The Ghost and The Darkness
2 The Hunter
Notas iniciais
Emma.
Emma acordou ofegante. A blusa grudada nas costas e mexas dos cabelos dourados na testa suada. Afastou os lençóis e se dirigiu ao banheiro. Tomou um banho. Enquanto deixava a água quente cair sobre os ombros, pensava em seu sonho. Pelo menos duas vezes na semana ou no mês, Emma sonhava com aquela mesma mulher. Isso não é tão incomum no mundo em que ela vivia, mas o que lhe chamava a atenção era o fato de ser assim desde que ela tinha 08 anos de idade. Pensando bem, agora ela se lembrava que isso começou aquela vez que Alfred e ela foram atacados na cabana.
A loira saiu do banheiro, vestiu calças jeans, uma camisa preta e sua jaqueta vermelha que sempre estava com ela. Os cabelos presos em um rabo de cavalo. Emma odiava usar óculos, preferia as lentes, mas naquele momento era necessário. Ela tinha que visitar uma senhora que lhe explicaria fatos sobrenaturais acontecendo na casa vizinha. Como estava se passando por uma jornalista, achou que o “look” estava adequado.
– Vai conversar com aquela senhora? – Alfred perguntou quando ela se sentou à sua frente na mesa do café da manhã. Ele lia um jornal.
– Sim, mas eu preferia era investigar a casa logo.
– Você fica muito engraçada quando acorda de mau-humor. – Ele sorriu e a olhou.
– Eu acordei super bem hoje. – Emma revirou os olhos, mas a sua voz saiu em um bem irônico que o homem mais velho conhecia bem.
– Sei, sei. – Ele se afastou com sua cadeira de rodas e pegou mais chocolate quente. – Enfim, continua tendo aqueles sonhos?
– Sim. – A loira suspirou.
– Bom, acho que você vai gostar de saber que a Granny vem aqui hoje. Ela entende bem sobre essa coisa de sonhos e tal. – Alfred disse, enquanto colocava mais chocolate quente para a menina e para ele.
– Obrigada. – Emma tomou um pouco de sua caneca. – Olha, você sabe que eu não acredito nessas bobeiras.
– Uma caçadora de criaturas noturnas, que não acredita em sonhos? – O mais velho começou a rir. – Você é realmente única, minha pequena.
– Ah qual é. – Emma não pode deixar de rir. – Mas mesmo assim, só para desencargo de consciência eu aceito a opinião dela.
– Ok. Agora vaza daqui, porque precisamos solucionar esse caso. – O tom de Alfred era sério e só poderia significar uma coisa.
– O Conselho ta vindo?
– Exatamente. – Ele a fitou com um olhar preocupado. – Daqui a 2 dias chegam.
– Que merda! – Emma se levantou correndo. – Depois te ligo, tchau.
– Tchau, Swan.
Ela sabia que quando o Conselho se concentrava em um caso, é porque as coisas eram mais graves e profundas do que pareciam. Emma odiava trabalhar com aqueles “velhos decrépitos” como ela gostava de chamá-los. Então se apressou em ir à casa da senhora, queria resolver aquele caso e esfregá-lo nas fuças de quem a chamava de “criança, pirralha”. Desde 11 anos, a loira conseguia resolver casos sozinha. Alguns eram difíceis até mesmo para caçadores mais velhos, como o próprio Alfred. Porém, Emma tinha espécies de premonições. Ela conseguia sentir o que havia de errado em um ambiente. E tinha um estranho “dom” de saber quando as pessoas estavam mentindo. Isso não se restringia apenas a humanos, ela conseguia usar esse “poder” em qualquer criatura sombria.
Como já imaginava, ir à casa daquela senhora não lhe ajudou em quase nada. A idosa parecia mais louca do que informante. Falava coisas meio desconexas, não cheirava bem, assim como a sua casa e tinha tantos gatos quanto Emma pudesse contar. A loira saiu de lá bufando e batendo a porta do seu fusca, que chamava carinhosamente de Lataria. Resolveu passar na lanchonete da melhor amiga, Ruby. Que coincidentemente era neta da senhora Granny, dona da lanchonete e “conselheira” nas horas vagas. Para sua sorte, ela não participava do Conselho, mas sabia tudo sobre o mundo sobrenatural.
– Oi, Ruby. – Emma disse se sentando em um banquinho perto do balcão.
– Oi, loirinha. Como vai? – A morena perguntou.
– Irritada, mas não vem ao caso.
– Aquele mesmo sonho? – Além de Alfred, a amiga era a única que sabia.
– Sim. – Emma suspirou. – Mas só vim tomar um café, preciso voltar para casa e ver uns livros antigos.
– O novo caso é complicado?
– Acho que sim. – A loira tomou um pouco do café. – O Conselho está vindo, e isso nunca é bom né. Você sabe.
– Como sei. – Ruby brincou. – Enfim, vou continuar o serviço. Passa aí mais tarde, acho que posso te ajudar.
– Obrigada, ruivinha. – Emma agradeceu fazendo piada com as mexas vermelhas que a amiga fazia nos cabelos castanhos.
A caçadora terminou seu café e resolveu ir até a casa misteriosa. Já tinha três dias que houve um assassinato por lá. Um caso comum, se não fosse o fato da vítima ter marcas de garras pelo corpo, além de veneno e o coração roubado. Emma pegou o machado que sempre carregava desde incidente na cabana. A porta da casa estava destrancada. Passou por baixo da faixa amarela que a polícia tinha posto ali. Ela precisava ser rápida, logo alguma viatura faria a ronda e veria que alguém estava na casa.
A sala estava destruída. Móveis no chão, e vários papéis espalhados. O sofá estava arranhando, assim como as paredes. As marcas batiam com as garras que teriam matado a vítima. Era uma mulher baixa, devia ter entre 40-45 anos, cabelos ruivos. Emma não chegou a vê-la, mas conseguiu as fotos com o médico-legista. Dr. Whale era amigo de Alfred e sabia sobre o mundo sobrenatural. Sempre ajudava nos casos.
Sua mente trabalha a mil. Emma nunca sentia medo, mas sempre que entrava em algum lugar conhecia farejar perigo. Ali não era diferente. Quando entrou na cozinha, viu que estava tudo muito limpo e organizado. Supôs que o assassino ou a assassina não era passado por ali, uma vez que se tratava de um lobisomem. Geralmente, os lobisomens são mais cuidadosos e andam em bando. Mas quando se é recém-transformado, perde-se a noção de tempo, humanidade e bom senso. Emma sabia que se tratava de um lobisomem. Estranhamente, ela tinha um olfato muito bom para cheiros sobrenaturais. Conseguia distinguir qual criatura cometera o crime, apenas farejando o local.
Como não havia nada ali, resolveu olhar os quartos. Eram dois. Ambos estavam arrumados, mas em um deles havia um líquido branco no chão. Era malcheiroso e não era característico de lobisomem. “Que merda é essa?” Emma pensou enquanto se agachava e tentava distinguir o cheiro daquilo. Era de um metamorfo, mas ela não sabia qual. Então sentiu algo passando no corredor. Virou-se, mas não viu nada. Levantou-se sem fazer nenhum barulho, seguiu sua intuição até a sala e parou repentinamente.
Havia uma mulher fitando a poça de sangue seco no chão. Ela era um pouco mais baixa que Emma, mas era linda. O corpo definido, a pele um pouco morena, os cabelos curtos, lisos e negros, um pouco abaixo do queixo. Usava botas e uma calça de couro. Um terninho preto por cima de uma blusa branca. Emma sentiu seu corpo tremer. Quando a mulher a olhou, foi como levar um soco no estômago. Os lábios com batom vermelho, a cicatriz sobre o lábio superior, e aqueles olhos castanhos.
– O que faz aqui? – A morena perguntou em uma voz rouca. Um tom autoritário e firme.
Emma sentiu a boca seca. As pernas estavam bambas, mas ela conseguiu disfarçar e se manter em pé. Era ela. A mulher que invadia seus sonhos desde criança. Aquele cheiro de maçã. Tão familiar, tão gostoso. Emma sabia que ela era uma vampira, mas então por que não sentia vontade de matá-la? Talvez porque ela a tenha procurado a vida inteira.
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