The Ghost and The Darkness
10 The Fight
Notas iniciais
Emma respirava com dificuldade, em partes porque seu corpo ainda não estava preparado para o poder que fluía em suas veias, mas também porque o ódio que acumulara em si não tinha se apagado com suas mortes passadas. Graham e ela tinham uma longa história e por mais que ele fosse “irmão” de Regina, isso não impedia que se odiassem e tentassem se matar por algumas vezes. Quando ele se tornou, de certa forma, o inimigo a loira o enfrentou algumas vezes. Mas sempre estava debilitada de algum jeito e isso lhe deixava fraca ao ponto de não conseguir derrotá-lo. Graham agora caçava a irmã e isso apenas aumentava a raiva de Emma. Encará-lo ali agora, novamente tentando atingir sua amada a deixava com o gosto de sangue na boca. Justiça era uma das características do Anjo, mas caso não se policiasse podia se tornar em um ser em busca de vingança. A questão é que, neste momento, seu lado sombrio falava mais alto.
– Regina, eu preciso que saia daqui. – Emma ordenou com a voz mais rouca que o normal.
– Não, você precisa de alguém que te controle. – respondeu se levantando e se colocando ao lado de sua amada.
Regina sabia que a loira estava suscetível à vingança. Lembrava-se da história entre ela e Graham e isso a deixava triste. Emma estava ali ao seu lado e mal conseguia reconhecer a mulher que amava. Seus olhos brilhavam intensamente, era como se tudo pudesse ficar escuro e apenas eles iluminassem a noite. Em sua pele branca, se conseguia distinguir alguns contornos pretos. Eram da mesma língua da tatuagem em suas costas. As presas estavam maiores. Isso indicava que o Anjo estava se rebelando de uma forma perigosa, e Regina precisava impedir aquilo. A vampira sabia que aconteceria uma tragédia.
– Preciso que vigie Ruby, Alfred e os outros. – voltou a ordenar e desta vez estava ficando irritada. Precisava que a morena saísse dali antes que perdesse sua consciência. Não queria machucar a pessoa que mais amava no mundo.
– Emma. – sussurrou permitindo que uma lágrima solitária escapasse.
– Eu voltarei. – falou olhando a morena pela primeira vez desde que chegara. Um sorriso brincando nos lábios. Parecia macabro, mas no fundo a vampira sabia que era sincero. – Eu sempre volto. – completou acenando com a cabeça para o outro lado da cidade.
– Eu sei. – respondeu a morena permitindo um meio sorriso e se posicionando para ir embora dali.
Olharam-se mais uma vez, até que Regina saiu correndo a toda velocidade. Com sua audição aguçada, podia ouvir os sons de batalha que se espalhavam pela cidade. Seus vampiros estavam lutando, alguns caçadores também. Precisava encontrar Ruby e Granny, elas poderiam ser de grande ajuda. Além de saberem tudo sobre as criaturas, também entendiam de táticas de guerra. Embora aquela não fosse a batalha principal, deviam se preocupar com perdas e com o objetivo de Victor com aquele ataque. A vampira ainda não entendia muito bem o plano daquele homem, mas as várias vidas que tiveram se enfrentando a deixavam mais prevenida quanto ao próximo passo.
Emma mantinha sua concentração em grau máximo. Deveria matar Graham ali, pois sabia que ele na desistiria facilmente. Porém, seus poderes ainda eram confusos. Não estavam totalmente restaurados e seu corpo ainda não os suportava de forma que pudesse controlá-los de forma segura. Graham fora o primeiro a investir, mas logo Emma respondeu se defendendo e o acertando com a mão no meio do peito. Quando estavam em sua forma real, os híbridos perdiam sua consciência parcialmente. O que os deixavam mais fortes, toda vida menos inteligentes. Continuaram lutando por alguns minutos, mas Emma parecia estar um pouco mais lenta. Seus músculos pareciam pesados. Ela deveria acabar com aquela batalha o mais rápido possível, ou poderia correr grandes riscos.
Matar Graham era algo que Emma desejava, e ali agora ela sentia isso bem mais forte. No entanto, a proximidade dele com Regina a deixava confusa. Mas aquilo deveria acabar ali, ou poderiam ter muitos problemas futuros. Graham conhecia tudo sobre a família Mills e sobre o Anjo. Com um último ataque, conseguiu enfiar sua mão no peito do híbrido e arrancar seu coração. Ele estava quase todo negro, salvo apenas por uma pequena mancha vermelha. O que era incomum, afinal Graham se perdera para as trevas décadas atrás. O corpo magro de Graham caiu sobre o chão, mas em um instinto Emma o pegou. Um grito rouco saiu de sua garganta e seus olhos pareciam brilhar mais.
– Obrigado. – Sussurrou o híbrido para a loira. Ele agora se encontrava em sua forma humana.
– Não era você. – Murmurou Emma com um olhar assustado. – Esse tempo todo você estava sendo comandado por Victor.
– Sim. Uma maldição. Por isso ele não precisou tirar meu coração, eu estava apenas agindo sem pensar. Embora soubesse de tudo que fazia. – Seus olhos estavam marejados e a voz embargada pela tristeza e arrependimento. – Eu não conseguia me controlar, Emma. Era como se estivesse preso em meu próprio corpo.
– Não acredito que ele te usou como arma. – Rosnou a loira com raiva. – Victor sabia que Regina recuaria se tivesse que te enfrentar. Isso é tão errado.
– Preciso que me perdoe. – Graham falou sentindo o corpo enfraquecer e tossindo sangue.
– Você não teve culpa. Precisamos cuidar dos seus ferimentos.
– Não temos tempo! – Disse o híbrido tentando respirar. – Victor deve ter programado para que eu morresse assim que saísse da maldição. Preciso te contar uma coisa, e depois peço que me mate. Será menos doloroso se for pelas suas mãos.
– Temos que tentar Graham. – Emma estava desesperada, pois sabia que Regina tentaria salvar o “irmão” a qualquer custo. – Droga.
– É impossível. – A voz do híbrido já estava fraca, quase inaudível. – Eu escutei Victor se encontrando com seus homens de confiança por várias vezes, para que pudessem planejar cada passo. Só que ele sempre contava seus segredos apenas para alguém, nunca consegui ver quem era. Isso não importa agora. O que você realmente precisa saber é que tem um jeito de Regina, você e sua filha sobreviverem. A profecia que todos conhecem está incompleta.
– Como assim? – Emma queria saber sobre o que Graham falava. Estava confusa, mas se havia uma chance de mudar seu futuro, a loira se agarraria a ela.
– Eu não sei como, mas há alguém que sabe. – Graham já não agüentava muito, pois seu corpo parecia enfraquecer cada vez mais. – Só ele conseguirá lhe explicar. Victor já está agindo, espero que consigam ser mais rápidas. – Tossiu novamente e desta vez a quantidade de sangue que saía de sua boca era maior. – Diga à Regina, que ela sempre será minha irmãzinha. Mesmo que sempre briguemos. – Sorriu em meio às lagrimas. Um raio cortou o céu e algumas gotas frias de chuva começaram a cair.
– Claro que eu direi. – A loira sorriu ao se lembrar de que Graham era mais que Regina, por isso a chama de irmãzinha. – Quem poderá nos ajudar Graham?
– Rumple. – Murmurou antes de sentir mais uma vez aquela sensação de dor. Estava morrendo e seria pior se fosse pelas mãos de Victor. – Faça. Agora!
– Sabe de uma coisa? Eu nunca te odiei completamente. – Emma disse com uma gargalhada baixa e apertando o coração do híbrido. Fazia isso o mais rápido possível para que ele não sentisse muita dor.
– Você tem suas qualidades, Anjo. – Brincou Graham antes de finalmente fechar os olhos para morrer em paz.
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Regina estava em uma rua deserta, mas reconhecia o cheiro que se encontrava ali. Eram lobisomens. Havia dois escondidos nos prédios ao lado. A história e rivalidade entre vampiros e lobisomens eram antigas. Várias criaturas morreram dos dois lados, embora as batalhas entre elas não ocorressem há quase 70 anos. A morena ainda sentia raiva por aquela espécie. Já estivera em lutas contra muitos deles. Mas havia algo que seu olfato não conseguia distinguir. Não era um híbrido, assim como não era totalmente humano ou animal. Se fosse um lobisomem em sua forma humana, provavelmente teria um cheiro diferente. Um rosnado de frustração saiu por sua garganta.
– Regina. – A voz de Emma invadiu seus ouvidos, a fazendo olhar para cima e ver sua amada pousando e recolhendo suas asas.
– Onde está Graham? – Perguntou mesmo sabendo a resposta.
– Ele disse que você sempre será sua irmãzinha. – Respondeu com um sorriso fraco e se aproximando da vampira. – Estamos sendo vigiadas, não é?
– Sim. – Sussurrou se posicionando ao lado da loira. Não poderia lamentar a perda de Graham por agora. Deveria estar preparada para lutar. – Há esse cheiro que não consigo distinguir muito bem.
– É de alguém que está passando pela transição, Gina. – Disse Emma com um olhar preocupado e observando em volta. – Um humano foi mordido, mas não o suficiente para matar.
– Eles querem apenas transformar. – Completou a vampira engolindo em seco. – Mas por que fazer isso em meio à uma batalha?
– Porque provavelmente não daríamos atenção. – Respondeu a loira se aproximando ainda mais de Regina. – Diga-me que você encontrou Ruby, Granny ou Alfred.
– Não. – Falou Regina mordendo os lábios. – Tive que enfrentar muitos híbridos até localizar o cheiro deles, mas então perdi Ruby.
– O que? – Gritou Emma já sentindo uma raiva crescer dentro de si. Balançou a cabeça negativamente e tentou manter a respiração serena. – Victor não tinha apenas um objetivo com esse ataque, mas sim dois.
– Não entendi.
– Pense um pouco, Regina. – Disse com a voz trêmula. – O que acontece quando um conselheiro dos caçadores, como Ruby e Granny são transformadas em uma criatura?
– Elas são sacrificadas. – Sussurrou olhando tristemente para a loira. – Emma, nós não vamos deixar isso acontecer. Com a guerra se aproximando, poderemos reverter isso.
– Ruby jamais viveria com esse fardo. – Respondeu a outra com os olhos marejados.
– Não temos certeza se é ela. Nem mesmo você pode dizer isso. Afinal, seus poderes ainda não estão totalmente desenvolvidos. – Regina tentava acalmá-la.
– Eu consigo sentir, Gina. – Disse Emma se virando e caminhando até um prédio ao final da rua. Parecia estar abandonado. – Está por aqui.
Ambas começaram a subir as escadas verificando cada andar. Regina já não sentia mais o cheiro dos outros dois lobisomens e nem Emma suas presenças. Quando estavam no terraço conseguiram ver alguém jogado no chão. O cheiro estranho estava mais forte, e ambas já sabiam quem estava ali. Emma se aproximou hesitante, pois estava reconhecendo aquele perfume embora o odor lupino* se misturasse. Abaixou-se ao lado de Ruby. A morena de mechas vermelhas se contorcia no chão. Havia uma mordida extensa em seu pescoço, e seu corpo estava banhando de sangue. Seus olhos estavam abertos, mas mesclavam entre a cor natural e um amarelo opaco. Seus dentes começavam a crescer, mas para a transformação estar completa, levaria dias. Até lá, as chances de Ruby sobreviver eram as mais remotas. Emma e Regina sabiam disso.
– Graham disse que há um jeito de termos nossa filha e eu sobreviver. – Sussurrou a loira ao pegar o corpo da melhor amiga e se levantar para irem a um lugar mais seguro. – Segundo ele, a profecia está incompleta.
– Como faremos isso? – Perguntou Regina sentindo o calor da esperança em seu peito.
– Devemos procurar um homem que sabe tudo sobre isso. – Respondeu Emma olhando de forma assustadora para a morena. – Mas antes, eu vou fazer algo.
– O que? – Sussurrou a vampira sabendo a resposta e a temendo.
– Eu vou matar Victor. – Murmurou a loira. Sua voz saindo em um rosnado. – Nem que seja a última coisa que eu faça.
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