The Golden Hunter
5 Capítulo 4
— Nós devíamos contar para ela – alguém murmurou – Não é certo, ela tem razão ela merece saber. Eu vagamente senti o um lençol em torno do meu corpo o fino colchão em que eu estava deitada. — Mas e se ele a corrompeu? Não podemos arriscar Dominc – Claus sussurrou. — Ora não seja inconveniente Claus você sabe muito bem que... — Não Dominic, eu senti o poder dela. Ela está bem mais forte e a sua raiva está alimentando o seu sétimo sentido ou melhor a duvida dela está alimentando-a. Todos nós aqui sabemos que ela ficaria com o triplo de força se fosse aliada a outra parte. Você acha que deveríamos correr o risco? Ele já estava tentando mexer em sua mente, todos nós sabemos que Damon sempre há vigia, sempre arranja algum meio de ficar perto dela, de lhe tirar os familiares e companheiros, tem sido assim há gerações, por isso que o conselho prefere deixá-la sem saber de tudo até certa altura, e eu creio que devido a morte de seu parceiro e o ódio que ela alimenta por nós agora há deixa como uma presa fácil para o Damon. Afinal ele pode suprir as necessidades dela como nós sabemos.
— Mas então deixe-me falar ao menos de Matthew, ela merece saber o sacrifício que ele fez por ela. Eu queria abrir meus olhos e encara-los, mas eles estavam em uma conversa concentrada e eu não poderia deixar de ouvi-los, eles estavam falando sobre mim, Matt e Damon. E aquele idiota do Claus ainda achava que eu era capaz de virar contra o conselho? Eles eram loucos ou o quê? — Tudo bem Dominic fale sobre Matthew, entendo que você realmente gostava do garoto, mas não faça nenhuma besteira. — Você sabe Claus que desde o inicio eu fui contra tudo isso, Eve estava certa aquilo era uma missão suicida, nós devíamos ter mandado duas duplas e ter deixado Eve saber o que ela estava enfrentando. — Para que? – Dessa vez eu reconheci a voz de Alfred – Você sabe Dom que foi o próprio Matthew que pediu sigilo, eu reconheci seus motivos. Ele não queria que mais vidas fossem desperdiçadas ainda mais de hunters. Eu não agüentei, o simples fato de alguém pronunciar o nome dele me causava dores involuntárias, eu abri meus olhos e rapidamente vi o David que eu tinha quase matado. — Olá. — O que diabos? — Oi Eve – Dominic me interrompeu – Você está bem? Eu olhei em volta da enfermaria e vi que tinha uma agulha com soro em minha veia e vi também que David é quem cuidava de tudo ali, vi todos os anciões que agora estavam do lado de minha maca com os olhos atentos.E uma dor de cabeça forte me atingiu. — Eu to com muita dor de cabeça, parece que o meu cérebro está para explodir ou algo assim. — Eu já dei a medicação Dominic, daqui a pouco irá passar. – David sorriu. Eu olhei para ele me questionando se o seu senso de humor era tão deturpado quanto parecia. — O que aconteceu comigo? Eu simplesmente apaguei? Foi Dominic quem falou agora. — Você estava se alimentando mal, e como seu sentido se expandiu isso toma muita energia de você... e – ele pigarreou – Com os fatos ocorridos isso também tem haver com um ataque emocional eu acho, David o que você acha? — Sim, pelo o que eu vi foi mesmo um ataque nervoso, eu injetei os remédios por que você ainda estava dormindo, dose dupla de um calmante bem poderoso, junto com alguns analgésicos para dor de cabeça e no corpo. Eu olhei para o David que falava como se fosse algum tipo de medico, ele tinha os cabelos negros e sua pele era pálida, tinha um leve sotaque britânico e seus olhos eram verdes lamacentos, eu queria me desculpar por ter feito o que eu fiz, o Dominic tinha razão isso não era da minha personalidade, mas eu sai do normal naquele momento eu deixei o ódio e a vingança me dominar, me cegar, eu estava como uma bomba relógio pronta para explodir. Eu relembrei todos os fatos, minhas bochechas ficaram vermelhas, como eu pude ameaçar os anciões? E eles pareciam estar com medo de mim, eu percebi que eu realmente poderia matar. Matar aqueles da minha própria espécie, me tornar um monstro assim como Damon, meu coração acelerou, e aqueles olhos azuis penetrantes invadiram a minha mente. Eu estive tão perto de fazer uma burrada, eu estive tão perto da morte há uma semana atrás, se bem que ela poderia ter sido um alivio. Eu ofeguei e o ar abandonou meus pulmões, Matt, faz uma semana que ele está morto. E a culpa é toda minha.. Eu tentei normalizar minha respiração inutilmente, eu tinha que pedir desculpas para Dominic e ouvir o que ele tem para me falar sobre Matt. Eu tinha que saber. — E-eu, eu queria pedir desculpa, minhas sinceras desculpas por tudo o que eu fiz antes, eu estava fora de mim e deixei meu ódio me dominar. Isso não vai mais acontecer, e-eu prometo. Lagrimas mancharam a minha visão, era tão difícil pedir desculpas. Eu queria pedir desculpa ao Matt também, por ser idiota, por não ter matado Damon assim que eu entrei no quarto, por não ter salvado a vida dele quando eu sabia que poderia salvar, por ter beijado Damon em sua frente, por ter feito o que eu fiz agora, eu sei que ele nunca teria aceitado um comportamento assim, desrespeito com os anciões que me tornaram o que eu sou hoje. — David, Dominic, Claus, Alfred, Marco. Eu quero que aceitem minhas sinceras desculpas – eu olhei para todos e limpei minha garganta – Quero que vocês entendam que perdi o meu parceiro, q-que foi tudo culpa minha e esse é um fardo grande para se carregar, fui imatura e irresponsável tentando culpar vocês por darem a missão que eu poderia ter concluído sem mortes. M-mais – uma torrente de lágrimas invadiu meu rosto – Depois de escutar tudo o que eu escutei de Damon e reviver aqueles momentos me tirou do sério, a culpa é inteiramente minha, e eu vou tentar lidar com ela mesmo que seja difícil, assim como eu lido com a morte de minha família e-e.
— Não foi culpa sua filha – Dominic me interrompeu – Você não pode proteger todos a toda hora, não se martirize querida Damon é um ser horrendo e transpira maldade, nós entendemos o seu lado e é claro que perdoamos você. — Todos? Claus? Alfred? Marco? David? Todos assentiram. — Não é fácil Eve – Marco tocou minha mão – você é jovem e já passou por muitas coisas, mas sua vida ainda está no principio e errar é normal, aprenda com seus erros e não deixe o ódio tomar conta de seu coração valente, pense e depois haja, você lembra disso? – eu assenti – Faça isso pequena, você é muito corajosa e somos gratos por ter você aqui. — Obrigado Marco, você sabe o quanto o seu apoio me faz sentir melhor. Ele sorriu. — Eve, Eve, apenas não tente me matar de novo está bem? Você é muito forte garota. – Claus tocou meus pés – O memorando de Matt está a caminho assim como a lápide. — Muito obrigado Claus, isso significa muito para mim. — O que eu posso dizer afinal? Faço minhas as palavras de Marco e Claus, cuide-se Eve, não deixe a escuridão tomar conta de você. – Alfred falou. — Estou sempre mantendo ela longe Alfred – eu tentei sorrir – Obrigado, Obrigado pelo apoio de vocês, ele significa muito para mim. Principalmente agora. — Sim Eve, agora creio que essa é minha deixa para sair e deixar você e Dominic conversarem sobre Matthew á sós. — Sim, estamos indo. Melhoras Eve. – exclamou Alfred saindo. Todos os três anciões saíram da enfermaria. — Acho que ela já está melhor David, você pode ir também filho. – Dominic falou. David estava a caminho da porta agora. — Hey David – eu falei – aquilo tudo serve para você também. Ele sorriu. — Aceito suas desculpas Eve, só não tente me seduzir novamente e ficaremos bem ok? — Há e eu acho que você vai precisar ficar aqui – eu falei. — Por quê? – Dominic perguntou. — Por que minhas energias ainda estão baixas e para você me mostrar telepaticamente vamos precisar de uma corrente – eu olhei para David – você pode fazer isso? Prometo que deixarei você em paz depois disso. — Sim, por mim tudo bem. — Mas Eve eu estava planejando apenas lhe contar – exclamou Dominic. Mas eu não queria ouvir pelas palavras de Dominic, eu queria ver o tal sacrifício que Alfred disse que ele fez, ver por meus olhos. Ou melhor eu queria ver Matthew outra vez. — Por favor Dom – eu falei o apelido que eu o chamava quando criança. — Tudo bem Eve. – ele falou exasperado – Venha David, dê sua mão para Eve e para mim. E fechando o pequeno circulo após alguns segundos a memória de Dominic veio à tona. * aqui é o ponto de vista do Dominic. Mas isso era de fato impossível. Como Damon em pessoa iria dar um sinal destes? Era difícil de acreditar. — Dominic você é quem vai falar com Matthew e Eve tudo bem? Claus estava calmo demais, como se aquilo já fosse esperado, ele não agiu assim como eu, Marco e Alfred. Eu estava com medo por Eve e por Matthew, de ver a cena se repetir novamente assim como aconteceu comigo. — Calma Dominic – Alfred deu alguns tapinhas em minhas costas – Não tema tanto, a Eve é muito bem treinada e capacitada para esta missão. — Eu não temo por isso Alfred, eu sei de tudo que nós a ensinamos, eu tenho medo por seu parceiro. Temo que aconteça o que aconteceu a tanto tempo, você sabe que Eve ama o seu parceiro em vários sentidos, Damon pode usar isso contra ela assim como fez comigo. — Mas é diferente desta vez Dom, ela é a Eve. E você não era, portanto não estava capacitado para manda-lo de volta ao submundo. Você teve sorte de sobreviver e sabe muito bem isso, ele não hesitaria um só segundo antes de matar você. – Ele respirou fundo – Eu sei o risco que Matthew corre e também notei o quão profunda Eve parece estar com ele, mas isso é contra a ética Dom e você sabe que quando se trata de um hunter o amor é uma fraqueza. Fale com eles dê a missão e veja o que eles irão fazer. Eu pensei nas palavras de Alfred, o amor era uma fraqueza isso era inegável, mas como não amar? Essa era a questão passar a vida inteira caçando demônios e se tornar uma pedra fria e dura assim como Claus se tornou. Eu me culpava ainda pela morte de Sophie e ainda pensava nela cada vez que fechava meus olhos, não é como se eu quisesse ter uma fraqueza, mas é como evitar o inevitável, quando o amor floresce entre duas pessoas ainda mais jovens como Eve e Matthew é difícil refrear, pensar com clareza. Tinha sido assim com a minha querida Sophie uma paixão desenfreada que nunca acabara mesmo depois de sua morte, meu coração se apertou com a familiar dor que tanto percorria meu ser, era isso que estávamos destinados a sentir, a perda profunda de nossos entes queridos de nossos amores. Nossa raça era caçadora, nós aniquilamos os demônios e protegemos a humanidade, porém falhamos com aqueles que mais amamos. Eu respirei fundo, não fazia sentido me debater com isso por que esse era o meu destino, a minha sina. — Tudo bem Alfred você pode chamá-los aqui para mim? Estou com um pouco de dor de cabeça. — Tudo bem Dominic. Eu vi ele se distanciar e sentar em uma das cadeiras enquanto Claus vinha em minha direção. — Dominic, você sabe que Eve não pode saber nada ainda, sim? — Isso eu claramente não entendo Claus, você vai mandar ela e Matthew sem ao menos explicar o porquê ela foi selecionada para a missão, o porquê de Damon ter feito tudo isso esses anos apenas para encontrá-la. — Nós não podemos arriscar! Você sabe tão bem quanto eu o que aconteceu antes, o conselho não quer que ela saiba de tudo ainda, vamos manter o plano original, você fala que eles são os melhores e foram escolhidos pelo o conselho, o que não é totalmente uma mentira e fala que eles estão indo enfrentar o Damon com reforços que vão chegar uma semana depois. Por que eles ainda vão ter que descobrir qual o seu esconderijo e como chegar até ele. — Mas o conselho.. — O conselho não é questionado Dominic você sabe disso. Eu sabia muito bem disso, eu só não queria que a Eve passasse o que eu passei eu estava com medo por ela. — Tudo bem, eu vou fazer isso. Eu sentei em minha cadeira e fiquei meio apreensivo, eu não era acostumado a mentir e Eve sabe muito bem quando eu minto sobre algo. — Dominic? – chamou Matthew. — Sim filho. — O chamado... Eu recebi o que aconteceu? — Onde está Eve? — Dando aula eu acho, ela está substituindo a Lee. — Bom, eu queria lhe falar que esse chamado é diferente de todos que você e Eve e até mesmo sua antiga parceira já corresponderam. – eu limpei a garganta – Um dos olheiros captou uma presença maléfica muito forte na França e isto foi reportado para o conselho e eles votaram por Golden hunters de todas as academias e vocês foram escolhidos. Porém como eu disse essa missão é diferente, é uma força demoníaca muito forte, vocês iram enfrentar o Damon em pessoa. Eu esperei ele processar toda aquela informação. E sua expressão não revelava nada era quase como ele soubesse de tudo. Ele suspirou. — Dominic, tem um lugar que eu possa conversar com você a sós? — Claro que sim filho, venha. – eu mostrei o caminho da sala de meditação. Nós entramos e ela estava vazia, eu realmente queria saber o que ele queria me falar e que os anciões não poderiam saber. Ele fechou a porta e me encarou um pouco. — Olha Dom, eu queria justamente falar com você. Por que – ele pigarreou – é o ancião que eu mais confio e eu já sabia. O olheiro que vocês mandaram era meu amigo desde que eu entrei aqui e ele me falou, peço que o senhor não faça nada com ele, ele só me contou por que sabia que é de meu extremo interesse. — Certamente Matthew. — Então – ele desviou a cabeça olhando para seus pés – Dominic eu sei que a Eve tem algo muito especial... Não só o fato dela ser, bom o senhor entendeu.. Eu sorri, era tão evidente o orgulho e a paixão estampados em suas feições quando ele falava da Eve. — Bom, eu sei que há algo muito especial e muito forte sobre o sétimo sentido dela que é igual ao de um Nephilim, e sei que é muito raro algo como ela. E é por causa disso que estamos nessa missão, certo? Mesmo que seja na França. — Sim Matthew. — Bom eu não espero que o senhor me conte o que há de tão especial nela e por que Damon a persegue mesmo em seus sonhos. — Persegue em seus sonhos? – eu questionei. — Sim, ela me falou sobre seus sonhos e como eles pareciam horríveis para ela, enfim, eu passei uma noite em seu quarto observando ela dormir – ele corou – e não mais do que isso é claro.
— Está tudo bem Matthew. Ele me lembrava tanto a minha juventude, quando eu tentava ignorar ou ocultar o que eu estava sentindo. — Então ela ficava falando durante o sono algumas coisas que eu não compreendi e sussurrando o nome dele. Bom, isso era normal nessa situação. — É bom saber Matthew. Ele olhou novamente para seus pés. — Eu estive pensando muito sobre isso Dom, eu sei que eu e a Eve temos que ir nessa missão, mas pela primeira vez eu estou com medo – ele olhou pra mim – Medo por ela, eu sei que eu dei o meu melhor nos treinos, o sétimo sentido dela está bem desenvolvido, mas nós estamos falando do Damon e até onde eu sei a única hunter que ele não mataria é a Eve, mas mesmo assim Dominic se ela souber que estamos indo enfrentar ele, ela vai fazer alguma estupidez, ela vai tentar me proteger e vai matar a si mesmo fazendo isso. Seus olhos brilhavam agora e estavam quase negros. — E eu não posso deixar isso acontecer Dominic, eu não posso deixá-la morrer. Eu acho que você pode me entender, eu não me sentia assim com a Debby e.. e.. – ele suspirou. — Eu te entendo Matthew – eu toquei seu ombro – eu acho que essa missão vai ser bem difícil para ambos e acho que você devia falar para ela o que sente antes que seja tarde demais filho. — Mais isso é contra a ética o senhor sabe, e quando a Debby falou que se sentia assim por mim eu recuei por que eu achava que todo Hunter não poderia ter esse tipo de fraqueza, eu a amava? – ele falou parecendo cansado – Sim, mas não o suficiente para por em risco tudo o que eu conquistei e então ela se foi. E logo depois Dom eu estava temeroso pela parceira que iriam escolher para mim e a primeira vez que eu a vi eu me senti – ele parecia frustrado – eu senti que tudo ia acontecer de novo, eu comecei a treiná-la e conhecer ela e aos poucos eu me afundava mais ainda nesse sentimento estranho, sabe Dom é diferente de tudo que eu já senti, em um momento eu sou forte e capaz de matar o que vier em minha frente e no outro eu fico vulnerável só o pensamento de ver a Eve se machucar já me deixa assim. Ela é o meu ponto fraco Dominic, é tão difícil falar isso mesmo que seja para o senhor, mas eu quero protegê-la mesmo que ela ache que não precise disso, eu quero só chegar no fim do dia e abraça-la e saber que ela vai estar sempre aqui mesmo que nós não fiquemos juntos o senhor me entende? E isso é uma coisa que me corrói por dentro, por que não há essa certeza entre nós. Eu e ela podemos sair em uma missão e só um voltar e tudo que eu amei até hoje foi destruído, eu não posso conviver com isso. Não posso deixar ela se machucar Dominic, ela precisa da minha proteção, eu sei que ela precisa. — Eu entendo filho, mais do que você pensa eu entendo como você se sente. — Então não fale para ela que nós estamos indo enfrentar o Damon, eu vou protegê-la mesmo que ela ache que não precisa, mesmo que isto custe a minha vida. — Ah meu jovem, não queira fazer isso. A Eve ama você também, ela ficaria arrasada se algo acontecesse e principalmente com você. — Mas Dominic pense comigo, ela vai precisar de uma distração para matá-lo! Você sabe que ela não quebraria o escudo dele e mesmo que ela seja forte é impossível ela resistir por muito tempo à hipnose dele. E se ela souber o que vamos enfrentar e os meus planos ela não vai concordar ela vai se matar tentando me salvar, e eu não posso suportar isso Dominic – ele me olhou com seus olhos brilhando – eu não posso suportar perde-la. — Tudo bem filho, eu vou falar que são dois nephilins que estão juntos tudo bem? — Obrigado Dominic e – ele olhou para baixo de novo – você acha mesmo que ela me ama? Eu sorri, por que esses jovens mesmo capazes de matar um exército de demônios não podiam ver o que era a coisa mais evidente. — Eu tenho certeza Matthew, conte seus sentimentos para ela antes que seja tarde demais, eu faria isso se fosse você. — Eu estou pensando seriamente. – ele sorriu.E Dominic soltou minhas mãos. Uma súbita dor me atacou, ele estava tentando me proteger. Ah Matthew, e agora você está morto. Lágrimas mancharam mais uma vez a minha visão, ele me amava a ponto de dar a sua vida por mim e eu não pude fazer nada para evitar aquilo, nós tivemos tão pouco tempo, era como se em um dia fosse dado tudo o que você queria a tempos e no outro alguém viesse e tomasse isto de você. A vida de um hunter era assim, metade glória e metade dor. Todos ao meu redor pareciam se machucar, eu estava motivada a lutar contra eles arduamente, não para vingar mas para poupar outros de estarem em minha situação, proteger humanos inocentes que mal sabiam da existência dessas criaturas, mas o fardo agora parecia pesado demais, eu queria que nada disso tivesse acontecido, pela primeira vez na minha vida eu desejei ter nascido normal, queria ter poupado a vida do Matthew, por que no fim tudo era culpa minha. Nada que eu fizesse poderia reverter a situação, apenas o que eu sempre faço. Matar. — Eve, acalme-se. — Ele morreu por minha causa Dom! – eu solucei – por minha culpa! — Não Eve... Não pense assim, não é culpa sua. — Dom, eu o amava. E tudo que eu amo parece morrer! Meus pais, minha irmãzinha que estava para nascer, até mesmo o meu cachorro! Você sabe o que é isso? Eu tive que ver minha mãe morta e drenada com 15 anos! E eu nem mesmo tinha um parceiro, eu ficava pensando o tempo todo como seria ter alguém ao seu lado e saber de tudo, lutar com você. E quando você veio me avisar que finalmente tinham escolhido o meu parceiro, eu me senti tão alegre tão feliz, eu teria um amigo agora, um amigo e um treinador. E quando eu vi Matt pela primeira vez, foi como mágica, ele era como um príncipe saído de um conto de fadas. Mas isso era contra a ética, então eu me limitei a aprender tudo que ele me ensinava, eu absorvia cada palavra dele, e refreava meu amor não correspondido. E quando eu me tornei uma golden hunter eu senti que agora eu era boa o bastante para ele me amar, eu só não sabia que ele tinha sentido o mesmo que eu! Ele e você tem sido a minha única família todo esse tempo, ele era o mais perto que eu conhecia do indestrutível Dom! – eu solucei – E eu o perdi, eu não pude fazer nada! De que adianta ter todo esse sétimo sentido? Se eu não posso proteger as pessoas que eu amo! — Calma filha, você sabe que a vida de um hunter é assim. Eu também perdi pessoas que eu amava. Não se culpe, você não pode proteger todos ao mesmo tempo. Você é muito corajosa Eve, você o enfrentou e quebrou seu escudo. Você fez tudo que estava ao seu alcance, o Matthew fez o que pode para te proteger, honre o que ele fez por você e não se culpe. Eu tenho certeza que ele iria querer você ir em frente, transmitir a um parceiro todo o seu conhecimento e não deixar tudo esquecido. Eu vou estar sempre aqui para te mostrar a luz minha querida, para te lembrar que todos temos um propósito maior. — Eu sei disso Dom, eu conto com você mais do que você pensa. — Então Eve você vai querer continuar aqui e ensinar um novo parceiro? Eu pensei em meio as minhas lágrimas, honrar o que ele fez e era isso que eu iria fazer, eu iria treinar um outro parceiro e nunca iria esquecer tudo o que ele fez por mim. Eu iria tentar pensar apenas os bons momentos que nós tivemos, eu iria lembrar do seu beijo naquela noite e na anterior e onde quer que ele esteja agora eu iria fazer ele ter orgulho de mim. Então eu já sabia a resposta, era sim. — Sim Dominic eu vou treinar outro parceiro, eu só preciso de um tempo. Dominic que estava em pé ao lado de minha cama veio e me abraçou, como ele fazia quando eu era menor. Seus braços eram tão aconchegantes, ele era como um pai para mim, ele era toda a minha família agora. — É bom ouvir isso minha pequena, eu fico tão feliz. E é claro que você vai ter um tempo. Alguém limpou a garganta e nós dois olhamos. — Ah David, você ainda está ai! Desculpe... – falou Dominic se afastando. — Eu.. – ele me olhou – Você vai falar Dominic? — Ah sim claro. – Dominic olhou para mim – Eve, mesmo eu achando isso desnecessário os anciões e o conselho pediram. — Vocês reportaram isso ao conselho? – eu falei chocada. — Claus o fez, por que queríamos pedir algo, mas você saberá em breve – Ele olhou para David e depois para mim – Mas eles querem que você fique aos cuidados de alguém. – eu comecei a protestar – Espere Eve, deixe-me terminar. Existem coisas que estão além da nossa compreensão no momento e isso é preciso, muito mais agora que Damon achou você. — Me achou? O que é isto que o conselho tenta tão duramente esconder de mim? — Você saberá em breve Eve, eu sou contra isso mas – ele pegou minhas mãos – eu realmente não posso lhe contar agora. — Tudo bem Dom, eu vou esperar. Ele sorriu. — Você não é muito do tipo que espera não é? — Nas ocasiões normais não, mas quando se trata do conselho... Eu mudei de posição e sentei na cama. — Então o conselho e os outros anciões decidiram que você vai precisar de um acompanhamento, alguém que fique com você. — Um vigia – eu completei. — Entenda Eve, eu acho isso desnecessário, eu sei que você nunca mudaria de lado. Mas... — Mas o que? – eu perguntei. — A sua espada... – ele falou sem querer completar. — Minha espada? hã? – Meu raciocínio estava lento. — A sua marca de nascença, a mesma que todos nós temos. — O que tem ela? – eu falei passando a mão na minha nuca – Fale logo Dom. — O cabo da espada está marcado, como algo começando a entrar em chamas. Eu o encarei surpresa. — Mas isso é impossível Dom! Isso só acontece com os traidores! Eu não passei para o outro lado! — Eu sei Eve, mas a sua marca não está toda em chamas, e a nuvem ainda continua lá, isso é algo esperado. E eu não posso lhe explicar agora se não vou entrar em sérios problemas. — Você sabe o quanto eu odeio isso. — Eu sei, mas o conselho pediu. Eu me ofereci, mas como eu sou um ancião e também tenho meus afazeres eles escolheram outra pessoa. Dominic olhou para o David e eu segui seu olhar. — Mas ele? Como? Ele já não tem um parceiro? — Eu sei Eve, ele não vai ser o seu parceiro. — Mas ele é só um iniciante! Como ele vai ficar lá pra me vigiar? Ele não tem que aprender? — E por que não aprender com a melhor? – David falou. — Mas como eu vou te ensinar David? Nada contra você, mais você já tem um parceiro, você sabe como é raro isso, um parceiro do mesmo sexo? — Bom Eve – Dominic me interrompeu – O parceiro do David teve que voltar para a Itália e resolver alguns problemas pessoais, portanto isso é temporário. Ele ficará com você até seu novo parceiro chegar. E nesse meio tempo você poderá ensinar algo para ele, como fortalecer o escudo, as coisas dos cheiros, meditação. Coisas normais. — Ah Dominic você sabe que isso é desnecessário não sabe? Eu não vou passar para o outro lado! Eu não estava acreditando que iria ter uma babá. — Eu sei, mas o conselho quer ter certeza. E como aqui na academia tem poucos hunters, David é a nossa opção. Eu olhei para David, ele parecia ter 18 anos, diferente dos iniciantes aqui que tinha 15 ou 14 anos. — Tudo bem Dominic se é isso que o conselho quer, eles vão ter. — E seja querida com o nosso rapaz aqui – Dominic sorriu para ele – Ele nem ao menos fez alguma objeção, mesmo você tendo feito o que fez. Eu sorri apesar da dor que ainda sentia na cabeça. — Sim – olhei para David – você sabe o quão amável eu sou Dom. — Eve... – ele me repreendeu. — Tudo bem, e aquele tempo sabe? Que eu pedi? — David terá que acompanhá-la. Minha nossa, eu me arrependi de ter feito aquilo, agora os anciões iriam realmente pegar feio no meu pé. Eu pensei eu reclamar, mas aquilo não iria adiantar nada, eu sabia muito bem que iria ter David na minha cola pelo menos uns 2 meses. — Sim, que seja. — Bom Eve, nós já instruímos o David. Comporte-se e logo tudo irá começar a voltar ao normal. — Sim. — Eu tenho que ir agora, eles já devem estar me esperando. – ele olhou para o David – Fique aqui com ela, e nós iremos mudar você de quarto tudo bem? — Sim Dominic, eu vou ter que dormir no quarto de Eve também, certo? — Por enquanto sim, mudamos vocês para um quarto com duas camas. — Mas Dominic! Isso é ridículo! Eu não vou poder nem dormir em paz? Sozinha? — Eve, ordens são ordens, eu apenas não posso lhe falar o porquê de tudo isso agora, mas em breve você saberá de tudo. — E tomara que seja um motivo muito forte para tudo isso, que é completamente desnecessário. — É para o seu bem filha – ele me abraçou e cochichou – seja legal como ele ok? — Eu vou tentar – cochichei novamente. — Vou indo, me avisem se precisarem de algo. – Dominic falou e fechou a porta.
Eu olhei novamente para o meu vigia temporário, ele parecia ser tão novo. Eu me arrependi de ter ameaçado ele, eu iria tentar não ser tão rude. — Então David, você é enfermeiro? – eu tentei puxar papo. — Não exatamente. — Mas você parece saber bem.. – eu olhei para o meu braço que ainda estava conectado ao soro. — Bom eu estava no primeiro período de medicina, eu sei algumas coisas básicas. — Medicina? Você já terminou o colegial? — Sim, mas me adiantaram... Eu era um nerd. Eu sorri. — Mas isso é bom não é? — Não muito, mas agora não tenho que me preocupar mais com isso. — Mas quantos anos você tem? — eu tenho 18 – há, como eu pensei. — Mas você... — Se eu sou um pouco velho? – ele sorriu – Sim eu sou, mas é por que eu demorei a aceitar toda essa coisa de hunter e demônios. — Sempre é assim no começo... Mas depois tudo se esclarece, e você deve ter tido duvidas não? O porquê da visão afiada, os ouvidos aguçados, a força sobre humana, os arrepios... — Sim, só que tudo isso veio bem aos poucos comigo, bem lentamente. E foi quando um vampiro me descobriu, veio até minha casa matou toda a minha família tentou me matar e um hunter salvou minha vida, que eu vim para cá. — Eu lamento muito... Nós não tivemos um bom começo, você perde a sua família e eu ainda tento matar você, me desculpe por isso mais uma vez.Eu senti uma estranha simpatia por esse garoto, afinal ele e eu estávamos na mesma situação, ambos perdemos aqueles que amamos para aquelas criaturas horrendas. — Está tudo bem sabe – ele me olhou – eu também ficaria puto, se algo assim acontecesse comigo e ainda escondessem a verdade de mim. — É.. – eu falei meio pensativa. Bom eu teria que fazer pelo menos uma amizade para agüentar passar todo esse tempo com esse cara, só que era tão estranho... O único cara que eu falava abertamente assim era o Matthew, somente ele. Uma onda de dor e saudade me invadiu, Matt, Matt... Vai ser tão difícil sem você aqui! Eu teria que me acostumar, mas isso parecia tão impossível, como acostumar? Como seguir em frente sem o Matt? Uma semana se passou, só uma semana e parece que foi ontem, parece que a qualquer hora ele vai entrar aqui nessa sala falar que tudo está bem, que eu vou ficar bem por que ele está aqui. Então eu sentiria o calor de seu abraço e tudo realmente ficava bem. Só que eu sabia que não iria ser assim, eu sabia que nada estava bem e que ele não iria voltar. Meu coração parecia se contorcer dentro de meu peito, eu ainda podia ver o jeito que seus olhos brilharam na memória de Dominic quando falou que me protegeria mesmo que custasse a sua vida. Ele o fez, ele honrou sua palavra e agora eu teria que fazer ele sentir orgulho de mim, eu não sei para a onde a gente vai depois dessa vida aqui na terra, mas se houver um céu e se Matt está lá ele deve estar me vendo aqui. E Dominic tem razão, ele não iria querer isso para mim, uma vida de lamentos, eu teria que ser forte assim como eu fui tempos atrás e superar tudo isso. — Olha eu vi a memória do Dominic... – David falou. — Eu sei. — Eu sinto muito. – ele olhou pra mim – o Matthew parecia amar muito você. — Sim, e eu descobri tudo uma semana antes de ele ser morto. – eu olhei para as minhas mãos, eu precisava mudar de assunto. – mas então, você sabe o porquê de eles colocarem nós no mesmo quarto? — Sim, isso foi uma das coisas que eu perguntei.. – ele desviou os olhos – Olha, é uma coisa que eu não poderia te falar, mas, eu acho isso injusto então.. Se você prometer que não vai falar para nenhum dos anciões nem mesmo Dominic, eu conto. — Eu prometo. — Isso é sério Eve, eu... – ele pigarreou – eu posso me ferrar muito, se alguém souber disso. — Eu prometo David, não vou fazer mais nada que possa prejudicar você. Ele me olhou tentando avaliar minha expressão. — Certo... Então vou contar tudo desde o começo tudo bem? — Sim. – eu falei temerosa. — Bom, quando você desmaiou o médico não estava aqui, então eu me ofereci para ajudar então nós trouxemos você aqui. — Quem me trouxe? — Eu. — Sério? – eu sorri. — Sim, por quê? Eu olhei para ele mais uma vez, ele não era muito musculoso, mas também não deixava tanto a desejar. — Nada, continue. — Então eu coloquei você aqui, coloquei o soro e tudo mais. E eles pediram para eu me retirar e então fui conversar com o meu parceiro. – ele me olhou novamente. – Eu fiquei um bom tempo esperando, parecia que eles tinham que tomar uma grande decisão e Dominic estava com medo por você. Uma hora depois eles chamaram a mim e o meu parceiro, disseram que tinham um comunicado a fazer... O Royce já tinha pedido para ir resolver os problemas com a família dele, então eles o deixaram ir e fazer suas malas e vieram conversar comigo. — O Royce foi mesmo para Itália? — Sim... – ele passou a mão em seu cabelo – Então eles disseram que iriam me colocar em uma missão e no começo eu fiquei empolgado. – ele deixou sua mão cair – Por que é a minha primeira missão, mas quando eu soube o que era eu fiquei um pouco relutante... Você entende não é? Tipo você tentou me matar então... — Compreendo. – Eu falei querendo que ele fosse direto ao assunto. — Então eles me explicaram algumas coisas. — Fale David, esse suspense ta me matando. — É que eles me falaram que é secreto então... Eve eu quero confiar em você, por favor, não faça eu me arrepender disso ok? — Eu já prometi que não vou falar David... Imagine-se em minha situação, eu quero saber de tudo, tudo que eles escondem de mim e essa obsessão do Damon por mim. Ele me olhou novamente, como se estivesse avaliando as minhas palavras, e eu controlei o impulso de virar os olhos. — Eles me falaram, que você era uma Hunter muito especial, que você tinha o sétimo sentido de um Nephilim imortal e isso é muito raro. — Isso eu sabia. — Espera eu falar tudo – ele franziu o cenho. — Ta ok. — E que Damon tinha um apreço muito grande por você, por causa do seu passado. E antes que você me pergunte eu não sei que passado misterioso é este. – ele falou com uma ponta de irritação – Então Damon estava fazendo uma grande busca em pessoa por você, alguns Golden hunters de outras academias foram mortos em suas missões atrás dele e tudo indicava que ele à procurava, até que o conselho resolveu mandar você e seu parceiro para a França, pois você é a única que ele não mataria. Então logo era a única que tinha chances de matá-lo, você conseguiu fazer o esperado e ele está de volta no submundo, mas agora que ele já sabe onde você está... — Eu não entendo, qual é o grande problema de ele saber onde eu estou? — Mesmo de lá, ele tem acessos aqui. Ele pode mexer com você em seus sonhos, invocar memórias e o sonambulismo. O seu escudo não vai estar tão forte por que você vai estar dormindo então tudo fica mais fácil e eu fui instruído para acordar você quando começar a entrar em transe, há... E não esquecendo que ele pode falar com você durante os sonhos também, só que eles me falaram que até agora você não tem lembrado de nada, apenas o seu parceiro retratou isso... O que de alguma forma era esperado pelo conselho e pelos anciões assim como a sua marca. — Eles falaram algo mais sobre a minha marca? — Eles falaram que isso deixa o seu sétimo sentido mais poderoso ainda e que era para eu tomar cuidado e não deixar você ir aos extremos. — Extremos? — É, como ficar irritada demais ou triste demais ou vulnerável. — Eu fico me perguntando o que diabos o Damon quer comigo? Sabe é incompreensível! — Não Eve, eu ouvi Claus falar que ele a quer do seu lado assim como tantos anos atrás. — Mas que anos? Eu fiz vinte esse ano e eles falam como se eu tivesse sessenta! — Bom foram isso que me contaram, e mandaram eu tomar cuidado, muito cuidado quando for acordar você... Por que se você estiver em estado de sonambulismo, pode tentar me matar, me agarrar ou algo do tipo. – ele falou pensativamente – Talvez eu devesse ter sido mais inteligente e ter caído fora... Eu pensei um pouco nas palavras dele, esse menino parecia estar perdido como se procurasse um lugar a qual pudesse pertencer, eu não iria mais dificultar as coisas, eu sabia muito bem o que é sentir-se assim, sem ninguém. Nós estávamos em pé de igualdade agora, tudo que eu amava me foi tirado, e dele também. A única diferença é que eu tinha um anjo caído me perseguindo por algum motivo que todos insistiam em esconder de mim e por um segundo eu quis esquecer de tudo isso, eu quis superar a dor que martelava em meu coração me lembrando de Matthew, eu precisava seguir em frente, eu precisava de um amigo então por que dificultar tudo? — Muito tarde agora David – eu sorri – Que tal umas férias? — Bom isso seria muito legal. Observei seu sorriso se iluminar. — Você conhece Califórnia? — Estive uma vez apenas. — Bom é pra lá que nós vamos.
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