Notas iniciais
Desculpem a demora T.T estou sem meu pc ai ja viram né... mas aqui está o chap 4, prontinho saído do forno. Boa Leitura!

De imediato, todos que estavam sentados se levantaram. A Sra. Sophie caminhou calmamente em direção a uma mata, do outro lado do refeitório, sem dizer uma palavra sequer.
Alguns novatos não hesitam em segui-la, e em segundos estavam de pé.
Movido pela curiosidade, saio do meu lugar e passo a acompanha-los — onde isso iria parar?

***


— Quero uma fila única! Aqui, atrás desse garoto! – apressadamente nos organizamos em uma fila como havia mandado, atrás do garoto de cabelo loiro que ela havia indicado.
Ao ver que a fila estava devidamente organizada, a senhora sorri, satisfeita.
— Sim, está certo... — ela dá alguns passos à frente, se aproximando de um belo c hafariz de cristal de traços delicados e românticos.
A água jorrava fraca e de maneira quase imperceptível, mas era o suficiente para a formação de um fraco arco-íris. Aos pés dele havia uma portinhola de madeira no chão, como se tivessem cavado um buraco ali e o fechado desta forma depois. Sophie se abaixa, abrindo o compartimento estranhamente incomum. De lá, retira um par de luvas de couro e as veste.
Quando volta a ficar de pé se debruça sobre o chafariz, apoiando uma das mãos na borda e a outra dentro dele, como se procurasse algo em meio às águas cristalinas. Pouco depois a retira, trazendo consigo uma variedade de pedras brancas e redondas.
— Quando você domina um elemento — ela começa, voltando para perto dos novatos — a maioria das moléculas do seu corpo assume uma forma diferenciada. Quando somos pessoas normais, elas possuem uma forma redonda. Se alguém sem a nossa incrível habilidade tocasse em alguma delas, não mudariam de forma. — ela deixa as pedras bem à mostra, para que pudéssemos vê-la melhor — Esses quartzos brancos são supersensíveis as moléculas por ficarem banhadas por muito by Savings Sidekick\" href=\"http://thegwaedcode.forumeiros.com/t81-capitulo-4\">tempo numa água especial, aquela que deu origem a todos os oceanos e rios do mundo.
— A água desse chafariz? — interrompe uma garota as minhas costas, visivelmente desconfiada.
— A água dele vem de lá. — ela afirma, com um sorriso excessivamente simpático no rosto — Na verdade, este Chafariz esta diretamente ligado ao que chamamos de "Ponto Cardeal do Oeste”.
— Ponto o que?! — perguntou um dos garotos, sua duvida era compartilhada entre todos os presentes, inclusive, eu.
— Por hora, vocês não precisarão saber sobre isso — respondeu ela, sorrindo — De qualquer forma, — disse, dirigindo o olhar as pedras em sua mão — quando um Newis toca um desses quartzos, ele assume a forma da molécula predominante em seu organismo, ou seja, ficará evidente qual o seu elemento. Se for um domador do fogo, o quartzo assumirá forma semelhante à de uma pirâmide. Se for compactador de terra, assumirá a forma de um cubo. No caso de um condutor de ar, será algo semelhante a um losango, com oito faces no total. E se você for um modelador de água, tomará a forma de um icosaedro, ou seja, vinte faces no total.
— Isso é... Semelhante à teoria de Platão sobre a constituição do universo! — um garoto a minha frente observa, fascinado — Aquela que afirma que tudo no universo é composto de cinco elementos básicos, cada um contendo uma forma específica.
— Exatamente. Porém, não existe um quinto elemento: não consideramos o cosmos como um deles. — ela sorri novamente, contente por esclarecer mais um fato para nós — Agora vamos começar... Demora cerca de cinco minutos para que assuma a forma correta.
A Sra. Sophie caminha agilmente até o primeiro da fila, entregando uma das pedras a ele.
— Não toquem nas pedras uns dos outros. Uma vez tocada por outra pessoa, se torna inútil. — observa, continuando a entregar as pedras a todos da mesma forma.
Não demora muito até que eu tenha uma em mãos. Assim que a senhora entregou uma delas a mim, senti como a pedra branca como marfim era perfeitamente redonda, sem falar em como era gelada de uma forma que me dava à sensação de estar segurando uma pedra de gelo. Fecho o punho em volta dela com mais força que o necessário, aguardando ansioso qual seria o resultado.
De fato, ainda não acreditava totalmente em toda essa história dessa gente usuária de drogas, mas a esse ponto já me sentia fascinado com tudo que havia sido dito. Sem falar na curiosidade que eu possuía no momento: qual seria o meu elemento?
Aos poucos adolescentes contentes começam a comemorar a medida que seus quartzos brancos iam tomando forma, aquela que diria em que grupos de elementos eles se encaixariam.
— Isso é uma pirâmide, não é? — alguma garota pergunta, de forma empolgada.
— Temos uma nova domadora aqui! — afirma Sra. Sophie, verdadeiramente empolgada — Agora, quem já souber seu elemento pode ir ao dormitório se organizar para o almoço. Não se esqueçam de passar na secretaria e registrar a turma Elemental de vocês. — ela instruía a todos e respondia a todas as perguntas da mesma maneira calma e paciente.
— O que faço com o quartzo? — um outro alguém pergunta.
— Podem levar... Vocês que sabem.

À medida que os minutos se passavam, o lugar ia ficando mais calmo e silencioso. Antes que eu pudesse perceber, estávamos apenas eu e a instrutora ali, nos encarando em meio a um completo silêncio.

— Qual o problema meu jovem? — pergunta finalmente, quebrando o silêncio.
— Isso aqui continua redondo. — declaro, mostrando a pedra para comprovar o que dizia. — Não sei não, mas acho que vim parar aqui por engano e devo voltar para casa...
— Alguém já deve ter usado esse... — ela volta à extremidade do chafariz, repetindo o processo e trazendo mais três pedras consigo — Se livre dessa. Pegue mais uma.
— Mas eu não... — ela ignora meu protesto, fazendo com que segurasse mais duas pedras, uma em cada mão. Minutos se passam e, cerca de mais dez quartzos depois, ela finalmente decide parar.
— Pelo visto, temos um probleminha aqui... — ela me encarava com evidente preocupação.
— Claro que temos. Eu sou normal — sorrio do melhor jeito que sabia fazer — e não deveria estar aqui. Quando posso voltar para casa?
— Faremos assim: vá se organizar no dormitório. Depois tentaremos resolver isto. — ela sorri, tentando me acalmar. Como se eu estivesse preocupado com isso... — Pode ir.
— Tudo bem. — não questiono, me afastando apressadamente dela.

***

Realmente não era algo de tão mal. Uma cama beliche, e uma solteirão com uma pequena mesa de cabeceira de madeira a seu lado. Dois armários, provavelmente para roupas e afins. O motor de um velho frigobar branco roncava tão incomodamente que quase não percebi a presença de dois garotos no que aparentemente era meu novo quarto.
Eles pareciam absortos em seu dialogo. O bastante para não perceberem-me logo de inicio. Pigarreei, um pouco sem graça por atrapalhar a conversa, mas não fora necessário. Logo o garoto de cabelos castanhos caídos sobre a testa em um penteado estilo surfista levantara-se da cadeira onde estava sentado a pouco.
— Você é aquele garoto que estava com aquela tal de Vanessa! — Ele veio a meu encontro, oferecendo a mão. Depois de aperta-la, ele sorriu. — Eu o vi entrando no ônibus. Pareceu-me uma pessoa bem interessante, com boas historias para contar.
— Bem — comecei. Já não estava encabulado, e sim encorajado pelas palavras do tal garoto. Afinal alguém me notara. E provavelmente muitos outros fizeram o mesmo.
— Sim, melhor historia do que essa em que estamos vivendo não ha... — sorri, e o garoto retribuiu. — Chamo-me Nicolas, Nick, se preferir.
— Oh! Que descuido de minha parte — o garoto deu um tapa em sua própria testa, espantado — meu nome é Max. Max Camptvell. Parece que somos colegas de quarto, Nick.
— Sim, parece que sim, não é? — repeti, sorrindo. Max muito me lembrava um jogador de futebol americano, com seu tamanho. O que poderia ser intimidador, mas seu sorriso despreocupado e seu olha inocente e simpático atuavam em contraste.
— Esse Max... Daqui a pouco faz amizade com toda a Natch — o outro garoto, que ate então apenas observava com um sorriso no canto do rosto, pronunciou-se, atraindo a atenção de Max para o mesmo, que ao ouvir suas palavras, corou — Sou James. James Vanderholld — saudou-me, estendendo a mão, assim como Max. Apertei-a, sorrindo.
— James é quintanista! — observou Max, com tamanho entusiasmo — Legal não? Ele pode nos ajudar em muitas coisas.
James assentiu, gargalhando de maneira suave.
— Eu estava mesmo me perguntando quem seria o terceiro membro de nossa cabana — Anunciou James, virando o rosto de modo que seu topete negro balançou no topo de sua cabeça — Sabe, tive sérios problemas com os novatos do ano passado. Eles... — Seus olhos vagaram do chão ao teto, como se procurando mentalmente as palavras exatas — Digamos que eles causaram sérios problemas a mim e a alguns monitores. — sua voz assumira um tom serio. O que será que acontecera ano passado? Max levantara a mão e estava prestes a falar quando James o interrompeu — Mas de qualquer forma, vocês aparentam serem pessoas tranquilas. Espero que tenhamos uma ótima convivência.
Ótimo. Como nada nem ninguém é só flores, James estava mostrando seu lado psicopata de maneira discreta. Eu conhecia aquele tom de voz. Era do de alguém que avisa algo, mas de maneira ate simpática, para não se levantarem suspeitas. Ele, claramente estava avisando para não nos intrometermos em seu caminho. Ou, pelo menos que não estragássemos a imagem dele.
— Claro que sim, James! — bradou Max, contente. Claramente não percebera as intenções de James da mesma forma que eu — Nunca tive companheiros de quarto... É quase como se estivéssemos em uma universidade. Isso é muito legal!
James abriu um sorriso e gargalhou um pouco. Max era alto e aparentemente forte. Mas sua personalidade positiva deixava-o infantil, de maneira a parecer ingênuo. Talvez eu pudesse estar enganado, mas tudo indicava que meus colegas de quarto eram um banana e o outro um psicopata assassino individualista. Uma mistura um tanto inusitada.
James aparentava estar preocupado com o tempo, toda hora olhava o relógio. Max pareceu notar, e, inconvenientemente perguntou:
— Você tem algum compromisso? — Ele parecia não ter muita noção de situação, ou isso ou ele realmente se achava intimo o suficiente para saber de vidas alheias. Ambas as opções eram viáveis.
— Ah... — James corou — Desculpem! Não quero parecer estar entediado com vocês. É que eu marquei de ver alguém que não vejo a tempos... — seus olhos brilharam e o garoto pareceu sonhar acordado.
— É uma garota! — Afirmou Max, dando continuidade ao "momento inconveniência" — Tudo bem, cara — disse sorridente — não foi isso que quis dizer quando perguntei aquilo...
— De qualquer forma — interrompi. Se Max continuasse a interrogar James sobre sua vida ele provavelmente daria cabo a nos dois por saber demais. — Será que já entregaram minhas malas? — corri meus olhos por todo o quarto, e como não encontrei a pouca bagagem que fui obrigado a trazer, continuei — Quer dizer, me disseram lá na guarita, que tudo seria entregue em minha cabana.
— Sim... — confirmou James — Bem ali, atrás do beliche — Ele apontou para um pequeno amontoado de bagagens onde provavelmente estavam suas coisas e as de Max. — não mechemos em nada. Optamos por esperar a sua chegada para separar as coisas e escolher a cama...
— De cima! Anunciou Max, pulando para em cima da cama. — James fitou-me, tranquilamente e com um sorriso no rosto, provavelmente permitindo que eu escolhesse antes dele.
— Bem... Fico com o beliche de baixo então. — comentei sem empolgação. Provavelmente James iria querer a cama de solteiro. Individualistas sempre preferem. E isso foi confirmado pelo sorriso que formou em seu rosto.
— Ótimo, então eu fico com essa — E se sentou na cama, para se levantar em seguida, olhando o relógio — não me levem a mal, rapazes, mas tenho que ir! — e nos encarou, envergonhado — Mas prometo que mais tarde mostrarei o lugar a vocês.
— Tudo bem -disse, simplesmente.
— Pode ir! — concluiu Max, animadamente — ate depois!
— Ate — disse James, saindo porta a fora.
- Bem... — começou Max — Hora da arrumação! — anunciou, correndo ate o que aparentavam serem suas malas. Não eram muitas. Umas duas ao total, fora uma mochila de costas. — Temos dois armários... — observou pensativo — como dividiremos entre os três?
— Eu e você dividimos um e o que não der de seu ali, coloque no segundo, junto com as coisas do James — Respondi, rapidamente. Não poderia me arriscar a pegar algo no mesmo lugar em que James guardaria as suas roupas. Talvez ele pudesse achar que eu estava a revirar suas coisas atrás de algo...
Não sei, mas não arriscaria ter o pescoço degolado só por esta atrás de minhas cuecas e acabar em um mal entendido. Max, como sempre sorrindo, retirou suas roupas e as organizou nas duas ultimas gavetas do primeiro armário e utilizando a primeira gaveta do segundo.
Aparentemente ele não trouxera nada mais que isso, com exceção de um relógio despertador digital ao qual colocou em cima da mesa de cabeceira. Seguindo seus passos, organizei minhas roupas nas gavetas restantes o que me fez sentir, para minha infelicidade, instalado no lugar.
Então era oficial... Seria aqui que eu estava destinado há passar um ano. Claro, havia a chance de eu realmente não ter esta tal mutação, o que seria minha passagem direta para fora deste lugar. Suspirei profundamente. Aquela, provavelmente, era minha única esperança, e eu deveria agarrar-me a ela. Max pareceu notar minha tristeza por que logo seu sorriso sumiu.
— O que houve? — perguntou, em um miado triste. Balancei a cabeça algumas vezes, como que para esquecer sobre aquilo — pelo menos por hora.
— Não... Nada! — assumi um tom mais alegre — Acho que é fome — dei uma risada amarela. Max olhou para o relógio de cabeceira que marcava "12h50min p.m." em letras grandes e vermelhas.
— Vamos almoçar, então! — ele puxou meu pulso e corremos para fora da cabana.

***

A área dos dormitórios não era tão próxima do refeitório como eu havia pensado. Eu e Max levamos mais de quinze minutos para chegar até lá caminhando a passos largos e apressados por conta da fome que sentíamos, me deixando ainda mais cansado do que já estava.
Max parecia se incomodar com o silêncio incômodo que havia se formado entre nós.
— O que fez você vir parar num colégio militar? — Perguntou ele, curioso. Não o respondo e apenas o encaro confuso. Será que eu realmente deveria contar a ele? Afinal, acabamos de nos conhecer — Eu desconfiava que houvesse um motivo especial para meus pais me mandarem para cá. Só... Não sabia o que. Não que eu acredite que possa ter algum tipo de poder especial ou algo do tipo — Completo.
— Como era... Antes de você ser matriculado aqui? — pergunto, em parte por curiosidade, em parte para tirar o foco das perguntas sobre mim.
— Ah, eu morava em uma cidadezinha no interior dos estados unidos com meus pais e minha irmãzinha pequena. — ele sorri ao falar em sua família. Uma irmãzinha pequena... Isso acaba me lembrando do Alec de alguma forma, um irmão mais novo que ficou para trás. Não consigo deixar de sorrir também — Eu era quarterback do time de futebol americano no meu colégio. Enfim, uma vida sem muito dinheiro, mas com muita tranquilidade e paz de espírito. — encerra, sorrindo mais que nunca. Tudo indicava que sentia tremendo orgulho de si e de sua família. Como se isso bastasse para uma vida perfeita. Esse garoto deve ter algum problema. Do jeito que fala, ate parece que "Paz de espírito" poderia comprar roupas de marca ou acessórios maneiros.
— Hum... Que legal. — digo, sem ironia na voz.
Apesar do silêncio que havia se formado depois daquele dialogo, em poucos instantes estávamos no refeitório ao céu aberto, na fila para pegar o almoço com bandejas em mãos.
— Cara, qual será o cardápio? — Max pergunta verdadeiramente interessado — Será que é aquela gororoba que servem para os soldados em treinamento? — pelo tom da sua voz era perceptível o medo de que aquilo que disse fosse realmente verdade.
— Espero que não, eca. — um arrepio percorre todo o meu corpo. Ficar preso aqui já é ruim, com comida nojenta então... — Isso também é um colégio. Será que eles fariam essa maldade?
A fila era realmente rápida, e provavelmente não ficaríamos esperando aqui por muito tempo.
— Realmente espero que não... — a fila anda mais um pouco, e Max sorri como uma criança que acaba de receber um doce — É o paraíso! Veja só...
A mesa, a dez pessoas de distância possuía uma quase infinita variedade de alimentos: desde hambúrgueres e pizzas à saladas e sanduíches naturais. Na mesa com as bebidas, poderíamos escolher entre água, refrigerante, suco e vitaminas dos mais diversos sabores. Como Max havia dito: o paraíso.

***

— Está vendo alguma mesa vazia? — pergunto, mas sem parar de procurar. Todas as mesas pelas quais passamos estavam sem um lugar sequer sobrando e, quando tinha, era o tipo de gente "vai destruir minha reputação antes que eu possa dizer meu nome completo."
— Ainda não. — Max responde, com a voz meio dolorida. Não sei se era pelo peso da montanha de comida em sua bandeja ou por não poder comer ali e agora.
Para a maioria das mesas que olhava a cena era basicamente a mesma: adolescentes sorridentes e felizes, tanto que alguns mal tocavam em sua refeição.
Por um instante vejo a mesa em que estavam Vanessa, Echo e Ryan: os três rindo, conversando e visivelmente contentes.
Como eu queria estar no lugar deles nesse momento... Não ter problemas ou preocupações em minha vida. Queria poder ser feliz por estar com meus amigos e num colégio que eu realmente gostasse. Mas isso seria no mínimo impossível agora.
Talvez eu devesse ir até lá como quem não quer nada, afinal já conhecia a Echo e a Vanessa e não seria de todo estranho. Mas provavelmente seria incômodo para eles. Que tipo de veterano iria querer um novato perto de si no primeiro dia de aulas?
— Olha, uma ali. — Max chama minha atenção e aponta para uma mesa vazia do outro lado do pátio.
Nos apressamos a sentar lá, antes que alguém chegasse antes de nós. A corrida não foi muito fácil segurando uma bandeja cheia de comida nos braços, mas enfim conseguimos.
Sento pondo a bandeja em frente a mim, olhando indeciso para minha refeição. Por onde deveria começar? Pelas batatas fritas ou pelo hambúrguer de carne de frango?
Começo a mordiscar algumas batatas distraidamente, observando a beleza do lugar.
— Com licença. — uma garota em frente a mesa em que estava chama minha atenção. Ela olhava de mim para Max interessada, como se estivesse nos analisando até o último fio de cabelo. — Não tem ninguém aqui não é? Ótimo.
Ela senta a minha frente, e logo mais um garoto e outra garota sentam ao seu lado.
Volto meu olhar para Max, que aparentava estar um pouco confuso com aquilo, porém, feliz.
— E aí galera? — ele os cumprimenta, entusiasmado.
Os três o encaram com um misto de nojo e medo, mas a garota que sentara primeiro toma a iniciativa e se apresenta:
— Me chamo Candy. Ele é o Allan e a outra aí é a Norah. — ela sorri, de uma maneira meio falsa admito — Somos terceiranistas.
— Meu nome é Max. — ele diz alegremente, de boca cheia.
— Nicolas. Mas podem chamar de Nick. — sorrio, tentando demonstrar simpatia.
— Vocês são novos, certo? Nunca os vi antes... — Allan declara, sem tirar os olhos de mim.
— Pois é... — gostaria de retribuir seu olhar de uma maneira fria, talvez até ameaçadora, mas essa era uma habilidade que não possuía. Apenas volto o olhar para Candy.
— Sabe, esse lugar é tediosamente chato. — Norah diz, suspirando — Tenho pena de vocês por terem vindo pra cá.
— Pena mesmo... Ainda tem esses poderes legais e tal, mas... — Allan morde um pequeno pedaço de brócolis do seu prato e prossegue — Eles gostam de nos tratar como se fôssemos pessoas normais.
— Isso não é nem um pouco legal. — Candy afirma, encarando seu prato quase totalmente verde com aparente desinteresse — Nós não somos normais, não é mesmo?
Concordo com um sinal de cabeça. Eles não eram normais, mas eu sim. Adoraria ser tratado como alguém normal e quem sabe até voltar pra casa.
— Eu vi você chegando com a Vanessa Russel hoje mais cedo. — Allan declara, interrompendo minha linha de pensamentos. Max me encara questionador, seus olhos praticamente gritando para mim "Quem é essa?" — Você conhece um sigma? — enfim pergunta, e sem dúvida aquela era uma dúvida dos três ali presentes.
— Uma o que? — pergunto. Eles me olham indignados, quase como se dissessem "Que garoto burro, não sabe o que é um sigma!”

Candy então, pacientemente, responde minha pergunta.
— Os sigmas são uma espécie de elite do colégio. Foram alunos escolhidos a dedo pelo diretor para fazer serviços especiais. — em seu olhar o único sentimento óbvio era amargura — São os favoritos dos professores, além dos mais poderosos Newis entre os estudantes.
— Isso, tome muito cuidado com eles. — Norah adverte, com um ar de autoridade na voz — Principalmente com a Russel.
— Por que principalmente com ela?
— Por muitos motivos. — Allan arruma o cabelo, só então prossegue — Para começar, todo mundo sabe que ela é uma assassina sem piedade que pode te matar pelo mais insignificante dos motivos a sangue frio.
— Ela é uma assassina? — Max pergunta, sem nem disfarçar o tom de surpresa em sua voz.
— Todos nós estamos aqui por conta de algum delito. Uns mais graves, outros mais leves. E esse é o dela: assassinato. — Norah cospe cada sílaba como se estivesse cuspindo veneno ou algo do tipo.
— Dizem que o ônibus em que ela veio pela primeira vez para cá explodiu no meio do caminho. E sabe por quê? — Candy se aproxima de mim e Max diminuindo o tom de voz, como se fosse nos contar um segredo — Por que o banheiro estava mal cheiroso.
Contenho a risada, mantendo com dificuldade a expressão séria. Isso realmente era engraçado sendo contado dessa forma, mas e se fosse verdade?
-Também tem aquela que dizem... — Allan começa, num tom misterioso — Ela todo ano escolhe duas pessoas, geralmente novatos, para matar quando chega meia noite do primeiro dia de aula.
-Tipo uma comemoração sabe? Como soltar fogos. — Norah continua, dando ênfase ao comentário de Allan.
— E ninguém sabe ao certo como ela chegou aqui. Dizem que...
— Vocês não tem vergonha de ficar espalhando esses boatos ridículos por aí? — Max interrompe Candy, visivelmente enfezado — Não tem nem sentido, nem cabimento espalhar essas coisas sobre a tal da Vanessa por aí... Ela ao menos sabe disso?
As palavras de Max ficam cada vez mais distantes para mim a medida que percebo que tudo se encaixa. Eu quase fora assassinado por aquele demônio em forma de mulher hoje mais cedo. Devia ser tudo uma armação desde o começo para ela me matar hoje, à meia noite, como comemoração.
Inevitavelmente essa cena me vem à mente, o que é suficiente para fazer meu estômago revirar.
Olho para minha comida praticamente intocada e levanto.
— Perdi a fome. — declaro, saindo do meu lugar.
— Peraí, tudo bem aí Nick? — noto que Max também levantara, estando alguns passos atrás de mim.
— Sim. — minto.
-Tem certeza? — pergunta mais uma vez, preocupado.
Não respondo. Bem, ate tentei, mas as palavras exatas para ser formada uma boa desculpa não vinham a mente, que estava ocupada demais imaginando o momento em que a víbora daria o bote na pobre lebre.
Talvez a comparação pudesse ser exagerada, mas minha cabeça fora preenchida pela imagem de Vanessa realizando algum ritual macabro com os homens. Assim como no filme... Como era o nome mesmo? Garota Infernal?
Meus pés agiam automaticamente e guiavam-me para, acredito eu, o balcão das lixeiras.
Mas Talvez fosse melhor eu ter me concentrado no caminho. Minha mente voltou à realidade quando minha bandeja e meu almoço praticamente intocado foram de encontro com a cabeça de alguém.
— Droga! — resmungou uma garota de olhos verdes a minha frente. Purê de batatas em seu rosto me impediu de avaliar a quão irritada ela estava.
Automaticamente, corri ate a mesa mais próxima e "assaltei" um dos guardanapos de linho.
— Aqui, deixe-me ajuda-la — tentei amenizar a situação da garota, mas algo me diz que acabei piorando tudo. Ela, que antes estava com raiva, agora cravava um olhar de puro ódio em mim.
— Tire as mãos dos meus seios, seu pervertido! — advertiu-me.
— Mãos nos seus... — como instinto, a palma de minha mão fechou-se, e pude sentir a maciez dos tais sob meus dedos. Meus olhos arregalaram-se e, antes que eu pudesse sequer pensar em algo, a mão da tal garota já corria por meu rosto, desferindo-me um tapa forte demais para ser humano. Meu corpo cambaleava para trás em quanto eu perdia o equilíbrio.
Ela aparentemente estava pronta para um novo round, pois avançava em minha direção, com o rosto em chama, mas, talvez para minha sorte, uma garota um pouco mais baixinha, de olhos castanhos meigos e cabelos em um tom um pouco mais claro que seus olhos, aproximou-se.
— Rachel — chamou, segurando o pulso da garota de olhos verdes — Todos estão olhando, é melhor resolver isso depois — realmente, todos observavam a cena. Alguns quietos, surpresos. Já outros entre risinhos abafados e comentários irônicos.
A Tal Rachel pareceu notar os comentários ardilosos assim como eu. Se fosse possível seu rosto ficar mais vermelho, ele provavelmente estaria. Ela empinou o nariz, como se o gesto salvasse sua dignidade e colocou-se a andar despreocupadamente na direção oposta a mim. Não antes de sussurrar em alto em bom tom um "Me resolvo com você mais tarde".
Mas essa agora! Outra garota psicopata, assassina e violenta atrás da minha cabeça. Praguejar não era algo que eu costumava fazer, mas que provavelmente passaria a ter mais frequência em minha vida.
— Nicolas Stalteri? — ouvi uma voz a cima de mim. Logo levantei a cabeça para descobrir a quem pertencia e dei de cara com um garoto tão pálido que chegava a parecer transparente. E eu que me achava branco...
— Sim...? — foi só o que pude dizer.
— Venha comigo, por favor.
Duas garotas assassinas e agora um emo — provavelmente psicopata que corta os pulsos -. Meu dia estava ficando cada vez melhor.

***

— Ora, ora, se não é o novato que apareceu com a Nessinha... — observou um garoto loiro de cabelos bagunçados, em frente a uma fileira de outros garotos.
De imediato não reconheci o que estava a acontecer, mas agora, sabia exatamente onde me metera: algum tipo de iniciação macabra. Entendi assim que notei que os garotos na fileira tinham os rostos familiares.
Não eram muitos, em torno de 10, contando comigo, que logo me juntei a eles. Dentre os garotos, notei que Max saira de seu lugar para assumir um novo ao meu lado. Assim que o vi, senti um arrepio gélido correr pela espinha.
Ele exibia a mesma expressão de a pouco, quando nos contaram coisas sobre a assassina Vanessa. Mas ele demonstrava tensão. Como que pronto para desferir socos e murros a qualquer segundo, se necessário.
— Opa, relaxa ai, grandão — aconselhou de maneira hostil um garoto moreno, de dreadlooks cor mel. Khandal. Ele fez menção de aproximar-se, mas seu pulso fora segurado pelo garoto loiro que estava a frente a um amontoado de outros veteranos, paralelos a fileira de novatos.
— Controle-se, não é hora para isso. — Advertiu o garoto loiro, olhando fixamente para Khandal. Virando o rosto novamente para os novatos, assumiu um estranho tom de voz sarcástico, que, ao contrario do de Vanessa, mostrou pura hostilidade — "Bem vindos a academia! Espero que tenhamos um ano tranquilo. Quero contar com a colaboração de todos vocês para que isso aconteça" — Os veteranos caíram na gargalhada. Todos os novatos observavam sérios, a péssima imitação do diretor — Aquele velho é biruta. — disse, entre risadas debochadas — Vou-lhes dizer como tudo aqui funciona. — Sua voz deixou o tom sarcástico, e todo o ar de riso em seu rosto sumiu — Sou Luke Thieve, quartanista. Daqui em diante, vocês devem escolher entre me obedecerem, ou ir contra mim. — ele tirou um isqueiro prateado do bolso e o acedeu — Claro, aqueles que optarem por não seguir minhas regras, terão a vida transformada em um inferno — dizendo isso, fez um movimento rápido com as mãos. O que antes era a pequena chama do isqueiro, agora virara uma enorme lança chamas crepitante.
Todos olhavam assombrados, temerosos que as chamas nos atingisse. Mas, diferentemente mente de todos os novatos ali, eu e Max não estremecemos.
Nunca que eu engoliria papo de valentão de escola. Ele poderia ser quem fosse dominar o que fosse, mas a partir do momento que exigiu minha obediência, errou feio. Eu não sou subordinado, eu quem comando.
Nunca fiquei menos do que no topo da hierarquia escolar. Não ia abaixar a cabeça para qualquerzinho que se acha 'top' o suficiente para me impor algo.
— Tchau. — despedi-me, sarcasticamente — Vamos Max. — mal o chamei e ele assentira firmemente, pondo-se a meu lado.
Comecei a traçar o caminho de volta quando o chão aos meus pés tremeu e se não fosse por Max, que me segurara, meu rosto teria ido de encontro ao chão.
— Onde pensam que vão? — perguntou Khandal, impaciente — Luke, parece que temos dois rebeldezinhos este ano.
Mais uma vez aquela tarde, a clareira foi preenchida por risadas e gargalhadas debochadas. Luke, por sua vez, encarou-nos com nojo, quase como se fossemos a escoria da terra.
— Silencio! — exigiu ele, fazendo o coro de gargalhadas sumir quase que de imediato — Quer dizer então, que vocês dois — ele fez uma pausa, fuzilando-nos com o olhar, para depois prosseguir — Vão faltar com o respeito a seu veterano?
— Você não pode nos exigir respeito! — exclamou Max — Respeito não é algo que se é dado, respeito é algo que se recebe com o tempo.
— Bem, então acho que você não entende como funciona aqui na Natch. — ao dizer isso, o garoto loiro reascendeu o isqueiro, mas, desta vez, as chamas do mesmo não se intensificaram, e sim alongaram-se em sua mão, formando uma espécie de chicote de fogo — Bem, amigo, deixe-me explica-lo. Já que seu cérebro deve ser atrofiado pela quantidade de anabolizante que você deve tomar para ter este tamanho, vou tentar explicar de maneira simples — risadas abafadas preencheram meus ouvidos. Olhei para Max, que continuava tenso, seu rosto era uma mascara inexpressiva. — A Academia Natch segue o sistema militar hierárquico. Querendo ou não, primeiranistas devem tratar com respeito seus superiores.
— Acho que temos dois meliantes aqui, Luke! — anunciou um dos veteranos que estava com o garoto loiro.
-Mostre a eles seus lugares! — disse outro.
— Sim, sim. Essa afronta direta não será esquecida. — ele fez uma pausa, começou a caminhar de um lado para o outro com o chicote em punho. Sua voz encheu-se de malicia, assim como seu rosto — Sabem, existem regras na academia que, bem, poderiam prejudicar muito vocês. Se eu prestar queixa de desacato a um superior, vocês poderão pegar uma detenção pesada. E só para constar, as detenções aqui, são um pouco mais pesadas do que vocês estão acostumados.
Engoli em seco. Como eu fora me meter ali? Tudo por causa da maldita noite com Vini...
— Não estou nem ai. — Anunciou Max, com plena convicção. Puxei seu braço e fiz um "não" com os lábios, mas ele pareceu não me entender e seguiu em frente — Não tenho medo de você e de suas ameaças.
Aquilo provavelmente não deveria ter sido dito. Luke agora demonstrava estar fora de si. O chicote em sua mão serpenteava de um lado para o outro, descontrolado. Seu rosto agora estava inundado por fúria. - Tirem a roupa. — Disse, simplesmente, e quando viu que não mechemos um músculo, completou: — Tirem as roupas agora! Não me ouviram!? — e em um movimento rápido, lançara o chicote contra uma arvore próxima a nós — Querem me fazer de palhaço?! Vão sofrer as consequências.
— Não... — quando dei por mim, aquilo escapara de minha boca — Não vai ser do jeito que você quer. Não vamos acatar suas ordens, não seguiremos suas regras. E você pode tentar tudo o que quiser, nunca vai conseguir fazer com que eu o tenha como meu superior. — olhei para Max que assentira de imediato.
— E estamos indo agora — completou meu amigo. E voltamos a caminhar a longos passos, mas antes que pudéssemos nos distanciar, ouvimos uma risada fria, que fez meu com que ate meus pelos da nuca se arrepiassem.
— Vocês vão descobrir, que quem brinca com fogo, pode se queimar. — foi tudo o que disse antes de, em um movimento rápido, direcionar o chicote para cima de nos. Todo ponto que estava em contato com a "arma", entrava em combustão. Não demorou para que estivéssemos cercados por circulo de chamas crepitantes — Queimem no inferno! — ele fez mais um movimento de pulsos e seu chicote virou o que me parecia uma bola de fogo, que lançara em nossa direção. Tudo o que eu sentira depois, foi Max apertando meu ombro com muita forca — acreditem, forca ate demais — e um clarão de luz branco-avermelhada, que fez com que eu fechasse meus olhos.
Quando reabri meus olhos, não entendi o que acontecera. De onde saira tanta fumaça assim? Seria o paraíso? Estaria mais para um inferno. O calor era insanamente insuportável ali dentre a fumaça de vapor quente.
— Ah, tenha do, Thieve — ouvi uma voz desdenhar de Luke.
— Nick, você esta bem? — Max estava a meu lado. Seu rosto exibia uma imensa marca vermelha logo a baixo do olho esquerdo.
— Ah meu Deus, você esta bem? — foi tudo o que consegui dizer.
— Estou... — disse, apesar de deixar perceptível que era justo o contrário, pelas caretas de dor que fazia — Acho que me queimei...
— Você acha?! Vamos temos que... — a fumaça começara a dissipar-se. Foi então que descobri o dono da voz, e provavelmente, quem nos salvara. Ryan esta um pouco a frente de nos, no que me pareceu uma posição de luta de algum tipo de arte marcial. Água dançava ao redor de suas mãos.
— Luke Thieve — anunciou, serio — Por um instante, aquele garoto que me parecera gentil na apresentação não era mais o mesmo. "É claro, são todos psicopatas insanos." Lembrei-me. Apenas Max e eu parecíamos não nos encaixarmos entre os "loucos, assassinos" da academia Natch. — Você passou dos limites Thieve. Nunca foi novidade para nós o seu tipo de conduta. Na verdade, já o peguei infringindo varias regras da academia. Mas esta? Você queria, mata-los. Tem noção de como isso é grave? — o garoto loiro ficara boquiaberto. Parecia não acreditar no que seus ouvidos ouviam e no que seus olhos enxergavam. - Mas Ryan... Eles foram quem...! — tentou argumentar, a voz falhando.
— Não. Não vou ouvir suas desculpas, já as ouvi demais. Vamos, você e seu grupo. — olhei para Khandal que assistia abismado a cena. Eles realmente pareciam temer Ryan — Todos vocês no escritório da senhorita Howkat. — Hesitante, Luke acompanhou seu grupo para fora da clareira, não sem parar antes para me fuzilar com um olhar de extremo ódio. — Quanto aos novatos, — retomou Ryan — não viram nem ouviram nada. Estamos entendidos? — vários "sim" e alguns "claro!" soaram em um coro. — Podem ir agora. Espero não ouvir nenhum comentário posterior...
Bem, eu não sabia como funcionava o tal sistema hierárquico da academia, mas Ryan parecia estar em um nível avançado quanto a Khandal e a Luke. Suspirei, aliviado. - Maxwell Harrington — ele caminhou ate nos, serio, com o olhar fixo na queimadura de Max — Vá ate madame Sophia. Ela vai ajudar quanto a isto. Sabe refazer o caminho ate o refeitório?
— Sei sim — confirmou ele.
— Ótimo, mas ao invés de pegar a esquerda, você ira pela calcada a direita. Existe uma placa de localização por perto, não há erro.
— O-obrigado.
— De nada. Agora vá... — Max assentiu com a cabeça e partiu em disparada a seu destino. Ryan deu de costas e começou a caminhar na mesma direção em que Luke fora.
— E-espere! — chamei-o. Ele virou-se lentamente, fixando os olhos em mim – É que... Eu só queria agradece-lo. Bem, se não fosse você, nos estaríamos...
— Não fiz mais do que minha obrigação como monitor chefe. Ryan deu as costas para mim e começou a caminhar.
Não entendi o que aconteceu depois, pois, em poucos segundos, Vanessa segurava um canivete contra o pescoço dele, em quanto Ryan a imobilizara com uma chave de braço.
— Ora ora, — começa ela, a voz pesada com a provável dor que sentia — Não perdeu seus reflexos, não é?
— Vanessa — Ele sorri, soltando o braço fino da garota — Você não tem jeito mesmo.
— Só queria testar umas técnicas novas...
— Da próxima vez, não faça tanto barulho, eu ouvi seus passos.
— Se não fosse por isso, você provavelmente estaria com o pescoço rasgado. — desdenhou.
— Provavelmente... — disse ele, sem emoção na voz — Falou com o senhor Edilson?
— Sim... Ele quer que eu o leve ate o ponto cardeal do sul.
— Certo... Ei, você — ele dirigiu o olhar para mim novamente -É feio ficar ouvindo conversas alheias.
— Des-desculpe! — gaguejei, sem palavras — É que...
— Vamos — Vanessa veio em minha direção. Segurando meu pulso, correu na direção oposta a Ryan — o que foi um alivio para mim, quanto mais perto daquele garoto eu estava, eu começava a sentir calafrios.
— Onde estamos indo? — perguntei intrigado com a ansiedade estampada no rosto de Vanessa. Ainda não era meia noite...
— Você verá.
E assim, seguimos por dentre as arvores.

Notas finais
É isso.. espero que tenham gostado. Provavelmente o Chap 5 vai demorar.. o Vestibular esta vindo ai, ai já viram né? rs Bem, postarei o quanto antes! Até a proxima.