Notas iniciais
Sobre o capítulo de hoje: vou começar a explicar como as coisas funcionam no mundo sobrenatural. Também vamos começar a entender como Emma e Regina vão construir a sua relação. Temos a aparição de uma pessoa bem interessante e importante na história. Queria agradecer aos comentários. Realmente me ajuda muito. Dá inspiração, já que eu escrevo para as pessoas e não para mim. Boa leitura!

No começo, os caçadores eram apenas grupos ou famílias que se mudavam constantemente para averiguarem casos sobrenaturais e acabarem com o perigo que havia ali. Porém, em 1574 caçadores mais velhos preocupados com o fato de muito de seus filhos não tivessem herdado o instinto de caça, decidiram montar um Conselho. Funcionava da seguinte forma: era feitas provas, caso algum caçador passasse, seria escolhido como Conselheiro. O “mandato” era vitalício, tendo em vista que humanos não vivem eternamente, quando chegavam a uma idade avançada, o Conselho faria novas provas com outros candidatos. Porém, a ganância pelo poder fazia com os caçadores se matassem. Ficou decido então, que o Conselho teria 5 representantes, para cada continente. Quando algum Conselheiro morria de assassinato ou acidente, ele seria substituído por um filho, sobrinho ou irmão.

Após escolhido os Conselheiros, cada um designava uma pessoa para representar cada país dos 5 continentes. Esses eram chamados de Grandes Chefes. Posteriormente, os Grandes Chefes deveriam escolher uma família para representar um estado daquele país ou região, fazendo com que estes se chamassem de Reis/Rainhas. O fato é que Emma Swan era órfã e Alfred não possuía filhos. Seus dois irmãos tinham morrido e seu único sobrinho, Neal ou também chamado de Baelfire, tinha se recusado a trabalhar como caçador. Fazendo assim, com que Emma se tornasse a Rainha do Maine. O que não deixava a loira feliz.

– August – A garota cumprimentou o Conselheiro responsável pela América do Norte. – Stephan. – Esse era um Grande Chefe.

– Onde está Alfred? – August perguntou já impaciente, entrando junto com o outro na casa sem ao menos pedir licença.

– Não sei, quando voltei para casa ele não encontrava mais aqui. Deve ter saído para resolver algum problema.

– Não acredito que teremos que resolver com a pirralha. – Stephan sussurrou no ouvido do outro, mas Emma pôde escutar.

– Como é? – A loira perguntou com raiva. Os dois não eram muito mais velhos do que ela, aliás, August não devia passar dos 35 anos. Ele tinha se tornado Conselheiro depois que Gepeto falecera em um acidente de avião há 2 anos antes.

– Estamos aqui porque a gravidade da situação é bem maior do que pensávamos. – August disse em uma voz suave, mas carregada de superioridade. Ignorando o que Stephan e Emma disseram.

– Nada que eu e Alfred não possamos resolver.

– Existem regras, Senhoria Swan. Você deveria saber, mas duvido um pouco que uma pessoa com seu gênio entenda. – Seu olhar era arrogante, fazendo com que Emma ficasse mais irritada do que já estava.

Como todo tipo de Conselho, havia regras a se seguir. Eles chamavam de O Código de Sangue, pois muitos caçadores tinham morrido tentando organizar o mundo sobrenatural. Muitas brigas ocorreram para se chegar a um consenso entre as famílias, o que levou a muito sangue derramado, inclusive de inocentes. Quebrar o código, era como cometer um crime hediondo, não se tratava apenas de um crime comum, mas um crime contra a honra e as memórias de todos aqueles que tinham morrido tentando “salvar” o mundo das criaturas sombrias. Emma entendia aquilo, mas achava que em sua maioria, as leis eram idiotas e o código favorecia apenas os Conselheiros e Grandes Chefes. Como ela mesma dizia “Esses conselheiros de merda e esses chefes deixam a parte suja com a gente e ficam atrás da mesa com o cú na mão morrendo de medo de sujarem os ternos engomadinhos.”

O fato era que Emma falava isso para si mesma, pois caso ela infringisse alguma regra, poderia pagar com sua própria vida. E ela sabia que a justiça dos caçadores não era falha, como a justiça dos seres humanos “normais” costumava ser. Para os Conselheiros estarem envolvidos nisso, a coisa devia ser séria mesmo. Ela com certeza precisaria de toda ajuda possível para resolver aquele caso. Mesmo odiando a maioria dos “superiores” eles se protegiam de certa forma. O código era claro: “Um irmão caçador, jamais deixa de amparar outro irmão caçador, devem-se esquecer as dívidas e as intrigas do passado em épocas de guerras”. Isso só significava uma coisa, a situação estava muito tensa. Com certeza, os Conselheiros temiam algo grande que estava vindo. E estava cada vez mais próximo.

– Nunca quebrei nada do Código.

– Você não é tão estúpida assim, queridinha. – Stephan piscou sentando-se em uma das poltronas da sala. August fez o mesmo.

– Claro, senhores. Fiquem a vontade. – Emma disse ironicamente. – Vou tomar alguma coisa, se quiserem. – Falou indo até a cozinha.

– Não. – Eles disseram em sincronia, de forma rude.

A loira apenas revirou os olhos e respirou fundo. Matar um Conselheiro ou Grande Chefe e até mesmo ofendê-los demais daria no mínimo 20 anos de prisão no caso da segunda opção ou pena de morte no caso da primeira. Vontade não era o que faltava na garota, mas ela não desperdiçaria sua vida com aqueles ricos metidos. Sua vida já estava bastante confusa, já que ela descobrira que Regina Mills era a deusa dos seus sonhos. Sim, para Emma aquela mulher era uma deusa da sensualidade e elegância. Porém, ela era a Rainha Má. O que poderia fazer Emma perder a cabeça, literalmente.

Um arrepio passou pelo seu corpo. Tomou duas doses fortes de vodka, da mais pura, diretamente vinda da Rússia. Presente de uma amiga de Moscou. Pelo menos para isso aqueles metidos serviam. Emma não podia reclamar de dinheiro. Primeiro, ela herdera uma fortuna dos pais. Segundo, o Conselho sempre sustentava caçadores responsáveis por algum lugar. Mesmo ela sendo apenas a Rainha do Maine. Na verdade, seria Princesa já que Alfred ainda estava vivo e ativo. Falar nele, a loira torcia para que o mesmo chegasse logo. Caso contrário, ela enforcaria Stephan com sua própria gravata verde.

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Regina entrou na mansão com uma expressão fria. O que não era novidade, já que ela estava sempre com a mesma expressão. Mas ali havia uma mudança, estava mais fechada do que antes e muito irritada. Os problemas martelavam em sua cabeça. Se fosse no passado, ela conseguiria resolvê-los. Mas depois do encontro de hoje com Emma Swan estava impossível se concentrar, enquanto só conseguia pensar naquele corpo definido. Ela continuava com os mesmos cabelos dourados e os mesmos lindos olhos verdes.

Suspirando, a morena subiu as escadas e foi para seu quarto. Parou bruscamente na porta quando viu a silhueta de uma mulher mais velha. Ela era um pouco mais baixa que Regina, os cabelos castanhos e soltos, a pele branca e os olhos castanhos, usava o mesmo batom vermelho, parecia ser coisa das mulheres da família. Seu olhar era frio e duro como pedra de gelo, mas era muito penetrante.

– Mãe. – Regina murmurou.

– Regina Mills. – Cora disse em um tom seco, os olhos estreitados. – Como você me esconde o fato de que Emma Swan está de volta a StoryBrooke tem dois meses?

– Está? Fui pega de surpresa então. – Regina disse ironicamente.

– Não se faça de sonsa para mim! – A voz da mais velha estava mais aguda, indicando que a mais nova estava encrencada. – Você acha que aquela pirralha irresponsável é um fato que pode ser ignorado?

– Jamais, mãe. Emma não dá para ser ignorada. – A voz de Regina continuava irônica, um sorriso malicioso nos lábios.

– Não brinque comigo. Eu não lhe pari e criei para você ficar com comportamentos inapropriados com uma caçadora inútil. – Agora Cora sorria, fazendo com que a filha engolisse em seco e ficasse acuada. – Você sabe muito bem da profecia. Uma ajudinha para cumpri-la mais rápido não seria uma má idéia. – Aquele sorriso diabólico.

– Não encoste um dedo em Emma. – De repente Regina não estava mais com medo, apesar de ver que sua mãe planejava algo.

– Oh, querida! Não encostarei-me à sua criança. – Cora gargalhava maliciosamente. – Mas outras pessoas, talvez, o farão.

– Aqui é meu território. E você sabe que mesmo laços de sangue não te dão o direito de matar qualquer um que esteja aqui. Ou se esquecei das Leis dos Vampiros? – Regina usou seu último artifício contra a mãe, que era muito mais poderosa que ela.

– Não, claro que não. – Cora ficou séria. Mesmo sendo maquiavélica e poderosa, ela sabia que nem mesmo ela ou o Rumple, seu marido, poderiam quebrar a Lei dos Vampiros, já que eles não eram os únicos poderosos daquela espécie.

– Acho bom. Se você já terminou sua visita, eu quero resolver uns assuntos da empresa, pelo menos devemos manter as aparências.

– Fique a vontade. Mas eu não vou embora. – A mais velha voltou a sorrir. – Ficarei um tempinho, meu bem. Estava com saudades da minha filha.

Regina suspirou. Se ela fosse humana, nessa hora estaria suando frio e com o coração quase saindo pela boca. A idéia de Cora em seu território não era nada boa. Ela podia se proteger atrás das Leis, mas para os vampiros, a família deve sempre ser respeitada. Nunca deveriam passar por cima do pai, da mãe ou do seu criador, como quiser chamar. A relação que se tinha com algum “parente” era a coisa mais forte para aquela espécie. É o que os tinha mantido vivos tantos milênios sob a ameaça dos caçadores. Apesar de não gostar muito de sua irmã, com certeza Regina precisaria de Zelena.

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Emma estava na sala fingindo ler um livro, enquanto August e Stephan mexiam em seus celulares. A verdade é que os três estavam tensos e irritados. Os dois com a demora de Alfred e a loira com a presença de duas pessoas que ela odiava com todo seu coração. Ela conhecia os dois de um passado não muito distante. Sempre fora tratada como criança pelo Conselho e os Grandes Chefes e já havia trabalho em um caso com aqueles dois. Eram arrogantes e sem escrúpulos, mas ótimos caçadores. Alfred chegou e parou sua cadeira de rodas bruscamente ao ver quem estava em sua sala.

– Bom, vejo que temos visitas. – Ele disse em um tom seco. Odiava pessoas daquele tipo tanto quanto a mais nova.

– Victor está de volta. – August disse em um tom frio. Sem ao menos falar nada para o homem mais velho.

Alfred engoliu em seco. Emma sentiu o sangue congelar e seu coração querer sair pela boca, suas mãos suando frio. Aquilo era pior do que o inferno. Na verdade, aquela notícia significava o inferno na Terra. Era alerta vermelho, o híbrido mais caçado em 200 anos, aquele que todos temiam. Até mesmo outras criaturas das sombras, não ousavam passar pelo caminho de Victor com medo de sentirem a sua ira. Elas preferiam morrer. Seria mais rápido e muito muito menos doloroso.

– Isso quer dizer que... – Alfred começou respirando fundo.

– Teremos que contar com Regina Mills e seus sanguessugas. – A voz de August era um sussurro, fazendo todos, inclusive Emma se arrepiarem.

Notas finais
E aí, o que acharam? Sugestões e críticas nos comentários ou mensagem privada. Beijos.