Ainda não acreditava no que tinha acontecido, mas também quem em sã consciência creditaria em um lobisomem que havia se transformado em um humano normal, tinha certeza que nem o papa acreditaria nisso. Uma lenda era o que sobre os lobisomens, apenas uma historia que era contada para as crianças em noites de lua cheia para assusta-las, mas a historia que Marry contou era a mais pura verdade. E havia visto um deles bem em minha frente.

Minha cabeça se enchia de perguntas, as qual não conseguia achar uma resposta convincente, ela parecia gritar querendo urgentemente respostas, mas infelizmente as perguntas teriam que esperar para ter suas respostas.

Depois de algumas horas tentando sair do buraco que havia caído, finalmente havia saído e estava chegando ao fim da Floresta das Sombras. Já havia escurecido, por entre as camadas de arvores podia ver a lua tentando mostrar o seu belo brilho, por conta do escuro que estava não conseguia ver por onde andava e para não sair rolando novamente Duque me guiava para fora da floresta. Andava com dificuldade, meu tornozelo doía a cada passo que dava, provavelmente havia o torcido enquanto rolava ladeira abaixo, mas para minha infelicidade não podia parar. Outra coisa que dificuldade meu passo era o peso do homem-lobo sobre os meus ombros, pode se dizer ele era mega pesado e não no sentindo que ele fosse gordo e sim que ele era muito forte.

Sim, estou carregando um desconhecido que é um lobisomem direto para casa. Tenho sérios problemas. Mas não poderia deixar um homem, mesmo que fosse um lobisomem naquele estado no meio do mato para morrer, mesmo não o conhecesse iria ajuda-lo mesmo ele tenta-se me matar.

Suspirei aliviada quando me vi fora da floresta, à luz da lua agora podia iluminar meus passos. Agradeci mentalmente aos deuses por estar de noite, porque assim evitaria que alguém me visse suja enquanto carregava/arrastava um homem inconsciente com um casaco vermelho amarrado na cintura. Não me pergunte o porquê do casaco. O povo do vilarejo com certeza me encheria de perguntas que não conseguiria responder, eles tinham a mania de cuidar da vida dos outros.

Com passos lentos íamos aos poucos nos aproximando da velha cabana que se encontrava no completo breu, sentia que meus joelhos a qualquer momento poderiam ceder sobre o chão. Como esperado um dos meus joelhos, como posso dizer deu ‘’ um passo em falso’’ fazendo que caísse a encontro ao chão, para minha sorte ou não o homem-lobo não havia caído sobre mim. Juntando minhas forças me levantei ficando de joelhos no chão, respirava rápido soltando grandes lufadas de ar tentando me recuperar.

Duque parou na minha frente me encarando com os seus olhos castanhos, o cachorro parecia me analisar se certificando que ainda estava viva. O pastor começou a latir como se disse se por meio dos latidos para me levantar e continuar.

— Ta, já entendi a mensagem!!- coloquei a mão em seu focinho impedindo que ele continuasse a latir. – È melhor que ninguém tenha ouvido os seus latidos.

Tirei a mão do seu focinho vendo-o se afastar e chacoalhar a cabeça, olhei para o lado encontrando o homem caído de lado, seu rosto estava um pouco sujo de terra e grama, sua expressão possuía um ar calmo como se estivesse tendo um sonho agradável ignorando totalmente seus machucados. Seus cabelos ainda continuavam bagunçados, as folhas que antes se escondiam por entre suas mechas de cabelo não estavam mais lá.

Com longo suspiro peguei o braço do homem-lobo o passando por entre meus ombros, uma parte do seu corpo ficou suspendido por conta do meu ato, fechei meus procurando forças para levantar do chão e, é claro aguentar o peso pesado sobre os meus ombros. Com um impulso consegui ficar em pé me desequilibrando um pouco, quando Duque me viu em pé tratou de correr até a porta dos fundos da cabana a abrindo com as patas, esse é um cachorro esperto.

Com passos cautelosos caminhei até a entrada dos fundos da cabana vermelha, o cachorro estava sentado ao lado da porta apenas me observando. Cada passo que dava sentia meu tornozelo ardendo por conta do esforço que fazia, não era nada fácil suportar esse tipo de dor enquanto carregava um boi, se duvida-se ele pesava mais que um boi.

Adentrando a porta que dava para a cozinha, ouvi o rangido agudo da porta se fechando atrás de mim, a escada que dava aos quartos ficava ao lado da geladeira azul-marinho, ela possuía vários imãs de estilos diferentes. Quando fixei olhos na escada percebi que esse seria um dos piores obstáculos que iria enfrentar, me via enrolando escada abaixo caso desse um passo errado e, é claro seria esmagada no processo e isso não parecia uma boa ideia.

Podia deixa-lo no sofá e cuidar dele ali mesmo, mas o sofá não era um lugar tão confortável e discreto da casa, não podia correr o risco de alguém vê-lo pela janela da sala. Acho que a única escolha seria leva-lo para cima e correr o risco de quebrar algum osso.

Com o medo correndo sobre minhas veias coloquei uns dos meus pés no primeiro degrau rezando para todos os tipos de deuses ou santos pedindo para não morrer, a cada degrau ia subindo a escada em passos lentos e extremantes cuidadosos enquanto ouvia as patas de Duque batendo sobre os pisos de madeira da escada logo atrás de mim. Se caísse Duque iria virar cachorro quente esmagado.

Por um milagre divino consegui subir a escada sem que sofresse uma morte trágica, o corredor estava por conta das luzes que estavam apagadas, o corredor era largo e comprido, as paredes estavam todas enfeitadas com fotos ou quadros. A segunda porta dava ao meu quarto, um quarto totalmente bagunçado, com um dos meus pés dei um chutei a porta a abrindo.

— Duque, colchão. – ao disser isso o pastor mergulhou para da cama onde sempre guardava um colchão extra que usava quando Megan passava a noite aqui.

Logo Duque saiu de debaixo da cama puxando o colchão para fora com a boca, o mesmo se encontrava já com um lençol simples o protegendo da poeira. Quando o colchão se encontrava se fora do esconderijo agachei devagar colocando o corpo do homem-lobo sobre a superfície macia, uma sensação de alivio e cansaço passou por todo o meu corpo, não deixando de lado a dor que incestia lembrar que estava ali.

Minha cabeça começou a se lembrar da historia que Marry havia contado na noite anterior, sobre os homens que se transformavam em feras da noite eram totalmente real, lobisomens existiam e viviam na Floresta das Sombras. O quão impossível isso parecia, se parecia mais um sonho ou uma alucinação do que a realidade.

Um lobo que havia por um passe de mágica se transformado em um humano, um homem aparentemente normal à primeira vista. Será que existiam mais como ele? Existiam outras coisas ou criaturas naquela floresta? As outras historias que a anciã contava eram reais também?

Essas perguntas e outras rondavam em minha cabeça, implorando por respostas que nem mesmo minha avó saberia a resposta de metade das minhas perguntas, queria gritar pela dor que isso causava. Era desconfortável ter perguntas sem uma resposta, era como ter seu coração esmagado por algo e que fazia você ficar desesperado para tentar se livrar dessa sensação.

Sinto algo quente e úmido passando por minha bochecha me tirando das ondas de pensamentos torturantes, quando virei encontrei Duque me observando com seu olhar preocupado, ele sempre ficava preocupado comigo, sempre me tirando do escuro que eu mesma me colocava, ele era meu anjo da guarda. O puxei para um abraço o agradecendo por estar sempre ao meu lado, mesmo que às vezes sempre me coloca-se em perigo.

Voltei a atenção ao homem que estava deitado cheio de machucados espalhados pelo corpo, levantei indo em passos lentos e dolorido para o banheiro que tinha em meu quarto para pegar o kit de primeiro socorros que guardava ali, costumava as vezes me machucar caindo da motocicleta ou me cortando pelas trilhas da Floresta Luz. Sou um pouco desastrada.

Pegando o kit voltei para o quarto para cuidar do homem-lobo, ele ainda estava com o casaco vermelho amarrado na cintura e não ia sair dali tão cedo.

Passado alguns minutos ou horas já havia cuidado dos ferimentos do homem-lobo, tendo até que dar uns pontos e, é claro que cuidei dos meus machucados, por sorte não havia quebrado o tornozelo. Antes de cair de cara na cama tratei de pegar um cobertor e um travesseiro para o homem, só quando o cobri tirei meu casaco da sua cintura – Duque tirou enquanto o cobria com os olhos fechado – e coloquei o travesseiro debaixo de sua cabeça, depois disso me joguei na cama deixando que o mundo dos sonhos me leva-se para outro lugar.

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Pela primeira vez não havia acordado antes do sol nascer, havia acordado depois a hora do almoço. Era estranho para alguém que sempre acordava cedo acordar tarde, mas tinha o motivo por isso, meu corpo estava cansado da pequena aventura de ontem e ele precisava se recuperar.

Meu tornozelo não doía tanto, mas continuava um pouco inchado e vermelho, minha cabeça não doía mais para minha sorte. Mesmo que meu corpo implorasse para ficar na cama precisava fazer algo para comer, principalmente se o homem-lobo acordasse e precisava comprar mais ataduras e alguns remédios. E eu achando que passaria esses cinco dias no mais puro tédio.