The Fênix
10 Capítulo 10
Notas iniciais
The Fênix
Capítulo 10
Acordei novamente de uma boa noite de sono. Eu estava deitado em minha cama e o que eu lembrava era de ter trazido Nati ao meu apartamento e de ficarmos conversando até que a hora ficou avançada.
Não sei exatamente onde ela dormiu, o que me deixou preocupado, até eu escutar alguns barulhos na cozinha.
Levantei meio tonto, olhando a hora e percebendo que ainda estava cedo.
— O que você está fazendo? — Nati estava vestida com uma de minhas camisetas, se movendo pela cozinha.
— Imaginei que depois da noite de ontem, você gostaria de um café reforçado.
Olhei novamente para ela, vestida somente com uma camiseta minha, de pernas à mostra. Eu estava sem camisa e acordei atordoado, mas não me lembro de...
— Nós... Eu e você... — a encarei.
— Não, não, eu dormi no sofá, depois que você pegou no sono. Eu peguei uma camiseta sua, se não se importa. Isso aqui é porque dormimos sem comer nada, então imaginei que estaria com fome assim que acordasse, eu realmente estou faminta.
Sorri para ela. Era tão fácil me esquecer de detalhes estando perto dela... Nati realmente não fazia eu me lembrar de Tris; elas eram duas pessoas completamente diferentes agora e isso ficava visível.
A semana seguiu dessa forma: uma rotina nova, algo bom, pois depois de alguns anos achando que eu nunca me livraria de dormir à base de soros, agora eu passava todos os dias no Fosso, era sempre uma conversa diferente com Zeke. Isso ficou bem natural, reatamos uma amizade maravilhosa e Nati sempre estava lá, se divertindo.
Nati havia sido remanejada por George e eu tive que me acostumar a vê-la usar o uniforme da segurança da cidade. Ela treinava os novatos e, pelo visto, se sentia bem fazendo isso. Eu não sabia exatamente em que ponto estávamos naquele relacionamento, pois ela acabava dormindo toda noite em meu sofá, o que me deixava preocupado, então decidi que era hora de eu dormir no sofá e ela poderia ficar com a cama.
— Isso não é justo, Tobias. Aqui é seu apartamento, eu tenho um local no alojamento e, além do mais, logo eu vou ter um lugar para morar, não preciso usurpar sua cama.
— Você usou mesmo essa palavra? Usurpar?
— Tobias Eaton, não caçoe de mim!
— Não é justo isso, eu não tenho um sobrenome para te chamar quando estou bravo.
Ela jogou um travesseiro em mim.
— Então invente um.
— E se eu não quiser inventar? E se eu quiser te chamar de Natali Eaton?
Ela jogou outro travesseiro e depois entendeu o significado por trás de minhas palavras.
— Você... Tobias... Você disse o que eu acho que você disse?
— E eu achava que você foi treinada para ser esperta...
Ela sorriu para mim e vi as lágrimas se formarem em seus olhos.
Não resisti e segurei em sua cintura, puxando-a para um beijo. Natali estava de joelhos em minha cama, segurando mais um travesseiro. Ela o soltou, deixando suas mãos chegarem à minha nuca.
Desta vez eu não estava conseguindo me conter, minhas mãos foram para dentro da camisa larga que ela gostava de dormir, eu sentia sua pele, o que me fez gemer levemente em seus lábios. Eu sentia o misto de emoções, meu coração acelerado pela adrenalina. Ela não me impediu em nenhum momento e isso me dava razões para continuar
Minhas mãos chegaram a seus seios e ela soltou um leve gemido entre os lábios, então continuei com as carícias. Ergui seu corpo e a deitei na cama, retirei minha camiseta enquanto Natali traçava o contorno de meu corpo com as mãos, eu suspirava ao toque delicado de seus dedos.
Olhei em seus olhos, ela estava tranquila. Sorri e beijei seu pescoço, retirei sua camisa e observei seu corpo. Beijei sua clavícula e fui descendo, beijando seu corpo e arrancando suspiros.
Assim que ela estava totalmente entregue, nós dois nos tornamos um, e ali estava a resposta ao meu pedido.
Pela manhã, a luz entrou pela janela, iluminando o corpo de Natali. A pele de suas costas definidas estava com alguns hematomas dos treinos, ela tinha alguns músculos, mas mesmo assim mantinha a delicadeza feminina. O lençol estava cobrindo até sua cintura, ela estava de bruços e o seu rosto, virado para mim. Uma pequena mecha teimosa de seus cabelos estava em seus olhos.
Sorri, pensando que essa seria a visão que eu teria daqui por diante, as coisas poderiam ser simples assim, sempre.
Acordar pela manhã com ela ao meu lado, vê-la depois do expediente, jantar juntos, rir de alguns vídeos e depois dormir novamente em sua companhia, não necessariamente dormir, mas enfim. Essa era uma vida boa, boa até demais.
Hoje era um dia de folga, então tratei de deitar novamente e ficar ali, imaginado o que me reservava dali por diante.
Natali poderia ter um sobrenome e o curso de tudo estaria em seus eixos.
— O que está pensando?
Ela abriu os olhos e ficou me observando, eu sorri para ela.
— No nosso futuro.
— Fale novamente.
— Nosso futuro.
— Gosto de como isso soa — ela levantou sua cabeça e eu estiquei meu braço. Ela deitou a cabeça em meu ombro, e se encaixou ali, seu corpo encostou-se ao meu, proporcionando um pequeno arrepio.
Nosso pequeno mundo estava ficando completo e eu nem esperava por isso tão cedo.
A semana passou feito vento e, em meio a tantas responsabilidades, a inauguração do monumento à Tris se aproximava e agora o assunto na cidade também era a respeito do meu casamento.
— Tobias então vai ser um homem casado!
— Uma vez Careta sempre Careta!
— Chris, sim, eu vou me casar e Zeke, cale a boca.
— Bem, espero que não esteja seguindo as regras da Abnegação e esteja esperando até o casamento?
Olhei para ele com um ar de advertência.
— Calma aí, cara.
Estávamos bebendo para descontrair um pouco a agitação que foi o anúncio do meu casamento, eu nem havia lembrando que eu, com o cargo que tinha, teria tanto a fazer por um simples casamento.
— Eu estou a ponto de desistir — falei antes de tomar mais um gole.
Nati chegou por trás de mim e me deu um cutucão.
— Quem vai desistir aqui?
— Esse seu noivo aí. Acho que está com medo de casamento.
— Eu o entendo. Acho que desistiremos e aí, eu e o prefeito iremos viver em pecado absoluto. Será um bom exemplo a todos da população.
— Bem pensado, Nati. — Christina bateu no copo de Nati.
— Você duas estão realizadas, acho que é coisa de mulher isso de querer fazer uma festa grande, acho que podemos pular essa parte.
— Tobias, não seja estraga prazer, estava animado com a ideia de um casamento grande.
— Até você Zeke? Pensei que achasse isso careta!
— É careta, mas não significa que não me divirta.
Ray chegou a meu lado, sem pedir licença e falou:
— Tobias, precisamos de você no Edifício Hancock, agora.
— Quem mandou chamar?
— George. Ele disse que é urgente.
— Nati, eu já volto.
— Eu vou com você.
— Não precisa, já acabou seu expediente, fique aqui e se divirta, eu volto logo.
Dei um beijo em sua testa e outro em seus lábios e saí correndo, sendo seguido por Ray.
— Ele adiantou algo?
— Bem, agora que estamos longe dos outros, é algo sobre a fronteira.
Cheguei o mais rápido que pude, entrei no Edifício que era sede da segurança da cidade e fui até George.
— Tobias, veja isso.
Olhei imediatamente para o monitor que mostrava a fronteira, nela havia vários carros brancos encostados e homens com roupas de proteção.
— O que é isso?
Coloquei minha mão na boca para conter o espanto.
— O que eles querem?
— Você não vai gostar disso.
A única coisa que me passou pela cabeça, era que o momento que eu temia chegou, eles vieram atrás dela, Natali.
— Nati — a voz saiu como um sussurro, eu senti que todo meu chão se afundou, senti que meu mundo iria desabar ali mesmo.
— Eles entregaram isso aqui — ele apontou um CD — e deixei para ver com você.
George abriu o compartimento da tv e colocou o Cd dentro. O vídeo começou com um homem que eu já havia o visto eu só não me lembrava de onde.
Com a imagem passando, me lembrei de onde eu conhecia o tal homem: das paisagens de medo de Nat. Era ele quem aplicava as injeções. O ódio se alastrou por mim e eu fechei minha mão em punhos.
O homem começou a falar:
“Chicago, vocês estão com algo que nos pertence — ele falar em algo me deu mais asco, ele falava de uma pessoa e não de um objeto. — Queremos de volta e estamos preparados, sabemos de seu acordo com o governo e sabemos que sua cidade não quer se envolver em nada que se refira às pesquisas, então nos entregue o clone, ela não tem valor nenhum para vocês, mas para nossas pesquisas ela é muito importante. Caso vocês não nos entreguem a número nove, iremos invadir sua cidade sem pensar duas vezes. Sei exatamente de seu poder de fogo, porém temos uma grande equipe que já cercou a cidade e está munida de soros poderosos, entre eles, o do esquecimento e o próprio soro da morte. Não mediremos forças para usá-los. Damos a vocês 24hrs. Enquanto pensam em suas possibilidades, cercamos a cidade e ninguém entra ou sai dela, e se nesse prazo não tivermos o clone, invadiremos."
Percebi que minha mão estava muito apertada quando minha própria unha estava ferindo a palma.
— Você tinha razão, eles vieram atrás dela.
— Sim, mas eles não podem tê-la, eles vão colocá-la novamente naquele lugar.
— Tobias, temos 24hrs para saber nossas opções e te garanto, não são muitas.
— E o governo? Temos um acordo com eles.
— Nossa única comunicação com o governo, sem ser por carta, foi cortada, eu já verifiquei. Estamos por nossa conta e risco.
— Tem de haver opções, eu não posso perdê-la, não...
Corri até o Fosso, Christina e Nati riam de algo que Zeke falou. Eu cheguei até eles sem muito jeito, os assustando mesmo.
— Cara, que foi? Você parece que viu um fantasma!
Olhei para todos e parei meus olhos em Nati. Segurei firme em seu rosto e ela me encarou.
— Saiba que eu irei te proteger de tudo.
— Eles vieram— sua voz saiu engasgada e ela percebeu o que estava havendo.
— Sim.
Todos ficaram perplexos.
— Como pode isso? Temos que reunir as tropas de segurança...
— Calma. George já tem toda a cidade em alerta e com o contingente de plantão, mas isso é em vão, eles têm armas químicas.
— Mas temos medidas de segurança, não podemos ceder a nada sem lutar.
— E a custo de quantas vidas, Zeke? — foi Nati a falar — Eles só querem a mim, não é mesmo?
—Sim, foi o que falaram.
— É simples, Tobias. Não vá colocar inocentes em risco por uma única pessoa, é só eu me entregar.
— Não, você não fará isso, nós não podemos nos render...
— Tobias, qual a situação? — Christina perguntava.
— Não vou mentir; a situação realmente não é boa, eles têm a cidade sitiada e armas químicas com soro do esquecimento e da morte.
Contei a eles sobre o vídeo, mas queria saber mesmo se eles tinham um plano, algo que conseguisse nos fazer sair ilesos e ainda não ter de entregar Nati.
Quando eu olho para o lado, percebo que Nati sumiu. Meu coração se despedaça. Ela sumiu de minha vista em segundos, e mesmo a conhecendo por pouco tempo, é o suficiente para saber o que ela quer fazer.
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