The Golden Hunter
6 Capítulo 5
Minha intenção era passar uma ou quem sabe até duas semanas de “férias”, mas estava realmente muito bom apesar de tudo. Eu e o David fomos para Califórnia em Monterey onde eu vivi até meus 11 anos de idade, eu adoro aquela cidade, mas nós também fomos para as cidades vizinhas, Santa cruz, San Benito, mas mesmo tendo pedido para passar uma ou duas semanas nós ficamos um mês. Um mês fazendo um pequeno tour na Califórnia e David tornou-se uma companhia muito agradável, nós conversávamos sobre tudo, ele era como um irmão para mim. Em um mês ele já me conhecia muito bem para saber quando eu estava realmente triste por causa do Matthew e sabia exatamente o que fazer ou à hora de me deixar sozinha em meio há meus devaneios e nós nos demos muito bem no fim das contas. Ele viu o mar pela segunda vez e ficou encantado, nós saiamos quase sempre e eu ensinei ele a surfar também. Eu posso dizer que essa era as férias que eu realmente queria ter tirado com Matthew... Mas eu não posso mudar o passado, e mais que tudo esse tempo serviu para a minha cabeça, para aceitar os fatos e administrar a culpa. O David vivia me falando o mesmo que Dominic, que nada disso é culpa minha, mas é de quem então? Quem que o Damon vivia perseguindo? Eu. Somente eu. E eu ainda nem sabia o porquê de tudo isso ainda, apenas aquilo que David havia me falado... E os sonhos que eu nunca lembrava, de fato o David me acordou muitas vezes nesse mês, mas eu não o machuquei era apenas como se eu estivesse saindo de um transe profundo. E o que mais me irritava era as lembranças que eu tinha repentinamente, como cenas em minha cabeça... Mas era como se eu estivesse vendo um filme, uma hora estava nos braços de Damon beijando-o, outra hora eu estava com uma criança em meus braços era um menino de cabelos pretos e os olhos mais azuis que eu já vira. E várias outras, a ultima que eu tive foi de um homem loiro com os olhos verdes que dizia toda hora que me amava. Era tudo muito confuso, isso era algo que eu só contei para o David e nós estamos tentando descobrir esse meu passado, o porquê disso tudo e da perseguição de Damon.
Agora eu e David só tínhamos mais dois dias de férias aqui em Monterey. Eu decidi voltar para cá e visitar a minha antiga casa. Eu sabia que eu iria ter memórias doces e perturbadoras, mas David estava aqui para me lembrar do presente e de quem eu sou agora. Eu comecei a ficar muito dependente dele, isso não é do meu feitio e eu sempre tive a fama de durona na academia, por ter a personalidade forte, por não ser a donzela em perigo ou talvez por eu ter um dos sétimos sentidos mais poderosos. Mas isso geralmente intimida as pessoas e eu não me queixo disso, eu nunca fui de fazer muitas amizades ou coisas do tipo, mas com David é tão diferente eu me simpatizo com ele, talvez por ele ser tão sozinho quanto eu agora. — Eve vamos – ele me cutucou. — Já chegamos? – eu perguntei saindo de meus pensamentos. — Sim – falou ele levantando-se da poltrona – E me lembre de nunca mais viajar de ônibus sim? Eu ri acompanhando ele para fora do ônibus. — Por quê? Eu não acho tão ruim assim... — Ah, pois eu acho você não ouviu aquele neném chorando a viajem toda? Sério Eve é impossível você não ter ouvido. — Eu nem prestei atenção. — É percebi, hmm, por favor me diz que aqui tem Starbucks*! Eu preciso de um frappuccino** agora mesmo!* É uma rede de cafeterias americana.** http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/40/StarbucksVentiMintMochaChipFrappuccino.jpg Eu ri novamente, era tão estranho isso. Eu pensei que nunca mais iria sorrir depois de tudo que aconteceu. — Sim, acho que aqui na rodoviária tem um. Vamos lá e depois temos que alugar um carro. — Por que não pegamos um taxi? — Hm... Tudo bem então. Nós seguimos para a Starbucks, conversando um pouco sobre o clima, ele pegou dois frappuccinos e nós sentamos em uma daquelas mesinhas. — Sabe eu sou ruim surfando, mas com um pouco mais de prática... — Você se afogou da ultima vez Dave, não vamos mais surfar. — Ei eu sou o vigia aqui! — Acabou que eu tive que cuidar de você. Ele estava prestes a responder algo quando uma senhora nos interrompeu, ela era bem pequenina parecia ser cega e estava com uma pequena caixinha de madeira em suas mãos. — O casal gostaria de tirar um cartão da sorte? Era comum as pessoas confundirem as coisas assim, afinal nós éramos jovens e estávamos viajando juntos então quase sempre perguntavam ou chamavam nós assim. Eu estava prestes a dizer “não, obrigado.” Mas o David ou Dave como eu gosto de chamá-lo pegou um daqueles cartões. — Você não vai pegar minha jovem? — Desculpa senhora, mas eu não acredito muito nessas coisas. — De todos aqui minha jovem flor, você é a que mais deveria acreditar. Eu olhei para a velhinha sorridente. — Por que a senhora acha isso? — Por que Deus reservou grandes planos para você pequena Eve. Eu olhei para aquela senhora que ainda sorria para mim, e vi que David estava absorto lendo o cartão. — Como você sabe o meu nome? Ela simplesmente sorriu. — Querido o que diz no seu cartão? David olhou para ele e corou, sua pele era pálida e seus olhos eram de um azul escuro, seu cabelo era preto e pairava em sua testa. Ele estava usando uma regata branca com uma camisa xadrez por cima e uma calça jeans. Ele não era feio, seu rosto e sua pele eram como as de um bebê e muitas meninas ao longo da nossa viagem suspiraram por ele, eu pude ver, mas ele parecia não enxergá-las. Ele sorriu e mostrou suas covinhas adoráveis. — Eu tenho mesmo que ler? — Sim jovem, leia. — “As tragédias que te trouxeram até aqui só te fortaleceram, a paixão que floresceu em meio há isso não trará só felicidade, mas depende de você poder ver a verdade.” – ele leu – Não entendi muito bem mais.. – ele tirou 2 dólares do seu bolso – Aqui está senhora. Ela pegou o dinheiro e guardou em seu bolso. — E você jovem? – Ela sorriu novamente. — Pega um Eve. — Ah, tudo bem. Eu retirei um cartão da caixa e já li logo em voz alta. — “O passado sempre te assombrará, aceite o seu destino e tudo irá se encaixar.” – eu larguei o cartão na mesa. — Entenda Eve, você não pode mudar o que já passou. – Ela me encarou séria – Matthew não está contente em te ver assim, no fundo você ainda sofre. — Como v-você sabe? – eu a encarei perplexa.
— Não feche seus olhos Eve, não desista. Supere. Ele não quer te ver triste, ele ama você, está sempre olhando por você. Eu ainda encarei a senhora sem fala, como ela sabia do Matthew? E como ela poderia saber o que ele está sentindo? — Seja feliz – ela atirou os olhos em direção ao David sugestivamente que ainda estava boquiaberto. Nós dois estávamos sem fala e ela ainda estava sorrindo. — Tenha um bom dia. – Ela falou e foi em direção a saída. Eu acompanhei com o olhar ela lentamente caminhar e desaparecer em meio às pessoas que desembarcavam dos ônibus agora. O que ela queria dizer com aquilo? Como ela sabia o meu nome? E o que ela quis dizer com aquele “O matthew não está contente?”. Droga fazia um mês e alguns dias que ele morreu, como eu poderia já ter superado tudo? Eu olhei para o David que ainda encarava a multidão que saia dos outros ônibus. O que ela quis dizer com aquilo? Que Matt iria querer que eu ficasse com David? E-eu... Mas era tão cedo! Eu não podia, aliás ele era mais novo que eu. E eu só beijei duas pessoas em toda a minha vida, eu o via como um irmão e só. Como Matthew iria querer isso? — Olha, isso foi... – ele comentou me analisando. — Estranho. – eu completei. — Totalmente. — Mas sabe Eve, em boa parte ela está certa. — Como assim está certa? – eu questionei – David faz um mês e uma semana que tudo aconteceu... Como eu posso apagar 4 anos da minha vida assim? — Eu nunca falaria para você esquecer Eve – ele olhou nos meus olhos – Eu apenas estou falando para você parar de se culpar, e tentar seguir a sua vida. — David, você já amou alguém? – eu perguntei diretamente. Ele corou um pouco então falou. — Mas a questão não é essa Eve... — Só me responde, você já amou alguém? — Mas quando você a tocava parecia como fogo, e toda vez que ela chegava perto de você suas mãos suavam? Você sentia sua barriga revirar e o mundo desaparecer quando vocês se beijavam? Sabe David, eu sentia tudo isso. Eu me senti apenas uma vez assim, com um único homem. Isso não é algo que eu possa apagar ou esquecer. Isso está gravado em mim, na minha mente nas minhas pálpebras. – eu trinquei meus dentes e segurei a torrente de lágrimas que estava por vir. Ele ficou me observando por algum tempo. — Eu sei como é, mas diferente de você ela está viva, eu a deixei ir por medo eu não queria que ela se machucasse por minha causa. Isso doeu muito, mas depois que toda a minha família morreu você acha que eu iria continuar com ela? Que eu iria contar tudo para ela? Não, eu apenas disse que iria me mudar e que nós não podíamos mais se ver. Eve, eu a vi chorando desconsoladamente na minha frente – ele me encarou – tudo que eu mais queria era agarrar ela ali mesmo, de amar ela como eu sempre fazia e dizer que tudo ia ficar bem, mas não ia. Eu fiz sacrifícios Eve, como você eu também fui sacrificado. Eu fiquei calada e absorta, essa era a maior declaração que ele já tinha feito sobre seu passado até agora. Eu podia ver a dor em seus olhos e subitamente eu queria passar a minha mão em suas bochechas e falar que eu entendia tudo isso, eu queria reconfortá-lo. Estendi minha mão e peguei a sua que estava em cima da mesa, alisei lentamente a palma de sua mão. — A primeira coisa que te falam quando você chega na academia é que o amor é uma fraqueza, e se você quer um conselho. – eu estendi minha outra mão até a sua – Nossa vida é curta demais, a vida de um hunter é incerta demais. Portanto não se prive Dave, eu entendo que você quer proteger a menina e acho isso a coisa mais romântica que você poderia ter feito por ela – eu sorri – você está sofrendo por que a ama e mesmo assim é nobre o bastante para protege-la dos males da sua nova vida. Eu entendo você, eu queria ter essa força e afastar aqueles que eu quero proteger, mas eu nunca conseguiria fazer isso entende? Por isso eu me culpo tanto. Por não ser mais atenta, por não ter prestado atenção no meu sexto sentido que me dizia que aquela era a ultima vez que eu estava vendo ele, e mesmo assim eu fui covarde na hora de assumir, eu tive medo de sua rejeição. E eu perdi tanto tempo Dave, tanto tempo. Esse é o meu conselho, assume, fale o que você sente enquanto ainda há tempo, não espere. Eu sei que isso vai soar meio piegas, mas eu acho que se aplica totalmente ao contexto – eu sorri – Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje. Eu apertei minhas mãos em torno das suas como eu pude, suas mãos eram realmente grandes. Ele era todo grande, eu tinha um metro e setenta mais perto dele me sentia baixa demais. Um sorriso dançou entre seus lábios chegando aos seus olhos. — Obrigado. – Suas mãos apertaram as minhas agora e eu senti um arrepio. — Então – eu falei tentando mudar daquele assunto – Como era essa tal garota? Seu sorriso murchou um pouco e eu me arrependi de ter tocado novamente nesse assunto. — Você não precisa sabe... Me falar se não quiser. — Não tudo bem – ele falou, sua mão ainda entrelaçada com a minha – Ela era baixa, seu cabelo é um ruivo natural brilhante e seus olhos são verdes assim como os seus, ela era bem branquinha e parecia uma boneca. – ele falou olhando para as nossas mãos – Uma boneca de porcelana sabe? Ela é linda. Provavelmente já deve estar namorando de novo. — Mas já? – eu questionei. — Sim, todos se perguntavam por que ela ficava comigo sabe, ela era linda em todos os aspectos, ela tinha conteúdo também e não só beleza exterior como a maioria das loiras oxigenadas de lá, então os caras babavam por ela pelo jeito meigo dela, enquanto ela ficava comigo, o esquisito. — Esquisito? – eu olhei para ele sorrindo. — É sabe, eu estudava muito e não era do time de futebol e ainda tinham me adiantado... Então eu era um nerd, apenas não usava aqueles óculos horríveis e também não sabia nada de Star Wars. — Ah Dave, você não está falando sério! – eu ri – Você já olhou no espelho? Já percebeu o tanto de meninas e até mulheres mais velhas que deram em cima de você nesse tempo que você e eu estamos viajando? Ele corou, suas mãos agora estavam esquentando as minhas. — Vocês mulheres vêem coisas demais... — Não, não, eu vi tudo Dave nem vem! – eu sorri – Você é bonito e se realmente ela acha que você é um esquisito, bom então ela não merece estar com você. — Você acha? – ele perguntou. — Claro que sim Dave! – eu apertei sua bochecha corada – Ta vendo aquela menina ali servindo os cafés? Não tirou os olhos de você desde que nós sentamos aqui. Eu olhei na direção dela que agora estava anotando alguns pedidos e olhei para ele. Ele a olhou e ela encontrou seu olhar na mesma hora, sorriu e corou. — Viu o que eu estou falando? Eu tirei minhas mãos de cima da mesa, peguei meu Frappuccino e tomei um gole. — Pois é, vai ver é alguma coisa com esse negócio de ser hunter sabe, eu acabei ganhando bastante músculos extras. – ele falou e coçou sua barriga – Eve sabia que amanhã é o meu aniversário? – ele sorriu. — Sério? E você só me fala agora Dave? — Eu nem ia falar mas... — Isso requer uma comemoração especial sim? Com direito a Piña coladas, e tudo mais! Vamos, pega o seu frappuccino e vamos seguir para o hotel! — Ok, você que manda – ele sorriu. — A propósito você não gostaria de pegar quem sabe, o numero dela? – eu olhei para a garçonete que olhava para David sonhadoramente. Ele olhou para mim com uma cara indignada. — ah que foi David? Ela é bonita, e você não precisa ficar o tempo todo de babá do meu lado sabe, você pode curtir também. Eu aposto que ela iria adorar passar uma noite com você... – eu dei um sorriso amarelo. — Mas como Eve? Chegar e pedir o numero dela assim... E eu nem a conheço pra convidar ela pra passar a noite comigo... — Ah Dave! Para de ser envergonhado! – eu comecei a rir – Até parece que você é tão inocente assim. Ele me olhou corado ainda, ele ficava tão bonitinho daquela forma, eu não culpava a garçonete por olhar assim pra ele... Até eu me permitiria se eu não estivesse em tal situação. Eu repreendi esse pensamento, eu não queria chorar, não agora. — Ah Eve, você sabe que foi só a Kathy... – ele corou mais ainda. — Bom tudo bem, se você não quer... – eu me levantei – vamos. Eu estava ajeitando a minha mala para podermos ir. — Às vezes eu acho que você é louca sabia? — Ah dave – apertei sua bochecha novamente – Pensei que você já tinha se acostumado. Ele apenas riu e me ajudou com as malas. Nós chegamos até o ponto do táxi e eu estava pensando se deveria fazer uma surpresa e levar ele pro hotel Hyatt*, ou falaria com ele antes. Bom de qualquer jeito ele vai ouvir quando eu falar.
* http://hyatt.com.br/hyatt/wwg/hotels/mrydm/index.jsp Nós entramos no carro enquanto o taxista colocava nossas malas no porta malas. — Onde vocês vão querer ir jovens? — Hotel Hyatt senhor. E assim como eu imaginei o David me olhou abismado. — O Hyatt Eve? Você pirou? — Tem algum problema com ele? Eu adoro ficar lá. — É tipo um hotel 10 estrelas? — 5 apenas – eu sorri – relaxa vigia, esqueceu que uma golden hunter ganha bem? E alias é o seu aniversário amanhã! Como eu não posso comemorar o aniversario do meu único amigo? Ele sorriu. — Você definitivamente é louca! Eu não sei como não escolheram David para ser meu parceiro, nós nos dávamos tão bem. Era instantâneo assim como foi com o meu parceiro anterior, nós estávamos convivendo há um mês e ele parecia me conhecer muito bem, eu confiava nele, na verdade ele era o meu único amigo como um irmão que eu nunca tive. — Então – falou o taxista enquanto parava no sinal – Vocês são daqui mesmo? — Não, viemos de New Jersey. — Hmm, vocês estão juntos? Eu não sei por que todo mundo insiste e perguntar coisas assim. — Ele é um amigo meu, nós resolvemos tirar férias juntos. Olhei para o David e revirei os olhos. — Qual o seu nome jovem? — Meu nome é Eve e o do meu amigo David. — Hmm, e vocês querem mesmo ficar no Hyatt? — Sim. — Tudo bem, se precisarem de um táxi 24 horas, eu estou ao seu dispor. – Pela sua voz ele parecia estar sorrindo – pegue. – ele disse me entregando um cartão. — hmm, obrigada. — Dave, o Dominic ligou? – eu perguntei. — Ainda não, você quer falar com ele sobre aquela senhora? — Você acha que eu deveria falar? — Bom, aquilo foi muito estranho. – ele olhou para frente – conversamos sobre isso no hotel. Ele olhou para retrovisor do carro e eu vi seu maxilar trincar. Eu segui seu olhar e percebi que o motorista do táxi estava olhando com um sorriso malicioso para mim. — Tudo bem – eu respondi o David. Eu olhei para as minhas roupas, eu sempre gostei de me vestir bem. Não é só por que eu cresci com 4 anciões me educando que eu também não tive adolescência, e todas aquelas coisas de meninas. Claro que eu tive, sempre adorei me arrumar, acho que essa era uma das minhas futilidades... Como dizia o Matt, o mundo poderia estar acabando e os nephilins tentando nos matar, mas mesmo assim eu ainda conseguia ficar bonita. Sempre achei importante cuidar da minha pele, dos meus cabelos e tudo mais. E se bem que uma pessoa bem vestida é totalmente outra coisa. Mas agora isso pareceu perder um pouco o sentido pra mim, tanto por que o Matt não se vestia tão bem e mesmo assim ele era lindo. Isso agora parecia tão distante de mim, todas essas frivolidades pareciam estar distantes demais. Quem se importa com o que eu estou vestindo? Bom, além de mim acho que não tem mais ninguém... Aliás, eu não estava nas minhas melhores condições, eu estou com um short jeans e uma T-shirt preta qualquer e um daqueles meus tênis sem graça alguma, meu cabelo está solto e a única coisa que ainda ta certa nele é a minha franja. Não considero isso nem de longe atraente, então por que diabos aquele cara ainda estava com aquele sorrisinho olhando pra mim? O que há de errado com esses homens afinal? Finalmente quando chegamos ao hotel o cara tentou puxar mais um papinho e eu fui logo saindo. — Me ligue Eve, eu venho buscar e levar você para qualquer lugar que você quiser. – ele piscou e me olhou de cima a baixo. Ok, ele definitivamente está tentando flertar comigo. — Creio que não vou mais precisar dos seus serviços. – eu dei um sorriso amarelo e fechei a porta do táxi. David olhou para mim com satisfação. — Esse cara é folgado. – ele falou – você percebeu que ele estava dando em cima de você na cara dura? Eu olhei novamente para as minhas roupas. — Eu realmente não sei o que ele viu em mim desse jeito. David apenas revirou os olhos. — Vou fingir que eu não ouvi isso. — Ok, vamos entrar. Eu olhei para o Hyatt de fora, certo. Nós merecemos isso e as despesas são por conta da academia afinal, bom, vou aproveitar esse cargo uma vez na vida.Entramos na recepção daquele hotel cinco estrelas. Vamos comemorar no estilo. eu pensei olhando para o David, que parecia deslumbrado pelo hotel. — Bem vindos ao Hyatt, em que posso ajudar? A garota da recepção olhou maliciosamente para o David. — Nós gostaríamos de uma suíte com duas camas. Ela pareceu nos medir, certamente ela pensava que nós éramos um casal. — Vocês preferem a master? Temos também outras opções... — A máster parece ótima. Após pegarmos as chaves, um jovem nos acompanhou até o quarto com nossas malas e após dar a ele uma gorjeta eu me virei para realmente apreciar o quarto. Ele tinha uma vista para a piscina e era absurdamente enorme. Com uma pequena sala de estar onde havia uma lareira bem aconchegante ele tinha um estilo vitoriano lindo, com algumas pinturas na parede, no outro lado tinha uma mesa revestida em mármore, ali estava uma cesta com vários tipos de guloseimas, do lado da mesa continha um grande frigobar. — Nossa Eve, você exagerou um pouco não acha? — Claro que não, nós só temos mais dois dias de férias – eu olhei para ele – você não acha que nós merecemos? Ele olhou mais uma vez em volta e sorriu. — É ser um hunter também tem suas vantagens. Eu sorri novamente. — Tudo depende de quem você conhece. — Vou ficar atento quanto há isso. Eu fui em direção a porta de acesso ao quarto, era enorme com duas camas de casal, no mesmo estilo vitoriano e na parede do meu lado era feita de espelho do chão ao teto. Lá havia outro frigobar e mais uma cesta com guloseimas, o David abriu as portas que davam ao banheiro que também era enorme, a bancada toda em mármore com duas pias, havia também um chuveiro dourado no mesmo tom da pia e uma banheira que caberia quatro pessoas. — Uau – eu vi ele sorrir pelo espelho – Estamos mais que bem. — Sim! – eu virei e fui correndo em direção a cama. Eu pulei na cama e percebi o quanto eu estava cansada. — Ai Dave, dois dias aqui e eu não quero voltar mais. Principalmente por que aqui eu nunca estive com Matt, aqui eu não lembrava dele, do seu cheiro, do seu sorriso lindo. — Só você? – ele tirou seus tênis e deitou na outra cama. — Então o que você quer fazer hoje? – eu perguntei ainda deitada – É o seu aniversário então você pode escolher! — O meu aniversário é só amanhã Eve. — Mas vamos comemorar hoje e amanhã! Eu precisava me animar pelo menos hoje, pelo menos hoje eu precisava sair e não chorar até tarde por algo que eu nunca mais iria mudar, por alguém que nunca mais ia voltar. Ele se virou e me fitou. — Sabe, eu não gosto muito de aniversários... — Por quê?- Lembra a minha família... Minha mãe costumava fazer muffins com chocolate do jeito que eu gostava no café da manhã. Ela me enchia de presentes, meu pai sempre me levava em algum jogo de baseball, a Laryssa minha irmãzinha sempre fazia desenhos para mim e a minha namorada, quer dizer ex, passava o dia comigo – ele sorriu – Nós até já fomos naqueles jogos com o meu pai. E a noite tinha uma pequena festa com os meus poucos amigos e a minha família. As vezes eu até reclamava daquelas coisas... Eu era feliz e não sabia afinal. Eu olhei novamente para ele e seus olhos estavam brilhantes, ele estava se segurando para não chorar, eu conhecia bem aquela sensação. Eu percebi que a dor dele também me afetava, tão jovem e tantos desastres. Tantas vidas interrompidas por um ser nojento e imoral. E todas as vezes que eu me questionava o porquê de nós existirmos, eu lembrava de todas essas situações e já sabia a resposta. Nós lutávamos para extinguir o sacrifício de outras pessoas, nós existíamos para manter o equilíbrio aqui na terra, para impedir tamanho sofrimento. Eu só achava tão injusto, tão injusto nós protegermos tantas pessoas e não conseguir proteger quem nós amávamos. Uma lágrima escorreu de seus olhos, eu me levantei, sentei na beirada de sua cama e peguei sua mão. — Onde quer que eles estejam Dave, eles estão olhando por você. – eu limpei sua lágrima – Eu aposto que assim como o Matt, eles não gostam de ver você chorar e ainda mais em um dia como esse. Ele sentou e pegou minhas duas mãos. — Sabe, às vezes eu acho que me escolheram o parceiro errado – ele tentou sorrir. — Eu também. Em um movimento brusco ele me abraçou e inspirou fundo em meio aos meus cabelos. — Obrigado Eve. Demorando um pouco para processar essa reação eu o abracei de volta. — De nada Dave, você sabe... Quando precisar de uma amiga... Ele inspirou mais uma vez e seus braços pareciam me aquecer, era como abraçar um irmão, eu compartilhei a minha dor com ele assim como ele compartilhou a sua comigo, isso de certa forma nos unia e eu me dei tão bem com ele, era uma pena que nós não somos parceiros. Mas ao mesmo tempo também era bom, eu não agüentaria perder mais alguém em uma missão. Não como eu perdi o Matt, eu não poderia mais agüentar tudo isso. Não conseguindo me controlar deixei as habituais lágrimas caírem seguidas de pequenos soluços, ele passou a mão em minhas costas. — Não chora Eve. Inconscientemente eu o apertei mais. — Lembra do que você me falou? Lembra do que aquela senhora falou? Ele não ficaria feliz em ver você assim. — Só que é tão difícil Dave, tão difícil... Ele se afastou de mim e limpou minhas lágrimas assim como eu tinha feito antes. — Acredite em mim, eu sei como é. Eu o fitei novamente, seus olhos que eram de um azul escuro e profundo agora estava mais claros, seu habitual sorriso não estava mais ali e mesmo assim seus lábios estavam vermelhos. Ele tinha um rosto angelical.Surpreendentemente eu o abracei novamente, seu cheiro era doce e seus cabelos faziam cócegas em meu rosto mesmo assim a sensação de seus braços em volta de mim me acalmava. — Eve, Eve... Acho que eu vou querer a tal comemoração – ele passou a mão em meus cabelos, sua voz estava rouca. Eu me afastei e seus braços ainda continuavam em minha cintura. — Aonde nós vamos? – ele perguntou. — Que tal hoje nós irmos aqui mesmo no bar do hotel? — Mas nós não podemos beber... Não temos 21 ainda. — Hmm... – eu esbocei um sorriso – nisso eu posso dar um jeitinho... — Mas não tem toda aquela regra de um hunter só usa o sétimo sentido em suas missões? Eu me afastei e suas mãos caíram em seu colo, rapidamente eu fiquei em pé e olhei para ele. — Você acha que eu sou uma menina que segue as regras? – eu ri. — Assim eu começo a ter medo de você. Eu precisava me distrair ou eu ficaria aqui chorando a noite inteira. — Então vamos nos arrumar? – eu baguncei seus cabelos – Vai que você ache alguma menina que te interesse? Eu juro que não vou ficar magoada se você quiser sair de fininho no meio da noite hoje. — Eve, até parece... – ele começou. — Nananinanão, você é lindo ok? – eu apertei sua bochecha – Eu vou produzir você hoje. Ele apenas balançou a cabeça. — Ah, vai deixa? — Tudo bem, mas só se você vestir algo mais que esses tênis e essas camisetas pretas. — Feito!
Notas finais
* Coomentem e façam uma escritora feliz o/
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