The Gypsy Danger
3 Capitulo 2
“Só há uma coisa na vida que precisamos aprender, e ninguém ensina isso nas escolas. A capacidade de suportar” A Cidade do Sol.
Fitei a pequena capsula branca transparente, ponderando sobre o liquido dentro da pílula concentradamente. Eu já tivera varias conversas sobre abandonar os remédios que quase sempre terminavam com uma ida ao hospital psiquiátrico ou minha mãe trancada em um quarto, possivelmente destroçada pelas discussões que a aterrorizavam. Engoli sem pensar tomando um longo gole de agua rapidamente e levantei o olhar. Petrova se esgueirou em meus braços e ronronou impaciente, algo e fino como sempre fazia quando me via preocupada com algo. Meu celular vibrou novamente provocando outro gemido pela gata desesperada. Meu coração parou. Era a sétima vez que Dylan me ligara no dia, recordando-me de meu juramento solene de nunca prestar atenção a qualquer sinal de vida vindo por parte dele. Eu nunca tivera uma típica crise adolescentica, sofredora emocionalmente, mas os últimos tempos não me privaram das lagrimas incontroláveis. Segurei o choro que me subia pela garganta e respirei fundo. Além de mim, a senhora Roots, o novo cozinheiro e Bill não havia ninguém mais em casa, meu pai se reunira com algum de seus patrocinadores do outro lado do mapa. Segurei Petrova em meus braços e afundei meu rosto em seus pelos mesclados, observando a caixa à minha frente. Ainda estava lacrada, como se encontrava há meses. Deslizei meus dedos pela superfície de papel até a borda da tampa... Levantei-me bruscamente, balançando a cabeça com a ideia de abri-la. Agarrei meu casaco ainda respirando desregulamente e disparei para fora, saindo de casa o mais rápido possível. Corri pelas ruas ainda ligeiramente iluminadas sem qualquer compromisso ou ideia de minha direção, o sol fraco perdendo para a lua já a postos. Fechei os olhos sentindo a brisa gelada em meu rosto, movimentando meus cabelos ao redor de mim. A primeira gota atingiu-me segundos depois, sorri deixando a chuva me alcançar sem piedade. Abri os olhos, de repente consciente do que estava fazendo. Não sabia onde estava. Estreitei os olhos, procurando por alguma pista de onde estava. Minha respiração acelerou, andei pela rua desorientada. Pisquei, tentando estabilizar meu coração... Minha visão desfocou... Perdi o ar... Minha cabeça era um abismo, uma tempestade sem fim... Acordei no hospital. Um grande cilindro de oxigênio me mantinha estabilizada, sob o controle da tela de batimentos cardíacos, virei-me procurando qualquer rosto familiar e arqueei as sobrancelhas, surpresa. Daniel encontrou meu olhar e corou, sorrindo timidamente e se levantando apressadamente.
–Você... Você está bem?– abri a boca, esperando lhe dizer que sim e fiz a ultima coisa que queria fazer. As lagrimas mancharam minhas bochechas e ele se aproximou, me envolvendo ao máximo em seus fortes braços – Tudo... Você vai ficar bem Anja– assenti, apoiando o rosto em sua camisa, já empapada.
–Como me achou?– sibilei, rouca. Ele suspirou e passou a mão pelos cabelos
–Encontrei-a desmaiada em frente a casa do senhor Cole, meu vizinho... Achei que... Quer me contar o que está acontecendo?– encarei minhas mãos tentando focar em um ponto fixo.
–Eu... – a porta abriu abruptamente interrompendo-me, meu pai surgiu do vazio, as faces inchadas e vermelhas como eu nunca tinha visto antes.
–Anja!– suas mãos gesticularam e ele sorriu, aliviado, conversando com os médicos ou agradecendo ao “garoto” por ter me socorrido. Sorri assegurando que estava bem. Daniel mordeu o lábio, observando a tudo cuidadosamente, sorrindo preocupado quando encontrava meu olhar até que se despediu sem se dar muito credito e se foi, deixando-me sozinha... Estranhamente sozinha.
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