The Ghost and The Darkness
7 The Brother
Notas iniciais
Sobe e desce, sobe e desce. O peitoral do rapaz se movimentava de forma rápida e sua respiração era ofegante. Os olhos fechados, o medo percorria em suas veias e seu sangue se esvaia. Era uma sensação tão prazerosa que ele não se dava conta de que poderia morrer naquele minuto. Quente. Muito quente e doce. O corpo de Regina se aquecia cada vez mais com cada gota de sangue que ela sugava daquela pobre alma. Mas ela precisava parar naquele momento, pois ele poderia desmaiar. Para sua sorte, aquilo não era um problema. Para ela a adrenalina da caça/conquista de sua presa era o suficiente. Sangue ela tinha em abundância em sua empresa. Soltou o corpo do rapaz. Ele era bonito. Alto, magro, os cabelos claros e lisos, os olhos verdes. Isso que chamara a atenção da vampira. Aqueles verdes esmeraldas que a lembrava de alguém que ela amava. Alguém que ela queria esquecer naquele momento, mas que estava próxima demais para que isso fosse possível. Emma.
Desde o beijo, elas não se falaram mais. Emma passava o dia inteiro lendo, ou indo visitar Alfred, Ruby. Já ela saía todas as noites para caçar, enquanto a loira dormia. Regina sempre seguia a garota, mas depois a evitava. Era melhor assim. Aquilo estava se tornando perigoso demais e ela precisava proteger Emma. Voltou para casa quase amanhecendo. O rapaz ficaria bem depois de uns dias dormindo direito e se alimentando. Sangue era coisa fácil de repor se ela não sugasse demais. Porém, desde daquela noite Regina só chegava a se alimentar de algum humano que tivesse os cabelos dourados e olhos verdes de Emma. A verdade é que ninguém tinha a beleza de sua amada, mas era uma forma de estar perto dela. Uma forma estranha e até mesmo doentia, mas era o jeito dela de fazer as coisas. Enquanto subia as escadas escutou um barulho vindo do quarto da garota. Ficou indecisa se entrava ou não, afinal ela poderia estar correndo perigo. Abriu a porta silenciosamente, Emma estava se contorcendo na cama e gritando. Agarrava os lençóis com força e seu rosto expressava dor, amargura e angústia.
– Regina! – Gritou. – Não, não, não... – O corpo se contraiu. – Não morre! Regina! Não me deixa sozinha! Eu preciso de você, eu gosto de você. Reginaaa! – Outro grito.
– Emma, acorda. – A morena atravessou o quarto e chamou passando a mão em seu rosto.
Imediatamente Emma parou de chorar e se acalmou. Continuava murmurando o nome da vampira, mas de uma forma doce. Regina sentou-se ao seu lado. A loira se aconchegou em seu colo, segurando sua blusa azul. Regina apenas a acolheu em seus braços. Era muito difícil para a morena manter distância. Mesmo que ela quisesse, o instinto de acolher Emma beijá-la, acariciá-la e amá-la como fez tantas outras vezes, era bem maior do que sua racionalidade. Mesmo que ela lutasse todos os dias, era uma batalha perdida.
–---------------------------------------------------
Emma acordou sentindo um calor aconchegante perto de si. Percebeu que alguém acariciava seus cabelos e isso a deixou calma. Era uma sensação boa, e muito bem-vinda depois do pesadelo que tivera. Desde o beijo, era assim que sua vida se resumia. Passear na praia, visitar Ruby e Alfred, além de se trancar no quarto todas as noites. Ela sempre observava Regina saindo para caçar. Seu peito doía quando a via. Era melhor se manter afastada. Porém, todas as noites ela sonhava com Regina morrendo. Eram sonhos pesados e ao mesmo tempo tão reais. Regina caindo de um precipício, sangrando em seus braços, tendo seu coração arrancado no lugar da loira. Ela acordava gritando, e na maioria das vezes não conseguia sair de seu sonho. Mas nesta noite fora diferente. Do nada, seu sonho se dissipou e ela se sentiu acolhida, aquecida e calma.
Abriu os olhos e encontrou aquelas íris castanhas que a deixavam em transe. Observou a cicatriz no lábio superior. Ali estava a dona de seus pensamentos, sonhos e a sua perdição. Ficaram se encarando por minutos, mas parecia uma eternidade. Nenhuma das duas queria sair dali, embora Emma sentisse que Regina fugiria. Mas ela estava enganada. A morena não conseguiria se manter longe, pelo menos não naquela momento. Em poucos segundos, os lábios de uma encontraram o da outra. Foi um beijo lento. Meio tímido no começo, mas ganhando intensidade depois. Emma passava os braços pela morena, trazendo seu corpo para mais perto. Regina agarrava no moletom da outra, uma das mãos perdida naqueles cabelos dourados. Já estavam totalmente deitadas e as mãos explorando o corpo uma da outra, quando o celular de Emma tocou.
– Droga! – Exclamou enquanto se levantou o procurou o aparelho na calça jeans. Regina rosnou em desaprovação, mas continuou deitada observando a loira. O corpo ardendo em desejo, assim como o corpo de Emma.
– Emma, temos um problema. – A voz de Alfred tinha um tom urgente.
– O que aconteceu? – A loira perguntou se sentando ao lado da vampira e segurando sua mão por reflexo.
– Temos um ataque próximo à casa de Ruby.
– Ela está bem?
– Sim, o alvo não era ela. Era Granny. – A loira arregalou os olhos. – Por favor, venha logo. E traga Regina.
– Ok. – Emma desligou o celular e se virou para a morena. Regina estava calada e com uma expressão vazia no olhar.
– Victor quer informações. – Sussurrou.
– Mas o que Granny tem a ver com isso? Ele poderia ter ido atrás de Alfred. – A loira estava confusa.
– Você não sabe não é? – Regina a fitou com os olhos cerrados.
– Não. O que eu não sei? – Emma começava a se irritar. Quantos segredos ela ainda deveria descobrir? Aquilo era estressante.
– Granny sabe sobre seus pais. – A morena se levantou. – Acho melhor nos arrumarmos e irmos logo.
– Regina! Não ouse sair daqui sem me contar essa história.
– Acho melhor você perguntar para a senhora Lucas. – A morena respondeu sem olhar para a loira e saiu do quarto.
Emma estava irritada. Ela já não se importava mais com a história de seus pais, mas o passado insistia em atormentá-la. Além disso, ela não conseguia parar de repetir o segundo beijo em sua cabeça. O que teria acontecido se o telefone não tocasse? Ela sabia, mas era difícil imaginar isso com Regina. Não pelo fato da morena parecer ser intocável, mas por ela ser uma vampira. A Rainha dos vampiros, na verdade. Uma espécie que tinha uma história tão antiga com os humanos, quando o mundo. Mas por que então parecia tudo estar completo quando elas estavam juntas? Por que parecia ser o certo a se fazer? Aquela sensação de aconchego sempre invadindo seu peito. Balançou a cabeça e saiu do quarto.
Regina já estava pronta no pé da escada. Usava uma calça preta de couro, botas de cano alto e uma blusa roxa de botões. Um sobretudo preto por cima, e óculos de sol para fechar o figurino.” Linda como uma deusa” pensou Emma. A loira estava mais simples, porém igualmente bonita. Emma ainda se perguntava onde estava sua jaqueta vermelha, por isso usava uma azul por cima da camisa branca. Calça jeans e botas marrons. Tinha trocado os óculos por lentes e o cabelo estava em um rabo de cavalo bagunçado. “Uma visão do paraíso” pensou Regina. Foram no carro da vampira, mesmo com Emma emburrada porque a morena não a deixou dirigir.
– Você poderia ir correndo sabia? – Emma resmungou. – Assim eu ia dirigindo.
– Ah claro. Não é nem um pouco suspeito uma mulher correndo à 70 km/h em uma manhã de domingo, Swan. – Regina respondeu com sarcasmo. – Ou você prefere que eu corra um pouco mais rápido.
– Delicada como coice de mula.
– Recebemos aquilo que damos, querida. – A morena respondeu rindo.
O som da gargalhada de Regina era como música para a loira. Mas ela preferiu omitir o fato e olhar a paisagem pela janela. Chegaram alguns minutos depois. Granny, Ruby, Alfred e August estavam na casa que fora atacada. Com certeza, tinha sido mais que um híbrido. Havia um buraco enorme em uma das paredes, marcas de unhas em alguns móveis e documentos espalhados por toda a sala. A mais velha dos Lucas era uma conhecedora de todas as histórias sobre ocultismo, lendas e mitos. A verdade é que ela sabia tudo isso porque estudara e também porque servia como uma espécie de “biblioteca ambulante” para todos os caçadores que a procuravam. Isso era função da família Lucas desde a criação do Conselho. Não era apenas por questão de dinheiro, mas sim tradição. Ruby ia ao mesmo caminho da avó, mas era extremamente nervosa. Então comprou um apartamento no centro da cidade, mas continuava trabalhando na lanchonete e às vezes ajudava Emma.
– O que aconteceu aqui? – Emma perguntou.
– Victor mandou um de seus cachorros de estimação. – Ruby respondeu nervosa. Regina abafou uma gargalhada. Ela apreciava a piada, pois a história entre vampiros e lobisomens era complica e antiga como o Sol.
– Você chegou a identificá-los? – A morena perguntou se dirigindo à Granny.
– Bom, é meio difícil ver algo quando se está sendo encurralada por assassinos. – Respondeu com certa ironia. – Mas um deles tinha uma tatuagem.
– Consegue se lembrar como era o desenho e onde era? – Regina ignorou a ironia.
– No abdômen. – Granny respondeu com uma expressão pensativa. – Era uma coruja pequena e uma espada ao fundo.
– O que? – De repente a vampira ficou surpresa e sua voz saiu em um sussurro.
– Por que essa cara? O que isso quer dizer? – Emma perguntou confusa, ela conhecia Regina o suficiente para saber que aquilo não era bom sinal.
– Não vai me dizer que ele voltou? Porra Regina! – Alfred esbravejou.
– Sério? – August perguntou nervoso e assustado.
– Calem a boca e me deixem pensar! – A morena exclamando se virando de costas e aproximando da janela. Passava a mão pelos cabelos em um sinal de nervosismo.
– Alguém me explica! – Emma gritou irritada.
– Digamos que eu não sou a única perigosa dos Mills, queridinha. – Regina riu sem humor algum. – Eu posso ser filha legítima de Cora, mas ela teve suas criações bizarras. Graham é um deles. Meu querido “irmãozinho”. – Fez sinal de aspas. Sua voz em um tom de desprezo.
– E por que estão todos com essa cara de medo? – Ruby quem perguntou.
– Porque ele quer matar a cidade inteira. Mas isso não importante. O perigo está em apenas um alvo que ele adoraria atingir. – August quem respondeu.
– E qual seria esse alvo? – Emma perguntou com medo da resposta, como se já imaginasse o que veria a seguir. Talvez seus sonhos não eram tão surreais assim.
– Eu. – Regina disse observando a janela e fechando os olhos.
–---------------------------------------------------------------------------------------
– Vamos, querida Regina. – Uma voz grossa e tenebrosa disse. – Escolha o que vai ser: sua amada e sua queria filha. Ou a criação de sua mamãe. Seu pequeno irmão.
– Não! Por favor, não! – Regina suplicava. As mãos estavam amarradas. Do outro lado da clareira, um homem alto e forte, os cabelos loiros eram quase brancos, lisos e iam até o meio das costas. Balançavam com o vento. A roupa preta em contraste com a pele branca e os olhos azuis brilhantes. Um sorriso irônico nos lábios rosados. Ele tinha uma cicatriz em uma das bochechas. Seria lindo, se não fosse tão assustador.
– Ah sim! Escolha! – Victor gritou e depois riu.
– Solte Emma, por favor. Ela e Olivia não têm nada a ver com isso. – Regina murmurou. Olhou nos olhos do irmão ao lado de Victor. Graham era alto e magro, os cabelos castanhos e os olhos da mesma cor, a barba por fazer. Se ele não fosse apenas um garoto transformado em vampiro, poderia se dizer que era mesmo filho de Cora.
– Então já fez sua escolha? – Victor gargalhava.
– Não! Não! – Regina gritou.
Mas já era tarde demais. O corpo de Graham caía e caía. O precipício parecia não ter fim, mas tinha. Apenas o barulho de seu corpo chocando contra a terra. As gargalhadas de Victor preenchendo a clareira. Depois silêncio. Apenas Regina e suas lágrimas de dor.
Fale com o autor