The Girl Next Door
4 Meeting the neighborhood
Notas iniciais
Quinn acordara relativamente cedo naquela manhã. Ela se sentia disposta, disposta a conseguir o perdão de Rachel. E um novo objetivo, para a loira, era sempre algo revigorante.
O sol brilhava em NYC e ela queria explorar um pouco mais aquela cidade maravilhosa. Uma corrida pela vizinhança era um bom começo. Conhecer os mercados mais próximos, as lojas, padaria e etc.
Vestiu um short de corrida roxo de tecido sintétio e uma blusa branca gola V. Prendeu os cabelos em um rabo de cavalo, embora fossem curtos. A franja ficara solta. Colocou as meias e vestiu seu Nike. Apanhou seu iPod e desceu as escadas em puro ânimo.
O dia não estava lá muito quente, ainda era primavera, mas Quinn não sentia frio. Ela saiu pelas ruas, com um sorriso maravilhoso estampado no rosto. E de fato, ela estava maravilhosa.
Quinn tinha o dom de despertar a simpatia em todos. Perdeu a conta de quantas pessoas a retribuiram o sorriso, ou deram um leve aceno. Ela definitivamente estava gostando da sua vizinhança. Descobriu que tinha um Starbucks a uma quadra de seu apartamento. Uma floricultura que era uma graça, onde uma senhora chamada Mary, trabalhava e foi a pessoa mais simpática que ela encontrou hoje. O mercado também ficava perto e o Central Park estava a mais ou menos sete quadras dela.
Depois de quase uma hora de corrida, decidiu por descansar. Uma parada no Starbucks lhe caiu bem. Ela sentou em uma das cadeiras que rodeavam uma das mesas que ficavam na calçada, e se permitiu descansar em quanto esperava seu Iced Coffee.
Quinn adorava observar as pessoas. E ela realmente boa nisso. Descobrir fatos só analisando como elas agiam, os olhares e os sorrisos. Ela era, de fato, uma ótima observadora.
As pessoas passavam apressadas diante da mesa em que ela se encontrava. Típico de New York... Pensou. Ela gostava da cidade, mas não queria se deixar levar pelo humor novaiorquino. Não queria viver as pressas, queria aproveitar o que cidade tinha a oferecer.
E enquanto seu olhar se perdia entre os pedestres, sentiu seu celular vibrar no seu bolso. Ela logo o pegou e sorriu ao ler “Monica” na tela. Não hesitou em atender.
“Hey Mon! Fico feliz que tenha ligado!” Ela exclamou enquanto um sorriso imenso tomava conta de seu rosto.
“Hey baby! Fiquei preocupada, prometeu me ligar assim que chegasse em NYC, mas não o fez. Aconteceu alguma coisa?” Quinn sorriu diante da preocupação de sua amiga.
“Não, na verdade, está tudo ótimo. Adorei o apartamento, é bem melhor do que nas fotos. E bem, no momento, estou no Starbucks, sentada, depois de uma corrida revigorante, observando as pessoas e esperando meu café.” A loira nunca deixou de cuidar de seu físico, mesmo depois que abandonou a equipe de torcida. E por conta disso, sempre teve um corpo impecável.
“Não vejo a hora de te visitar. Nunca fui até a NYC.” Monica acrescentou a última frase, decepcionada.
“Não vejo a hora que você venha.” A loira sorriu imaginando tudo o que ela e sua amiga fariam na cidade das luzes. “E bem, preciso te contar algo.” Quinn disse após alguns segundos. Ela queria dizer para a sua amiga que Rachel era sua vizinha. A morena sempre fora alvo de algumas de suas conversas. E continuaria sendo, ainda mais agora.
“Fale.” Monica disse, afim de encorajar sua amiga, que havia ficado em silêncio.
“Lembra-se de Rachel?” Ela perguntou receosa.
“Rachel Berry?”
“Mhum.”
“Sim, lembro sim. O que tem ela?”
“Bem... Ela é... minha vizinha.” Quinn disse por fim. A linha ficou em silêncio.
“Oh! Isso é ótimo, Quinn!” A voz de Monica inundou a linha. A loira ficou confusa. “Finalmente você vai poder parar de ser tão obcecada por ela e retomar a amizade de vocês!”
“Para, Monica. Não sou obcecada pela Rachel. E bem, ela não está muito feliz com a situação. Nos encontramos ontem e ela não quer nem saber de mim. Preciso conseguir o perdão dela, Mon.” A linha retomou ao silêncio. “Mas tudo bem, vamos falar de outra coisa, e você como vai?”
“Tudo bem, vamos parar de falar da sua paixão platônica.”
“Monica!” Quinn odiava essa mania da amiga de achar que ela tinha algo mais com a morena. Desde o primeiro dia que a loira contou algumas de suas anedotas do colégio, Monica passou a insistir na ideia de que Quinn tinha sentimentos por Rachel. A loira achava aquela ideia absurda.
“Tá... tá...” Murmurou mal humorada e começou a contar sobre como as coisas iam em New Heaven.
O café da loira chegou minutos depois. Ela se deliciava enquanto escutava a amiga. Ainda observando o movimento da calçada, quando percebeu alguém que não esperava ver. Rachel. A morena estava correndo, usando um shorts preto e uma blusa azul. O cabelo preso em um rabo de cavalo e a franja bem guardada pela faixa preta que se acomodava em sua cabeça.
A loira ainda tinha o telefone segurado contra a orelha, apesar de Monica já ter se despedido e desligado. Quinn seguiu Rachel com os olhos até ela se perder na multidão que ocupava a calçada.
Pelo jeito Rachel também tinha o hábito de correr. De fato, as pernas da morena não mostravam o contrário. Quinn se recriminou e bateu na própria testa ao se dar conta no que estava pensando. Você precisa do perdão dela, não das pernas... Bem, talvez dos dois- QUINN!” Uma batalha acontecia em sua mente.
Ela jogou o copo de plástico no lixo e começou a caminhar em direção ao apartamento. Os passos eram despreocupados, enquanto ela observava tudo com mais atenção. Parou em frente a um pet shop e considerou a ideia de ter um bichinho de estimação. Um peixe, talvez.
Quando se deu conta já estava em frente ao apartamento. Abriu a porta dupla de vidro e se dirigiu até as caixas de correspondências. Entrou cabisbaixa e despreocupada. Levantou o olhar para procurar a sua caixa e se deparou mais uma vez com a morena. Pelo jeito, ela havia sido mais rápida que a loira.
Quinn a observava. Rachel estava com o troco inclinado para frente, enquanto as pernas permaneciam normais, dando uma perfeita visão das mesmas e algo mais que Quinn preferiu não pensar, porque ela não fazia essas coisas. Oh, não!
A loira continuava parada apenas observando Rachel. Ela não sabia o que falar. Um bom dia talvez? Ou será que era amigável demais?
“Rachel...” Sua boca proferiu sem seu consentimento. A morena virou minimamente o rosto para observar quem a chamava, embora ela reconhecera a voz no momento em que seu nome foi dito.
Quinn ouviu apenas um suspiro por parte de Rachel. A morena a ignorara completamente e continuava buscando por suas correspondências. A loira continuava a encarando. Ela não sabia como reagir. Os lábios se abriam vez o outra tentando dizer algo, mas nada saía.
Ela percebeu que Rachel terminou o que estava fazendo e tornou a olhá-la. Quinn não mudou de posição e muito menos parou de encará-la.
“Da para você, por favor, para de me olhar como se eu não estivesse aqui?” Rachel bufou irritada e com passos largos se dirigiu até a escada.
A loira se deu conta que a morena já estava virando a direita para continuar no outro lance de escadas. Ela apressou o passo tentando alcançá-la. Subiu os degrais de dois em dois, mas a morena percebeu e começou a subir mais rápido tamém.
“Rachel! Espera!” Quinn gritava enquanto Rachel se dispunha a subir cada vez mais rápido.
Elas já estavam no quarto andar e a morena continuava fugindo da loira. Porém Quinn estava cada vez mais perto. Menos de um metro a separava de Rachel, quando a diva tropeçou no último degrau do lance que dava para o quinto andar.
A loira pode ouvir o barulho do joelho da morena batendo contra o chão. Seus olhos foram até o rosto de Rachel e viram como esse se contorceu em uma careta de dor. Os pés de Quinn, sem seu comando, levaram-na até a diva.
“Rachel, está tudo bem?” A loira já estava agachada ao lado da morena que tinha o joelho sangrando.
“O que você acha? Deus! Meu joelho está sangrando! Chame a ambulância!” A dramática Rachel Berry.
“Não vou chamar a ambulância! Vem, deixa que eu te ajudo.” Disse Quinn, tratando de colocar os braços da morena em volta de seu pescoço.
“Não preciso de sua ajuda, Quinn.” A morena disse friamente, virando o rosto para o lado contrário do da loira.
“Rachel, não seja hipócrita, precisa sim da minha ajuda, vamos.” Quinn tentava tocar em Rachel, mas a diva estava afastando seus braços. “Por favor, Rachel.” A loira estava ficando sem paciência. Bufou irritada e se afastou. “Quer saber, foda-se, faça o que quiser.” Deixou que os braços, que antes ocupavam o ar, cairem paralelos a suas pernas.
As palavras assustaram Rachel, mas essa tratou de ignorar. Quando viu que Quinn já havia desaparecido, tentou se levantar, e com muito esforço, conseguiu. Porém ela estava com dificuldade em andar. Um dos joelhos estava sangrando e o outro tinha sofrido um grande impacto contra o chão. Ela se via de pé, mas não mexia nada.
“Quinn!” Gritou, embora quisesse mais era ter mantido a boca calada. Sufocar o orgulho em troca de não ficar para sempre ao pé da escada, parecia-lhe uma troca justa.
A loira ouviu a voz da morena a chamando e um pequeno sorriso surgiu em seus lábios. Ela retrocedeu algum passos e observou Rachel segurando-se no corrimão, com dificuldades para ficar em pé. Sua primeira vontade foi correr até a diva e ajudá-la, mas seu orgulho invadiu o coração e ela decidiu por ficar no último degrau daquele lance.
“Sim?” Falou com indiferença.
“Eu... eu não consigo andar.” A morena evitava olhar nos olhos da loira.
“E...?” Quinn, novamente com indiferença, disse. Embora seu objetivo fosse provocar a diva.
“Euprecisodesuaajuda.” Rachel disse tão rápido e baixo que ninguém poderia ter ouvido. Mas Quinn ouviu, porém preferiu finger que não.
“Desculpe, mas não te ouvi.” Ela disse, tentando espantar o sorriso que fazia esforço para tomar conta de seus lábios.
“Eu preciso de sua ajuda.” Disse mais firme e com um pouco de raiva, ainda sem levar os olhos até os de Quinn.
Um sorriso travesso brincou no rosto da loira. Ela desceu vagarosamente as escadas e se pôs ao lado de Rachel. A morena, receosa, levou o braço direito até o pescoço de Quinn e estremeceu quando essa envolveu sua cintura.
Antes de Rachel conseguir dar o primeiro passo, Quinn passou o braço livre por baixo dos joelhos da diva, e a levantou. Levando-a no colo enquanto subia os negrais.
“Quinn, você é louca!” A morena gritava. “Me coloca no chão! Agora!” A morena dava pequenos tapas na loira que não lhe causavam dor alguma. Quinn se limitava a rir.
Depois de Rachel reclamar o pegueno trajeto inteiro até a porta de seu apartamento, Quinn a olhou e perguntou pela chave. A morena não queria dar. Mas desistiu e entregou a loira quando percebeu que não conseguiria andar. E com um bico gigante, foi colocada no sofá por Quinn.
A loira olhava a sua volta. O apartamento era do mesmo tamanho que o seu, porém não tinha tantas janelas. O local não era lá muito organizado e isso estava deixando Quinn um tanto nervosa, ela odiava bagunça.
Voltou a olhar para o sofá e percebeu que Rachel a observava, mas levou o olhar para longe quando viu que Quinn percebeu. A loira se aproximou um pouco mais para examinar o machucado. Ela não era média, mas sabia que aquilo necessitava ser lavado e rápido.
“Você já pode ir.” Rachel disse, sempre evitanto os olhos de Quinn.
“Não, não posso.” As palavras da loira fizeram a morena olhar para ela, confusa. “Precisamos cuidar do seu machucado. Onde guarda os primeiros socorros?” Rachel ia protestar, mas se deu conta que não conseguiria andar até seu quarto.
“No meu quarto.” Respondeu relutante. “Primeira porta a direita, dentro do armário.” Quinn assentiu e segundos depois voltou com uma caixa de plástico branca e com uma cruz vermelha em cima, em mãos.
Rachel prestava atenção em cada movimento da loira enquanto ela dançava em sua direção. Quinn era graciosa demais, assim, ela não simplesmente andava, mas sim, dançava.
A loira se agaichou em frente a morena, e tirou uma gaze do recepiente, já úmida, e tocou de leve no joelho que sangrava. Rachel fez careta de dor e puxou o joelho para longe de Quinn.
“Rachel, deixe o joelho aqui.” A morena negou.
“Dói.” Ela disse, mais parecendo uma criança.
“Eu sei que dói, Rach.” Rachel reagiu ao apelido. Milhões de lembranças do verão passado invadiram sua mente, porém ela decidiu expulsá-las. “Mas se não limpar, pode infeccionar.” Quinn parecia conversar com uma criança de seis anos.
A morena levou novamente o joelho a loira e permitiu que ela continuasse seu trabalho. Elas não conversavam, apenas trocavam olhares significativos. Rachel observava Quinn. Ela odiava ser tão dura com a loira, mas estava extremamente magoada e não conseguia esquecer. Ela sofreu muito. Não acreditava que sua única melhor amiga a abandonara.
Rachel sofreu muitos abandonos, incluindo sua própria mãe. Foi ignorada tantas vezes, que até perdeu a conta. Adquirir sua confiança era algo difícil. E Quinn conseguira. Em pouco tempo, Quinn teve o privilégio de conseguir a confiança da morena. Porém, em seguida, a magoou completamente.
A diva ia custar a confiar em Quinn de novo. Mesmo que ela quisesse, naquele momento, se jogar nos braços da loira e dizer que a perdoava, ela tinha que fazer juz ao seu orgulho. Ela não podia apenas esquecer, e muito menos conseguia.
Enquanto isso, Quinn passava a gaze molhada na perna da morena, tirando o sangue que tinha escorrido do machucado. A loira olhava atentamente para cada gota de água que escorria. A pele morena de Rachel, junto com a água, dava um contraste íncrivel. Mas Quinn se recriminava em pensar naquilo.
“Pronto.” Quinn disse, seguido de um suspiro. Rachel percebeu que um curativo bem feito residia em seu joelho e no outro, uma bolsa de gelo estava acomodada.
“Obrigada.” Murmurou. Quinn sorriu de leve. O silêncio se fez presente. E a loira achou a hora perfeita para finalmente conversar com Rachel. “Você pode ir agora.” Rachel murmurou mais um vez. Sempre fazendo questão de ignorar os olhos da loira. Era mais fácil assim.
“Rachel, nós temos que conversar.” Quinn disse, ignorando o comentário da morena e sentando-se ao seu lado no sofá.
“Não temos.” Rachel disse rapidamente.
“Temos sim.” Quinn disse, olhando em direção a morena, que tinha a atenção no outro canto do recinto. “Rachel, você pode, por favor, olhar nos meus olhos?” Aquela atitude da morena estava tirando a loira do sério. Mas Rachel negou com a cabeça. Quinn suspirou, mas continuou mesmo assim. “Olha, eu... eu sinto muito, Rachel. Eu não queria te ignorar. Eu recebi suas mensagens, seus e-mails, mas... eu tenho meus motivos para não dar atenção.” Rachel, dessa vez, olhou a garota incrédula.
“Você é inacreditável.” Soltou de uma vez, e se pudesse se levantar, teria feito uma saida dramática no melhor estilo Rachel Berry.
“Rachel, por favor me perdoa. Eu quero ser sua amiga. Eu gostava do que tínhamos no verão.” Quinn tinha a voz um tanto chorosa.
“Ótimo jeito de demonstrar.” Rachel murmurou em puro desdém.
“Rachel, escuta-“
“Não, Quinn. Não quero ouvir. Por favor, vá embora.” A morena novamente desviou os olhos. A loira sentiu o impacto daquelas palavras. Cada dia Rachel desistia ainda mais dela, a cada dia, se afastava. “Por favor.” Suplicou.
Quinn se levantou, soltando um suspiro e tentando conter as lágrimas que forçavam em aparecer. Ela não era do tipo emotiva e não seria Rachel Berry quem mudaria isso. Andou até a porta da morena e lançou um último olhar para essa, em busca de uma nova chance, mas não teve resposta.
Ela abandonou o apartamento, então foi até o seu. Adentrou-o e se desfez do rabo de cavalo, em seguida da camiseta, ficando apenas de shorts e top. Ela precisava pintar. Descontar sua frustração em algo.
Correu até seu ateliê, buscou os pincéis, as tintas e a tela branca. Sua mão começou a traçar linhas, que pareciam sem sentido, mas depois de um momento, passaram a formar o rosto de Rachel Berry.
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