The Ghost and The Darkness
3 The Vampire
Notas iniciais
Regina precisava verificar aquela informação. Se Victor estivesse recrutando novos híbridos, sua família estava em perigo e todo o seu reino também. Por mais excitante que fosse ser superior aos humanos, ela não podia deixar que eles descobrissem sobre o mundo sobrenatural e suas criaturas. A casa parecia ter sido invadida por um bando de animais, mas ela sabia que apenas um híbrido novo e inexperiente bastaria para fazer tanto estrago quanto aquele. Apesar de ser respeitada e até mesmo temida, ela não confiava em seus homens para fazer aquele serviço.
Apesar de nunca dormir, ela sempre sonhava acordada com Emma Swan. Muitos anos haviam se passado, então provavelmente ela já era uma mulher. Regina sentia algo sem seu coração ao pensar nisso. Ela não devia, mas era inevitável. Porém, o segredo que ela mantinha consigo sempre a trazia de volta para a realidade. A melhor coisa que fez foi lançar o feitiço de esquecimento em Emma. Seria mais fácil para a garota. Ou pelo menos era o que ela imaginava. Até que viu a loira ali, parada na sua frente. Emma Swan havia se tornado uma mulher linda e com uma presença forte. O corpo definido, os cabelos dourados cada vez mais brilhantes, a pele branca e sem nenhum sinal, exceto por uma cicatriz no braço direito que ela imaginou ser de alguma “caçada”. Então Regina olhou em seus olhos e se perdeu naquela imensidão verde.
– Você! – Emma sussurrou. Se não fosse a audição sobrenatural de Regina, não teria como escutá-la.
– Eu o que? – A morena perguntou. Seu corpo perdendo um pouco do equilíbrio. Era impossível Emma se lembrar. Ninguém nunca tinha se lembrado antes. O feitiço não falhou, ela sabia disso. Ou pelo menos achava que sabia.
– Você é a morena dos... – Emma parou de falar e recobrou a postura ameaçadora. – Você é a Evil Queen, a mais forte dos vampiros não é mesmo?
– Não me chame assim. – Regina disse em tom frio. – Melhor não me irritar, menina. Você não sabe do que sou capaz.
– Sim, eu sei. – A loira sorriu ironicamente. – Você quem não sabe do que sou capaz. – Emma girou o machado em sua mão esquerda e o segurou com a direita, assim conseguiria colocar mais força caso precisasse atacar.
– Eu e minha mania de salvar crianças. – Regina sussurrou revirando os olhos.
– Como assim crianças? Eu já sou... – A loira foi interrompida por um barulho.
Algo quebrara o vidro da sala e entrara na casa. Regina se moveu afastando-se. Sua visão aguçada permitia que ela visse as coisas em câmera lenta. Assim, ela teria um tempo de reflexo maior. Tentou procurar por Emma, mas a loira parecia ter sumido dali. Buscou seu cheiro no ar e percebeu que ela estava na cozinha. Podia escutar a respiração ofegante de Emma. A morena saiu em disparada seguindo a coisa preta pela casa. Então ela observou alguns detalhes e viu que era um híbrido.
Regina estava um pouco confusa. Geralmente, os híbridos só conseguiam se transformam em lobisomens na noite de lua cheia. Eles não eram bons em se controlar, muito menos quando eram jovens. Mas naquele caso, deveria ser um adulto e poderoso. Conseguiu encurralá-lo no quarto. Ela rosnava baixo, mas era um barulho ameaçador e arrepiante. Olhou aquela criatura parada. Os híbridos tinham uma postura mais ereta, a parte inferior do corpo era como pernas humanas, mais potentes. A parte superior, em forma de lobo. Eles eram altos e com pelos pelo corpo inteiro, a pele grossa e escura. Os olhos vermelhos. Já os lobisomens comuns eram menores e andavam em quatro patas.
– Corra e dê a seguinte mensagem para Victor: Pare de fazer híbridos, ou eu mesma irei arrancar seu coração e comê-lo. – A voz de Regina era rouca e fria.
O híbrido a olhou confuso, mas depois saiu pela janela. Ela não queria deixá-lo partir, mas tinha que confiar na repercussão daquela mensagem. Óbvio que Victor não deixaria de seguir seus planos, mas isso o deixaria mais cuidadoso. Dando tempo para Regina ir ver os pais e tentar encontrar uma solução. Rapidamente, ela desceu até a cozinha. Emma já não estava mais lá. Porém, seu casaco estava jogado no chão. Regina o pegou e sentiu aquele perfume novamente. Era o mesmo de antes. Rosas e canela. Cheiros distintos, mas que ali pareciam combinar perfeitamente.
A morena queria ir atrás de Emma, mas não podia. Pelo menos não agora. Algo em seu interior dizia que a garota a procuraria. Ela não sabia quando, nem se estaria preparada para qualquer tipo de conversa. Ela estava preocupada. Porém, Emma não lhe saía da cabeça. Isso estava errado, ela não podia pensar na garota. A profecia era bem clara. Vampiros tinham uma memória fora do comum. Podiam se lembrar de pequenos detalhes e de conversas inteiras, cada palavra, cada expressão. Para Regina, era tudo nítido.
Entrou em sua Mercedes e jogou o casaco no banco. Ela guardaria aquilo para sempre, talvez porque gostava do cheiro. Ou porque se lembrava que Emma estava de vermelho naquela noite. Parecia ser sua cor preferida. Porém, no momento ela tinha coisas mais graves com o que se preocupar. Victor tinha voltado à ativa. Rumple e Cora estavam impacientes, queriam que ela se casasse para que pudesse procriar e ter alguém para “herdar” o reino com ela, eles pretendiam se focar em uma pesquisa com feitiçaria. Além disso, Zelena estava voltando para SotryBrooke. Regina amava sua irmã de criação, mas a ruiva solta pela cidade não era uma idéia que lhe agradava.
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Emma chegou em casa perplexa. Alfred não estava, o que a deixou aliviada. Não queria responder perguntas no momento. Ela só queria tomar um banho quente e dormir para esquecer aquela tarde. Então a morena de seus sonhos era real. Mas ela tinha que ser justo a Evil Queen? A grande rainha dos vampiros? A criatura sobrenatural mais forte que andava sobre a Terra? Seu coração estava acelerado ainda. Aqueles lábios vermelhos e aquele corpo definido a fazendo suar. Emma sentia o corpo quente toda vez que pensava na morena de seus sonhos. E vê-la ali, tão perto, naquelas roupas de couro e naquela pose de superior tinha deixado sua calcinha em um estado deplorável.
Subiu até o quarto, se despiu e foi para o chuveiro. Deixou aquela água morna lavar seu corpo e sua alma. Definitivamente, ela precisava reencontrar aquela mulher. Mas como? Os vampiros se escondiam muito bem. Como eles tinham acordos com os caçadores, existiam lugares sagrados onde se reuniam. Mas isso não era suficiente. Ela precisava achar Regina Mills o quanto antes. Na verdade, Emma queria saber por que tinha aquela sensação de ter conhecido a morena antes do encontro naquela casa. Não eram os sonhos apenas, ela sentia que tinha visto Regina pessoalmente.
Depois de vestir uma camisa do Iron Maiden, um moletom cinza e chinelos, secou os cabelos de qualquer jeito e desceu as escadas. Estava comendo torradas e tomando chocolate quente quando a campainha tocou. Se fosse algum conhecido ou amigo, ela sabia que entrariam sem avisar. Então o coração de Emma acelerou e suas mãos começaram a suar frio. Ela caminhou lentamente, respirou fundo e abriu a porta.
– Senhorita Swan. – Eram eles. Os conselheiros.
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