Notas iniciais
Está aí mais um capítulo. Desculpem a demora e os erros. Aproveitem!

Regina já estava impaciente. Aquele não era um lugar que ela gostasse de estar. A lanchonete da Granny tinha uma espécie de sala no subsolo. Havia uma mesa, cadeiras e alguns livros espalhados em pequenas prateleiras. Uma luz fraca pendurada acima da mesa. Mal refletia quem estava sentado, que dirá quem se encontrava ao lado da porta de madeira. As dobradiças estavam enferrujando. Pareciam que tinham voltado aos séculos passados. A morena estava nervosa. O cheiro de sangue das pessoas que estavam na lanchonete, alheias ao que acontecia embaixo de seus pés, a deixava com água na boca.

Apesar de terem um esquema de doações de sangue fachada, não era a mesma coisa do caçar uma vítima e se alimentar com o sangue quente ainda correndo em suas veias. Mas Regina já tinha uma idade avançada para sua espécie. Digamos que ela tenha nascido com um estranho “dom” de conseguir controlar sua sede. Mesmo assim, o cheiro daquele líquido vermelho tão precioso a estava deixando tonta. Andava de um lado para o outro, enquanto murmurava suas idéias para si mesma.

– Então a Rainha está nervosa? – August perguntou entrando na pequena sala. Atrás dele vinham Stephan e Alfred.

– Não me provoque. – Ela respondeu com o maxilar cerrado e parando do ouro lado da mesa.

Porém, Regina perdeu a fala quando viu Emma logo atrás dos três homens. A loira tomou a frente e a encarou. A vampira sempre fora boa em ler expressões. Mas não estava conseguindo nada no momento. Emma era como um livro fechado, e isso estava deixando a morena cada vez mais intrigada e interessada. Mas antes que qualquer uma das duas pudessem se analisar, o contato visual foi quebrado quando August pigarreou. Estavam ali para um motivo muito mais grave.

– Bom, eu não queria estar aqui, mas a questão é que... – Ele começou.

– Victor está de volta. – Regina o interrompeu. – Eu sei disso tem muito tempo. Como sempre, vocês humanos são lentos.

– Pelo menos não somos sanguessugas. – Emma murmurou em um tom hostil.

– Segure sua língua, garota insolente. – A vampira não quis demonstrar, mas se sentiu mal ao ouvir aquilo de Emma. – Se ainda quiser continuar com ela.

– Aqui é território neutro, pelo amor de deus! – Stephan esbravejou. – Vocês poderiam agir como adultos, para variar.

– Eu tive mais anos de infância do que vocês juntos, colega. – Regina sorriu ironicamente e sentou-se na mesa. – Enfim, qual sua proposta, August? Não tenho muito tempo, já que preciso rastrear um psicopata híbrido.

– Preciso de reforços para caçá-lo. – August se sentou, deixando todos os outros de pé. – Mas digamos que nossa relação nem sempre foi tão boa assim.

– E quem disse que eu preciso de vocês? Só iriam me atrasar. – Regina riu. – Obviamente se machucariam ou morreriam, gastando o meu dinheiro e meu tempo à toa.

– Devo lhe lembrar que somos caçadores? – Stephan murmurou.

– Bem lembrado, parceiro. – August sorriu vitorioso. – Ofereço uma trégua de 200 anos. Nenhum vampiro será caçado. Contanto que você nos dê suporte para lutar contra Victor e deixe-o sob o nosso julgamento.

– Eu assisto a um filme em 200 anos. Preciso muito mais que isso, sabe muito bem que a percepção de tempo para quem é imortal é diferente. – A morena falou.

– Tudo bem. Faremos o seguinte: eu dou uma trégua de tempo indeterminado, mas o mínimo será de 300 anos ok? Você sabe que nunca quebramos acordos, além disso, é você que terá que se virar com os próximos Conselheiros mesmo.

– Fechado. – Regina ficou séria. Voltou a olhar nos olhos verdes de Emma, que estava em silêncio o tempo todo da negociação.

– Além disso, você vai ter que ficar com ela o tempo todo. – August falou apontando para a loira e sorrindo. – Afinal, precisamos de alguém dos nossos perto do seu território.

– Não! – Ambas falaram ao mesmo tempo.

– Isso não é um pedido. – Stephan disse. – Não se esqueça que eu ainda mando em você, Swan.

– Merda. – Emma sussurrou. Ela não queria passar o dia inteiro ao lado da morena, pois não sabia o que sentia quando estava perto dela.

– Não me responsabilizo por ela. – Regina fingiu um tom sério. A verdade era que, no fundo, a vampira se preocupava com a garota e não queria colocá-la em perigo.

– Eu não preciso de babá. – Emma falou em um tom irritado. – Já terminamos?

– Sim. – Tanto August quanto Regina responderam.

– Encontre-me às 20h no Parque Cora Mills. – A morena disse olhando Emma. – Leve suas coisas e seus equipamentos. Entendido.

– Claro, vossa majestade. – Emma disse em um tom irônico.

Todos saíram de lá meio nervosos e pensativos. Mas principalmente as duas mulheres. Regina se preocupava, pois parecia que a profecia se cumpria sozinha. Já Emma estava totalmente confusa. Ela queria conhecer Regina, passar um tempo com ela. Mas aquilo a assustava demais para admitir. Não seriam dias fáceis. Ambas resolveram focar em Victor e no que estava por vir para não ter que encararem seus desejos.

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No horário marcado, Emma já estava se aproximando do Parque. Era no mínimo irônico que aquele lugar tivesse o nome da bruxa. Afinal, os vampiros e bruxos eram os seres mais antigos de todos, assim como os humanos. Provavelmente, a cidade teria sido fundada por aquela família e por Rumpelstiltskin. A loira estava nervosa. Em sua mochila encontravam-se suas roupas e calçados. Em uma maleta que carregava grudada no corpo, estavam alguns livros que ela usava para consulta, suas armas e seu inseparável machado.

Regina também se aproximava do local. Igualmente nervosa e até mesmo irritada. Com a presença de Emma ela ficaria totalmente distraída. A profecia não saía de sua cabeça, martelando e a lembrando como tudo poderia acabar. A morena vestia uma roupa parecida com a que usava quando salvou a garota de cabelos dourados. Regina pensava naquela noite todos os dias de sua vida. Ela sabia que sua escolha de salvar Emma teria conseqüências não muito agradáveis. Mas tinha sido uma medida desesperada.

– Podemos ir, Swan? – A morena perguntou.

– Claro. – Emma respondeu em um tom frio.

Não conversaram dentro do carro, mesmo estando sentadas lado a lado no banco traseiro enquanto um motorista as levava para a mansão. Mergulhadas em suas reflexões. Provavelmente, seriam dias difíceis para ambas. Emma tinha muitas perguntas e Regina não sabia se teria as respostas certas. Por fim, saíram do carro e se dirigiam à uma casa que parecia mais um prédio com tantas janelas.

– Você pode ficar em qualquer um dos quartos, menos o último à direita no fim do corredor.

– Vocês vampiros são realmente estranhos. – Emma sussurrou mais para ela mesma do que para a morena parada ao seu lado.

– Eu tenho uma audição aguçada, menina. Não se esqueça disso. – Regina afastou-se indo para o escritório. – Guarde seus pensamentos para si.

Emma revirou os olhos e bufou. Subiu as escadas e viu um corredor longo. Escolheu o primeiro quarto à esquerda. Era grande, com detalhes arcaicos. Provavelmente, aquela mansão deveria ter mais de 100 anos. As cortinas eram claras, feitas de renda. A cama era de casal e com colchas escuras. Uma espécie de cortinado caía sobre ela, era de renda escura. Um típico quarto de luxo dos séculos passados, mas havia um pouco de modernidade na disposição dos móveis e estava totalmente limpo e arrumado.

Emma esvaziou sua mochila, colocando seus pertences no armário. Depois seus utensílios domésticos no banheiro do quarto. Era estranho estar ali. Rodeada de vampiros, que provavelmente ela mataria se fosse em outra época. Sua cabeça doía ao pensar no que estava acontecendo. Victor era o terror que todos temiam. Não apenas humanos. Isso era realmente preocupante. A partir do momento, que tanto humanos quando criaturas temiam o mesmo ser, podia ser considerado a morte.

– Espero que tenha gostado do quarto. – Regina disse, encostada de braços cruzados no portal do quarto.

– É confortável. – Emma respondeu. Encarava a morena com uma expressão fechada.

– Você tem perguntas. – Aquilo era uma afirmação.

– Você sabe que sim. – Emma suspirou.

– Bom, acompanhe-me. – As duas desceram as escadas e foram para o escritório.

Era uma sala grande. Com um sofá no canto, encostado em uma parede. Do outro lado, fixado na outra parede havia uma prateleira com livros e documentos separados por datas. No fim da sala, embaixo da janela pequena, uma mesa com uma luminária e alguns enfeites. Duas poltronas em frente à mesa. O tapete era persa, elegante e antigo. Era como todos os vampiros que Emma conhecia, elegantes, mas antigos como o mundo.

– Sente-se. – Regina ordenou. Ela se sentou de um lado da mesa e Emma do outro. – Está preparada para ouvir tudo?

– Tudo o que? – Emma indagou confusa e muito interessada.

– Tudo sobre a profecia. — Seu tom era frio e cortante.

Notas finais
Então? Estão curiosos para essa conversa? No próximo capítulo, teremos muitas emoções! Beijos