The Ghost and The Darkness
9 The Angel
Notas iniciais
Ela corria ignorando a dor que sentia em suas pernas. Precisava sair dali, chegar até onde seu amor estava e salvá-la. Mas o que a impedia de canalizar seus poderes e se manter forte até encontrar aquele monstro e matá-lo? Emma corria com todas as suas forças e mesmo assim, elas pareciam não serem necessárias para chegar onde queria. Um rosnado se formou em sua garganta, mas a aflição que sentia a deixava totalmente amedrontada. Não podia perder seu amor, não mais. Depois de tantas vidas em que morrera sem Regina em seus braços. Queria senti-la mais uma vez, beijá-la mais uma vez e queria ver aqueles olhos castanhos que tanto a deixava derretida de amores. Mas ela sentia alguém lhe seguindo, minutos mais tarde Emma sentia... Era dolorido, não, era muito mais do que dolorido. Era a morte.
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O quarto estava escuro. Emma acordou gritando o nome de sua amada, mas logo percebeu que era apenas mais um pesadelo. Enxurradas de memórias corriam por sua mente. Todas as vezes em que vivera sua história com Regina e as poucas em que sua filha nascia. Era uma criança linda. Um olho castanho e outro verde, assim como o seu e de sua mulher. Os cabelos lisos e loiros, a pele branca e uma cicatriz no lábio superior. Sempre uma menina, sempre uma mistura perfeita de ambas. Olhou em volta ajustando a visão. Agora que seus poderes estavam voltando, não necessitava de tanta luz como antes. Mas não encontrou ninguém.
Tateou procurando algo ou alguém, a verdade é que ainda estava se acostumando com a ideia de ter suas lembranças de volta. Toda vez que descobria quem era, isso acontecia. Era irritante e agora Emma estava odiando, pois sua dor de cabeça só aumentava. Sentia como se um martelo estivesse em intensa atividade em seu cérebro. Mesmo com tanta agonia, não deixou de sorrir com a noite anterior. Onde estava Regina? Sentiu sua mão encostar em algo e demorou alguns segundos para perceber que era uma tulipa vermelha. Seu sorriso apenas aumentou. Aquela flor sempre fora o símbolo do amor de ambas. Passou a mão pelas costas em um movimento automático. Não podia ver ou sentir, mas sabia que a tatuagem estava lá.
Levantou-se e vestiu uma calça jeans e uma camisa de alguma banda que provavelmente gostava. Ela ainda não sabia se Alfred tinha consciência de quem ela era, mas no momento só queria achar Regina. Mesmo sabendo que a vampira tinha mentido, não havia motivos para ter raiva. Emma se lembrava da última vez em que crescera sabendo da profecia. Elas nem chegaram a ficarem juntas e sua morte fora dolorosa. Mas para si, o pior fora ver Regina sofrendo e sendo torturada com seus próprios olhos. Balançou a cabeça afastando a lembrança, seu coração já doía só com a longínqua memória. Entrou no quarto da morena e escutou o barulho de água. Provavelmente ela estava no banho. Sorriu maliciosamente e se preparava para entrar quando viu sua jaqueta vermelha em um das poltronas. Aproximou-se e pegou a vestimenta em suas mãos enquanto se lembrava de ter esquecido no local do crime que estava investigando. Os olhos marejados por se lembrar da mania de sua amada de guardar objetos que tinham algum significado ou lembravam alguém.
– Eu pretendia lhe devolver. — Uma voz rouca a tirou de seus pensamentos e seu olhar se dirigiu até à morena que estava encostada na porta do banheiro e a observava. Molhou os lábios com aquela visão. Regina estava com a pele úmida e os cabelos molhados caindo desgrenhados pelo rosto e pescoço.
– Eu me lembro. — Confessou em um sussurro embargado pela emoção. Os olhos castanhos se abriram ainda mais com a declaração, a vampira estava estática. Emma se aproximou e a tomou em seus braços, aspirando aquele perfume de maçãs que sempre adorou. — Eu sei o que isso significa, mas eu agora eu posso dizer com todas as letras: eu te amo. — Murmurou no ouvido da morena deixando-a arrepiada.
– Você corre perigo. — Foi tudo que Regina conseguiu dizer agarrada à blusa da caçadora. — Eu senti tanto a sua falta. — Completou com um fio de voz. Precisava proteger Emma a qualquer custo. mas não podia negar que estava aliviada, pois não queria viver em uma mentira.
– Eu também, minha amada.
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Emma e Regina estavam no terraço de um dos prédios nas redondezas da mansão onde a vampira morava. A luz da lua batia de forma desigual na pele de ambas. A loira estava mais pálida, nem por isso menos bela. Já a pele avermelhada de Regina parecia mais macia, sensual. Esperavam o chamado de August. O Conselheiro ligara mais cedo, dizendo que Victor provavelmente tentaria um ataque de acordo com suas fontes. O plano seria seguir com a rotina dos caçadores e vampiros, mas as duas ficariam alertas à qualquer sinal suspeito. Todos os homens estavam preparados para dar suporte.
A vampira estava insegura e sentia certo receio. Não sabia até onde poderia defender a loira, mas era simplesmente impossível manter Emma afastada de qualquer missão. Obviamente, precisavam que o poder do Anjo estivesse em seu auge, pois essa seria a unica chance de derrotar Victor. O que só assustava mais Regina, já que a profecia estava perto de se cumprir. No entanto, a morena estava mais concentrada na demora da chegada de Zelena. Segundo sua irmã, ela já deveria estar na cidade.
– O que te aflige? — Emma perguntou passando a ponta dos dedos pela ruga de preocupação formada na testa da outra. Conhecia a vampira o suficiente para saber que ela estava pensando em algo nada agradável.
– Zelena ainda não chegou. — Murmurou entredentes. A ideia de sua irmã ter sido interceptada em seu caminho a estava deixando irritada. Precisava de sua ajuda para conter Cora, que provavelmente estava planejando algo. O problema é que mesmo sabendo que a mãe estava na cidade, não sabia ao certo sua localização. A mais velha sumira no dia seguinte à sua visita.
– A ruivinha está vindo? — Emma sorriu torto. Conhecia Zelena da última vez em que esteve viva. Tinham desenvolvido uma amizade, principalmente após lutarem juntas contra Victor. A loira servia como mediadora entre a vampira e sua "irmã", pois essas brigavam agressivamente. — Desculpe. — Murmurou ao ver o olhar repreendedor da morena. Regina não se sentia muito bem com a amizade de ambas, mas sabia que não tinha motivos para ciúmes.
– Sim. Eu preciso dela aqui, mas me preocupa sua demora. — Tentava não revelar o real motivo para a loira. Emma tentara por várias vezes enfrentar Cora, principalmente quando via sua amada recuar sob as ordens da mãe. Não tinham uma relação muito saudável.
– Provavelmente deve ter encontrado uma distração na beira da estrada. — Sorriu ao se lembrar do comportamento da "cunhada". Voltou a observar a cidade. A vista daquele ponto era linda, o que a deixava com vontade de tomar Regina ali mesmo. Porém, deveria se controlar. Estavam em alerta.
– Nós também devíamos encontrar uma, não acha? — Sentiu os lábios da morena em seu pescoço, ela conhecia seus pontos fracos. A voz rouca em seu ouvido. Emma sentiu seu corpo se arrepiar e estremecer. Fechou os olhos tentando se concentrar, a respiração ofegante.
– Regina. — Sussurrou como um aviso, mas não conseguia se afastar dos toques de sua amada. A mão da morena passeava por suas costas, seus braços e os lábios em seu pescoço e nuca. Seus cabelos loiros estavam em um rabo de cavalo, dando mais acesso para a boca da vampira. — Não brinque comigo, majestade. — Disse no ouvido da morena ao virá-la bruscamente e encostá-la na mureta que rodeava o terraço.
Os olhos verdes encontrando os castanhos. Logo os lábios tomaram o mesmo caminho e um beijo urgente surgia. O encaixe entre ambas era perfeito. As línguas brigavam na ânsia de explorar uma a outra. As mãos passeavam por costas, coxas, pescoço, nucas e braços. Emma mantinha um dos joelhos pressionados contra o centro já molhado de Regina. Chupava o pescoço da morena, a marcando como sua. Os gemidos da vampira ecoavam roucos pelo terraço. Já estavam quase se despindo quando ouviram um barulho de rosnado. Tiveram tempo apenas de mudarem de posição, posicionadas para atacarem o que estivesse fazendo aquele barulho.
Um vulto passou entre ambas, mas Emma logo focalizou sua visão e distinguiu o que era. Um híbrido enorme, os olhos vermelhos brilhando na escuridão da noite. Regina apenas a fitou e com um aceno de cabeça da loira, correu para a mureta, impulsionou com os pés e pulou. Mesmo com a altura absurda do prédio, pousou sem fazer nenhum barulho e com uma elegância invejável. A loira teve tempo apenas de se certificar se sua amada estava bem e sua atenção logo voltou-se para o híbrido. O monstro corria em sua direção, o rosto contorcido em fúria, a boca mostrando os dentes pontudos. Emma se esquivou sem dificuldades. Híbridos eram mais fortes, porém quanto mais novos, menos inteligentes em batalhas.
A loira agora lutava com maestria. Embora tivesse treinado apenas uma vez, junto com as lembranças de sua vida, a experiência de batalha também tinha voltado. Ela se lembrava de todos os golpes, todas as esquivas e todas as formas de derrotar cada tipo de criatura. Logo se livrou do híbrido agarrando-o pelo pescoço e quebrando o mesmo. Canalizou um pouco de seu poder na mão direita e com um movimento rápido arrancou o coração da besta. O órgão brilhava em suas mãos, mas estava manchado. Apertou-o em suas mãos e logo o órgão se transformou em cinzas. Correu pelas escadas de incêndio, pulando vários degraus. Ainda não conseguia aterrizar de grandes alturas e suas asas definitivamente não estavam prontas para aparecer.
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Regina corria em sua maior velocidade. Estava de madrugada, não havia nenhum humano na rua, exceto os caçadores. Isso facilitava seu trabalho e embora ela estivesse preocupada com a loira, sabia que sua amada conseguiria derrotar o híbrido sem dificuldades. Sua maior preocupação era saber se Victor também participava do ataque. Se ele estivesse em ataque, teriam sérios problemas e ela defenderia Emma com sua vida. Mesmo estando com medo por sua amada, conseguia derrotar os híbridos que apareciam em sua frente com uma facilidade absurda. Arrancava suas cabeças com um movimento rápido. Pelo canto dos olhos, podia observar seus homens e alguns caçadores derrotando mais criaturas.
Parou bruscamente quando em seu campo de visão entrou alguém que reconheceria em qualquer lugar. Graham a olhava com um misto de raiva e confusão. Estava transformado e diferente da maioria dos híbridos, sua pelagem era clara. Isso apenas enfatizava o fato de que ela muito mais forte do que o restante de seus companheiros. Não tinha o que dizer, sabia que ali eles travariam uma batalha que envolvia muitas coisas, inclusive os problemas que sua família tinha há séculos. Graham foi o primeiro a atacar, atingindo Regina e deixando um pouco tonta.
A morena também se movimentava de forma precisa, atingindo seu irmão com golpes certeiros, mas nenhum deles era mortal como os outros que usara com os híbridos. Regina não conseguiria derrotar Graham daquela forma, ainda não estava preparada para aquilo. Doía demais vê-lo como inimigo. Sem perceber, baixou sua guarda e viu que Graham se aproximava de forma perigosa e furiosa. "Merda" murmurou enquanto tentava se esquivar, mas sabia que não tinha tempo para isso. Até que em poucos segundos, o cenário da luta mudara. Se não fosse sua visão aguçada, talvez não tivesse visto. Era ela que se punha entre Graham e a vampira. Os cabelos dourados caíam em cascatas cacheadas pelos ombros. As azas se mesclavam em negras e brancas agora estavam abertas e o chão tremia com o poder que fluia de sua mãos. Regina podia sentir sua raiva. Emma tinha vindo para lhe proteger. Finalmente, o Anjo salvava mais uma vez o Demônio.
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