The Girl and the Wolf
7 Sete
Três anos antes
— Droga!! – a jovem exclamou irritada enquanto via o esquilo cinzento sumir de vista era a quinta vez que a jovem de aproximadamente quinze anos não conseguia pegar um esquilo. A flecha com penas brancas passava raspando pelos corpos pequenos, mas não chegava a atravessa-lo e prensa-lo contra o tronco da árvore, caçar esquilos não era algo fácil na opinião da garota.
A brisa fresca que passava pela floresta fazia as árvores dançarem em uma sincronia calma, mas mesmo que a floresta emanasse sua calmaria não conseguia acalmar a raiva da jovem de cabelos platinados que estava a horas tentando, inutilmente caçar os pequenos seres. Caçar com arco apenas parecia fácil, mas na verdade era uma missão impossível. O arco era uma combinação de habilidade que às vezes eram precisos serem melhorados ou fazer que elas aparecessem, um trabalho preciso.
Pegando outra flecha e a encaixando no arco médio de alumínio o mirando um pouco pra cima onde outro esquilo marrom se encontrava distraído, desta vez a jovem de olhos cinza iria prensar o pequeno ser contra a árvore. Antes mesmo que Lexi solta-se a flecha para seguir o caminho ao esquilo, uma voz conhecida por si a fez parar.
— Não vai conseguir acerta-lo dessa maneira. – a voz grossa disse em tom calmo, a garota se virou abaixando o arco encarando o homem de cabelos negros e longos que estavam presos em um rabo de cavalo em duvida. Não havia entendido o que o homem mais velho lhe dissera.
Dominic, um caçador experiente que Lexi conhecera no inicio do ano e que estava a ensinar a mesma a manusear o arco. A garota não sabia muito sobre Dominic apenas que sobrevivia com a caça e que poucos do vilarejo o conheciam e isso a deixava em estado de alerta para qualquer movimento do maior. Dom usava roupas de caça e em uma de suas mãos segurava um rifle, sua pele morena por conta do sol e algumas cicatrizes que o deixavam com um ar um tanto assustador, os olhos cinza que analisavam tudo ao seu redor como uma águia.
— Que maneira? – perguntou, o moreno se aproximou pegando o arco e a flecha da mão da garota.
— Lembre-se do que lhe ensinei... – encaixou a flecha novamente no arco mirando no mesmo esquilo. – Sua mão tem que estar na linha dos seus olhos, se concentre apenas no seu alvo e em mais nada e quando sentir que esta pronta... — a flecha foi liberada girando no ar indo ao encontro do esquilo o prendendo contra a árvore.
Um profissional era o que o mais velho era.
— È impressão minha ou você ama me humilhar? – sorriu admirada pelo o que o outro fizera.
— È impressão sua. – riu. – Agora é a sua vez, mas em vez de esquilos que tal aquele veado ali. – apontou para um veado que estava ao longe de onde estavam enquanto o moreno entregava o arco para Lexi.
— Você realmente me odeia. – resmungou.
— Foque no seu alvo. – riu. A de cabelos platinados fechou os olhos respirando fundo tentando relaxar o seu corpo. – Bom... Agora esqueça tudo ao seu redor e se concentre apenas na minha voz.
Antes que Lexi abrisse os olhos se concentrou em apagar tudo que estava ao seu redor, o balanço das arvores, o som dos pássaros cantando, em absolutamente tudo. Quando finalmente abriu os olhos não havia mais nada apenas Lexi e o veado e voz de Dom que vinha de algum lugar atrás de si. A garota estava concentrada, sentia que desta vez iria conseguir.
— Ouça as batidas do seu coração. – seu coração batia devagar como se tudo ao seu redor estivesse em câmera lenta esperando o tempo certo. Em meio de suas batidas começou a ouvir batidas rápidas, não eram delas nem mesmo de Dominic.
Lexi conseguir ouvir os batimentos do animal. Ela não se assustou pelo contrario algo de si parecia apreciar como se fosse uma musica, nem notou o sorriso que apareceu em seu rosto, os olhos cinza brilhavam por algum motivo desconhecido.
— Quando sentir que esta pronta... Avance pra cima sua presa.
Quando ouviu o que o mais velho disse sentiu algo borbulhando dentro de si, não sabia o que era, mas se sentia estranhamente bem. A frase havia acordado algo que estava a muito tempo adormecido, uma fera pronta para atacar sua presa.
A flecha saiu rápida como um raio girando em pleno ar até atravessar o corpo do veado atingindo o coração do mesmo, ouviu as ultimas batidas que o coração dele emitia e então tudo voltou ao silencio.
Lexi havia conseguido.
—o-o-o-o-o—o-o-o-o-o-oo-oo-o-o-oo-o-o-oooo-
Chapeuzinho Vermelho.
Era para ser mais um apelido que as pessoas do vilarejo havia me dado, desde que me viram usando o casaco vermelho com um capuz que minha avó tinha feito pra mim começaram a me como à personagem da fabula, uma versão um pouco louca e descuidada. Chapeuzinho Vermelho, uma garota que vai até a casa de sua vovozinha levar um cesta de bolo, mas no meio do caminho ela acaba encontrada o lobo mal que a engana e acaba ficando no lugar da avó da garota e enganado novamente chapeuzinho, mas ela é salva por um caçador que passava por ali. O quão irônico isso parecia? A fabula se encaixava com o que vinha acontecendo em minha vida, tirando alguns detalhes pequenos, eu era a garotinha de capuz vermelho da vida real que havia encontrado um lobisomem ferido e levado até a minha casa para cuidar dele, mas se ele fosse igual ao lobo da historia que tenta fazer a garota a sua comida? Apenas o tempo diria isso.
Mas isso não me preocupava no momento e sim uma estante enorme cheia de potes com vários tipos de plantas medicinais as quais não tinha nenhum conhecimento, como iria cuidar das feridas do homem-lobo sem nem saber os benefícios de uma dessas ervas? É bem provável que ele fique pior em minhas mãos. Sentia que estava em uma lanchonete tentando escolher qual lanche pedir, era uma comparação idiota, mas era única coisa se passava nessa cabeça. A loja era confortável, cheirava a grama molhada, as estantes grudadas nas paredes tinham vários potes com vários tipos de plantas, no centro do lugar havia um móvel redondo dentro do mesmo havia uma árvore de pequeno porte enfeitando o lugar. Até podia pedir ajuda pra alguém, mas não tinha ninguém.
— Precisa de ajuda, querida? – uma mulher de cabelos grisalhos apareceu ao meio lado sorrindo gentil pra mim. Virei vendo a dona da loja usando um vestido vermelho vinho, seus cabelos estavam em um coque deixando seu rosto amostra marcado pelo tempo.
— Hã... Sim. – sorri. – Eu preciso de algo pra machucados como cortes e outros...
— Deixe-me adivinhar... Caiu novamente da motocicleta?- perguntou segurando a risada. É acho que todos sabem como sou cuidadosa, mas dessa vez não era a culpa da motocicleta e nem minha e sim de um cachorro louco. – Bem vejamos... – olhou pra estante procurando alguma coisa logo encontrando e me entregando. — Capim-Limão é bom pra limpar feridas e... – pegou outro pote da estante. – Erva de bico, uma pomada cicatrizante.
Fiquei durante algum tempo na loja vendo à senhora pegar vários potes com ervas medicinais pra mim, quando vi que tinha tudo o que precisava decidi ir pra casa, não podia deixar Duque sozinho muito tempo com um desconhecido desacordado. Tinha decidido deixar Duque de vigia, no inicio ele parecia não ter gostado da ideia, mas depois de alguns pedaços de carne ele nem ligou quando sai. Enquanto caminhava pelas ruas do vilarejo me sentia um pouco nua por não estar com o meu casaco vermelho, era minha segunda pele o casaco, mas havia colocado ele pra lavar além que precisaria de alguns reparos. Duque havia mesmo conseguido se vingar de mim.
Quando finalmente cheguei em casa fui recebida por um pastor alemão querendo ver o que tinha nas sacolas, curioso. Deixei a sacola de comida na mesa da cozinha levando comigo a outra comigo para o andar de cima, abri a porta do meu quarto encontrado o homem-lobo do mesmo jeito que havia deixado, deitado com faixas machadas de sangue que estava envolta das feridas.
Com tudo preparado tirei as faixas sujas para passa o capim-limão pra limpar as suas feridas, espero que não arda pra ele não acordar. O pastor alemão estava atrás de mim observando passar a erva nos cortes do lobisomem, a erva era algum tipo de creme verde gelado com uns pontinhos verdes escuros. Quando ia passar o creme em um corte próximo do ombro senti algo agarrado meu pescoço com força, olhei pra baixo encontrando dois olhos verdes me encarando com raiva. Tentei me soltar batendo em alguns dos machucados, mas não adiantou muito em vez disso ele apertou ainda mais o meu pescoço, conseguia ouvir Duque rosnando esperando uma ordem minha pra atacar, mas meu corpo não obedecia às ordens do meu cérebro.
— O que pensa que esta fazendo?- o tom de voz que usava não era muito amigável.
— Capim-limão... – disse com dificuldade. – É pra limpar feridas. – arqueou as sobrancelhas não levando muito a serio o que lhe disse, apertou ainda mais meu pescoço. Ele iria quebrar meu pescoço desse jeito. – Eu juro!!
— Onde estou? – perguntou calmo afrouxando o aperto.
— Na minha casa, no vilarejo Rainy. – os seus olhos pareciam me analisar se certificando que estava dizendo a verdade ou não. – Trouxe você até aqui, na verdade eu te arrastei porque você não é muito leve sabe? – brinquei. Ele revirou os olhos com o que eu disse, acho que ele não gosto muito de eu ter o chamado de gordo. Lexi sempre brincando com a própria vida. – Você pode me soltar? Não sei se você percebeu, mas não sou uma ameaça pra você, na verdade eu te salvei de morrer sozinho na floresta, então esse não é o melhor jeito de me agradecer, senhor lobo.
Ele olhou cima a baixo pra mim com a sobrancelha arqueada me soltando do aperto permitindo que respirasse de novo, Duque ainda rosnava pra ele o mesmo parecia não ligar para cachorro a sua frente.
— Obrigado. – murmurou tentando se levantar do colchão, mas o impedi colocando uma mão sobre o seu ombro o empurrando para baixo.
— Você não esta em condições pra se levantar. – peguei o creme verde vendo o me acompanhar com o olhar. – Se tentar me matar de novo enfiou uma flecha na sua garganta.
Continua...
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