The Four Kingdoms
2 Andrew
Notas iniciais
Depois de mais ou menos cinco minutos encarando a esquina pensando no que acabará de acontecer, me lembrei de que já estava atrasado. Analisei os estragos feitos na minha roupa e cheguei à conclusão de que eu estava horrível para um primeiro dia de aula: Estava com a calça rasgada na altura do joelho e com os braços ralados, além de estar dolorido devido o impacto da bicicleta e do tombo. Pelo menos ninguém vira o acidente, a rua estava deserta como sempre.
Peguei minha mochila e sai correndo para chegar a tempo na escola. Passei correndo pelas portas e assim que cheguei à sala o sinal tocou. Para o meu azar todos já estavam lá, e quando entrei se viraram para me encarar. Tudo o que eu não precisava: chamar atenção.
– Pelo visto algum cachorro confundiu o osso dele com você Andrew! — falou Bill Thompson do seu lugar. Ele era um dos Bad boys que adoravam irritar e fazer piadas de mau gosto com os outros.
As meninas do fundo, melhor dizendo, as patricinhas deram aquelas risadinhas irritantes. De repente uma voz atrás de mim falou:
– Algum problema por aqui pessoal?
Quando olhei para trás vi de quem era a voz, da Prof°Susan. Ela era a professora de biologia que dava aula para os alunos do segundo e terceiro ano do ensino médio. Todos os alunos a amavam e queriam ter aula com ela.
– Tudo bem com você Sr. Cross? — ela me preguntou, me encarando com aqueles olhos azuis que eram muito intimidadores.
– Tudo Senhorita Susan — respondi rapidamente.
– Bem, então pode sentar-se- falou dando um sorriso para mim.
– Claro, desculpe — virei-me e vi o Rick na fileira ao lado da janela, apontando para o lugar vazio na sua frente. Ele sempre chegava antes e guardava lugar para mim, ele era meu melhor amigo.
Me sentei e abri minha mochila para guardar o livro de Verne e pegar meu caderno. A Professora Susan começou o discurso de boas vindas:
– Sejam bem-vindos, espero que esse ano possamos nos conhecer e aprendermos muito. Sou a professora Susan de Biologia, sei que ano passado vocês tiveram aula com a Professora Marian, então se tiverem dúvidas, por favor, não sejam tímidos e perguntem.
– Vamos começar a aula falando da origem da vida — e começou a escrever na lousa o ciclo. Já tínhamos visto aquilo, era só uma revisão. Eu estava copiando no caderno quando o Rick me cutucou e perguntou:
– O que aconteceu com você cara? Parece realmente que um cachorro te atacou e fez picadinho da sua calça.
– Eu cai na rua, tropecei em um buraco na calçada — menti. Não podia falar que fui atropelado por uma garota de bicicleta, era muito humilhante.
– Fala sério, você sempre cai quando está na rua cara, alguém viu?
– Por sorte não, a rua estava vazia — respondi virando o rosto. Eu não sabia mentir, em geral ficava vermelho.
– Eu queria ter visto isso, você se machucou muito?- perguntou rindo.
– Você não deveria ficar rindo disso!- falei já irritado.
– Ok, foi mal! Então, como está o joelho?
– Dolorido — respondi e olhei pela primeira vez o machucado.
Certo, acho que não estava preparado para o que veria. O machucado não parecia tão grande visto de longe e coberto pelo que restara da calça no joelho. Quando vi o sangue seco e o tamanho do machucado quase gritei. Aquilo estava péssimo e cheio de bactérias provavelmente. Eu precisava limpar aquilo rápido.
– Cara, isso aí tá bem feio hein? — falou o Rick.
– Jura? Eu só percebi isso agora- tentei soar irônico
– Pede para ir à enfermaria — sugeriu ele.
– Certo, se minha mãe ver isso ela vai me dar uma bronca daquelas.
Levantei-me, e pedi para ir ao banheiro, porque se falasse enfermaria os garotos iriam começar a rir. Sai da sala e me dirigi para o meu armário, torcendo para ter alguma calça ou short extra lá. Sempre tinha roupas extras e dinheiro no meu armário. Roupas porque eu fazia aula de artes e frequentemente me sujava com tinta ou outra coisa qualquer e dinheiro porque os garotos sempre pegavam de mim para o lanche deles. Eu já estava acostumado com isso.
Por sorte tinha uma calça lá, pelo menos isso tinha dado certo nesse dia tão conturbado.
Peguei-a e me troquei no banheiro e só depois fui à enfermaria que era no andar de cima.
Embora fosse doloroso, fui correndo, pois não podia demorar muito, tinha que voltar antes da aula terminar. Entrei na sala, à senhora Foster estava no canto, sentada em sua mesa lendo a revista “The Rolling Stones”. Era uma revista de adolescentes?!
– O que quer aqui senhor Cross? Enxaqueca novamente? — perguntou com frieza, como se eu fosse uma criancinha intrometida que estava interrompendo sua leitura matinal.
– Eu posso limpar um ferimento que fiz no joelho?! Não vou demorar e não preciso de auxílio.
– Pegue o que quiser — E se voltou para a revista.
A senhora Foster era uma velha caquética que não foi feliz no casamento e não tinha o emprego dos sonhos, por assim dizer. Parecia mais uma múmia e não gostava de ninguém, principalmente de adolescentes. Era toda enrugada, usava óculos que a deixavam com cara de bruxa, não que ela não tivesse. Bem, peguei a água oxigenada e comecei a limpar o machucado que estava vermelho e já parara de sangrar.
– Pronto! Obrigado pela “atenção”!- disse com ironia quando terminei.
Sai pelo corredor, e pelos meus cálculos faltavam vinte minutos para terminar a aula e eu ficara fora da sala por sete minutos. Ok, eu fui rápido, já podia diminuir o passo.
Estava passando pelo corredor das salas de aula do piso superior, e olhei as salas pelos vidros que tinha nas portas.
Vi o senhor Charlie dando bronca em uma sala e também vi alguém que não esperava encontrar naquela escola, a garota da bicicleta: Andy.
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