontecido. Eu estava ali...

Meu país das Maravilhas.